Procure no nosso arquivo

terça-feira, 18 de maio de 2021

Nacional se consolida no G8 com o triunfo em cima do Capivariano

Texto e fotos: Fernando Martinez


Como todos sabem, o Campeonato Paulista da Série A3 está com o calendário apertado. Na tarde de segunda-feira, menos de 48 horas depois de se apresentar na distante Marília, o Nacional voltou a campo atuando na sua casa, o Estádio Nicolau Alayon. O adversário foi o glorioso Capivariano, o Leão da Sorocabana, pela 12ª rodada da primeira fase. Um duelo entre o sétimo e o nono colocados, em um daqueles famosos "jogos de seis pontos".

Sabemos que esse é uma edição bastante singular da A3, fato. Agora, o escrete ferroviário, apesar de toda a peculiaridade do torneio, vem fazendo uma campanha um tanto quanto esquizofrênica. O clube somou 13 dos 16 pontos conquistados como visitantes, um assombro. Perdeu apenas uma vez em seis compromissos - contra o Batatais, candidatíssimo ao rebaixamento - e venceu quatro vezes. Já como mandante, cinco partidas, um único triunfo (3x1 em cima do Rio Preto) e quatro derrotas (!). Para uma agremiação que em 2017 conquistou um título sem nenhuma vitória na capital e com 100% de aproveitamento longe dos seus domínios no mata-mata não é uma novidade tão grande.

Já era hora de os paulistanos voltarem a vencer, ainda mais atuando na Comendador Souza e precisando se consolidar no G8. Já o Capivariano estava há cinco rodadas invicto e buscava um lugar entre os oito melhores. Na história, nove confrontos, oito entre 1987 e 1991 e um no ano passado. Os ferroviários venceram cinco vezes, perderam uma (o 2x0 sofrido em Santa Bárbara D'Oeste no ano passado, a última matéria do JP antes da longa parada em virtude da pandemia) e empataram três. Na capital, o último jogo tinha sido no longínquo 3 de julho de 1991, um 2x1 a favor dos locais.



Times entrando em campo e a foto oficial de capitães e quarteto de arbitragem

O ataque nacionalista já fez 22 gols e é nada menos do que o segundo melhor contando as três principais divisões do estado, ficando atrás apenas do São Paulo. Se a defesa está deixando um pouco a desejar, o setor ofensivo está correspondendo, algo raro levando em conta a eterna e crônica dificuldade do onze da Zona Oeste em marcar gols. A atuação dos dianteiros do Nacional na quarta-feira novamente foi precisa. O Capivariano também mostrou muita qualidade e a partida teve ótimo nível técnico.

A etapa inicial foi muito boa. O Nacional chegou duas vezes em sequência aos quatro minutos. Nada que assustasse tanto a zaga do Leão, mas com isso tinham deixado clara a intenção de que não deixariam a zaga adversária sossegada. Aos 16, Rômulo cruzou da esquerda, Éverton tocou para trás e Rafael evitou o gol alvirrubro tocando com a ponta dos dedos. Nova boa chance aconteceu aos 33 quando Emanuel cruzou por baixo pela direita. Corrêa, ele mesmo, surgiu entre os zagueiros e chutou forte, mandando quase fora do estádio.

O Naça voltou com tudo aos 44. Pablo se mandou pela esquerda e foi derrubado por Éverton no bico da área. Na cobrança de falta, César levantou e o artilheiro Éder Paulista tocou de cabeça no canto de Moisés. Foi o nono gol do atacante em doze jogos disputados com a camisa ferroviária em 2021. Gol merecido e vantagem importante para a etapa final. Nos últimos 45 minutos o confronto subiu de nível e a rapaziada esbanjou inspiração.


Nacional e Capivariano fizeram um "jogo de seis pontos" na capital paulista


Rafael trabalhou bastante, como aqui em bola levantada na área nacionalista


César (6) cruzando na área sob olhar de Emanuel (11)


Chute local que passou MUITO longe do gol defendido por Moisés



Exato momento da cabeçada de Éder Paulista que colocou o Nacional em vantagem e a comemoração dos atletas locais

Num espaço de dois minutos o camisa 8 Corrêa bateu três escanteios primorosos seguidos, obrigando Rafael a se tornar um dos grandes personagens da tarde. O arqueiro salvou dois gols olímpicos e no outro defendeu brilhantemente uma cabeçada que tinha endereço certo. Aos 17 Guilherme Lobo bateu de chapa no meio da área e a finalização passou perto da trave. Um daqueles gols que não se pode perder. Aos 19 Lucas Soares cabeceou pela esquerda e certamente Rafael teria trabalho. Bem postado, Gigante desviou na hora H e salvou os locais. O mesmo Lucas Soares completou levantamento em cima da linha da pequena área e o tiro quase parou nos campos sintéticos que ficam atrás do estádio.

Os donos da casa conseguiam se segurar com qualidade e levaram perigo nos contra-ataques. Aos 38 minutos Guilherme Lobo, que não teve uma boa atuação no geral, perdeu uma oportunidade de ouro quando recebeu belo passe em profundidade, porém tentou encobrir o arqueiro quando o chute rasteiro teria sido a melhor opção. Moisés defendeu sem dificuldade. Apenas no 42º minuto que os ferroviários puderam respirar mais tranquilamente. Val recebeu passe na esquerda, entrou na área e finalizou cruzado, vencendo o camisa 1 e marcando o segundo tento paulistano.


