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terça-feira, 10 de março de 2020

JP no Centro-Oeste (parte 2 de 3): Ceilandense (quase) rebaixado no Candangão

Texto e fotos: Fernando Martinez


A pequena turnê de dois dias pelo Centro-Oeste teve continuidade no domingo, Dia Internacional da Mulher. Na agenda, uma rodada dupla simplesmente sensacional pelo Campeonato Brasiliense da primeira divisão. Iniciei os trabalhos com estilo fazendo minha estreia no Estádio Maria de Lourdes Abadia, o famoso Abadião. Pela 9ª rodada do certame estadual, a Ceilandense, o time 711 a entrar na minha Lista, recebeu o genial Sobradinho.

O JP fez boas coberturas no Distrito Federal, principalmente pela segunda divisão. Mas eu mesmo tinha visto apenas um jogo do Candangão na sua história, isso quando a atual FFDF ainda se chamava Federação Brasiliense de Futebol. Foi em 2012, um duelo entre Brasiliense e Sobradinho no Serejão. Por ser um dos times mais legais do Distrito Federal, fiquei muito feliz por ter a chance de ver o Leão da Serra em campo novamente. Vale registrar também que a Ceilandense já contava com uma cobertura do blog. Foi em 2007, em tempos que disputava a segundona, quando visitou o Brazlândia.

Fundado em 1975, o Sobradinho Esporte Clube teve sua melhor fase na história no biênio 1985/1986, quando conquistou o bi estadual. Na esteira da boa performance, garantiram o direito de participar do Brasileirão de 1986. No alto dos meus dez anos e já acompanhando futebol pelas páginas da Placar, o nome e o fato de terem jogado no Pacaembu contra o Corinthians (um surreal 0x0) me chamaram bastante a atenção. Passaram então a ser um dos preferidos da casa (embora lá eu sempre tenha gostado mesmo do Brasília).

O adversário do Sobradinho foi a Sociedade Esportiva Ceilandense, clube que imaginava que nunca veria ao vivo. Fundada em 1977, eles passaram a jogar profissionalmente em 1994 e nunca tiveram grande destaque na primeirona, tendo como melhor campanha o quarto lugar em 1998 e 2010. Hoje rubro-negros, nasceram vermelho, azul e branco e então mudaram suas cores há pouco mais de dez anos por conta de uma parceria com o Atlético/GO. A parceria não durou muito e apesar disso não retornaram às origens,.

Levantei cedo no domingo e tomei um café da manhã simplesmente espetacular, pensando em ficar garantido sem fome até a hora do almoço. Junto com o trio Raul, Caio e Ana, parti para a cidade satélite de Ceilândia. O destino era a simpática cancha e que é casa das duas equipes locais. O local já teve capacidade de 15 mil pessoas - inclusive esse é o recorde de público do campo numa vitória do Ceilândia EC em cima do Goiás por 2x1 em julho de 1983 - e hoje recebe apenas um terço disso.


Detalhe da entrada do vestiário do time local e da arbitragem no Abadião


Gloriosa numerada do Abadião, o único setor coberto do estádio. Bem pequeno, mas já ajuda

Quando chegamos no Abadião, nada fazia crer que haveria um jogo de futebol ali. Apenas três ou quatro carros estavam no estacionamento e a presença de público foi bem pequena: apenas 28 testemunhas. Vale destacar o valor alto do ingresso, nada menos do que 40 bagarotes... cá entre nós, um absurdo. Não tem caboclo que saia de casa num domingo de manhã para uma apresentação do penúltimo colocado e virtual rebaixado para a segundona.

A Ceilandense iniciou o Candangão com seis derrotas seguidas e nos dois últimos compromissos empatou sem gols com seu maior rival, o Ceilândia EC, e também com o Taguatinga. Contra o Sobradinho, o sétimo colocado com dez pontos, será que tinha como sonhar mais alto? Hmmmm, não. Antes de falar da partida, registro a facilidade em que fui credenciado e pude ficar no gramado fazendo as fotos de perto sem nenhum problema. Situação bem diferente do que a que aconteceu sábado em Anápolis.


