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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Ótima estreia do atual bicampeão Chile contra o Japão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Olha, sem querer puxar a sardinha, mas o que o Jogos Perdidos fez na primeira rodada da Copa América merece um destaque. Estivemos nada menos do que em cinco das seis partidas, fechando o ciclo segunda-feira à noite no Estádio Cícero Pompeu de Toledo com o genial encontro entre a seleção do Japão e a seleção do Chile. Confronto inédito na maior competição do continente.

Saí de BH – marquei presença no Uruguai 4x0 Equador domingo à noite - após a hora do almoço e desembarquei na capital paulista por volta das três da tarde. Fui de ônibus até Pinheiros e depois de metrô até o Morumbi. Acontece que o trajeto não foi nada tranquilo. O trânsito estava absurdo e em alguns momentos imaginei que me atrasaria. Foi uma correria enorme e cheguei na casa são-paulina no laço. Por sorte, e assim como aconteceu na rodada do final de semana, o público não lotou as dependências do ex-maior estádio particular do mundo. O número de pagantes ficou em 23 mil.

Diferente do que vi na abertura, o clima estava bem mais agradável, sem os coxas de plantão e os figurinhas que só pintam em jogo da seleção verde e amarela. A presença de chilenos foi maciça, porém os japoneses também estiveram em bom número. Vários amigos e conhecidos fizeram companhia ao que vos escreve, todos pirando por terem a oportunidade de acompanhar de perto um joguinho tão perdido. Tenho uma pequena impressão de que um Japão x Chile não irá se repetir tão cedo por essas bandas.

"La Roja" nada mais é do que a atual bicampeã da Copa América. As duas conquistas em 2015 e 2016, ambas nos pênaltis em cima da Argentina, colocaram um ponto final no extenso rol de fracassos da seleção na América do Sul. Antes do bi, os melhores resultados eram quatro vice-campeonatos em 1955, 1956, 1975 e 1987. Eu os coloquei na Lista só em 2014, no 2x0 sofrido contra a Holanda na Arena Corinthians no Mundial. Depois, os vi duas vezes na Copa do Mundo sub-17 que sediaram em 2015: empate na estreia contra a Croácia e goleada em cima dos Estados Unidos.

O adversário dos nossos amigos do Pacífico era o glorioso selecionado asiático. Foi a segunda vez que eles disputaram o torneio. Em 1999 foram eliminados num grupo que tinha Peru, Paraguai e Bolívia. Também foram convidados em 2011 e 2015 e desistiram de ambas. Pena que eles resolveram vir ao Brasil sem o elenco principal. Assim sendo, fica difícil crer que podem ir longe. O maior destaque é o "Messi japonês" Takefusa Kubo, recém-contratado pelo Real Madrid, com seus 18 anos. Já estavam na Lista desde a derrota contra o México por 2x1 na Copa das Confederações de 2013.

Fiz todo o trâmite e entrei na cancha perto do apito inicial. Fui até o lugar marcado no ingresso, mas como os lugares vazios eram maioria, fiquei apenas um pouco ali e depois resolvi ir até a arquibancada central. Toda a rapaziada fez o mesmo e então teve aquela festa repleta de surrealismo como se estivéssemos vendo a Segundona Paulista. Uma daquelas noites deliciosas que serão lembradas eternamente.


Visão geral do Morumbi no segundo jogo da Copa América realizado na casa são-paulina


Seleções perfiladas antes do apito inicial

Dentro de campo, o Japão até que começou bem criando alguns lances de perigo com Kubo. O Chile se arriscou pouco e o cenário foi esse até os 30 minutos. Após isso, os vermelhos se acertaram e passaram a enfileirar boas chegadas. Alexis Sánchez finalizou de longe aos 34 e a bola passou perto. Na sequência ele de novo assustou em tiro que tirou tinta do travessão.

Aos 40 Pulgar colocou sua seleção em vantagem escorando de cabeça cruzamento de Aránguiz. Os asiáticos ganharam de presente a chance do empate aos 43. Shibasaki recuperou a posse no setor ofensivo e lançou até Ueda. O atacante driblou Arias e teve o gol aberto à sua disposição... e miseravelmente chutou pela linha de fundo. Vacilo imperdoável que custou caro.


