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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Palmeiras Campeão Paulista sub-20 de 2018

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na manhã do último domingo rolou a grande decisão do Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão e pelo segundo ano seguido a enorme equipe de reportagem do Jogos Perdidos se fez presente. Fui até a Arena Barueri para o clássico entre Palmeiras e Corinthians. Foi a segunda vez em todos os tempos - a primeira foi em 2004 - que marquei presença nas duas partidas finais do certame.

No duelo de ida, realizado quinta-feira na Fazendinha, o Mosqueteiro derrotou seu maior rival pela contagem mínima e jogava por um simples empate para conquistar o título pela quarta vez. O alviverde tinha que vencer por dois gols para ser campeão direto e se ganhasse por um tento de diferença a decisão seria nos pênaltis.


Esse dérbi tinha que ter sido realizado na capital, fato. Uma decisão assim no Pacaembu teria atraído muito mais gente. Por ser em Barueri, o número de presentes não foi tão grande assim. No ano passado, também tivemos um dérbi disputado ali pelas quartas-de-final que teve triunfo palmeirense pela contagem mínima. Assim como naquele 3 de novembro, só deu Palmeiras quando a bola rolou.



As taças para o campeão e vice do Paulista sub-20 2018. Podem falar que são modernas e tudo mais, mas eu acho elas totalmente sem graça



Palmeiras e Corinthians posando para as fotos oficiais da grande decisão


O árbitro Thiago Luis Scarascati, os assistentes Guilherme Holanda Lima e Renan Franklin Grejo, o quarto árbitro Rodrigo Pires de Oliveira e os capitães dos times

O atual campeão brasileiro da categoria jogou o fino da bola e não deu o menor espaço para seu maior rival. Diferente do que vimos na quinta-feira, o Corinthians foi dominado do início ao fim e não mostrou praticamente nenhuma inspiração ofensiva. No primeiro tempo o imenso domínio local não se traduziu em gols... mas por pouco.

O primeiro grande momento foi aos 17 minutos, quando a bola foi cruzada da esquerda e Papagaio acertou um belo voleio. A sorte alvinegra é que o tiro foi bloqueado e saiu pela linha de fundo. Aos 23, quase uma lambança monstro da zaga visitante. João deixou para o goleiro Filipe, que deixou para João. Luan Cândido aproveitou a indecisão da dupla e cruzou na área. Papagaio chutou e a zaga salvou em cima da linha.

Aos 32 Mateus Rocha avançou pela direita, chutou forte e Filipe fez grande defesa. Quatro minutos depois Wesley finalizou de longe e a pelota tirou tinta da trave. Totalmente acuado em seu campo e sem mostrar nenhum poder ofensivo, o Corinthians finalizou pela primeira vez somente aos 40 minutos, porém o chute de Nathan saiu sem direção nenhuma.


Igor se mandando pro ataque sob o olhar de Luan Cândido


Papagaio aparecendo no meio da área e chutando pela linha de fundo


Luan Cândido aproveitando o vacilo da zaga corintiana e tocando pro meio da área. Um defensor salvou em cima da linha a finalização de Papagaio


Janderson, 11 alvinegro, fazendo as vezes de defensor

Se o tempo inicial a atuação corintiana foi ruim, pelo menos o empate estava garantindo o título. Já no tempo final, o desastre alvinegro foi avassalador por conta da atuação magistral da molecada do Palmeiras. Os comandados de Wesley Carvalho foram mortais e massacraram o time de Parque São Jorge.

Aos três minutos os locais abriram o placar. Depois de cruzamento, a bola foi escorada no segundo pau e Airton, que tinha acabado de entrar, fez o primeiro. Aos 17, numa falha lamentável de Igor, Airton foi derrubado na área pelo camisa 2. Papagaio bateu o pênalti com estilo e ampliou. Aos 32, em mais uma falha da defesa, os corintianos perderam a bola e ela sobrou para Esteves. O camisa 6 entrou na área e chutou cruzado, ampliando a vantagem para 3x0.

