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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Brasil massacra os peruanos e ficam em primeiro no Grupo A

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de duas coberturas uma cobertura na quinta-feira - o futebol de sexta lamentavelmente não aconteceu -, no sábado teve novo jogo da Copa América na capital paulista. Fazendo sua estreia no torneio, a Arena Corinthians recebeu o encontro de líderes do Grupo A: Peru x Brasil. A quarta apresentação da seleção verde e amarela na casa alvinegra e a quarta que acompanhei in loco.

Ver jogo internacional em Itaquera trouxe à tona inevitáveis e saudosas memórias da Olimpíada e principalmente da Copa do Mundo. Trouxe também de volta a certeza de que partida grande ali é algo bastante complicado. As filas eram enormes, o sol estava forte e foi um inferno alcançar o portão de entrada. Outro fator triste é ver que aquele espaço ao redor da enorme construção praticamente vazio. Nem em 2016, nem agora os organizadores tiveram o dom de fazer o mínimo que fosse para entreter direito a rapaziada que pagou ingresso.

Assim como no Brasil x Bolívia, fiquei sozinho e afastado dos amigos que se espalharam por setores diferentes. Com isso ao meu redor tinha aquele monte de coxa, muita gente sem noção, um número avassalador de aventureiros que não sabem o que é acompanhar futebol em estádio. Isso sem contar aquelas musiquinhas horrendas como a vergonhosa "sou brasileiro com muito orgulho". Ter o olho furado com um garfo causa sensação melhor do que ficar escutando essa anomalia direto. O que resta fazer é tentar ignorar os problemas e levar tudo de boa.


Peru x Brasil: depois de Copa do Mundo e Olimpíada, chegou a hora da Arena Corinthians receber um jogo da Copa América


Muvuca absurda na chegada ao estádio. Incrível como evento vai e evento vem e nada muda na (des)organização

Esse foi meu segundo duelo entre brasileiros e peruanos na história. O primeiro foi no distante 25 de abril de 2001, o empate por 1x1 no Morumbi válido pelas Eliminatórias de 2002. Uma noite em que Romário fez seu último gol em compromissos oficiais pela seleção. Depois daquela partida foram apenas outras duas com a amarelinha: Uruguai em julho de 2001 e a despedida contra Guatemala no Pacaembu em 2005.

As duas equipes somavam quatro pontos antes da peleja. Os comandados de Tite derrotaram a fraca Bolívia na abertura por 3x0 e empataram sem gols com a Venezuela em atuação tenebrosa. Os alvirrubros também ficaram no zero contra os venezuelanos em Porto Alegre e fizeram 3x1 nos verdes atuando no Maracanã. No retrospecto histórico da Copa, vantagem brasileira: oito vitórias, três derrotas e três empates. No último confronto, o Peru, que não vencia desde 1975, eliminou o Brasil na fase inicial durante a edição centenária de 2016.


Seleções perfiladas para os hinos nacionais


Guerrero, bastante homenageado na casa corintiana, tentando emplacar ataque pela esquerda


Bom momento peruano quando o marcador ainda estava em branco


Casemiro marcando o primeiro gol da seleção tupiniquim


O fim de tarde na capital paulista e a bonita visão da Arena Corinthians


Nova tentativa do Peru ainda no tempo inicial da peleja

Em 2019 o Peru assustou... apenas nos dez minutos iniciais. No restante do tempo o Brasil simplesmente massacrou o time de Guerreiro e companhia. Os pouco mais de 42 mil pagantes ficaram felizes com o que viram. Aos 11 minutos Casemiro abriu o placar após confusão dentro da área. Aos 18, o goleiro Gallese deu um auxílio luxuoso aos locais. Ele vacilou na saída de bola, presenteou Roberto Firmino - que estreou no JP há dez anos num Figueirense x Marília pela Copa São Paulo - e o atacante do Liverpool não bobeou: 2x0.

O arqueiro peruano se redimiu aos 22 evitando o gol de Everton Cebolinha com ótima defesa. Acontece que aos 31 o avante gremista arriscou de fora da área e ampliou a vantagem brasileira num golaço! Gabriel Jesus desperdiçou a chance do quarto tento aos 38. O Peru criou apenas um momento, aos 43, e Alisson mandou pela linha de fundo. A tarde estava indo embora quando o intervalo chegou apontando a boa vantagem do Brasil.