Troca de passes no campo de defesa japonês


Bom ataque asiático pelo alto em lance que levou perigo à meta chilena

Na etapa final, os sul-americanos controlaram a peleja e aos oito minutos ampliaram a vantagem. Vidal tocou para Vargas, que lançou Isla, que devolveu ao camisa 11. Ele bateu de primeira, o tiro desviou em Tomiyasu e enganou Osako. Os 2x0 deixaram o Chile na boa e a partir daí passaram a se defender. Isso chamou os nipônicos a seu campo. Ueda aos 11, Kubo aos 19 e de novo Ueda aos 23 e 29 quase anotaram o gol de honra. O Morumbi inteiro lamentou - só os chilenos que não, é claro - os ataques desperdiçados.

O Japão cansou e a melhor qualidade do Chile reapareceu. Aos 37 Aránguiz cruzou na área e Alexis Sánchez, o maior artilheiro de sua seleção na história com 42 gols, marcou o terceiro de cabeça. No minuto seguinte Vargas recebeu ótimo passe, viu que Osako estava adiantado e encobriu gloriosamente o goleiro. Esse gol transformou o atleta no maior goleador da Copa América em atividade com 12 gols e no vice artilheiro dos "Rojos" com 38 tentos.


Já no tempo final, chegada chilena


O sub-23 do Japão até atacou e mostrou qualidade, mas não foi capaz de parar o bom escrete sul-americano


O Morumbi recebeu pouco mais de 20 mil pagantes. A festa sul-americana foi bonita


Bola levantada dentro da área do Chile

O placar final de Japão 0-4 Chile colocou os sul-americanos na liderança do Grupo C junto com o Uruguai, que venceu o Equador pelo mesmo resultado. Na próxima rodada teremos Uruguai x Japão em Porto Alegre e Equador x Chile em Salvador. Se nenhuma zebra acontecer, uruguaios e chilenos devem decidir o primeiro lugar da chave dia 24 no Maracanã. O segundo colocado estará na Arena Corinthians nas quartas... espero que seja a Celeste.

Com essa cobertura, vale mencionar que só ficamos de fora do Argentina x Colômbia do sábado em Salvador na rodada inicial. Tirando isso, batemos cartão no Brasil x Bolívia que abriu o certame, o Venezuela x Peru de Porto Alegre, a rodada dupla de domingo com Paraguai x Catar no Maracanã e Uruguai x Equador no Mineirão e finalmente a estreia da atual bicampeã. Nada de novo pensando que foram oito coberturas durante a Copa das Confederações de 2013 e 21 na Copa do Mundo do Brasil. Em tempos que a rapaziada faz jornalismo sem pisar fora do escritório, o JP mostra as coisas como deveriam ser. Se tivesse tempo $uficiente, essa seria a tônica até o dia 7 de julho, data da grande decisão.

Voltei ao QG da Zona Oeste na boa já pensando na partida de quarta-feira. Teve duelo ainda mais sensacional no Morumbi com a minha trinca de alvos sendo preenchida de forma espetacular.

Até lá!

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Ficha Técnica: Japão 0-4 Chile

Competição: Copa América; Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (São Paulo); Árbitro: Mario de Vivar (Par); Público: 23.253 pagantes; Renda: R$ 4.705.020,00; Cartões amarelos: Teruki Hara, Yuta Nakayama (Jap), Óscar Opazo (Chi); Gols: Erick Pulgar 41 do 1º, Eduardo Vargas 9 e 38, Alexis Sánchez 37 do 2º.
Japão: Keisuke Osako; Teruki Hara, Naomichi Ueda, Takehiro Tomiyasu e Daiki Sugioka; Daizen Maeda (Koji Miyoshi), Gaku Shibasaki, Yuta Nakayama e Shoya Nakajima (Hiroki Abe); Takefusa Kubo e Ayase Ueda (Shinji Okazaki). Técnico: Hajime Moriyasu.
Chile: Gabriel Arias; Mauricio Isla, Gary Medel, Guillermo Maripán e Jean Beausejour; Charles Aránguiz, Erick Pulgar e Arturo Vidal (Pablo Hernández); José Pedro Fuenzalida (Óscar Opazo), Eduardo Vargas e Alexis Sánchez (Junior Fernandes). Técnico: Reinaldo Rueda.
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terça-feira, 18 de junho de 2019

Estreia da Celeste na Copa América com goleada no Mineirão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Continuei com a marcante cobertura da Copa América no Jogos Perdidos na noite do domingo com a realização de um velho sonho. Desde moleque tinha vontade de ver a seleção bicampeã olímpica de 1924 e 1928 e a bicampeã mundial de 1930 e 1950 em campo. Contando com uma boa dose de sorte e uma organização peculiar, fui ao Mineirão assistir o duelo entre Uruguai e Equador na primeira rodada do Grupo C do certame.

