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segunda-feira, 9 de março de 2020

JP no Centro-Oeste (parte 1 de 3): Uma tarde chuvosa em Anápolis

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de seguir a rota da Copinha em janeiro e de farrear no Carnaval Futebolístico do JP em fevereiro, o mês de março começou em grande estilo por aqui com uma mini-turnê pelo Centro-Oeste. No sábado, o primeiro jogo do Campeonato Goiano da Primeira Divisão com cobertura do blog na história. Direto do belíssimo Estádio Jonas Duarte, o Grêmio Anápolis, o 711º time a fazer parte da minha Lista, recebeu a Aparecidense pela 9ª rodada do estadual.

O ponto de partida da viagem foi a capital federal, no meu retorno ao Distrito Federal menos de quatro meses após a última visita, o inesquecível bate-volta inesquecível para cobrir de perto a final da Copa do Mundo sub-17 entre Brasil e México. Antes da viagem até o interior goiano, uma visita no Congresso Nacional junto com a dupla Ana e Raul, o melhor anfitrião do Distrito Federal. Sim programa de turista, já que tínhamos tempo de sobra e sempre quis conhecer o local.


Detalhe do Congresso Nacional na bela manhã de sábado. Um rápido aperitivo antes da rodada da viagem inter-estadual

Terminada a visita fomos bater aquela xepa de respeito no restaurante que fica nos fundos do Campo do Defelê, reinaugurado com pompas há cerca de 15 dias. Saímos satisfeitos com o nababesco almoço, encontramos o mago das Copas Caio Buchala e pegamos a estrada com destino a "Manchester Goiana". A cidade de cerca de 390 mil habitantes fica a 148 quilômetros de Brasília. No caminho, muita chuva e uma trilha sonora absolutamente aleatória que contou com Frank Sinatra, Balão Mágico, Milton Nascimento e Tears for Fears, entre outros.

Durante as viagens do Mundial sub-17 cheguei a passar em frente ao campo quando fui de ônibus de Goiânia à Brasília. Achei o máximo a coincidência e mal imaginava que veria um jogo ali tão cedo. Chegamos na principal cancha do futebol anapolino na boa e, por não ter envolvido um dos dois principais times da cidade - a Anapolina e o Anápolis - conseguimos estacionar na porta, sem aperto e sem muvuca.


Detalhe da fachada do belo Estádio Jonas Duarte, em Anápolis


Placa na entrada do estádio com detalhes sobre a inauguração do mesmo. Nota 0 para o gênio que pintou a placa durante a última reforma e a deixou nesse estádio

O Estádio Jonas Ferreira Alves Duarte foi inaugurado em abril de 1965 com o duelo entre uma seleção da casa e o São Paulo (vitória paulista por 4x1). Ele passou a ser um dos melhores do estado, fato que com certeza ajudou o Anápolis a conquistar seu único título de primeira divisão na história. Por lá também desfilaram o Grêmio Anapolino, agremiação criada da fusão dos três times da cidade na época e que disputou o certame apenas em 1970 e 1971 e o Ipiranga, futebolisticamente ativo até 1978.

Como fiz o credenciamento no site da FGF não tive problemas para entrar. O que pegou mesmo foi quando cheguei no gramado e fui buscar informações com o representante da Federação. Com uma falta de educação ímpar, o nada simpático cidadão me impediu de fazer a cobertura pois eu estava de bermuda (!). Nem imaginava que em Goiás esse absurdo ainda existia, apesar da estúpida proibição ser coisa do passado em vários estados. Nem as fotos posadas ele me autorizou a tirar. Tudo bem, acontece nas melhores famílias.


Times perfilados antes do apito inicial



Não fui autorizado a ficar no gramado, mas consegui as fotos posadas do Grêmio Anápolis e do trio de arbitragem com os capitães de carona na antiga geral do Jonas Duarte

Dessa forma não consegui captar as imagens das equipes de perto e só fiz a foto do Grêmio Anápolis da arquibancada. Fundado na cidade de Inhumas em 1999, chegaram a disputar a Série C do Brasileiro em 2005 com a antiga denominação, Grêmio Inhumense. No ano seguinte se mudaram para Anápolis e até hoje não emplacaram uma campanha de grande destaque. Na atual temporada ocupam a sexta colocação com 10 pontos ganhos depois de oito rodadas realizadas.

