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terça-feira, 9 de março de 2021

Bom jogo na Javari e tudo igual entre Juventus e Rio Claro

Texto e fotos: Fernando Martinez


Após um longo hiato de 364 dias, voltei a marcar presença numa sessão matutina de futebol. Caí da cama no domingo depois de uma noite pessimamente dormida e repleta de sonhos estranhos para nova cobertura na segunda rodada do Campeonato Paulista da Série A2. Direto do Estádio Conde Rodolfo Crespi, o Juventus recebeu o Rio Claro em busca da primeira vitória.

Na estreia os grenás ficaram no 0x0 contra o Audax em Osasco. Ano passado o time da Mooca chegou nas quartas de final e foi eliminado nos pênaltis pelo São Bernardo FC. Agora com o técnico Sérgio Soares no banco, uma cria da Javari, eles esperam ir longe. O adversário era o Rio Claro, comandado por Alberto Félix. Na estreia o Azulão empatou em casa com o Tigre do ABC e beliscar um pontinho jogando na capital seria de bom grado.





Se tem um lugar que as fotos posadas ainda existem esse lugar é a Rua Javari. Fazia tempo, mas dessa vez temos as duas equipes nas fotos oficiais junto com a imagem dos capitães e do quarteto de arbitragem

Antes de contar o que aconteceu no gramado vale citar uma situação que vem se tornando cada vez mais comum nas canchas que visito. As pelejas estão liberadas apenas para jornalistas e fotógrafos credenciados (além de pessoal dos clubes, claro). Apesar disso, o que menos tem nas arquibancadas, pelo menos em jogos pequenos, é profissional da imprensa presente. Por outro lado, o que nunca falta são pessoas fazendo scouts de sites de apostas. Triste ver que a cobertura jornalística in loco praticamente desapareceu.

Quietinho na minha cadeira na parte coberta da Javari vi uma partida boa, muito melhor do que o Portuguesa x Atibaia da véspera. Eu imaginava que os locais usariam o fator casa a seu favor, porém quem o Rio Claro não se intimidou e foi muito melhor do que os mandantes. Fazendo uma apresentação segura, nem parecia que o Azulão estava fora do Schmitão.

Logo no começo Sorriso assustou em chutaço pela esquerda que teve boa defesa de André Dias. Na sequência Timbó e Formigoni foram responsáveis por bons momentos do Rio Claro. O Juventus respondeu com um bom ataque de Will na direita e um furo magistral de Gabriel Bonet no meio da área. Aos 39 João Lucas cruzou da direita e Will colocou no canto. Certeza de que ele não quis fazer o que fez. O que importa é que deu certo... Juventus 1x0.




Detalhes do tempo inicial de Juventus x Rio Claro


A comemoração dos jogadores grenás no gol de Will

No tempo final o Azulão continuou melhor, mas pecava no último toque. Vimos boas oportunidades visitantes até que Jair, aos 20, deixou tudo igual. O jogador aproveitou bola espirrada na esquerda e chutou na saída de André Dias. Alvinho foi expulso quatro minutos depois e o Juventus ficou com um a menos. Era o que o Rio Claro precisava para ocupar o campo de defesa grená. Apesar de insistir e criar lances de perigo, inclusive com outro vermelho dado a um atleta juventino, o marcador não sofreu alterações.






No segundo tempo o Rio Claro deixou tudo igual e teve chances de virar o placar

Fim de jogo: Juventus 1-1 Rio Claro. O onze local tomou sufoco, mas conseguiu, dentro das circunstâncias, um pontinho bastante importante. O Azulão também soma o segundo empate. Ficou bom para os dois. No meio da semana o Moleque Travesso recebe o Monte Azul enquanto o onze rio-clarense recebe a Portuguesa Santista.

A agenda futebolística do JP voltou com tudo na segunda-feira com a minha primeira vez no grande duelo do ABC. Santo André de um lado, São Caetano do outro.

Até lá!

