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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

De volta à Copa do Brasil, Portuguesa é eliminada pelo Botafogo/PB

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na noite de quinta, surgiu a chance de ver um jogo que poderia muito bem ter acontecido em um Brasileiro do fim dos anos 1970 ou em alguma Taça de Ouro do começo dos anos 1980. Direto do Estádio Paulo Machado de Carvalho, acompanhei um genial Portuguesa x Botafogo/PB pela primeira fase da Copa do Brasil. O fato de ser no Pacaembu deu um ar ainda mais nostálgico ao confronto.

A Lusa não disputava a segunda competição nacional mais importante há oito anos, reflexo do limbo em que se meteu após seguidas temporadas na Série A2. O retorno veio graças à boa campanha no Paulistão 2024, onde chegou às quartas de final. Na história, suas participações na Copa aconteceram de 1997 a 2002 e depois de 2007 a 2017.

Sem um lugar de destaque no ranking da CBF, a Portuguesa – que perdeu alguns atletas importantes após a eliminação no estadual – teve que jogar em casa nesta fase inicial. O Belo, atualmente na Série C, não seria um adversário fácil. A equipe ficou em segundo lugar na fase inicial do Campeonato Paraibano, com seis vitórias, um empate e duas derrotas.




Detalhe dos times perfilados e depois posando para as fotos oficiais. De longe, mas está valendo


A cadeira para a imprensa foi feita com as cadeiras da antiga numerada descoberta

Eu consigo me credenciar para jogos da Libertadores, mas não para campeonatos da CBF. Isso diz muito sobre a entidade e sua péssima gestão. Minha presença na peleja ficou ameaçada, mas, contando com a prestatividade do amigo Don, assessor de imprensa da Portuguesa, garanti um lugar nas "cabines" do Pacaembu.

Foi minha primeira vez ali depois da reforma. Se a concessionária cometeu a bobagem gigantesca de remover todas as cabines, ao menos criou um espaço razoável para a mídia escrita – mas adequado apenas para jogos pequenos ou médios. Agora, todo mundo, de emissoras de TV a rádios, webrádios e jornalistas, fica no mesmo setor. Em partidas grandes, a tendência é que vire um aperto só. Ah, detalhe: as cadeiras do espaço foram feitas com as antigas numeradas descobertas. Especificamente isso, achei que não ficou ruim.

Ali do alto, vi a torcida rubro-verde tomar um banho de água fria logo no começo. Aos quatro minutos, Rodrigo Alves acertou uma bicicleta perfeita e colocou o Botafogo/PB em vantagem. Pouco depois, Rildo, de cabeça, deixou tudo igual.

A Portuguesa ficou mais com a bola, mas sem criar chances claras. O Belo, mais incisivo, teve os melhores momentos. No segundo tempo, o cenário se repetiu: posse de bola da Lusa e perigo dos visitantes. Nos acréscimos, Rildo chegou a marcar a virada, mas o gol foi anulado por impedimento. Com o empate no tempo regulamentar, a decisão foi para os pênaltis.

Nas quatro primeiras cobranças, o placar ficou em 3 a 3. Maceió e Guilherme Santos desperdiçaram. Rildo bateu o quinto pênalti lusitano, mas Wallace defendeu. Na sequência, Thallyson chutou no canto esquerdo e garantiu a classificação do Belo.








Lances de Portuguesa x Botafogo/PB no Pacaembu, jogo com cara de Brasileirão dos anos 1970



O pênalti perdido por Rildo e Thallyson colocando o Botafogo da Paraíba na segunda fase da Copa do Brasil.

O Portuguesa 1-1 (3-4) Botafogo/PB foi trágico, especialmente pelo prejuízo financeiro. A derrota custou um milhão de reais, valor da premiação pela classificação. Assim como em 2009, 2011, 2013 e 2014, o clube do Canindé foi eliminado de forma precoce na primeira fase. Além disso, perdi a chance de ver o Concórdia jogar no Pacaembu. Uma pena.

