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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

JP na Copa do Mundo sub-17 (parte 1): Virada nigeriana em Goiânia

Texto e fotos: Fernando Martinez


O final de outubro chegou e com ele começou a 18ª edição da Copa do Mundo sub-17. O Peru seria sede da competição, mas em fevereiro ela caiu no colo do Brasil e, claro, eu não poderia ficar de fora. Conforme expliquei aqui no post que abriu a histórica cobertura do blog, fui credenciado para cobrir o certame, um verdadeiro presente pensando nos meus três mil jogos vistos in loco e também pelos 15 anos de Jogos Perdidos, completados hoje, 1º de novembro.

Desbravei o céu aberto na manhã de 26 de outubro com destino à Goiânia levando na bagagem a missão de iniciar os trabalhos em grande estilo. Na programação do sábado, as quatro primeiras seleções do total de 24 que veria de perto nos seis dias seguintes. Sem exagero algum tenho certeza que poucos, isso se teve alguém (além dos amigos da caravana, lógico), que foram em todas as sedes, todos os estádios e acompanharam pelo menos uma apresentação de todas as participantes. Um orgulho enorme em saber que fiz parte de um seletíssimo e restrito grupo.


Detalhe do aeroporto de Goiânia na manhã do sábado, o dia que começou a Copa do Mundo sub-17 do Brasil
    
O voo entre a capital bandeirante e a capital goiana foi feito sem percalços. No aeroporto tomei aquele café da manhã maroto aguardando a chegada do alvinegro Bruno, este vindo no voo seguinte. Dali, com a providencial carona de Caio Buchala, o mago das Copas, o trio se juntou, começando a Magical Mystery Tour mais sensacional dos últimos tempos. Na primeira parte da viagem ficamos num hotel a dois quarteirões do Estádio Olímpico Pedro Ludovico, palco da primeira parada.

Antes de começar o mundial em si, fomos dar uma voltinha pela cidade. Passamos na frente do OBA, campo do Vila Nova, e também do Serra Dourada. Além disso, fomos numa grande loja de camisas no centro e lá eu adquiri a gloriosa vestimenta do Monte Cristo Esporte Clube, uma das equipes mais geniais do estado. Debaixo de um sol absurdo, não demoramos muito pois estava na hora da brincadeira começar.



Detalhe da fachada principal do Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, um dos palcos da Copa do Mundo sub-17 e também de um dos outros portões

O Estádio Olímpico recebia um pequeno público quando chegamos. Enquanto os amigos foram buscar seus lugares na arquibancada, eu fui pegar meu colete verde que me acompanhou por todo o certame, além da preciosa credencial. O acesso ao gramado era próximo e quando cheguei no relvado fiquei apenas assimilando todo o significado daquilo. A sensação de estar ali foi indescritível.

Abrindo a cobertura gloriosa do JP na Copa do Mundo sub-17, o duelo da maior campeã da categoria contra uma das seleções que sempre quis ver desde que me conheço por gente: Nigéria x Hungria. Foi o primeiro time a entrar na famosa Lista do total de oito inéditos (contando que tinha acabado de ver o Tadjiquistão jogando em Osasco dias antes). Tirando a Copinha todos os anos e o que vivi na Copa do Mundo de 2014, não é toda hora que a gente consegue ver tanto time novo num curto espaço de tempo.

Particularmente eu acho as Super Águias uma das seleções mais sem graça de todo o planeta. Muito pela bronca que tenho por terem me tirado o direito de ver Burkina Faso in loco na Copa das Confederações de 2013... não os perdoarei nunca por isso. Vi a apresentação deles contra o Taiti naquele torneio e outras três vezes após: uma na Copa sub-17 do Chile em 2015 e duas na Olimpíada de 2016.

O selecionado africano foi um dos oito participantes da Copa das Nações sub-17 da CAF. Na primeira fase, ficaram à frente de Uganda e Tanzânia - a capacidade deles eliminarem seleções legais é absurda - e conquistaram o direito de jogar a Copa do Mundo pela 12ª vez. Nem o quarto lugar tirou a favoritismo para buscarem o sexto caneco aqui no Brasil.