De todas as filiadas da Conmebol, sem dúvida a Celeste Olímpica era a maior pedra no meu sapato. Alguns exemplos: em novembro de 2007 ela jogou no Morumbi e todo mundo conseguiu ingresso, menos eu. Em 2013 disputaram a fase inicial da Copa das Confederações no Nordeste e eu não tinha cacife para viajar até lá. Em 2014 cheguei a colocar no carrinho o ingresso da apresentação deles contra a Inglaterra na Arena Corinthians durante a Copa do Mundo e não consegui finalizar a compra.

Depositei minha última esperança na Copa América deste ano. Se por ventura eles não jogassem perto de casa, eu fatalmente ficaria mais um bom tempo sem colocá-los na Lista. Quando pintou o sorteio a Lei de Murphy atuou e, como não poderia ser diferente, obviamente eles jogaram em todo lugar menos em São Paulo. fazendo parte da minha trinca de objetivos junto com a dupla Venezuela e Catar, então fui obrigado a planejar uma missão fora do estado.

A minha sorte foi encontrar uma passagem aérea com preço em conta e que a procura por ingressos, tirando os compromissos do Brasil e a grande decisão, não tiveram grande procura. Saí de Porto Alegre – estive no Venezuela 0x0 Peru na tarde de sábado - na manhã do domingo no mesmo voo do amigo Raul, o maior anfitrião do Distrito Federal, e fizemos uma escala em Congonhas antes de chegar em BH. Detalhe: eu não sabia onde ficaria na capital mineira. A estadia programada por semanas deu errado e fui obrigado a contar com uma preciosa ajuda entre os dois voos. Enquanto eu estava no ar, uma alma boa reservou um lugar ao lado do hotel em que o amigo candango se hospedaria.

Saímos de Confins com destino ao centro da cidade e meia hora depois eu estava no meu nababesco quarto de seis estrelas que lembrou o Waldorf-Astoria em Nova Iorque com tempo suficiente de descansar um pouco e bater aquela soneca marota antes da sessão noturna. Devidamente descansado, fui de táxi com o alvinegro Raul e chegamos rapidinho no Mineirão. Tudo estava tranquilo e com um movimento bem diferente do que vi ali nas minhas visitas em 2013 e 2014.


A bela fachada do Mineirão recebendo um público legal para Uruguai x Equador


A grandiosa visão do Mineirão. Não visitava o estádio desde a Copa do Mundo

Estive no principal palco futebolístico de Minas Gerais cinco vezes na saudosa Copa das Confederações e na inesquecível Copa do Mundo. Em 2013 foram dois: o magnífico Taiti 1x6 Nigéria e o triunfo do México contra o Japão por 2x1. No Mundial, três: os 3x0 da Colômbia em cima da Grécia, a vitória da Bélgica contra a Argélia por 2x1 e o empate sem gols entre Costa Rica e Inglaterra. Que saudade!

No primeiro duelo citado acima foram 20 mil pagantes, nos quatro restantes, cerca de 50 mil em cada um. No domingo somente 13 mil pessoas deixaram no mínimo 120 reais cada no bolso da Conmebol. Um valor insano pensando que, infelizmente, a Copa América não tem um apelo tão grande na maior parte dos torcedores. Aliás, essa foi uma bola fora (apenas uma delas) da entidade sul-americana na organização da edição 2019 da competição.

 

Não é sempre que temos a chance de ver Cavani e Suárez ao vivo, né? Nada mais justo do que mostrá-los por aqui



Tudo bem, é de lado... mas aqui estão as duas seleções posadas para as fotos oficiais

Como estava tudo tranquilo, não tivemos problemas e logo estávamos nas dependências do belo estádio. Lá dentro encontramos o atibaiense Mário e como o que mais tinha era um monte de lugar vazio, fomos ficar próximos do gramado. Demorou tanto tempo para colocar o Uruguai na Lista que eu precisava vê-los de perto. Se a Celeste era inédita, o Equador era um velho conhecido. Desde que os vi pela em 2000 (a derrota de 3x2 contra o Brasil pelas Eliminatórias), assisti mais quatro confrontos, dois na Copa de 2014 e um pela Copa do Mundo sub-17 de 2015 no Chile.

