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terça-feira, 17 de março de 2020

Oeste desperta no segundo tempo e devolve o Bota ao Z2 do Paulistão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde da última sexta-feira estava de boa e tinha decidido não sair de casa. Só que as preocupantes notícias durante o dia começaram a mostrar que a continuidade do calendário futebolístico estava comprometida por conta do coronavírus. A ficha caiu, arrumei minhas coisas enquanto a bola ainda rolava. A pedida foi seguir até a Arena Barueri para um "jogo de seis pontos" na luta contra o rebaixamento entre Oeste e Botafogo de Ribeirão Preto pelo Paulistão 2020.

A minha ida acabou se mostrando acertada, pois no fim da tarde de sexta ficou definido que as partidas que seriam realizadas na capital no sábado e domingo não teriam presença de torcedores, nem de imprensa. Casos de São Paulo e Corinthians na A1 e Portuguesa na A2, isso sem contar o Juventus no Brasileiro Feminino da Série A2. O contexto todo preocupava e era questão de tempo para tudo ser cancelado e falarei sobre no próximo post.

Fui até Barueri num trem apinhado da CPTM, prato cheio para o corona. Estava meio cabreiro se teríamos mesmo a realização da peleja por conta de tanto disse-não-disse e a enorme quantidade de boatos rolando. Ao chegar, ufa, tudo estava confirmado. Logo fui ao gramado e notei que a torcida local, que não costuma comparecer em grande número, não tinha dado as caras. A torcida do Pantera fez bonito e estava em peso acompanhando fielmente sua equipe apesar da difícil situação no torneio.

O Botafogo derrotou o time reserva do São Paulo na rodada anterior e saiu na zona do rebaixamento. Com oito pontos, foi parar na 14ª posição, um ponto à frente de Ponte Preta e do próprio Oeste. Já o Rubrão derrotou nada menos que o Santo André, líder geral do certame na rodada passada, no ABC. Se derrotassem o tricolor interiorano sairiam da zona de rebaixamento e também, dependendo do resultado do dérbi campineiro na segunda, entraria na zona de classificação. Bizarrice total, cortesia da bisonha fórmula.


Oeste Futebol Clube - Barueri/SP


Botafogo Futebol Clube - Ribeirão Preto/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Vinícius Gonçalves Araújo, os assistentes Risser Jarussi Corrêa e Fábio Rogério Baesteiro e o quarto árbitro José Cláudio Rocha Filho

Fiz as fotos oficiais e acabei escolhendo acompanhar os avantes locais durante o primeiro tempo. Péssima escolha. Como se estivesse no Santa Cruz, o Botafogo teve uma atuação em que, empurrado por sua torcida, foi amplamente superior e não chegou ao gol por questão de detalhe. Nesse caso o detalhe tem nome e sobrenome: Caíque França. O arqueiro formado no Corinthians e que está atuando no rubro-negro por empréstimo teve uma atuação magnífica.

Foram três as incríveis defesas do camisa 1: em chute de Matheus Anjos cara a cara aos sete minutos, aos 12 em tiro colocado de Rafinha e aos 25 novamente com Matheus Anjos. Aos 30 ele vacilou pela única vez e deixou a bola passar. Quem salvou em cima da linha foi Sidimiar. Aos 38 o goleirão salvou de novo e mandou pela linha de fundo uma falta cobrada por, sempre ele, Matheus Anjos.

Por conta das defesas de Caíque, o intervalo chegou com o marcador em branco. Aproveitei o descanso e fui dar uma passeada pela Arena pois não tenho a menor ideia de quando farei isso novamente. Comi um pedaço de pizza que é vendida na tribuna, fui no último andar encher o bolso de bolacha e retornei ao gramado pronto para acompanhar a etapa final. Sentado no meu banquinho estava com a cabeça um pouco longe e imaginava a chance de tudo ser cancelado, num cenário que só se viu aqui em tempos de gripe espanhola. Foi difícil me concentrar.