Já a seleção magiar - sempre quis falar isso numa matéria - voltou a jogar a competição após 34 anos. A única participação anterior tinha acontecido no longínquo 1985, na China, como convidados. A primeira classificação dentro de campo foi em grande estilo, com a boa campanha na Euro sub-17 realizada na Irlanda. Os húngaros foram líderes do Grupo C à frente de Portugal, Islândia e Rússia. Nas quartas foram derrotados pela Espanha, porém se garantiram na repescagem que definiu a quinta vaga. Na peleja decisiva contra a Bélgica, 1x1 e vitória nos pênaltis.

Pouco menos de mil pessoas marcaram presença nesse encontro. Vale lembrar que foi a primeira incursão do JP em Goiás e minha primeira visita ao estado. Além disso, o belíssimo Estádio Olímpico Pedro Ludovico foi o 200º em que vi um cotejo na minha vida. Chegar a essa marca dentro de todo o contexto foi genial. Aliás, a beleza do complexo foi um dos grandes destaques da jornada.

A cancha original foi inaugurada em 1941 e se tornou no principal palco do futebol local até a construção do Serra Dourada em 1975. Ainda assim foi bastante usado pelos times da capital até 2005. No ano seguinte, o velho palco foi demolido e então começou uma reconstrução cheia de problemas, atrasos e dor de cabeça para a população. Somente em 2016 ele foi reinaugurado, completamente remodelado. Hoje a capacidade é de 13.500 torcedores.

Antes do apito inicial eu confirmava na pele que o calor de Goiânia realmente não é fichinha. O que me salvou, tanto sábado quanto domingo, foi uma ventania que não parou por um momento sequer. Conforme o horário do pontapé inicial ia se aproximando, a minha ansiedade apertava. Quando a música tema da FIFA começou, as crianças entraram com as bandeiras dos países e os selecionados surgiram, foi difícil segurar a emoção.

Após a execução dos respectivos hinos nacionais, consegui fazer a foto posada das duas seleções, algo impensável até poucas semanas antes do certame. Nem preciso dizer como foi genial ver a Hungria posando para uma foto quase exclusiva... quase, pois na hora que fiz a imagem, um dos fotógrafos da FIFA aproveitou a carona e captou a pose da molecada de carona comigo. Depois de tudo, fui até o meu lugar meio anestesiado, meio em êxtase.



As seleções da Hungria e da Nigéria posando para as fotos oficiais. Depois de tantos anos fazendo imagem de campeonatos locais, foi espetacular fazer isso num torneio da FIFA

Em torneios grandes como esse os fotógrafos não podem trocar de lugar a não ser nos intervalos. Por motivos óbvios, somos obrigados a seguir várias regras, tudo pensando em não atrapalhar o espetáculo para que não vire bagunça. No tempo inicial acompanhei o ataque húngaro e, por sorte, o meu primeiro gol saiu bem ali. David Laszlo cruzou da esquerda e Komaromi completou, abrindo o marcador. Sem dúvida o 1x0 a favor da Hungria surpreendeu boa parte dos presentes,

A Nigéria não se abalou e emplacou uma porção de bons momentos ofensivos em série. A Hungria se defendeu bem até os 18 minutos, quando Donat Orosz derrubou Ubani dentro da área e foi marcado pênalti. O capitão Samson Tijani bateu bem e empatou. Quando achávamos que os Super Águias iriam engrenar, a Hungria fez o segundo. Orosz e Nemeth trocaram passes com estilo e a bola sobrou para Samuel Major chutar de primeira da entrada da área e colocar no canto esquerdo de Jinadu.



Gyorgy Komaromi comemorando seu gol, o primeiro da Hungria contra a Nigéria e o primeiro da Copa do Mundo sub-17 2019


Samson Tijani deixando tudo igual de pênalti aos 20 minutos


Andras Nemeth (9) atacando pela esquerda com Ferdinard Ikenna (5) na marcação


Donat Orosz (3) de olho na troca de passes da zaga nigeriana

A primeira etapa terminou com o 2x1 a favor dos europeus. Até pensei em mudar de lado para poder fazer fotos num ângulo diferente, só que permaneci no mesmo lugar pois imaginei que o escrete africano voltaria com tudo pensando na virada. Acertei em cheio. A Nigéria não deu a menor chance aos magiares. O problema foi que os vice-campeões mundiais de 1934 e 1954 absorveram a pressão durante a maior parte do tempo e conforme o relógio andava a vitória estava cada vez mais próxima.

