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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Na friaca, Corinthians confirma vaga na semifinal

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fez muito frio na última segunda-feira, feriado de sete de setembro, na capital paulista. Na raça, enfrentei a baixa temperatura para acompanhar a decisão da última vaga na semi do Campeonato Brasileiro Feminino. Fui até o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte acompanhar o confronto entre Corinthians e Cruzeiro, reedição da final do torneio em 2025, na volta das quartas de final.

O final de semana estava com uma programação nota 10... só que São Pedro estragou tudo, mandando muita chuva tanto no sábado quanto no domingo. Como já estou em uma fase light, ficar debaixo d'água não faz minha cabeça como antes. Restou ver o duelo na casa rubro-verde. É, mas não foi fácil sair do QG da Zona Oeste e enfrentar a friaca. Na base do tudo pelo social, não quis deixar o feriado prolongado sem nenhuma cobertura.




A árbitra Rejane Caetano da Silva (CE), as assistentes Maria de Fátima da Trindade (AL) e Patrícia dos Reis do Nascimento (BA), a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro (SP) e as capitãs

No duelo de ida, o Corinthians dominou o confronto e venceu pela contagem mínima com um gol no fim. Jogando pelo empate, a vantagem era enorme. Vale registrar a demora na definição do local da peleja. A Neo Química Arena não foi liberada por, na palavra oficial dos dirigentes, ter recebido jogo no dia anterior. Apesar da demora em conseguir tirar laudos que estavam vencidos, o Canindé foi confirmado somente cinco dias antes.

Vale dizer que a CBF obriga os clubes a atuarem em estádios com capacidade mínima para 10 mil pessoas no mata-mata. Isso em um torneio que só tem públicos maiores do que mil almas em fases decisivas, geralmente com o Corinthians sendo mandante. Mais um absurdo entre vários cometidos pela entidade. Não tem o menor cabimento obrigar os times a deixarem as suas casas em uma decisão descolada da realidade. E outro detalhe que vale ser mencionado sempre: a casa das corintianas é a Fazendinha, não Itaquera.

Pouco mais de dois mil torcedores marcaram presença no Canindé e quem foi viu um jogo legal, que começou com um susto para as locais. O Cruzeiro neutralizou a vantagem corintiana com um gol meio esquisito de Marília Furiel logo aos seis minutos. Será que as atletas sentiriam o golpe? Será que a apresentação desastrosa contra o Internacional na última rodada da primeira fase se repetiria? Johnson deu a resposta aos 19 minutos, deixando tudo igual após falha coletiva do sistema defensivo cruzeirense.

O empate foi um golpe decisivo nas intenções do Cruzeiro. O Corinthians passou a dominar a peleja e virou o placar em uma jogada espetacular aos 27. Gabi Zanotti avançou pela direita e cruzou para o meio. Johnson deu um corta-luz incrível e Tamires acertou um chute espetacular, colocando no canto esquerdo e deixando as alvinegras na frente. O 2 a 1 saiu cedo, porém a impressão que tive na beira do gramado era que as mineiras não conseguiriam a classificação.

As alvinegras permaneceram dominando as ações ofensivas na etapa final e Thaís Ferreira ampliou o placar com gol de cabeça aos 15 minutos. Sem mostrar nenhum poder de reação, as cruzeirenses foram pouco ao ataque e não foram derrotadas por uma diferença maior pela falta de pontaria nas finalizações paulistas. No fim, o 3 a 1 colocou o Corinthians na décima semifinal seguida do Brasileirão Feminino. Agora, o adversário em busca de outra decisão será o Bahia. A outra semi terá São Paulo e Flamengo frente a frente.


As jogadoras cruzeirenses comemorando o primeiro gol da tarde/noite






Apesar do 1 a 0 contra, o Corinthians não desanimou e saiu em busca do empate


Johnson deixou tudo igual no Canindé




O início da jogada, a finalização e a comemoração de Tamires no segundo gol alvinegro


Gabi Zanotti, outra vez destaque das paulistas


Na etapa final, o Corinthians seguiu dominando



Detalhe do terceiro gol paulista na fria noite na casa rubro-verde




As mandantes tiveram chances para ampliar a vitória. Na última foto, a goleira do Cruzeiro fazendo falta fora da área

Não sei quais serão as duas equipes que estarão na decisão, mas aposto que a principal emissora que transmite o campeonato vai colocar pelo menos um dos confrontos em dia e horário ruins. Querem apostar?