Na etapa final Daniel Alves marcou pela quarta vez aos oito minutos e confirmou o primeiro lugar do Grupo A ao selecionado cinco vezes campeão do mundo. A peleja caiu bastante de produção e a vitória parcial da Venezuela estava complicando a situação alvirrubra. Perto do fim a animação retornou com o gol de Willian aos 44 e um pênalti perdido por Gabriel Jesus aos 48.


Boa chegada local pela esquerda no início do segundo tempo


Casemiro (5) preparando o chute dentro da grande área


A vantagem já era enorme, mas em nenhum momento o Brasil parou de atacar

Fim de papo na Arena Corinthians com Peru 0-5 Brasil. O escrete canarinho terminou a fase inicial com sete pontos, nenhum gol sofrido e a liderança garantida. A Vinotinto derrotou a Bolívia por 3x1 e ficou com o segundo lugar. "La Bicolor" ficou em terceiro e espera o restante da rodada para saber se estará nas quartas de final.

Saí de boa do estádio, sem pressa e com tempo de garantir alguns copos de cerveja (vazios) com o nome dos países para a coleção. Encontrei os amigos que estavam espalhados pela Arena - Luiz, Bruno, Nilton, Jamil e o glorioso Paulo "Shrek" - pertinho da entrada principal e dali fomos ao metrô. Futebol de novo só em alguns dias com jogo remarcado da Segundona e mais Copa América na pauta.

Até lá!

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Ficha Técnica: Peru 0x5 Brasil

Competição: Copa América; Local: Arena Corinthians (São Paulo); Árbitro: Fernando Rapallini (Arg); Público: 45.067 presentes (42.317 pagantes/2.750 não pagantes); Renda: R$ 10.009.095,00; Cartões amarelos: Yoshimar Yotún, Luis Advincula (Per), Casemiro, Thiago Silva (Bra); Gols: Casemiro 12, Firmino 19 e Everton 32 do 1º, Dani Alves 8 e Willian 45 do 2º.
Peru: Pedro Gallese; Luis Advincula, Miguel Araujo, Luis Abram e Miguel Trauco; Renato Tapia, Yoshimar Yotún (Edison Flores), Andy Polo, Jefferson Farfán e Christian Cueva (Josepmir Ballón); Paolo Guerrero (Christofer Gonzáles). Técnico: Ricardo Gareca.
Brasil: Alisson; Dani Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís (Alex Sandro); Arthur, Casemiro (Allan), Gabriel Jesus, Philippe Coutinho (Willian) e Everton; Roberto Firmino. Técnico: Tite.
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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Tudo em branco com Venezuela e Peru em Porto Alegre

Texto e fotos: Fernando Martinez


A cobertura da Copa América pediu passagem na tarde de sábado aqui no Jogos Perdidos. Depois de acompanhar a abertura na sexta-feira com o triunfo brasileiro contra os bolivianos, cruzei o espaço aéreo entre a capital bandeirante e a cidade de Porto Alegre tendo na pauta livre do blog a minha segunda partida no certame, o glorioso duelo entre Venezuela e Peru na magnífica Arena do Grêmio.

Desde a cerimônia de encerramento da Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016 eu não colocava os pés fora do estado de São Paulo. Aquele momento maravilhoso passou e em poucos meses a vida pessoal entrou em parafuso. Fui do céu ao inferno completo num demorado processo que se estendeu por todo ano de 2017 até o começo de 2018. Saí do buraco contando com a preciosa ajuda de amigos, uma organização particular nunca vista e bastante trabalho.

Comecei a sair do fundo do poço no meio de 2018 e por ser tudo bem recente não me imaginava saindo da capital paulista tão cedo. Quando rolou o sorteio, eu apostava na sorte e contava que meus três alvos principais - Uruguai, Venezuela e Catar - atuassem nas redondezas. Quando as bolinhas foram tiradas confirmei apenas os asiáticos no Morumbi. Se quisesse ver venezuelanos ou uruguaios, teria que viajar.

Aos poucos a ideia foi tomando forma e, com um pouco de aperto aqui e ali, consegui me organizar. Fiz minha gloriosa reestreia fora de casa no campeonato que fecha o mais fabuloso ciclo esportivo que esse país já viu na história. Por sorte, a Venezuela atuaria no sábado e o Uruguai no domingo. A logística foi complicada, nada que alguns meses de planejamento incansável não resolvessem.


