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terça-feira, 6 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 6): Tudo igual entre Alemanha e Austrália

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a segunda rodada do Grupo F no torneio feminino de futebol da Olimpíada vi um grande jogo, com certeza um dos melhores do Rio-2016. Alemanha e Austrália foram a campo na Arena Corinthians para 90 minutos eletrizantes, deixando os mais de 36 mil torcedores que pagaram ingresso extasiados.

Como você viu aqui no JP, a Alemanha goleou o Zimbábue na rodada de estreia, enquanto as australianas foram derrotadas pelo Canadá. Por conta de todo o histórico, as europeias eram favoritas, mesmo sabendo que não seria nada fácil essa tarefa. Esse foi o segundo encontro entre as duas na história olímpica. O primeiro, realizado durante os Jogos de Sydney, teve vitória germânica por 3x0.


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians

Desde os primeiros movimentos já dava para ver que esse jogo seria muito diferente do que a preliminar. O selecionado verde e amarelo abriu o placar aos seis minutos num lance aonde a bola foi roubada no meio de campo, Foord avançou pelo campo de defesa e tocou para Samantha Kerr na esquerda. Ela chutou de primeira e fez o primeiro gol australiano na Olimpíada.

A Alemanha quase empata aos oito em cabeçada que tirou tinta da trave. Aos 11, Williams fez grande defesa em chute de longe. Quatro minutos depois, foi a vez da Austrália chutar e quase ampliar. A maior chance alemã aconteceu aos 35 com a camisa 11 Anja Mittag. Ela driblou duas defensoras e mandou colocado, mas Williams tocou com a ponta dos dedos pela linha de fundo.

O ritmo do jogo era absolutamente sensacional e aos 39 a Austrália quase fez o segundo num tiro que passou raspando a trave direita de Schult. No lance seguinte, nova defesa incrível de Williams em chute de longe de Melanie Behringer. Os mais de 36 mil torcedores comemoravam e apludiam os lances dos dois lados, todos entusiasmados por conta do belo jogo.

Depois de tantas oportunidades, as meninas da terra dos coalas finalmente fizeram o segundo aos 45 minutos. Lisa de Vanna fez uma jogada maravilhosa pela esquerda, com direito a caneta na zagueira, e cruzou por baixo. Caitlin Foord tocou de leve para ampliar a vantagem. Na saída, a Alemanha diminuiu com um golaço de Sara Daebritz por cobertura, no último lance do tempo inicial.


Ataque alemão e disputa de bola pelo alto dentro da área australiana


Cruzamento dentro da área da Austrália


Leonie Maier, camisa 4, em lance pela esquerda


Mais uma investida alemã pela esquerda

No tempo final a seleção "alvi-negra" se viu obrigada a buscar o empate de forma mais incisiva e isso fez com que a Austrália levasse enorme perigo nos contra-ataques. No primeiro deles, acontecido aos 16 minutos, Foord teve a oportunidade do terceiro em lance cara-a-cara com Schult, que fez grande defesa. A mesma Foord teve outra chance parecida dois minutos depois, mas a bola saiu por cima.

As alemãs não conseguiam segurar o rápido ataque adversário e aos 25 Michelle Heyman acertou um tirambaço que obrigou Schult a mandar para escanteio. Aos 30 aconteceu a primeira grande chance europeia no tempo final em tiro de longe e ótima intervenção de Williams. Três minutos depois a arqueira da Alemanha fez besteira e mandou a bola nos pés de Samantha Keer. Só que a camisa 15 jogou fora mesmo com o gol aberto.

Após ter jogado fora o terceiro gol por várias vezes, a Austrália foi castigada aos 42 minutos com o empate. Behringer levantou a pelota na área e a capitã Saskia Bartusiak apareceu no segundo pau para tocar de barriga e deixar tudo igual. Um lance de enorme azar da arqueira Williams.


Elise Kellond-Knight batendo escanteio pela esquerda


Boa saída da goleira Schult em cruzamento na área


Lance de ataque a favor da Alemanha


Placar final do belíssimo jogo realizado na Arena Corinthians, um dos melhores do Rio-2016

E foi com o placar de Alemanha 2-2 Austrália que a árbitra neo-zelandesa Anna-Marie Keighley apitou pela última vez na Arena Corinthians. Um resultado heroico conquistado pelas medalhistas de bronze em 2000, 2004 e 2008, que foram para quatro pontos ganhos em dois jogos. A seleção verde e amarela ficou apenas com um. No final da primeira fase, as duas conquistaram vaga nas quartas-de-final.