Com a SAF ainda precisando mostrar serviço, a montagem do elenco para a Série D precisa ser bem melhor do que no Paulistão. As metas foram cumpridas, mas em 2025 o clube venceu apenas dois dos 13 jogos que disputou – muito abaixo do esperado. Agora, serão dois meses sem futebol até a estreia na quarta divisão nacional, no meio de abril.

Até a próxima!

Ficha Técnica: Portuguesa 1-1 Botafogo/PB (3-4)

Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitro: Jonathan Benkenstein Pinheiro/RS; Público: 2.036 pagantes; Renda: R$ 89.040,00; Cartões amarelos: Talles, Tauã, Róbson (Por), Henrique Dourado, Rodrigo Alves, Erick, Natham (Bot), Guilherme Santos, Falcão e Reniê; Gols: Rodrigo Alves 4 e Rildo 12 do 1º.
Portuguesa: Rafael Santos; Talles, Gustavo Henrique, Eduardo Biazus e Pedro Henrique; Barba (Matheus Nunes), Tauã (Fernando Henrique) e Rildo; Igor Torres (Deivid Santos), Maceió e Everton Messias (Guilherme Portuga). Técnico: Cauan de Almeida.
Botafogo/PB: Wallace; Erick, Reniê, Wendel Lomar e Sidcley (Evandro); Gama, Thallyson e Bruno Leite (Gustavo Ramos); Guilherme Santos, Rodrigo Alves (Falcão) e Henrique Dourado (Luis Miguel). Técnico: João Burse.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

JP na Amazônia (parte 2 de 2): Humaitá x Brasiliense, uma noite histórica no Acre

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando a quarta-feira, 23 de fevereiro, nasceu, a ficha de que eu estava longe demais de casa caiu de vez. Com duas horas a menos, tinha uma programação cheia de futebol na cidade de Rio Branco, na minha primeira vez na Região Norte e, claro, minha estreia no Acre. Tudo para ver um genial Humaitá x Brasiliense pela Copa do Brasil.

Mas, antes de acompanhar o principal jogo da curta história do Tricolor de Porto Acre, eu tinha algumas horas sem nada programado com a equipe de reportagem da Globo, afinal, o motivo da viagem foi mostrar a minha pessoa cobrindo o “jogo mais perdido da primeira fase da Copa”. Mesmo com um calor insano, resolvi visitar alguns estádios da capital.

Falarei das visitas em momento oportuno, mas visitei a sede do Rio Branco Football Club e o seu campo, o Estádio José de Melo, e o campo do Atlético Acreano, um descampado e só. Na internet ainda encontrei o endereço do que seria o estádio do Atlético Clube Juventus, mas, quando cheguei ao local, não encontrei absolutamente nada. Paciência.

Voltei ao hotel cozido e derretendo, mas sem muito tempo para descanso, já que estava na hora de partir para a labuta. Saí junto com a equipe de reportagem com destino a outro hotel, onde se encontrava a delegação do Humaitá. A ideia era gravar a saída da delegação em direção ao belo Estádio Antônio Aquino Lopes, mais conhecido como “O” Florestão (com destaque para o artigo masculino no apelido).



Fachada do estádio "O Florestão" e o nome do mesmo pintado no pequeno prédio que fica na entrada do campo de jogo


Visão da arquibancada principal do estádio

Localizado no bairro da Floresta, o estádio foi inaugurado em 2011 e tem como dono a própria Federação de Futebol do Acre, a FFAC. Muita gente confunde o “O Florestão” com a Arena da Floresta, mas são dois estádios diferentes. A Arena é do governo do estado e foi inaugurada em 2006, mas não vem sendo utilizada, pois “está largada”, palavra de todo mundo com quem conversei. Tanto está que os jogos do estadual estão sendo realizados no campo da federação.

