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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

São Luiz/RS derrota o Azulão e ruma para a classificação na Série D

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando o futebol voltou no meio da pandemia o acesso da imprensa ficou muito mais restrito (e chato também). Por um tempo achei que acompanhar o Campeonato Brasileiro da Série D era uma missão impossível. Eis que me informei melhor e, pelo menos na última divisão nacional, a coisa é bem menos complicada do que imaginava. Por isso consegui ver de perto o último compromisso do São Caetano no Estádio Anacleto Campanella. O adversário da despedida foi o genial São Luiz de Ijuí, o time 715 da minha Lista.

A Série D teve a sua primeira edição disputada em 2009. Até 2012 vi poucos jogos e a coisa realmente engrenou somente entre 2013 e 2017. Nesse período foram 27 coberturas em dez cidades diferentes com um total de 15 times novos. Em 2018 e 2019 tudo voltou à estaca zero e os participantes foram apenas equipes "de longe". Em 2020 a expectativa era enorme e tinha planejado várias viagens. Então chegou à pandemia e ferrou tudo... acabou que não vi nada e me contentei com essa partida isolada. Melhor do que nada.


Sem ninguém para fazer as fotos posadas dos times, somente os capitães e o quarteto de arbitragem posaram. Uma pena

Falar do momento do Azulão é complicado. As atividades pós-pandemia foram retomadas com a manutenção da campanha de sucesso na Série A2 Paulista. As boas apresentações culminaram no acesso para a A1 em 2021 e com o título, ao derrotar o São Bento na decisão. Enquanto a reta final do estadual rolava, a Série D começou e foi aí que a coisa ficou feia.

O que se viu foi um show de performances ruins e, somente doze dias depois de ser campeão, o São Caetano sofreu um 9x0 em casa contra o Pelotas. A maior derrota de um paulista na história dos nacionais e de longe e maior vergonha da agremiação do ABC. Tudo porque os titulares se recusaram a entrar em campo em virtude dos salários atrasados. Assim, a base foi acionada e deu no que deu. Como desgraça pouca é bobagem, tudo piorou quando nem se deram ao trabalho de viajar até Itajaí e foram derrotados pelo Marcílio Dias por WO.

Esse apenas é o retrato de uma gestão horrorosa e cheia de problemas. De todos os envolvidos, os atletas são os menos culpados, pois ninguém é obrigado a trabalhar sem receber. Triste mesmo é ver tantos sonharem com a Série D e o Azulão, que conquistou o direito de participar de forma merecida após o título da Copa Paulista de 2019, fazer esse papelão absurdo. Ninguém tem a menor ideia do que pode acontecer na Série A1 do ano que vem.

Os paulistas chegaram na penúltima rodada na lanterna do Grupo 8, empatados em número de pontos com o Atlético Tubarão, porém com saldo de gols pior. O São Luiz, fundado em 1938 e que absurdamente ainda não fazia parte da minha Lista, disputa uma das três vagas restantes (o Novorizontino já está classificado) na segunda fase. Como todo mundo sabia que o alvirrubro ia vencer, restava somente saber de quanto.

Eu vi o Anacleto Campanella cheio na era de ouro do Azulão e estar lá com ele às moscas foi estranho. Tirando meia dúzia de dirigentes locais, não tinha fotógrafo ou jornalista na parte coberta da cancha além de mim. Perfeito para ilustrar o clima de velório que se viu no gramado. Os donos da casa foram dominados completamente pelo escrete gaúcho e a derrota não foi nada surpreendente.






O São Caetano entrou em campo tentando fazer um jogo um pouco mais digno do que todos que vem fazendo na Série D. Mas o cenário terrível e absurdo em que o clube se encontra não deu muita margem para algo de positivo



Primeiro foi Hugo Almeida, depois Juba. De pênalti, o São Luiz chegou fácil aos 2x0 no placar

O São Luiz resolveu tudo no primeiro tempo. Os dois primeiros tentos foram de pênalti com Hugo Almeida aos 25 e Juba aos 34 minutos. Matheus fez o terceiro aos 37 num verdadeiro golaço. Fora isso, perderam oportunidades de marcar pelo menos o dobro antes do intervalo chegar. Pelos lados do Azulão, atuação sempre ruim.