Até os 33, os rapazes do leste europeu estavam bem. O grande problema foi que o sonho da boa estreia desmoronou num espaço de apenas seis minutos. Entre os 34 e os 40 os nigerianos marcaram três vezes e liquidaram a fatura de forma implacável. O empate saiu dos pés de Ibrahim escorando escanteio da esquerda, aproveitando falha do goleiro Hegyi. Aos 36 Adeniyi virou o marcador com gol de cabeça em nova falha do setor defensivo. Fechando a goleada, Tijani cobrou falta, a bola resvalou na barreira enganou o camisa 1.


Aqui Gergo Ominger (16) tentando fazer o desarme


Ferdinard Ikenna (5) e Gergo Ominger (16) quando a Nigéria era melhor em campo


Ibrahim Said (20) se esticando todo para dominar a pelota. Na marcação o camisa 11 húngaro Gyorgy Komaromi


Mark Kosznovszky (10), Ibrahim Said (20), Mihaly Kata (6) e David Laszlo (21) no gramado no Estádio Olímpico de Goiânia


O goleiro da Hungria Krisztian Hegyi saindo mal do gol e Usman Ibrahim (6) virando a partida para a Nigéria


Placar final da estreia do JP na Copa do Mundo sub-17

O placar final de Nigéria 4-2 Hungria premiou a insistência africana e mostrou que eles chegaram na Copa do Mundo sub-17 firmes e fortes na busca pelo hexa. Aos húngaros ficou aquela sensação que poderiam ter tido melhor sorte nos detalhes. Da minha parte, os seis gols mostraram que o início da cobertura do JP não poderia ter sido melhor.

A noite já tinha pintado quando chegou a hora do confronto que fechou a rodada. Teve estreia de seleção sul-americana na pauta.

Até lá!

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Ficha Técnica: Nigéria 4x2 Hungria

Local: Estádio Olímpico Pedro Ludovico (Goiânia/GO); Árbitro: Diego Haro (Per); Público: 944 pagantes; Cartões amarelos: Mark Kosznovszky, Gyorgy Komaromi, Milan Horvath; Gols: Gyorgy Komaromi 3, Samson Tijani (pen) 20 e Samuel Major 28 do 1º, Usman Ibrahim 34, Oluwatimilehin Adeniyi 36 e Samson Tijani 40 do 2º.
Nigéria: Daniel Jinadu; Charles Etim, Ferdinard Ikenna e Usman Ibrahim; Samson Tijani, Hamzat Ojediran, Monsuru Opeyemi (Akinkunmi Amoo) e Ibrahim Said (Daniel Francis); Oluwatimilehin Adeniyi, Olakunle Olusegun e Wisdom Ubani (Ibraheem Jabaar). Técnico: Manu Garba.
Hungria: Krisztian Hegyi; Donat Orosz, Botond Balogh e Milan Horvath; Mihaly Kata, Samuel Major (Peter Barath), Mark Kosznovszky (Akos Zuigeber), Gyorgy Komaromi, Gergo Ominger (Patrik Posztobanyi) e David Laszlo; Andras Nemeth. Técnico: Sandor Preisinger.
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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Jogos Perdidos e a histórica cobertura da Copa do Mundo sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez



Quem é próximo sabe como a Copa do Mundo de 2014 me afetou. Depois de viver intensamente as duas semanas mais geniais da minha vida decidi que aquele não seria meu último/único mundial. Como a Rússia 2018 estava fora de cogitação, resolvi acompanhar a Copa do Mundo sub-17 no Chile em 2015 lembrando do velho ditado "quem não tem cão, caça com gato". Visitei quatro das sete sedes e vi um total de 14 seleções.