O retrospecto sempre foi favorável aos uruguaios: treze vitórias em 17 partidas, três derrotas e um empate. Apesar do amplo domínio, nos últimos sete encontros, total equilíbrio com três triunfos para cada lado. No domingo o que se viu foi uma atuação avassaladora dos comandados de Óscar Tabárez. O Equador foi atropelado e deu sorte de não sair de campo com uma goleada ainda maior nas costas. Os primeiros 45 minutos do Uruguai foram sensacionais.

O marcador foi inaugurado aos cinco minutos com um golaço de Lodeiro. Ele recebeu na entrada da área, dominou com classe, tirou de Quintero e mandou no canto de Domínguez. Aos nove Nández ampliou, porém o gol foi anulado por impedimento. A Celeste permaneceu atacando e aos 23 teve a missão facilitada quando Quintero foi expulso. Cavani quase fez o segundo aos 26, Lodeiro atacou com perigo aos 27 e Cavani de novo assustou aos 31 em chute de letra. O atacante do PSG insistiu tanto que marcou o seu aos 32 num belíssimo voleio.

O Uruguai seguiu atacando e Nández teve bom lance aos 34. O outro grande nome do ataque, Luis Suárez, apareceu aos 43 e fez o terceiro. Lodeiro cruzou, Cáceres desviou de cabeça e o avante do Barcelona anotou. Antes do intervalo, a peleja já estava resolvida. Nas arquibancadas, muita festa e um clima delicioso. Os equatorianos presentes, mesmo tristes pelo resultado, estavam levando tudo de boa. Os uruguaios achavam graça e riam à toa.


O Equador tentou emplacar uma pressão no começo da partida, só que foi por pouco tempo


Nández marcou pela primeira vez na noite, mas o tento foi anulado por impedimento


Mais uma chance perigosa a favor da Celeste, agora pelo alto


Mais uma participação do VAR na Copa América

Na etapa final o panorama pouco mudou e os maiores campeões do torneio com seus 15 títulos permaneceram atacando com afinco. Cavani, o mais agudo dos atletas de frente, fez outro gol e novamente a arbitragem anulou. Suárez criou boa oportunidade aos 24 e Domínguez afastou. Aos 34, Mina deu uma forcinha ao adversário e marcou contra após cruzamento de Pereiro. O companheiro de Messi na Espanha jogou fora a chance do quinto aos 39 minutos.

O placar final de Uruguai 4-0 Equador foi pouco pelo domínio que a Celeste teve durante os 90 minutos. Desde 1959 eles não derrotavam os tricolores por essa margem de gols na Copa. A estreia deixou uma ótima impressão e temos como dizer com propriedade que estão entre os maiores favoritos ao título. Da minha parte, finalmente posso dizer que as dez seleções que fazem parte da Conmebol estão na minha Lista. Demorou, mas consegui!


No segundo tempo o Uruguai diminuiu o ritmo mas continuou em cima da zaga equatoriana


Ataque dos bicampeões mundiais pela direita


Mesmo com o 4x0 o Uruguai não parou de atacar. A vitória era para ter sido por maior margem de gols

Ficamos zanzando pelas arquibancadas e demoramos para sair do Mineirão. Procedimento padrão em campeonatos internacionais de grande porte. Na parte de fora andamos bastante até encontrarmos um táxi e, junto com o Raul, retornamos ao centro de Belo Horizonte. Fizemos uma janta de luxo num fast-food que encontramos aberto perto do hotel e depois cada um se recolheu aos seus aposentos. Foi uma noite super bem dormida antes de uma segunda-feira que novamente teve correria.

Antes de retornar à capital paulista, dei uma bela passeada no centro de BH, algo que não fazia há anos. Foi muito bom ficar ali, sem preocupação, sem pressa, só apreciando o momento. Foi o término da minha pequena turnê de dois dias longe de casa, a primeira em três anos. Pode ter sido pouca coisa, só que o significado foi enorme. Fui até Confins e de lá voei até São Paulo. Na pauta, tinha nova sessão noturna fechando a enorme cobertura do JP na rodada inicial da Copa América.