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Ficha Técnica: Juventus 1x1 Rio Claro

Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi (São Paulo); Árbitro: Rodrigo Gomes Domingues; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Pablo, João Lucas, Bazílio, Thiaguinho, Gian; Cartões vermelhos: Alvinho 24 e Diego 36 do 2º; Gols: Will 39 do 1º, Jair 20 do 2º.
Juventus: André Dias; Railan (Bruno Luiz), Pablo, Nailson e Rubens; Diego, Negueba (Bazílio), Alvinho e João Lucas (Denis); Will e Gabriel Bonet (Joel). Técnico: Sérgio Soares.
Rio Claro: Rafael; Toninho, Roger Thomaz, Roger Bernardo e Thiaguinho; Cesinha, Formigoni, Junior Timbó (Acácio) e Gian (Wallace); Sorriso (Jobinho) e Jair. Técnico: Alberto Félix.
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segunda-feira, 8 de março de 2021

Lusa deixa a desejar e só empata com o Atibaia no Canindé

Texto e fotos: Fernando Martinez


Não foi uma semana fácil. Com a pandemia a todo vapor e governantes fazendo piada no meio do caos completo, decidi ficar longe das notícias e me desliguei do mundo. Apesar do enorme receio saí de casa somente no sábado para nova cobertura (quase) exclusiva do JP. Fui até o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte acompanhar a estreia da Portuguesa na sua casa no Campeonato Paulista da Série A2. O adversário foi o Atibaia de Americana.

A Lusa empatou com a Briosa no Ulrico Mursa na rodada inicial em jogo com arbitragem muito contestada. É fato que o rubro-verde entrou na competição como um dos principais favoritos ao acesso, só que a primeira impressão não foi a oitava maravilha do mundo. Jogar no Canindé contra o onze laranja, que derrotou o Monte Azul na abertura do certame, era a chance de deixar a torcida menos ressabiada.



Times perfilados, capitães e quarteto de arbitragem

Poucos profissionais estavam presentes na cancha lusitana. O amigo Cristiano Fukuyama me fez companhia na parte coberta pois, como a chuva chegou forte, ficou impossível permanecer perto do gramado. Vimos uma peleja que deixou a desejar, principalmente pelo futebol pouco inspirado da Portuguesa. O escrete visitante iniciou os trabalhos melhor, mas nada assim uma Brastemp pois oportunidade real não teve.

Quem criou mesmo foi a Lusa por três vezes dos 18 aos 21 minutos. O mais agudo deles com Patrick chutando de longe e Christopher mandando pela linha de fundo. Foi o que bastou para o Atibaia acordar. Aos 28 Dogão lançou Michael Paulista na direita. Ele avançou, entrou na área e chutou cruzado na saída de Dheimison. O arqueiro local fez uma boa defesa nos minutos finais e impediu que o placar fosse ampliado.




No primeiro tempo o time visitante foi melhor e aproveitou melhor as chances criadas


A comemoração dos atletas do Atibaia com o gol de Michael Paulista

Na etapa final a chuva parou e desci até pertinho do gramado com a ideia de acompanhar o ataque mandante. O técnico Fernando Marchiori mexeu no time e o rubro-verde melhorou. Mizael entrou e infernizou a zaga atibaiense. Primeiro numa cabeçada que passou perto da meta aos dois e depois em cruzamento perigoso da direita. Aos 15, Maykinho cruzou da esquerda, Anderson Lessa se adiantou e igualou o marcador.

Mizael, o melhor da partida, por pouco não virou em tiro de longe em seguida. O Atibaia reclamou bastante do árbitro em três momentos distintos com seus atletas caindo dentro da área. Eu estava do outro lado e confesso que não tenho como dar uma opinião mais precisa. Agora, vendo o VT, pelo menos um deles me pareceu pênalti.






