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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 9 de 13): Equador tenta, mas Mali vence na boa e vira líder


Fechando a segunda rodada do Grupo D da Copa do Mundo sub-17 do Chile, o Estadio Bicentenario Fiscal de Talca recebeu o duelo entre Equador e a sensacional seleção do Mali, um time que será um trunfo na Lista certamente por muito tempo. Apesar de nunca terem disputado uma Copa do Mundo, os malianos - que gentílico genial - disputaram o mundial pela quarta vez, assim como os sul-americanos. A melhor participação dos africanos até então tinha sido a presença nas quartas em 1997 e 2001. Já dos sul-americanos também as quartas em 1995, quando foram sede.

Na rodada inicial, Mali empatou com a Bélgica e o Equador ganhou de Honduras. Mesmo com a chance de ter três classificados da chave, seria bom a molecada do sétimo maior país da África vencer pensando em não se complicar no quesito classificação. O bom é que, depois do sol na cara na preliminar entre belgas e hondurenhos, o frio chegou forte e o calor inesperado deu lugar a uma temperatura maravilhosa. Por ter sido realizado à noite, consegui ver que a iluminação da casa do Rangers de Talca é muito boa. Melhor do que a maioria dos estádios que temos por aqui.


Equador e Mali perfilados antes dos respectivos Hinos Nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Todo esse terreno fica atrás da arquibancada descoberta do estádio de Rangers. Cabe mais gente ali do que dentro da cancha em si. Foto: Fernando Martinez.

Boa parte dos 4.721 pagantes estava torcendo, óbvio, a favor do Equador. Essa rapaziada não curtiu muito quando Mali abriu o marcador aos nove minutos. Sidiki Maiga recebeu passe na esquerda e tentou devolver, mas no meio do caminho Jean Pena, camisa 20 do Equador, se adiantou e tentou afastar. A bola bateu em Diakite e foi parar nos pés do camisa 11 Boubacar Traore, que só teve o trabalho de colocar no fundo da rede dentro da pequena área.

O Equador sentiu o gol e não atacou durante um bom tempo. Mali se aproveitou e criou vários bons momentos, principalmente com Sidiki Maiga e Traore, para ampliar a vantagem. Um dos destaques do selecionado foi o camisa 3 Chato. Sim, sem segundo nome, apenas Chato, igual a Cher, Seal ou o grande McLovin. Seria genial ver o malinês ser contratado por um clube tupiniquim e os locutores de plantão o citando a todo momento.


Mali começou o jogo com tudo, criando bons momentos desde os primeiros minutos. Foto: Fernando Martinez.


A tarde indo embora e a noite chegando na cidade de Talca. Foto: Fernando Martinez.

Os companheiros do Chato estavam mandando bem e aos 29 minutos tiveram outro ótimo momento. Maiga deu bom passe para Koita e o camisa 20 chutou de primeira, mandando a pelota na trave direita de Jose Cevallos. Teria sido uma pintura de gol. O setor defensivo sul-americano seguiu tomando sufoco e por sorte não viu a derrota parcial do intervalo ser por uma diferença maior de gols.


Chato, o genial camisa 3 do Mali que não deve ser muito popular entre os atletas. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola pelo alto com vantagem para Washington Corozo, 7 do Equador. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo a esquadra do Equador tentou emplacar aquela pressão monstra e a primeira chance real foi em dobro. Num escanteio pela esquerda, um dos atacantes cabeceou e a zaga salvou. No rebote, Washington Corozo chutou à queima-roupa e Mamadou Sangare salvou de novo em cima da linha. Mesmo mais ligados, os "locais" sofreram o segundo tento num enorme vacilo. A bola foi lançada pelo capitão Abdoul Dante sem perigo pro ataque e Byron Castillo tentou cortar de cabeça. Só que o corte foi desastroso e a pelota parou nos pés de Aly Malle, que driblou o goleiro e aumentou a vantagem.


O sistema defensivo do Mali trabalhou bem, aqui neutralizando investida sul-americana. Foto: Fernando Martinez.


