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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Somente o JP registrou: Meia Noite derrota o Urawa em Louveira

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na terça-feira tivemos o prazer de ver um insólito jogo na cidade de Louveira, perdidaço mesmo. Só que na quinta-feira a alternatividade atingiu níveis estratosféricos com uma peleja que entrou no Top 10 das mais perdidas da vida. De novo no Estádio José Silveira Nunes, ficaram frente a frente os elencos sub-15 do Meia Noite de Patrocínio Paulista e do Urawa Red Diamonds do Japão. Nem no saudoso Elifoot era possível algo tão randômico assim.

Como disse na matéria do duelo dos japoneses contra a Ponte Preta, a equipe do Urawa veio ao Brasil para passar um período treinando em Louveira a convite de um empresário de Itatiba. O detalhe mais curioso da tarde foi que o duelo marcou o primeiro compromisso internacional da história do Meia Noite. O clube se filiou este ano na FPF e viu a chance de estrear contra um adversário estrangeiro. Somente o Jogos Perdidos cobriu esse confronto histórico.


Os capitães do Meia Noite e do Urawa Red Diamonds trocando camisas antes da peleja


Esporte Clube Meia Noite SAF (sub-15) - Patrocínio Paulista/SP


Urawa Red Diamonds (sub-15) - Saitama/JAP


Os capitães e o árbitro do amistoso internacional em Louveira

A caravana da quinta-feira teve a direção do amigo Caio, a presença de Renato "Bee-man" Rocha — ambos também presentes contra a Ponte — e, vendo pela primeira vez o Urawa, a dupla Pucci e Rodrigo Colucci, o maior galã da Lapa. Saímos mais cedo para emendar um almoço no Pizza Hut da estrada. Para minha decepção, aguentei pouco e não consegui acompanhar o farto apetite dos amigos.

Chegamos ao estádio e, desta vez, não teve muito atraso. As duas equipes já estavam a postos e a arbitragem também. A única diferença foi a ausência do pessoal da prefeitura local. Também tivemos o pontapé inicial dado pelo Renato, o Homem-Abelha. Cerca de cinquenta pessoas, se muito, acompanharam a peleja.

O Meia Noite, atualmente na segunda fase do Paulista sub-15, fez uma atuação sólida contra os asiáticos. Perdeu duas chances claras até abrir o placar com um gol de Derick. O Urawa chegou a marcar duas vezes, mas o assistente — nada mais do que um integrante da comissão técnica com uma camiseta na mão — anulou ambos os tentos por impedimento.

Na etapa final, fui dar uma volta ao redor do campo e relembrar as calorentas rodadas duplas que acompanhei ali nas Copinhas de 2010 e 2013, esta última com direito a uma baita insolação. O sol estava forte, mas nada absurdo como no mês de janeiro. Dentro das quatro linhas, o Urawa buscou o empate desde os primeiros movimentos, sem sucesso. A molecada japonesa perdeu pelo menos duas oportunidades que, se bobear, até eu no estado físico atual faria.

O Meia Noite colocou as manguinhas de fora e anotou o segundo gol numa pintura de Edu Bernardes. Ele avançou pela esquerda, tirou do zagueiro e colocou no ângulo esquerdo do arqueiro visitante. O Urawa sentiu o gol e foi a vez dos locais desperdiçarem bons momentos. No fim, o triunfo por 2 a 0 ficou de bom tamanho. Uma honra o JP ter sido o único veículo de imprensa a registrar o fato.


O Meia Noite começou seu primeiro amistoso internacional assustando o onze japonês



Detalhe do primeiro gol brasileiro em Louveira, marcado por Derick, camisa 19




Mais lances do primeiro tempo no José Silveira Nunes



Na etapa final, o Meia Noite seguiu mais perigoso



Edu Bernardes acertou um belo chute no ângulo esquerdo e marcou o segundo tento local





No fim, o Meia Noite saiu de campo com a vitória em seu primeiro compromisso internacional na história

O melódico Rodrigo Colucci ainda tentou aquele famoso escambo, trocando camisas com a rapaziada do Urawa, mas não teve sucesso. Foi difícil conversar com o pessoal, pois, além de não entenderem o português, também não falavam inglês. Como o amigo ainda não se aventurou a aprender a língua do país oriental, ficou sem levar uma peça original para casa.

Foi isso. Pegamos o caminho de volta até a capital sem trânsito e não demorou para estar no QG da Zona Oeste. Foram duas viagens em três dias… e, na sexta, ainda emendei outra: a abertura do mata-mata do Paulista sub-20 da Série B, onde acompanhei outra apresentação do Nacional.

Até lá!

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Ponte Preta supera o Urawa Red Diamonds em amistoso perdidaço

Texto e fotos: Fernando Martinez


A gente está acostumado a ver jogos de campeonatos com tabelas pré-definidas, o que permite decidir a programação com certa antecedência. Só que, de vez em quando, surgem partidas do nada, sem aviso, sem cerimônia e que, em alguns casos, já nascem históricas antes mesmo de acontecerem. Foi o caso da sessão vespertina da última terça-feira.