Em 2016 teve Olimpíada, outra competição com seleção de tudo que é canto, e em 2017 eu fali por completo. Em março de 2018 estava no fundo do poço quando o Peru foi escolhido como sede do mundial sub-17 de 2019. Era meio absurdo pensar em acompanhar in loco a competição pela segunda vez, só que lá no fundo eu tinha a esperança que tudo iria melhorar e assim eu conseguiria ver duas ou três rodadas em terras peruanas.

Em fevereiro deste ano, quando os planos da viagem eram mais palpáveis, uma surpresa: a FIFA tirou a Copa do Peru por conta de problemas nas instalações e na infra-estrutura. A entidade então entrou em contato com a CBF querendo saber se o Brasil poderia receber o mundial aproveitando todo o aparato da Copa América. Após alguns dias, com a positiva da confederação, foi decidido que a 18ª edição da Copa do Mundo sub-17 seria em solo tupiniquim.

Se eu já cogitava ir até o Peru, sendo aqui no Brasil eu tinha que dar um jeito de qualquer forma. Mesmo sem saber quais seriam as sedes, já comecei a preparar o espírito e o bolso. Goiânia, Brasília e Vitória foram escolhidas como as três cidades-sede. Nada absurdo e ainda por cima eu tinha a chance de ir em dois estados que nunca tinha ido. Quando a tabela saiu começou aquela análise marota pensando em armar um cronograma bem recheado.

Foram alguns dias de análise até que descobri um lance genial: havia uma única combinação na qual daria para visitar todas as sedes, todos os estádios e também ver um jogo de cada uma das 24 seleções. Algo raro e absolutamente espetacular. Foram meses para organizar as viagens de avião, ônibus, as reservas em hotéis e todo o planejamento logístico, tudo pensando numa cobertura simplesmente histórica para mim e consequentemente para o JP.

Uma etapa importante na programação era a compra dos ingressos. Logo no primeiro dia já garanti os meus, todos por um valor justo. Com eles garantidos, a história ficou ainda mais legal. Contando com a ajuda do amigo Luciano Claudino, resolvi como quem não quer nada solicitar o credenciamento de imprensa. Não tinha muita esperança, até que em agosto recebi um e-mail com uma resposta positiva da FIFA.

A alegria foi enorme em saber que teria a oportunidade de ver os jogos que quisesse bem de perto, como faço desde sempre aqui no Jogos Perdidos. Depois de anos cobrindo Segundona, campeonatos de base, divisões de acesso em geral, eu teria pela primeira vez a chance de cobrir uma Copa do Mundo - sub-17, mas vale da mesma forma - de dentro do campo. Pensando na minha situação exatamente de dois anos atrás, foi um momento emblemático que será lembrado para sempre.

Dito tudo isso, foi até fácil segurar a ansiedade e esperar o 26 de outubro de 2019. Nem pensei muito no que estava prestes a acontecer até poucos dias antes da Magical Mystery Tour chegar. A partir do próximo post, falarei sobre tudo o que rolou na viagem, dentro e fora de campo. Foram seis dias inesquecíveis.

Até lá!

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Sem sustos, Palmeiras chega na semi do Paulista sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Em meio a uma semana cheia de ansiedade por conta da aproximação da Copa do Mundo sub-17, me despedi da cidade de São Paulo com outro jogo noturno no Estádio Paulo Machado de Carvalho. Pelas quartas de final do Campeonato Paulista sub-20 da primeira divisão, o Palmeiras recebeu o Botafogo de Ribeirão Preto praticamente cumprindo tabela rumo à semifinal na agradável noite de quarta-feira. Apesar de estar provavelmente no fim dos seus dias como o conhecemos, o Pacaembu vem recebendo um número genial de jogos.


Sociedade Esportiva Palmeiras (sub-20) - São Paulo/SP


Botafogo Futebol Clube (sub-20) - Ribeirão Preto/SP


Capitães dos times e quarteto de arbitragem

Tudo bem que o futebol sempre pode nos surpreender, mas depois de tomar 3x0 em casa no duelo de ida, a classificação botafoguense seria atingida praticamente na base do milagre. O atual bi campeão estadual, também envolvido com as fases decisivas do Brasileiro da categoria, certamente não deixaria escapar a chance de estar entre as quatro melhores do torneio, ainda mais atuando nos seus domínios.