Na etapa final, a Portuguesa melhorou com as alterações e deixou tudo igual

No fim, o Portuguesa 1-1 Atibaia foi justo pelo que ambas as agremiações apresentaram, porém não agradou quem estava no Canindé e principalmente quem estava assistindo pela internet. Apesar de apenas duas rodadas disputadas, os dois empates já deixam um alerta ligado na Lusa. O futebol precisa melhorar o quanto antes. Ao final da rodada, os lusos ficaram na nona posição e os atibaienses americanenses em sexto.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Portuguesa 1x1 Atibaia

Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Thiago Lourenço de Mattos; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Caíque, Lucas Douglas, Carlinhos; Gols: Michael Paulista 28 do 1º, Anderson Lessa 15 do 2º.
Portuguesa: Dheimison; Alemão, Jussani, William Magrão (Gilberto Alemão) e Patrick (Misael); Caíque, Vinícius e Raphael Luz (Léo Jaime); Maykinho, Lucas Douglas (Anderson Lessa) e Geovani (Fabrício). Técnico: Fernando Marchiori.
Atibaia: Christopher; Makelele, Dogão, Jean Pablo e Carlinhos; Alê (Gledson), Maicon Douglas e Danilo (Willian Daltro); Paraíba (Luan), Wesley Tanque (Gustavo Henrique) e Michael Paulista. Técnico: Carlão Souza.
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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Bernô volta à A2 após 32 anos de ausência com derrota no ABC

Texto e fotos: Fernando Martinez


Estamos em março e somente agora começou a temporada 2021 do futebol brasileiro. Como a pandemia atrasou o calendário, temos hoje uma situação que lembra as eras mais bagunçadas do esporte. Paciência. Morrendo de medo de sair de casa, arranjei um ânimo extra e me mandei até o ABC para a rodada inicial do Campeonato Paulista da Série A2. Direto do Estádio Primeiro de Maio, o terceiro encontro entre Esporte Clube São Bernardo e Oeste na história (os outros dois foram em 1998).

Esse foi o primeiro compromisso do Bernô no segundo nível estadual depois de 11.472 dias, mais precisamente desde 1º de outubro de 1989, quando foi derrotado pelo Taubaté por 3x1. O 27º lugar da então Divisão Intermediária os rebaixou. Em 1993 foram vice-campeões da terceirona e retornariam à Intermediária em 1994. Pena que a criminosa reorganização que a FPF promoveu no fim daquele ano os manteve no certame, agora chamado de Série A3. A partir dali, só tristeza.

De 1994 a 2000 conseguiram uma proeza: foram rebaixados em seis dos sete estaduais disputados no período. Em 2001 fizeram uma campanha tenebrosa na Série B2 e se afastaram do profissionalismo. Ficaram no sub-20 de 2003 e 2009 e voltaram em 2010. Foram anos de luta na última divisão com um trabalho baseado na “cabeça no lugar”. Tudo se ajeitou e os acessos de 2017 e 2020 fizeram a gloriosa agremiação retornar em grande estilo ao segundo escalão do Paulistão após 32 anos. Pena que São Pedro tenha estragado os planos do Cachorrão...



Equipes perfiladas para o Hino Nacional Brasileiro além dos capitães e o quarteto de arbitragem

Cheguei na cancha de Vila Euclides sem pressa e, por sorte, minutos antes de um imenso temporal que chamava a minha atenção no horizonte. Como parte do protocolo, tive que medir a temperatura antes de entrar nas dependências da cancha. O medidor informou que eu estava com 31.3 graus (!). No mundo normal, estaria com hipotermia. Provavelmente sou mais forte do que imagino. Dali segui até as cabines do estádio e confesso que me assustei com o que vi.

Por ter sido reformado nos últimos meses (quando assisti o SBFC x Portuguesa da Copa Paulista em dezembro o espaço estava fechado com a indicação que estavam em reforma), eu imaginava que as cabines do velho campo estavam em bom estado e que havia uma manutenção mínima. Ledo engano. O que tem infiltração não é brincadeira e a cara é de abandono completo. Fica claro que a prefeitura local não está cuidando de nada. Sabendo como o prefeito de SBC trata os times da cidade, fica claro que as coisas não estão assim à toa.