A inspiração que o São Luiz teve durante os primeiros 45 minutos ficou nos vestiários. A atuação visitante na etapa final caiu bastante de produção. Tudo bem, eles já tinham conquistado três pontos super importantes pensando na classificação, mas poderiam ter mostrado um futebol um pouco mais animado. Valeu de verdade para colocá-los no rol de times vistos.




No segundo tempo a partida caiu demais de produção. Com o estádio vazio e sem emoções em campo, foi complicado manter os olhos abertos

O São Caetano 0x3 São Luiz fez o alvirrubro pular para a terceira colocação do Grupo A8 com os mesmos 20 pontos do Pelotas e atrás por ter menos gols de saldo. Na última rodada o clube de Ijuí recebe o Atlético Tubarão e deve sacramentar sua classificação sem maiores dificuldades. O Azulão se despede do certame contra o Caxias longe de casa. Bem provável que encerrarão a campanha com novo revés.

No domingo a saga dos jogos perdidos continuou com uma hoje raríssima rodada dupla. Desde os tempos em que o mundo não estava no atual nível de insanidade isso não acontecia.

Até lá!

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Ficha Técnica: São Caetano 0-3 São Luiz/RS

Local: Estádio Anacleto Campanella (São Caetano do Sul); Árbitro: Fabio Santos de Santana/AC; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Matheus Santos, Arthur, William, Paulinho Santos, Tássio; Gols: Hugo Almeida (pênalti) 25, Juba (pênalti) 34 e Matheus 37 do 1º.
São Caetano: Arthur; Lucas Saturnino, Gustavo, Matheus Santos e Matheus Eduardo (Ruan); Douglas (Gian), Braz, João Gurgel (Markson) e William; Rafael Menezes (Emerson Lima) e Filipe (Kaique). Técnico: Fabinho Félix.
São Luiz: Rafael Roballo; Itaqui, Silvio, Jadson e Gabriel Araújo; Rafael Jataí (Wagner), Juba (Jhonatan), Paulinho Santos e Fernando (Tássio); Hugo Almeida (Dionata) e Matheus (Everton). Técnico: Anderson de Lazari.
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sábado, 21 de novembro de 2020

Corinthians, sem sustos, se garante na segunda fase do Brasileiro de Aspirantes

Texto e fotos: Fernando Martinez


Demorou para o futebol voltar nessa época pandêmica. Como o retorno do esporte foi feito sem muito cuidado, desanimei e deixei de me atualizar com afinco. Sem ver tabelas e afins, perdi vários jogos. Um dos torneios que soube que estava rolando só bem após seu início foi o Campeonato Brasileiro de Aspirantes. Emplaquei a primeira cobertura na derradeira jornada da primeira fase, um genial Corinthians x Sampaio Corrêa no Estádio Alfredo Schurig.

A edição 2020 do certame repete a fórmula dos últimos três anos: 16 participantes divididos em dois grupos com os quatro melhores se garantindo na segunda fase. Ela é disputada em duas chaves, os dois melhores de cada uma delas estarão na semifinal e seus vencedores, claro, na decisão. Quando os participantes foram divulgados, a maior ausência ficou por conta do Inter de Porto Alegre, campeão em 2017/2019 e vice em 2018. Vale destacar que oito times estão pela primeira vez no Brasileiro nesta temporada.

A fase inicial foi disputada em turno único com confrontos fora das chaves. Ao final das sete primeiras rodadas, o Grupo A somou 94 pontos e o Grupo B somente 61, indicando um enorme desequilíbrio de forças. O Corinthians, integrante do Grupo B, precisava vencer o eliminado escrete maranhense para garantir sua vaga na segunda fase sem depender de ninguém. Mesmo perdendo ainda se garantiria se Juventude, Bragantino ou Paraná, apenas um deles, não vencessem seus duelos. Pelo menos no papel, uma missão não tão complicada assim.




Equipes posadas para as fotos oficiais e os respectivos capitães com o quarteto de arbitragem

Em quatro anos do nacional sub-23, essa foi apenas a terceira partida em que estive presente na história. Em tempo: a primeira foi um São Paulo 1x1 Inter na primeira rodada de 2017 e depois o encontro entre o mosqueteiro e o Figueirense no ano passado, também na Fazendinha. Aliás, desde então não tinha mais visitado o Parque São Jorge. Sempre é bom voltar no clube onde meu avô tanto se fez presente. Fora que é um enorme pedaço da história esportiva da cidade.

