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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 19): O inesquecível ouro do futebol masculino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Falar sobre o que vivi no dia 20 de agosto de 2016 não é fácil. Desde o primeiro momento tentei um ingresso para a grande decisão da medalha de ouro do futebol masculino da Olimpíada do Rio de Janeiro pois depois de não ter chance de ver a final da Copa do Mundo, queria muito me fazer presente nesse jogo histórico. Fiquei muito tempo tentando um ingresso e na base da sorte descolei um de última hora. A felicidade foi enorme.

Não tinha a menor ideia de quem estaria na decisão do Maracanã antes do pontapé inicial do torneio. Conforme a competição foi seguindo, já imaginava que o time canarinho tinha plenas e totais condições de estar lá. Restava saber quem seria o adversário. Por ironia do destino, quem se credenciou foi a Alemanha. Um duelo desses, dois anos depois do fatídico 7x1 do Mineirão na final do único torneio que a seleção penta-campeã não havia vencido era muito mais do que eu poderia esperar.

Saí do Parque Olímpico da Barra depois de curtir aquele Taekwondo maroto com destino à Zona Norte da capital fluminense e cheguei na região do Maracanã super de boa, com o sol já escondido entre as nuvens e uma temperatura até certo ponto agradável. Assim como na sexta-feira, entrei nas dependências do velho novo estádio junto a centenas de torcedores bem ansiosos. A tensão no ar era palpável.


A fachada do Estádio Mário Filho com destaque para os anéis olímpicos


A enorme rampa que dá acesso para a parte mais alta das arquibancadas


Times perfilados antes do apito inicial


O Maracanã muito bonito para uma grande decisão

Não foi a primeira vez que vi as duas seleções in loco no Rio-2016. Nas quartas-de-final acompanhei o triunfo tupiniquim contra a Colômbia na Arena Corinthians. Também tive o prazer de ver duas apresentações da alemãs no certame: o empate contra o México na estreia de ambos em Salvador e a vitória em cima da Nigéria na semi-final de São Paulo. Uma apresentação boa dos donos da casa e duas mais ou menos da atual campeã do mundo.

Essa não foi a primeira vez que as duas se enfrentaram na história das Olimpíadas. Atuando como Alemanha Ocidental, estiveram frente-a-frente em 1952, 1984 e 1988. O duelo em Seul foi bem emblemático, pois foi válido pela semi-final e eu escutei praticamente todo o confronto no fone de ouvido, em plena aula de Desenho Geométrico. Quando a professora descobriu, ao invés dela me expulsar da sala, me "obrigou" a narrar os pênaltis que deram a vaga na final ao time comandado por Carlos Alberto Silva no banco e Romário e Neto no relvado. Essa havia sido a última participação da equipe europeia até então.

Voltando a 2016, O apito inicial foi dado às 17h30, porém bem antes já estava no meu lugar, tenso e com a adrenalina lá no alto. Para deixar o ambiente ainda mais elétrico, a partida foi boa e com muita emoção, todos os ingredientes necessários para tornarem o combate épico. A primeira boa chance foi alemã aos 10 minutos. Brandt avançou pela esquerda e arriscou da entrada da área. A bola passou por Weverton e explodiu no travessão. Foi apenas o primeiro susto sofrido.

O Brasil estava meio perdidão em campo e tentou, sempre comandados por Neymar, emplacar algumas jogadas de efeito, como aos 13 e aos 19 minutos. Na primeira Luan chutou e a zaga cortou, na segunda, o camisa 10 cobrou escanteio perigoso e Horn cortou no susto. Aos 25, Ginter chegou atrasado e fez falta "nele" na entrada da área. A cobrança do jogador do Barcelona foi primorosa. Ele colocou a bola no ângulo direito, batendo de leve na trave antes de morrer nas redes. Um golaço, o segundo dele dessa forma nos jogos e o segundo que vi bem na minha frente.