O descaso ficou ainda mais evidente quando a bola começou a rolar. Sim, choveu bastante e poucos gramados seguram a onda com tanta água caindo do céu, mas em condições normais não tem como virar o pasto que virou num período tão pequeno. Lembrou jornadas clássicas que vi ali no começo dos anos 2000. O péssimo estado do relvado transformou a peleja num verdadeiro balé aquático. Pior para os comandados de Renato Peixe. O futebol rápido do São Bernardo foi prejudicado.

Ao Oeste, rebaixado nas duas principais competições que disputou em 2020 e uma incógnita na atual temporada, sobrou a tarefa de se defender atuando fora de casa e buscar aquele contra-ataque maroto tentando uma surpresa. Aos três minutos, com o tapete não tão estragado, Chuck, um dos melhores dos donos da casa, quase abriu o placar. O número de poças d'água aumentou consideravelmente após esse lance e o jogo virou um Deus nos acuda. A chance de sair um gol era pequena, porém o rubro-negro fez o primeiro aos 32 minutos. Léo Ceará recebeu passe de Felipe Souza da esquerda, tirou do zagueiro e finalizou no canto de Felipe Rocha. Foi com o 0x1 que a etapa inicial terminou.





Detalhes do primeiro tempo de São Bernardo x Oeste, um verdadeiro balé aquático no pasto que se transformou o gramado do Primeiro de Maio

Mudei de lado junto com o onze local e aos quatro minutos Victor Sapo, idolatrado por nove entre dez torcedores do Bernô, criou a melhor oportunidade do alvinegro em bola que bateu na trave. A pressão continuou, só que momento de perigo real não pintou. O Oeste segurou a pressão sem maiores dificuldades e aos 37 minutos definiu o resultado. Rodolfo deu um chutão na direção do ataque. A pelota caprichosamente parou numa das inúmeras poças e atrapalhou tanto um dos zagueiros quanto o goleiro adversário. De Paula, camisa 17, agradeceu o presente, dominou, driblou o arqueiro e tocou tranquilamente para o gol vazio.



No tempo final a pressão do Bernô diminuiu e contando com o azar ainda sofreram outro gol


Detalhe do diretor do Bernô Gigio Sareto de olhos ligados no que acontecia no gramado pasto

Com um tento em cada tempo, o São Bernardo 0-2 Oeste foi um resultado justo. O Cachorrão não foi tão mal e o gramado atrapalhou, mas é fato que a pontaria falhou e rolou um certo nervosismo em virtude da estreia. Esperamos que possam colocar a cabeça no lugar o quanto antes. Na próxima rodada eles visitam o Água Santa, enquanto o rubrão recebe o Audax, que empatou sem gols com o Juventus.

Não rolou cobertura domingo pois o credenciamento que pedi foi negado. Paciência. Assim não sei quando será a próxima cobertura. Se tudo der certo tem uma na quarta-feira. Se der errado, pinta A2 novamente no próximo final de semana. Vamos aguardar.

Até a próxima!
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Ficha Técnica: São Bernardo 0-2 Oeste

Local: Estádio Primeiro de Maio (São Bernardo do Campo); Árbitra: Daiane Caroline dos Santos; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Felipe Souza, Dudu Lima, Alyson, Iago, Sandoval, Raí Ramos, Matheus Índio, De Paula, Rodolfo, Guilherme (O); Gols: Léo Ceará 33 do 1º e De Paula 37 do 2º.
São Bernardo: Felipe Rocha; Osvaldir, Erwin (Guilherme Pitty), Diego e Iago; Dudu Lima (Tatá), Willian, Felipe Souza (Alyson) e Chuck; Raul (Matheus Lu) e Victor Sapo. Técnico: Renato Peixe.
Oeste: Rodolfo; Raí Ramos, Victor Lisboa, Sandoval e Salomão; Alison, Léo Ceará (Douglas), Bruno Miguel e Kauã Jesus (Matheus Índio); Zeca (De Paula) e Tite (Davi). Técnico: Roberto Cavalo.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Oeste vence e rebaixa o Paraná Clube para a Série C em 2021

Texto e fotos: Fernando Martinez


Estamos quase em fevereiro e somente agora encerrei a complicadíssima temporada de 2020 do futebol. Cortesia da pandemia e da teimosia de dirigentes da CBF e das agremiações em não fazer torneios mais curtos em virtude de tudo que estamos passando desde o começo do ano passado. Marquei presença na Arena Barueri na despedida do Oeste atuando na sua casa no Campeonato Brasileiro da Série B contra um desesperado Paraná Clube, este correndo o risco ser rebaixado para a Série C pela primeira vez na sua história.