A peleja foi disputada sob baixa temperatura, uma dádiva inesperada. Tão inesperada que me arrependi por não ter levado uma blusa. O vento frio estava tão forte que passei apuros na numerada. Nos primeiros 45 minutos só deu Corinthians. O questionado elenco sub-23 mosqueteiro foi superior e os avantes deram trabalho ao goleiro Neguete. O gol demorou a sair pois apenas aos 35 Daniel Penha, em belíssima cobrança de falta, conseguiu vencer o arqueiro visitante.






Corinthians e Sampaio Corrêa fizeram um jogo bastante movimentado no Parque São Jorge


Daniel Penha cobrou falta e abriu o marcador na Fazendinha. O goleiro Neguete nada pôde fazer

O marcador foi ampliado no primeiro ataque da etapa final. Um lance em que quase todos os atletas locais tiveram participação e que teve conclusão de Antony. O 2x0 fez o ímpeto local diminuir e a peleja caiu de produção. O placar classificava os paulistas e o Sampaio pouco fez ofensivamente falando. Ficou nesse chove-não-molha até os acréscimos quando, numa rara chegada bem organizada, o Tricolor de Aço fez o gol de honra em cabeçada de Eduardo Thuram.





No fim, o Corinthians conseguiu a vitória e se classificou para a segunda fase do Brasileiro de Aspirantes

O resultado de Corinthians 2-1 Sampaio Corrêa consolidou o Timão como líder do Grupo B ao final da primeira fase. Agora ele enfrenta em ida e volta os outros classificados da chave - Fluminense, Juventude e Bragantino - em busca de uma vaga na semifinal. Para terem uma ideia do desequilíbrio de forças entre as agremiações dos dois grupos, os 13 pontos conquistados deixariam o mosqueteiro apenas na sexta colocação do Grupo A. Detalhes que acontecem em regulamentos estranhos.

Tirei a sexta-feira para descansar e lembrar o centenário do meu avô, que teria feito 100 anos se estivesse vivo (ele faleceu em 2011). Muito bom poder relembrar histórias com ele. Minha volta aos gramados (espero) será na noite de sábado com o São Caetano na Série D. Vamos ver se eles entram em campo.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 2-1 Sampaio Corrêa

Local: Estádio Alfredo Schürig (São Paulo); Árbitro: Rafael Felix da Silva/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Eduardo Blanco, Roni, Allan, Lucas Minele; Gols: Daniel Penha 35 do 1º, Antony 13 e Eduardo Thuram 47 do 2º.
Corinthians: Guilherme; Eduardo Blanco (Gabriel Silva), Igor Morais, Felipe e Luan Vitor; Raul Gustavo, Hugo Borges (Gildomar), Daniel Penha (Rafinha) e Roni; Jorge Colman (Adriel) e Antony (Dimitri). Técnico: Edson Leivinha.
Sampaio Corrêa: Neguete; Lucas Minele (Bebeca), Danilo Guimarães (Espanhol), Allan, Lucão e Eduardo Thuram; Gustavo Ota, Adrian (Luizinho) e Gabriel Popó; Thiago Santos (Adriano Klein) e Rafael Carioca (Bruce). Técnico: Marcelo Mendes.
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Barcelona se despede de 2020 sem nenhuma vitória na Segundona

Texto e fotos: Fernando Martinez


O enxutíssimo Campeonato Paulista da Segunda Divisão chegou ao final da sua primeira fase na quarta-feira. Algumas equipes disputavam vaga nas oitavas e teve muita emoção espalhada pelos gramados do estado. Bom, não foi esse o caso de Barcelona x Mauaense, o confronto de eliminados do Grupo 7. Ambos já não tinham nada a fazer e se despediram melancolicamente de 2020 no Estádio Nicolau Alayon.

O time de Mauá esteve entre os três primeiros da chave por sete rodadas. Tudo parecia bem encaminhado, porém a derrota para o Jabaquara no dia 11 de novembro junto com a campanha de recuperação plena do Ska Brasil significou a eliminação com uma rodada de antecedência. Depois da boa campanha de 2017, é a terceira vez seguida que são eliminados ainda na fase inicial. Coincidentemente (ou não), nesses três anos o novíssimo Mauá FC sempre passou de fase.