A Alemanha não sentiu o gol e teve duas boas oportunidades. Aos 31 Meyer aproveitou uma sobra na entrada da área e Weverton defendeu o belo chute. Três minutos depois, o mesmo Meyer levantou na área e Bender tocou de cabeça. A bola bateu na trave, para o desespero da grande massa, eu incluído, nas arquibancadas. Antes do intervalo chegar os visitantes tiveram outra finalização no travessão. Que sufoco, amigo... Menos mal que a zaga canarinho permanecia até então sem sofrer gols no certame.


Ataque brasileiro e Neymar sofrendo mais uma falta


Alemães retomando a posse de bola


Visão geral de um Maracanã cheio na decisão da medalha de ouro do futebol masculino


Detalhe do gol que abriu o marcador. Cobrança de falta perfeita do camisa 10 verde e amarelo

Infelizmente isso não durou muito no segundo tempo. A agremiação germânica voltou melhor e o Brasil não viu a cor da bola nos primeiros 20 minutos. Dominando as ações, os visitantes deixaram tudo igual aos 13 Brandt rolou para Toljan na direita, o lateral cruzou e Meyer, livre no meio da grande área, empatou. Se a ansiedade já estava em níveis elevados, depois do 1x1 a coisa piorou. Sabendo que precisava voltar a jogar bem o quanto antes, o escrete verde e amarelo retomou as rédeas do cotejo e chegou perto de passar novamente à frente do marcador algumas vezes.

Aos 19 Renato Augusto arrancou pela direita e cruzou. Gabriel Jesus surgiu na grande área e finalizou pra fora. Aos 32, Felipe Anderson recebeu ótimo passe de Neymar só que demorou para concluir. Recuada, a Alemanha se segurou bem e ao final do tempo regulamentar, pintou a famosa prorrogação. Desde o Argentina x Suíça na Copa do Mundo eu não presenciava in loco um "overtime". Teríamos pelo menos mais meia hora de sofrimento.


Zaga alemã cortando cruzamento


Troca de passes no campo de defesa europeu


Mais uma falta. Mais uma cobrança de Neymar

A prorrogação foi sofrida, embolada no meio de campo e com os dois times preocupados em não perder. O Brasil, tendo a exata noção do que significava a final, tentou um pouco mais do que seu algoz de 2014. No primeiro tempo, Luan recebeu bom lançamento de Douglas Santos e se embananou todo, não conseguindo concluir no gol. No segundo, Horn fez brilhante intervenção em chute de Felipe Anderson. Após 120 minutos de bola rolando, tudo igual. A medalha de ouro seria decidida na cobrança de pênaltis.

Naqueles minutos entre a peleja e a decisão na marca de cal milhares de coisas passaram pela minha mente. As medalhas de prata em 1984 e 1988, a derrota contra a Nigéria em 1996, a bisonha eliminação contra Camarões em 2000, o bronze de 2008 e o triste revés contra o México em 2012. Não sou o maior torcedor da seleção, os que me conhecem sabem disso, mas não seria justo perder mais uma chance do ouro, ainda mais jogando em casa.

De certa forma tenho certeza que os 63.707 pagantes também estavam pensando muita coisa, além dos milhões que acompanhavam a transmissão pelos quatro cantos do país. O Maracanã estava quieto, praticamente em silêncio. Poucas vezes nos meus anos de estrada dentro de um estádio eu senti algo igual. O árbitro iraniano Alireza Faghani fez o toss e ficou decidido que a Alemanha iniciaria a série de cobranças.

Matthias Ginter abriu o placar a favor dos germânicos, Renato Augusto empatou, Serge Gnabry fez 2x1, Marquinhos deixou tudo igual novamente. Julian Brandt marcou a favor dos europeus, Rafinha fez o terceiro local, Niklas Süle deixou em 4x3 e Luan igualou. 100% de aproveitamento. Faltando um pênalti pra cada um, agora tinha chegado a hora da verdade. Foi aí que Weverson colocou seu nome na história defendendo o chute de Nils Petersen. O Brasil precisava converter seu último chute para conquistar o ouro.

