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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Duelo abençoado pela Copa do Brasil na Vila Belmiro

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a semana de forma primorosa, na quinta-feira rolou um daqueles jogos geniais que somente a Copa do Brasil pode nos proporcionar. A sessão noturna no Estádio Urbano Caldeira trouxe pela primeira vez um time profissional do Amapá para atuar no estado de São Paulo em todos os tempos. O abençoado duelo entre Santos e Santos já entra na lista de jogos mais geniais de 2016.

Apenas duas vezes na história uma equipe paulista enfrentou um time amapaense numa Copa do Brasil, o São Paulo contra o Ypiranga em 1999 e a Portuguesa conta o próprio Santos no ano passado, e nas duas vezes lamentavelmente não houve jogo de volta. Contando com a torcida de todo mundo que ama um jogo perdido, o time reserva do Peixe não conseguiu fazer o placar necessário para evitar o confronto na Vila Belmiro e com isso não tive outra alternativa a não ser descer a serra para ver de perto essa peleja.

(Em tempo, com a vinda do Santos do Amapá, Roraima passou a ser o único estado da federação que nunca teve um time profissional atuando no estado de São Paulo. Em 2010 a Portuguesa eliminou o Atlético com um massacre por 7x0. Em 2011 a Ponte fez apenas 1x0 e não evitou o jogo de volta contra o Baré, mas o time roraimense foi eliminado no TJD pois todos seus atletas estavam irregulares (!) no 0x1. Em 2014, a Macaca eliminou o Náutico com um triunfo por 4x1)


Santos Futebol Clube (o de São Paulo)


Nenhum fotógrafo se dignou a fazer a foto posada do Santos do Amapá, um absurdo. Segue então a imagem do time perfilado para o Hino Nacional Brasileiro


Capitães dos times e trio de arbitragem

Tive a companhia do Mílton nessa jornada até o litoral, uma viagem sossegada de pouco mais de uma hora e sem nenhum perrengue. Chegamos na rodoviária na boa e dali pegamos um táxi até a Vila. A movimentação era tranquila e não demorou para que eu chegasse no meu lugar na parte coberta do estádio. Fiquei ali na boa esperando o apito inicial. Vale lembrar que foi meu 17º jogo ali, o 13º de futebol masculino, sempre matando alguma equipe desde janeiro de 2007.

O 1x1 do jogo de ida não preocupava os mais de cinco mil pagantes, todos já dando como certa a classificação para a segunda fase. Só que o Santos visitante não foi um adversário qualquer e conseguiu segurar durante quase todo o primeiro tempo o onze local, esse atuando novamente com uma equipe reserva.

Demorou um pouco para o Peixe acertar o pé, e embora tenha chegado com perigo algumas vezes no gol defendido por Zé Maria, as oportunidades não foram aproveitadas. O Santos amapaense foi heroico, só que no último lance do tempo inicial sofreu o primeiro. Elano cruzou na direita e Luiz Felipe pulou meio sem jeito. Ele errou a cabeçada, porém por sorte ela bateu em Jari e entrou no gol, colocando os locais mais perto da segunda fase.


Bola levantada na área do Santos... paulista


Jogadores amapaenses trocando passes dentro do círculo central


Outro ataque do time visitante no tempo inicial


Momento em que Luiz Felipe cabeceou a pelota para marcar o primeiro gol do time da Vila Belmiro

No segundo tempo não teve surpresa. Os visitantes recuaram e o Santos cozinhou o Galo, ou melhor, o Peixe visitante, aguardando o tempo passar para sacramentar a classificação. Após alguns gols perdidos, Ronaldo Marques fez um golaço aos 21 minutos em boa jogada pela direita.

Os amapaenses ainda tentavam o golzinho de honra, mas Vladimir se mostrava seguro. Para fechar a fatura, o zagueiro Pretão resolveu dar um presentaço para o atacante Joel. Ele recuou mal uma bola da intermediária e o camaronês driblou o goleiro e tocou tranquilamente para definir o marcador.