O Equador até que tentou, mas a zaga africana mostrou serviço no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

Aos 24, num lançamento em profundidade que chegou em Anderson Naula, Samuel Diarra, goleiro do Mali, cometeu pênalti. O camisa 17 Pervis Estupian bateu no canto direito e diminuiu. Buscando uma nova igualdade, o escrete amarelo buscou aplicar aquela famosa blitz. Pena que a expulsão de Quintero aos 36 minutos complicou a missão. Com um a menos, a rapaziada sul-americana não teve forças para evitar a derrota.


Detalhe do segundo gol de Mali. Aly Malle tocando pro fundo da rede depois de ter passado pelo goleiro Jose Cevallos e sob o olhar de Byron Castillo. Foto: Fernando Martinez.


Sory Keita atacando pela direita e o camisa 10 Yeison Guerrero na marcação. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Equador 1-2 Mali colocou o onze africano na liderança do Grupo D com quatro pontos junto da Bélgica, enquanto os sul-americanos ficaram com três. No final da primeira fase, os três conquistaram uma vaga nas oitavas-de-final. O selecionado da terra de Aguinaga derrotou a Rússia e parou nas quartas ao perder do México, igualando sua melhor performance. Mali passou bem pelas três fases seguintes e chegou na decisão, sendo derrotado pela Nigéria e se tornando vice-campeão.

Após curtir a rodada dupla deixei o Estadio Fiscal de Talca sem ter a menor ideia de como voltaria ao hotel. Pensei que, assim como foi em Concepción, teria um monte de táxis disponíveis na saída do local... ledo engano. Com não tinha nenhum, tive que seguir sem rumo, sem lenço e sem documento pelas ruas tentando encontrar alguma forma de sair logo dali. O diminuto público tinha deixado a cancha antes do apito final e poucos ainda estavam na região, deixando um clima de fim de mundo.

Andei mais de dois quilômetros por ruas quase escuras vendo os carros passarem, porém táxi que era bom, nada. Sem ser injusto, até encontrei alguns, mas lá tem um lance muito doido: alguns possantes não levam apenas um passageiro e sim todos que couberem, numa espécie de lotação. O negócio é tão bizarro que cheguei a ver um com seis pessoas dentro (!). Depois de quase 45 minutos cheguei na bonita Plaza La Victoria e finalmente consegui um veículo decente.

Tive tempo para uma nova noite de James Bond no cassino do hotel antes de ir pra cama. No dia seguinte, uma quinta-feira, coloquei o pé na estrada de novo e voltei a Santiago, pois o cronograma mostrava um cotejo da Copa Chile que pra mim era imperdível. O grande problema seria conseguir um ingresso...

Até lá!

Fernando

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 8 de 13): Em Talca, triunfo dos Diabos Vermelhos


O dia 20 de outubro foi o último dia de descanso que tive durante a maratona de jogos que vi no Chile. Foi um dia tranquilo e absolutamente necessário pensando na segunda metade da viagem. De Concepción, local aonde acompanhei a estreia do Grupo E da Copa do Mundo sub-17 2015, me dirigi até a cidade de Talca, situada 255 quilômetros ao sul da capital Santiago, para a segunda rodada do Grupo D. Viagem de boa, com a Cordilheira dos Andes me acompanhando por todo o caminho.


Além dos outdoors... a cidade de Talca recebeu muito bem a disputa da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.

O hotel que escolhi era afastado do centro e tinha até cassino, então passei a terça-feira me sentindo o James Bond em Casino Royale. Faltou apenas o terno bem cortado, o martini batido (não mexido), a Eva Green e os milhões de dólares no bolso. Independente disso, consegui ganhar alguns pesos que me economizaram uma diária. O cenário me fez lembrar muito dos meus tempos de moleque. Tempos em que viajava até Foz do Iguaçu e ia com meus pais no cassino da então Puerto Presidente Stroessner, atual Ciudad del Este.