E foi dele, Neymar, todo o momento. Não gosto dele e todo mundo sabe disso, mas que foi emblemático foi. Os segundos antes da cobrança demoraram horas e o silêncio era total e absoluto. Não se ouvia nem a respiração entre as milhares de pessoas que tomavam as dependências do velho novo estádio. O jovem atleta chutou firme e no exato segundo em que a bola tocou na rede, a tensão deu lugar a uma comemoração alucinada. Vivi uma emoção extrema, absolutamente difícil de explicar.


Matthias Ginter abrindo a disputa de pênaltis


Renato Augusto foi o primeiro batedor tupiniquim


Nils Petersen chutou e Wéverton fez brilhante defesa

O placar final de Brasil 1 (5) - 1 (4) Alemanha deu a esperada primeira medalha de ouro ao futebol tupiniquim na história das Olimpíadas. Depois de tanto insistir, de tanto lutar e de tanta obstinação, finalmente ela foi conquistada. Já disse aqui que não sou o maior torcedor do escrete verde e amarelo - a última vez que me importei de verdade foi na Copa de 1986 - porém não teve como não vibrar muito com esse título. Mesmo sabendo de todas as falcatruas da CBF, de toda a marra dos jogadores nacionais, de tudo de errado que envolve o esporte. Na hora H, isso ficou temporariamente de lado.



Detalhes da cerimônia de entrega das medalhas


Atletas e comissão técnica do Brasil agradecendo a conquista

Fiquei um bom tempo nas arquibancadas do estádio tentando entender e assimilar o que tinha acabado de ver. A depressão pós-Olimpíada e meu desempenho com poucos jogos no restante de 2016 foi diretamente ligado ao que passei naquele 20 de agosto de 2016. Vai ser muito legal dizer que estava no Maracanã quando o selecionado verde e amarelo conquistou sua primeira medalha de ouro no futebol. Sou feliz por ter visto a história acontecer diante dos meus olhos.

Só que as emoções olímpicas ainda tinham um espaço na agenda esportiva. No domingo, dia 21, voltei ao ex-maior do mundo para a gloriosa Cerimônia de Encerramento do Rio-2016. Foi uma coisa tão sensacional que valerá um post especial, fechando essa extensa série "JP na Olimpíada".

Até lá!
@ 2019

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 17): Alemanha ouro no futebol feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede da Olimpíada-2016 eu tinha a ideia de ver bastante coisa, mas nenhuma esperança em assistir provas ou decisões importantes. Por conta e uma sorte imensa e também do auxílio de amigos próximos consegui ver a terceira medalha de ouro de Usain Bolt nos 100 metros rasos por exemplo. Além disso, minha última parada na sede dos Jogos foi muito especial com três eventos geniais nos três últimos dias da festa.

Fui pro Rio pela ponte aérea na manhã de sexta, fechando a trilogia ônibus (no primeiro final de semana), carro (no segundo) e aeroplano. Num calor dos infernos desci no aeroporto Santos Dumont e dali segui até a região do Maracanã sem poder perder tempo, já que o cronograma estava bastante apertado. Tudo para não perder a grande decisão da medalha de ouro do futebol feminino entre Suécia e Alemanha.

Você viu aqui no JP a goleada alemã na estreia contra a genial seleção do Zimbabwe e depois o empate por 2x2 contra a Austrália, ambas as pelejas realizadas na Arena Corinthians. A equipe fez parte do Grupo F e se garantiu nas quartas na segunda colocação da chave. Depois, eliminaram China e Canadá, chegando à decisão inédita. Já as suecas estavam no Grupo E na fase inicial. Mesmo com uma derrota por 5x1 sofrida contra o Brasil, elas se garantiram como uma das melhores terceiras colocadas. Depois eliminaram nada menos do que os Estados Unidos - a primeira vez em que as norte-americanas não chegam na final - e depois, lamentavelmente, o escrete canarinho.