Foi aqui que iniciei minha primeira jornada interestadual em quase três anos

O apito inicial da peleja seria às 16h00, então eu não podia pegar meu voo tão tarde. Acabou que a passagem com melhor preço tinha decolagem às seis da matina. Praticamente nem dormi depois de chegar do Morumbi ainda tendo que arrumar a mala. Cansadão, fui até Congonhas e dali parti com destino ao Sul do país naquela que foi a minha sétima viagem à capital do Rio Grande do Sul.

Desembarquei no Aeroporto Salgado Filho pouco antes das oito horas e, como o check-in no hotel era apenas meio-dia, fui dar uma passeada no centro da cidade. Nas minhas duas últimas visitas - em 2012 e 2014 - eu não tinha conseguido ir tomar o maravilhoso sorvete com nata do Mercado Municipal e felizmente dessa vez a programação deu certo. Enquanto degustava a iguaria, apareceu por lá o Raul, o maior anfitrião de Brasília, e o amigo passou a fazer companhia na minha viagem até a noite do domingo.

Saímos do centro por volta do meio-dia e pegamos um táxi até meu hotel. Deixei minhas coisas, troquei de roupa rapidinho e seguimos até a casa gremista. A região tinha várias barreiras e descemos a cerca de um quilômetro do destino. Fomos a pé e eu, mesmo de longe, já vislumbrava a magnitude da cancha. Quando chegamos e tivemos a visão completa... nossa senhora! O estádio é simplesmente magnífico. Passei alguns minutos imóvel apenas contemplando a beleza da enorme construção.


A fachada da monumental casa do Grêmio


Diferente do que passei no Morumbi um dia anterior, o entorno do estádio gremista é enorme e com espaço suficiente para não passarmos aperto


O genial Fantasma de 69 - que lembra a eliminação da Argentina pelo Peru nas eliminatórias da Copa de 1970 após um 2x2 na Bombonera - zanzando em torno do estádio

Somando todas as minhas visitas a Porto Alegre, eu assisti um total de cinco partidas no velho Estádio Olímpico entre 2004 e 2007. A nova casa tricolor foi inaugurada em dezembro de 2012 e como só retornei na Copa do Mundo, não tinha tido o prazer de conhecê-la. Como descolar ingresso em jogo do Grêmio não é tão fácil, a chance perfeita pintou nesse Venezuela x Peru. A sorte foi ter encontrado um voo com preço bom da capital gaúcha até Belo Horizonte no domingo, caso contrário, o esquema não teria dado certo.

Como o amigo Raul entraria por outro portão, me separei dele na entrada da Arena e segui sozinho. O confronto não tinha tanto apelo, então a presença de público era diminuta. Encontrei alguns venezuelanos, mas a presença de peruanos era maior. Entrei na boa e com tempo de passear com tranquilidade pelo local conhecendo cada parte do largo espaço que dá a volta completa pelo lado de fora. O único problema foi o fortíssimo calor. Estar em Porto Alegre em junho com temperatura acima de 30 graus é uma heresia.

Andei muito e tirei foto de todo mundo que estava com alguma fantasia estranha, da estátua do Renato Gaúcho e da genial calçada da fama. Já estava cansado e o fato de precisar subir uma escada absurdamente comprida para alcançar o anel superior foi profundamente desgastante. O fato de ter chegado cuspindo o pulmão direito não me fez deixar de ficar absolutamente maravilhado com a visão que tive lá do alto. Foram poucas as vezes que fiquei tão impressionado.


A Arena do Grêmio recebeu um público pequeno para Peru x Venezuela, algo que deixou o clima ainda mais legal


As bandeiras de Peru e Venezuela no primeiro jogo de Copa América na capital gaúcha


Boa presença da torcida peruana em Porto Alegre

Por mais que o duelo não tivesse tantos atrativos ao torcedor comum, eu o esperava com ansiedade. Além de rever a seleção peruana após 18 anos (estava presente no empate por 1x1 contra o Brasil no Morumbi pelas Eliminatórias da Copa de 2002), eu estava prestes a ver a equipe principal venezuelana em campo pela primeira vez. A Vinotinto já estava na Lista desde 2007 - derrota contra os Estados Unidos por 2x1 e revés diante do México por 2x0 nos Jogos Panamericanos - porém nada como assistir a seleção adulta e "tirar o J" com estilo.