Até lá!

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Ficha Técnica: Uruguai 4x0 Equador

Competição: Copa América; Local: Mineirão (Belo Horizonte); Árbitro: Anderson Daronco (Bra); Público: 13.611 pagantes; Renda: R$ 1.534.535,00; Cartões amarelos: Nicolás Lodeiro, José Giménez (Uru); Cartão vermelho: José Quinteros 23 do 1º; Gols: Nicolás Lodeiro 6, Edinson Cavani 33 e Luis Suárez 44 do 1º, Arturo Mina (contra) 33 do 2º.
Uruguai: Fernando Muslera; Martín Cáceres, José Giménez, Diego Godín e Diego Laxalt; Nahitan Nández (Gastón Pereiro), Rodrigo Bentancur, Matías Vecino (Fede Valverde) e Nicolás Lodeiro (Lucas Torreira); Luis Suárez e Edinson Cavani. Técnico: Óscar Tabárez.
Equador: Alex Domínguez; José Quinteros, Arturo Mina, Gabriel Achilier e Beder Caicedo; Jefferson Orejuela, Jefferson Intriago, Antônio Valencia e Ángel Mena (Pedro Velasco); Enner Valência e Ayrton Preciado (Romário Ibarra). Técnico: Hernán Darío Goméz.
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Catar surpreende e empata com o Paraguai no Maracanã

Texto e fotos: Estevan Azevedo


Salve amigos!

No último domingo fiz um bate e volta na Cidade Maravilhosa para acompanhar o duelo entre Paraguai e Catar, válido pela Copa América. Depois de acompanhar o Mundial de Clubes de 2000, os Jogos Panamericanos de 2007, a Copa das Confederações de 2013, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o torneio fechou um ciclo esportivo que dificilmente se repetirá por aqui.

Acompanhei ansiosamente o sorteio e fiquei felicíssimo quando as duas seleções caíram no mesmo grupo, o que me daria a chance de ver, numa única partida, as duas seleções entre as 12 participantes que eu nunca havia visto in loco. Para melhorar, no templo sagrado do futebol, relativamente próximo de mim, a apenas uma noite de distância de ônibus. Aproveitei a manhã para circular pela região da Gamboa, reformada para os Jogos Olímpicos, e conhecer o decepcionante AquaRio. Não vale o ingresso.

Chegando no Maracanã, o clima de nostalgia deu o ar da graça: ao ver alguns poucos torcedores paraguaios do lado de fora, logo lembrei do clima inesquecível da Copa do Mundo. Souvenirs do Catar estavam sendo fartamente distribuídos, e logo entrei no clima da partida. apesar do baixo público (pouco menos de 20 mil pessoas) e de um estádio extremamente sujo. O padrão Conmebol, definitivamente, não se encaixa nos padrões FIFA.


O palco da partida, no clima do importante torneio



Brasileiros paramentados e alguns dos souvenires distribuídos, no detalhe



Cadeiras sujas chamaram a atenção do público, (mal) acostumado com o “padrão Fifa”


Equipes perfiladas antes do início da partida

O primeiro tempo foi de um nível técnico muito ruim. A seleção asiática saiu com a bola mas, antes que conseguisse ultrapassar a linha média, sofreu um gol em pênalti cobrado por Cardozo. Daí pra frente, os paraguaios tiveram um ou duas chances de gol e assistiram os adversários mostrando muita vontade e construindo diversas chances de gol não aproveitadas.

Eduardo Berizzo mexeu no onze latino, colocando Derlis Gonzalez no lugar de Hernan Perez, e a mexida resultou numa volta animada dos vestiários. Logo no início da segunda etapa, os paraguaios conseguiram ampliar o marcador, novamente com Cardozo, mas o gol foi anulado pela arbitragem com auxílio das imagens de vídeo. O VAR mostrou a posição ilegal do atacante.


Cardozo, de pênalti, abre o placar para os paraguaios


Paraguai passou boa parte da primeira etapa se defendendo


Arquibancadas pouco ocupadas

A anulação não conteve o ímpeto da seleção tricolor e o segundo gol saiu aos 10 minutos da etapa final: num contra ataque pela esquerda, a bola bem trabalhada foi tocada para ele, Derlis Gonzalez, que agradeceu a oportunidade dada no intervalo e tocou para o fundo das redes com categoria da intermediária.