Por conta da inesperada e triste eliminação do onze verde e amarelo, muita gente que tinha comprado ingresso resolveu não aparecer no Maracanã. Apesar disso, o público foi de 52.432 pagantes, um número pra lá de respeitável. Grande parte dos presentes estava torcendo para as carrascas suecas, certamente reflexo dos 7x1 de dois anos antes e da tensão já vivida no ar antecipando a final masculina do domingo. Acessei o ex-maior do mundo de boa, sem crise e antes de ir pro meu lugar dei a famosa passeada pelas dependências do velho novo estádio. Confesso que bateu forte a emoção quando vi a Pira Olímpica pela primeira vez.


Visão do velho novo estádio antes da decisão da medalha de ouro do futebol feminino


A bela Pira Olímpica brilhando no Maracanã


Seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais

Faltando meia hora pro apito inicial finalmente cheguei ao meu lugar e dali fiquei nas duas horas seguintes. Não esperava muito da Suécia e elas confirmaram a baixa expectativa. Já com a Alemanha foi bem diferente já que as moças de vermelho confirmaram o favoritismo e tiveram uma atuação muito boa. A primeira oportunidade da final foi azul e amarela aos nove minutos. Schogh finalizou pelo alto depois de cruzamento de Schelin.

A partir daí só o selecionado germânico apareceu. Aos onze Leupolz escapou pela direita e cruzou por baixo. A goleira Lindahl quase bateu roupa e se complicou. Nove minutos depois Kemme recebeu passe na esquerda e cruzou na cabeça de Leupolz. A camisa 16 subiu bem, porém mandou por cima do travessão. Aos 24 Maier chutou de longe, Lindahl bateu roupa e o rebote caiu nos pés de Mittag. Só que a camisa 11 conseguiu desperdiçar a oportunidade.

A Suécia só voltou a assustar aos 27, quando Schelin recebeu bola na direita, avançou com liberdade e chutou da entrada da área. A bola passou perto da meta defendida por Schult. Desse lance até o final do tempo inicial a partida ficou concentrada no meio-campo e nada mais aconteceu. Os primeiros 45 minutos da decisão da medalha de ouro ficaram em branco.


Bola voando dentro da área da Alemanha


Agora um ataque alemão, também pelo alto


Investida sueca no primeiro tempo. Notem a bem postada linha defensiva das meninas de vermelho

No tempo final a Alemanha voltou ao gramado não disposta a vacilar mais. Logo aos dois minutos Leupolz atacou pela direita e cruzou rasteiro. A pelota passou por todas as atletas, mas não por Marozsán. A camisa 10 dominou e chutou no alto, sem nenhuma chance para Lindahl. Se ouviram muitas vaias no Maracanã com o tento alemão. A Suécia sentiu o tento e sofreu o segundo aos 15. A artilheira Marozsán cobrou falta na trave e no rebote a zagueira Sembrant, na base do susto, bateu de canela e mandou contra o próprio gol.

Achei que as nórdicas estariam totalmente batidas depois dos 2x0, porém aos 21 elas diminuíram o marcador. Numa jogada pela direita, Schough mandou por baixo e Blackstenius tocou firme, vencendo Schult. Só que esse gol se mostrou apenas um lance isolado e em nenhum momento a vantagem construída foi ameaçada. Aliás, muito pelo contrário. Aos 30 e aos 38 minutos Maier e Marozsán finalizaram bem e Lindahl mostrou serviço. A pressão das meninas do "Konungariket Sverige" foi bem sem graça e conforme o tempo foi passando, a certeza que a medalha de ouro estava definida só aumentava.


