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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Na Fazendinha, a maior goleada da edição 2026 do Brasileiro sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando o mês de setembro, o Campeonato Brasileiro sub-17 chegou à sua última rodada da primeira fase e eu fui conferir de perto o duelo de um dos bons times da competição contra o lanterna absoluto. No gramado do Estádio Alfredo Schurig, Corinthians e Atlético/GO ficaram frente a frente com campanhas totalmente distintas.

O alvinegro ocupava a terceira colocação com 36 pontos e já estava classificado para as quartas de final com antecedência. Por sua vez, o escrete atleticano era o último colocado com apenas três pontos, uma vitória e 17 derrotas. O único resultado positivo foi o 1 a 0 contra o Internacional. O Dragão tinha nada menos do que um saldo negativo de 46 gols e 62 gols sofridos em todo o torneio.

Vale mencionar que, diferentemente do sub-20, o nacional sub-17 não tem rebaixamento, mas o Atlético estará fora da edição de 2027 por causa de sua queda no ranking da CBF. Os 20 participantes do certame são os 20 primeiros do ranking da entidade, então o onze goiano e o América/MG ficarão de fora no ano que vem. No lugar, entrarão Coritiba e Mirassol, que fará a sua estreia.


Faixa na entrada do clube social corintiano indicando os 100 anos de Parque São Jorge




Corinthians, Atlético/GO, quarteto de arbitragem e capitães dos times

Já tinha visto o Atlético em ação no fim de agosto, quando foi goleado pelo Flamengo por 7 a 0 na Gávea, na minha despedida da pequena turnê que fiz no Rio de Janeiro. Não esperava algo muito diferente no gramado do Parque São Jorge e a expectativa, claro, se confirmou desde os primeiros lances. Miguel Moscardo abriu o placar aos 13 minutos e, apesar da pressão, o Corinthians demorou para ampliar. Os gols voltaram apenas na parte final da etapa inicial. Léo Rodrigues marcou duas vezes e Miguel Moscardo anotou o quarto.

Na segunda etapa, o Atlético cansou e o que se viu foi um baile corintiano. O problema foi o número de chances desperdiçadas. Sem exagero algum, se a molecada tivesse colocado o pé na forma, a vitória teria chegado a dois dígitos com folga. Não chegou, mas foi por pouco. Igor Macedo fez o quinto completando sozinho um bom cruzamento da direita. Aos 20, foi a vez de Gabriel Cordeiro. Ele chutou da entrada da área e contou com o desvio da zaga. O mesmo jogador fez o sétimo aos 33, driblando o goleiro e tocando para as redes. Tupã, que tinha desperdiçado dois bons ataques, fechou o massacre aos 42 com um belíssimo gol por cobertura.




O Corinthians não deu nenhum espaço ao lanterna do Brasileiro sub-17 desde os primeiros momentos


Comemoração do primeiro gol da tarde, marcado por Miguel Moscardo



O chute de Léo Rodrigues no segundo tento alvinegro




Léo Rodrigues anotou o terceiro em chute cruzado no canto


Boa finalização de Miguel Moscardo. Era o quarto tento mandante


No fim, o Corinthians aplicou a maior goleada da edição 2026 do Brasileiro sub-17

O 8 a 0 colocou o onze mosqueteiro na vice-liderança no fim da primeira fase, com 39 pontos. O líder foi o Palmeiras, com 44. O alvinegro agora enfrenta o Flamengo, sétimo colocado, em duelos de ida e volta. Também teremos Palmeiras x Atlético/MG, Red Bull Bragantino x Fortaleza e Fluminense x Cruzeiro. Vai ser fácil chegar à decisão? Não mesmo, mas o elenco do time do Parque São Jorge é muito bom.

Com o ritmo bem menor por conta de vários fatores, a ideia agora é emplacar nova cobertura na sexta-feira com a Série B do Brasileiro, campeonato que não vejo de perto há quase quatro anos.

Até lá!