Essa rodada marcou o fim da primeira parte do meu cronograma no Rio-2016. No dia seguinte fui pela primeira vez ao Rio de Janeiro (de um total de três) e fiquei ali durante três dias acompanhando meus primeiros eventos olímpicos propriamente ditos. Teve muita coisa boa na jogada.

Até lá!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 5): Canadá vence o esforçado Zimbábue na Arena

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de um dia de folga, meu cronograma olímpico teve continuidade no dia seis de agosto, um sábado, o primeiro com os Jogos oficialmente rolando. As vésperas de fazer minha primeira viagem ao Rio, fui mais uma vez até a Arena Corinthians para uma nova rodada dupla válida pelo torneio feminino de futebol em seu Grupo F. A sessão começou com o Canadá enfrentando o Zimbábue.


Seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais

O público foi substancialmente maior do que o público da rodada de estreia e mais de 30 mil pessoas - entre elas, a minha sobrinha Maria Rita fazendo sua estreia num estádio de futebol - foi até a casa corintiana para uma jornada que prometia bastante. Na peleja preliminar, dez entre dez torcedores contava com uma goleada canadense contra a apenas esforçada seleção africana.

No papel, tudo certo, mas na hora H a seleção norte-americana decepcionou absurdamente. As meninas do Canadá parece que mandaram uma feijoada monstro na hora do almoço e elas atuaram com uma preguiça absurda. Janine Beckie abriu o marcador aos sete minutos e Christine Sinclair aumentou aos 19, fazendo seu 164º gol com a camisa da seleção em todos os tempos.1


Jessie Fleming se livrando da marcação da capitã Felistas Muzongondi


Zaga do Zimbábue dominando a pelota no campo de defesa


Rutendo Makore, camisa 15 do selecionado africano, tentando dominar a pelota depois de cruzamento na área

Depois que Beckie fez o seu segundo gol, e o terceiro do Canadá, aos 35 minutos, a expectativa por uma goleada deu lugar a um marasmo absurdo. Só não dormi por conta da presença da minha sobrinha, caso contrário teria facilmente batido uma soneca. As canadenses nada mais fizeram digno de registro até o apito final. O público deu a resposta das arquibancadas e Zimbabue teve toda a torcida a seu favor.

As africanas até que tentaram jogar no ritmo da galera, só que a qualidade técnica das meninas realmente é muito abaixo da crítica. Ainda assim, Mavis Chirandu marcou o gol de honra aos 41 do segundo tempo e a Arena Corinthians comemorou, assim como aconteceu contra a Alemanha, como se fosse gol de título.


Bola levantada na área do Zimbábue na direção de Sinclair


Ataque canadense pela esquerda no fim do jogo


Placar final do encontro entre canadenses e zimbabuenses na Arena Corinthians

O placar final de Canadá 3-1 Zimbábue classificou a seleção da América do Norte para a segunda fase do torneio feminino de futebol dos Jogos, mas quem fez a festa foi o selecionado africano, com direito a uma belíssima volta olímpica e uma ovação interminável de 30 mil pessoas. Foi de arrepiar.

Depois de um jogo tão meia bomba, a esperança era que a partida principal fosse um pouco melhor. Por sorte ela não foi apenas um pouco melhor, e sim muito melhor. Uma senhora peleja de futebol que pode ser considerada uma das melhores do Rio-2016.

Até lá!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 4): A imperdível chance de ver Ilhas Fiji

Texto e fotos: Fernando Martinez


Assim como aconteceu nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, acompanhei com bastante atenção os torneios pré-olímpicos continentais para saber quem viria ao país disputar o torneio de futebol do Rio-2016. No geral não tive muito sucesso e apenas seis das dezesseis seleções classificadas não estavam na minha Lista: quatro europeias, uma asiática e uma da Oceania. De todas elas, foi justamente essa última a que representou o sonho máximo para quem gosta de raridade.