Até a próxima!

Ficha Técnica: Corinthians 3-1 Cruzeiro

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitra: Rejane Caetano da Silva/CE; Público: 5.701 pagantes (2.201 presentes); Renda: R$ 80.234,50; Cartões amarelos: Duda Sampaio, Vitória Calhau e Cláudia; Cartão vermelho: Nickolas Ferreira (PF-Cru) 49 do 2º; Gols: Marília Furiel 6, Jhonson 19 e Tamires 27 do 1º, Thaís Ferreira 15 do 2º.
Corinthians: Nicole; Gi Fernandes, Erika, Thaís Ferreira e Thaís Regina; Tamires, Duda Sampaio e Gabi Zanotti (Ariel Godoi); Vic Albuquerque (Andressa Alves), Belén Aquino (Day Rodríguez) e Jhonson (Gisela Robledo). Técnico: Emily Lima.
Cruzeiro: Cláudia; Giménez, Capelinha, Vitória Calhau e Bedoya (Rafa Levis); Pri Back (Mari Andrade), Letícia Alves (Ketlin), Vanessinha e Gisseli (Michelle Romero); Byanca Brasil (Radija) e Marília Furiel (Milena Ferreira). Técnico: Jonas Urias.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Na Arena Barueri, Palmeiras bate Juventude e garante terceiro lugar

Texto e fotos: Fernando Martinez


Com muito calor, o domingo reservou uma cobertura sempre bem-vinda do Campeonato Brasileiro Feminino nas páginas do JP. Sem a dor nas costas que me atrapalhou na maior parte do mês, caí da cama cedinho e fui até a Arena Barueri conferir de perto Palmeiras x Juventude, confronto válido pela penúltima rodada da primeira fase.

O alviverde, já classificado para as quartas de final, estava na terceira posição antes da rodada, enquanto o Juventude ocupava a 15ª posição, com apenas 10 pontos. Apesar da campanha ruim, a equipe gaúcha deve se manter na elite em 2027, pois não acredito que a dupla Vitória e América/MG, ambas com sete pontos, consiga ultrapassá-la. Não cair é uma grande conquista.

Eu decidi ir nesse jogo pois descobri, no começo do torneio, graças ao aplicativo Futbology, que faltavam quatro equipes para ver todas da Série A1 do nacional feminino com seus elencos principais: Juventude, Mixto, Fluminense e Botafogo. O Mixto eu consegui ver no Canindé contra o Corinthians. O Juventude saiu da lista de pendências em Barueri (aliás, tinha visto o clube em ação somente uma vez, no Brasileiro sub-20 de 2022, contra o Avaí/Kindermann). Já a dupla carioca eu só vi na base. Talvez consiga ver o Flu ainda este ano, enquanto o Bota vai ficar em aberto, pois ele deve ser rebaixado.



Palmeiras e Juventude posados antes do jogo válido pela penúltima rodada da primeira fase do Brasileiro Feminino


A árbitra Samia Kelle de Amorim Alves (RJ), as assistentes Veridiana Contiliani Bisco (SP) e Izabele de Oliveira (SP) e a quarta árbitra, também paulista, Jessica Aparecida Milani

Livre, pelo menos por enquanto, da dor que vem me acompanhando desde o começo de agosto, decidi que faria o caminho a pé da Estação Jardim Belval até o estádio. Só que a tenebrosa Via Mobilidade estragou os planos, e fui obrigado a ir de táxi em virtude da operação tartaruga feita pela concessionária. Tudo bem, acontece nas melhores famílias. No fim, cheguei cedo, de boa e com tempo de fazer todos os trâmites sem pressa.

Fui acompanhar o ataque local no primeiro tempo e não me arrependi. O Palmeiras ocupou o campo de defesa do Juventude, e o que se viu foi um monte de chances de gol para as mandantes. A goleira Thaís Amorim fez pelo menos três ótimas defesas, mas não foi capaz de impedir o gol de Gláucia. A camisa 9 acertou um belo chute da direita e encobriu a arqueira. Não sei se ela chutou direto ou cruzou. O que sei é que foi um golaço.