Já o Barcelona... bom, falar o quê da campanha do Elefante? Claro que a pandemia deve ser levada em conta e o fato que o maior troféu é estarem na ativa. Agora, é fato que a performance foi horrível. Chegaram na rodada final com um ponto conquistado em sete rodadas perigando ser a primeira temporada sem nenhum triunfo dentro das quatro linhas na sua curta história de 11 participações no estadual. Além disso, estava em jogo a manutenção do tabu de nunca ter vencido na Comendador Souza, local utilizado em 2015, 2017 e 2020 (além de uma partida isolada em 2009). Até o duelo de quarta contabilizavam quatro empates e 16 derrotas no histórico.



Barcelona e Mauaense indo a campo para o amistozaço da rodada final da primeira fase da Segundona. Na segunda foto, capitães e quarteto de arbitragem

Apesar do caráter amistoso eu esperava um joguinho pelo menos razoável. O fato de o calor do começo da semana ter sumido e um frio inesperado ter pintado fez que o trajeto até a casa do Nacional AC ficasse muito agradável. Como aquela famosa garoa chegou ao estádio junto comigo me abriguei na cabine de som e fiquei ali numa relax, numa tranquila, numa boa, apreciando os 90 minutos da peleja.

Não foi um jogo bom, longe disso. Também não foi um horror total, sejamos justos. O Barcelona começou um pouquinho melhor e não demorou para o Grêmio deixar tudo equilibrado. Aos poucos os atletas visitantes foram chegando com perigo dentro da área paulistana. Só que foi o Elefante que abriu o marcador aos 42 da etapa inicial - meio sem querer, é verdade - com uma cabeçada de André Luís que subiu demais e matou o goleiro do Mauaense.





Lances da etapa inicial de Barcelona x Mauaense


Vinicius Yakult desperdiçando grande momento de perigo a favor dos visitantes


André Luís comemorando o gol que abriu o placar a favor do Barcelona

Nos últimos 45 minutos o onze da Grande São Paulo teve o domínio ofensivo e o Barça conseguiu segurar sua vantagem por pouco tempo pois Chrismar, aos 13, deixou tudo igual. A Locomotiva buscou a virada, enquanto os locais apenas se defenderam. Por falta de qualidade ofensiva, o Grêmio não foi capaz de se despedir da Segundona com um triunfo.





No segundo tempo o jogo caiu bastante. Ainda assim, o Mauaense chegou ao empate

O resultado de Barcelona 1-1 Mauaense não mudou nada a classificação de ambos no final da disputa do Grupo 7. O campeão da terceirona de 1985 se manteve em quarto com 10 pontos e o Elefante em último com dois, ostentando a terceira pior campanha do certame. Também, como disse no começo do post, foi a primeira vez que encerraram um torneio estadual sem nenhuma vitória. Até hoje, foram apenas 26 triunfos num total de 146 compromissos. Resta torcer para jogarem em 2021.

Não duvido que esta tenha sido a última cobertura na Segundona em 2020. Como a agenda no restante de novembro e dezembro estará bastante espremida e com poucos times de perto no mata-mata provavelmente não terei espaço na programação. De qualquer forma não ficarei fora dos campos, pois tem muita coisa rolando. Tanto que no dia seguinte já estava a postos de novo com um encontro sensacional pelo Brasileiro de Aspirantes na Fazendinha.

Até lá!

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Ficha Técnica: Barcelona 1-1 Mauaense

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Guilherme Francisco Rosário; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Caíque Pereira, Felipe, Danilo, Gabriel Vinicius, Vinicius; Gols: André Luís 42 do 1º, Chrismar 13 do 2º.
Barcelona: Vítor; Lucas (Vítor Hugo), André Luís, Danilo e Caíque Pereira; Klayve, Guilherme, João Victor (Johnny) (Higor) e Caíque Souza; Felipe (Alex) e Danilo Gomes (Gérson). Técnico: Adauto Marinho Jr.
Mauaense: Matheus (Gabryel); Thiago Lima, Vinicius, Leonardo Braz e Wender; Gabriel Santos (Gabriel Vinicius), Thiago Silva (Maycon) e Vinicius Yakult; Cleiton, Chrismar e Guilherme Martins (Bruno Brenner). Técnico: Tássio Ferreira.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Guarani destrói o Nacional na capital em jogo de oito gols

Texto e fotos: Fernando Martinez


Hoje todo mundo entra em site de aposta para fazer uma fezinha em jogos dentro e fora do país. Eu não me meto nessa pois não tenho o dom de gastar dinheiro com isso e por ser péssimo em palpites. Um exemplo? Se eu fosse um aficionado teria apostado alto na vitória do Nacional contra o Guarani, terça-feira, pela abertura do returno da fase inicial da Copa Paulista. Teria me dado muito mal.