Chegamos no Florestão mais de duas horas antes do apito inicial, junto com o pessoal do Humaitá. Devidamente credenciado, logo estava com meu colete no gramado. Apesar de o sol já ter sumido, o calor era absurdo e a temperatura passava dos 28 graus. Já passei muito calor no interior de São Paulo e em outros estados, mas, na Amazônia, a história é bem diferente. É algo opressor, que toma conta da alma. Por tudo que estava vivendo ali, esse era apenas um detalhe.



Times entrando em campo e ambos perfilados para a execução do Hino Nacional Brasileiro



Humaitá, um time que nunca imaginei assistir ao vivo, e Brasiliense posados antes do confronto


Capitães dos times junto com o árbitro Douglas Marques das Flores (SP), os assistentes amigos de longa data Daniel Luís Marques (SP) e Daniel Paulo Ziolli (SP) e o quarto árbitro Jackson Rodrigues da Silva (AC)

Fizemos algumas imagens no portão de entrada, nas cabines e depois nas arquibancadas do estádio. Dei uma bela volta por todas as dependências do local e o Estádio Antônio Aquino Lopes é bastante ajeitado, realmente. O placar, imenso, merece destaque, assim como as janelas de salas da FFAC que são viradas para o campo de jogo. Não demorou para os dois times irem se aquecer.

A partida foi histórica para o Sport Club Humaitá, pois marcou a estreia do clube em competições nacionais. O Tricolor é de 2003 e se profissionalizou apenas em 2015. Em 2016, foi campeão da segundona e conquistou o acesso. No ano passado, chegou à decisão do estadual e ficou bem perto de conquistar o caneco na elite, porém perdeu para o Rio Branco na disputa de pênaltis. A agremiação já jogou a Copa Verde, mas em torneio nacional era a primeira vez. Todos ali sabiam que a missão contra o Brasiliense, vice da Copa do Brasil de 2002 e que já disputou a elite nacional, seria dificílima. A certeza é que lutariam até o último segundo.

Apesar de todas as dificuldades, o Humaitá fez um jogo muito, mas muito digno. Logo aos três minutos, Aldair fez a festa dos donos da casa ao abrir o marcador após completar cobrança de falta de Felipe Xavão. O Brasiliense demorou para ver a cor da bola. O cenário mudou aos 34 minutos, quando o mesmo Felipe Xavão levou o segundo amarelo ao tocar na bola com a mão dentro da área. Marcão cobrou o pênalti no meio do gol e, com um a mais, igualou o placar, resultado que dava a vaga na próxima fase ao onze candango.

O Humaitá sentiu o golpe e, durante o restante do primeiro tempo e no início do segundo, não se encontrou. O Brasiliense ficou na boa e, aos 21 minutos, virou o marcador com o gol de Badhuga, aproveitando sobra na área. Aos 34, Luiz Fernando devolveu as esperanças ao Humaitá. Nos minutos finais, blitz total do time acreano, que ocupou a área adversária. Foram vários os momentos de perigo, o principal deles aos 45, em saída ruim de Matheus Brandão que, por muito pouco, não resultou em nova virada.





Imagens do início de Humaitá x Brasiliense, valendo vaga na segunda fase da Copa do Brasil



Marcão deixou tudo igual de pênalti ainda no primeiro tempo. A comemoração foi exclusiva para as lentes do Jogos Perdidos









O segundo tempo foi muito bom e com muita luta do Humaitá, mas o empate classificou o clube do Distrito Federal


Placar final da peleja mais legal que vi nos últimos tempos



Confusão após o apito final e atleta do Humaitá sendo entrevistado para falar sobre a eliminação da Copa do Brasil

No fim, o Humaitá 2-2 Brasiliense foi heroico, mas eliminou o clube verde e vermelho da Copa do Brasil. A torcida reconheceu a valentia dos seus jogadores e aplaudiu a atuação da equipe. Foi por pouco que a humilde equipe não se garantiu na próxima fase. O clube de Brasília agora espera o vencedor de Globo e Internacional para saber quem enfrentará na segunda fase.