Ficha Técnica: Corinthians 8-0 Atlético/GO

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: Vinicius Diniz de Camargo/SP; Público: 214 presentes; Renda: Portões abertos; Cartão amarelo: Brunno; Gols: Miguel Moscardo 13 e 46, Léo Rodrigues 37 e 40 do 1º, Igor Macedo 13, Gabriel Cordeiro 20, 33 e Tupã 42 do 2º.
Corinthians: Milani; Pirituba (Kevin Fernando), Lucão (Estevão Balarin), Nathan e Wendel (Pedro Nogueira); Lucas Splichal, Sales e Léo Rodrigues (Piracicaba); Matheus Rocha (Gabriel Cordeiro), Igor Macedo e Miguel Moscardo (Tupã). Técnico: Guilherme Nascimento.
Atlético/GO: Godói; Brunno, Juan (Kauan Vitor), João Lucas e Kalebe (Miguel Herdeiro); Lucas Rocha (Matheus Kawan), Carlos Henrique e Lauren (Luiz Felipe); José Antônio (Paulo Rian), Renan Paulino (Lucas Santos) e Rafael Gomes. Técnico: Hugo Lima.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

JP in Rio (4 de 4): Na Gávea, o último capítulo da turnê carioca

Texto e fotos: Fernando Martinez


Diferente de outras vezes que fui ao Rio de Janeiro, a turnê 2026 teve a programação futebolística montada em cima da pinta, sem times pequenos na pauta. Dei sorte por ter jogo do Vasco da Gama em São Januário e, na terça-feira, mais um golpe de sorte que contou com a preciosa ajuda de um amigo. Fechei a viagem com minha estreia no Estádio José Bastos Padilha, o famoso Estádio da Gávea, com um Flamengo x Atlético/GO válido pelo Campeonato Brasileiro sub-17.

O grande lance é que o campo rubro-negro não recebe jogos com portões abertos ao público. Pouco antes de ir ao estado vizinho, entrei em contato com o amigo Sandro, atualmente trabalhando no sub-20 do Flamengo, e, através dele, tive a presença confirmada na peleja com a autorização de um dos coordenadores da base. Já tinha passado duas vezes pela região, mas nunca tinha entrado nas dependências do clube.

Antes de ir para a Gávea, fui andar pela zona sul carioca. A ressaca estava pesada, porém isso não atrapalhou o passeio pelas ruas e pela praia de Copacabana, além da visita ao Forte que leva o nome do bairro. Ali tivemos a primeira ação armada do tenentismo contra a República Velha em 1922, a Revolta dos 18 do Forte. Legal ver toda a orla e o mar no mesmo ângulo. É o tipo de passeio que faz a cabeça de um futuro historiador como o que vos escreve.


Não é toda hora que a gente tem chance de ter uma vista assim, não é mesmo? Então vale colocar essa imagem aqui abrindo o post



Sede do Flamengo na Gávea e escudo antigo do clube em um dos muros do local

Não demorou para chegar à Gávea saindo de Copacabana. O que mais assustava era o céu escuro e a promessa de muita chuva. Levou um tempo para poder passar pelo portão de entrada e logo estava ao lado do estádio e da sua monumental arquibancada. Fui lá para o alto me proteger da água que começou a cair. Eu sabia que a construção era alta, só não tinha ideia de que era MUITO alta mesmo. Provavelmente é a maior em que estive, mais até do que o falecido tobogã do Pacaembu. Chegar lá em cima foi pauleira.

Inaugurado em 1938, o Estádio José Bastos Padilha foi casa do Flamengo até a construção do Maracanã. Depois, foi utilizado em poucas oportunidades. Lá aconteceu o mítico Fla-Flu da Lagoa, a decisão do Campeonato Carioca de 1941. No jogo, os jogadores do Tricolor chutavam de propósito bolas na direção da Lagoa Rodrigo de Freitas, que, na época, ficava a pouco mais de 200 metros do campo. O 2 a 2 deu o título ao time das Laranjeiras. O Fla usou poucas vezes o local depois de 1950 e, após alguns jogos entre 1990 e 1991, atuou pela última vez ali em 27 de abril de 1997, contra o Americano de Campos. Atualmente, é utilizado apenas pela base de forma esporádica e sem torcida.


Visão da arquibancada do Estádio José Bastos Padilha, talvez a mais alta que já vi até hoje



Times perfilados e a foto dos capitães com o quarteto de arbitragem

O duelo de terça-feira reuniu dois times com o astral mais diferente possível. Invicto há oito rodadas, o Fla ocupava a oitava posição, com 19 pontos, após 12 rodadas realizadas, e lutava por uma vaga entre os oito melhores. Já o Dragão era o lanterna, com doze jogos, doze derrotas e saldo negativo de 24 gols. Não à toa, o favoritismo era total para os donos da casa.

Os 90 minutos foram com aquele famoso “ataque contra defesa”. Só que, apesar da pressão, o Flamengo levou um tempo para acertar o toque final. Somente aos 30 minutos abriu o placar com João Vítor completando bom passe de Jordan Michael. Foi o próprio Jordan que ampliou na sequência, em belo chute de fora da área. O norte-americano que jogou no Palmeiras em 2025 fez seu sexto gol no torneio.