O onze paranista chegou na Grande São Paulo precisando vencer a todo custo e torcer por um triunfo do Botafogo de Ribeirão Preto em cima do Vitória na sequência da rodada noturna. Isso acontecendo, a decisão do rebaixamento seria adiada até o final de semana. Caso o tricolor não derrotasse o lanterna na competição, a triste queda seria confirmada. Uma situação lamentável que apenas é a ponta do iceberg de todos os problemas vividos pelos paranaenses.


Quarteto de arbitragem e capitães dos times

O antigo rubro-negro de Itápolis é odiado por nove entre dez fãs de futebol, fato. Independentemente de qualquer coisa, eu fiquei triste com o rebaixamento. A partir de 2021 ficarei sem opções de jogos na segunda divisão nacional perto de casa. Serão apenas dois paulistas no certame - Guarani e Ponte Preta - e ficar indo até Campinas ver time que já vi não rola. Perderei a chance de ver Brusque, Botafogo, Cruzeiro, Vasco da Gama, entre outros, aqui do lado. Pensando no JP, a queda foi uma tragédia.

Por tudo isso, eu não tinha como ficar de fora dessa despedida. Novamente fui credenciado com o auxílio do "amigo do JP" Luciano Claudino, o maior fotógrafo da região de Sumaré, Valinhos e Monte Mór. Assisti os 90 minutos com apenas outro fotógrafo, claro que bem longe de mim, na área reservada. Dali acompanhei a triste (e depois melancólica) missão dos visitantes.

O Paraná foi melhor do que o Oeste durante a maior parte do tempo, só que as finalizações não estavam calibradas. Na fraca etapa inicial, a rigor foram apenas duas oportunidades dignas de registro, ambas antes dos dez minutos. Bruno Lopes e depois Jean Victor perderam. O escrete local só pensou em se defender e criou somente uma (!) finalização. Nos 40 minutos restantes, futebol de baixíssima qualidade que mostrou o motivo dos dois estarem na rabeira da tabela.





O Paraná entrou em campo sob a terrível ameaça de rebaixamento. Só que na etapa inicial pouco fez para superar a meta defendida por Glauco

Sentindo que a vaca estava a caminho do brejo, o Paraná voltou ligado ao gramado e antes dos cinco minutos da etapa final teve o dom de jogar fora três precisos momentos com Kaio, Bruno Lopes e Meritão, aqui com finalização na trave. O script seguia aquele roteiro trágico que acompanha os rebaixados. Pairava no ar a quase certeza de que a noite não seria nada feliz para o Tricolor da Vila Capanema.

Os comandados de Márcio Coelho permaneceram com o último toque totalmente descalibrado. O Oeste aos poucos foi se soltando e vendo que tinha como beliscar algo a mais do que apenas um ponto. Aos 29 Pedrinho chegou a abrir o placar em tento que foi anulado pela arbitragem. Aos 32, Jean Victor cobrou falta e Glauco espalmou. Em rápido contra-ataque os paulistas assustaram aos 39 com tiro de Kalil que Renan se esticou para defender.

O 0x0 não era suficiente. Acontece que, por um capricho do destino, o clube sete vezes campeão estadual paranaense e campeão da Série B de 1992 sofreu o golpe fatal aos 44 minutos. Salazar cometeu falta na meia-lua e levou cartão amarelo. Raí Ramos cobrou a falta, a bola desviou em Karl e enganou Renan. Gol do Oeste. O gol que colocou o Paraná na terceira divisão nacional de 2021.




O Paraná voltou melhor para o tempo final, mas não transformou o domínio no gol que tanto sonhava



A cobrança de falta de Raí Ramos e a comemoração dos atletas paulista no gol da vitória contra o tricolor paranaense


A derrota rebaixou o Paraná Clube pela primeira vez para a Série C do Campeonato Brasileiro. 2021 será um ano difícil...