Ainda ficamos um bom tempo no estádio antes de pegarmos o caminho do hotel. Antes, fizemos um pit stop sensacional em uma lanchonete que parecia cenário do filme Bye Bye Brasil. Comi provavelmente um dos melhores sanduíches da minha vida, com todos os ingredientes possíveis, enquanto assistia ao início da Guerra da Ucrânia em uma TV de tubo que estava com defeito. Juro, me senti em 1977.


Visão do genial estabelecimento onde acompanhei o início da Guerra da Ucrânia comendo um dos sanduíches mais inacreditáveis da minha vida

A equipe da Globo que estava comigo prolongou o término da noite em boates da cidade, enquanto eu, cansado e grudando, preferi ficar no hotel. Foram poucas horas de descanso, pois o voo de volta para a capital paulista partiria na hora do almoço. Cheguei no final da tarde e, caindo de sono e cansaço, fui olhar as fotos da viagem. Sem sombra de dúvida, foi uma das grandes viagens da minha vida, por todo o contexto envolvido. É o tipo de história para se contar até o fim dos dias.

Uma coisa não dá para deixar de falar: não é todo mundo que pode falar que viajou com a Globo bancando tudo, né? Genial demais saber que eu posso.

Até a próxima!

Ficha Técnica: Humaitá 2-2 Brasiliense

Local: Estádio Antônio Aquino Lopes (Rio Branco/AC); Árbitro: Douglas Marques das Flores/SP; Público: 370 pagantes; Renda: R$ 8.220,00; Cartões amarelos: Aldair, Felipe Xavão, Larusso, Ronaldo, Andrezinho, Ferrugem, Gabriel Teixeira (AT-Bra), Radamés, Paulo Costa e Marcão; Cartões vermelhos: Felipe Xavão 33 do 1º, Fábio Henrique e Gabriel Teixeira (AT-Bra) no pós-jogo; Gols: Aldair 4 e Marcão (pênalti) 34 do 1º, Badhuga 21 e Luiz Fernando 34 do 2º.
Humaitá: Marcão; Felipe Xavão, Luiz Fernando, Naldo e Wallace; Larusso (Mamude), Ronaldo e Daniego (Gilberto); Douglas Amaral (Caíque), Fábio Henrique (Bernardo) e Aldair (Wagnão Balotelli). Técnico: Emanoel Sacramento.
Brasiliense: Matheus Brandão; Andrezinho, Badhuga, Paulo Costa (Railon) e Goduxo; Aldo, Luquinhas (Bernardo), Radamés (Ferrugem) e Zotti (Aloísio); Marcão e Matheus Barboza (Kesley). Técnico: Celso Teixeira.

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sexta-feira, 13 de março de 2020

Na boa, Ponte Preta anula a surpresa Afogados/PE em Campinas

Texto e fotos: Fernando Martinez


Terminado o clássico tricolor pelo Brasileiro sub-17 na quinta à tarde, saí de Cotia com a dupla Renato e Caio tendo como destino a cidade de Campinas. Na pauta o genial duelo entre a Ponte Preta e o surpreendente Afogados da Ingazeira FC, o 714º clube a fazer parte da Lista, abrindo a terceira fase da Copa do Brasil. Não imaginava que nessa altura do campeonato eu teria a chance de ver um time novo, ainda mais com esse formato horroroso.

Se o escrete campineiro chegará em breve ao seu 120º aniversário, tem vários capítulos gloriosos através dos tempos, disputa a sua 17ª edição da competição nacional, isso sem contar todas as participações em brasileiros, o onze pernambucano é exatamente o oposto. Fundado em dezembro de 2013, eles disputaram a segunda divisão local de 2014 a 2016, ano em que conquistaram o acesso. Em 2017 e 2018 fizeram campanhas medianas, porém em 2019 a performance foi muito melhor. O terceiro lugar no estadual garantiu presença na Série D e na Copa, suas primeiras competições nacionais.