O público no Pacaembu foi baixo e os presentes viram uma partida bem meia boca, com poucos lances dignos de registro. Desde os primeiros movimentos ficamos com a clara impressão que o marcador dificilmente sairia do zero. O Palmeiras só administrou sua enorme vantagem e o Botafogo até tentou assustar, só que sem nenhuma qualidade ofensiva fica difícil marcar. O cotejo se desenrolou nesse cenário árido de emoções.


Atletas de Palmeiras e Botafogo dentro da área visitante


O 3x0 a favor do alviverde no interior deixou o jogo com poucas emoções


Vítor Ricardo (7) em ataque palmeirense pela direita


Patrick de Paula (5) sendo marcado por Jonata Felipe (8)

No tempo inicial os locais chegaram perto da área adversária algumas vezes, sem que isso se transformasse em gols. Os visitantes pouco fizeram e o 0x0 foi o resultado perfeito para 45 minutos bem abaixo da crítica. Cansei de ficar no gramado esperando um bom momento chegar e no intervalo subi até a cadeira laranja e dali vi a etapa final com o quarteto composto por palmeirenses de respeito: Milton, Renato, Luiz e Bruno.

A peleja melhorou um pouco no tempo final. Vamos deixar claro: um pouco. Não foi da água para o vinho, longe disso, porém a expectativa de 0x0 foi frustrada - ufa! - com o tento palmeirense aos 19 minutos. Guilherme Vieira recebeu na entrada da área e chutou no canto do arqueiro da Pantera. O Botafogo se entregou de vez e poderia ter sofrido outros tentos caso os avantes paulistanos estivessem mais inspirados.


Escanteio botafoguense na etapa final



Dois lances do tempo final de Palmeiras x Botafogo. A Pantera não foi capaz de quebrar o enorme favoritismo paulistano

No final, o Palmeiras 1-0 Botafogo foi suficiente para colocar o clube da Zona Oeste na semifinal da competição. Agora o verde pega o São Paulo na rota do tri campeonato estadual da categoria, algo inédito desde a reorganização das divisões de base em 1980. Não será fácil, mas é fato que a chance de alcançarem essa marca é boa.

Essa foi a despedida da capital bandeirante antes de embarcar numa viagem mágica e misteriosa na rota da Copa do Mundo sub-17. A poucos dias dos 15 anos do Jogos Perdidos, sem dúvida será o momento mais importante do blog em todos os tempos.

Até lá!

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Ficha Técnica: Palmeiras 1x0 Botafogo

Competição: Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão; Árbitro: Rodrigo Santos; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Vítor Ricardo (Pal); Edson Silva, Tocantins, Luiz (Bot); Cartão vermelho: Fernando Braghin 38 do 1º; Gol: Guilherme Vieira 19 do 2º.
Palmeiras: Magrão; Ramon (Natan), Pedro (Helder), Diguinho e Esteves (Nogueira); Patrick de Paula, Vítor Ricardo (Danilo), Gabriel Menino e Alan; Barbosa (Gabriel Silva) e Cleiton (Guilherme Vieira). Técnico: Wesley Carvalho.
Botafogo: Gustavo; Gabriel Teixeira, Tocantins, Henrique e Caio de Luna (Dener); Edson Silva, Felipe Andrade (Caetano), Jonata Felipe (Luiz) e Wesley (Rayan); Felipe Ferreira e Lucas Henrique (Rondinely). Técnico: Fernando Braghin.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O surreal encontro entre Audax e Tadjquistão (!) no Rochdale

Texto e fotos: Fernando Martinez


Nos quase 15 anos de Jogos Perdidos já vimos muita coisa diferente. Vários confrontos insólitos, amistosos surreais e duelos que ninguém imaginava que aconteceriam. Na última terça-feira tive o enorme prazer de acompanhar uma partida que será lembrada para sempre, bem do jeitinho que achamos genial. No gramado do Estádio José Liberatti, em Osasco, o time sub-20 do Audax enfrentou nada menos do que a equipe sub-17 do Tadjiquistão (!).