Minha estreia com o escrete adulto venezuelano foi exatamente no oitavo encontro deles com o Peru na história da competição. Nos sete anteriores, apenas um triunfo e cinco derrotas. O único empate aconteceu em 1989 em Salvador, época em que eram o saco de pancadas do continente, situação que hoje em dia mudou completamente. Pelo lado alvirrubro também há muita diferença, principalmente por conta de terem retornado a uma Copa do Mundo depois de 36 anos de ausência, de longe o melhor momento do futebol do país no século XXI.

Fiquei zanzando pelo anel superior da Arena até os atletas subirem ao gramado. Na busca do meu lugar marcado vi que ele era atrás de um dos gols, ao lado de uma grande concentração de torcedores. Como as laterais do setor estavam vazias, quis ficar de boa e sem aperto, então me mandei para um dos cantos. De lá assisti um jogo que não foi a oitava maravilha do mundo. Apesar disso, e levando em conta que em eventos grandes eu aplaudo até papel picado voando, eu gostei e aproveitei cada segundo. Compromisso internacional entre seleções em campo neutro é sempre genial, independente do que aconteça.

Claro que eu preferia ver vários gols, pena que os selecionados não me deram esse presente. Bom, eu cheguei a ver dois, porém ambos foram anulados. O primeiro deles saiu aos seis minutos quando Christofer Gonzáles aproveitou sobra na área e fez a favor do Peru. O árbitro Vilmar Roldan levou assombrosos quatro minutos para anular o tento por impedimento.

Boa parte dos gremistas que estavam na Arena vaiavam Paolo Guerrero toda vez que o centroavante tocava na bola e os colorados respondiam com aplausos animadíssimos. Foi assim durante os 90 minutos. Enquanto isso, a Venezuela melhorou e teve duas oportunidades de abrir o placar. O alvirrubro respondeu com três lances bons do seu camisa 9. O intervalo chegou nesse cenário.


Seleções perfiladas para os hinos nacionais


Saída do goleiro venezuelano igual vaca brava em cima de atacante do Peru


Ah, o VAR... presença que será constante durante a Copa América do Brasil


Visão geral do ataque peruano no primeiro tempo


Bola alçada com perigo dentro da área da Venezuela

Na etapa final fui passear pelas cadeiras mais altas já com a noite dando as caras. A primeira chance de gol foi venezuelana logo no comecinho com boa cobrança de falta de Rondón. Aos 17, Farfán completou cruzamento da esquerda e fez outro gol peruano, só que novamente ele foi anulado pelo árbitro após consulta ao VAR por impedimento.

A partir daí eu comecei a imaginar que o 0x0 seria inevitável. A Vinotinto ficou com um a menos aos 28 minutos com a expulsão de Mago. Os peruanos colocaram a esperança da vitória nos pés de Guerrero e gritavam "Paolo" a plenos pulmões. Foram várias as chegadas com perigo próximo da meta defendida por Fariñez, mas os atletas não foram capazes de vencer o arqueiro.


O bonito entardecer de Porto Alegre na belíssima Arena do Grêmio


O bonito contraste dos uniformes de Peru e Venezuela


Cruzamento dentro da área peruana no segundo tempo


Boa chegada do Peru e boa defesa do goleiro venezuelano


Soteldo segurando a bola no ataque da vinotinto

O resultado de Venezuela 0x0 Peru não foi ideal, principalmente para os comandados de Ricardo Gareca. Agora eles pegam a Bolívia pensando apenas em vencer e depois o Brasil em São Paulo em jogo que pretendo também acompanhar de perto. A Vinotinto pega o onze local em Salvador, uma tarefa sempre ingrata. Da minha parte ficou aquele gostinho de quero mais, porém como disse antes, acompanhar torneio grande de perto é tão legal que isso é o de menos.


Última visão da Arena do Grêmio. Um dia ainda volto lá...

