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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

São Bernardo faz história, vence o Bafo e conquista o acesso para a A2

Texto e fotos: Fernando Martinez


O sábado, 7 de novembro, foi um dia muito especial para o mundo por conta da esperada definição da eleição presidencial dos Estados Unidos. A milhares de quilômetros da terra do Tio Sam, especificamente em São Bernardo do Campo, também tivemos um momento histórico e esperado há exatos 31 anos pela torcida de um dos times mais legais do estado de São Paulo, o Esporte Clube São Bernardo.

O Bernô fez um Campeonato Paulista da Série A3 exemplar. Desde a terceira rodada entrou no G8 e lá permaneceu até o fim da primeira fase. Contava onze jogos invicto até a definição do acesso contra o Comercial de Ribeirão Preto no Estádio Primeiro de Maio. No duelo de ida, um triunfo por 2x1 que os deixou a um empate da Série A2. Só que o Bafo, buscando voltar ao segundo escalão do estado após cinco anos, com certeza não iria se entregar com facilidade. Os comercialinos precisavam vencer por dois gols de diferença. Se fosse por um, a disputa seria definida nos pênaltis.

Se o mundo estivesse funcionando normalmente, é fato que o tradicional estádio do ABC receberia um bom número de torcedores. Por conta da pandemia, o local estava praticamente vazio. Bem diferente do acesso de 2017 na última divisão, quando um quórum altíssimo de amigos, colegas e torcedores do alvinegro se fez presente nas arquibancadas tortas do Baetão. Detalhe que eu não consegui ver o 1x1 contra o Osasco FC pela espiral de horror que vivia na época e agora estava sozinho. Ironias do destino.



A torcida do Bernô não estava no Primeiro de Maio, mas foi representada pelas suas faixas colocadas na arquibancada


Times perfilados durante a execução do Hino Nacional Brasileiro




Times posados antes da grande decisão da vaga na A2 de 2021. Na terceira foto, os capitães e o quarteto de arbitragem

Cheguei na cancha e apesar do silêncio e do pouco movimento, o clima era tenso. Quando o árbitro apitou pela primeira vez ficou claro que a peleja teria todos os ingredientes de uma boa decisão. Em desvantagem depois da derrota em casa e contando com um sono enorme do Bernô, o Comercial foi dono da etapa inicial.

O Bafo estava com a cabeça no lugar e aos 21 minutos teve a primeira chance de igualar o placar geral quando Biro Paraíba entrou na área e foi derrubado. Warlei cobrou a penalidade máxima e Maurício fez brilhante defesa. Teve muita comemoração dos atletas locais no gramado e dos diretores do São Bernardo fora dele. O Comercial nem ligou, não se abateu e continuou melhor. A insistência deu resultado e o marcador foi inaugurado aos 41. O mesmo Warlei atacou pela direita e cruzou na área. A bola fez um efeito magnífico e morreu no fundo da rede.


Brayan (6) buscando se desvencilhar da marcação dos atletas do São Bernardo


Tito (7) protegendo a pelota de atacante do Bafo


Zagueiro local afastando o perigo de cabeça


O Comercial teve a chance de abrir o marcador aos 21 do primeiro tempo em pênalti cobrado por Biro Paraíba. Maurício voou e fez magnífica defesa


Romarinho (5), Victor Sapo (9) e Dante (6)


O São Bernardo terminou o primeiro tempo praticamente sem conseguir emplacar nenhum ataque realmente perigoso

Quando o intervalo chegou, o 0x1 parcial era bom para o Comercial e ruim para os donos da casa. Os rostos apreensivos eram a maioria, pois todos ficaram assustados com a atuação tão abaixo da média do São Bernardo. A esperança ficava por conta de ver o que o técnico Renato Peixe faria nos vestiários. A mudança de postura dos atletas era obrigatória. Sem isso, o acesso ficaria comprometido.

