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terça-feira, 12 de julho de 2011

No "jogo da penumbra", Nacional e São Vicente empatam no Nicolau Alayon

Fala, pessoal!

Finalizando minha rodada tripla no Estádio Nicolau Alayon no último sábado, a sessão vespertina me reservava um jogo válido pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Pela 11ªrodada do Grupo 6 do torneio, Nacional e São Vicente duelariam em jogo importantíssimo para a equipe do litoral paulista.

Após o saudável almoço que fiz no próprio clube, fiquei passeando nas dependências do local até a hora da partida começar. Ao entrar em campo para as fotos oficiais, notei no alambrado a presença do Mílton, se fazendo presente num jogo de sábado à tarde depois de muito tempo. Os amigos Matheus Trunk e Sérgio Oliveira, apresentadores do FATV, também estavam ali, todos esperando um bom jogo. Abaixo seguem as fotos oficiais:


Nacional AC - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


São Vicente AC - São Vicente/SP. Foto: Fernando Martinez.


Árbitro Giuliano Dutra Pellegrini, assistentes Mauro André de Freitas e Derlon de Oliveira Santiago e capitães dos times. Foto: Fernando Martinez.

Eliminado da competição, o Nacional pode ser o fiel da balança contra as equipes que ainda lutam por uma vaga na segunda fase. O São Vicente, que faz um torneio interessante e está lutando pela classificação, lutava pelos três pontos, e outro resultado diferente da vitória seria considerado catastrófico pelo pessoal do time alvi-negro.

Nos primeiros minutos da partida a diferença técnica ficou evidente, pois a equipe visitante massacrou o time ferroviário, encurralando o time local na defesa e fazendo uma blitz ofensiva. O principal nome do São Vicente era o camisa 10 Lutcho, que confirmava o status de destaque do time no certame. Mas aos 8 minutos, veio o lance que "bagunçou" a partida.


Ataque do São Vicente no começo de jogo, ainda com o camisa 10 Lutcho em campo. Foto: Fernando Martinez.

Num ataque do São Vicente pela direita, Lutcho tocou a bola no meio das pernas de um zagueiro do Nacional, mas chutou o chão. Logo em seguida ele caiu no gramado, e pelo desespero dos atletas em volta dele vimos que algo estava errado. Foi só ele levantar a perna para notarmos que a contusão era muito grave, pois ficou claro para mim que ele tinha sofrido uma fratura exposta no tornozelo.


Lutcho sendo atendido logo após a grave contusão sofrida por ele aos 8 do primeiro tempo contra o Nacional. Foto: Fernando Martinez.

Aí começou uma série de eventos que podemos classificar de bizarros e bisonhos. Segundos após o atendimento médico começar, já foi solicitada a presença da ambulância dentro do gramado. Só que ela estava sem motorista. Como ela não foi ao gramado, o jogador foi atendido e levado de maca para o veículo. O motorista foi encontrado, mas ao tentar dar partida no veículo, ele não pegou.

O pessoal que estava próximo da ambulância tentou empurrar, mas não adiantou nada. Alguma alma por ali "descobriu" que o veículo estava sem gasolina, e logo foram tentar descolar o combustível em algum outro carro (!). Minutos depois, conseguiram um pouco de gasosa, mas nessa hora os policiais militares presentes ali resolveram agir e não deixaram a ambulância sair do estádio naquela situação. Eles alegaram que poderia ser pior, pois o carro não estava nas suas melhores condições. Com isso, eles chamaram um outro resgate.

Mas enquanto tudo isso rolava, o jogador estava ainda dentro da ambulância chorando muito, e com uma dor absurda. O pai do atleta, logicamente desesperado com a situação, perdeu a cabeça e partiu para briga contra algumas pessoas do Nacional, inclusive acertando um chute no técnico Túlio Tanglioni. Um absurdo ver o atleta dentro do veículo naquele estado e o pessoal brigando ao lado.


Momentos da lamentável confusão vista ao lado da ambulância do Nacional. Os ânimos estavam exaltados demais nesse momento. Fotos: Fernando Martinez.

Os ânimos estavam exaltados, e vimos muito bate-boca e enorme confusão. Membros da diretoria do São Vicente (pelo menos falavam que eram) começaram a ofender o pessoal do Nacional, acusando o time paulistano de negligência. Concordo que o Nacional falhou ao não deixar a ambulância em perfeito estado de atendimento, mas os vicentinos pegaram pesado, e soltaram acusações ao vento completamente sem sentido.

Mas o tempo ia passando, a situação de Lutcho era preocupante e nada do resgate chegar. Uma contusão daquelas poderia piorar caso o atendimento hospitalar não começasse logo. Cerca de 50 minutos depois os policiais receberam uma informação que o resgate do SAMU teve que atender um atropelamento ali perto e que não chegaria mais. Graças a isso, qual foi a solução adotada? Levar o atleta vicentino na ambulância do Nacional, mesmo com todos os problemas da mesma (!).

Já estávamos perto das quatro da tarde quando o veículo saiu cantando pneu do Nicolau Alayon. Mas dentro da ambulância estava o médico do time da casa, e sem ele a partida não poderia recomeçar. O árbitro, com muito bom-senso, disse que aguardaria a volta do médico até 4 e meia da tarde. Tudo por conta da falta de iluminação no estádio, e como a noite vem rápido nesses dias frios, a iluminação natural acabaria rápido.