Dei uma última passeada por todo o estádio antes de reencontrar o amigo candango. Andamos cerca de dois quilômetros num breu insano até chegar na Estação Anchieta do Trensurb. Dali retornamos ao centro da cidade e fizemos uma janta de campeões na estação rodoviária. O lugar era simples, o que não impediu que a comida fosse ótima. Com a barriga cheia finalmente cada um retornou a seus respectivos hoteis.

Terminei a noite vendo o segundo tempo de Argentina x Colômbia e dormi cedo pois o dia tinha sido cheio... assim como o domingo também seria. Na pauta, finalmente uma seleção bicampeã olímpica e mundial passou a fazer parte da minha Lista. Era uma pedra no sapato há muitos anos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Venezuela 0x0 Peru

Competição: Copa América; Local: Arena do Grêmio (Porto Alegre); Árbitro: Wilmar Roldán Pérez (Col); Público: 13.370 pagantes; Renda: R$ 2.400.080,00; Cartões amarelos: Luis Del Pino, Yangel Herrera (Ven); Renato Tapia, André Carrillo (Per); Cartão vermelho: Luis Del Pino (Ven) 30 do 2º.
Venezuela: Wuilker Fariñez; Roberto Rosales, Jhon Chancellor, Mikel Villanueva e Luis del Pino; Júnior Moreno (Ronald Hernández), Jefferson Savarino (Darwin Machís), Yangel Herrera, Tomás Rincón e Jhon Murillo (Yeferson Soteldo); Salomón Rondón. Técnico: Rafael Dudamel.
Peru: Pedro Gallese; Luis Advincula, Carlos Zambrano, Luis Abram e Miguel Trauco; Renato Tapia, Jefferson Farfán, Christofer Gonzáles (André Carrillo), Yoshimar Yotún (Andy Polo) e Christian Cueva (Edison Flores); Paolo Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Chile estreia bem no Sul-Americano sub-20 derrotando as peruanas


Para fechar a rodada dupla do sábado no Campeonato Sul-Americano Feminino Sub-20, as seleções do Peru e no Chile foram ao gramado do Estádio Ulrico Mursa em busca da primeira vitória na competição. As peruanas haviam perdido para as paraguaias na primeira rodada do Grupo A, enquanto as chilenas faziam sua estreia.

O histórico dessas seleções na história da competição é bastante tímido. A "La Roja" chegou na quarta colocação por duas vezes - 2008 e 2010 - e a "La Blanquirroja" também chegou em quarto lugar, mas apenas em uma oportunidade, em 2006. Na tábua geral de pontos até hoje, o Chile é quinto lugar e o Peru nono, só á frente do Uruguai.



Seleções do Peru e do Chile posadas antes do jogo no Ulrico Mursa. Fotos: Fernando Martinez.


Trio equatoriano com a árbitra Susana Corella e as assistentes Monica Amboya e Viviana Segura junto com a quarta árbitra equatoriana Sirley Cornejo e as capitãs das seleções. Foto: Fernando Martinez.

Apesar de ser uma competição continental, as arquibancadas da casa lusitana estavam com um público ainda menor para o jogo de fundo. O local só não estava mais vazio porque as delegações do Brasil e da Bolívia foram lá para prestigiar a peleja. O futebol feminino já não tem uma audiência grande, aí junta uma divulgação nula e o resultado é esse. Uma pena.

Após as imagens oficiais, fui acompanhar o ataque chileno. Estava ainda empolgado pelo bom futebol mostrado na preliminar, então foi um anticlímax ver o primeiro tempo desse duelo. A peleja foi bastante fraca e sem nenhuma emoção. As meninas da terra de Pablo Neruda foram superiores, porém não foram capazes de criarem uma única chance de gol sequer durante os 45 minutos iniciais.


Ataque do Chile no começo da partida. Foto: Fernando Martinez.


Scarleth Lozano, camisa 19 do Peru, e sua marcação implacável. Foto: Fernando Martinez.


Defensoras peruanas trocando passes no campo de defesa. Foto: Fernando Martinez.

As peruanas se preocuparam apenas em se defender e o futebol competitivo mostrado na derrota contra o Paraguai não apareceu novamente. Os selecionados fizeram um jogo tão murcho que o maior destaque ficou por conta das peripécias alucinadas do amigo Renato Rocha em mais um dia de inspiração além do normal, fazendo todos os trocadilhos possíveis e imagináveis com a seleção do Peru.