Defensora da Suécia tocando na pelota no seu campo defensivo


Cobrança de falta que originou o segundo gol alemão


Zaga vermelha afastando o perigo em tentativa sueca

Quando a canadense Carol Chenard apitou pela última vez, o placar do Maracanã mostrava o placar de Suécia 1-2 Alemanha. Assim como dois anos antes, um selecionado germânico fez a festa na velha nova cancha carioca. A medalha de ouro foi garantida com uma campanha de quatro vitórias, um empate e uma derrota (contra o Canadá na primeira fase). Na sua quinta participação, a quarta medalha. Para as suecas, a prata foi muito bem recebida. O bronze ficou com o Canadá, que derrotou o Brasil em São Paulo.



A volta olímpica das medalhistas de ouro e de prata da Rio-2016


A cerimônia de premiação que marcou o fim da disputa do futebol feminino nos Jogos Olímpicos

Saí do estádio lembrando da Copa do Mundo de 2014 e também refletindo sobre o que tinha acabado de ver. A minha esperança era que não houvesse uma terceira festa alemã no dia seguinte. Não seria justo. Estava a menos de 24 horas de acompanhar a grande decisão do futebol masculino e eu tinha a certeza que, pro bem ou pro mal, eu estava prestes a acompanhar algo histórico. Antes do banho de emoção ainda teve tempo para visitar o Parque Olímpico pela última vez.

Até lá!

© 2018

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 16): Alemães na inédita final do futebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


No dia 17 de agosto, uma quarta-feira, o torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos chegou à sua fase semi-final. No primeiro jogo do dia o Brasil aniquilou Honduras com sua maior vitória na história dos Jogos e se garantiu na grande decisão. O segundo foi realizado pertinho de casa, na Arena Corinthians, e reuniu duas verdadeiras asas-negras do time verde e amarelo: Nigéria e Alemanha.

As duas seleções já haviam aparecido por aqui em jogos da primeira fase: os nigerianos quando foram derrotados pela Colômbia também em solo paulistano e os alemães no ótimo empate contra o México na estreia de ambos em Salvador. Aliás vale lembrar que o encontro contra os norte-americanos foi o primeiro compromisso dos atuais campeões do mundo numa Olimpíada desde os Jogos de Seul.


Bandeiras dos participantes do torneio de futebol, masculino e feminino, do Rio-2016


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians antes dos respectivos hinos nacionais

Essa foi a nona partida realizada na casa corintiana durante a Rio-2016 e a nona em que estive presente. Mantive os 100% de aproveitamento, mas já sabendo que essa era minha despedida por ali, já que estaria no Rio na final feminina e perderia a decisão do bronze. Como ainda não inventaram algo para estarmos em dois lugares ao mesmo tempo, decidi pela grande decisão no Maracanã.

Pela primeira vez acompanhei uma peleja no setor sem cadeiras da Arena e posso falar com propriedade que ver jogo ali é um horror, a visão é péssima e a muvuca é um porre. Resumindo: não indico o setor a ninguém que queira um pouquinho de conforto. Junto comigo, vários amigos e um público total de 35.562 pagantes.

Esperava ver um jogo disputado, afinal de contas, era uma semi-final olimpíca, né? Ledo engano... as duas seleções foram a campo sem inspiração e mostrando um futebol super burocrático de dar sono. Como a Nigéria foi uma decepção completa por todos os 90 minutos, não foi dificil para a Alemanha, que fez um jogo abaixo da crítica, chegar à vitória.

Logo aos nove minutos saiu o primeiro gol depois de boa jogada pela direita e conclusão tranquila de Lukas Klostermann dentro da pequena área. Três minutos depois o goleirão Timo Horn quase ganha o prêmio de vacilão da tarde. Ele quis mandar a pelota pra longe da área mas deu uma furada monstra. O camisa 13 Sadiq tentou se aproveitar dessa falha porém por duas vezes errou o chute sem passar para um companheiro melhor colocado.