Maxi Rolón, camisa 31 do Santos paulista, chutando da entrada da área


Visão geral da Vila recebendo um bom público para o abençoado encontro de Santos na Copa do Brasil


Joel chutando para fechar a fatura na Vila Belmiro


Placar final do genial duelo entre Santos e Santos, um dos jogos mais legais de 2016

O placar final de Santos 3-0 Santos/AP marcou o 22º jogo invicto dos paulistas atuando como mandantes na Copa do Brasil (a última derrota foi para o CSA em 2009). Na próxima fase, a equipe enfrentará o Galvez do Acre. Independente do resultado, deixo os parabéns para os amapaenses, pois só quem é do ramo sabe das dificuldades de fazer futebol longe dos grandes centros. Chegar a jogar na Vila Belmiro já foi um enorme feito para o longínquo time fundado em 1973.

Com os dois times da semana mais tudo que vi na Argentina, somei em abril 16 times novos na Lista, um recorde histórico. Parecia que os 14 que vi em janeiro de 2001 - isso com a ajuda da Copa São Paulo, sempre um mês bastante interessante - permaneceriam no topo dessa lista por mais tempo. Mais de quinze anos depois, foi muito bom ter conseguido quebrar essa marca.

Até a próxima!

sábado, 12 de janeiro de 2013

"JP Especial" na rota da Copinha pelo interior (parte 1 de 6)

Salve amigos!! 

Dando sequência à cobertura JP da 44ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, na última sexta-feira embarquei num voo a São José do Rio Preto para acompanhar, no Estádio Benedito Teixeira, a rodada decisiva do Grupo E, na primeira fase da competição. Além de “matar” um estádio, mais duas equipes seriam incluídas na lista: o Rondonópolis/MT e o ainda mais genial Santos/AP. 

Logo no Aeroporto de Guarulhos, o clima de Copinha se fez presente, com a delegação do São Francisco/BA. O clima esquentou à medida em que o tempo foi passando e, num sobrevôo já sobre a cidade de Rio Preto, já pude avistar o palco das pelejas decisivas. 


Gleidson, lateral esquerdo e meio campo, atuou nas duas primeiras partidas da equipe, ostentando a camisa 27. Foto: Estevan Mazzuia. 


O Teixeirão visto de cima. Foto: Estevan Mazzuia. 

Muito bem recebido pela Federação Paulista de Futebol, na pessoa do senhor Manoel Luís, ou simplesmente Mané, fui logo conversar com dirigentes das equipes que fariam a preliminar: Rondonópolis EC/MT e Santos FC/AP. Parti, então, para as fotos oficiais da partida: 


Rondonópolis EC (sub-20) - Rondonópolis/MT. Foto: Estevan Mazzuia. 


Santos FC (sub-20) - Macapá/AP. Foto: Estevan Mazzuia. 


Arbitragem composta por Gustavo Turra, José Renato Cabral, Fernando Santos Dias e João Augusto Mariano de Oliveira, com os capitães das equipes, Celso (REC) e Davi (SFC). Foto: Estevan Mazzuia. 

Eliminadas da competição, as equipes buscavam uma despedida honrosa. Por um lado, o mais estruturado clube amapaense, o Peixe de Macapá, do outro, também muito bem estruturada, a sensação da última Copinha, o Leão, ou REC. 



O simpaticíssimo Diretor Financeiro do Peixe da Amazônia, Helivan, e o folclórico massagista artilheiro, Biro-Biro. Fotos: Estevan Mazzuia. 

Depois de honrosos resultados na primeira rodada, ambos caíram goleados na segunda rodada, e só pensavam na vitória. Mas logo no primeiro minuto, Sílvio mostrou que, em terra, o Peixe não teria condições de fazer frente ao Leão, batendo com perigo por cima do gol de Irlenson. Pouco depois, novamente Sílvio, descendo pela direita, cruzou para o arremate de Luiz Felipe, abrindo a porteira amapaense. As investidas de Sílvio pelo lado direito deixavam a defesa alvinegra perdidinha. 


Sílvio (8) levou o treinador Aldo ao desespero. Foto: Estevan Mazzuia. 

