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terça-feira, 17 de novembro de 2015

JP no aniversário de 120 anos do Flamengo (com direito a time novo)


Nos tempos áureos do JP vira e mexe rolava por aqui o famoso "Especial do Mês", que nada mais era do que uma cobertura especial do blog feita em alguma viagem. Nesse esquema fomos para muitos lugares dentro e fora de São Paulo e vimos jogos absolutamente sensacionais em jornadas inesquecíveis. Infelizmente, como um leitor mais atento pôde perceber há muito, isso virou artigo de luxo.

Até setembro o panorama era esse, mas desde outubro a coisa mudou de figura. Primeiro, a minha viagem ao Chile foi praticamente um "Especial da Vida", e no começo desse mês emendei um post digno da antiga série com a primeira partida da decisão do Brasileiro Série D em Ribeirão Preto. Para não deixar o lance esfriar, nesse 15 de novembro resolvi fazer o segundo "Especial do Mês" seguido com um bate-volta monstro para o Rio de Janeiro.

Não visitava a cidade desde o genial e antológico Espanha 10x0 Taiti válido pela Copa das Confederações, em meio às famosas manifestações de junho de 2013. Aliás, tirando o duelo entre São Cristóvão x Condor pela Copa Rio de 2007, até o domingo só tinha assistido pelejas entre seleções na capital fluminense (nove no total).

O motivo da minha ida foi acompanhar de perto o amistoso internacional que comemorou os 120 anos do Clube de Regatas Flamengo. O adversário foi o Orlando City Soccer Club, time fundado há exatamente dois anos - 19 de novembro de 2013 - e que jogou sua primeira Major League Soccer nessa temporada. Essa foi a 612º equipe a entrar na minha Lista, a segunda (tirando a seleção) dos Estados Unidos.


Fachada do (novo) Maracanã, uma das raras lembranças do antigo estádio que foi completamente demolido para a Copa de 2014. Foto: Fernando Martinez.


Placar eletrônico e os 120 anos do Flamengo. Foto: Fernando Martinez.


Times perfilados para os respectivos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.

Para a minha terceira visita no (novo) Maracanã cheguei por volta do almoço na cidade e sem muita demora rumei ao palco da final da Copa do Mundo de 2014. Confesso que por ser uma data comemorativa para a torcida rubro-negra imaginei que o estádio receberia um grande público. É, só que os valores altos afastaram a torcida e pouco mais de 10 mil pessoas pagaram ingresso para a festinha do Fla.

O legal foi ver um grande número de mulheres e crianças nas arquibancadas, dando ao jogo um clima bastante tranquilo. Antes do apito inicial teve minuto de silêncio para os atentados na França e hino do clube sendo cantado a plenos pulmões pelos presentes. Com a bola rolando, ficou claro desde os primeiros momentos que não teríamos uma grande tarde de futebol.

Parecia que os dois times tinham mandado brasa numa feijuca nervosa na hora do almoço, pois a peleja foi bem abaixo do esperado. Vários rubro-negros que estavam próximos do meu lugar ficaram indignados com tamanha indolência. Eu estava de boa, já que o lance mesmo era matar um time e finalmente ver o Fla no (novo) Maracanã, mas que o negócio foi feio, isso foi.

O Orlando City foi melhor do que o time local no primeiro tempo, só que os jogadores são bem fraquinhos, e então o gol não saiu. O time da terra do Tio Sam ainda teve um pênalti marcado a seu favor depois que Alan Patrick derrubou Adrian Winter dentro da área. Bryan Róchez bateu de forma bisonha e o goleiro Paulo Victor defendeu. Os primeiros 45 minutos passaram em branco.


Ataque flamenguista no começo do amistoso. Foto: Fernando Martinez.


Orlando City atacando pela direita. Foto: Fernando Martinez.


Bryan Róchez desperdiçou a chance do Orlando abrir o marcador nesse pênalti perdido. Foto: Fernando Martinez.


A multid... ops, as arquibancadas vazias acompanhando um escanteio a favor do rubro-negro. Foto: Fernando Martinez.


Algo que faz falta nos estádios paulistas: bandeiras nas torcidas. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final o Fla trocou todo o time e finalmente passou a jogar relativamente bem - enfatizando o "relativamente", já que não foi assim uma Brastemp. Os locais ocuparam mais a área dos visitantes e aos 24 minutos Luiz Antônio salvou a tarde com um gol de falta, contando, vale destacar, com o desvio de um dos zagueiros do Orlando.