A meu favor o fato do duelo de ida, realizado três dias antes, ter sido dominado pelo escrete paulistano. Os ferroviários perderam um pênalti, foram bem, mas apenas empataram em 2x2. Jogando no Estádio Nicolau Alayon, o mais natural seria esperar um triunfo mandante. Aposto que nove entre dez especialistas pensariam da mesma forma. O grande problema é que, quando contamos com uma boa atuação do Nacional, acontece justamente o contrário.


Nacional e Guarani perfilados antes do apito inicial. Dessa vez ninguém tirou as fotos posadas

O Bugre foi derrotado duas vezes e contava apenas com um ponto conquistado em três rodadas. Além disso, tinha feito apenas três gols, dois deles no 2x2 citado no parágrafo anterior. Foi na Comendador Souza que o alviverde campineiro tirou a zica, fez uma etapa inicial antológica e destruiu o ligeiro favoritismo local. Há muito eu não via o Naça tomar um vareio tão grande em apenas 45 minutos de futebol.

Os locais iniciaram os trabalhos completamente perdidos e aos sete minutos o Guarani abriu o placar com João Pedro, de cabeça, em cruzamento de Mateus Ludke. Em desvantagem, os comandados de Tuca Guimarães até tiveram maior posse de bola. O Bugre foi se segurando bem, tendo o contra-ataque todo à sua disposição. Sem se acertarem, quando os atletas se tocaram, o Nacional já estava tomando 4x0 no lombo.

Foi num período de apenas cinco minutos que os campineiros aniquilaram o adversário. Não percam a conta: Bruno Paulo recebeu em profundidade e finalizou de forma brilhante por cobertura aos 23, o mesmo Bruno fez o terceiro aos 25 e Caio, aos 27, marcou o quarto. Na base do bumba-meu-boi os ferroviários diminuíram com Matheus aos 34, porém dois minutos depois o artilheiro da tarde Bruno Paulo fez 5x1.


Por ter jogado bem no empate de Campinas, pensávamos que o Nacional seria favorito contra o Bugre. Errado!


João Pedro comemorando o primeiro gol do Guarani



Bola nas redes do Nacional no segundo gol bugrino, marcado por Bruno Paulo. Foi uma pintura de gol no Nicolau Alayon que mereceu muita comemoração


Aos 27, Caio fez outro golaço nesse lance. O camisa 7 cortou do zagueiro e colocou no ângulo direito


Nesse lance meio bizarro com um vacilo do zagueiro e do goleiro, o Nacional diminuiu. Matheus, fora do quadro, marcou


Esse chute bateu na trave, mas no rebote Bruno Paulo fez 5x1 a favor do Guarani ainda no primeiro tempo

Nem o Carrossel Holandês viraria uma partida em circunstâncias tão complicadas, certeza. Abatido e sem entender o que tinha acontecido, o Naça foi aos vestiários em busca de inspiração e encontrar algum tipo de milagre. No tempo final não restou alternativa a não ser ocupar o campo de defesa bugrino e tentar reduzir o tamanho do vexame. Gabriel fez o dele aos 14 e ficou uma pergunta no ar: "será que dá?". Não, não deu.

Ambas as equipes enfileiraram oportunidades e todas foram desperdiçadas. Se o Nacional teve bons momentos para reduzir a diferença de gols, o Guarani chegou com perigo algumas vezes também. Nos acréscimos, Matheus Souza acertou um chute sensacional com ótima defesa de Matheus Polentini. Na sequência, Wellington fez o terceiro tento local aos 47, decretando números finais ao animadíssimo jogo na Comendador Souza.




Na base da "terra arrasada", o Nacional se mandou para o ataque tentando pelo menos sofrer um revés menos vexatório


Matheus Souza acertou esse belo chute no final do jogo. Matheus Polentini evitou o sexto tento campineiro


Placar final da insólita partida no Nicolau Alayon. Não é sempre que vemos um marcador assim

Pode-se dizer que o Nacional 3-5 Guarani foi histórico. Foram três longas marcas quebradas: foi a primeira vez que a gloriosa agremiação da Zona Oeste sofreu uma derrota por esse marcador desde 1984 atuando fora de casa (contra o São Bernardo no Baetão), desde 1947 em São Paulo (o famoso duelo contra o Flamengo, a última vez que jogaram como São Paulo Railway) e desde 1943 no seu estádio (contra o Corinthians pelo estadual, ainda como SPR). Além disso, o antigo vice-líder agora é o lanterna do Grupo 5, complicando a sua situação. O Bugre subiu ao terceiro lugar e volta a ter chances reais de classificação.