Não honrei tanto assim o personagem de Ian Fleming pelo fato de ter ido dormir cedo. Isso porquê na quarta-feira, 21 de outubro, era hora de mais uma rodada dupla na Copa do Mundo sub-17. Saí do hotel de táxi e não demorou muito para chegar no Estadio Bicentenario Fiscal de Talca. Construído em 1937, a cancha é casa do Club Social de Deportes Rangers, o famoso "Rangers de Talca", time que tantas vezes vi em plantões esportivos do rádio e revistas especializadas nos anos 80. A denominação incomum sempre me chamou a atenção.

Diferente do majestoso Estadio Municipal de Collao em Concepción, o Estádio Fiscal é bem tímido e, embora remodelado, não me deixou uma belíssima impressão. A capacidade é de apenas 16 mil torcedores (embora eu ache que não cabe nem a metade disso). As arquibancadas são pequenas e o acesso, pelo menos na parte descoberta, chega a ser tosco de tão simples. Ali tem um imenso terreno de terra, todo descampado e com uma casa (!) construída no meio. Sim, uma casa dentro de um estádio de futebol, um lance inimaginável, ainda mais num torneio oficial da FIFA. 


Detalhe de uma das entradas da cancha chilena. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do Estadio Fiscal de Talca. Se bobear o Nicolau Alayon é maior do que a casa do Rangers. Foto: Fernando Martinez.


A genial casa (!) construída dentro das dependências do Estadio Fiscal de Talca. Surreal demais. Foto: Fernando Martinez.

Isso não fez a jornada ser ruim, pelo contrário. O que complicou de verdade foi o sol na cara durante todo o duelo entre Bélgica e Honduras, abrindo a segunda rodada da chave. Achei que estava frio como dois dias antes e me dei mal, pelo menos nesse encontro de duas seleções que já estavam na Lista desde a Copa do Mundo. Na primeira rodada da competição, os Diabos empataram com Mali sem gols e os centro-americanos foram derrotados pelo Equador por 3x1, se tornando lanternas do grupo. Essa foi a segunda participação belga no certame e a quarta hondurenha.


Seleções perfiladas antes do confronto válido pelo Grupo D do Mundial. Foto: Fernando Martinez.

Um público total de 4,721 pessoas viu o selecionado europeu começar melhor e dominar a peleja em boa parte do primeiro tempo. Aos 10 minutos aconteceu a primeira chance quando Laurent Lemoine tocou para Matthias Verreth. O camisa 18 chutou da entrada da área, com curva, direto na trave esquerda do goleiro. O camisa 1 Michel Perello nem se mexeu. Aos 21, numa falta pela direita, a bola foi levantada, escorada pro meio da área e sobrou pro camisa 19 Jorn Vancamp. Ele matou, tirou do zagueiro e chutou no canto esquerdo para inaugurar o placar.

Três minutos depois, num chute forte da intermediária de Vuelto, camisa 9 centro-americano, e que tinha endereço certo, o goleiro belga Jens Teunckens fez belíssima defesa e mandou pela linha de fundo. A molecada da terra do Tintin retomou as rédeas após esse lance, porém mesmo com as oportunidades criadas, não conseguiu ampliar sua vantagem parcial. No intervalo, o belo placar eletrônico do Estadio Fiscal de Talca mostrava o placar de Bélgica 1-0 Honduras.


O camisa 8 da Bélgica, Dante Rigo, cabeceando a pelota sob o olhar atento de dois atletas hondurenhos. Foto: Fernando Martinez.


Ataque belga pela lateral direita do gramado. Foto: Fernando Martinez.


Bola alçada na área de Honduras e Michael Perello saindo para fazer a defesa. Foto: Fernando Martinez.


Mathias Verreth cruzando com a marcação de Denil Maldonado. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final os queridos hondurenhos retornaram com o ânimo redobrado e logo aos quatro minutos deixaram tudo igual. Num ataque que parecia inofensivo, a bola foi rolada na esquerda para Jafeth Leiva. Com a marcação distante, o camisa 10 arriscou. O chute cruzado bateu na trave esquerda e morreu no fundo do gol de Teunckens. O camisa 1 mandou aquele famoso golpe de vista de forma bisonha e se deu mal. Na sequência quase a virada azul. Numa bola enfiada na área, o zagueiro deixou pro goleiro e este deixou pro zagueiro. O camisa 9 Vuelto tocou entre os dois e a pelota tirou tinta da trave.