No tempo final a chuva apertou e subi para as tribunas do Ulrico Mursa. De lá vi o jogo melhorar muito, principalmente por conta da atuação do Chile. A arqueira Maryory Sanchez trabalhou bastante, principalmente em jogadas da camisa 17, Paulina Lara. A atleta de 19 anos foi a maior destaque da sua equipe, deixando a zaga do alvirrubra zonza e sem conseguir pará-la de nenhuma forma.

Só que a cada minuto completado parecia que o gol estava predestinado a não acontecer pois o toque final era falho. Se com os pés não tinha jeito, as chilenas usaram a cabeça para abrirem o marcador. Aos 32 a seleção teve escanteio pela esquerda. A bola foi levantada na área e Katya Ponce, meio sem querer, tocou de cabeça no canto esquerdo de Maryory Sanchez.

Quatro minutos depois a grande atuação de Paulina foi premiada com um belo gol em chute colocado da jovem atleta de fora da área. O Peru não desanimou e aos 44 diminuiu num golaço. Alejandra Ramos recebeu um passe de calcanhar no ar e acertou um belíssimo sem pulo no ângulo direito. Pena para sua seleção que não tinha tempo pra mais nada.


Primeiro lance do tempo final e quase gol olímpico. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do primeiro gol do Chile, em cabeçada de Katya Ponce. Foto: Fernando Martinez.


Paulina Lara, o maior destaque do Chile no jogo. Foto: Fernando Martinez.


Rosario Holley, camisa 11 da La Roja, em lance no fim do jogo. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Peru 1-2 Chile mostrou que as duas seleções podem até arrancar um pontinho de Venezuela, Paraguai e Brasil, mas que provavelmente isso não será suficiente para ambas conquistarem uma vaga na fase final, que começa no dia 29. Somente as duas primeiras colocadas da chave se garantem entre as quatro melhores equipes do certame.

A volta para São Paulo dessa vez não teve nenhum ônibus quebrado e também nenhum escocês bebaço. Cansado por conta dos dois bate-volta seguidos até o litoral, passei o domingo na base da morgação completa no conforto do meu lar. Talvez role de acompanhar a fase final da competição de perto... vamos ver se tudo dá certo.

Até a próxima!

Fernando

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Brasil fecha a primeira fase com a melhor campanha!

Fala povo!

Fechando a primeira fase do campeonato Sul-Americano Feminino sub-17 tivemos mais uma partida no Estádio Conde Rodolfo Crespi no último sábado. O jogo foi válido pelo Grupo A, praticamente num quase-amistoso, pois as definições das vagas para as semifinais e os cruzamentos para as duas partidas do dia 9 de fevereiro aconteceram na primeira partida do dia. As seleções de Brasil e Peru entraram em campo para finalizar os jogos do torneio na Rua Javari.

E para fechar com 100% as fotos dos times posados nessa primeira fase aqui no JP, seguem agora as brasileiras e peruanas:


Seleção Feminina do Peru (sub-17). Foto: Fernando Martinez.


Seleção Feminina do Brasil (sub-17). Foto: Fernando Martinez.

A única perspectiva peruana na partida era tentar não levar uma sonora goleada das brasileiras, já que o 15x0 das meninas tupiniquins contra o Equador ainda ecoava nos cantos da Javari. Para o Brasil, que já era o primeiro colocado do grupo, a chance de colocar suas reservas em campo para que elas pudessem mostrar serviço. Mais uma vez acompanhei a partida lá das sociais, pois não estava no pique de ficar torrando dentro do gramado.


Ataque brasileiro sendo iniciado pelo lado esquerdo. Foto: Fernando Martinez.

Mas dessa vez não tivemos uma grande apresentação das brasileiras. Talvez sem o entrosamento necessário ou com excesso de confiança, o time jogou de uma forma bem morna contra o fraco time do Peru. A equipe também perdeu gols demais em chances claríssimas cara-a-cara com a goleira peruana. Mesmo assim, o primeiro tempo terminou com a vantagem de 3x0 para o Brasil.


Chance absurda perdida pelo time brasileiro. Foto: Fernando Martinez.


Goleira peruana afastando a bola de perto da sua meta. Foto: Fernando Martinez.