Por falta de uma, aqui duas imagens do Estádio da Gávea tiradas do alto da arquibancada


O belíssimo Hipódromo da Gávea, o mais emblemático do país e palco do Grande Prêmio Brasil, fica ao lado do estádio

Na etapa final, o escrete rubro-negro desembestou e, num intervalo de cinco minutos, marcou quatro vezes. Pedro Henrique fez aproveitando rebote e repetiu a dose logo em seguida. João Vítor chutou da entrada da área e fez 5 a 0, e Heitor Vitória finalizou da pequena área, chegando aos 6 a 0. Se tivesse mantido esse ritmo, chegaríamos aos dois dígitos. Só que sossegaram o facho e marcaram somente outro gol, aos 24, com cabeçada certeira de Daniel Silva.

O 7 a 0 ficou barato para os goianos, que seguem na lanterna com 0% de aproveitamento e saldo de -31 gols. O Fla se manteve na oitava posição, com 22 pontos, dois à frente do São Paulo. O líder é o Palmeiras, com 31, seguido por Fluminense e Athletico, com 27, e Corinthians, com 26. Agora faltam seis rodadas para o final da primeira fase.



O Flamengo começou bem, mas demorou para engrenar


João Vítor abrindo a goleada na Gávea



No segundo tempo, o início flamenguista foi avassalador


Aqui a comemoração de um dos gols da etapa final






O Atlético/GO praticamente não viu a cor da bola durante a peleja


Placar final da goleada rubro-negra no Brasileiro sub-17

Antes de pegar o caminho de volta, fiquei um tempinho andando pelo clube, com direito a tomar um dos melhores sucos da minha vida. A Gávea fica a menos de um quilômetro do metrô, então foi rapidinho retornar. No caminho pelo chique Leblon, a gente ainda passa pela sede do Paissandu Atlético Clube, campeão carioca de 1912 e participante do primeiro certame local em 1906.

Com a peleja do Flamengo sub-17, fechei quatro jogos com os quatro grandes do Rio de Janeiro: dois com seus times principais, um com o feminino e outro com a base. Não teve time novo na turnê 2026 pela Cidade Maravilhosa, porém fiz a tetralogia dos grandes, com direito a dois estádios a mais na Lista. Ficou muito melhor do que o esperado. Além disso, não vi o sol dar as caras durante toda a minha estadia e não fez calor. Podia ser sempre assim.

Na quarta-feira, voltei à programação normal com a primeira cobertura do Jogos Perdidos no esvaziado e sem graça Paulistão Feminino.

Até lá!

Ficha Técnica: Flamengo 7-0 Atlético/GO

Local: Estádio José Bastos Padilha (Rio de Janeiro); Árbitro: Felipe da Silva Paludo/RJ; Público e Renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Heitor Vitória, Laurean e Lucas Lima; Cartão vermelho: Keyrryson 43 do 1º; Gols: João Vitor 30 e Jordan Michael 32 do 1º, Pedro Henrique 3, 5, João Vitor 6, Heitor Vitória 8 e Daniel Carvalho 24 do 2º.
Flamengo: Gabriel Werneck; Bernardo Nunes, Arthur Andrades, Daniel Carvalho e Rafael Barreto (Richard Lucas); Pedro Henrique (Thauan Thiago), Davi Carrijo, Ykaro Santos (Heitor Vitória) e Jordan Michael (Walace Inácio); João Vitor (Antony Avelar) e Luiz Guilherme (Amilca Santos). Técnico: Daniel Franklin.
Atlético/GO: Pedro Gontijo (Ruan); Kauan Vitor (Enzo), Brunno, Lucas Lima e Laurean (Antônio); Guilherme Henrique, Rafael Gomes (Luiz Felipe) e Carlos Henrique; Matheus Kawan (Jadiélson), Renan Paulino (Pedro Henrique) e Keyrryson. Técnico: Hugo Lima.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Corinthians empata e segue ameaçado de queda no Brasileiro sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Por conta do já saudoso frila que estava fazendo até o final de abril, ainda não tinha visto nenhum jogo do Campeonato Brasileiro Sub-20 da Série A. Na última quarta-feira, finalmente rolou minha estreia em 2025. Após uma ausência de nove meses (!), voltei ao Estádio Alfredo Schurig para acompanhar o duelo entre Corinthians e Atlético Goianiense, válido pela 10ª rodada da primeira fase.