Na etapa final, o astro-rei deixou o campo sem nenhuma sombra, então fui acompanhar o restante do duelo nas tribunas da Arena. Lá do alto, vi o Juventude chegar mais vezes dentro da área palmeirense, nenhuma com sucesso. Quem se destacou foi a atacante Bia Zaneratto. Aos 17, ela finalizou e Thaís Amorim falhou. Aos 24, ela completou um cruzamento da direita e anotou o terceiro. Mais oportunidades foram criadas sem que o marcador fosse alterado novamente.




O Palmeiras tomou as rédeas da partida desde os primeiros momentos



Detalhe do gol e a comemoração de Gláucia no primeiro gol da manhã




Apesar da pressão, o alviverde ficou apenas no 1 a 0 na etapa inicial




No segundo tempo, seguiu a pressão mandante


Bia Zaneratto completando de cabeça para as redes no terceiro gol do Palmeiras

O tranquilo resultado positivo manteve e confirmou a terceira posição para as alviverdes, independentemente do que acontecer na última rodada. O clube tem 35 pontos e não conseguirá ficar à frente de Corinthians e São Paulo, os dois primeiros, nem ser ultrapassado pela Ferroviária. O Juventude segue em 15º e com poucas chances de ser rebaixado.

Até a próxima!

Ficha Técnica: Palmeiras 3-0 Juventude

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitra: Samia Kelle de Amorim Alves/RJ; Público: 274 presentes; Renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Brena Carolina e Núbia; Gols: Gláucia 17 do 1º, Bia Zaneratto 17 e 24 do 2º.
Palmeiras: Matascha; Ana Guzmán, Poliana, Giovanna Campiolo e Andressinha (Melanie Chirinos); Brena Carolina, Espinales (Duda Santos) e Bia Zaneratto; Tainá Maranhão (Ana Flávia), Emily Assis (Ana Guimarães) e Gláucia (Nicoly). Técnica: Rosana Augusto.
Juventude: Thaís Amorim; Bell Silva, Grazi, Joiceane Scatola e Carla Cruz; Limpia Fretes, Carol Ladaga (Paloma Lemos), Leka (Laurinha) e Baião (Tefinha); Maíza Piovezan (Loirão) e Marussi (Núbia). Técnico: Luciano Brandalise.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Corinthians segura pressão e vai à 9ª final seguida do Brasileirão Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Domingo foi dia de decisão no Campeonato Brasileiro Feminino. No nada agradável horário das 10h30, fui até o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte, que segue firme a caminho dos seus últimos dias de existência, para acompanhar Corinthians x São Paulo, duelo que definiria um dos finalistas da competição.

No confronto de ida, as alvinegras derrotaram o Tricolor por 2 a 0 no Pacaembu, colocando uma das mãos na decisão. Jogando no Canindé com toda a torcida contra, o clube do Morumbi precisava se superar para evitar que as locais chegassem à nona final consecutiva. Missão bem complicada.

Apesar do bom público, quase 8 mil pessoas, imaginei que o estádio estaria mais cheio. Na semi do ano passado contra o Palmeiras deu mais do que o dobro. Como hoje em dia dificilmente vou a pé da Estação Armênia até o Canindé, meu velho caminho dos tempos que morava no Pari, desci na Estação Tiradentes e peguei o glorioso 1177 até a Marginal Tietê, junto com um monte de gente a caminho da peleja.


Sport Club Corinthians Paulista (feminino) - São Paulo/SP


São Paulo Futebol Clube (feminino) - São Paulo/SP


A capitã alvinegra e tricolor junto com a árbitra Marianna Nanni Batalha, as assistentes Izabele de Oliveira e Juliana Vicentin Esteves, a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro e a quinta árbitra Veridiana Contiliani Bisco

Quem foi ao Oswaldo Teixeira Duarte assistiu a um jogo muito mais complicado do que o de ida. Postado ao lado do ataque corintiano, acompanhei cerca de 20 minutos de domínio são-paulino e muito sufoco sofrido pela zaga alvinegra. Os visitantes chegaram a abrir o placar, mas o tento foi anulado por impedimento. Também teve bola na trave e boas defesas de Nicole. O gol era questão de tempo... mas saiu a favor do Corinthians.