Quando menos se esperava o Catar descontou com um belíssimo gol de Almoez Ali Abdulla. Ele bateu cruzado conscientemente da entrada da área e encobriu o arqueiro paraguaio. A incompetência paraguaia acabou punida aos 31 minutos com gol contra de Rojas, que tentou evitar o tento mas acabou cabeceando para as próprias redes.


Detalhe da segunda etapa


Fim de jogo no Maracanã: Paraguai 2x2 Catar

O empate foi um ótimo resultado para a seleção convidada, que agora tem duas paradas complicadíssimas: Colômbia e Argentina. Independente do que acontecer, mostrou que pode ter um time razoavelmente competitivo para a Copa de 2022. Já os paraguaios perderam a oportunidade de conquistar uma vitória importante pensando numa eventual vaga nessa chave bastante complicada.

Pra mim, a Copa América 2019 terminou ali mesmo, com o apito final de Diego Haro, árbitro peruano.

Até a próxima!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Tudo em branco com Venezuela e Peru em Porto Alegre

Texto e fotos: Fernando Martinez


A cobertura da Copa América pediu passagem na tarde de sábado aqui no Jogos Perdidos. Depois de acompanhar a abertura na sexta-feira com o triunfo brasileiro contra os bolivianos, cruzei o espaço aéreo entre a capital bandeirante e a cidade de Porto Alegre tendo na pauta livre do blog a minha segunda partida no certame, o glorioso duelo entre Venezuela e Peru na magnífica Arena do Grêmio.

Desde a cerimônia de encerramento da Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016 eu não colocava os pés fora do estado de São Paulo. Aquele momento maravilhoso passou e em poucos meses a vida pessoal entrou em parafuso. Fui do céu ao inferno completo num demorado processo que se estendeu por todo ano de 2017 até o começo de 2018. Saí do buraco contando com a preciosa ajuda de amigos, uma organização particular nunca vista e bastante trabalho.

Comecei a sair do fundo do poço no meio de 2018 e por ser tudo bem recente não me imaginava saindo da capital paulista tão cedo. Quando rolou o sorteio, eu apostava na sorte e contava que meus três alvos principais - Uruguai, Venezuela e Catar - atuassem nas redondezas. Quando as bolinhas foram tiradas confirmei apenas os asiáticos no Morumbi. Se quisesse ver venezuelanos ou uruguaios, teria que viajar.

Aos poucos a ideia foi tomando forma e, com um pouco de aperto aqui e ali, consegui me organizar. Fiz minha gloriosa reestreia fora de casa no campeonato que fecha o mais fabuloso ciclo esportivo que esse país já viu na história. Por sorte, a Venezuela atuaria no sábado e o Uruguai no domingo. A logística foi complicada, nada que alguns meses de planejamento incansável não resolvessem.


Foi aqui que iniciei minha primeira jornada interestadual em quase três anos

O apito inicial da peleja seria às 16h00, então eu não podia pegar meu voo tão tarde. Acabou que a passagem com melhor preço tinha decolagem às seis da matina. Praticamente nem dormi depois de chegar do Morumbi ainda tendo que arrumar a mala. Cansadão, fui até Congonhas e dali parti com destino ao Sul do país naquela que foi a minha sétima viagem à capital do Rio Grande do Sul.

Desembarquei no Aeroporto Salgado Filho pouco antes das oito horas e, como o check-in no hotel era apenas meio-dia, fui dar uma passeada no centro da cidade. Nas minhas duas últimas visitas - em 2012 e 2014 - eu não tinha conseguido ir tomar o maravilhoso sorvete com nata do Mercado Municipal e felizmente dessa vez a programação deu certo. Enquanto degustava a iguaria, apareceu por lá o Raul, o maior anfitrião de Brasília, e o amigo passou a fazer companhia na minha viagem até a noite do domingo.

Saímos do centro por volta do meio-dia e pegamos um táxi até meu hotel. Deixei minhas coisas, troquei de roupa rapidinho e seguimos até a casa gremista. A região tinha várias barreiras e descemos a cerca de um quilômetro do destino. Fomos a pé e eu, mesmo de longe, já vislumbrava a magnitude da cancha. Quando chegamos e tivemos a visão completa... nossa senhora! O estádio é simplesmente magnífico. Passei alguns minutos imóvel apenas contemplando a beleza da enorme construção.