Sociedade Esportiva Ceilandense - Ceilândia/DF


Sobradinho Esporte Clube - Sobradinho/DF


O árbitro Emanoel da Silva Ramos, os assistentes Kleber Alves Ribeiro e Eric Ramos Pinheiro, o quarto árbitro Pedro Carlos Telles e os capitães dos times

Sofri com o calor durante todo o primeiro tempo, período em que acompanhei o ataque visitante espremido numa sombra na entrada do vestiário da arbitragem. O Sobradinho não teve uma atuação primorosa, pelo contrário, só que foi mais objetivo do que o esforçado, porém limitado, escrete mandante. O Leão da Serra fez algumas investidas importantes e inaugurou o marcador aos 19 minutos. Danilo recebeu cruzamento da direita e chutou duas vezes, colocando no canto de Johnathan.

A Ceilandense acordou após o tento sofrido, conseguiu equilibrar as ações e, pasmem, criou três bons momentos consecutivos aos 25, 29 e 30 minutos. O primeiro com Anderson, o segundo em falta de André Júnior que contou com boa defesa de Uoston e depois com Welton finalizando da entrada da área. O grande problema é que quando um time está numa fase ruim, tudo dá errado. Na sequência desses lances, exatamente aos 31 minutos, o Sobradinho marcou o segundo. A bola foi levantada da direita, Danilo escorou no segundo pau para Erthal que, na linha da pequena área, chutou firme e ampliou a vantagem.


Bola levantada na área da Ceilandense. Detalhe: de longe não dá para ver direito os números do Sobradinho pois eles são vazados na camisa. Terror para qualquer narrador/comentarista


Bola na rede local no primeiro gol do Sobradinho no Abadião


O time visitante não fez assim um primeiro tempo brilhante, mas abriu uma boa vantagem sem forçar muito


Escanteio a favor dos donos da casa pela direita e bola viajando dentro da área do Sobradinho


Momento em que a bola chegada no segundo pau antes de ser escorada para o meio da área no segundo tento visitante


Gustavo (2) e Michael Douglas (6) - não confundir com o astro de Atração Fatal e Instinto Selvagem - disputando bola pelo alto

Eu fui um heroi por ficar fazendo malabarismo tentando me proteger do forte sol do cerrado até o intervalo chegar. Desisti da honorável missão e fui até a pequena parte coberta do Abadião. Na etapa final o Sobradinho jogou com o "esquema preguiça" debaixo do braço e mostrou uma indolência que deu nos nervos. A Ceilandense se aproveitou, foi superior e criou uma série de boas chegadas querendo diminuir o prejuízo. O grande problema foi o poderio ofensivo praticamente inexistente.

Nas oito rodadas disputadas eles tinham marcado apenas um gol. Isso mesmo, um mísero gol em 720 minutos, isso sem contar os acréscimos. O autor da façanha foi Anderson, aos 43 do primeiro tempo do confronto contra o Real em 19 de fevereiro, Na primeira metade da segunda etapa os locais chegaram com perigo cinco vezes dentro da área adversária e infelizmente para a torcida presente o histórico péssimo de confirmou e o gol não passou de um sonho distante.

Esse rol de oportunidades desperdiçadas desanimou a rapaziada no gramado e na arquibancada e o Sobradinho voltou a dominar as ações após o 25º minuto. Matheus Alves perdeu dois gols feitos e João Vítor desperdiçou outro. Foi apenas no apagar das luzes que o placar foi alterado. Decorridos 44 minutos, Gabriel Vítor descolou um contra-ataque maroto, avançou por todo setor defensivo pela direita, entrou na área e bateu na saída de Johnathan.


Times alinhados para o reinício da peleja no tempo final


Atleta visitante ganhando lance pelo alto


No começo do segundo tempo a Ceilandense foi capaz de criar bons momentos, assustando a zaga adversária


João Vítor (21) em boa investida pela direita 


Aquela disputa de bola plástica no gramado do Abadião


De longe, a bola estufando a rede do escrete local no terceiro gol do Sobradinho em Ceilândia

O resultado final de Ceilandense 0-3 Sobradinho colocou os visitantes na sexta posição com 13 pontos ganhos, seis atrás do quarto colocado Formosa. A classificação para a semi é difícil, muito na base do milagre. Já o onze de Ceilândia precisa de outro milagre divino pensando na permanência na primeira divisão. Não é errado dizer que se não caíram na matemática, na prática já estão na segundona em 2021. Duvido que consigam se livrar.