Quem também tem dez pontos é a Associação Atlética Aparecidense, clube que vem fazendo bonito no cenário estadual nos últimos anos. Desde 2012 já disputou sete vezes a Série D do Brasileiro, algumas edições da Copa do Brasil (chegou a eliminar o poderoso Botafogo do Rio há dois anos) e chegou a ser vice-campeã goiana em 2015 e 2018. Eu já tinha visto a equipe ao vivo contra a Caldense no sul mineiro em 2015 pela última divisão nacional.

Doze times disputam o Campeonato Goiano e os oito primeiros se garantem na segunda fase. Faltando três rodadas, um triunfo poderia afastar em definitivo a ameaça de rebaixamento e também consolidar a presença nas quartas. O Grêmio vinha de três confrontos sem sofrer derrotas em casa, porém, como de praxe, a presença de público foi mínima: somente 30 pagantes. Algo normal se pensarmos que Anapolina e Anápolis já estão consolidados há décadas e ter uma torcida própria é bem difícil.

Quando a peleja começou, fiquei feliz pelo representante não ter autorizado minha presença no gramado pois vi que um temporal fortíssimo já estava bem próximo do Jonas Duarte. Estar na parte coberta foi de longe a melhor opção. Lá do alto vi uma partida que não foi tão boa na etapa inicial e que teve o onze visitante atuando um pouco melhor. Um pouco, nada absurdo.

O que mais chamou a atenção foi a transmissão de uma das rádios locais. Tinha como escutar a voz do locutor e do comentarista pois o gogó dos dois era poderoso, só que além disso eles deixam um aparelho de rádio sintonizado na emissora virado para a numerada. Com isso ganhamos uma narração de lambuja enquanto víamos os times desfilando no gramado. No alto dos meus mais de 3 mil jogos in loco, nunca tinha visto algo do tipo.

Já debaixo do absurdo dilúvio, a Aparecidense teve sua melhor atuação premiada com o gol aos 35 minutos, tento que saiu após enorme vacilo de um atleta do Grêmio. O defensor tentou sair jogando e deu a bola de presente para Aleílson. O camisa 11 avançou livre, entrou na área e chutou no canto direito. A pequena torcida visitante presente comemorou como se estivessem numa final de Copa do Mundo. Foi com 0x1 que o intervalo chegou e os jogadores desceram aos vestiários.


Zaga da Aparecidense trocando passes no campo de defesa


Confusão perto da área do Grêmio Anápolis


Zaga local cortando escanteio cobrado na área



Já debaixo de chuva, dois ataques do escrete anapolino, por cima e por baixo


A cabine de rádio que transmitia o jogo e o aparelho ligado com volume máximo virado para a torcida

No tempo final a chuva diminuiu e o Grêmio Anápolis retornou com mais disposição. Como os visitantes também não foram mal, a partida ganhou muito em técnica e emoção. Eu já estava tranquilo por ter a certeza que não veria um modorrento "ocho", mas era óbvio que queria mais gols. Apesar do ânimo renovado, as conclusões dos atacantes de ambas as equipes não foram das mais objetivas.

Enquanto o papo na numerada fazia a diferença novamente, o escrete da casa passou a buscar seu gol com mais afinco na parte final e a Aparecidense foi recuando de forma perigosa. Nada indicava que o empate aconteceria, porém, aos 43 minutos, ele saiu. A pelota foi lançada na área e o camisa 3 Vágner tentou o chute. Por sorte o taco espirrou e ela saiu torta pela direita. Douglas Skilo recebeu o "passe" e chutou firme, estufando a rede visitante.


Igor Cursino, 8 do Grêmio, cobrando falta perigosa contra a meta da Aparecidense


Os donos da casa atacaram mais do que o onze visitante no tempo final


Boa cobrança de falta a favor dos visitantes



Muita disputa de bola durante os minutos finais da partida

O resultado final de Grêmio Anápolis 1-1 Aparecidense foi o mais justo pelo que ambos apresentaram durante os 90 minutos. O problema é que foi um placar ruim no geral, já que os dois caíram duas posições cada. O líder após nove rodadas realizadas é o Atlético, seguido de perto pelo Jaraguá. Resta saber se o torneio vai acabar... bom, essa é outra história.

Saímos do estádio e eu já contabilizava 30 horas acordado direto. Estava naquele estado de torpor em que nem sabemos o que estamos fazendo direito. Mesmo assim voltei à Brasília na base de um cochilo rápido e ainda fui com a rapaziada comer uma maravilhosa pizza na Asa Norte. Só depois de matar a fome com estilo retornei ao hotel pensando finalmente numa boa noite de descanso. Tudo pensando na fenomenal rodada dupla do domingo.