A Nova Zelândia era favorita absoluta a conquistar a vaga destinada ao continente através dos Jogos do Pacífico de 2015, mas os All Whites atuaram a semi-final daquela competição com um atleta irregular, perdendo os pontos para Vanuatu, que consequentemente foi para a decisão. A grande final foi disputada contra a genial seleção de Ilhas Fiji. Nos pênaltis, os fijianos venceram e se tornaram a 85ª seleção a fazer parte da história olímpica e a 637ª a entrar na minha Lista.

A partir dessa classificação era óbvio que ia ver um jogo de Fiji. Fato. O problema foi que, diferente do que aconteceu no Mundial de 2014, não havia uma "tabela básica" definida com jogos e sedes. Fui obrigado então a me cercar e comprar ingressos para três rodadas em três estádios diferentes, apostando que a seleção do outro lado do mundo estivesse entre as doze que iria assistir.

Meu plano deu certo, e com 75% do certame "coberto" o sorteio colocou os oceânicos na rodada inicial do Grupo C na Arena Fonte Nova, atuando contra os medalhistas de bronze de Londres-12, a Coreia do Sul. Assim como você já viu no post de México x Alemanha, a preliminar do dia, não teve outra alternativa a não ser armar aquele bate-volta maroto até Salvador para ver de perto esse surreal confronto.


Seleções entrando em campo na Arena Fonte Nova


Bandeira de Ilhas Fiji. Provavelmente a primeira e única vez que a verei num evento esportivo

Qualquer um sabia que o onze asiático - que disputa sua oitava Olimpíada consecutiva, um recorde - era franco e total favorito na peleja. Na semana anterior os coreanos venceram bem a Suécia num amistoso realizado no Pacaembu e era questão apenas de saber o placar do massacre.

É, só que o primeiro tempo foi bastante abaixo do esperado, parte pela pouca inspiração do ataque coreano e parte pela grande atuação do goleiro fijiano Tamanisau. O arqueiro fez quatro milagres e impediu que o onze asiático abrisse boa margem no marcador já nos primeiros 45 minutos.

O primeiro gol saiu apenas aos 32 minutos com o camisa 10 Seunghyun Ryu. Após cruzamento pela direita, ele matou a bola de forma meio estranha e chutou de bico para inaugurar o placar. Aos 38, Changjin Moon teve a chance de fazer o segundo num pênalti, mas ele chutou na trave. Foi com a vantagem mínima para a Coreia que o tempo inicial terminou.


Zaga fijiana afastando o perigo de dentro da área


Sangmin Sim encarando a marcação de Setareki Hughes


Hughes agora atacando pela direita. De londe, o camisa 6 Hyunsoo Jang só observa


Outra investida sul-coreana no tempo inicial

Boa parte dos torcedores que tinham permanecido na Arena Fonte Nova se mandou no intervalo, talvez por conta da pouca empolgação coreana. No tempo final o jogo continuou com Tamanisau salvando a pátria de Fiji mais duas vezes. A partir dos quinze minutos porém, o favoritismo finalmente entrou em campo.

Entre os 16:02 e os 17:46 - um espaço exato de um minuto e 44 segundos - a Coreia marcou três vezes, abrindo a porteira em definitivo. Changhoon Kwon fez o segundo e o terceiro e Ryu marcou o quarto. A partir daí foi um massacre. Aos 27 saiu o quinto em nova cobrança de pênalti, agora de Heungmin Son. Aos 30 ele mesmo quase fez um gol de placa chutando do meio de campo. A pelota caprichosamente tirou tinta da trave.

No minuto seguinte Hyunjun Suk fez o sexto. Após outras chances desperdiçadas, o placar voltou a ser alterado apenas aos 44 minutos com outro gol de Hyunjun Suk. Para fechar o gigantesco triunfo, Seunghyun Ryu fez seu quarto gol e o oitavo da noite.