Rafael evitando um gol olímpico de Corrêa no começo do segundo tempo


Guilherme Lobo perdendo grande chance de gol aos 17 do segundo tempo


Boa chegada do onze paulistano pelo alto


Leandro (11) finalizando para boa defesa do goleiro do Capivariano

O Leão da Sorocabana buscou diminuir na sequência. Lucas Soares avançou pela lateral e rolou até o meio da área. A zaga afastou mal e Neto Alexandre, com a meta praticamente aberta, atirou por cima. No fim, o triunfo local se confirmou com o placar de Nacional 2-0 Capivariano. O antigo SPR se consolidou no G8 e agora está na quarta posição com 19 pontos, dois atrás de Noroeste, Linense e Votuporanguense. O time de Capivari caiu para o 11º lugar. Detalhe: foi a primeira vez desde março de 2019 que o Nacional passa dois jogos sem sofrer gol.

Os participantes da A3 terão agora três dias de folga e a 13ª rodada acontecerá na quinta-feira. Teremos outro compromisso nacionalista em São Paulo contra um velho rival. Se tudo der certo, estaremos presentes.

Até a próxima!

_____________

Ficha Técnica: Nacional 2x0 Capivariano

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Thiago Lourenço de Mattos; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Reinaldo, Lucas Soares; Gols: Éder Paulista 44 do 1º, Val 42 do 2º.
Nacional: Rafael; Gigante, Everton, Gustavo França e César; Reinaldo, Mendes (Val), Brener (Diego Chiclete) e Guilherme Lobo (Léo Machado); Éder Paulista (Leandro) e Pablo (Guilherme Nascimento). Técnico: Ricardo Silva.
Capivariano: Moisés; Éverton, Jemmes, Feliphe e Rômulo (Pavani); Édson Magal (Carlos Eduardo), Giovane (Lucas Soares), Corrêa (Neto Alexandre) e Lucas Morais (André); Neto Costa e Emanuel. Técnico: Jardel Zamberlan.
._________________________

domingo, 16 de maio de 2021

O eliminado Juventus vence o rebaixado São Bernardo na Javari

Texto e fotos: Fernando Martinez


Sempre gostei de assistir futebol nos sábados à tarde. Após nove semanas de ausência, matei a saudade dessa tão genial sessão futebolística no Estádio Conde Rodolfo Crespi com a última rodada da fase inicial do Campeonato Paulista da Série A2. Na pauta livre do JP, o encontro entre o eliminado Juventus e o rebaixado São Bernardo, uma espécie de amistoso de luxo em meio a tantas decisões.

A expectativa em torno das duas equipes era enorme. Pelo lado grená, a contratação do técnico Sérgio Soares foi o principal motivo para acreditarmos que o Moleque Travesso garantiria pelo menos uma vaga entre os oito melhores, repetindo o feito de 2020. Antes da paralisação na quarta rodada eles estavam na sexta colocação e invictos. Quando tudo voltou, a obrigação da FPF em marcar rodadas noturnas os tirou da Rua Javari. Além disso, a maratona de sete jogos em apenas 14 dias quebrou fisicamente o grupo.

O comandante juventino foi demitido após o revés contra o Velo Clube na 11ª rodada quando ocupavam a 9ª posição. Nos três compromissos seguintes, duas derrotas, um empate e a precoce eliminação com uma rodada de antecedência. Claro que a performance frustrou, porém levando em conta a insana maratona e o fato de estarem longe de casa são motivos suficientes para darmos uma colher de chá. Não tem como treinar, corrigir erros ou testar novos esquemas num calendário bisonho como o que foi montado.

Já do lado do Bernô... ah, a coisa foi bem diferente. Escorado no vice da A3 de 2020, a diretoria achou por bem renovar o contrato com a maioria dos atletas e trouxe nomes de pouco impacto. Só que a A3 é uma coisa e a A2 é outra completamente diferente. O retorno depois de 32 anos de ausência foi decepcionante do começo ao fim. Nas quatro primeiras rodadas, nenhum ponto conquistado e nenhum gol marcado. No retorno, um triunfo contra o Monte Azul e um empate fora de casa contra o Taubaté, velho rival dos anos 80, pareciam ser o prenúncio de uma recuperação.

Pena que a redenção ficou no sonho dos fiéis torcedores e na nona rodada o técnico Renato Peixe foi demitido. O semifinalista da Copa Paulista de 2019 e um dos principais responsáveis pelo acesso ano passado foi mal em 2021. Ele não tirou do time atletas visivelmente sem condições técnicas e afundou junto com eles. A diretoria trouxe o técnico Oliveira, de péssima passagem em 2019, na busca pelo milagre. Claro que não funcionou e o rebaixamento foi sacramentado com o vergonhoso 5x0 sofrido no ABC contra a Portuguesa no meio da semana. Nas 14 jornadas, a melhor posição foi o 13º lugar nas rodadas 4 e 5. Não tinha como dar certo.