Já se cogitava a ideia de não dar continuidade à partida quando finalmente o médico voltou ao estádio. O árbitro então chamou representantes das duas equipes para sondar o que elas achavam da partida continuar. O pessoal do Nacional "votou" pelo cancelamento da partida, enquanto que o pessoal do São Vicente se absteve e deixou a decisão nas mãos do árbitro. O quarteto de arbitragem então decidiu continuar com o jogo.


Jogadores aguardando a definição se haveria continuidade da partida ou não. E o momento em que o quarteto de arbitragem se reuniu com integrantes dos dois times após a chegada do médico. Fotos: Fernando Martinez.

Após 74 minutos de paralisação, a partida finalmente foi reiniciada. Mas qual seria a real condição psicológica dos atletas vicentinos após toda essa bagunça e com um companheiro de time no hospital após grave confusão? A resposta veio rápido, pois ficou claro que os jogadores sentiram o golpe. O Nacional não quis nem saber, e abriu o marcador aos 18 minutos (na verdade aos 94 do primeiro tempo). O jogador Bruno Silva marcou após boa jogada da equipe local pela esquerda.


74 minutos depois o jogo recomeçou com o Nacional se aproveitando do momento psicológico ruim dos vicentinos. Foto: Fernando Martinez.


Mais uma chegada ferroviária pela direita. Foto: Fernando Martinez.

Aos poucos o time visitante foi colocando a cabeça no lugar e começou a mostrar o futebol que levou o time ao G4. Mas no restante do tempo inicial, o goleiro nacionalino Pedro Júnior praticou boas intervenções e não deixou que os visitantes empatassem o jogo. O intervalo chegou com a vantagem mínima para os locais. Vale registrar que em tempo corrido, foi o primeiro tempo mais longo que vi na vida, com um total de 122 minutos.


Boa saída do goleiro Pedro Júnior em bola alçada na área pelo São Vicente. Foto: Fernando Martinez.

Graças à todo o atraso, o intervalo teve apenas cinco minutos. Não sabia, mas a regra diz que podemos ter os intervalos com "até" 15 minutos. Pode-se ter intervalo com menos minutos do que isso, desde que com o consentimento dos 22 jogadores que estejam atuando. Vivendo e aprendendo.


Nacional e São Vicente dentro de campo para o mini-intervalo da partida. Fotos: Fernando Martinez.

O segundo tempo então começou já com meia-luz no Nicolau Alayon, por causa do horário avançado. E na segunda etapa o time alvi-negro foi com tudo em busca da virada. A equipe dominava as ações ofensivas, mas pecava sempre no último toque. Para piorar, o Nacional levava enorme perigo nos contra-ataques. Caso os atacantes locais tivessem com os pés calibrados, o Naça poderia ter ampliado.


Ainda no primeiro tempo, escanteio para o time visitante pela direita. Foto: Fernando Martinez.

A partida foi seguindo, a noite foi chegando e a visibilidade começou aos poucos a ficar prejudicada. A partir dos 22 minutos a partida poderia ter sido encerrada pelo árbitro, mas ele preferiu continuar até o fim dos 90 minutos. O São Vicente agradeceu a oportunidade e conseguiu seu suado gol aos 29 minutos, em finalização de Rico na pequena área.


Ainda com luz natural, ataque do Nacional no segundo tempo de partida. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto o São Vicente sufocava o Nacional no seu campo de defesa buscando a virada, tínhamos um verdadeiro "jogo das sombras" no gramado do Nicolau Alayon. Dos 35 minutos até o apito final, não se via quase nada dentro de campo. As únicas luzes vinham das tribunas de imprensa e do escritório que fica abaixo do placar. Nunca tinha visto algo nem parecido no alto dos meus quase 1900 jogos in loco.


Detalhe de como estava escuro no Nicolau Alayon no final da partida. A luz vinha das cabines de imprensa. Foto: Fernando Martinez.


Aqui, a ambulância, uma das principais personagens de Nacional e São Vicente. Foto: Fernando Martinez.

Na penumbra, o São Vicente tentou sem sucesso a virada, e sem a menor condição de enxergar a bola dentro de campo, o árbitro encerrou o jogo sem acréscimos. Final de jogo: Nacional 1-1 São Vicente. Numa partida de "apenas" três horas, os donos da casa não conseguiram quebrar o jejum de 13 partidas sem vitória (2 em 2010, 11 em 2011) em campeonatos paulistas, mas foram altamente heroicos. Já o São Vicente foi a 20 pontos, e agora fica na quarta colocação do emboladíssimo Grupo 6. Domingo que vem, o time tem uma verdadeira decisão contra o Mauaense.


Mílton, Matheus e Sérgio: as testemunhas do jogo "noturno" no Nicolau Alayon. Histórico. Foto: Fernando Martinez.

Junto com os amigos presentes na partida, saímos do Nicolau Alayon ainda estupefatos com todos os fatos inéditos acontecidos na tarde/noite na zona oeste paulistana. Conseguimos imaginar como seria ver um jogo à noite no estádio ferroviário ao andar pelas ruas que circundam o campo já com a noite fria da capital paulista.

Até a próxima!

Fernando

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