Deixamos o Abadião sem pressa e fomos almoçar antes da jornada vespertina. A previsão era de 23 graus, mas os termômetros marcavam 34, um absurdo de calor. Tudo bem, afinal eu estava lá para ver dois times novos no meu retorno ao Bezerrão menos de quatro meses depois de cobrir a histórica e inesquecível final da Copa do Mundo sub-17.

Até lá!

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Ficha Técnica: Ceilandense 0-3 Sobradinho

Local: Estádio Maria de Lourdes Abadia (Ceilândia/DF); Árbitro: Emanoel da Silva Ramos; Público: 28 pagantes; Renda: R$ 560,00; Cartões amarelos: Índio, Luiz Felipe, Matheus, Felipe; Gols: Danilo 19 e Luiz Felipe 31 do 1º, Gabriel Vitor 44 do 2º.
Ceilandense: Johnathan; Fernando Elias, Índio, Marcos e Michael Douglas (Luca); Bruno Figueiredo (Elizio), Lucas Morais, Tonton e Henrique; Anderson (Patrick) e André. Técnico: Edson Nogueira.
Sobradinho: Uoston; Gustavo (Gelder), Luiz Felipe, Felipe e Matheus; Carlão (Gabriel Vitor), Caio, Douglas e Matheus; Danilo e Jefferson (João Vítor). Técnico: Luís dos Reis.
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segunda-feira, 9 de março de 2020

JP no Centro-Oeste (parte 1 de 3): Uma tarde chuvosa em Anápolis

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de seguir a rota da Copinha em janeiro e de farrear no Carnaval Futebolístico do JP em fevereiro, o mês de março começou em grande estilo por aqui com uma mini-turnê pelo Centro-Oeste. No sábado, o primeiro jogo do Campeonato Goiano da Primeira Divisão com cobertura do blog na história. Direto do belíssimo Estádio Jonas Duarte, o Grêmio Anápolis, o 711º time a fazer parte da minha Lista, recebeu a Aparecidense pela 9ª rodada do estadual.

O ponto de partida da viagem foi a capital federal, no meu retorno ao Distrito Federal menos de quatro meses após a última visita, o inesquecível bate-volta inesquecível para cobrir de perto a final da Copa do Mundo sub-17 entre Brasil e México. Antes da viagem até o interior goiano, uma visita no Congresso Nacional junto com a dupla Ana e Raul, o melhor anfitrião do Distrito Federal. Sim programa de turista, já que tínhamos tempo de sobra e sempre quis conhecer o local.


Detalhe do Congresso Nacional na bela manhã de sábado. Um rápido aperitivo antes da rodada da viagem inter-estadual

Terminada a visita fomos bater aquela xepa de respeito no restaurante que fica nos fundos do Campo do Defelê, reinaugurado com pompas há cerca de 15 dias. Saímos satisfeitos com o nababesco almoço, encontramos o mago das Copas Caio Buchala e pegamos a estrada com destino a "Manchester Goiana". A cidade de cerca de 390 mil habitantes fica a 148 quilômetros de Brasília. No caminho, muita chuva e uma trilha sonora absolutamente aleatória que contou com Frank Sinatra, Balão Mágico, Milton Nascimento e Tears for Fears, entre outros.

Durante as viagens do Mundial sub-17 cheguei a passar em frente ao campo quando fui de ônibus de Goiânia à Brasília. Achei o máximo a coincidência e mal imaginava que veria um jogo ali tão cedo. Chegamos na principal cancha do futebol anapolino na boa e, por não ter envolvido um dos dois principais times da cidade - a Anapolina e o Anápolis - conseguimos estacionar na porta, sem aperto e sem muvuca.


Detalhe da fachada do belo Estádio Jonas Duarte, em Anápolis


Placa na entrada do estádio com detalhes sobre a inauguração do mesmo. Nota 0 para o gênio que pintou a placa durante a última reforma e a deixou nesse estádio

O Estádio Jonas Ferreira Alves Duarte foi inaugurado em abril de 1965 com o duelo entre uma seleção da casa e o São Paulo (vitória paulista por 4x1). Ele passou a ser um dos melhores do estado, fato que com certeza ajudou o Anápolis a conquistar seu único título de primeira divisão na história. Por lá também desfilaram o Grêmio Anapolino, agremiação criada da fusão dos três times da cidade na época e que disputou o certame apenas em 1970 e 1971 e o Ipiranga, futebolisticamente ativo até 1978.