Na primeira fase os nordestinos fizeram 3x0 no Atlético Acreano e se classificaram para enfrentar nada menos do que o Atlético Mineiro. Parecia uma barbada a favor do primeiro campeão brasileiro... parecia. Nem o mais pessimista torcedor alvinegro esperava a eliminação diante da Coruja do Sertão. O empate por 2x2 levou a decisão da vaga aos pênaltis, e apesar de ter perdido as duas primeiras cobranças, o Afogados teve paciência, venceu por 7x6 e fez história.

Falando em história, o clima pelos lados do Estádio Moisés Lucarelli não está nada calmo pois a Ponte vem fazendo uma das piores campanhas no Paulistão neste século e corre riscos reais de rebaixamento. Na segunda-feira o Bragantino, ou Bragabull para os mais íntimos, venceu o confronto em Campinas e manteve a Macaca no penúltimo lugar geral faltando três rodadas. Uma situação terrível e preocupante. Restou a alternativa de fazer um bom papel na Copa do Brasil para tentar aplacar um pouco a fúria da torcida, que armou altas e perigosas confusões após a derrota..

Quando saímos do CT de Cotia, o GPS indicava que chegaríamos no Majestoso depois do apito inicial por conta do trânsito carregado. O amigo Caio mostrou serviço, arrepiou na estrada e tirou 25 minutos na raça. Assim conseguimos chegar com antecedência e, mesmo com uma pequena chatice na entrada de imprensa, consegui me dirigir até a parte coberta da velha cancha na boa. Os torcedores compareceram em bom número nas cativas e todos estavam confiantes.




Na base da carona, as fotos posadas de Ponte Preta, Afogados, o 714º time a fazer parte da minha Lista, e do quarteto de arbitragem com os capitães

Durante a viagem até Campinas eu achei que a Ponte teria problemas jogando contra um adversário bastante empolgado que vinha de uma classificação antológica. E se a Macaca sofreu contra o Vila Nova na fase anterior - 0x0 e vaga definida apenas nos pênaltis - dessa vez, apesar de não apresentar um futebol tão plástico, não sofreu nenhum susto e foi superior durante toda a peleja.

Tirando um ataque tímido aos 14 minutos, o Afogados foi presa fácil. A Ponte Preta teve quatro boas oportunidades entre os 17 e os 33 minutos antes de finalmente abrir o placar aos 37. A equipe paulista contou com o auxílio luxuoso de Heverton, zagueiro pernambucano, que fez contra após cortar cruzamento de Jeferson pela direita. Antes da etapa inicial terminar, criaram outros dois momentos de perigo.


Disputa de bola no campo de defesa campineiro num dos primeiros lances da partida


Cobrança de falta a favor da Ponte Preta


Bola dançando com perigo dentro da área do Afogados

No intervalo saí do meu confortável lugar nas tribunas e fui encontrar a dupla Emerson & Estevan, decanos do JP e que eu não via há uma eternidade. Resolvi ficar com os amigos numa das arquibancadas curvas da entrada do estádio e ali vimos a segunda etapa. Logo aos quatro minutos, pênalti a favor do onze local. Roger bateu mal e Wallef fez ótima defesa. Só que nem deu tempo do Afogados comemorar - aliás, a presença da torcida pernambucana foi espetacular - pois no minuto seguinte o mesmo Roger recebeu passe de Safira e ampliou.

A Coruja sentiu o golpe e parou completamente de tentar melhor sorte. Aos 20, em escanteio da direita, Bruno Reis dominou, girou e chutou fraco no canto esquerdo. O arqueiro pulou tarde, sem conseguir evitar o terceiro tento alvinegro. Enquanto batíamos aquele papo sempre surreal e super produtivo, a Ponte chegou perto de ampliar a vantagem em dois ótimos lances nos minutos finais, porém o marcador permaneceu inalterado.