Mas aos 12 minutos o Santos respondeu com um contra ataque rápido, chegando a acertar o travessão do arqueiro Celso, numa bola alçada da esquerda. Aos 23 minutos o Leão sofreu uma baixa: Sílvio levou uma entrada dura e foi substituído, depois de urrar de dores no gramado. Luan entrou em seu lugar. 


Lançamento mato-grossense. Foto: Estevan Mazzuia. 

Irlenson apareceu novamente aos 30 minutos, interceptando muito bem um cruzamento da direita, de Dione. Mas no minuto seguinte, na seqüência da cobrança de escanteio, Luan bateu colocado, o goleiro fez rápido golpe de vista, e quando viu que a bola entraria, não houve mais tempo pra salvar o segundo gol mato-grossense. Sílvio estava vingado! 



Irlenson defende bola de Dione, mas não consegue impedir o gol de Luan. Fotos: Estevan Mazzuia. 

Ainda pela direito, o Leão chegou ao terceiro: André cobrou escanteio e a bola sobrou para Leonardo só empurrar para o filó. Houve tempo pra mais um, numa das primeiras tentativas da equipe pela esquerda, e novamente apareceu Leonardo, de frente para o gol, com o trabalho de apenas deslocar o arqueiro. E ainda era só a primeira etapa... 


Ataque do Rondonópolis no final da primeira etapa. Foto: Estevan Mazzuia. 

Com a goleada parcial, o Rondonópolis parecia satisfeito na volta para a segunda etapa, ao passo que o Santos não cogitava sair da competição sem um golzinho sequer. Mas o primeiro lance de perigo do Leão, com Dione batendo de fora da área e Irlenson aparecendo bem mais uma vez pra fazer boa defesa. 


Visão panorâmica da partida. Foto: Estevan Mazzuia. 

O quinto gol veio logo após, para tristeza santista. Após uma seqüência de dois escanteios, Irlenson faz outra boa defesa, mas acabou soltando a bola nos pés de Leonardo, que assinalou seu terceiro tento no jogo. 


Irlenson faz bela defesa antes de sofrer o quinto gol. Foto: Estevan Mazzuia. 

Aos 26 minutos Leonardo cobrou escanteio e Everton, que iniciou a partida no banco, acertou a trave, permitindo contra ataque santista, mas o centroavante Luciano perdeu uma incrível chance de descontar, mandando um balão, de frente para a meta amarela, meio sem jeito, é verdade. 


Impedimento marcado em um dos raros ataques santistas. Foto: Estevan Mazzuia. 

Irlenson voltou a aparecer com destaque em tentativas seguidas de Everton e Luiz Felipe. Aos 34 minutos, dói jogadores que entraram no decorrer da partida participaram de uma jogada que quase originou o sexto gol: Lucas cruzou da esquerda e Everton bateu cruzado e rasteiro, com muito perigo. 


Leonardo, artilheiro da partida, se prepara para cobrar escanteio. Foto: Estevan Mazzuia. 

O Santos se abria cada vez mais, em busca do seu golzinho de honra, e o sexto gol acabou saindo de um contra ataque mortal, com Lucas pegando a bola na intermediária e batendo no canto esquerdo de Irlenson. 


Zaga intercepta última tentativa de Luan. Foto: Estevan Mazzuia. 

Ainda houve tempo para Luan tentar ampliar, mas foi interceptado pela guerreira zaga amazônica. Fim de jogo, Rondonópolis 6x0 Santos, resultado que redimiu a equipe sensação do ano passado pela derrota para o América, e contribuiu para que o Santos ficasse com a 100ª e pior campanha entre todas as equipes que participaram da Copinha. 

O Jogos Perdidos sabe da dificuldade de ambos. O Santos, particularmente, fez questão de utilizar apenas jogadores do próprio clube, evitando a prática comum de aluguel de vaga para seleções de empresários. Ambos estão de parabéns. Infelizmente, enquanto o organização e a grande cobertura do futebol brasileiro restringir suas atenções a uma dúzia de clubes, e meia dúzia de estados, muitos talentos deixarão de ser revelados. 

Mal as equipes saíram de campo, as outras duas já estavam no gramado para a disputa da vaga do grupo. Mas isso é assunto para a próxima matéria. Até lá! 

Foi isso! 

Abraços 

Estevan