Até lá!

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Ficha Técnica: Grêmio Anápolis 1-1 Aparecidense

Local: Estádio Jonas Duarte (Anápolis/GO); Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha; Público: 30 pagantes (65 presentes); Renda: R$ 450,00; Cartões amarelos: Roger Goiano, Gustavo Henrique, Garutti, Washington, Alex Henrique; Cartão vermelho: Washington 4 do 2º; Gols: Aleílson 35 do 1º, Douglas Skilo 43 do 2º.
Grêmio Anápolis: Leandro Nascimento; Vágner, Eduardo Brito, Cassiano (David Santos) e Victor Hélio; Roger Goiano, Adeílson (Everton Amaro), Igor Cursino e Gustavo Henrique; Michel Renner e Lucas Lopes (Douglas Skilo). Técnico: Édson Silva.
Aparecidense: Édson; Rafael Cruz, Ícaro, Garutti e Helder; Tiago Ulisses, Albano (Diego Rosa), Washington e Robert; Alex Henrique e Aleílson. Técnico: Romerito.
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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Feriado de Independência com Série D do nacional em Poços de Caldas


A cidade de Poços de Caldas é destino certo de turistas de todos os lados, ainda mais num feriado prolongado como foi o de 7 de setembro. Mas enquanto 99 % das pessoas que visitam a Cidade das Flores vão até lá em busca de descanso, eu fui fazer aquele famoso "turismo futebolístico" hoje em dia tão ausente aqui nas nossas páginas. Na pauta, um jogo sensacional com cheirinho do saudoso "Especial do Mês" válido pelo Campeonato Brasileiro da Série D: Caldense x Aparecidense/GO.

Não visitava o belo Estádio Municipal Dr. Ronaldo Junqueira desde 2008, quando vi o falecido Poços de Caldas vencer o Itaúna pela contagem mínima. Já a Veterana eu não via atuando ali desde o comecinho de 2007, num jogo do campeonato mineiro com derrota por 1x0 para o Guarani de Divinópolis. Desde então planejei muitas viagens até lá que (obviamente) não deram certo, mas essa precisava rolar de qualquer jeito, afinal, foi a primeira chance razoável para colocar o time goiano na Lista, que agora conta com 598 equipes.

Fundada em 1985 e no futebol profissional desde 1992, a Aparecidense disputou apenas estaduais até 2011. Em 2012 o time estreou em nacionais jogando a última divisão. O time ficou conhecido em todo país na Série D de 2013, quando o massagista Esquerdinha impediu um gol do Tupi nas oitavas. A equipe acabou sendo eliminada no STJD e voltou ao nacional apenas nessa temporada, depois de ter conquistado o vice-campeonato no goiano.

Diferente do Camaleão, a Caldense tem mais tradição dentro do seu estado. Campeã mineira em 2002 e vice estadual nessa temporada, a Veterana atuou na véspera do seu aniversário de 90 anos, uma marca invejável. Apesar de tamanha história dentro das Minas Gerais, o alviverde participa do Brasileiro apenas pela quarta vez. Dá para citar todas as participações aqui sem gastar muitas linhas: Série A em 1979, Taça de Prata em 1980 e Série C em 1995.

O curioso é que em todas essas participações o time mineiro nunca tinha sido derrotado com o mando de campo... até 2015. O tabu de catorze partidas foi quebrado no revés para o Comercial de Campo Grande no dia 16 de agosto. Buscando a vaga antecipada para a segunda fase, bastava não ser derrotada novamente que a vaga entre os dezesseis melhores estaria garantida.


AA Caldense - Poços de Caldas/SP. Foto: Fernando Martinez.


AA Aparecidense - Aparecida de Goiânia/GO. Foto: Fernando Martinez.


Quarteto de arbitragem com o árbitro paulista Marcelo Prieto Alfieri e os mineiros Frederico Soares Vilarinho, Wesley Moreira de Carvalho e Renato Cardoso da Conceição junto com os capitães dos times. Foto: Fernando Martinez.

Para esse duelo eu tive a companhia do trio Mílton, Luiz e $eu Natal no pinga-pinga que o ônibus da Cometa faz até Poços de Caldas. A viagem que poderia levar cerca de três horas sem paradas dura quase cinco por conta dos vários pit-stops. Como deixamos a capital bandeirante bem cedo, chegamos na rodoviária local meio destruídos mas com tempo suficiente para fazer aquela boquinha esperta.