Depois de 12 anos, voltei de forma inesperada à cidade de Louveira, local que eu imaginava não ver futebol outra vez. A visita ao Estádio José Silveira Nunes foi obrigatória, pois o duelo que aconteceu ali beirou o surreal: Ponte Preta x Urawa Red Diamonds, pela categoria sub-15. Não tinha como perder a chance de colocar o escrete japonês na Lista.


Entrada da cidade de Louveira


Fachada do Estádio José Silveira Nunes

Descobrimos que o Urawa estava no país graças às andanças do amigo Caio no Instagram. Renato “Bee” Rocha, o homem-abelha, foi atrás de mais informações e descobriu que o onze asiático veio ao Brasil treinar em Louveira por cerca de duas semanas. Um empresário de Itatiba convidou a equipe, e eles vieram para cá. Tudo bem que era sub-15 e não o time principal, mas valia do mesmo jeito.

Armamos a caravana de terça-feira, além dos dois amigos já citados, contando também com o Mário, maior entusiasta de vídeos oriundos do Sudeste Asiático no Brasil. O ponto de partida foi, como sempre, o glorioso Posto Shell, perto da Estação São Paulo-Morumbi da Linha Amarela do metrô paulistano. Sem pressa, chegamos ao simpático estádio faltando meia hora para o apito inicial.

Meia hora no papel. Quando entramos nas dependências do José Silveira Nunes, apenas a molecada nipônica estava aquecendo. A arbitragem e a Macaca ainda não haviam chegado. Pintou um certo medo de tudo ir por água abaixo. Por volta das 15 horas, eis que a delegação campineira e o homem do apito apareceram ao mesmo tempo. Por se tratar de um amistoso, digamos que havia uma certa licença poética no ar.


Associação Atlética Ponte Preta (sub-15) - Campinas/SP


Urawa Red Diamonds (sub-15) - Saitama/JAP


O árbitro com os dois capitães antes do surreal amistoso


A arquibancada está em um estado pior do que estava em 2013 e as cabines de imprensa deixaram de existir

Renato “Bee” Rocha foi consultado para definir a duração do jogo (!). Ele sugeriu dois tempos de 40 ou de 35 minutos, e escolheram a primeira opção. Às 15h15, integrantes da prefeitura de Louveira, o secretário de Esportes e o árbitro conversavam animadamente dentro de campo, sem sinal da bola rolar. Como tínhamos uma sessão noturna pela frente, o eterno “Gene Simmons da Alegria” (saudades, Copa do Mundo) colocou ordem na casa, apressou todo mundo e finalmente a ação começou pontualmente (#sqn) às 15h27.

Líder de sua chave no Paulista sub-15, a Ponte Preta teve trabalho contra o Urawa Red Diamonds. A Macaca sofreu o primeiro gol logo no início, mas teve forças para virar a peleja rapidamente. Os japoneses empataram e, antes do intervalo, o alvinegro campineiro retomou a vantagem. O primeiro tempo foi eletrizante, com direito a gol anulado dos sul-americanos e chances claras para ambos os lados.

No intervalo, fui dar uma volta pela arquibancada. Constatei que as cabines de imprensa não existem mais e que o local está precisando de um bom retoque de pintura. Minha primeira partida ali foi em 2005, um São Caetano 3x3 Chapadinha do Maranhão pela Copinha daquele ano. Voltei em 2006 para um jogo do sub-20, depois em 2010 e 2013 pela Copa São Paulo, e ainda em uma rodada dupla do sub-15/sub-17 do falecido Red Bull Brasil contra o também extinto Mogi Mirim. Desde que o antigo RBB deixou de usar o campo, ele nunca mais recebeu jogos de torneios da FPF.

Da arquibancada vi o começo da etapa final e, depois, retornei ao gramado. Toda a emoção dos primeiros 40 minutos se perdeu em jogadas pouco inspiradas e muitos erros de passe. O Urawa teve duas grandes oportunidades de empatar, em finalizações próximas da pequena área. A Ponte, já com seu time reserva, pouco fez. No fim, prevaleceu o placar da etapa inicial: Ponte Preta 3x2 Urawa Red Diamonds.


Detalhe do primeiro gol ponte-pretano em Louveira





Lances do primeiro tempo



Belo gol de cabeça da Ponte Preta, mas anulado pelo assistente, que nada mais era do que um integrante da comissão técnica do Urawa com uma camiseta na mão



Aqui o terceiro gol da Ponte Preta






Detalhes do segundo tempo, bem mais fraco do que o primeiro, de Ponte Preta x Urawa Red Diamonds

Enquanto o Mário deixou a caravana para entrevistar Túlio Tanaka, atleta naturalizado japonês que disputou a Copa do Mundo de 2010, nós pegamos a estrada, já que ainda havia uma cobertura à noite. Mas o duelo surreal entre brasileiros e asiáticos já ganhou lugar de destaque na minha Lista (e na quinta ainda terá outro ainda mais inusitado).

Até a próxima!