Bola dominada por jogador do Oeste no campo de defesa botafoguense


A boa presença da torcida do Pantera na Arena Barueri mesmo com a situação complicada da equipe no Paulistão


A clássica camisa do Botafogo de Ribeirão Preto no gramado da Arena


Atacante local protegendo a pelota da marcação adversária


Bololô dentro da área tricolor

Voltando ao duelo, fiquei novamente no ataque dos donos da casa na base da teimosia e dessa vez a escolha foi correta. O relógio não tinha chegado nem no segundo minuto e o Oeste inaugurou o placar. Rael fez ótima jogada individual, passou por três defensores e tocou para Bruno Lopes. O atleta barueriense chegou batendo de primeira, colocando a pelota no canto esquerdo. Danrley tocou de leve na pelota... sem sucesso na tentativa de evitar o gol.

Aos nove, o lance que definiu a sorte da partida aconteceu quando Éder Sciola derrubou Matheus Anjos dentro da área e o árbitro marcou pênalti. Eu, assim como a transmissão da TV, achei que foi exagerada a marcação. Rafinha cobrou a penalidade aos 12 e Caíque França defendeu. Como desgraça pouca é bobagem, na sequência o Oeste emplacou um contra-ataque monstro que teve participação de Bruno Lopes, Bruno Paraíba e que terminou finalização precisa de Betinho, que fez 2x0.

O Botafogo se entregou depois do segundo tento e o Oeste foi cozinhando o galo praticamente sem sofrer nenhum susto. Aos 34 quase ampliou com Bruno Paraíba tirando tinta da trave esquerda de Danrley. Fabrício Oya teve outro bom momento aos 38 e aos 48 o rubro-negro fechou a fatura com o gol de Bruno Lopes depois de erro na saída de bola botafoguense. O escrete de Barueri devolveu com juros a derrota sofrida contra o Bota (0x2) no último duelo entre eles na Série B de 2019.


Novidade boa na Arena Barueri. Finalmente a prefeitura local está melhorando a iluminação da cancha. Os dias de boate e fotos impossíveis atrás do gol estão contados!


Éder Sciola (2) encarando a marcação em lance pela direita já no segundo tempo


O lance que praticamente definiu a sorte da partida: Rafinha perdendo pênalti a favor do Botafogo


Outro lance de Éder Sciola pela direita do ataque rubro-negro


Bruno Paraíba (9) tentando o cabeceio, mas quem levou a melhor foi o camisa 8 Victor Bolt


Ataque do Oeste que gerou o terceiro gol, o último da noite na Arena

O resultado de Oeste 3-0 Botafogo foi a maior vitória do Rubrão em campeonatos paulistas desde o 3x0 em cima da Portuguesa pela A2 em janeiro de 2018. Além disso, graças à derrota da Ponte no dérbi, deixou o time na zona de classificação (!) do Grupo A. Eles estão em segundo na chave com a mesma pontuação do Água Santa, à frente por ter um maior número de vitórias. Na classificação geral estão em 12º. A Pantera agora está na 15ª colocação, somente com a Ponte Preta atrás dela. Resta saber se tudo isso valerá alguma coisa.

Mesmo repleto de incertezas em relação ao futuro consegui assistir mais um joguinho antes da paralisação total, ampla e irrestrita. No sábado peguei a estrada pela última vez com destino a um duelo pela Série A3 que não acontecia desde 1991.

Até lá!

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Ficha Técnica: Oeste 3-0 Botafogo/SP

Local: Arena Barueri (Barueri); Árbitro: Vinicius Gonçalves Araujo; Público: 405 pagantes; Renda: R$ 6.655,00; Cartões amarelos: Betinho, Bruno Paraíba, Renan Fonseca, Bruno Lopes, Rafinha, Gilson, Victor Bolt; Gols: Bruno Lopes 3, Betinho 15 e Bruno Lopes 48 do 2º.
Oeste: Caíque França; Éder Sciola, Sidimar, Renan Fonseca e Rael; Lídio, Bruno Lopes, Betinho e Mazinho (Fabrício Oya); Bruno Paraíba (Tite) e Matheus Oliveira (Roberto). Técnico: Renan Freitas.
Botafogo/SP: Darley; Caíque Sá, Robson, Didi e Gilson; Victor Bolt, Naldo (Marcos Vinícius), Rafinha (Murilo Oliveira) e Ronald (Luketa); Matheus Anjos e Wellington Tanque. Técnico: Claudinei Oliveira.
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