A fachada da monumental casa do Grêmio


Diferente do que passei no Morumbi um dia anterior, o entorno do estádio gremista é enorme e com espaço suficiente para não passarmos aperto


O genial Fantasma de 69 - que lembra a eliminação da Argentina pelo Peru nas eliminatórias da Copa de 1970 após um 2x2 na Bombonera - zanzando em torno do estádio

Somando todas as minhas visitas a Porto Alegre, eu assisti um total de cinco partidas no velho Estádio Olímpico entre 2004 e 2007. A nova casa tricolor foi inaugurada em dezembro de 2012 e como só retornei na Copa do Mundo, não tinha tido o prazer de conhecê-la. Como descolar ingresso em jogo do Grêmio não é tão fácil, a chance perfeita pintou nesse Venezuela x Peru. A sorte foi ter encontrado um voo com preço bom da capital gaúcha até Belo Horizonte no domingo, caso contrário, o esquema não teria dado certo.

Como o amigo Raul entraria por outro portão, me separei dele na entrada da Arena e segui sozinho. O confronto não tinha tanto apelo, então a presença de público era diminuta. Encontrei alguns venezuelanos, mas a presença de peruanos era maior. Entrei na boa e com tempo de passear com tranquilidade pelo local conhecendo cada parte do largo espaço que dá a volta completa pelo lado de fora. O único problema foi o fortíssimo calor. Estar em Porto Alegre em junho com temperatura acima de 30 graus é uma heresia.

Andei muito e tirei foto de todo mundo que estava com alguma fantasia estranha, da estátua do Renato Gaúcho e da genial calçada da fama. Já estava cansado e o fato de precisar subir uma escada absurdamente comprida para alcançar o anel superior foi profundamente desgastante. O fato de ter chegado cuspindo o pulmão direito não me fez deixar de ficar absolutamente maravilhado com a visão que tive lá do alto. Foram poucas as vezes que fiquei tão impressionado.


A Arena do Grêmio recebeu um público pequeno para Peru x Venezuela, algo que deixou o clima ainda mais legal


As bandeiras de Peru e Venezuela no primeiro jogo de Copa América na capital gaúcha


Boa presença da torcida peruana em Porto Alegre

Por mais que o duelo não tivesse tantos atrativos ao torcedor comum, eu o esperava com ansiedade. Além de rever a seleção peruana após 18 anos (estava presente no empate por 1x1 contra o Brasil no Morumbi pelas Eliminatórias da Copa de 2002), eu estava prestes a ver a equipe principal venezuelana em campo pela primeira vez. A Vinotinto já estava na Lista desde 2007 - derrota contra os Estados Unidos por 2x1 e revés diante do México por 2x0 nos Jogos Panamericanos - porém nada como assistir a seleção adulta e "tirar o J" com estilo.

Minha estreia com o escrete adulto venezuelano foi exatamente no oitavo encontro deles com o Peru na história da competição. Nos sete anteriores, apenas um triunfo e cinco derrotas. O único empate aconteceu em 1989 em Salvador, época em que eram o saco de pancadas do continente, situação que hoje em dia mudou completamente. Pelo lado alvirrubro também há muita diferença, principalmente por conta de terem retornado a uma Copa do Mundo depois de 36 anos de ausência, de longe o melhor momento do futebol do país no século XXI.

Fiquei zanzando pelo anel superior da Arena até os atletas subirem ao gramado. Na busca do meu lugar marcado vi que ele era atrás de um dos gols, ao lado de uma grande concentração de torcedores. Como as laterais do setor estavam vazias, quis ficar de boa e sem aperto, então me mandei para um dos cantos. De lá assisti um jogo que não foi a oitava maravilha do mundo. Apesar disso, e levando em conta que em eventos grandes eu aplaudo até papel picado voando, eu gostei e aproveitei cada segundo. Compromisso internacional entre seleções em campo neutro é sempre genial, independente do que aconteça.

Claro que eu preferia ver vários gols, pena que os selecionados não me deram esse presente. Bom, eu cheguei a ver dois, porém ambos foram anulados. O primeiro deles saiu aos seis minutos quando Christofer Gonzáles aproveitou sobra na área e fez a favor do Peru. O árbitro Vilmar Roldan levou assombrosos quatro minutos para anular o tento por impedimento.

