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terça-feira, 5 de março de 2013

Nova derrota calunga em domingo de confusão no Mansueto Pierotti

Salve amigos! 

Mais um domingo de sol forte, e lá estava eu, pra acompanhar mais uma partida no Estádio Mansueto Pierotti, válida pelo Campeonato Paulista da Série A3. Portões ainda fechados para o confronto entre dois recém chegados ao certame, São Vicente AC e Grêmio Novorizontino, válido pela 9ª rodada. 

A situação das equipes era surpreendente até então, com os anfitriões realizando uma campanha intermediária, contrariando algumas previsões de que teria dificuldades. Os visitantes, longe de uma imaginada ascensão meteórica, amargavam a zona de rebaixamento. 

Diante dessas circunstâncias, o São Vicente era favorito por jogar em casa, ainda que sem torcida. Devidamente credenciado, fiz as fotos oficiais da partida, com autorização da Federação Paulista de Futebol, a quem mais uma vez agradeço, na pessoa do Delegado Amorim. 


São Vicente AC - São Vicente/SP. Foto: Estevan Mazzuia. 


G Novorizontino - Novo Horizonte/SP. Foto: Estevan Mazzuia. 


Arbitragem, composta pelos Marcelo Ferreira Vicente, Everaldo Jorge da Silva, Alessandro da Mata Lemos e Paulo Santiago de Medeiros, com os capitães Rodrigo Calchi (SVAC) e Da Mata (GN). Foto: Estevan Mazzuia. 

Nos primeiros 15 minutos, o time da casa dominou levemente a partida, mas os visitantes também mostravam iniciativa, não se restringindo a contra-ataques. E para a surpresa geral, o Tigre saiu na frente aos 20 minutos. Após uma bobeada do lado esquerdo do setor defensivo vicentino, Pity pegou a sobra para abrir o marcador. 


Lance da primeira etapa, com os torcedores tradicionalmente postados sobre os telhados da vizinhança. Foto: Estevan Mazzuia. 


De soco, o arqueiro Washington afasta o perigo. Foto: Estevan Mazzuia. 

Com um sol para cada um, a partida teve a parada técnica, mas nem isso foi capaz de acalmar o time vicentino, desnorteado e visivelmente nervoso após o revés. Do outro lado, o Grêmio estava muito a vontade defensivamente. O Esquadrão Calunga chegou a empatar a partida, mas o assistente número 1 observou uma falta no lance que se iniciou em uma sequencia de falta cobrada pelo lado esquerdo. 


Zagueiro do Tigre afasta de cabeça. Foto: Estevan Mazzuia. 


Detalhe do gol de empate anulado. Foto: Estevan Mazzuia. 

Com o final da primeira etapa, os dirigentes vicentinos que já tinham visto impedimento no gol caipira, se injuriaram com a anulação do gol vicentino, e sobrou para o árbitro. O clima realmente esquentou pra cima do trio, mas o pior estava por vir. 

Logo no início da segunda etapa, o Tigre esteve perto de ampliar, com Vinícius Pequeno chutando para a defesa de Rodrigo Calchi. Na sequencia, Vinicius ainda cruzou, mas a bola desviou no goleiro e cruzou a área sem ser alcançada por Dick. 


Bola na área vicentina. Foto: Estevan Mazzuia. 

Gradativamente, o São Vicente foi recuperando espaço, se aproximando do gol adversário, mas sem conseguir grandes chances de gol. De quebra, não podia descuidar da defesa nem por um minuto: aos 19 minutos, Thomas acertou a trave vicentina. Para alívio local, Leandrão empatou o jogo ao escorar de cabeça um cruzamento da direita. O empate foi providencial, reanimando e encorajando a equipe, pouco antes de nova parada para hidratação. 


Vinícius Pequeno vs. Tico. Foto: Estevan Mazzuia. 


Após petardo de Thomas, detalhe da bola retornando para o campo de jogo. Foto: Estevan Mazzuia. 

Léo poderia ter marcado o gol da virada aos 33 minutos, ao receber na direita e carimbar o arqueiro Washington, bem colocado. Mas apesar da pressão vicentina, o Grêmio se aproveitava da fragilidade da defesa alvinegra, e poderia ter definido em alguns lances, não fossem as belas intervenções do goleiro-capitão Rodrigo Calchi. 


Lance da segunda etapa. Foto: Estevan Mazzuia. 

A diretoria vicentina, que nem com o empate deu mole para a arbitragem, foi à loucura, então, quando aos 46 minutos o árbitro assinalou uma penalidade. Confusão generalizada. Um membro da comissão técnica entrou em campo e sentou-se sobre a marca de cal, recusando-se a sair. 


Início da confusão. Foto: Estevan Mazzuia. 

Dirigentes e jogadores indignados, alegavam ser a terceira partida em que eram prejudicados para arbitragem. Vice-presidente dava ordens para que jogadores não autorizassem a cobrança, e avisava o árbitro que o jogo não teria sequencia. Elias e Bruno Sacomani foram expulsos de campo, prejudicando ainda mais a equipe praiana. 


Elias precisou ser contido pelos policiais militares após sua expulsão. Foto: Estevan Mazzuia. 

Não posso opinar sobre a arbitragem, mas posso assegurar que os ânimos se exacerbaram muito além do esperado, provavelmente em virtude da suposta sequencia de más arbitragens. Em relação ao pênalti, também ficou evidente que o árbitro chamou a responsabilidade toda para si, uma vez que seu auxiliar não observou jogada faltosa. 

Além do mais, questionava-se a irregularidade na posição de um jogador do Tigre, em lance anterior. Atrás do outro gol, não tive condições de avaliar toda a jogada, mas tive impressão de falta, e vi que o árbitro foi seguro em sua marcação. 


Dirigente vicentino recusava-se a liberar a marca de cal. Foto: Estevan Mazzuia. 

Enfim, a tragédia anunciada, por uma conjugação de fatores que culminou em vinte minutos de confusão, até que o São Vicente resolveu permitir a cobrança, consolidou-se com a conversão de Gabriel. O detalhe do lance foram as tentativas de Rodrigo Calchi desestabilizar o jogador, dizendo que irai defender, inclusive tirando suas luvas, e jogando-as dentro do gol. 


Gabriel corre para comemorar o gol da vitória, após cobrar a penalidade controvertida. Foto: Estevan Mazzuia. 

Fim de jogo, São Vicente 1x2 Novorizontino, resultado que deixou dez equipes emboladas na luta contra o rebaixamento, enquanto outras nove parecem mais gabaritadas para buscar a classificação. Importante salientar que o relatório do árbitro consignou todo o ocorrido, o que pode trazer, infelizmente, ainda mais prejuízo ao clube da Baixada. Muito triste para essa equipe guerreira, uma sobrevivente de nosso futebol, com pouquíssimo apoio do poder público. 

Acho que faltou maturidade no tocante ao comportamento após a marcação da penalidade. Mas meu sangue também esquenta, e sei que maturidade é algo que só quem tem sangue frio pode exigir. A indignação era tamanha, que todos se manifestavam mais favoráveis a uma eventual punição severa, do que a uma derrota decorrente da cobrança da penalidade. Enfim, poderão acontecer as duas coisas. A derrota, já está consolidada. 

Foi isso. Hoje, sem motivos pra muita alegria. 

Estevan

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