Gnabry, camisa 17 da Alemanha, se mandando para o ataque


Julian Brandt atacando pela direita com a firme marcação de Sincere


William Ekong afastando o perigo


Troca de passes no setor defensivo africano

O tempo inicial seguiu embolado e com poucas oportunidades de gol, quase todas alvinegras. Ao final dos primeiros 45 minutos, o marcador mostrava o magro 1x0. Na segunda etapa os campeões olímpicos de 1996 conseguiram a proeza de piorar o que já estava ruim graças a inexpressiva atuação do setor ofensivo.

Jogando na boa e sem sofrer pressão, os europeus também não se animaram e a partida praticamente se arrastou. Emoção mesmo rolou somente a dois minutos do fim do tempo regulamentar com uma pequena aula de contra-ataque e um gol irregular alemão. Selke recebeu bom passe pela direita, avançou pelo campo de defesa e cruzou. Nils Petersen, em impedimento, completou no segundo pau e fechou o marcador.


Timo Horn saindo do gol para fazer a defesa


Arena Corinthians com bom público para a semi-final masculina do futebol


O camisa 2 Jeremy Toljan subindo para cortar cruzamento nigeriano


Placar que colocou a Alemanha na decisão do futebol na minha despedida olímpica de São Paulo

O placar de Nigéria 0-2 Alemanha colocou a seleção européia na decisão dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história na sua nona participação. Era a chance que todo o brasileiro queria para devolver cerca de 0,5% da sofrida derrota de 2014. O mais legal? O fato de que eu tinha ingresso garantido para a disputa da medalha de ouro. Perdendo ou ganhando, com certeza seria (como foi) sensacional ver a história ser escrita na minha frente.

Com essa peleja, encerrei os trabalhos na Olimpíada fora do Rio de Janeiro. Na manhã da sexta-feira, dia 18 de agosto, me mandei novamente para a antiga capital federal para uma trinca de eventos de respeito para me despedir com estilo do Rio-2016.

Até lá!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 6): Tudo igual entre Alemanha e Austrália

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a segunda rodada do Grupo F no torneio feminino de futebol da Olimpíada vi um grande jogo, com certeza um dos melhores do Rio-2016. Alemanha e Austrália foram a campo na Arena Corinthians para 90 minutos eletrizantes, deixando os mais de 36 mil torcedores que pagaram ingresso extasiados.

Como você viu aqui no JP, a Alemanha goleou o Zimbábue na rodada de estreia, enquanto as australianas foram derrotadas pelo Canadá. Por conta de todo o histórico, as europeias eram favoritas, mesmo sabendo que não seria nada fácil essa tarefa. Esse foi o segundo encontro entre as duas na história olímpica. O primeiro, realizado durante os Jogos de Sydney, teve vitória germânica por 3x0.


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians

Desde os primeiros movimentos já dava para ver que esse jogo seria muito diferente do que a preliminar. O selecionado verde e amarelo abriu o placar aos seis minutos num lance aonde a bola foi roubada no meio de campo, Foord avançou pelo campo de defesa e tocou para Samantha Kerr na esquerda. Ela chutou de primeira e fez o primeiro gol australiano na Olimpíada.

A Alemanha quase empata aos oito em cabeçada que tirou tinta da trave. Aos 11, Williams fez grande defesa em chute de longe. Quatro minutos depois, foi a vez da Austrália chutar e quase ampliar. A maior chance alemã aconteceu aos 35 com a camisa 11 Anja Mittag. Ela driblou duas defensoras e mandou colocado, mas Williams tocou com a ponta dos dedos pela linha de fundo.

O ritmo do jogo era absolutamente sensacional e aos 39 a Austrália quase fez o segundo num tiro que passou raspando a trave direita de Schult. No lance seguinte, nova defesa incrível de Williams em chute de longe de Melanie Behringer. Os mais de 36 mil torcedores comemoravam e apludiam os lances dos dois lados, todos entusiasmados por conta do belo jogo.