Aos poucos a Bélgica foi retomando seu melhor futebol, mas ainda assim Honduras estava bem postada no gramado. Vimos chances dos dois lados, só que aos 33 os europeus voltaram a ficar em vantagem. Os vermelhos tiveram nova falta marcada pela direita, quase em cima da linha de fundo. A bola foi cruzada, passou pelos defensores adversários, bateu no goleiro e sobrou pro camisa 8 Dante Rigo, que tocou na boa e fez o segundo. Pouco depois, aos 42, quase o terceiro. Numa cobrança de falta primorosa de Rigo, o arqueiro centro-americano fez uma das defesas mais difíceis dos últimos tempos, evitando o tento que parecia certo. No escanteio que se seguiu, Janssens cabeceou na trave.


Dante Rigo arriscando de longe. Foto: Fernando Martinez.


Investida centro-americana no tempo final... pena que David Sanchez estava impedido. Foto: Fernando Martinez.


Visão bucólica atrás de um dos gols do Estadio Fiscal de Talca. Foto: Fernando Martinez.


Lance de perigo dentro da área de Honduras. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de Bélgica 2-1 Honduras eliminou o alvi-azul da América Central e deixou os Diabos Vermelhos em cômoda situação, pois, dependendo de uma combinação de resultados, poderiam até perder na rodada derradeira que estariam entre os classificados. E foi exatamente isso que aconteceu, pois mesmo tomando 2x0 do Equador no último confronto da chave, se garantiram nas oitavas. No fim, eles terminaram o certame na inédita terceira colocação.

Depois da preliminar era a hora de colocar mais uma seleção na Lista. Uma daquelas que certamente serão um "super trunfo" durante muito tempo.

Até lá

Fernando

© 2019

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 7 de 13): Duelo imperdível com triunfo russo

Olá, pessoal!

É fato que um dos motivos da minha ida até Concepción era o de colocar duas seleções simplesmente geniais na minha Lista. Primeiro a Rússia, time que perdi em 2014 e que tive a chance rara de matar novamente nesse ano. Depois, a genial Coreia do Norte, seleção perdidaça demais e que não tinha como deixar de fora da minha turnê futebolística.

Fechando a rodada inicial do Grupo 3, russos e norte-coreanos foram ao gramado do Estadio Municipal de Collao sob de um frio sensacional de oito graus (e sensação de menos ainda) para fechar a primeira rodada do Grupo E da Copa do Mundo sub-17 2015. Cerca de oito mil pessoas acompanharam o duelo.


Visão do Estádio Municipal de Collao antes do confronto que fechou a jornada inicial do Grupo E da Copa do Mundo sub-17 do Chile. Foto: Fernando Martinez.


Bandeiras de Coreia do Norte e Rússia, mais dois times geniais a fazerem parte da Lista. Foto: Fernando Martinez.


Os dois selecionados perfilados pros hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.



Aqui, em mais uma carona providencial, as fotos oficiais das duas seleções. Fotos: Fernando Martinez.

A seleção asiática disputou o torneio pela quarta vez e teve como melhor resultado a chegada nas quartas-de-final em 2005. Já a Rússia se classificou pro torneio pela primeira vez com essa denominação. Juntando as presenças com a falecida União Soviética, foi apenas a segunda participação. A primeira foi em 1987, quando conquistaram o título.

Confortavelmente instalado no anel de cima da cancha vi uma peleja razoável onde só deu Rússia. O elenco comandado por Mikhail Galaktionov mostrou um futebol coeso e logo aos três minutos marcaram o primeiro gol da noite. Depois de cruzamento da esquerda, a bola ficou zanzando dentro da área e sobrou para Ivan Galanin chutar e marcar.

A Coreia do Norte chegou a empatar minutos depois, porém o tento marcado por Ryang Hyon Ju foi anulado de forma correta por causa de posição irregular. No decorrer do tempo inicial o arqueiro Chol Song foi o destaque ao fazer duas defesas muito complicadas e impedir que a Rússia ampliasse.