Hoje o alvinegro pode ser resumido no esquema "muito cacique para pouco índio". O que mais tem ali é aspone dando pitaco sem conhecer nada do assunto. Nesse cenário, faltou um planejamento melhor, contratações melhores, organização dentro de campo, espírito de luta e cabeça no lugar (vale lembrar que os empates contra o Burro da Central e o lanterna Sertãozinho foram sofridos nos acréscimos). Agora resta saber se todo o pessoal que surgiu na boa fase entre 2017 e 2020 vai permanecer nesse período ruim. Espero apenas que o principal nome da diretoria, o grande personagem desde que o Bernô voltou ao profissionalismo em 2010, fique no clube. Sem ele o medo é que retornem aos anos 90, época de tenebrosa lembrança.



Dessa vez temos o Juventus e a foto dos capitães com o quarteto de arbitragem. Nada do fotógrafo do Bernô chamar o time. Típico

Falando um pouco da despedida, esse foi o primeiro confronto entre eles válido pelo Paulistão. Não à toa, já que nunca tinham disputado a mesma divisão. Mas não foi algo inédito em torneios oficiais. Na gloriosa Copa 50 Anos da FPF/20 Anos da TV Globo de 1985, uma das precursoras da atual Copa Paulista, eles caíram na mesma chave na segunda fase, num grupo que contava também com São José e o saudoso Guapira. Foram dois empates por 1x1 e o escrete paulistano se garantiu no quadrangular final. Em tempo, o São Bento de Sorocaba foi o campeão.

Por se tratar de um amistoso, eu esperava uma partida animada e sem muita preocupação com a defesa. Acabou que foram 90 minutos bastante animados, com bons momentos e muita correria sob uma tarde bem agradável na capital paulista. O primeiro lance agudo foi local aos nove minutos. Allan Thiago tocou errado, nos pés de Alfredo. O camisa 9 entrou na área sozinho e chutou em cima do arqueiro visitante.

O Bernô respondeu com duas boas investidas. Aos 16 Victor Sapo recebeu passe na esquerda, finalizou e Vítor Omena fez grande defesa. Aos 22, o camisa 9 lançou Felipe Souza na direita. Ele passou pelo defensor, mandou cruzado e a bola saiu por cima. Os locais voltaram a assustar aos 28 quando Dudu cruzou da esquerda e Raphinha chegou um pouco atrasado, chutando pela linha de fundo.


Jogadores apostando corrida no gramado da Rua Javari


Alfredo perdendo gol cara-a-cara após falha do goleiro Allan Thiago



Dois lances do bom primeiro tempo de Juventus x São Bernardo

Eu juro que estava preocupado com a chance de uma peleja sem gols, mas na etapa final as agremiações voltaram ao gramado com ainda mais disposição. Aos sete minutos Negueba, ex-Nacional, avançou pela direita e rolou para trás. Nathan, da entrada da área, jogou por cima. Na sequência Negueba novamente cruzou da direita. Dudu cabeceou, Vítor Omena espalmou e Alfredo completou livre de marcação, deixando os paulistanos em vantagem. O São Bernardo respondeu em chegada pela esquerda com tiro de Victor Sapo, boa defesa do goleiro grená e a zaga afastando o rebote.

A partida continuou em um ritmo legal. Decorridos 26 minutos, Athirson recebeu passe do lado direito e chutou tirando tinta da trave. Aos 28, a melhor oportunidade do Bernô quando Chuck, o eterno atleta alvinegro, avançou pela direita e obrigou Vítor Omena a mostrar serviço de forma brilhante, mandando pela linha de fundo.

A insistência visitante foi premiada aos 36. A pelota foi roubada na intermediária e Murilo lançou Luiz Fernando na esquerda. O atacante invadiu a área e, mesmo sofrendo a marcação do zagueiro, finalizou cruzado, no alto, e deixou tudo igual. Acontece que o Juventus nem deixou o alvinegro comemorar. Aos 38 Athyrson foi até a linha de fundo e cruzou baixo. Rubens chegou tropeçando, tocou meio sem querer e fez o segundo tento grená.



No segundo tempo, as duas equipes criaram bons momentos na busca pelo gol


Luiz Fernando armando o chute que deixou tudo igual no marcador aos 36 minutos



Rubens, meio sem querer, fez o segundo gol juventino mesmo tropeçando e depois saiu para comemorar com seus companheiros


O Bernô buscou o novo empate e aqui, em poses plásticas, quase conseguiu

O Bernô foi em busca de uma nova igualdade e não teve sucesso. No contra-ataque, o Moleque Travesso chegou perto de ampliar o triunfo. Quando a peleja terminou, o Juventus 2-1 São Bernardo deixou os grenás na 10ª posição com 17 pontos ganhos, quatro atrás do G8. Uma campanha fraca, sem sombra de dúvida. Do lado do onze do ABC o 15º lugar com míseros nove pontos e aproveitamento de 20%. Espero que eles possam arrumar a casa se possível já na Copa Paulista.

A Série A2 continua na semana com as quartas sendo realizadas na terça e sexta-feira. Os confrontos são: Oeste x XV de Piracicaba, Água Santa x Portuguesa, Rio Claro x Red Bull e Atibaia x São Bernardo FC. Os times de Barueri e Diadema foram absurdamente superiores aos demais e vai ser difícil tirar o acesso deles. Detalhe: o Netuno ainda está invicto. Desde que a Lei do Acesso nasceu, no fim dos anos 1940, somente o Paulista de Jundiaí foi campeão sem perder nenhum jogo, isso em 1968.

Da minha parte, a semana promete mais coberturas do que qualquer outro período de 2021. Vamos ver se vai rolar aquele ânimo maroto de sair de casa. Tem coisa bem legal que vai pintar no cronograma.