Como fiz o credenciamento no site da FGF não tive problemas para entrar. O que pegou mesmo foi quando cheguei no gramado e fui buscar informações com o representante da Federação. Com uma falta de educação ímpar, o nada simpático cidadão me impediu de fazer a cobertura pois eu estava de bermuda (!). Nem imaginava que em Goiás esse absurdo ainda existia, apesar da estúpida proibição ser coisa do passado em vários estados. Nem as fotos posadas ele me autorizou a tirar. Tudo bem, acontece nas melhores famílias.


Times perfilados antes do apito inicial



Não fui autorizado a ficar no gramado, mas consegui as fotos posadas do Grêmio Anápolis e do trio de arbitragem com os capitães de carona na antiga geral do Jonas Duarte

Dessa forma não consegui captar as imagens das equipes de perto e só fiz a foto do Grêmio Anápolis da arquibancada. Fundado na cidade de Inhumas em 1999, chegaram a disputar a Série C do Brasileiro em 2005 com a antiga denominação, Grêmio Inhumense. No ano seguinte se mudaram para Anápolis e até hoje não emplacaram uma campanha de grande destaque. Na atual temporada ocupam a sexta colocação com 10 pontos ganhos depois de oito rodadas realizadas.

Quem também tem dez pontos é a Associação Atlética Aparecidense, clube que vem fazendo bonito no cenário estadual nos últimos anos. Desde 2012 já disputou sete vezes a Série D do Brasileiro, algumas edições da Copa do Brasil (chegou a eliminar o poderoso Botafogo do Rio há dois anos) e chegou a ser vice-campeã goiana em 2015 e 2018. Eu já tinha visto a equipe ao vivo contra a Caldense no sul mineiro em 2015 pela última divisão nacional.

Doze times disputam o Campeonato Goiano e os oito primeiros se garantem na segunda fase. Faltando três rodadas, um triunfo poderia afastar em definitivo a ameaça de rebaixamento e também consolidar a presença nas quartas. O Grêmio vinha de três confrontos sem sofrer derrotas em casa, porém, como de praxe, a presença de público foi mínima: somente 30 pagantes. Algo normal se pensarmos que Anapolina e Anápolis já estão consolidados há décadas e ter uma torcida própria é bem difícil.

Quando a peleja começou, fiquei feliz pelo representante não ter autorizado minha presença no gramado pois vi que um temporal fortíssimo já estava bem próximo do Jonas Duarte. Estar na parte coberta foi de longe a melhor opção. Lá do alto vi uma partida que não foi tão boa na etapa inicial e que teve o onze visitante atuando um pouco melhor. Um pouco, nada absurdo.

O que mais chamou a atenção foi a transmissão de uma das rádios locais. Tinha como escutar a voz do locutor e do comentarista pois o gogó dos dois era poderoso, só que além disso eles deixam um aparelho de rádio sintonizado na emissora virado para a numerada. Com isso ganhamos uma narração de lambuja enquanto víamos os times desfilando no gramado. No alto dos meus mais de 3 mil jogos in loco, nunca tinha visto algo do tipo.

Já debaixo do absurdo dilúvio, a Aparecidense teve sua melhor atuação premiada com o gol aos 35 minutos, tento que saiu após enorme vacilo de um atleta do Grêmio. O defensor tentou sair jogando e deu a bola de presente para Aleílson. O camisa 11 avançou livre, entrou na área e chutou no canto direito. A pequena torcida visitante presente comemorou como se estivessem numa final de Copa do Mundo. Foi com 0x1 que o intervalo chegou e os jogadores desceram aos vestiários.


Zaga da Aparecidense trocando passes no campo de defesa


Confusão perto da área do Grêmio Anápolis


Zaga local cortando escanteio cobrado na área



Já debaixo de chuva, dois ataques do escrete anapolino, por cima e por baixo


A cabine de rádio que transmitia o jogo e o aparelho ligado com volume máximo virado para a torcida

No tempo final a chuva diminuiu e o Grêmio Anápolis retornou com mais disposição. Como os visitantes também não foram mal, a partida ganhou muito em técnica e emoção. Eu já estava tranquilo por ter a certeza que não veria um modorrento "ocho", mas era óbvio que queria mais gols. Apesar do ânimo renovado, as conclusões dos atacantes de ambas as equipes não foram das mais objetivas.