Após escanteio curto pela esquerda, Carlinha saiu mal e rebateu a bola para o meio da área. Jaqueline matou e acertou um belo chute no canto direito. Só que o São Paulo não sossegou e, aos 36, deixou tudo igual com Aline completando cruzamento da direita. Aí a zaga visitante deu outro vacilo aos 42 e Andressa Alves marcou de cabeça o segundo tento alvinegro.

O jogo não parava. Aos 44, Crivelari teve o gol aberto para o 2 a 2, mas chutou por cima. Aos 51, nos últimos segundos da etapa inicial, a árbitra marcou pênalti a favor do Tricolor. Teve VAR e quatro minutos de análise para confirmar a marcação. Bruna Calderan bateu no canto direito e Nicole fez defesa magistral, mantendo a vitória parcial do Corinthians.



Chegadas do Corinthians pela esquerda




O cruzamento que originou o primeiro gol e o detalhe da bola estufando as redes de Carlinha



O São Paulo foi melhor, mas o Corinthians também levou perigo nas suas investidas


O segundo gol corintiano no Canindé


As meninas sub-17 do Corinthians dando uma volta olímpica com a taça do Brasileiro da categoria, conquistado na semana passada

Mudei de lado e o sol seguiu forte no Canindé. O que também não mudou foi o ímpeto do São Paulo. Aos quatro, Serrana quase deixou tudo igual em chute que tirou tinta da trave. Aos 17, Isa recebeu bom passe, avançou pelo campo de defesa e tocou na saída de Nicole. O empate tranquilizou o clube visitante, quando eu esperava que acontecesse o contrário.

O Corinthians passou a não sofrer tanto com as investidas adversárias e, apesar de não criar praticamente nenhuma chance, se segurou bem. O São Paulo voltou a assustar apenas nos acréscimos com Nathane, que teve nos pés o grande momento da virada, na pequena área, e mandou por cima da meta.







Detalhes da etapa final na casa rubro-verde


Resultado final do bom jogo disputado no Canindé

O 2 a 2 colocou o Corinthians na final do Brasileirão Feminino pela nona vez seguida. O clube foi vice em 2017 e 2019 e conquistou o título em 2018, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024. Contra o Cruzeiro, que perdeu para o Palmeiras, mas também se classificou, vai em busca de um absurdo hexacampeonato. O segundo jogo será em Itaquera. As alvinegras vão ter que lutar muito pelo caneco, pois o escrete azul-celeste é bem ajeitado.

Foi isso. Saí do Canindé e, por sorte, o glorioso 271P passou no mesmo momento em que parei no ponto. Dali foi rapidinho para chegar à Estação Luz e depois finalmente ao QG da Zona Oeste. Não deu nem uma hora de trajeto, um milagre se pensarmos na eterna operação tartaruga do transporte coletivo aos domingos. Na semana tem mais!

Até a próxima!

Ficha Técnica: Corinthians 2-2 São Paulo

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitra: Marianna Nanni Batalha; Público: 7.807 pagantes; Renda: R$ 142.631,50; Cartões amarelos: Jaqueline, Andressa Alves, Erika, Dayana Rodríguez, Karla Alves, Bruna Calderan, Thiago Viana e Isa; Gols: Jaqueline 26, Aline 35 e Andressa Alves 42 do 1º, Isa 17 do 2º.
Corinthians: Nicole; Gi Fernandes (Erika), Thaís Ferreira, Mariza e Tamires; Dayana Rodríguez (Letícia Monteiro), Duda Sampaio e Vic Albuquerque (Gabi Zanotti); Andressa Alves (Yaya), Jaqueline e Jhonson (Ariel Godói). Técnico: Lucas Piccinato.
São Paulo: Carlinha; Bruna Calderan, Kaká, Carol Gil (Robinha) e Bia Menezes; Karla Alves (Jé Soares), Camilinha (Day) e Aline (Vitorinha); Isa, Crivelari (Nathane) e Serrana. Técnico: Thiago Viana.