Escanteio a favor da Rússia pela direita. Foto: Fernando Martinez.


Yong Gwan, camisa 15 norte-coreano, cobrando falta pra dentro da área adversária. Foto: Fernando Martinez.


Chute russo bloqueado pela zaga asiática. Foto: Fernando Martinez.


Galanin, 6 da Rússia, tentando escorar a pelota, mas perdendo o lance para Ye Bom, 6 da Coreia do Norte. Foto: Fernando Martinez.

Só que no tempo final foi o camisa 1 da terra de Kim Jong-un o principal responsável pelo segundo gol russo. Ele deu uma furada antológica numa saída do gol aos 7 minutos e Fedor Chalov teve o gol todo aberto à sua disposição. Ele só teve o trabalho de acertar o chute estando fora da área.

Enquanto o delicioso friozinho ficava ainda mais forte, a Rússia foi enfileirando oportunidades e mais oportunidades de aplicar uma goleada. Se redimindo em partes, o arqueiro norte-coreano fez mais três milagres e segurou bem a onda do seu fraco selecionado. Quem sabe ele não seja castigado pelo presidente do país quando voltar pra casa.


Ataque de Kwang Song pela esquerda com a marcação de Matviichuk. Foto: Fernando Martinez.


Bola entrando no gol no segundo tento russo, marcado por Chalov após falha grotesca de Chol Song. Foto: Fernando Martinez.


Boa chegada do time vermelho pela direita, mas a bola foi pra fora. Foto: Fernando Martinez.


Camisa 11 russo, Lomovitskiy chutou de longe e o arqueiro norte-coreano fez grande intervenção. Foto: Fernando Martinez.

No final, o placar eletrônico do belo estádio de Concepción mostrava o resultado de Coreia do Norte 0-2 Rússia. Os meninos da terra da vodca terminaram a rodada inicial na liderança da chave. Ao final da competição, os dois conquistaram vaga nas oitavas-de-final, mas ambos foram eliminados nessa fase.

Fiquei um bom tempo no local após o apito final, naquele lance de curtir até o último segundo as emoções de um lugar que dificilmente irei de novo. Saí do estádio e fui pro hotel localizado no centro da cidade, encerrando a noite comendo uma das melhores pizzas da minha vida. Algo necessário, já que não tinha feito nenhuma refeição decente o dia todo.

O dia seguinte foi meu primeiro momento de folga desde que iniciei o cronograma de jogos, assim consegui carregar um pouco a bateria. Antes de pegar o ônibus até meu novo destino, fui passear numa praça em frente ao hotel. Era a Plaza de Armas, para a minha absoluta surpresa um local histórico pro povo chileno. Foi ali que Bernardo O'Higgins declarou a independência do país em 1º de janeiro de 1818.


Um dos lados da Plaza de Armas, local muito bonito no centro de Concepción. Foto: Fernando Martinez.


Outra visão da praça com o principal monumento, dentre vários construídos ali. Foto: Fernando Martinez.


Marco da independência chilena indicando que foi ali que Bernardo O'Higgins libertou o país da Espanha. Foto: Fernando Martinez.

Nem preciso dizer como foi sensacional ter passado um tempo nesse lugar. Um local tão significativo para todo um povo e tão bem cuidado pelos administradores, já que não tinha lixo jogado na rua, pichações ou algo do tipo. Os 223 mil habitantes de Concepcíon tem motivo de se orgulharem do centro da sua cidade.

Feliz com minha descoberta voltei pro hotel e às duas da tarde voltei à estrada rumo ao norte do Chile. O destino era a cidade de Talca, pois na quarta-feira era dia de nova rodada dupla pela Copa do Mundo sub-17.

Até lá!

Fernando

sábado, 12 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 6 de 13): Na bela Concepción, Ticos derrotam os Bafana Bafana


Minha estadia na República do Chile foi dividida em três partes. Após três dias e cinco jogos em Santiago, na chuvosa manhã da segunda-feira, 19 de outubro, peguei minhas malas e me mandei para o sul do belíssimo país, encerrando a Parte 1 da turnê. Meu destino era a cidade de Concepción, a segunda região metropolitana mais populosa e o maior centro industrial da terra presidida por Michelle Bachelet.