Enquanto o papo na numerada fazia a diferença novamente, o escrete da casa passou a buscar seu gol com mais afinco na parte final e a Aparecidense foi recuando de forma perigosa. Nada indicava que o empate aconteceria, porém, aos 43 minutos, ele saiu. A pelota foi lançada na área e o camisa 3 Vágner tentou o chute. Por sorte o taco espirrou e ela saiu torta pela direita. Douglas Skilo recebeu o "passe" e chutou firme, estufando a rede visitante.


Igor Cursino, 8 do Grêmio, cobrando falta perigosa contra a meta da Aparecidense


Os donos da casa atacaram mais do que o onze visitante no tempo final


Boa cobrança de falta a favor dos visitantes



Muita disputa de bola durante os minutos finais da partida

O resultado final de Grêmio Anápolis 1-1 Aparecidense foi o mais justo pelo que ambos apresentaram durante os 90 minutos. O problema é que foi um placar ruim no geral, já que os dois caíram duas posições cada. O líder após nove rodadas realizadas é o Atlético, seguido de perto pelo Jaraguá. Resta saber se o torneio vai acabar... bom, essa é outra história.

Saímos do estádio e eu já contabilizava 30 horas acordado direto. Estava naquele estado de torpor em que nem sabemos o que estamos fazendo direito. Mesmo assim voltei à Brasília na base de um cochilo rápido e ainda fui com a rapaziada comer uma maravilhosa pizza na Asa Norte. Só depois de matar a fome com estilo retornei ao hotel pensando finalmente numa boa noite de descanso. Tudo pensando na fenomenal rodada dupla do domingo.

Até lá!

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Ficha Técnica: Grêmio Anápolis 1-1 Aparecidense

Local: Estádio Jonas Duarte (Anápolis/GO); Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha; Público: 30 pagantes (65 presentes); Renda: R$ 450,00; Cartões amarelos: Roger Goiano, Gustavo Henrique, Garutti, Washington, Alex Henrique; Cartão vermelho: Washington 4 do 2º; Gols: Aleílson 35 do 1º, Douglas Skilo 43 do 2º.
Grêmio Anápolis: Leandro Nascimento; Vágner, Eduardo Brito, Cassiano (David Santos) e Victor Hélio; Roger Goiano, Adeílson (Everton Amaro), Igor Cursino e Gustavo Henrique; Michel Renner e Lucas Lopes (Douglas Skilo). Técnico: Édson Silva.
Aparecidense: Édson; Rafael Cruz, Ícaro, Garutti e Helder; Tiago Ulisses, Albano (Diego Rosa), Washington e Robert; Alex Henrique e Aleílson. Técnico: Romerito.
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segunda-feira, 2 de março de 2020

Reabilitação nacionalista em cima do GEO na capital

Texto e fotos: Fernando Martinez


Terminado o Carnaval Futebolístico do JP no dia 23, passei uma semana de boa antes de voltar aos gramados. O retorno foi o meu 56º e último jogo do Nacional no Estádio Nicolau Alayon da sequência que se estendeu de setembro de 2016 até os dias atuais. O adversário foi o Grêmio Osasco, em confronto válido pela oitava rodada da fase inicial do Campeonato Paulista da Série A3.

Essa foi a derradeira peleja da sequência pois semana que vem, data em que o Naça enfrenta o Marília na sua casa, estarei fora da capital bandeirante, possivelmente cobrindo três partidas no Centro-Oeste. Independente da série chegar ao fim, tenho certeza que poucos nos mais de 100 anos do Nacional já alcançaram marca igual ou maior. Resta ver se terei pique para emplacar outra sequência assim.

Depois de ser derrotado pelo líder Noroeste no Alfredo de Castilho, o clube ferroviário passou a ocupar a absurda 14ª posição, somente uma acima da zona de rebaixamento. Vencer o clube osasquense era obrigação pensando, pelo menos temporariamente, em afastar o perigo de queda, algo que seria fatal pensando no futuro da agremiação. Com apenas um ponto conquistado fora de casa, o GEO se dava por satisfeito com um empate.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Grêmio Esportivo Osasco - Osasco/SP


Os capitães de Nacional e GEO junto com o árbitro Matheus Delgado Candançan, os assistentes Gilberto Aparecido Romachelli e Marcos Santos Vieira e o quarto árbitro Gabriel Castro Dourado

Fui sozinho à Comendador Souza e vi um jogo onde o time da casa iniciou os trabalhos como há muito não fazia. Antes do primeiro minuto, mais precisamente aos 54 segundos, o marcador foi inaugurado com Gustavo Índio. O camisa 9 recebeu lançamento de Reinaldo entre os zagueiros, tirou do goleiro e tocou no canto. Juro que não me lembro da última vez que a equipe marcou um gol tão cedo jogando o estadual.

