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quarta-feira, 9 de junho de 2021

Nacional 0, Reynaldo 1: Linense na Série A2 2022

Texto e fotos: Fernando Martinez


Reynaldo Moura Machado dos Santos. Esse é o nome que atletas, comissão técnica e dirigentes do Nacional irão sonhar pelo menos até 2022. O Estádio Nicolau Alayon viu uma atuação monstruosa do arqueiro do Linense e o sonho do acesso se transformou em um verdadeiro pesadelo. Para piorar, o Elefante fez um gol na única chance que teve, venceu seu adversário pela primeira vez na história na capital e estará na Série A2 na próxima temporada.

Nem Nacional, nem Linense fizeram campanhas brilhantes na primeira fase do Campeonato Paulista da Série A3. Nas quartas desbancaram favoritos, respectivamente Noroeste e São José, e chegaram na semi querendo voltar ao segundo escalão do futebol do estado após dois anos de ausência (ambos caíram juntos em 2019). O duelo de ida terminou com um empate sem gols e por ter melhor campanha o escrete paulistano atuava por um novo empate.




Depois de muito tempo - e só por ser um jogo decisivo - os times posaram para as fotos oficiais na Comendador Souza. Na real não adianta ter fotógrafo se o mesmo não capta as imagens da equipe, né? Não consigo entender

Embora a torcida estivesse apenas do lado de fora, o clima na Comendador Souza era elétrico. Rádios do interior, fotógrafos, aspones de plantão e vários dirigentes aguardando o apito inicial com ansiedade. A confiança era enorme. O Nacional foi às redes em 16 dos 18 compromissos no torneio, é dono do segundo melhor ataque das três divisões do estadual, 33 gols, e tinha o artilheiro da A3, Éder Paulista e seus 13 tentos, em campo. Apesar desses números superlativos, a única estatística que importou no fim foi o absurdo recorde de vitórias seguidas do Linense longe da sua casa.

Mesmo com a vantagem do empate, o Nacional atacou o tempo todo. Eu fiz questão de anotar os “highlights” no caderninho e ao término dos 90 minutos foram treze (!) as oportunidades locais dignas de registro e uma (!) do onze visitante. Tudo começou com o tiro de Mendes pelo alto aos dez minutos. Aos 21, Reynaldo começou a operar milagres desviando finalização de fora da área pela linha de fundo. Dois minutos depois, em rara investida do Elefante, Messias escorregou e a bola foi alçada. Henrique subiu no terceiro andar e cabeceou firme, abrindo o placar. Aí começou o desespero.

No 28º minuto Mendes perdeu um gol que eu faria. Ele teve a chance de deixar tudo igual na pequena área, porém bateu fraco e Reynaldo defendeu bem. Antes do intervalo, outros dois momentos perigosos aos 41 e 46 minutos. Eu estava na cabine ao lado de uma rádio de Lins, e no intervalo os profissionais estavam preocupados com a pressão paulistana. O genial é que escutei a narração com direito a patrocinadores geniais, de frango assado e serviço de solda, de guincho e videolocadora (!). Me senti em 1989.






Na etapa inicial o Linense pouco fez e só deu Nacional. O problema foi que o goleiro Reynaldo teve uma atuação magnífica e fez três ou quatro defesas antológicas


A comemoração pelo gol de cabeça de Henrique, no único ataque de perigo do onze visitante

Os cinco primeiros minutos da etapa final foram insanos. Foram nada menos do que quatro chegadas e nenhuma foi convertida. Antes do ponteiro do relógio chegar aos 60 segundos teve cruzamento da direita e a pelota pingando dentro da pequena área sem ninguém completar. Reynaldo aos dois, três e cinco minutos mostrou serviço em três investidas consecutivas. Depois o nervosismo pintou forte e o que se viu durante muito tempo foram apenas escanteios e faltas sem nenhuma direção.

Os ataques voltaram a ser perigosos faltando cerca de 20 minutos. Reynaldo pegou chute forte aos 27, um tiro passou tirando tinta da trave aos 40, Éder Paulista cabeceou aos 41 e Reynaldo fez novo milagre aos 43. Nos acréscimos, todos os atletas nacionalistas foram para a área adversária, incluindo o goleiro Rafael. Só que eles poderiam estar lá até agora que provavelmente o empate não teria saído. Primeiro pela estrela do camisa 1 visitante e depois pela falta de pontaria. A última oportunidade foi em cabeçada aos 49 que saiu por cima da meta.







A segunda etapa teve um Nacional com a bola nos pés durante todo o tempo, mas boa parte das investidas foi superficial. Quando acionado, Reynaldo de novo foi bem e impediu o esperado empate paulistano

Quando o árbitro Adriano de Assis Miranda trilou seu apito pela última vez no Nicolau Alayon, o placar de Nacional 0-1 Linense se confirmou e então a festa do Elefante começou e o sonho paulistano virou pesadelo. O Clube Atlético Linense venceu seu sétimo (!) compromisso seguido fora do Gilbertão e estará na Série A2 em 2022. É complicado ver um time que atacou apenas uma vez durante quase 100 minutos ganhar um acesso, mas como o que vale é bola na rede, foi merecido.



O marcador do Nicolau Alayon mostrando o inédito triunfo do Linense que deu o acesso ao Elefante. No gramado, a tristeza nacionalista e a merecida comemoração de Reynaldo

O quarto lugar do Nacional foi além do que poderíamos esperar. A equipe teve uma performance bastante irregular durante toda a primeira fase e os dois jogos soberbos que fez contra o Noroeste deixaram a impressão de que o acesso seria garantido com o pé nas costas. Não foi. Ter o melhor ataque e o artilheiro do certame foram dois fatores positivos, porém na hora H falharam. Agora resta participar da Copa Paulista já sabendo que ano que vem novamente terão missão complicada na terceirona. Falei aqui em alguma matéria que quando mais esperamos algo do Nacional, menos ele faz. É cruel, mas é a verdade.

Saí da Comendador Souza com aquele peso nas costas antes de pegar o caminho até o QG da Zona Oeste. Foram três coberturas no fim de semana, algo que eu descostumei total nessa época de pandemia. Como só tem peleja de novo na quinta, temos tempo de sobra para dar aquela descansada marota.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 0x1 Linense

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Adriano de Assis Miranda; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Wallace, Mendes, Ayrton, Glauco, Henrique, Palmares, Samuel; Gols: Henrique 23 do 1º.
Nacional: Rafael; Messias (Guilherme Nascimento), Everton, Gustavo França e César; Reinaldo (Emerson Mi), Guilherme Lobo, Brener (Vinícius) e Mendes; Éder Paulista e Wallace (Paolo). Técnico: Ricardo Silva.
Linense: Reynaldo; Douglas, Mauro, Glauco e Samuel; Lobão (Lucas Newiton), Cal Rodrigues (Bruno Moura) e Palmares; Mário (Thiago Humberto), Henrique e Ayrton (Léo Gaúcho). Técnico: Edison Só.
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