Apesar dos meus mais de 3 mil jogos no currículo, poucas vezes vi algo tão alternativo na vida. Cheguei a cobrir um São Bento x Cuba em 2012 e acho que somente esse empata no quesito "alternatividade" com o Audax x Tadjiquistão. São aqueles momentos que o futebol se transforma em algo ainda mais especial. Ver uma seleção de um país que faz fronteira com China, Uzbequistão, Afeganistão e Quirquistão zanzando numa noite fria de terça-feira na Grande São Paulo é algo que nem pensamentos 100% surreais poderiam imaginar.

Fiquei sabendo da peleja menos de uma semana antes e, mesmo prestes a ver a seleção asiática na Copa do Mundo sub-17, não tinha como deixar de ir ao Rochdale presenciar esse momento repleto de surrealidade. Junto comigo, claro, um sem número de amigos, todos emocionados até o último fio de cabelo com a raríssima chance de colocar na Lista uma figurinha bem difícil de conseguir. Como a maior parte dos presentes não vai acompanhar o mundial in loco, ninguém queria desperdiçar a oportunidade.

O selecionado asiático se classificou para a Copa após ser vice-campeão do torneio sub-16 da AFC, a confederação asiática. A disputa direta da vaga foi com a Coreia do Norte - seleção que apareceu aqui durante o mundial do Chile em 2015 - e a vitória saiu nos pênaltis. Depois, chegaram ao honroso vice-campeonato perdendo a decisão contra o Japão. Será a segunda vez que participarão da Copa. Na primeira, na Coreia do Sul em 2007, ganharam dos Estados Unidos e foram derrotados por Bélgica e Tunísia na primeira fase. Mesmo assim foram às oitavas e então foram eliminados nos pênaltis pelo Peru.

Chegamos em 2019 e, às vésperas do certame organizado pela FIFA (que infelizmente não terá sede em São Paulo), o Tadjiquistão passou por Osasco somente para esse amistoso internacional contra o sub-20 do clube osasquense. Se a presença de público foi diminuta e levou cerca de 60 torcedores à cancha, nas redes sociais e na internet foi bem diferente. O jogo foi transmitido pelo Facebook, teve presença do pessoal do globoesporte.com e a simples menção no perfil oficial do JP no Twitter dobrou o número de seguidores.


Grêmio Osasco Audax Esporte Clube (sub-20) - Osasco/SP


Seleção do Tadjiquistão (sub-17)


Capitães dos times e quarteto de arbitragem


Banco de reservas do Tadjiquistão com atletas e comissão técnica passando frio em Osasco

Chegamos no Rochdale e logo vimos que as duas equipes estavam no aquecimento e que o quarteto de arbitragem também estava no gramado. Tudo ok para o cotejo. Conversamos com integrantes da diretoria da agremiação local, da delegação visitante e também da imprensa presente. Descobrimos ali que Musashi Mizushima, ex-atleta do São Paulo que serviu de inspiração para o desenho "Super Campeões", faz parte da comissão técnica do Tadjiquistão. Também fui humildemente entrevistado pelo pessoal super gente boa do GE. Poucas vezes vimos uma matéria ser feita de forma tão cuidadosa como fizeram.

No horário marcado, exatamente às oito da noite, finalmente a bola começou a rolar. O Audax começou mostrando serviço e criou boas chances de gol, todas defendidas pelo goleiro Shohrukh. O camisa 1 era o nome da peleja até que, aos 27 minutos, tomou um frangaço e viu o clube paulista inaugurar o marcador. Zainidin Rahimov, seu técnico, resolveu substituir o atleta em virtude do erro e o pobre rapaz saiu de campo chorando. Os visitantes sofreram o segundo gol e, por ser uma equipe sub-20 contra uma sub-17, chegamos a achar que poderia pintar uma goleada.