O GEO tentou se recompor logo na sequência, porém o Nacional continuou melhor e aos 10 quase fez o segundo com Guilherme Lobo tocando de calcanhar na pequena área. Aos 23 o Grêmio não conseguiu evitar o segundo tento local, de novo com Gustavo Índio. Guilherme Lobo bateu falta da direita, levantou no segundo pau e a pelota sobrou livre para o camisa 9 em cima da linha completar com a maior facilidade. Um gol que até eu na atual forma física faria.

O Nacional criou três ótimas chances de ampliar a vantagem ainda no primeiro tempo. As três finalizações, respectivamente aos 29, 34 e 41 minutos, passaram perto da trave osasquense. O GEO pouco fez e foi dominado pelos locais. Na única vez que chegaram dentro da área, isso aos 32 minutos, a tentativa de chute foi travada por um dos zagueiros na hora H. Sem exagero algum, os ferroviários poderiam ter fechado a fatura antes mesmo do intervalo chegar.


O Nacional fez um primeiro tempo como há muito não se via, criando várias chances de gol


Ataque nacionalista pela esquerda


Zagueiro do GEO mandando a bola na numerada numa tentativa de lançamento


Pelota viajando dentro da área osasquense


Aquela boa e velha disputa de bola pelo alto

A previsão do tempo tinha dito que faria frio sábado, só que o sol forte que pintou me obrigou a subir até a parte coberta na etapa final. De boa na sombra vi o Grêmio Osasco voltar ao gramado disposto a ter melhor sorte e, se aproveitando de uma pane defensiva paulistana, diminuiu aos dois minutos quando Kaique completou cruzamento da esquerda e a bola passou debaixo do goleiro Luis Henrique.

O fato de ter marcado cedo deixou o GEO mais tranquilo e, sem criar novos momentos de perigo, fez com que o Nacional voltasse a apresentar o bom futebol dos primeiros 45 minutos rapidinho. Os locais assustaram o arqueiro visitante principalmente em chute de Vinicius na trave aos 15. Depois disso, o escrete paulistano levou a partida em banho-maria e só nos acréscimos os osasquenses voltaram a assustar... nada que deixasse o goleiro Luis Henrique preocupado.


No tempo final, o GEO voltou mais animado tentando diminuir o prejuízo


Boa jogada aérea a favor do onze paulistano


Aos poucos o escrete ferroviário voltou a dominar a peleja após o começo bom do GEO na segunda etapa


Jogador do Nacional derrubado dentro da área, mas não foi pênalti


Na marra, os ferroviários conquistaram importante vitória que os afastou da zona de rebaixamento

O placar final de Nacional 2-1 Grêmio Osasco fez o eterno SPR subir para a 10ª posição agora com 10 pontos ganhos. Não tem como ficar super tranquilo em relação ao rebaixamento, mas pelo menos deixa a rapaziada respirar um pouco. Quem está ameaçado agora é o GEO, que herdou a 14ª posição com o mesmos nove pontos de antes da rodada. Agora faltam sete compromissos para cada um até o final da primeira fase. Muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte.

Nessa semana ficarei de boa pensando já na mini-turnê pelo Centro-Oeste que irá rolar sábado e domingo. Se tudo der certo, serão dois estádios inéditos e quatro times novos na Lista. Com mais de 700 times na Lista, conseguir ver quatro clubes num único final de semana é motivo de muita comemoração.

Até lá!