Pênalti perdido por Roger no segundo tempo. Por sorte, o segundo gol saiu em seguida


Comemoração dos atletas da Macaca após a marcação do terceiro gol


O Afogados chegou em alta para esse duelo mas não assustou a equipe paulista praticamente em nenhum momento

O resultado final de Ponte Preta 3-0 Afogados deixa os campineiros com um pé e meio na quarta fase. Os pernambucanos precisam vencer por quatro gols de diferença caso queiram seguir no campeonato, sem dúvida uma tarefa bastante complicada e ingrata. O compromisso está marcado para quarta-feira da semana que vem, resta saber se o coronavírus vai deixar acontecer. Vamos aguardar.

Eu não estava muito na pegada de assistir nada na sexta-feira, mas no decorrer do dia fui obrigado a arranjar ânimo que não existia para ver de perto um jogo do Paulistão, talvez o último por um bom tempo. Bom, falarei sobre isso no próximo post.

Até lá!

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Ficha Técnica: Ponte Preta 3-0 Afogados/PE

Local: Estádio Moisés Lucarelli (Campinas); Árbitro: Alexandre Vargas de Jesus (RJ); Público: 3.237 pagantes; Renda: R$ 61.775,00; Cartões amarelos: Bruno Reis, Dawhan, Zanocelo, Erivelton; Gols: Heverton Luís (contra) 37 do 1º, Roger 7 e Bruno Reis 20 do 2º.
Ponte Preta: Ivan; Jeferson (Danrley), Alisson, Trevisan e Lazaroni; Dawhan, Bruno Reis, Zanocelo e João Paulo (Papa Faye); Safira (João Veras) e Roger. Técnico: João Brigatti.
Afogados/PE: Wallef; Rodrigo, Heverton Luís, Diego Teles e Matheus Serra; Douglas Bomba, Jader (Grafite), Eduardo Erê (Erivelton) e Candinho (Nem); Diego ceará e Thalison. Técnico: Pedro Manta.
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segunda-feira, 10 de junho de 2019

De virada, Galo surpreende e elimina o Santos no Pacaembu

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na quinta-feira passada, ainda me recuperando de uma gripe fortíssima, voltei a acompanhar um jogo da Copa do Brasil depois de dois anos. A pedida foi encarar uma sessão noturna de futebol no velho Estádio Paulo Machado de Carvalho. Na pauta livre do JP, o duelo de volta das oitavas de final entre Santos e Atlético Mineiro. Foi a centésima vez que as duas equipes se enfrentaram em todos os tempos.

O surreal é que duas horas antes da peleja eu nem sabia da existência da mesma. Como desde meados de 2018 não tenho as noites livres na maior parte da semana, nem me dou ao trabalho de saber o que está rolando, futebolisticamente falando. Para terem uma exata noção do meu estado atual, eu não sabia nem quanto tinha sido o encontro de ida em Belo Horizonte. Do nada resolvi dar aquela olhada marota no site da CBF e voilà... achei o que fazer.

Minha última presença na Copa do Brasil, que faz 30 anos em 2019, tinha sido no Ponte Preta 1x1 Cuiabá em 2 de maio de 2017. Por não ter visto o certame no ano passado, quebrei uma série que vinha desde 1999 com pelo menos um joguinho visto in loco a cada temporada. Enfim, acontece nas melhores famílias. Nas 58 partidas que acompanhei, coloquei 34 clubes de vinte estados diferentes na Lista, uma média absolutamente sensacional.

O Peixe chegou para essa decisão eliminando nas fases anteriores Altos/PI, América de Natal, Atlético/GO e Vasco da Gama com cinco vitórias e uma derrota. No Independência, o empate sem gols deixou tudo em aberto. Como o onze mineiro estava na Libertadores fez sua estreia no torneio apenas semana passada. Vale destacar que não via o time principal do Galo desde uma derrota contra a Portuguesa por 2x0 no Brasileirão de 2013.

O Pacaembu recebeu um público tímido, exatamente 16.857 presentes, que viu um cotejo bom e bastante animado. Nem bem a ação tinha começado e o Santos saiu em vantagem. Quem marcou foi Gustavo Henrique, de cabeça, escorando escanteio cobrado por Marinho aos cinco minutos. O Peixe foi melhor até metade do tempo inicial. Somente após esse período o Atlético passou também a incomodar.