Depois de tantas oportunidades, as meninas da terra dos coalas finalmente fizeram o segundo aos 45 minutos. Lisa de Vanna fez uma jogada maravilhosa pela esquerda, com direito a caneta na zagueira, e cruzou por baixo. Caitlin Foord tocou de leve para ampliar a vantagem. Na saída, a Alemanha diminuiu com um golaço de Sara Daebritz por cobertura, no último lance do tempo inicial.


Ataque alemão e disputa de bola pelo alto dentro da área australiana


Cruzamento dentro da área da Austrália


Leonie Maier, camisa 4, em lance pela esquerda


Mais uma investida alemã pela esquerda

No tempo final a seleção "alvi-negra" se viu obrigada a buscar o empate de forma mais incisiva e isso fez com que a Austrália levasse enorme perigo nos contra-ataques. No primeiro deles, acontecido aos 16 minutos, Foord teve a oportunidade do terceiro em lance cara-a-cara com Schult, que fez grande defesa. A mesma Foord teve outra chance parecida dois minutos depois, mas a bola saiu por cima.

As alemãs não conseguiam segurar o rápido ataque adversário e aos 25 Michelle Heyman acertou um tirambaço que obrigou Schult a mandar para escanteio. Aos 30 aconteceu a primeira grande chance europeia no tempo final em tiro de longe e ótima intervenção de Williams. Três minutos depois a arqueira da Alemanha fez besteira e mandou a bola nos pés de Samantha Keer. Só que a camisa 15 jogou fora mesmo com o gol aberto.

Após ter jogado fora o terceiro gol por várias vezes, a Austrália foi castigada aos 42 minutos com o empate. Behringer levantou a pelota na área e a capitã Saskia Bartusiak apareceu no segundo pau para tocar de barriga e deixar tudo igual. Um lance de enorme azar da arqueira Williams.


Elise Kellond-Knight batendo escanteio pela esquerda


Boa saída da goleira Schult em cruzamento na área


Lance de ataque a favor da Alemanha


Placar final do belíssimo jogo realizado na Arena Corinthians, um dos melhores do Rio-2016

E foi com o placar de Alemanha 2-2 Austrália que a árbitra neo-zelandesa Anna-Marie Keighley apitou pela última vez na Arena Corinthians. Um resultado heroico conquistado pelas medalhistas de bronze em 2000, 2004 e 2008, que foram para quatro pontos ganhos em dois jogos. A seleção verde e amarela ficou apenas com um. No final da primeira fase, as duas conquistaram vaga nas quartas-de-final.

Essa rodada marcou o fim da primeira parte do meu cronograma no Rio-2016. No dia seguinte fui pela primeira vez ao Rio de Janeiro (de um total de três) e fiquei ali durante três dias acompanhando meus primeiros eventos olímpicos propriamente ditos. Teve muita coisa boa na jogada.

Até lá!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 3): Duelo de campeões olímpicos e mundiais em Salvador

Texto e fotos: Fernando Martinez


A competição era outra, mas é fato que deu pra lembrar um pouquinho da Copa do Mundo logo na primeira rodada do futebol masculino da Olimpíada 2016. Tudo por conta de um cansativo porém muito prazeroso bate-volta São Paulo-Salvador só para curtir de perto a jornada inicial do Grupo C na belíssima Arena Fonte Nova. 

Saí da terra de garoa na hora do almoço e menos de três horas depois já pisava em solo baiano, na minha terceira visita à primeira capital do Brasil. Por sorte não estava muito calor e como aconteceu durante o Mundial de 2014, ainda peguei bastante chuva durante o curto período em que estive por lá.

Deixei as coisas no hotel e sem tempo de descansar segui dali até o palco da genial rodada dupla. Abrindo os trabalhos, o encontro do atual campeão olímpico contra a atual campeã do mundo: México x Alemanha. Como perdi o selecionado germânico na Copa, apostava as últimas fichas para vê-los agora em 2016. Tudo deu certo e eles foram o time de número 636 a entrar na minha Lista.