O título estava 99% garantido, só que aos 35 Fabricio Oya cobrou falta da entrada da área, a bola desviou na barreira e foi parar no fundo do gol. Um novo tento alvinegro levaria a decisão para os pênaltis. Os visitantes tentaram fazer aquela pressão velha de guerra, mas nada aconteceu. Com o setor defensivo todo desarrumado, ficou fácil pro Palmeiras fazer o quarto gol num ótimo contra-ataque aos 44 minutos com Marcus Meloni.



No tempo final o Corinthians tentou atacar mas foi facilmente neutralizado pela zaga palmeirense. Aqui, dois lances de Janderson pela esquerda


O segundo gol do Palmeiras, em bela cobrança de pênalti de Papagaio


Bola estufando as redes de Anderson no primeiro tento corintiano

O gol de cabeça de Adson aos 50 minutos, o segundo alvinegro, não diminuiu a festa que já era grande nas arquibancadas. Quando o árbitro encerrou o cotejo com o placar de Palmeiras 4-2 Corinthians, o sexto caneco alviverde do Paulista sub-20 estava garantido. Vale de novo ressaltar: apesar do clube considerar esse sendo o sétimo título na categoria, isso é um erro histórico. Foi o sexto (1992, 1998, 2002, 2009, 2017 e agora), já que em 2004 o campeão foi o Palmeiras B. Como temos um compromisso de registrar o que realmente aconteceu, é sempre necessário fazer essa correção.


O time sub-20 do Corinthians recebendo a taça pelo vice-campeonato



A festa alviverde pelo bi estadual, o sexto título do clube desde a reorganização de 1980

Ainda fiquei um tempo dentro de campo para fazer as fotos da premiação e uma coisa me chamou bastante a atenção quando os jogadores do Corinthians foram ao tablado. Vários deles nem bem recebiam as medalhas de prata e já tiravam do pescoço. Alguns chegaram a ir embora embora do espaço reservado sem nem esperarem o seu capitão receber a taça.

Um comportamento absolutamente deplorável que mostra como essa molecada é mimada demais pelos empresários e pelos próprios clubes. Eles tem que aprender que apenas uma agremiação chega ao título e que ser vice-campeão não e nenhum demérito, pelo contrário. Tudo bem que uma derrota pro maior rival não é pouca coisa, só que hombridade acima de tudo. Saber perder é algo que definitivamente não é pra todo mundo.

Não sei se consigo emplacar mais uma cobertura em 2018. De qualquer forma estarei de olho para ver se consigo algo. Vou acabar o ano com menos de 100 jogos vistos, porém em tempos de recuperação pessoal e profissional, isso é o que menos importa.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Palmeiras 4-2 Corinthians

Competição: Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão; Local: Arena Barueri; Árbitro: Thiago Luis Scarascati; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Gabriel Menino, Matheus Neris, Papagaio, Marcus Meloni (Pal), Rafinha, Igor, Rafael Bilu (Cor); Gols: Airton 3, Papagaio (pênalti) 17, Esteves 31', Fabricio Oya 35, Marcus Meloni 44 e Adson 50 do 2º.
Corinthians: Filipe; Igor, João, Ronald, Caetano; Du, Fessin (João Celeri), Rafinha (Rafael Bilu), Fabricio Oya; Janderson (Adson) e Nathan. Técnico: Eduardo Barroca.
Palmeiras: Anderson; Matheus Rocha, Gabriel Furtado, Iago e Esteves (Guilherme Vieira); Matheus Neris (Patrick de Lucca), Gabriel Menino (Marcus Meloni) e Patrick de Paula (Airton); Wesley (Mateus Barbosa), Papagaio (Aníbal) e Luan Cândido. Técnico: Wesley Carvalho.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Corinthians inverte a vantagem na final do Paulista sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


Depois de três semanas - ô saudade - arranjei um ânimo que nem sabia que tinha e voltei aos gramados mesmo com sono, preguiça e com um calor dos infernos. Tudo para acompanhar o primeiro dérbi decisivo entre Corinthians e Palmeiras pelo Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão. Pela primeira vez desde a reorganização de 1980 os dois grandes rivais fazem a final desse certame. O antigo clássico foi realizado no genial Estádio Alfredo Schurig, a Fazendinha.