O Oeste 1-0 Paraná decretou o primeiro rebaixamento tricolor ao terceiro nível do nacional desde que iniciaram suas participações no Brasileiro em 1990. Naquele ano eles disputaram a Série C e conquistaram o acesso. Desde então, apenas participações espalhadas pelas duas principais divisões do país. Será um enorme choque de realidade e com tudo que está acontecendo nos bastidores, precisarão lutar muito se quiserem voltar rapidamente.

O Oeste ainda joga contra o Sampaio Correa na sexta-feira, se despedindo da Série B após oito anos consecutivos. Sinceramente não sei o que esperar do rubrão e por enquanto o choque será que, daqui a um mês, eles estarão jogando a Série A2 do estadual. Saem Cruzeiro, América Mineiro e Chapecoense como adversários e entram Monte Azul, Rio Claro e Sertãozinho, grandes baluartes do interior, mas além do poderio midiático de boa parte das equipes da segundona brasileira.


Oito anos depois de subir para a Série B, o Oeste volta à Série C. A equipe certamente terá uma missão difícil se quiser retornar

Com esse post me despeço da conturbada, triste e confusa temporada 2020 do futebol tupiniquim. Começamos ela com uma maratona inesquecível na Copa São Paulo em janeiro, uma viagem maravilhosa pelo interior no Carnaval em fevereiro e uma pequena turnê pelo Centro-Oeste em março. Um início promissor que foi interrompido pela pandemia. Como se a tristeza por estarmos vivendo esse momento surreal não bastasse, quando penso o que 2020 poderia ter sido fico ainda mais chateado. Faz parte. Resta fazer nossa parte e aguardar que tudo possa voltar ao "normal" o quanto antes apesar do insano boicote que os governantes promovem contra a população.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Oeste 1-0 Paraná Clube

Local: Arena Barueri (São Paulo); Árbitro: Rodrigo Carvalhaes de Miranda/RJ; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Pedrinho, Maurício, Bruno Alves, Higor Meritão, Salazar, Jean Victor; Gol: Raí Ramos 44 do 2º.
Oeste: Glauco; Raí Ramos, Victor Lisboa, Maurício e Douglas (Luanderson); Matheus Índio (De Paula), Léo Ceará (Tite), Bruno Miguel e Diogo; Bruno Alves (Kalil) e Pedrinho (Welliton). Técnico: Roberto Cavalo.
Paraná: Renan; Kaio, Salazar, Hurtado e Jean Victor; Gabriel Kazu (Gabriel Pires), Paulo Henrique (Juninho), Karl e Higor Meritão (Guilherme Biteco); Bruno Lopes (Mikael) e Thiago Alves (Andrew). Técnico: Márcio Coelho.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Confiança vence o Oeste em noite magistral de Caíque França

Texto e fotos: Fernando Martinez


A programação futebolística sábado passado não foi missão para amadores. Sair de casa no meio de uma pandemia com a ideia de assistir o confronto entre Oeste e Confiança do Sergipe, um rebaixado e o ameaçado pela queda no Campeonato Brasileiro da Série B não é fácil. Levando em conta que a ação começaria às 21 horas (!) na Arena Barueri, a tarefa poderia ser considerada uma espécie de 13º trabalho de Hércules.

Bola cantada há bastante tempo, os rubro-negros tiveram o rebaixamento confirmado um dia antes. Com o triunfo do Figueirense em cima do Náutico, ficou matematicamente impossível os paulistas saírem da zona de rebaixamento, local em que bateram cartão desde a quarta rodada do torneio. Cortesia do primeiro turno assombroso que fizeram. Na virada do returno todo mundo já sabia que isso aconteceria.