Até a próxima!

_____________

Ficha Técnica: Juventus 2x1 São Bernardo

Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi (São Paulo); Árbitro: Ilbert Estevam da Silva; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Raphinha, Pablo, Gabriel Bonet, Felipe Souza, Vieira, Victor Sapo; Gols: Alfredo 10, Luiz Fernando 36 e Rubens 38 do 2º.
Juventus: Vítor Omena; Cristian Renato, Pablo, João Paulo (Nicholas) e Rubens; Negueba, Lucas Ybom, Raphinha (Athyrson) e Gabriel Bonet (Nathan); Alfredo e Dudu (Gabriel Masson). Técnico: Fahel Júnior.
São Bernardo: Allan Thiago; Yuri (Tatá), Raphael, Diego e Iago (Vieira); Luís Phelipe, Djalma (Murilo), Felipe Souza e Dener (Chuck); Felipe Sussai (Luiz Fernando) e Victor Sapo. Técnico: Oliveira.
._________________________

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Nova goleada do Palmeiras, líder do Brasileiro Feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Com o retorno do futebol vespertino, a pauta livre do Jogos Perdidos voltou a ter as famosas sessões da tarde que tanto gostamos. Na quinta-feira aconteceu mais uma delas pois a CBF resolveu me credenciar após duas negativas. Fui ao Allianz Parque - o estádio está se tornando recorrente por uma série de motivos - ver outra apresentação do líder Palmeiras atuando contra a maior surpresa do Campeonato Brasileiro Feminino até agora, o Real Brasília.

As alviverdes vêm fazendo uma campanha sensacional no torneio e sem dúvida são as maiores candidatas a quebrarem a hegemonia corintiana na categoria. No encontro entre as duas equipes, realizado domingo passado na Fazendinha, um empate por 1x1 e a certeza de que a chance de se enfrentarem na reta final do certame é enorme. As paulistanas da Zona Oeste possuem o melhor ataque e a segunda melhor defesa. Elas definitivamente darão trabalho.

Já o time de Brasília, que na época em que se chamava Dom Pedro II (teve essa denominação até o final de 2016) era mais legal, chegou no principal campeonato do país quando derrotou duas vezes o Tiradentes do Piauí nas quartas de final da A2 do ano passado. Elas só foram paradas nos pênaltis pelo campeão Napoli na semifinal. As Leoas do Planalto apareceram no blog em novembro de 2019 durante a campanha do primeiro título estadual em confronto contra o CRESSPOM. Atualmente elas são bi da capital federal.




Dessa vez o pessoal resolveu posar para as fotos oficiais, então peguei aquela carona e trazer as imagens para o JP

O Real Brasília é comandado pelo advogado Luís Felipe Belmonte. A ideia é transformar a agremiação num dos grandes nomes do Distrito Federal e rivalizar com Gama e Brasiliense. Em 2020 chegaram até a semifinal e na atual temporada foram rebaixados. Um revés inesperado que dá uma atrasada grande nos planos. Hoje as meninas são o carro-chefe e o quinto lugar até o momento é a prova disso. Agora, a melhor decisão que tomaram até hoje foi terem dado um tapa no magnífico Campo do Defelê e transformarem o histórico estádio na sua casa. Um local tão importante do futebol da capital do país não merecia estar abandonado como estava.

No duelo contra as líderes, as meninas de Brasília foram até bem. Ficaram bastante tempo com a bola nos pés... só que não souberam o que fazer com ela durante a maior parte da peleja. Levando em conta que o Palmeiras foi mortal nas poucas oportunidades que criou, as Leoas não tiveram muita sorte. A peleja nem tinha começado direito quando o marcador foi inaugurado. Bia Zaneratto recebeu na intermediária e chutou no canto direito. A goleira Flávia Guedes pulou tarde e viu a pelota entrar no canto direito.

O Real não se intimidou e foi ao ataque. Aos 16, Taty Amaro fez boa defesa em falta cobrada por Isabela. Aos 21 Daniele foi lançada e a goleira paulista, no afã (amo essa palavra) de impedir o gol, fez falta na atleta visitante fora da área. O banco do Real pediu a expulsão e a deu apenas o amarelo. Aos 30 o alviverde chegou perto de ampliar com Ottilia, porém Flávia Guedes saiu nos pés da atacante e evitou o tento. Quatro minutos depois, nova defesa em cabeçada de Bia. Aos 42 não teve jeito. Bia Zaneratto fez ótima jogada individual e rolou para Ary Borges completar e anotar o segundo.



Dois ataques palmeirenses contra o Real Brasília


Falta cobrada por Isabela Melo que a goleira Taty Amaro defendeu


Ary Borges comemorando o seu gol, o segundo do alviverde

A etapa final começou com o panorama mantido e com quatro minutos o alviverde fez o terceiro quando Ottilia recebeu bom passe da esquerda de Katrine e finalizou sem dificuldade. O Real insistiu na busca pelo gol de honra e ocupou o setor defensivo da casa. As palmeirenses se defenderam sem dificuldade e aos 37 fecharam a fatura com um belo tiro de Karol Arcanjo após escanteio cobrado da direita. As brasilienses, que tinham tomado cinco gols em seis jogos, tomaram quatro em apenas 90 minutos.