Uma das grandes mudanças da competição é a introdução do acesso e rebaixamento. Os três últimos colocados vão disputar a nova Série B, criada neste ano, em 2026, enquanto os três primeiros da segundona estarão na elite. Até o ano passado, os 20 participantes eram definidos pela posição no Ranking da CBF. Em meio a tantas iniciativas ruins da entidade, achei bem legal a inclusão do famoso "mecanismo de acesso" no torneio.


Sport Club Corinthians Paulista (sub-20) - São Paulo/SP


Atlético Clube Goianiense (sub-20) - Goiânia/GO


Capitães e quarteto de arbitragem na Fazendinha

Dito isso, o Corinthians entrou em campo seriamente ameaçado pelo rebaixamento. O alvinegro do Parque São Jorge ocupava a 15ª posição, com apenas nove pontos, um acima da zona da degola, aberta justamente pelo Dragão, que estava em 18º com oito. Jogando em casa, a vitória era obrigação.

Fui nessa jornada com o paulistaníssimo Victor, futuro doutor e ex-correspondente mineiro do JP. O amigo não via uma partida na Fazendinha desde os tempos do saudoso Corinthians B, lá pelos idos de 2001 ou 2002, quando o Jogos Perdidos não existia nem como ideia. Agora, feliz residente da capital bandeirante novamente, entre uma aula e outra, ele consegue acompanhar suas pelejas na cidade. Também estavam lá o decano Milton e o amigo homônimo Victor. No gramado, o grande nacionalista Giulio Cesare estava de olho nos atendimentos médicos mais uma vez.

O Corinthians começou a partida afobado: teve mais posse de bola, mas não conseguiu transformar isso em chances claras de gol. O Atlético apenas se defendia, mas, como quem não quer nada, foi se soltando e chegou ao ataque. Aos 25 minutos, Yuri abriu o placar para os visitantes. O alvinegro só melhorou nos minutos finais da etapa inicial, mas não conseguiu empatar.

No primeiro lance do segundo tempo, o Corinthians deixou tudo igual com o gol de Bahia, uma boa revelação, apesar de tudo que acontece de ruim nas categorias de base do clube. Só que nem deu tempo de comemorar: aos quatro, João Gabriel recolocou o Dragão na frente.

O que se viu a partir daí foi um verdadeiro ataque contra defesa. Os donos da casa enfileiraram bons momentos, mas nenhum virou gol. O placar já estava bem injusto quando, aos 36, Gui Negão teve a chance do empate em cobrança de pênalti. Bateu mal e o goleiro defendeu. Na sequência, ele mesmo aproveitou escanteio bem cobrado e aí sim anotou o dele.








Lances do primeiro tempo de Corinthians x Atlético/GO


Comemoração do gol de Bahia no início da etapa final


O pênalti perdido por Gui Negão aos 36 do segundo tempo



O Corinthians foi melhor nos 45 minutos finais, mas não conseguiu vencer


Placar final do jogo no Parque São Jorge e resultado ruim para ambos

Nos minutos finais, o Timão até teve chances de virar, porém não conseguiu. O Corinthians 2-2 Atlético/GO acabou sendo um resultado ruim para ambos. O alvinegro segue em 15º, enquanto o Dragão pelo menos deixou a zona da degola, agora ocupada por ninguém menos que Atlético Mineiro, Grêmio e Internacional. Vai ter time grande jogando a Série B em 2026...

Saímos rapidinho da Fazendinha e peguei o caminho do QG da Zona Oeste. Fiz uma janta rápida e saí de novo, já que tinha rodada noturna do JNP, o Jogos Nada Perdidos, pela Libertadores, com time que não via há 19 anos.

Até lá!

Ficha Técnica: Corinthians 2-2 Atlético/GO

Local: Estádio Alfredo Schurig (São Paulo); Árbitro: Caio Carvalho Pereira/SP; Público: 228 presentes; Renda: portões abertos; Cartões amarelos: Lorenzo, João Gabriel, Pimenta e Neto; Gols: Yuri 25 do 1º, Bahia 1, João Gabriel 4 e Gui Negão 38 do 2º.
Corinthians: Cadu; Gabriel Caipira, Gama, Lorenzo e Denner (Gustavo Baiano); Caraguá (Lucão), Bahia (Yago), Dieguinho (Pires) e Araújo (Jesse); Nicollas (Léo Agostino) e Gui Negão. Técnico: Orlando Ribeiro.
Atlético/GO: Martins; Lira, Erick, Pimenta e Luiz Guilherme; Klebert, Neto (Arthur), João Neres (Jonathan) e Yuri; João Vítor (Jampierre) e João Gabriel. Técnico: Rafael Premiska.