O que poucos esperavam era a queda de rendimento do Confiança. Na 26ª rodada o Dragão estava na sétima posição com 39 pontos, apenas quatro abaixo do G4 e lutando por uma vaga entre os quatro melhores. Nos oito jogos seguintes, uma tragédia: uma vitória e sete (!) derrotas. Ocupando agora o 14º lugar, o rebaixamento é bem improvável, agora, uma vitória contra o lanterna era obrigação em busca da salvação definitiva.

Tinha visto o elenco profissional do escrete sergipano apenas uma vez. Foi durante o octogonal final da Série C de 2008, a meu ver a melhor fórmula que já fizeram para decidir a terceirona, num confronto contra o Guarani de Campinas no Brinco de Ouro (triunfo de 5x1 a favor do Burge). As outras duas vezes foram na Copinha, curiosamente ambas contra o Sertãozinho: em 2013 na mesma Arena Barueri e ano passado na casa do Touro dos Canaviais.

Devidamente credenciado e apreciando a belíssima iluminação da Arena (ainda acho genial como o estádio ficou muito melhor após terem colocado os novos refletores), vi um duelo em que o Confiança foi amplamente superior ao Oeste. Os donos da casa tiveram uma apresentação pífia e só não foram impiedosamente goleados pois Caíque França, arqueiro paulista, teve uma atuação maravilhosa e digna de almanaque.





Rebaixado horas antes do jogo, o Oeste não foi nada bem contra o Confiança. Os sergipanos levaram bastante perigo. Na terceira foto, chute colocado e grande defesa de Caíque França. Depois, detalhe do gol de pênalti de Reis

Sem nenhum exagero, só no primeiro tempo o arqueiro fez seis (!) ótimas intervenções, evitando com classe o tento do Dragão. A melhor delas aconteceu aos 30 minutos, quando Nirley cabeceou cara a cara e ele defendeu com o pé na base do puro reflexo. Ele só não conseguiu salvar a pátria rubro-negra no pênalti batido por Reis no cantinho aos 40, gol que colocou os sergipanos em vantagem.

Na etapa final a peleja deu uma caída de produção. O que não mudou foi o enorme domínio visitante e a completa apatia dos atletas locais. Caíque França colocou mais três defesas importantes na lista. Aos 30 ele impediu o segundo gol do Confiança quando, de novo com o pé, salvou um chute à queima-roupa de Caique Sá. Por essas e por outras, a partida poderia estar rolando até agora que o placar não teria sido alterado.





O segundo tempo teve o Confiança ainda melhor, mas o placar não sofreu alteração. Nova derrota do rubro-negro na Série B

O Oeste 0-1 Confiança levou o escrete azulino aos 45 pontos, o "número mágico" da salvação contra a queda. Faltando três rodadas, duvido que sejam rebaixados. Já os paulistas, que vão terminar a Série B de 2020 na lanterna, pretendem encerrar a participação na segundona de forma digna. Na Arena terão apenas um compromisso, contra o Paraná Clube, e eu certamente marcarei presença.

Por conta do horário, tive que sair correndo do estádio. Tinha que andar correr até a estação de trem, esperar o mesmo, percorrer o trajeto até Osasco e depois até Pinheiros. Tudo antes da meia-noite, horário de fechamento da Linha Amarela do metrô. Os astros ajudaram e por questão de três minutos consegui fazer o caminho com sucesso. Em época de notícias ruins, as pequenas alegrias fazem toda a diferença.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Oeste 0x1 Confiança

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: Paulo Renato Coelho/RJ; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Yuri, Matheus Índio, Victor Lisboa, Caio Vinícius, Serginho, Madison; Gol: Reis (pênalti) 41 do 1º.
Oeste: Caíque França; Raí Ramos, Victor Lisboa (Ramon), Maurício e Rael (Matheus Índio); Yuri, Léo Ceará (Kalil), Caio Vinícius (Betinho) e Diogo (Bruno Lopes); Fábio e Pedrinho. Técnico: Roberto Cavalo.
Confiança: Rafael Santos; Thiago Ennes, Nirley, Luan e Silva; Madison, Serginho (Jeferson) e Guilherme Castilho; Iago, Bruno Paraíba (Caíque Sá) e Reis (Everton). Técnico: Daniel Cerqueira.
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