Lances da etapa final de Palmeiras 4x0 Real Brasília, novo triunfo do atual líder do Brasileiro Feminino

O placar de Palmeiras 4-0 Real Brasília manteve as paulistas na liderança da A1 do Brasileiro Feminino com sete rodadas realizadas. A equipe tem 17 pontos contra 16 do vice-líder Corinthians, que aplicou assombrosos 8x2 no São José fora de casa. As Leoas estão em sétimo com 11 pontos. Detalhe: os quatro primeiros lugares são ocupados pelos quatro grandes de São Paulo. Aquela época de Foz, Botucatu, Centro Olímpico e afins tendo destaque entre as meninas é coisa do passado. Agora é a era dos times "de camisa". Um dia ainda falo a respeito.

Saí seis da tarde, em plena hora do rush, da cancha verde rumo ao QG da Zona Oeste. Na rua, aquele trânsito maroto, rapaziada se aglomerando mesmo com frio e aquela certeza que a população já definiu que a pandemia realmente chegou ao final sem cerimônia. Como diria o outro, que beleza!

Até a próxima!

_____________

Ficha Técnica: Palmeiras 4x0 Real Brasília

Local: Allianz Parque (São Paulo); Árbitra: Daiane Caroline dos Santos/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Taty Amaro, Rafaelle, Rafa Soares; Gols: Bia Zaneratto 1 e Ary Borges 43 do 1º, Ottilia 4 e Karol Arcanjo 37 do 2º.
Palmeiras: Taty Amaro; Bruna Calderan (Camilinha), Rafaelle (Karol Arcanjo), Julia Bianchi (Manuela), Tainara e Katrine; Duda Santos, Ary Borges e Rafa Andrade; Bia Zaneratto (Thayna) e Ottilia (Dandara). Técnico: Ricardo Belli.
Real Brasília: Flávia Guedes; Bruna Natieli, Isabela Melo, Petra (Pitty) e Raquel (Eliane); Margareth, Camila Pini e Rafa Soares; Daniele Silva (Janety), Gadu (Amanda) e Marcela. Técnico: Adilson Galdino.
._________________________

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Noroeste derrota o Nacional e se mantém líder da Série A3

Texto e fotos: Fernando Martinez


Entre a paralisação do futebol em São Paulo e a proibição de imprensa nos jogos organizados pela FPF se passaram praticamente dois meses exatos. Tudo voltou como era (até março, claro) na tarde de quarta-feira no meu retorno às divisões de acesso. Após mandar dois compromissos longe da sua casa, o Nacional retornou ao Estádio Nicolau Alayon recebendo o Noroeste, líder do Campeonato Paulista da Série A3.

Logo quando o Ministério Público e o governo do estado definiram que o show tinha que parar, a FPF fez de tudo - inclusive levando partidas da A1 ao estado do Rio em troca de leitos de UTI - para os grandes não serem prejudicados. O problema foi que, como sempre, os pequenos foram deixados de lado e restou a eles um monte de dúvidas não respondidas e um relativo abandono por parte da entidade. A A2 voltou somente no dia 20 e a A3 no dia 27 de abril.

Quando tudo retornou, a federação agendou uma maratona insana e sem sentido aos 16 participantes de cada divisão. As agremiações foram obrigadas a se apresentar de dois em dois dias apenas em sessões noturnas. Mais uma vez todo mundo foi colocado no mesmo balaio e um Primavera x Olímpia foi analisado pela mesma ótica de um Corinthians x São Paulo. Algo que nunca fez nenhum sentido. Várias equipes foram obrigadas a atuar longe dos seus domínios já que não possuem sistema de iluminação. Não há dúvida que isso deixou o campeonato muito desequilibrado.

Vimos o Desportivo Brasil e o Primavera atuando em Campinas, o Bandeirante em Marília e Penápolis, o Votuporanguense em Mirassol e o próprio Nacional jogando em Osasco. Bizarro. Foram seis rodadas, da quarta até a nona, com esse cenário. Tudo ficou normal, pelo menos até segunda ordem e se a pandemia permitir, a partir de quarta-feira. O Nacional era terceiro antes do pit-stop forçado e o futebol irregular os derrubou até a sétima posição. O alvirrubro era líder e permanece isolado no primeiro lugar até agora.



Times indo a campo para a retomada dos jogos no Nicolau Alayon e os capitães de Nacional e Noroeste posando junto com o quarteto de arbitragem

Ano passado foram três confrontos durante a A3 com triunfo noroestino na fase inicial por 2x0 e dois empates nas quartas: 0x0 no Nicolau Alayon e 1x1 no Alfredo de Castilho. O Norusca passou nos pênaltis e perdeu o acesso contra o Velo na semifinal. Na história, o Nacional é um grande freguês. Em 26 duelos oficiais, os paulistanos venceram apenas três (!) e saíram de campo derrotados catorze vezes, além de nove empates. De toda a história centenária do antigo São Paulo Railway, o adversário de quarta-feira é um dos seus grandes algozes.

Apesar de ter jogado bem e criado várias oportunidades, não foi dessa vez que o Nacional voltou a derrotar o melhor time da A3 até o momento. A etapa inicial foi acima da média e começou com uma ótima chegada visitante aos dois. John Egito recebeu na direita e, cara-a-cara com o goleiro, chutou em cima do camisa 1. Na sequência, Rogério Maranhão mandou de fora da área e a zaga desviou. O Naça respondeu à altura aos cinco minutos. Wallace fez uma belíssima jogada individual dentro da área, tirou do zagueiro e saiu livre. Pablo defendeu o tiro à queima-roupa.