Ao término dos 90 minutos o placar eletrônico do (novo) Maracanã mostrava o placar final de Flamengo 1-0 Orlando City. Para muitos o jogo não significou absolutamente nada, mas para mim foi sensacional, já que está cada vez mais raro, pelo menos aqui em São Paulo, ver amistosos entre clubes.


No tempo final o Fla usou time reserva e melhorou um pouco... só um pouco. Foto: Fernando Martinez.


Bola estufando as redes do Orlando City no único gol da peleja. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral de outra investida local. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola pelo alto. Foto: Fernando Martinez.

Como dei sorte e peguei um dia nublado e sem tanto calor, saí do estádio e fui andar pela primeira vez no metrô na cidade com destino ao centro. Genial passear pela Cinelândia e adjacências prestando atenção na grande beleza do local. Dali voltei ao QG para fazer aquela boquinha, voltando para São Paulo nas primeiras horas da segunda-feira.

Até a próxima!

Fernando

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 3 de 13): Croácia segura os donos da casa no Estadio Nacional


Depois da vitória nigeriana contra os Estados Unidos na primeira partida válida pelo Grupo A da Copa do Mundo Sub-17, chegou a hora da animada torcida local ver a volta do Chile à competição depois de 18 anos de ausência. Na minha segunda abertura de uma competição da FIFA na história, vi a "La Roja" enfrentar a genial seleção da Croácia. Detalhe: nenhuma das duas era inédita, já que coloquei ambas na Lista durante o Mundial de 2014.

Por se tratar do início oficial do certame, rolou uma mini-cerimônia de abertura entre as duas partidas da chave. Não foi nada parecido com o que vi na Copa do Mundo de 2014 - por coincidência num jogo da seleção do país sede contra os croatas - mas valeu mesmo assim. O evento teve a apresentação de uma orquestra de jovens e também de alguns artistas locais, e durou cerca de quinze minutos.




Três momentos da cerimônia de abertura da Copa do Mundo Sub-17 do Chile. Fotos: Fernando Martinez.

Ainda estava meio aéreo por conta de todo o clima, e aos poucos o setor da arquibancada em que me encontrava no Estadio Nacional foi ficando cada vez mais cheio. O público total anunciado foi de 20.637 pagantes, a avassaladora maioria, claro, de empolgadíssimos chilenos. Até a presidente Michelle Bachelet apareceu por lá (por sinal, muito aplaudida pelos presentes).

Perto das oito da noite, com o sol ainda se pondo e espetacularmente refletindo na neve dos Andes, Chile e Croácia entraram em campo para suas estreias no Mundial. Essa é a terceira vez que cada um dos times participam da competição. Os sul-americanos conquistaram o terceiro lugar em 1993 e foram eliminados na fase inicial em 1997. Já os croatas caíram na primeira fase em 2001 e 2013.

Antes do apito inicial tive a honra de ouvir o hino chileno cantado a plenos pulmões pelos presentes, num dos momentos mais geniais da minha viagem. Animados e empolgados ao extremo, quando o jogo finalmente começou a torcida aplaudia e vibrava até em cobrança de lateral. Nem o gol - sem querer, é verdade - da Croácia, marcado aos oito minutos por Nikola Moro, desanimou o povo.

Os meninos chilenos retribuíram os gritos vindos das históricas arquibancadas com muita força de vontade e superação. A equipe armou ataques perigosos e aos 33 minutos saiu o gol de empate num chute cruzado de Yerko Levia. O tempo inicial terminou com esse marcador.


Sol se pondo em Santiago iluminando os Andes. Visão absolutamente sensacional. Foto: Fernando Martinez.


Josip Brekalo, camisa 7 da Croácia, atacando pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Início da jogada que originou o gol croata. Foto: Fernando Martinez.


Marcelo Allende levantando a pelota na área do time europeu. Foto: Fernando Martinez.


O Estadio Nacional do Chile recebeu mais de 20 mil pessoas para a abertura oficial da Copa do Mundo Sub-17. Foto: Fernando Martinez.