Tamanislau subindo para fazer o corte


Sexto gol do selecionado asiático marcado por Hyunjun Suk


Um raro ataque de Ilhas Fiji, sem sucesso, no tempo final


Visão geral da Fonte Nova quase vazia no final do surreal confronto olímpico

O placar final de Ilhas Fiji 0-8 Coreia do Sul foi pouco tamanha a diferença técnica entre as duas seleções. Se os asiáticos tivessem tido mais capricho nas finalizações e mais vontade no tempo inicial, a vitória poderia ter sido ainda mais absurda. De qualquer forma, essa marcou o maior triunfo sul-coreano na história da Olimpíada, superando os 5-3 contra o México em 1948 e os 2-0 contra o Japão em 2012.

Cinco horas e doze gols depois da minha chegada no estádio, voltei ao hotel com tempo apenas de tomar um banho rápido e fazer uma janta improvisada antes de partir para o aeroporto. Na sexta-feira saí oficialmente de férias e a Olimpíada teve sua cerimônia de abertura. A minha programação no evento foi cansativa, porém absolutamente sensacional.

Até lá!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 3): Duelo de campeões olímpicos e mundiais em Salvador

Texto e fotos: Fernando Martinez


A competição era outra, mas é fato que deu pra lembrar um pouquinho da Copa do Mundo logo na primeira rodada do futebol masculino da Olimpíada 2016. Tudo por conta de um cansativo porém muito prazeroso bate-volta São Paulo-Salvador só para curtir de perto a jornada inicial do Grupo C na belíssima Arena Fonte Nova

Saí da terra de garoa na hora do almoço e menos de três horas depois já pisava em solo baiano, na minha terceira visita à primeira capital do Brasil. Por sorte não estava muito calor e como aconteceu durante o Mundial de 2014, ainda peguei bastante chuva durante o curto período em que estive por lá.

Deixei as coisas no hotel e sem tempo de descansar segui dali até o palco da genial rodada dupla. Abrindo os trabalhos, o encontro do atual campeão olímpico contra a atual campeã do mundo: México x Alemanha. Como perdi o selecionado germânico na Copa, apostava as últimas fichas para vê-los agora em 2016. Tudo deu certo e eles foram o time de número 636 a entrar na minha Lista.


Fachada da Arena Fonte Nova


México e Alemanha perfilados na estreia de ambos na Olimpíada

Se dois anos atrás chegar ali foi um inferno, felizmente dessa vez foi a maior moleza. O táxi me deixou praticamente na porta do estádio e não demorei nem quinze minutos para percorrer o caminho até o meu lugar. O público pagante de 16.500 pessoas deixou a Fonte Nova relativamente vazia... ou seja, uma bênção, já que não teve aperto ou muvuca, tirando a luta - perdida, por sinal - na busca por algum produto nas lanchonetes.

Esse foi o segundo encontro entre mexicanos e alemães na história dos Jogos Olímpicos. O primeiro, realizado em Munique-72, terminou com o empate por um gol. E por mais surreal que pareça, vale lembrar também que mesmo com toda a tradição no esporte, a atual tetra-campeã mundial não disputava uma Olimpíada desde 1988.

Chovia muito quando o árbitro iraniano Alireza Faghani apitou pela primeira vez e as duas seleções iniciaram a peleja. Os primeiros 45 minutos foram todos dos norte-americanos. O México foi melhor e a Alemanha não conseguiu criar chances objetivas contra a meta do arqueiro latino.

Hirving Lozano, camisa 8 do México, foi o autor das melhores finalizações do tempo inicial. A primeira num chute que tirou tinta da trave aos cinco minutos e o outro aos 26, quando ele apareceu livre pela direita e finalizou, obrigando Horn fazer brilhante defesa. Ao final do primeiro tempo, um jogo bem mais ou menos e o empate sem gols.


Suele, camisa 5 alemão, atacando pela esquerda


Bola cruzada para o camisa 3, Lucas Klostermann


Boa defesa de Alfredo Talavera


Julian Brandt e a marcação firme de Michael Perez e Erick Gutierrez

Após ter fracassado na simples missão de comprar um refrigerante no intervalo, voltei para o meu lugar e vi um segundo tempo muito, mas muito melhor do que o primeiro. O México saiu na frente aos sete minutos com Oribe Peralta, carrasco do Brasil em 2012, subindo sozinho entre os zagueiros e cabeceando tranquilamente no canto esquerdo.