O primeiro gol veio aos 9 minutos em belo chute cruzado de Beatriz pela esquerda. O segundo, aos 24 minutos, foi em cobrança de pênalti de Andressa. E o terceiro foi o mais bonito, com a atacante Paula acertando um belo chute de voleio aos 30 minutos. O Peru não passou da linha do meio-campo, deixando a goleira Letícia somente assistindo a partida.


A bola estufando as redes no primeiro gol brasileiro da partida. Foto: Fernando Martinez.


Segundo gol brasileiro, em cobrança de pênalti de Andressa. Foto: Fernando Martinez.

Antes mesmo do intervalo começar a chuva voltou a cair na Javari. E ela veio muito forte, espantando muitos bolivianos que ainda estavam nas dependências do templo grená e alguns figurões que viam o jogo das tribunas. Para o segundo tempo o Brasil continuou dominando, mesmo debaixo de uma chuva absurda.


Já com o dilúvio na Javari, as peruanas tentaram se lançar ao ataque no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

Aos 8 minutos a boa atacante Jullia marcou o quarto da equipe brasileira, depois de enorme confusão dentro da área peruana. E o quinto veio aos 11 minutos, no segundo gol da atacante Beatriz na partida. A facilidade era absurda, e muitos gols poderiam ter saído. Poderiam, pois a árbitra Maria Carvajal resolveu interromper o jogo aos 20 minutos desse tempo final graças à chuva que não parava de cair. Como a partida já não valia mais nada, prevaleceu o bom senso.


Visão geral do jogo entre Brasil e Peru, momentos antes da partida ser interrompida. Foto: Fernando Martinez.

Final de jogo: Peru 0-5 Brasil. Num jogo sem muita emoção, o Brasil mostra que tem o melhor futebol do torneio e que somente uma zebra ou um salto alto muito grande vai tirar o título da nossa seleção nessa competição. O time agora pega a Venezuela na segunda partida - a primeira é entre Paraguai e Chile - semifinal no Pacaembu nesse 9 de fevereiro. Os vencedores jogam a grande Final na próxima quinta-feira às seis da tarde.

Com o jogo finalizado, restou ficarmos aguardando o dilúvio passar para irmos embora. Na meia hora que fiquei ao lado do David das tribunas ele reclamou da Net, da chuva, da cidade, da vida, do jeito de ser, do futebol... ou seja, de tudo! Com certeza o Oscar de Melhor Animação não irá para nosso amigo cinéfilo nesse ano de 2010.

Reclamações à parte, a chuva finalmente passou depois de uma hora e, depois de mais uma vez jantar na boa pizzaria do lado no estádio, voltei para casa para dois dias de descanso... 11 jogos em 6 dias seguidos foi um recorde!

Até a próxima!

Fernando

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

JP no Sul-Americano Feminino sub-17: Paraguai confirma favoritismo e vence o Peru

Fala pessoal!

Tarde de terça-feira com muito calor em São Paulo e mais uma rodada dupla do Campeonato Sul-Americano Feminino sub-17 na pauta do JOGOS PERDIDOS, agora pelo Grupo A do torneio. O palco dos dois jogos do dia foi o Estádio Conde Rodolfo Crespi, a Rua Javari. E para começar bem a maratona de futebol feminino, um jogo que sempre quis assistir independente da categoria: Paraguai x Peru.

E parece brincadeira, mas novamente sofri com um atraso monstro no metrô que me custou chegar dentro do horário. Mas graças a presença do David, portador de uma novíssima máquina digital, conseguimos as fotos dos times posados pois ele pegou carona e fez as mesmas do alto da escada que dá acesso às numeradas da Javari. Quem não tem cão, caça com gato:


Seleção Feminina do Paraguai (sub-17). Foto: David Libeskind.


Seleção Feminina do Peru (sub-17). Foto: David Libeskind.

Vendo os jogos já realizados desse grupo, ficou evidente que Brasil e Paraguai são os dois maiores favoritos para as duas vagas nas semifinais. Portanto esse jogo era muito importante para as paraguaias, que buscavam confirmar seu favoritismo para somar mais três pontos na competição. Para as peruanas, que venceram o jogo anterior contra o Equador, a esperança era de que a zebra pudesse correr pelo gramado juventino.