Só que aos poucos o Tadjiquistão foi entrando no clima e diminuíram a contagem numa jogada individual de Islam Zoirov e no último lance deixaram tudo igual numa boa cobrança de pênalti de Sharifbek Rakhmatov. Como a alternatividade estava em alta, até a luz acabou no intervalo, levando cerca de dez minutos para voltar. Deu tempo de fazer aquela marota disputa de penais no breu com os amigos enquanto os refletores não acenderam.


Detalhe do pouco surreal amistoso entre o time sub-20 do Audax e o sub-17 do Tadjiquistão


Defensor do Tadjiqustão trocando passes no campo de defesa


Joe (10) levantando a bola na área visitante


Gui Angelo (3), tocando a pelota sob a marcação de Islom Zairov (10)


Islom Zairov (10) correndo livre no campo de defesa do Audax prestes a fazer o primeiro da sua seleção


Sharifbek Rahmatov deixando tudo igual de pênalti no fim do primeiro tempo

Na segunda etapa rolou a grande história da noite. Mukhriddin, o goleiro que tinha entrado após as falhas de Shohrukh, se machucou e o substituído retornou ao gramado (em amistoso pode acontecer isso). Logo após o Audax teve um pênalti marcado a seu favor. A cobrança foi no canto esquerdo, e o ex-vilão se transformou em heroi ao defender de forma brilhante.

A peleja teve lances ríspidos durante o tempo final e alguns integrantes da comissão técnica do Tadjiquistão chegaram a pedir ao técnico local orientar seus atletas a pegarem leve, afinal, o grande motivo da viagem, a Copa do Mundo sub-17, estava prestes a começar. O treinador do Audax atendeu com simpatia as solicitações, mas não passou nada aos seus comandados.


O goleiro Mukhriddin Khasanov fazendo bela defesa em chute de longe


Finalização perigosa do Audax de Erick Rosales (16)


De heroi a vilão: o goleiro Shohrukh Qirghizboev se redimiu das falhas do tempo inicial e voltou a campo para pegar um pênalti


Umedzhon Kholikov (17) em lance pela esquerda


Zetão (22) tocando na bola com a marcação de Umedzhon Kholikov (17)


Mehrobjon Azimov (12) em ofensiva do Tadjiquistão pela esquerda

No fim, o placar ficou em Audax 2-2 Tadjiquistão, um bom resultado do onze osasquense contra um adversário internacional e um ótimo teste do selecionado asiático às vésperas do mundial. Eles farão parte do Grupo E junto com Camarões, Argentina e Espanha. Estaremos orgulhosamente presentes no duelo contra os europeus no penúltimo dia da viagem que começará em breve.

Depois dessa noite épica peguei o caminho da capital para nova noite de plantão no trabalho. Antes de seguir com destino à Copa, fiz a despedida momentânea da capital bandeirante no dia seguinte com outro joguinho da base no Pacaembu. Aliás, o que está tendo de partida no velho Paulo Machado de Carvalho não é brincadeira... sorte nossa.

Até lá!

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Ficha Técnica: Audax 2x2 Tadjiquistão

Competição: Amistoso Internacional; Local: Estádio José Liberatti (Osasco); Árbitro: Pietro Dimitrof Stefanelli; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Brasília (Aud), Amadoni Kamolov, Emomali Ahmadkhon, Rustam Soirov (Tad); Gols: Joe 27, Ramires 29, Islom Zairov 38 e Sharifbek Rahmatov (pênalti) 45 do 1º.
Audax: Mário Sérgio (Zetão) (João Gabriel); Lucas Felix (Erick Rosales), Gui Angelo (Gustavo Victor), Matheus Lins (Brasília) (Gabriel Anjos) e Gabriel Poti (Lucas Carvalho); Ifeanyi Valentine (Cleyson), Dudu (Wictinho), Marco (Henrique Estevão) e Joe (Cadu); Ramires (Tche Tche) e Müller (Mascarenhas). Técnico: Jean Rodrigues.
Tadjiquistão: Shohrukh Qirghizboev (Mukhriddin Khasanov) (Samandar Karimov) (Shohrukh Qirghizboev); Shahrom Nazarov (Azizbek Hasanov), Isroil Kholov, Jonibek Sharipov (Mehrobjon Azimov), Muhammadrasul Litfullaev (Parviz Khodzhiev) e Shohrukh Sangov (Emomali Ahmadkhon); Amadoni Kamolov (Ozodbek Panzhiev), Shuhrat Elmurodov (Rustam Soirov), Nidoyor Zabirov (Umedzhon Kholikov) e Sharifbek Rahmatov; Islom Zairov (Sunatullo Ismoilov). Técnico: Zainidin Rahimov.
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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Jogo quente em tarde fria no Uruguai

Texto e fotos: Estevan Azevedo


Salve amigos!