Dois minutos depois, Gnabry perdeu a chance do empate na entrada da pequena área. Aos 13 não teve erro e ele mesmo deixou tudo igual após receber bom passe em profundidade pela esquerda e tocar com estilo no canto de Alfredo Talavera. O jogo estava eletrizante e a Alemanha não teve nem tempo de comemorar, pois aos 16 Rodolfo Pizarro colocou de novo os mexicanos na frente. Bueno tocou de peixinho, a bola bateu na trave e no rebote o camisa 7 tocou meio sem querer e fez o segundo.

Aos 29 o onze norte-americano quase amplia sua vantagem com Lozano, só que ele demorou um segundo a mais para chutar, dando tempo de Horn fazer a defesa. Aos 32, Gnabry perdeu chance clara e Talavera jogou pela linha de fundo. Na cobrança, a bola foi levantada na área e Ginter se livrou da marcação para cabecear firme e deixar novamente tudo igual.


Toljan alcançando pela direita do ataque europeu


Comemoração mexicana com o gol de Peralta, o primeiro da peleja


Hirving Lozano levantando a pelota dentro da área alemã


Disputa dentro do círculo central

O jogo continuou bom, porém sem mais nenhuma alteração no marcador. Ao final dos 90 minutos, o México 2-2 Alemanha foi justo pelo que as duas seleções apresentaram no gramado da Arena Fonte Nova. No fim das contas, foi uma boa estreia de ambas.

Muita gente se mandou do estádio depois dessa peleja, já que o jogo de fundo para muitos não tinha nenhum apelo. Não para mim, já que armei toda essa correria para ver justamente uma das seleções envolvidas na "principal" partida da rodada. Teve time novo, e raríssimo, na Arena Fonte Nova.

Até lá!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

JP na Olimpíada (parte 2): A historica estreia do Zimbábue

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a rodada inicial de futebol feminino dos Jogos Olímpicos 2016 na Arena Corinthians, vi de perto um confronto simplesmente genial e totalmente insólito. A poderosa seleção da Alemanha, disputando sua quinta Olimpíada, mediu forças com a surpreendente seleção do Zimbábue, essa na sua primeira e histórica participação.

As alemãs ficaram de fora em Londres-12, porém antes disso emplacaram uma sequência de três medalhas de bronze seguidas em 2000, 2004 e 2008. As germânicas ocupam a terceira colocação na tábua geral de classificação do certame, atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil. A vaga para a Rio-16 foi conquistada depois da boa campanha na Copa do Mundo do ano passado.

Já as africanas fazem sua estreia internacional depois de terem eliminado Zâmbia, Costa do Marfim e Camarões no pré-olímpico da CAF. Essa é a primeira vez que o Zimbábue participa de um esporte coletivo em Olimpíada desde que o país se tornou independente "de verdade" em 1980. O 93º lugar no Ranking da FIFA pouco quer dizer levando em conta o que essa classificação significou para a antiga colônia britânica.


Alemanha e Zimbábue entrando em campo na Arena Corinthians


A genial seleção africana e sua bandeira na hora do Hino Nacional

Dentro das quatro linhas, uma certeza: a vitória do selecionado europeu, restando saber apenas de quanto seria a goleada. Grande parte dos mais de 20 mil pagantes estava torcendo para as simpáticas meninas africanas, inclusive eu, mas confesso que também queria ver gol.

Só que se dependesse do primeiro tempo, o marcador não teria sido tão dilatado. A Alemanha foi muito melhor e impôs pressão desde os primeiros momentos, o que ninguém esperava era a baixa qualidade das finalizações. A goleira Lindiwe Magwede mostrou bastante serviço e o primeiro gol saiu apenas aos 22 minutos numa cabeçada certeira de Sara Daebritz.

Aos 36, Melanie Leupolz avançou pela direita e cruzou milimetricamente na cabeça da camisa 9 Alexandra Popp, que marcou seu 35º gol com a camisa da seleção. A contagem poderia ter sido maior caso a árbitra da Malásia tivesse marcado dois pênaltis para a Alemanha. Assim, o tempo inicial ficou nos parcos 2x0.