Cheguei logo após o apito inicial da arbitragem no estádio e nem me atrevi a entrar dentro de campo, pois o sol estava forte demais. Junto com o David, fui até as cabines de imprensa da Javari para poder acompanhar o jogo na sombra. Devidamente instalados, vimos o Paraguai começar o jogo melhor do que a Seleção do Peru buscando marcar logo o primeiro gol.

Aos 12 minutos, após muita insistência, as paraguaias acabaram abrindo o marcador com a jogadora Mendoza completando de cabeça um bom cruzamento da direita. O time continuou em cima das adversárias, mas pecou demais nas finalizações, perdendo a chance de ficar bem mais tranqüilo na partida. E vendo que o Paraguai não conseguia marcar mais, as peruanas se lançaram ao ataque a partir da metade do primeiro tempo. O time até jogou bem, mas a qualidade técnica inferior atrapalhou demais.


Primeiro gol das paraguaias na partida, aos 12 minutos do primeiro tempo. Foto: David Libeskind.

Se o time peruano fosse um pouquinho melhor, com certeza o empate teria sido conquistado ao final do primeiro tempo. O apito da árbitra ao término dos 45 minutos regulamentares foi um alívio para as paraguaias, e com certeza o técnico Juan Almada ia reclamar bastante do futebol apresentado pela sua seleção nos vestiários. E aproveitei o descanso para fazer um estoque de água na tribuna da Javari, pois a situação não estava fácil, mesmo para quem estava na sombra.


As peruanas tentaram chegar no empate, como nessa bola cruzada dentro da área adversária, mas não conseguiram. Foto: Fernando Martinez.

Mas para a segunda etapa fui para o gramado do templo grená, já que consegui acompanhar o ataque paraguaio com uma providencial sombra oriunda das árvores existentes na creche atrás do gol "da esquerda". O David também foi acompanhar o jogo de lá postado no alambrado juventino. E as peruanas até começaram o jogo ainda animadas, mas a falta de objetividade ainda era latente.


Escanteio para o Paraguai no segundo tempo, para boa defesa da arqueira peruana. Foto: Fernando Martinez.

O Paraguai não conseguia repetir o bom futebol do início do jogo, mas aos 16 minutos deu uma grande sorte numa infelicidade da goleira peruana Stephanie Martinez. Uma bola despretensiosa foi cruzada pela direita para fácil defesa da arqueira, mas ela se estabanou toda e deixou a pelota escapar nos pés da jogadora Érika, que só tocou para o fundo das redes. Na verdade me pareceu que foi gol contra da goleira, mas oficialmente o tento foi assinalado para a atleta paraguaia.

Como estava bem atrás do gol, fiquei comovido com o choro da goleira nos minutos que seguiram esse segundo gol paraguaio. Com um profissionalismo até certo ponto exagerado, e muitas vezes forçado, dentro e fora do campo no futebol masculino hoje em dia, o feminino ainda tem muito do antigo romantismo do futebol que foi perdido através dos anos.


Terceiro gol do Paraguai, marcado pela jogadora Peralta aos 19 do segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


Chegada boa da seleção paraguaia pela direita, que resultou na marcação de uma penalidade máxima. Foto: Fernando Martinez.

E a Seleção do Peru acabou sentindo o baque desse segundo gol e sofreu mais dois logo em seguida, aos 19 e 20 minutos. O terceiro foi marcado pela jogadora Peralta completando de cabeça cruzamento da direita e o quarto foi de penalidade máxima, em cobrança perfeita de Maria Toledo. Com 4x0 contra, o Peru desencanou de vez da partida e por muito pouco não tomou uma goleada histórica na Javari. As paraguaias perderam gols demais, e o placar acabou não sendo mais alterado.



A jogadora Maria Toledo correndo para a bola e a goleira peruana não conseguindo impedir o quarto do Paraguai na partida, fechando a goleada. Fotos: Fernando Martinez e David Libeskind.

Final de jogo: Paraguai 4-0 Peru. O time paraguaio chega aos seis pontos na competição e fica perto da vaga para a Segunda Fase. As peruanas ficam numa situação muito difícil e só podem se classificar numa improvável combinação de resultados. Mas o dia nem tinha começado direito, e o segundo jogo do dia estava para começar na Javari... e teve recorde histórico sendo quebrado.

Até lá!

Fernando