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Ficha Técnica: Nacional 2-1 Grêmio Osasco

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Matheus Delgado Candançan; Público: 210 pagantes; Renda: R$ 1.895,00; Cartões amarelos: Luís Henrique, Veloso, James Dean, Guilherme Lobo, Guilherme Noé, João Goes, Rodrigo; Cartão vermelho: Rodrigo 24 do 2º; Gols: Gustavo Índio 1 e 22 do 1º, Kaíque 2 do 2º.
Nacional: Luís Henrique; Alanderson, Gabriel, Guilherme Noé e Veloso; Reinaldo, Ricardinho (Bahia), Matheus Teta (PH) e Guilherme Lobo; Gustavo Índio e James Dean (Vinicius). Técnico: Tuca Guimarães.
Grêmio Osasco: Charles; Rodrigo, Caio Talarico, Thiago e Vinícius Paiva; João Goes, Gustavo Barbosa (Abeny), Léo Vítor (Kaíque) e Bruno Felipe; João Pedro (Luiz Henrique) e Bruno Henrique. Técnico: Bruno Lourenço.
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Carnaval Futebolístico do JP (5/5): Virada do Nhô Quim contra o Red Bull no Barão

Texto e fotos: Fernando Martinez


O Carnaval Futebolístico do JP foi encerrado com chave de ouro. Fechando a série genial de coberturas, a última parada foi em Piracicaba, terra do belo Estádio Barão da Serra Negra. Na pauta, o confronto entre XV de Novembro e Red Bull pela 8ª rodada da fase inicial do Campeonato Paulista da Série A2. Foi o meu retorno ao local depois de três anos de ausência. Também foi a primeira vez que vi um compromisso válido pelo estadual na cancha do Nhô Quim.


Escudo do glorioso XV de Piracicaba na porta do Barão

Terminado do Noroeste x Bauru do sábado fomos direto até nosso destino final pois decidimos dormir perto do último capítulo da viagem. Acabamos passando um perrengue inesperado pois o hotel que reservamos fez overbooking - eles reservaram quartos para Deus e o mundo sem terem capacidade de hospedarem todo mundo - e fomos obrigados a procurar outro de última hora. Achamos um perto do centro cujas fotos na internet eram bonitas e formosas. É, mas quando entrei no meu aposento as paredes estavam cheias de infiltrações e o corpo de uma barata jazia perto da cama. Ossos do ofício.

Apesar disso dormi bem e acordei por volta do meio-dia pronto para passear pela região. Fomos até Laranjal Paulista, Rio das Pedras, Cerquilho e Tietê. Demos sorte em três das quatro cidades e encontramos os portões abertos. O material ficou tão bom que pretendo publicar tudo por aqui dentro da série Estádios pelo Brasil. Foram momentos legais em locais nunca antes visitados pelo que vos escreve. O bom é que deu tempo de fazer tudo antes de seguir até o Barão.


O antigo portal que servia como entrada para o Estádio Riberto Gomes Pedrosa, casa histórica do XV que foi demolida e virou um mercado. Pelo menos deixaram isso para lembrar do local


Esporte Clube XV de Novembro - Piracicaba/SP


Red Bull Futebol E Entretenimento Ltda - Campinas/SP


O árbitro Márcio Roberto Soares, os assistentes Paulo Cesar Modesto e Fernando Afonso de Melo, o quarto árbitro Rodrigo Gomes Domingues e os capitães dos times

Mesmo num domingão de Carnaval o público compareceu em bom número: 2.151 pagantes. Cortesia da boa campanha no XV, quinto lugar da A2 com 11 pontos e vindo de três vitórias seguidas, duas fora de casa. O adversário, o ex-poderoso Red Bull Brasil, estava em antepenúltimo, um ponto acima da zona de rebaixamento e não parecia que daria trabalho ao escrete piracicabano.

O que poucos esperavam era que o onze campineiro daria muito trabalho aos locais durante boa parte da peleja. Tudo bem, a primeira chance foi do XV, aos 13 minutos num chute de Filipe Cirne que Jordan mandou pela linha de fundo, porém quem inaugurou o placar foi o Red Bull com Cristiano finalizando da entrada da área aos 26 minutos.

O alvinegro não sentiu o golpe e foi em busca do empate ainda na etapa inicial. Aos 32, Diego Jussani completou escanteio da direita da direita e a cabeçada passou perto da trave. Já os 38 não teve como o Red Bull segurar a onda e o XV deixou tudo igual. Daniel Costa avançou e cruzou com precisão na cabeça de Caio Mancha. O camisa 9 testou firme e deixou a partida em 1x1. Antes do intervalo quase sai o segundo do Toro Loko novamente com Pablo Thomaz.