Annike Khran iniciando ataque para a Alemanha


Primeiro gol da seleção europeia, marcado de cabeça por Sara Daebritz


Melanie Leupolz, camisa 16, sofrendo marcação de Talent Mandaza, camisa 6

No tempo final o panorama foi o mesmo até os cinco minutos, momento em que a Arena Corinthians fez muita festa com o primeiro gol do Zimbábue. Rutendo Makore chutou, a goleira Schult deu rebote e a camisa 17 Kudakwashe Masopo encheu o pé para colocar seu nome na história.

O tento sofrido acordou a Alemanha e três minutos depois Behringer jogou uma ducha de água fria na torcida com seu belíssimo gol de falta. Ela mesma fez o quarto aos 33 aproveitando rebote da goleira depois de um pênalti defendido. Aos 38 Leupolz recebeu longo passe da esquerda, invadiu a área e tocou na saída de Magwebe para fazer o quinto tento alemão e o gol de número 300 da história olímpica do futebol feminino.


Anja Mittag segura a bola e Eunice Chibanda segue na sua marcação


Terceiro gol alemão marcado em belíssima cobrança de falta de Melanie Behringer


Mais uma chance "alvinegra" pelo alto, agora com Leonie Maier


Visão geral da Arena Corinthians para o insólito Zimbábue x Alemanha

Para fechar a goleada, a zagueira Eunice Chibanda deu uma forcinha aos 45 e marcou contra. O placar final de Zimbábue 1-6 Alemanha marcou a segunda maior goleada alemã na história dos Jogos, a terceira maior em todos os tempos e o primeiro 6-1 no torneio feminino de futebol desde que o esporte foi introduzido em Atlanta-96. Marcante, mas poderia ter sido mais.

Na saída todos os amigos/conhecidos que curtiram a rodada dupla se encontraram na porta do estádio para fazer aquela foto marota para a posteridade. Enquanto a maioria só tinha compromisso novamente no sábado, eu precisava correr pois tinha rodada dupla do torneio masculino logo na quinta-feira. Jornada longe, bem longe de casa e com direito a dois times novos na Lista.

Até lá!

domingo, 28 de agosto de 2016

JP na Olimpíada (parte 1): A estreia olímpica na Arena Corinthians

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando eu tinha apenas dois dias de vida a Olimpíada de Montreal começou. Claro, não lembro nada do que rolou no Canadá, mas consigo lembrar de algumas coisas de Moscou-80, principalmente o choro do ursinho Misha na cerimônia de encerramento. Desde então, a cada ano bissexto que chega paro durante duas semanas para acompanhar tudo que acontece nos Jogos Olímpicos.

Sempre tive vontade de acompanhar uma Olimpíada de perto, porém confesso que não me imaginava numa, ainda mais sendo realizada no nosso país. Por conta da maré de sorte que tivemos no final da primeira década do século, tive a abençoada chance de ver as duas maiores competições esportivas do planeta pertinho de casa na sequência... um privilégio absoluto! Isso sem contar os Jogos Panamericanos e a Copa das Confederações. Olha, para quem gosta, foi um período dourado.

Comprei parte dos ingressos ainda no primeiro semestre do ano passado, a maioria deles para o torneio masculino e feminino de futebol. Tudo bem, já sabia que que o ambiente não seria o mesmo que vivi durante o Mundial de 2014, só que é fato que eu não poderia ficar de fora. Adquiri entradas para todas as pelejas em São Paulo e a primeira das várias jornadas programadas aconteceu na tarde do dia 3 de agosto.

A Arena Corinthians foi palco da primeira rodada do Grupo F do torneio feminino da Olimpíada. Em campo, as seleções do Canadá e da Austrália, ambas disputando a competição pela terceira vez, buscavam iniciar as suas campanhas com o pé direito.

Contando as cinco edições anteriores dos Jogos, as norte-americanas ocupavam a oitava posição na classificação geral com 14 pontos ganhos. A melhor campanha aconteceu em Londres-12, quando a seleção ficou com a medalha de bronze após vencer a França. A Austrália estava na 12ª posição com cinco pontos e uma única vitória, um 1x0 contra a Grécia em 2004. Dava para crer que uma classificação já seria um resultado e tanto para as meninas da terra do coala.