Acordei bem cedo e após um ótimo café da manhã, apreciei a linda vista dos Andes pela última vez, deixei o hotel - uma agradabilíssima surpresa no coração da capital - e fui rapidinho de metrô até a rodoviária. Como meu ônibus sairia às oito horas, me programei para chegar ali faltando vinte minutos para o horário marcado. Na teoria, tudo certo. Na prática...

Quem já pegou ônibus em alguma rodoviária da capital paulista sabe que não temos como comprar uma passagem do Tietê no Jabaquara, ou comprar um bilhete da Barra Funda e embarcar no Tietê, certo? Certo, só que na capital chilena não é bem assim. Comprei a passagem para Concepción num terminal enquanto o busão saía de outro, localizado a três (grandes) quarteirões de distância. Infelizmente confiei na informação incorreta passada pela moça do guichê e não me atentei aos detalhes.

O resultado desse vacilo foi que, faltando cerca de dez minutos para as oito horas, fui obrigado a percorrer - com ênfase no "correr" - quase um quilômetro debaixo de chuva carregando minha mala e uma pesadíssima mochila. Contrariando as expectativas, tive uma grande performance e, honrando as grandes apresentações de Jesse Owens e Carl Lewis, exatamente às 7:59 estava postado na frente do coletivo.

Sem conseguir falar direito e com o fôlego em falta fui buscar meu lugar e somente depois de um bom tempo a respiração voltou ao normal. Somente aí pude me aconchegar com propriedade para passar as próximas seis horas e meia seguintes ali dentro. Dentro MESMO, pois durante toda a viagem não houve nenhuma parada. Isso mesmo, o ônibus seguiu sem escalas, algo que eu nunca vi por essas bandas. Após dormir, ouvir música, mudar de poltrona umas três vezes, comer muita bobagem e apreciar as belas paisagens da primavera do Chile, cheguei na comuna fundada por Pedro de Valdivia.


Durante seis horas e meia, essa foi minha visão do ônibus que me levou até o sul do Chile. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do Terminal Rodoviario Callao, em Concepción. Foto: Fernando Martinez.


Dizer que o estádio fica em frente à rodoviária pode ser um exagero em muitos casos, não nesse aqui. Dez metros separam as duas construções. Foto: Fernando Martinez.


Fachada do belo Estadio Municipal de Collao. Foto: Fernando Martinez.

A rodoviária Penquista fica afastada do centro da cidade, mas é absurdamente perto do Estadio Municipal de Concepción Alcaldesa Ester Roa Rebolledo, também conhecido como Estadio Municipal de Collao, pois apenas uma rua separa os dois locais (para quem conhece, é mais perto do que a distância entre a rodoviária de Poços de Caldas e o Ronaldo Junqueira, por exemplo). Como estava de mala e cuia, não tive como ficar ali direto, então fui obrigado a fazer um bate-volta até o hotel para deixar meus pertences, só depois disso retornando em definitivo ao ponto de partida.

A correria foi plenamente justificada, já que estava lá para ver a rodada inicial do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Abrindo os trabalhos da chave, duas seleções que já faziam parte da minha Lista há algum tempo: África do Sul x Costa Rica. Vi o onze africano em 2012 num amistoso contra o Brasil no Morumbi e os Ticos duas vezes, uma no Pan de 2007 jogando contra Honduras e outra no 0x0 contra a Inglaterra pela Copa do Mundo do ano passado. Ou seja, nada de novo no front.

O ruim foi pensar que eu poderia ter visto um Costa do Marfim x Canadá no lugar desse jogo, mas infelizmente essas duas seleções foram eliminadas do Mundial pelos dois adversários da partida inaugural. Aliás, vale dizer que a presença sul-africana na competição é histórica, pois é a primeira vez que a equipe se classificou para a Copa do Mundo sub-17, enquanto os costarriquenhos chegaram à sua nona participação em todos os tempos.

