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sexta-feira, 13 de março de 2020

Na boa, Ponte Preta anula a surpresa Afogados/PE em Campinas

Texto e fotos: Fernando Martinez


Terminado o clássico tricolor pelo Brasileiro sub-17 na quinta à tarde, saí de Cotia com a dupla Renato e Caio tendo como destino a cidade de Campinas. Na pauta o genial duelo entre a Ponte Preta e o surpreendente Afogados da Ingazeira FC, o 714º clube a fazer parte da Lista, abrindo a terceira fase da Copa do Brasil. Não imaginava que nessa altura do campeonato eu teria a chance de ver um time novo, ainda mais com esse formato horroroso.

Se o escrete campineiro chegará em breve ao seu 120º aniversário, tem vários capítulos gloriosos através dos tempos, disputa a sua 17ª edição da competição nacional, isso sem contar todas as participações em brasileiros, o onze pernambucano é exatamente o oposto. Fundado em dezembro de 2013, eles disputaram a segunda divisão local de 2014 a 2016, ano em que conquistaram o acesso. Em 2017 e 2018 fizeram campanhas medianas, porém em 2019 a performance foi muito melhor. O terceiro lugar no estadual garantiu presença na Série D e na Copa, suas primeiras competições nacionais.

Na primeira fase os nordestinos fizeram 3x0 no Atlético Acreano e se classificaram para enfrentar nada menos do que o Atlético Mineiro. Parecia uma barbada a favor do primeiro campeão brasileiro... parecia. Nem o mais pessimista torcedor alvinegro esperava a eliminação diante da Coruja do Sertão. O empate por 2x2 levou a decisão da vaga aos pênaltis, e apesar de ter perdido as duas primeiras cobranças, o Afogados teve paciência, venceu por 7x6 e fez história.

Falando em história, o clima pelos lados do Estádio Moisés Lucarelli não está nada calmo pois a Ponte vem fazendo uma das piores campanhas no Paulistão neste século e corre riscos reais de rebaixamento. Na segunda-feira o Bragantino, ou Bragabull para os mais íntimos, venceu o confronto em Campinas e manteve a Macaca no penúltimo lugar geral faltando três rodadas. Uma situação terrível e preocupante. Restou a alternativa de fazer um bom papel na Copa do Brasil para tentar aplacar um pouco a fúria da torcida, que armou altas e perigosas confusões após a derrota..

Quando saímos do CT de Cotia, o GPS indicava que chegaríamos no Majestoso depois do apito inicial por conta do trânsito carregado. O amigo Caio mostrou serviço, arrepiou na estrada e tirou 25 minutos na raça. Assim conseguimos chegar com antecedência e, mesmo com uma pequena chatice na entrada de imprensa, consegui me dirigir até a parte coberta da velha cancha na boa. Os torcedores compareceram em bom número nas cativas e todos estavam confiantes.




Na base da carona, as fotos posadas de Ponte Preta, Afogados, o 714º time a fazer parte da minha Lista, e do quarteto de arbitragem com os capitães

Durante a viagem até Campinas eu achei que a Ponte teria problemas jogando contra um adversário bastante empolgado que vinha de uma classificação antológica. E se a Macaca sofreu contra o Vila Nova na fase anterior - 0x0 e vaga definida apenas nos pênaltis - dessa vez, apesar de não apresentar um futebol tão plástico, não sofreu nenhum susto e foi superior durante toda a peleja.

Tirando um ataque tímido aos 14 minutos, o Afogados foi presa fácil. A Ponte Preta teve quatro boas oportunidades entre os 17 e os 33 minutos antes de finalmente abrir o placar aos 37. A equipe paulista contou com o auxílio luxuoso de Heverton, zagueiro pernambucano, que fez contra após cortar cruzamento de Jeferson pela direita. Antes da etapa inicial terminar, criaram outros dois momentos de perigo.


Disputa de bola no campo de defesa campineiro num dos primeiros lances da partida


Cobrança de falta a favor da Ponte Preta


Bola dançando com perigo dentro da área do Afogados

No intervalo saí do meu confortável lugar nas tribunas e fui encontrar a dupla Emerson & Estevan, decanos do JP e que eu não via há uma eternidade. Resolvi ficar com os amigos numa das arquibancadas curvas da entrada do estádio e ali vimos a segunda etapa. Logo aos quatro minutos, pênalti a favor do onze local. Roger bateu mal e Wallef fez ótima defesa. Só que nem deu tempo do Afogados comemorar - aliás, a presença da torcida pernambucana foi espetacular - pois no minuto seguinte o mesmo Roger recebeu passe de Safira e ampliou.

A Coruja sentiu o golpe e parou completamente de tentar melhor sorte. Aos 20, em escanteio da direita, Bruno Reis dominou, girou e chutou fraco no canto esquerdo. O arqueiro pulou tarde, sem conseguir evitar o terceiro tento alvinegro. Enquanto batíamos aquele papo sempre surreal e super produtivo, a Ponte chegou perto de ampliar a vantagem em dois ótimos lances nos minutos finais, porém o marcador permaneceu inalterado.


Pênalti perdido por Roger no segundo tempo. Por sorte, o segundo gol saiu em seguida


Comemoração dos atletas da Macaca após a marcação do terceiro gol


O Afogados chegou em alta para esse duelo mas não assustou a equipe paulista praticamente em nenhum momento

O resultado final de Ponte Preta 3-0 Afogados deixa os campineiros com um pé e meio na quarta fase. Os pernambucanos precisam vencer por quatro gols de diferença caso queiram seguir no campeonato, sem dúvida uma tarefa bastante complicada e ingrata. O compromisso está marcado para quarta-feira da semana que vem, resta saber se o coronavírus vai deixar acontecer. Vamos aguardar.

Eu não estava muito na pegada de assistir nada na sexta-feira, mas no decorrer do dia fui obrigado a arranjar ânimo que não existia para ver de perto um jogo do Paulistão, talvez o último por um bom tempo. Bom, falarei sobre isso no próximo post.

Até lá!

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Ficha Técnica: Ponte Preta 3-0 Afogados/PE

Local: Estádio Moisés Lucarelli (Campinas); Árbitro: Alexandre Vargas de Jesus (RJ); Público: 3.237 pagantes; Renda: R$ 61.775,00; Cartões amarelos: Bruno Reis, Dawhan, Zanocelo, Erivelton; Gols: Heverton Luís (contra) 37 do 1º, Roger 7 e Bruno Reis 20 do 2º.
Ponte Preta: Ivan; Jeferson (Danrley), Alisson, Trevisan e Lazaroni; Dawhan, Bruno Reis, Zanocelo e João Paulo (Papa Faye); Safira (João Veras) e Roger. Técnico: João Brigatti.
Afogados/PE: Wallef; Rodrigo, Heverton Luís, Diego Teles e Matheus Serra; Douglas Bomba, Jader (Grafite), Eduardo Erê (Erivelton) e Candinho (Nem); Diego ceará e Thalison. Técnico: Pedro Manta.
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