Jogada quinzista pela direita no começo da peleja


Zagueiro do Red Bull dominando a pelota no campo de defesa


Bola levantada na área visitante após escanteio


Kadu Barone, camisa 7, em investida dentro da área do Red Bull


Outro ataque do Nho Quim no tempo inicial, agora pela esquerda

Troquei de lado junto com o ataque piracicabano e vi o XV ser melhor até os 20 minutos. Quase na saída de bola, Filipe Cirne acertou o travessão e no rebote Jordan fez ótima defesa em tiro de Caio Mancha. Aos quatro, Kadu Barone tomou o segundo amarelo e foi expulso, deixando os locais com um a menos. Jogando acuado, o Red Bull teve um lance bom aos 14 em finalização que passou rente à trave em chute de Pablo Thomaz.

A maior pressão local deu resultado aos 18 minutos e a virada aconteceu. Após série de escanteios, Gilberto Alemão subiu entre os zagueiros e cabeceou firme, colocando sua equipe em vantagem. Os campineiros acordaram e a partir dali ocuparam todo o setor defensivo adversário. Pablo Thomaz, sempre ele, foi o responsável pelas melhores chances.

A torcida sofreu com a pressão visitante. O 2x1 dava pouca tranquilidade e por várias vezes o triunfo mandante ficou ameaçado com as sucessivas investidas do Red Bull. Só que, por sorte, os avantes não conseguiram mostrar qualidade no último toque. Nessa toada, o XV esperava acertar um único contra-ataque para poder respirar aliviado. Ele aconteceu aos 48 minutos.

O arqueiro Mota deu um chutão sem destino e a bola encontrou Erison, camisa 18. Ele se desvencilhou dos marcadores, entrou na área e encheu o pé, marcando o terceiro tento do Nhô Quim e fazendo os mais de 2 mil torcedores explodirem num mistura de alívio e muita festa. Era o gol que faltava para o domingo de Carnaval na cidade ficar ainda mais perfeito.


Disputa de bola dentro da área campineira no tempo final


O XV passou metade do segundo tempo buscando a virada... e conseguiu


Cobrança de falta a favor do Red Bull na busca pelo empate



Erison chutando cruzado e depois comemorando seu gol, o terceiro do XV contra o Red Bull

O resultado de XV de Piracicaba 3-1 Red Bull fez o alvinegro subir uma posição na tábua de classificação. Agora estão em o quarto com 14 pontos ganhos. Os líderes são o Monte Azul - que venceu o Atibaia por 6x0 na sexta-feira com cobertura do JP - e a Portuguesa Santista, ambos com 14 pontos. O Toro Loko permanece fora da zona de rebaixamento, mas é claro que a situação é crítica. Normal para um time que foi "abandonado" pela própria diretoria.


A bonita visão da parte coberta do Barão de Serra Negra


O genial hall de entrada com imagens históricas do Nhô Quim

Com esse post encerro a série Carnaval Futebolístico do JP. Foram cerca de 1.200 quilômetros com cinco jogos em cinco estádios diferentes, dois deles inéditos e dois que não visitava há muito tempo. Também passei por várias cidades que nunca tinha pisado antes numa turnê absolutamente sensacional pelo interior. Foi um enorme prazer trazer tudo às páginas do JP como nos velhos tempos e a ideia é que role outra bem logo, mais precisamente quando começar a Segundona. Vamos ver se dá certo.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: XV Piracicaba 3-1 Red Bull

Local: Estádio Barão de Serra Negra (Piracicaba); Árbitro: Márcio Roberto Soares; Público: 2.152 pagantes; Renda: R$ 44.555,00; Cartões amarelos: Kadu Barone, Gilberto Alemão, Paulão, Jefferson Feijão, Marcelinho, Walfrido, Filipe Cirne, Mota, Rayne, Patrick; Cartão vermelho: Kadu Barone 4 do 2º; Gols: Cristiano 26 e Caio Mancha 38 do 1º, Alemão 18 e Erison 48 do 2º.
XV Piracicaba: Mota; Jefferson Feijão, Diego Jussani, Alemão e Robertinho; Paulão, Kadu Barone, Walfrido e Daniel Costa (Marcelinho); Caio Mancha (Erison) e Filipe Cirne (Muriel). Técnico: Tarcício Pugliese.
Red Bull: Jordan; Nhayson (Bruno), Jhonatan, Rayne (Luiz) e Guilherme; Marcos, Cristiano, Cristiano e Patrick; Pablo e Teles (Chrigor). Técnico: Vinícius Munhoz.
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