Voltei ao Nicolau Alayon na quarta-feira com um amistoso monstro pela última rodada da fase inicial da Segundona Paulista na nossa sempre eficiente pauta livre. Confronto de eliminados é sempre foco das nossas coberturas.

Até lá!

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Ficha Técnica: Nacional 3-5 Guarani

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Paulo César Francisco; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Alanderson, Reinaldo, Lucas Silva, André Rocha, Wellington, Gabriel, Heitor, Caio, Luan, Bruno; Cartão vermelho: Alanderson 33 do 2º; Gols: João Pedro 7, Bruno Paulo 23, 25, Caio 27, Matheus 34 e Bruno Paulo 36 do 1º, Gabriel 14 e Wellington 47 do 2º.
Nacional: Matheus Polentini; Alanderson, Gabriel, Diego Chiclete (Reinaldo) e Matheus; André Rocha, Wellington, Matheus Teta e Vinicius (Fernando); Tavares e Lucas Silva (Adriel Bahia). Técnico: Tuca Guimarães.
Guarani: Carlos Henrique; Mateus Ludke, Bruno, Titi e Heitor; Caique, Caio (Júlio), Keverthon (Urbano) e Matheus Souza; João Pedro (Luan) e Bruno Paulo (Alan). Técnico: Baresi.
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Velo Clube campeão paulista da Série A3 2020

Texto e fotos: Fernando Martinez


A edição 2020 do Campeonato Paulista da Série A3 vai ser lembrada de um lado pela longa parada em virtude da pandemia (e nem tem como ser diferente) e de outro pelo acesso do Velo Clube e, principalmente, do São Bernardo, um novo capítulo no renascimento do time do ABC. Além disso, nenhum dos dois tinha sido campeão de um torneio profissional da FPF. Na quente tarde do último dia 17, a história estava prestes a ser escrita no Estádio Primeiro de Maio com a grande decisão do terceiro nível estadual.

Somados, as duas agremiações contavam seis vice-campeonatos através dos tempos: O Bernô dois, a segunda divisão de 1939 (antes da criação da FPF atual) e a quarta de 2017. Já o Velo contava com quatro: segundona de 1978, terceirona de 1954 e 1991 e a quarta de 2010 (cada uma teve um nome oficial diferente, eu apenas simplifiquei tudo para terem uma ideia exata). No encontro de ida, os rio-clarenses quebraram uma invencibilidade de 12 jogos do alvinegro e venceram por 2x1. Agora, o rubro-verde precisava apenas de um empate para quebrar a longa escrita.

Essa foi a minha quarta final de Série A3. A primeira foi em 2005 quando estive no Grêmio Barueri 1x1 Palmeiras B que definiu o certame. Já em 2017 - Nacional 0x1 Inter de Limeira - e 2019 - Audax 2x2 Monte Azul – marquei presença apenas no primeiro duelo. Contando o extenso arquivo do JP, batemos cartão de 2008 a 2012 sem interrupções com as saudosas coberturas do Orlando nos títulos de Flamengo, Votoraty, Red Bull, Penapolense e Rio Branco.




Sim, não é o padrão do Jogos Perdidos, mas mesmo assim seguem as fotos oficiais de São Bernardo, Velo Clube e do quarteto com os capitães da grande decisão. Como disse o profeta, mais vale um pássaro na mão do que dois voando


São Bernardo e Velo Clube, os dois novos integrantes da Série A2 para a execução do Hino Nacional antes da final da A3 2020

Confesso que estava com uma expectativa boa no geral. Imaginava que o São Bernardo seria capaz de mostrar o bom futebol que foi a tônica dos comandados de Renato Peixe em toda a competição. Ledo engano. Apenas um time foi ao gramado, o muito bem montado Velo Clube. O escrete da Grande São Paulo iniciou os trabalhos buscando fazer aquele abafa e ficou com a bola nos pés nos primeiros cinco minutos. A melhor chance foi uma cabeçada pelo alto e parou por aí.