Antes de continuar, um parênteses: o alviverde foi campeão das edições 1992, 1998, 2002, 2009 e 2017 (em final contra a Ponte Preta, que teve cobertura do JP). Em 2004, quem conquistou o caneco foi o Palmeiras B. Naquele ano, alguém misturou as carteirinhas e colocou os melhores atletas no time B, deixando pro "A" a raspa do tacho. Resultado: o "A" foi eliminado na primeira fase e o B foi campeão em cima do Corinthians. É um erro histórico absurdo considerar que o time "A" foi o primeiro colocado daquela edição como o pessoal do clube da Zona Oeste faz.

Dito isso, podemos dizer que o Palmeiras está buscando sua sexta conquista enquanto o Corinthians, campeão em 1997, 2014 e 2015 (em decisão contra o Santos que também teve cobertura do blog) busca seu quarto título. Os dois tem um extenso histórico de duelos nessa competição, os mais recentes na segunda fase desse ano: vitória corintiana por 4x3 em Diadema e triunfo palmeirense por 2x1 em Osasco. No ano passado, no caminho do penta, a equipe da Zona Oeste eliminou o Mosqueteiro com duas vitórias pela contagem mínima nas quartas-de-final (a segunda delas, em Barueri, com cobertura do JP).

Depois de uma terça e quarta-feira com um calor absurdo na cidade de São Paulo, a manhã de quinta nasceu menos infernal. Não que estivesse frio ou algo do tipo, mas os três graus a menos já fizeram uma pequena diferença. Peguei o caminho da Zona Oeste até a Zona Leste na paz e cheguei no Parque São Jorge por volta das 9h20. O genial é que por estar devidamente credenciado, acessei o estádio pelo clube social. Fazia um tempo que não passava por ali e sempre que ando pelas alamedas históricas várias memórias do passado retornam.

Por estar credenciado também não fui obrigado a cozinhar nas arquibancadas, então fiquei numa das cabines, lugar também que não ia há muitos anos. As últimas vezes foram nos compromissos do Corinthians B na Série B3 de 2001 (!), quase uma eternidade. Não são cabines nababescas, porém elas cumprem seu papel de forma satisfatória. Tudo bem que os banheiros tem pias sem torneiras (!), ainda assim, é melhor do que grande parte dos estádios que já visitei.

Campeão do estadual em 2017 e atual campeão brasileiro da categoria, o alviverde fez a melhor campanha da competição, perdendo apenas dois dos seus 30 jogos. O Corinthians tem a terceira e, na fase semi-final, eliminou o São Paulo, dono da segunda melhor campanha com duas vitórias incontestáveis. Clássico é clássico até na base, então mesmo com a melhor performance em 2018, fica difícil cravar um enorme favoritismo nesse confronto.


Times perfilados antes do apito inicial


Não quis encarar o sol só para fazer a foto posada, então peguei carona lá do alto. Detalhe: só o Corinthians quis posar para o instantâneo oficial

Para um público abaixo do esperado, o Corinthians foi melhor durante o tempo inicial do dérbi. Só que a primeira oportunidade foi do Palmeiras aos cinco minutos numa cabeçada perigosa da pequena área. Aos 23, a primeira ótima chance corintiana em chute cruzado de Nathan que passou perto do canto esquerdo. Dois minutos depois o Timão fez o seu gol. Janderson fez belíssima jogada pela direita, passou liso pelos defensores, chegou na linha de fundo e cruzou pro meio da área. Fabrício Oya, super bem colocado, surgiu livre e chutou no canto esquerdo.

Antes do término do tempo inicial o Corinthians teve mais dois ótimos ataques que poderiam ter sido convertidos em gols. O melhor deles numa genial bicicleta de Nathan que foi bloqueada pela zaga na hora H. Mostrando muita qualidade ofensiva e uma boa segurança na zaga, o intervalo chegou com vantagem parcial do Mosqueteiro.