Aos 15, Wallace recebeu na esquerda, invadiu a área e, livre de marcação, chutou de novo em cima de Pablo. O atacante nacionalista estava com tudo e dois minutos depois ele recebeu na direita e finalizou tirando tinta da trave. Os locais estavam melhores, só que aos 26 sofreram o primeiro gol quando Igor Pimenta arriscou de longe. No meio do caminho Euller dominou, enganou a zaga e finalizou forte, vencendo o goleiro Rafael.

Os paulistanos não se intimidaram e permaneceram no campo ofensivo. Em escanteio pela direita aos 40, a pelota ficou com Mendes. O camisa 20 chutou, a bola bateu na trave e, no rebote, Éder Paulista marcou. Acontece que o atacante estava impedido e o tento foi anulado. Na sequência Mendes pegou sobra de rebatida, tocou de cabeça com efeito e Guizão salvou em cima da linha. Os comandados de Ricardo Silva, donos do melhor ataque do certame, levaram bastante perigo sem que a meta visitante fosse vazada.



Nacional x Noroeste, duelo do sétimo colocado e do líder na capital paulista


A comemoração dos atletas bauruenses pelo primeiro gol, marcado por Euller


Zagueiro do Nacional se esticando todo para tentar o domínio

Na etapa final a série de gols perdidos do onze mandante continuou com Wallace, sempre ele, recebendo passe de Mendes, outro destaque da tarde, mandando um belo drible de corpo em cima do defensor e chutando por cima. É, perder um caminhão de chances atuando contra o líder não dá certo e aos seis, o alvirrubro chegou aos 2x0. Rogério Maranhão cobrou falta pela esquerda na cabeça de Igor Pimenta. O camisa 8 tocou sem dificuldade e ampliou a vantagem. Na saída de jogo finalmente Pablo foi vencido quando Mendes aproveitou cruzamento da direita e, de peixinho, diminuiu.

Todos os presentes na Comendador Souza acharam que poderia pintar uma reação. Ledo engano. O Nacional, embora tenha tido mais posse, não teve novos lances agudos na caça do empate. O Noroeste se segurou perfeitamente na defesa e não sofreu. A única vez que sentimos o cheiro de igualdade foi em cabeçada de Gustavo França já nos acréscimos... e só.




Na etapa final os donos da casa chegaram várias vezes dentro da área adversária, mas só marcaram uma vez

No fim, o Nacional 1-2 Noroeste foi injusto pelo número de ataques criados e fez justiça a quem teve melhor aproveitamento. O alvirrubro permanece isolado na liderança com 20 pontos, três acima de Marília, Linense e Votuporanguense. O escrete ferroviário da capital despencou três posições e está em décimo. Faltando cinco rodadas, é fato que novos vacilos podem custar a vaga nas quartas de final.

Foi só o árbitro apitar pela última vez que a chuva começou a cair forte. Em tempos de duas máscaras, banho de álcool em gel e aquela paranoia que só a pandemia foi capaz de criar, se molhar e ficar com o pé encharcado se torna algo pior do que já era. Como aqui é tudo pelo social, a gente aguenta e segue em frente.

Até a próxima!

_____________

Ficha Técnica: Nacional 1-2 Noroeste

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Rodrigo Pires de Oliveira; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Mendes, Éder Paulista, Diego Chiclete, Wallace, Ricardo Silva, Rogério Maranhão, Paraízo; Gols: Euller 25 do 1º, Igor Pimenta 5 e Mendes 7 do 2º.
Nacional: Rafael; Gigante, Everton, Gustavo França e César (Pablo); Diego Chiclete, Mendes (Léo Machado), Brener (Paolo) e Guilherme Lobo (Emerson Mi); Éder Paulista (Leandro) e Wallace. Técnico: Ricardo Silva.
Noroeste: Pablo; Maycon, Guilherme Teixeira, Guizão e Bruno Recife; Jonatas Paulista, Rogério Maranhão, John Egito e Igor Pimenta; Leléco (Paraízo) e Euller (Thiago). Técnico: Luiz Carlos Martins.
._________________________

terça-feira, 11 de maio de 2021

Flamengo derrota o Palmeiras na estreia do Brasileiro sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


No último final de semana começou o Campeonato Brasileiro sub-17, a terceira edição do principal certame de juvenis em solo tupiniquim organizada pela CBF. Eu faria minha estreia na sexta, porém desisti de encarar uma sessão quase de madrugada na Fazendinha. Restou emplacar a primeira cobertura na noite de segunda-feira com o encontro de Palmeiras e Flamengo no Allianz Parque.

Assim como nas duas últimas temporadas, o nacional de juvenis conta com 20 participantes divididos em dois grupos de dez. A fase inicial é disputada em turno único e os quatro melhores de cada chave estarão nas quartas. Até hoje apenas cariocas foram campeões: o Flamengo em 2019 em cima do Corinthians e o Flu em 2020 contra o Athletico. Em época de pandemia a toda e sem os estaduais rolando, se tornou a maior competição da categoria.