Boa parte dos gremistas que estavam na Arena vaiavam Paolo Guerrero toda vez que o centroavante tocava na bola e os colorados respondiam com aplausos animadíssimos. Foi assim durante os 90 minutos. Enquanto isso, a Venezuela melhorou e teve duas oportunidades de abrir o placar. O alvirrubro respondeu com três lances bons do seu camisa 9. O intervalo chegou nesse cenário.


Seleções perfiladas para os hinos nacionais


Saída do goleiro venezuelano igual vaca brava em cima de atacante do Peru


Ah, o VAR... presença que será constante durante a Copa América do Brasil


Visão geral do ataque peruano no primeiro tempo


Bola alçada com perigo dentro da área da Venezuela

Na etapa final fui passear pelas cadeiras mais altas já com a noite dando as caras. A primeira chance de gol foi venezuelana logo no comecinho com boa cobrança de falta de Rondón. Aos 17, Farfán completou cruzamento da esquerda e fez outro gol peruano, só que novamente ele foi anulado pelo árbitro após consulta ao VAR por impedimento.

A partir daí eu comecei a imaginar que o 0x0 seria inevitável. A Vinotinto ficou com um a menos aos 28 minutos com a expulsão de Mago. Os peruanos colocaram a esperança da vitória nos pés de Guerrero e gritavam "Paolo" a plenos pulmões. Foram várias as chegadas com perigo próximo da meta defendida por Fariñez, mas os atletas não foram capazes de vencer o arqueiro.


O bonito entardecer de Porto Alegre na belíssima Arena do Grêmio


O bonito contraste dos uniformes de Peru e Venezuela


Cruzamento dentro da área peruana no segundo tempo


Boa chegada do Peru e boa defesa do goleiro venezuelano


Soteldo segurando a bola no ataque da vinotinto

O resultado de Venezuela 0x0 Peru não foi ideal, principalmente para os comandados de Ricardo Gareca. Agora eles pegam a Bolívia pensando apenas em vencer e depois o Brasil em São Paulo em jogo que pretendo também acompanhar de perto. A Vinotinto pega o onze local em Salvador, uma tarefa sempre ingrata. Da minha parte ficou aquele gostinho de quero mais, porém como disse antes, acompanhar torneio grande de perto é tão legal que isso é o de menos.


Última visão da Arena do Grêmio. Um dia ainda volto lá...

Dei uma última passeada por todo o estádio antes de reencontrar o amigo candango. Andamos cerca de dois quilômetros num breu insano até chegar na Estação Anchieta do Trensurb. Dali retornamos ao centro da cidade e fizemos uma janta de campeões na estação rodoviária. O lugar era simples, o que não impediu que a comida fosse ótima. Com a barriga cheia finalmente cada um retornou a seus respectivos hoteis.

Terminei a noite vendo o segundo tempo de Argentina x Colômbia e dormi cedo pois o dia tinha sido cheio... assim como o domingo também seria. Na pauta, finalmente uma seleção bicampeã olímpica e mundial passou a fazer parte da minha Lista. Era uma pedra no sapato há muitos anos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Venezuela 0x0 Peru

Competição: Copa América; Local: Arena do Grêmio (Porto Alegre); Árbitro: Wilmar Roldán Pérez (Col); Público: 13.370 pagantes; Renda: R$ 2.400.080,00; Cartões amarelos: Luis Del Pino, Yangel Herrera (Ven); Renato Tapia, André Carrillo (Per); Cartão vermelho: Luis Del Pino (Ven) 30 do 2º.
Venezuela: Wuilker Fariñez; Roberto Rosales, Jhon Chancellor, Mikel Villanueva e Luis del Pino; Júnior Moreno (Ronald Hernández), Jefferson Savarino (Darwin Machís), Yangel Herrera, Tomás Rincón e Jhon Murillo (Yeferson Soteldo); Salomón Rondón. Técnico: Rafael Dudamel.
Peru: Pedro Gallese; Luis Advincula, Carlos Zambrano, Luis Abram e Miguel Trauco; Renato Tapia, Jefferson Farfán, Christofer Gonzáles (André Carrillo), Yoshimar Yotún (Andy Polo) e Christian Cueva (Edison Flores); Paolo Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.
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