Canadá e Austrália entrando em campo para a estreia na Olimpíada 2016

Chegar na Arena foi tranquilo, já que o público para a rodada dupla de estreia foi o menor na casa corintiana durante a competição. Sim, o menor, mas isso não quer dizer que tenha sido ruim, já que 20.521 pagantes na tarde de um dia útil assistindo futebol feminino é algo que merece todos os aplausos. A torcida não teve nenhum problema para acessar as dependências da cancha. O destaque ficou por conta do enorme quórum de amigos e conhecidos presente na rodada, com certeza um recorde.

Todos já ocupavam seus lugares marcados quando a árbitra francesa Stephanie Frappart iniciou os trabalhos olímpicos na capital bandeirante. 19 segundos depois Janine Beckie marcou o gol mais rápido da história do certame. A mito Christine Sinclair roubou a bola pela direita e cruzou para a camisa 16 inaugurar o marcador.

A Austrália não se assustou com o gol relâmpago e agiu como se nada tivesse acontecido. As meninas colocaram pressão e encurralaram o Canadá no campo de defesa. As canadenses passaram sufoco e a partida ficou ainda mais sofrida aos 19 minutos com a expulsão da defensora "canuck" Shelina Zadorsky.


Tarde agradável para a minha experiência olímpica em todos os tempos


Zaga do Canadá tentando mandar a bola para longe da área


Catlin Ford, camisa 9 da Austrália, sob marcação da camisa canadense Diana Matheson

Com uma a mais a pressão foi enorme, tanto que ao final dos 45 minutos iniciais a seleção australiana tinha finalizado 11 vezes ao gol contra apenas duas finalizações canadenses... porém gol que é bom, nada. Méritos para a inoperância inofensiva e para o bom trabalho da goleira Stephanie Labbé.

No tempo final a Austrália voltou no mesmo esquema e teve boa chance com Gorry aos cinco minutos, mas a arqueira fez uma defesa segura e impediu o empate. No frigir dos ovos, estar com uma atleta a mais em campo não estava fazendo mais diferença para o time verde e amarelo.

Aos poucos o Canadá foi finalmente se encontrando em campo e passou a acreditar que mesmo com dez poderia ampliar. Aos 26 minutos Van Egmond cometeu pênalti depois de tocar com a mão na pelota dentro da área. A cobrança ficou a cargo de Beckie. Só que ela bateu mal e Williams defendeu.

E justamente quando a Austrália tentava emplacar nova pressão o Canadá ampliou. Steph Catley vacilou e tocou errado. A bola então sobrou para Kyah Simon, que lançou em profundidade e encontrou a artilheira Sinclair livre no comando do ataque. Ela driblou com estilo a goleira e chutou quase do meio de campo para fazer seu 163º gol com a camisa da seleção canadense. A jogadora de 32 anos é a segunda maior artilheira de uma seleção nacional em todos os tempos, atrás apenas de Abby Wambach, dos Estados Unidos.


Cruzamento dentro da área canadense no tempo final


Boa jogada de Sinclair pela direita


Bola levantada na área australiana na direção de quem? Sinclair, claro


O enorme quórum de amigos presentes na estreia olímpica na capital bandeirante

Se não sentiram o primeiro gol, com certeza as australianas sentiram o segundo e não tiveram mais forças para conseguirem melhor sorte na peleja. O placar final de Canadá 2-0 Austrália acabou sendo justo a favor da seleção que foi mais objetiva e que conseguiu superar o fato de jogar mais de 70 minutos em desvantagem numérica.

Finalizada a primeira sessão, agora era hora de conferir o jogo de fundo, um duelo simplesmente surreal em que a presença do JP se fazia obrigatória.

Até lá!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Voltamos com a programação normal...



Sim, o Jogos Perdidos está desatualizado. Também, a loucura na Olimpíada foi tanta que não restou outra opção, a não ser dar um tempinho com o blog para curtir cada momento dos Jogos do Rio. Teve futebol masculino e feminino, taekwondo, handebol, levantamento de peso, basquete masculino e até luta greco-romana. Tudo isso coroado com a minha presença na cerimônia de encerramento. Acho que estou desculpado.

Aos poucos o dia a dia por aqui vai voltando ao normal e o blog vai voltando à sua rotina de sempre. Agradeço a compreensão de todos!

Fernando