O doido é que esse foi o meu 58º jogo na "era pandêmica" do nosso futebol e o primeiro que se repetiu dentro do atual cenário de portões fechados e com os fotógrafos longe do gramado. Estive no mesmo Allianz em 23 de novembro de 2020 acompanhando a classificação rubro-negra e, claro, a eliminação alviverde com o 1x1 nas quartas de final. Estamos há tantos meses nesse clima bizarro que os campeonatos estão chegando na sua segunda edição sem presença de público. Pior é saber que não conseguimos nem ver uma luz no fim do túnel. Certeza de que essa situação irá se repetir.

Pelo menos a partida foi muito boa, acima da média. De tudo que tenho visto recentemente, de longe foi a melhor. Na etapa inicial, equilíbrio total. Aos nove, o alviverde levou perigo em chute de Carlos Eduardo que Dyogo faz boa defesa. No rebote, Luiz Freitas finalizou e a zaga desviou. O Fla demorou para criar um grande momento e quando o fez, saiu na frente. Petterson avançou pela esquerda e bateu cruzado. José Henrique espalmou e Victor Hugo, ligadaço no lance, completou com o relógio marcando 26 minutos.

Pouco após o gol, vimos cinco minutos surreais com sete oportunidades claras divididas entre paulistas e cariocas. Aos 28 o goleiro flamenguista Dyogo simplesmente fez três defesas seguidas em tiros de Luiz Freitas e dois de Carlos Eduardo. Aos 29, boa cabeçada de Mina. Aos 30 Darlan, zagueiro do Fla, errou e a sobra ficou com Wendell. O atleta invadiu a área e mandou por cima. Aos 31 França quase amplia em ótima defesa de José Henrique e aos 32 Luiz Freitas mandou uma bola na trave. Loucura total.



O Flamengo não se intimidou por estar fora de casa, fez 1x0 e teve boas chances


A comemoração dos atletas palmeirenses pelo gol de Jean Carlos no último lance do primeiro tempo

Os minutos finais foram mais tranquilos. Quando a peleja estava quase chegando no intervalo o Palmeiras empatou na base da categoria e do golaço. Jean Carlos arriscou de fora da área e colocou no canto esquerdo. O 1x1 no marcador inspirou os locais e nem bem a etapa final tinha começado e Dyogo derrubou Carlos Eduardo dentro da área. Luiz Freitas cobrou o pênalti no canto direito e o arqueiro, um dos sobreviventes do incêndio no Ninho do Urubu em fevereiro de 2019, defendeu com classe.

Tudo seguia equilibrado e aos 15 o panorama mudou com um lance completamente infantil de Jean Carlos. O atleta acertou um chute sem nenhum sentido em Zé Welinton numa jogada na lateral e ganhou o vermelho direto. Era o que o Flamengo queria pensando em se impor em definitivo. Dois minutos depois da expulsão, em bela chegada pelo lado esquerdo, Petterson rolou até Mateusão. O atacante dominou e mandou no canto esquerdo.

A partir daí, só deu o escrete carioca. O Palmeiras buscou uma nova igualdade de forma desordenada e deu espaços monstruosos no campo defensivo. A partir do 34º minuto o rubro-negro simplesmente criou seis (!) ótimos momentos para ampliar a vantagem. José Henrique foi de longe o principal nome palmeirense e evitou que os visitantes garantissem um triunfo mais elástico.


Detalhe do goleiro Dyogo defendendo o pênalti de Luiz Freitas no primeiro minuto da etapa final e evitando a virada




Três lances do segundo tempo de Palmeiras x Flamengo. Grande estreia dos cariocas com um bem-vindo triunfo fora de casa

No fim, o Palmeiras 1-2 Flamengo registrou uma ótima estreia carioca no Brasileiro sub-17 em grande atuação. O Fla está com três pontos junto com Ceará e Grêmio, os outros times que venceram seus compromissos no Grupo A. Certamente é um torneio que vai aparecer bastante por aqui. Pena que Corinthians e Palmeiras joguem em casa nas mesmas rodadas. O pessoal da CBF poderia ter montado uma tabela melhor.

A semana começou promissora pois finalmente foi liberada a presença de profissionais de imprensa nos jogos do Paulistão em suas três divisões. Sim, a A1 não conta, mas pelo menos teremos chance de cobrir A2 e A3 novamente. Marcar presença naquela trinca de sempre - Canindé/Javari/Alayon - já quebra bem o galho.

Até a próxima!

_____________

Ficha Técnica: Palmeiras 1x2 Flamengo

Local: Allianz Parque (São Paulo); Árbitro: Thiago Lourenço de Mattos/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Jota, Dudu, Samuel, Darlan, Petterson, Pedro Turini; Cartão vermelho: Jean Carlos 15 do 2º; Gols: Victor Hugo 25 e Jean Carlos 45 do 1º, Mateusão 17 do 2º.
Palmeiras: José Henrique; Carlos Eduardo (Thalys), Mina (Kauã Oliveira), Gabriel Vareta e Robert Dias; Jean Carlos, Jota (Leo) e Luiz Freitas; Kauan Silva (Bruno Lima), Wendell (Serafim) e David (Luís Guilherme). Técnico: Artur Itiro.
Flamengo: Dyogo; Samuel (Wesley), Kauã Moura (JP Mandovani), Darlan (Pedro Turini) e Zé Welinton; Vítor Muller, Dudu (João Filipe), Matheus França e Victor Hugo; Petterson e Mateusão (Matheus Gonçalves). Técnico: Mário Jorge.
._________________________

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Palmeiras goleia o Náutico e fica perto das quartas da Copa do Brasil sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Apesar da FPF não estar se preocupando com a liberação da imprensa nos jogos do estadual, na CBF a coisa é diferente. Na quarta-feira a Copa do Brasil sub-20 foi retomada na sua segunda fase e, devidamente credenciado, fui ao Allianz Parque assistir o encontro entre Palmeiras e Náutico. Não assistia os pernambucanos ao vivo desde 2014, uma eternidade.