Já tinha visto fotos do local, porém o Ester Roa ao vivo é muito mais bonito. O estádio foi inaugurado em 1962 e é a casa do Deportes Concepción e do Universidad de Concepción. A cancha passou por reformas visando a disputa da Copa America 2015 e também do Mundial, tendo atualmente a capacidade de 30.448 espectadores. Foi ali que o Brasil foi eliminado pelo Paraguai na competição continental desse ano.

O mais legal de tudo nessa minha estreia na capital do rock chileno foi a sempre agradável presença do senhor frio, na única vez que realmente vi uma peleja com baixa temperatura em toda a turnê. O termômetro marcava 12 graus - com sensação térmica ainda menor por causa do vento - quando encontrei meu lugar na colorida arquibancada. Fiz uma rápida boquinha com guloseimas locais e não demorou para as duas seleções irem no gramado.


Times perfilados para a execução dos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Roberto Cordoba se preparando para cobrar falta a favor da Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.




Três momentos do primeiro tempo de África do Sul x Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.

Sem time novo e sem saber nada sobre as seleções, confesso que não sabia o que esperar dessa peleja. Por sorte a partida foi boa e teve a Costa Rica atuando melhor, para a felicidade dos animados torcedores da América Central que estavam reunidos próximos a mim. Os Ticos abriram o placar logo aos sete minutos, quando Kevin Mases completou um preciso passe da direita. A África do Sul tentou embalar para chegar ao empate, só que a afobação dos seus atletas mostrou que essa seria uma tarefa bem complicada.

Jogando na boa, a Costa Rica tomou o primeiro susto apenas no começo do tempo final, em boa cobrança de falta de Dlala que obrigou o goleiro-capitão Alejandro Barrientos a fazer boa defesa. Minutos depois aconteceu a maior chance do empate nos pés do camisa 17 Khanyisa Mayo. Pena que o jogador mandou mal e conseguiu chutar uma bola cruzada da direita quase fora do estádio, mesmo com o arqueiro da Costa Rica batido no lance.


Mbatha, camisa 8 da seleção africana, atacando pela esquerda no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do belo estádio de Concepción, sede do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.


Khanysa Mayo, camisa 17, tentando o gol de cabeça. Foto: Fernando Martinez.

No lance seguinte, o castigo. Em chute do camisa 14 Roberto Córdoba, a bola pegou no ombro do zagueiro Katlego Mohamme, porém o árbitro da Malásia se enganou e acabou marcando penalidade máxima. Andy Reyes foi para a cobrança e aumentou a vantagem dos centro-americanos. No restante do tempo final, os Bafana Bafana fizeram uma pressão meio sem graça em busca do gol de honra. Aos 45, Mayo, aquele mesmo, diminuiu o prejuízo numa cabeçada meio sem querer.

No fim, o placar final ficou em África do Sul 1-2 Costa Rica. Ao final da primeira fase, os sul-africanos foram eliminados com um empate e duas derrotas, enquanto os Ticos terminaram na vice-liderança da chave. Na segunda fase a equipe surpreendeu e eliminou a forte seleção francesa, encerrando a bela campanha apenas nas quartas-de-final, sendo derrotada pela Bélgica pela contagem mínima.


Andy Reyes marcando o segundo gol centro-americano em cobrança de pênalti. Foto: Fernando Martinez.


Visão do ataque da África do Sul no final do jogo. Foto: Fernando Martinez.


De tanto insistir, Mayo conseguiu marcar o gol de honra no último minuto. Meio sem querer, é verdade, mas vale mesmo assim. Foto: Fernando Martinez.


Placar final da partida que abriu os trabalhos do Grupo E do Mundial sub-17. Foto: Fernando Martinez.

Com os primeiros 90 minutos encerrados, as atenções se voltaram para o jogo de fundo. De todos os oito que eu vi durante o Mundial, esse era o mais esperado, primeiro por ter a chance de "matar" dois times e, claro, por serem duas seleções simplesmente sensacionais. Sem dúvida esse foi um dos pontos altos da minha viagem.

Até lá!

Fernando