Como quem não quer nada, os visitantes mostraram suas credenciais e definiram o triunfo em cerca de 20 minutos. Lucas Duni, o maior nome da tarde, abriu o marcador aos seis quando arrancou em velocidade do seu campo de defesa, ganhou de três adversários e tocou na saída de Maurício. O Bernô sentiu o golpe e sofreu o segundo, também com Lucas Duni, aos nove.



O São Bernardo até começou tentando atacar o Velo nesses dois momentos. Mal sabíamos que seriam os únicos


Detalhe do belíssimo gol de Lucas Duni que abriu o caminho para o título do Velo


O mesmo Lucas Duni fez o segundo gol aos nove minutos em outra ótima jogada pessoal


Victor Sapo buscando o impossível com o placar já mostrando 0x3

O alvinegro estava atordoado, cambaleando nas cordas. O golpe fatal aconteceu aos 21 minutos quando Diego Henrique escorou e ampliou a vantagem velista. Agora o Vovô do ABC precisava marcar quatro vezes para levar a decisão aos pênaltis. Não sei o que aconteceu, mas em nenhum momento chegaram passou perto de fazer pelo menos o gol de honra. Parece que tinham mandado uma feijuca monstro e todos se arrastaram em campo.

O que poderia ser uma final emocionante se tornou um jogo monótono, totalmente definido e com cerca de intermináveis 70 minutos a serem jogados. Obviamente o Velo fez o que tinha que fazer, porém a inoperância do irreconhecível Bernô deixou tudo chato demais. Eu contava os segundos para tudo acabar rápido. Nem o papo do técnico local no intervalo que fez tanta diferença contra o Comercial ajudou a mudar o panorama nos últimos 45 minutos.




No segundo tempo o Velo Clube se segurou e o São Bernardo, jogando abaixo da média, pouco produziu

O placar final ficou em São Bernardo 0-3 Velo. Foi o maior triunfo de uma equipe atuando fora de casa na história da terceira divisão paulista, que é disputada desde 1954. Sem dúvida um feito gigantesco e um título merecidíssimo. Dos lados do Bernô ficou o gosto amargo de perderem um caneco em casa. Pelo menos (e o mais importante) o objetivo principal já tinha sido conquistado.

Desde que o futebol voltou em meio à pandemia eu não tinha visto nenhuma entrega de taça in loco com o estádio vazio. Posso dizer que foi uma das coisas mais sem graça que já vi na vida. É fato que o público ainda não pode retornar assim como é fato que futebol sem torcida mata a essência do esporte. A entrega dos troféus foi tão insossa que será facilmente esquecida pelo que vos escreve no futuro. No fim, o que contou de verdade foi marcar a presença.



A nada animada entrega do troféu de vice-campeão ao São Bernardo. A missão foi cumprida, mas ficou aquele gosto amargo na boca pois praticamente não entraram em campo no ABC



Sim, o Velo merece toda a comemoração e a festa é legítima. Mas é fato que celebração num estádio vazio em meio a tudo que estamos vivendo é algo que não tem nenhuma graça. Nunca tinha visto uma festa de título tão murcha antes (mentira, o Portuguesa 0x1 Rio Claro na A2 de 2013 foi muito pior)

Deixo os parabéns ao Velo Clube e ao São Bernardo, e ambos podem ter a certeza de que terão coberturas do JP durante a Série A2 de 2021. Voltando à programação normal, o futebol seguiu com tudo na terça-feira com nova rodada da Copa Paulista. Foi uma tarde cheia de gols na capital.

Até lá!

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Ficha Técnica: São Bernardo 0-3 Velo Clube

Local: Estádio Primeiro de Maio (São Bernardo do Campo); Árbitro: Thiago Lourenço de Mattos; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Dudu, Willian, Felipe, Victor Sapo, Christian; Gols: Lucas Duni 6, 9 e Diogo Henrique 22 do 1º.
São Bernardo: Maurício; Erwin (Francisco Alex), Dante (Luiz Fernando), Alexandre e Iago (Eliandro); Dudu (Lucas Gomes), Osvaldir, Willian e Felipe; Victor Sapo e Raul (Yuri). Técnico: Renato Peixe.
Velo Clube: Felipe Garça; Everton, Diogo Henrique, Léo Gobo e Janilson; Niander, Eurico, Paranhos (Alexandre) e Felipinho; Lucas Duni (Frank) e Igor Eto'o (Christian) (Kayo). Técnico: Cléber Gaúcho.
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