Na fase inicial você viu aqui no JP que o alviverde da Zona Oeste eliminou a Liga de Presidente Médici do Maranhão na fase inicial com uma tranquila goleada por 8x0. O Timbu atuou fora de casa e derrotou o genial Real Ariquemes por 3x0. Os 32 participantes se transformaram em 16 e estamos nas oitavas de final. O Palmeiras é o único paulista no certame, já que o Corinthians passou uma vergonha enorme e foi eliminado pelo União ABC/MS.

Como a população já decretou o final da pandemia por conta própria, o caminho até o estádio da Zona Oeste foi com mais gente na rua do que deveria ter. Passei pelo portão principal faltando bastante tempo até o apito inicial e me dirigi ao meu lugar marcado no setor destinado aos fotógrafos. Aí foi só esperar o começo da peleja. O atual tetracampeão paulista da categoria era favorito por atuar em casa e eu esperava uma partida ao menos animada.


Hoje não tem mais foto posada, ninguém faz. Então quando rolar a gente vai colocar aqui. Mesmo de lado. Mesmo de longe

Logo no primeiro ataque local o placar foi inaugurado, afastado aquele medo eterno de um 0x0. A zaga visitante falhou, Marino roubou a bola e cruzou na área por baixo. Gabriel Silva, atacante que vem atuando no time alternativo do Paulista, completou de prima e fez 1x0. Os alvirrubros buscaram equilibrar as ações, pena para eles que foram muitos passes errados e finalizações sem direção.

O escrete paulista estava na boa, contra-atacava com qualidade e na reta final praticamente definiu sua sorte. Aos 36 minutos teve marcada uma falta na entrada da área. Yago Santos bateu no canto direito e ampliou. Aos 43 o colombiano Marino Hinestroza fez uma brilhante jogada individual, percorreu metade do campo se livrando dos adversários e tocou na saída de Gabriel Lima. Os 3x0 no intervalo dificilmente seriam revertidos.

Por causa disso no tempo final o Palmeiras segurou sua vantagem e manteve o Náutico sem assustar. Marcelinho entrou e por pouco não fez o quarto em tiro cruzado. Aos 34 Kevin foi expulso e somente aí o alvirrubro quase descontou com um belíssimo chute colocado da direita que tirou tinta da trave. Aos 43 Gabriel Silva marcou pela segunda vez ao concluir um bom passe de Marcelinho. Nos acréscimos ele poderia ter feito o terceiro em pênalti bem defendido por Gabriel Lima.


Gabriel Silva chutando e abrindo o caminho para a goleada alviverde


O Náutico até tentou deixar tudo equilibrado, mas os ataques não foram efetivos


Bola estufando a rede pernambucana no gol de falta de Yago Andrade



Na etapa final o Palmeiras diminuiu o ritmo e mesmo assim obrigou a zaga do Timbu a trabalhar


Gabriel Silva poderia ter feito o seu terceiro tento na noite nesse pênalti aos 46, só que o goleiro Gabriel Lima defendeu

No fim, o Palmeiras 4-0 Náutico praticamente põe o alviverde nas quartas de final da Copa do Brasil sub-20. Os dois voltarão a se enfrentar domingo nos Aflitos e o Timbu precisa de um pequeno milagre. O vencedor desse duelo pega quem se classificar de ABC e Avaí. Também na quarta os catarinenses fizeram 3x0 fora de casa. Só perderão a vaga na base da catástrofe.

Sem o paulista para cobrir, vamos ficar mesmo nas competições de base. Tenho alguns alvos nos próximos dias, resta saber se o ânimo de sair de casa em meio a uma pandemia que parece não ter fim vai me fazer sair de boa. Vamos aguardar.

Até a próxima!

_____________

Ficha Técnica: Palmeiras 4x0 Náutico

Local: Allianz Parque (São Paulo); Árbitro: Vinicius Furlan/SP; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Kevin, Vitor Vellaske, Luan; Cartão vermelho: Kevin 34 do 2º; Gols: Gabriel Silva 3, Yago Santos 35 e Marino 43 do 1º, Gabriel Silva 43 do 2º.
Palmeiras: Mateus; Davi (Fubá), Ruan Santos (Talisca), Michel (Jhow) e Daniel Alves; Yago Santos (Érick Pluas), Marino Hinestroza (Marcelinho), Vitinho e Kevin; Newton Williams (Robinho) e Gabriel Silva. Técnico: Wesley Carvalho.
Náutico: Gabriel Lima; Quipapá (Edgo), Pedro, Marcelo Augusto (Luan) e Vitor Vellaske; Kaycky, Luís Felipe, Gustavo (Kauan) e Wanderson (Gustavo Café); Júlio e Leonardo Gomes (Dí). Técnico: Levi Gomes.
_________________________