Imagino que a bronca deve ter sido enorme, pois quando a partida recomeçou o que se viu foi um domínio avassalador do Bernô. Em menos de cinco minutos o escrete da Grande São Paulo já tinha emplacado uma virada incrível. Primeiro foi Felipe pegando de primeira um cruzamento de Iago aos três, depois Victor Sapo mandou na cabeça de Osvaldir e fez o segundo aos cinco. Agora quem dava a bola era o São Bernardo.

O Comercial sentiu o golpe e demorou a recolocar a cabeça no lugar. O problema é que a missão tinha ficado ainda mais complicada. Os visitantes se lançaram na velha base do bumba-meu-boi e deixaram o campo de defesa desguarnecido. O São Bernardo foi enfileirando uma série de contra-ataques, todos miseravelmente perdidos, porém aos 30 minutos Raul fez tudo certo, marcou o terceiro e praticamente definiu a fatura.

O técnico comercialino Fahel Júnior foi expulso na sequência e a partir de então, embora com quase 20 minutos na conta, ficou claro que nada tiraria o acesso do São Bernardo. Era questão de esperar o relógio andar e comemorar bastante, sem medo do amanhã, um momento que pareceu impossível por anos. Quando o apito trilou pela última vez no Primeiro de Maio, o placar final confirmou o sonho: São Bernardo 3-1 Comercial.



No tempo final a postura do Bernô foi outra e em poucos minutos já tinham virado o marcador


Melhor no primeiro tempo, o Bafo não conseguiu repetir o bom futebol no segundo



Detalhe do gol de Raul que sacramentou o histórico acesso do Bernô para a Série A2. Na segunda foto, a comemoração dos atletas


O placar final do jogo no Primeiro de Maio. O Bernô voltou à segunda divisão estadual depois de 32 anos!

A última participação do Bernô no segundo nível do futebol paulista foi em 1989. A equipe originalmente retornaria em 1994 com o vice na terceira de 1993, mas a reorganização das divisões que a FPF fez os manteve na mesma. Depois disso, ladeira abaixo. Foram seis rebaixamentos entre 1994 e 2000 e o afastamento do futebol profissional em 2001. Voltaram em 2010, subiram para a A3 em 2017 e agora voltam à Série A2 após 32 anos.

Quando comecei a acompanhar o ECSB in loco no final dos anos 90 ele estava no seu pior período da história. Não imaginava que pudessem voltar a disputar certames de forma competitiva, ainda mais depois de ver de perto o período de 2003-2009, quando disputou somente o sub-20 por desencargo. O ótimo trabalho feito principalmente pelo diretor Gigio Sareto a partir de 2010 fez com que eu passasse a crer que uma hora voltariam ao lugar de onde nunca deveriam ter saído. Foram dez longos anos de luta recompensados com esse acesso. Pena que nenhum torcedor pôde comemorar de forma presencial. Teria sido algo muito bonito de se ver.

Além de ter subido de divisão, o São Bernardo também está na grande decisão da Série A3 contra o Velo Clube. Apesar da pandemia, pretendo estar lá. Não é sempre que temos a oportunidade de acompanhar uma final desse calibre.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: São Bernardo 3-1 Comercial

Local: Estádio Primeiro de Maio (São Bernardo do Campo); Árbitro: Adriano de Assis Miranda; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Tito, Raphael, Erwin, Iago, Victor Sapo, Romarinho, Brayan, Otávio, Cesinha; Cartão vermelho: Fahel Júnior 31 do 2º; Gols: Warlei 41 do 1º, Felipe 3, Osvaldir 5 e Raul 30 do 2º.
São Bernardo: Maurício; Osvaldir, Raphael, Alexandre (Erwin) e Dante; Dudu, Tito (Chuck), Willian (Yuri) e Felipe (Lucas Gomes); Victor Sapo (Raul) e Iago. Técnico: Renato Peixe.
Comercial: Iago Hass; Luã (Russo), Cortez, Rodrigo Sabiá e Brayan; Romarinho (Bruno Sabiá), Otávio (Pedro Henrique), Biro Paraíba (Lucas Lino) e Cesinha (Juninho); Tanque e Warlei. Técnico: Fahel Júnior.
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