Fabricio Oya finalizando do meio da área


Palmeiras atacando pelo alto


Comemoração dos atletas mosqueteiros no primeiro gol, marcado por Fabricio Oya

Na volta pro tempo final o alvinegro permaneceu melhor e aos cinco minutos Fabricio Oya perdeu uma oportunidade absurda para fazer o segundo. O camisa 10 escorou livre na pequena área um cruzamento da esquerda mas mandou por cima. Aos oito, Papagaio - viva os apelidos no futebol brasileiro! - ajeitou para Wesley e o atleta alviverde finalizou mal. Aos doze, Lucas Piton teve bom momento e chutou com classe, só que os defensores visitantes mandaram pela linha de fundo.

A partir daí o sol apareceu forte e a partida caiu de produção. O Palmeiras ficou mais tempo com a bola nos pés e obrigou a zaga local a trabalhar muito. Em dois momentos os atletas alviverdes pediram a marcação de pênaltis, a meu ver sem razão, e a arbitragem deixou seguir. O Timão se segurou na boa e ao final dos 90 minutos conseguiu inverter a vantagem.


Sempre é uma delícia ver um jogo no Parque São Jorge, um dos estádios mais tradicionais do estado


Zaga corintiana prestes a mandar a pelota pra longe


Investida corintiana durante o segundo tempo

O placar de Corinthians 1-0 Palmeiras faz com que o time do Parque São Jorge jogue por um empate na Arena Barueri para conquistar seu quarto título do estadual da categoria desde 1980. Os atuais campeões brasileiros precisarão vencer para serem campeões pela sexta vez. Agora, com todo o respeito, esse era um clássico com a cara do Pacaembu, não? Um crime ser disputado fora da capital.

Foi isso. Depois do apito final peguei o caminho de volta pro QG para um providencial pit stop antes da labuta do dia a dia. Falando sobre novas coberturas, não tenho a menor ideia de quando será a próxima cobertura. Estamos de olho.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Corinthians 1-0 Palmeiras

Competição: Campeonato Paulista sub-20 da Primeira Divisão; Local: Estádio Alfredo Schurig; Árbitro: Lucas Canetto Bellote; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Nathan, Caetano, Ronald (Cor), Matheus Rocha, Iago, Papagaio (Pal); Gol: Fabricio Oya 25 do 1º.
Corinthians: Filipe; Igor, João, Ronald e Caetano; Du; Janderson (Vitinho), Fabricio Oya (Roni), Rafinha (Adson) e Lucas Piton (Welliton); Nathan (João Celeri). Técnico: Eduardo Barroca.
Palmeiras: Anderson; Matheus Rocha, Gabriel Furtado, Iago e Lucas Esteves; Patrick de Lucca (Marcus Meloni), Patrick de Paula e Wesley (Guilherme Vieira); Airton (Matheus Neris), Luan Cândido e Papagaio (Aníbal).  Técnico: Wesley Carvalho.
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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Jogos Perdidos, 14 anos




E não é que chegamos aos 14 anos? Hoje tem um monte de blogs e sites que falam sobre futebol alternativo espalhados na grande rede, porém em 2004 a história era outra. Eram tempos em que as federações não tinham sites decentes, ninguém fala de jogo perdido e poucos realmente se interessavam pelo assunto. Se levarmos em conta a internet em si, 14 anos são uma eternidade.

Foi nesse árido cenário que, naquela segunda-feira, 1º de novembro de 2004, iniciamos os trabalhos do JP sem pensar no que nos tornaríamos. Com o tempo aprendemos direitinho a importância do trabalho feito e graças a isso ainda estamos aqui, independente de todas as dificuldades. Poucos podem se orgulhar de ter um histórico com tantas coberturas in loco como nós. Poucos tomaram tanta chuva, passaram tanto calor/frio e viveram um sem número de perrengues inimagináveis apenas para registrar uma partida de futebol. 

Ao contrário do que muitos pensam, conseguimos demonstrar na pele que o futebol é importante em todas as suas divisões, em todos os campos por todos os cantos. Já produzimos muito mais do que nos dias atuais, mas não vamos parar, pelo menos por enquanto. A responsabilidade é grande demais para que a gente desapareça. Apesar dos pesares, ainda não é hora de tirar o time de campo.

Vida longa ao Jogos Perdidos.