Fachada da Arena Fonte Nova


México e Alemanha perfilados na estreia de ambos na Olimpíada

Se dois anos atrás chegar ali foi um inferno, felizmente dessa vez foi a maior moleza. O táxi me deixou praticamente na porta do estádio e não demorei nem quinze minutos para percorrer o caminho até o meu lugar. O público pagante de 16.500 pessoas deixou a Fonte Nova relativamente vazia... ou seja, uma bênção, já que não teve aperto ou muvuca, tirando a luta - perdida, por sinal - na busca por algum produto nas lanchonetes.

Esse foi o segundo encontro entre mexicanos e alemães na história dos Jogos Olímpicos. O primeiro, realizado em Munique-72, terminou com o empate por um gol. E por mais surreal que pareça, vale lembrar também que mesmo com toda a tradição no esporte, a atual tetra-campeã mundial não disputava uma Olimpíada desde 1988.

Chovia muito quando o árbitro iraniano Alireza Faghani apitou pela primeira vez e as duas seleções iniciaram a peleja. Os primeiros 45 minutos foram todos dos norte-americanos. O México foi melhor e a Alemanha não conseguiu criar chances objetivas contra a meta do arqueiro latino.

Hirving Lozano, camisa 8 do México, foi o autor das melhores finalizações do tempo inicial. A primeira num chute que tirou tinta da trave aos cinco minutos e o outro aos 26, quando ele apareceu livre pela direita e finalizou, obrigando Horn fazer brilhante defesa. Ao final do primeiro tempo, um jogo bem mais ou menos e o empate sem gols.


Suele, camisa 5 alemão, atacando pela esquerda


Bola cruzada para o camisa 3, Lucas Klostermann


Boa defesa de Alfredo Talavera


Julian Brandt e a marcação firme de Michael Perez e Erick Gutierrez

Após ter fracassado na simples missão de comprar um refrigerante no intervalo, voltei para o meu lugar e vi um segundo tempo muito, mas muito melhor do que o primeiro. O México saiu na frente aos sete minutos com Oribe Peralta, carrasco do Brasil em 2012, subindo sozinho entre os zagueiros e cabeceando tranquilamente no canto esquerdo.

Dois minutos depois, Gnabry perdeu a chance do empate na entrada da pequena área. Aos 13 não teve erro e ele mesmo deixou tudo igual após receber bom passe em profundidade pela esquerda e tocar com estilo no canto de Alfredo Talavera. O jogo estava eletrizante e a Alemanha não teve nem tempo de comemorar, pois aos 16 Rodolfo Pizarro colocou de novo os mexicanos na frente. Bueno tocou de peixinho, a bola bateu na trave e no rebote o camisa 7 tocou meio sem querer e fez o segundo.

Aos 29 o onze norte-americano quase amplia sua vantagem com Lozano, só que ele demorou um segundo a mais para chutar, dando tempo de Horn fazer a defesa. Aos 32, Gnabry perdeu chance clara e Talavera jogou pela linha de fundo. Na cobrança, a bola foi levantada na área e Ginter se livrou da marcação para cabecear firme e deixar novamente tudo igual.


Toljan alcançando pela direita do ataque europeu


Comemoração mexicana com o gol de Peralta, o primeiro da peleja


Hirving Lozano levantando a pelota dentro da área alemã


Disputa dentro do círculo central

O jogo continuou bom, porém sem mais nenhuma alteração no marcador. Ao final dos 90 minutos, o México 2-2 Alemanha foi justo pelo que as duas seleções apresentaram no gramado da Arena Fonte Nova. No fim das contas, foi uma boa estreia de ambas.

Muita gente se mandou do estádio depois dessa peleja, já que o jogo de fundo para muitos não tinha nenhum apelo. Não para mim, já que armei toda essa correria para ver justamente uma das seleções envolvidas na "principal" partida da rodada. Teve time novo, e raríssimo, na Arena Fonte Nova.

Até lá!