O primeiro bom momento visitante saiu aos 22 numa finalização do colombiano Chará. Agora melhor em campo, o Galo deixou tudo igual aos 36 minutos com o mesmo Chará aproveitando lançamento primoroso de Cazares. O 1x1 ficou de ótimo tamanho quando o intervalo chegou. Agora sem gol qualificado, a igualdade estava levando a decisão da vaga para os pênaltis.


Bola zanzando dentro da área santista em ataque do Galo no tempo inicial


Chegada visitante pela esquerda e bola alçada na área

Quando a segunda etapa começou, vi um lance histórico na minha longa carreira em estádios: uma decisão revista através do VAR, o famoso árbitro de vídeo. o atleticano José Welison recebeu cartão vermelho por acertar o rosto de Marinho, porém o juizão foi chamado pelo pessoal da cabine e resolveu dar aquela conferida no lance. A maior autoridade em campo acabou voltando atrás, dando apenas o amarelo. É, amigo... o progresso pede passagem.

Os times mostraram um futebol animado com boas chances em série. Aos 15, Cazares chutou e a bola passou perto. Aos 16, Victor fez grande defesa em tiro de Marinho. Na sequência, Jean Lucas quase faz o segundo local. Ricardo Oliveira teve a chance da virada aos 20, mas perdeu. Chará jogou fora uma oportunidade de ouro a favor do Galo aos 25. Emoção atrás de emoção.

Aos 37 o Peixe criou o melhor momento em cabeçada de Lucas Veríssimo. A finalização tirou tinta da trave de Victor, arrancando aquele "uuhh" famoso da torcida que ocupava a velha cancha. Torcida que ficou desolada dois minutos depois com o gol da virada visitante. Num contra-ataque primoroso, Geuvânio tocou para Cazares e ele repassou a pelota para Chará. O colombiano, numa noite inspiradíssima, finalizou com precisão.


Olha o VAR, amigo! Cena que se fará presente em jogos grandes a partir de agora


Um Pacaembu com pouco mais de 16 mil pagantes viu a frustrante eliminação do Santos na Copa do Brasil

O tento foi um banho de água fria nas pretensões santistas. Os comandados de Sampaoli se abateram e quase tomaram o terceiro em bela jogada de Geuvânio aos 44. No fim, o Santos 1-2 Atlético/MG foi um duro golpe para a sequência de temporada do Peixe, que foca a atenção apenas no Brasileirão a partir de agira. O Galo está entre os oito melhores da Copa do Brasil e o adversário será definido semana que vem. Foi apenas a oitava vez em 59 jogos que vi uma vitória visitante nessa competição.

No dia seguinte, ainda me recuperando da gripe, retornei à ativa com a penúltima apresentação do Barcelona Capela como mandante na Segundona Paulista. Não estava nem perto de me sentir 100% bem, porém, não tinha como ficar de fora.

Até lá!
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Ficha Técnica: Santos 1-2 Atlético/MG

Competição: Copa do Brasil; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ); Público: 16.857 pagantes; Renda: R$ 828.070,00; Cartões Amarelos: Lucas Veríssimo, Jean Lucas, Soteldo (San), José Welison, Adilson, Fábio Santos (Atl); Gols: Gustavo Henrique 5 e Chará 36 do 1º. Chará 39 do 2º.
Santos: Everson; Lucas Veríssimo, Aguilar (Jean Mota) e Gustavo Henrique; Victor Ferraz, Jean Lucas, Diego Pituca e Jorge; Sánchez (Soteldo), Marinho e Uribe (Eduardo Sasha). Técnico: Jorge Sampaoli. 
Atlético/MG: Victor; Patric, Réver, Igor Rabello e Fábio Santos; Zé Welison (Adilson), Elias, Cazares e Luan (Geuvânio); Chará e Ricardo Oliveira (Alerrandro). Técnico: Rodrigo Santana.
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