Reservei para as férias deste ano para conhecer os vizinhos Uruguai e Argentina com a minha namorada. Com isso comecei a procurar algum joguinho para ver por lá. Por estar bastante desatualizado, tive alguma dificuldade em localizar um joguinho perdidinho, apesar de fuçar pela internet muito provavelmente em locais errados.

Eu já estava desistindo quando, ao provar um chivito, delicioso e típico sanduba uruguaio, no Mercado Agrícola de Montevidéu, a chama reacendeu ao assistir pela televisão um confronto entre Platense e Rocha pela “Segunda División Nacional B Amateur”, equivalente à nossa Série C, em um estádio fantástico localizado em frente ao Centenário.


Colón FC

Durante a semana eu havia visitado a sede do Defensor e havia decidido que, se nada melhor aparecesse, iria pra lá no domingo à tarde ver um jogo da primeira divisão mesmo. Saindo do Mercado Agrícola fomos conhecer o Centenário mas, com o estádio e o museu fechados, decidimos ir mesmo ao Defensor pra salvar o dia.

Atravessamos a rua e vimos uma movimentação no estádio que logo reconheci como palco do jogo que havia visto pela TV pouco antes. Pedi autorização para entrar e tirar algumas fotos da cancha mas fui impedido pois seria realizada uma partida logo mais entre Colón FC e CA Artigas pelo mesmo torneio, a já citada Segunda División Nacional B Amateur.


CA Artigas

A alegria que senti é indescritível, mas espero que o texto e as fotos possam dar ao leitor uma ideia da sensação que vivenciei. Todavia, se Platense e Rocha duelaram na parte de cima da tabela, Colón e Artigas duelaram na parte oposta, ocupando respectivamente o 13º e o 14º lugar na tábua de classificação.

Com ajuda do mesmo segurança que impedira minha entrada minutos antes, consegui fazer as fotos das equipes posadas iniciando 90 minutos de puro êxtase na capital uruguaia. A começar pelo próprio palco da partida, que logo identifiquei como o Estádio Parque Luis Méndez Piana, casa do genial Club Sportivo Miramar Misiones, clube que acabou excluído do certame por conta de dívidas.



A entrada do estádio e a placa de identificação



Placas históricas no interior do estádio

Algo em torno de 100 pessoas acompanharam uma partida bem movimentada, na qual o placar foi aberto pelos mandantes aos 35 minutos com um golaço de Polenta da intermediária em que a bola entrou no ângulo. A comemoração durou apenas dois minutos, pois os visitantes empataram com Martegani encobrindo o arqueiro colonense em outro belíssimo tento que deu números finais à primeira etapa.


Detalhe do primeiro gol


Ao fundo, o histórico Estádio Centenário


As “cobertas” do estádio


O colorido dos uniformes foi um espetáculo a parte


Bola na área artiguense


Lateral para os colonenses

O jogo continuou animado na etapa final e aos 20 minutos Davi Alonso cabeceou para as redes após um cruzamento da esquerda. Davino, aos 29, empatou novamente a peleja depois de um corta luz no goleiro do “El Verde”.

Quando tudo parecia definido e o empate acabaria sendo um banho de água fria nas duas equipes que buscaram a vitória de forma incessante, Luz Vidal, já nos acréscimos, aproveitou meio sem jeito da intermediária a sobra de um escanteio e meteu a redonda no ângulo, dando a vitória ao time da casa com o placar final de Colón 3x2 Artigas.

Foi uma única, mas inesquecível partida para coroar uma viagem maravilhosa!

Até a próxima!