Com o estômago cheio voltei para o estádio - um caminho muito distante, cerca de 400 metros - e logo fui para o gramado. Tudo bem, demorou um pouco para que conseguisse o credenciamento, mas no fim tudo deu certo.

Vindo de um sonoro 3x0 aplicado contra o Operário de Várzea Grande na semana anterior, a Caldense decepcionou os quase mil pagantes que foram ao Ronaldão. O time não mostrou um futebol vistoso e se apresentou burocraticamente pensando apenas na classificação. A Aparecidense precisava vencer para manter vivo o sonho da vaga, mas também não fez muita coisa.

Os visitantes tiveram duas boas chances na primeira metade do tempo inicial, a melhor delas aos 17 minutos num milagre de Neguett após cabeçada venenosa de Dinei Correa. Jogando sem inspiração, a Veterana só assustou o goleiro Darci aos 41 minutos numa improvável bicicleta de Ewerton Maradona. O arqueiro goiano fez sua primeira boa defesa aos 46 depois de cobrança de falta local.


Estava com saudade dessa vista, uma das mais geniais em estádios que já visitei. Foto: Fernando Martinez.


Ataque da Caldense pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Agora a Veterana atacando pela direita. Foto: Fernando Martinez.


Boa saída de Darci na cabeça de Amoroso. Foto: Fernando Martinez.


Francismar sob marcação da zaga da Aparecidense. Foto: Fernando Martinez.


Darci evita o gol local no último lance no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final a equipe mineira melhorou um pouquinho seu futebol e quase abriu o marcador aos sete minutos com o camisa 5 Marzagão. Aos doze aconteceu o lance mais insólito do jogo quando o árbitro paulista Marcelo Alfiéri se lesionou, tendo então que ser substituído pelo quarto árbitro. Em mais de 2.500 jogos vistos in loco, foi a primeira vez que acompanhei isso acontecer.

Daí pra frente a peleja ficou bem morta até os 35 minutos. Depois de um lance aonde o onze visitante reclamou de falta de fair play local, Claytinho deu um pontapé desleal em Luiz Henrique, sendo expulso de forma instantânea. Com um a menos, o time goiano quase tomou o gol minutos depois numa oportunidade em que a zaga salvou em cima da linha.

Sem ânimo e sem ter como se aventurar mais no campo ofensivo, os visitantes apenas esperaram o jogo terminar. A Veterana teve boas chances em alguns contra-ataques, mas eles foram desperdiçados de forma bisonha. No fim, vi meu meu primeiro jogo sem gols em quase cinco meses: Caldense 0-0 Aparecidense.


Zaga goiana subindo para cortar cruzamento mineiro. Foto: Fernando Martinez.


Momento em que o árbitro Marcelo Alfiéri era atendido em campo, mas mesmo assim ele não continuou no jogo e foi substituído. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola na linha de fundo. Foto: Fernando Martinez.


Escanteio para a Veterana interceptado pela zaga visitante. Foto: Fernando Martinez.


Investida pela lateral direita. Foto: Fernando Martinez.


A melhor chance de gol da Caldense aconteceu nesse lance. Após cruzamento de letra na área, a zaga salvou em cima da linha. Foto: Fernando Martinez.


Início de ataque da Aparecidense no fim do jogo. Foto: Fernando Martinez.

Tudo bem que o resultado garantiu a classificação mineira para as oitavas-de-final, mas ninguém nas arquibancadas ficou satisfeito com o fraco futebol apresentado pela equipe da casa. Vaias foram ouvidas e muitos estão apreensivos para saber qual será o adversário da agremiação na próxima fase. Tudo será definido na última rodada que será realizada no próximo domingo.

Após o apito final fui com os amigos para me abastecer com uma série de guloseimas no super-mercado perto da rodoviária antes de pegar o busão para voltar a São Paulo. Só assim e com o sempre agradável papo com a rapaziada para aguentar de forma minimamente decente as quase cinco horas do percurso. Cheguei em casa depois da meia-noite completamente destruído, mas feliz com mais um time novo na Lista.

Mesmo ainda bastante moído, na segunda-feira rolou nova jornada futebolística debaixo de chuva e frio, agora com bela atuação rubro-verde na Série C do nacional.

Até lá!

Fernando