No intervalo saí do meu lugar para perambular um pouco pela parte interna do Estadio Nacional. Fui debaixo das arquibancadas, aonde há uma espécie de salão nobre. Na parte de baixo ficou o povão, e na parte de cima os VIPs da FIFA. Algumas "hamburguesas" depois, voltei para meu assento.

No tempo final a partida continuou com um nível técnico razoável. O Chile teve mais chances, mas a Croácia conseguiu se segurar bem no campo de defesa. O onze europeu só assustou em alguns lances nos minutos finais, testando o coração do público pagante. No fim, a peleja ficou mesmo em Chile 1-1 Croácia. Ao término da rodada inicial, a Nigéria era a líder por conta do triunfo contra os Estados Unidos.


Jogador da Croácia impedindo a bola de sair pela linha lateral. Foto: Fernando Martinez.


Chute de longe para o Chile no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral de um Estadio Nacional já vazio após o apito final. Foto: Fernando Martinez.

A noite poderia ter terminado com o apito final, mas eu levei mais um bom tempo dentro das dependências do estádio. Ao zanzar pelas arquibancadas em busca de um ingresso físico - distribuído exclusivamente pelo COL - para minha coleção notei que todos os seguranças e voluntários da FIFA já tinham deixado seus postos. Cheguei de mansinho na tribuna de honra, nas cabines de imprensa e, incrivelmente, no "VIP Lounge" da entidade.

O tal do VIP Lounge nada mais era do que a parte superior do salão nobre que havia visto no intervalo. Como quem não quer nada entrei no local sem ser incomodado e tive à minha disposição uma mesa farta com muita comida e filas de geladeiras com refrigerantes da Coca-Cola à vontade. Não titubeei e aproveitei para fazer uma boquinha esperta às custas de Joseph Blatter e seus amiguinhos.



A entrada do VIP Lounge da FIFA e a mesa repleta de quitutes que me deixaram mais do que satisfeito. Fotos: Fernando Martinez.

Meia hora depois, devidamente satisfeito com tanta comida e bebida, peguei o caminho de volta para o meu primeiro QG em Santiago. Foi super fácil e rápido voltar para o hotel, algo comum na minha estadia por lá. Dormi um sono sensacional depois da genial rodada tripla que fiz já pensando na rodada dupla do domingo. Teve duas pelejas de chilenos das divisões de acesso na pauta.

Até lá!

Fernando

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Botafogo sai na frente no primeiro jogo da decisão da Série D


Cinco meses após o pontapé inicial, o Campeonato Brasileiro da Série D chegou na sua grande final com um confronto em que poucos acreditariam que fosse possível acontecer lá no começo de julho. Não tanto pelo Botafogo de Ribeirão Preto e sim pela presença do genial Ríver Atlético Clube do Piauí. Como não dava pra perder uma decisão dessa em território paulista, armei um bate-volta monstro até o Estádio Santa Cruz para conferir de perto as emoções do jogo de ida.

Independente da conquista ou não do caneco, os dois times já haviam conquistado algo bastante importante na competição: o acesso para a Série C - junto com Remo e Ypiranga de Erechim - e a chance de ter uma temporada um pouquinho mais decente em 2016. O Bota não começou bem o certame e quase foi eliminado pelo Gama na primeira fase. Depois funcionou o esquema de vencer em casa e segurar a vantagem longe dos seus domínios. Dessa forma a Pantera eliminou CRAC, São Caetano (na disputa direta pela vaga na terceirona) e Remo. O time volta para a C depois de treze anos.

Já a promoção do Ríver foi algo bastante emblemático para o futebol piauiense no geral. Essa foi a primeira vez que um time do estado conquistou um acesso num campeonato nacional. Vários já haviam tentado esse feito através dos tempos, mas foi o Tricolor Mafrense, o maior campeão do seu estado com 29 títulos, quem conseguiu. A campanha foi sensacional: o time se manteve invicto na primeira fase e depois eliminou Estanciano, Lajeadense e Ypiranga até chegar na decisão.


Botafogo FC - Ribeirão Preto/SP. Foto: Fernando Martinez.


Ríver AC - Teresina/PI. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times e trio catarinense para a decisão com o árbitro Bráulio da Silva Machado e os assistentes Thiaggo Americano Labes e Helton Nunes. O quarto árbitro foi o paulista Rodrigo Guarizo do Amaral. Foto: Fernando Martinez.

Por ter feito melhor campanha, o Ríver ganhou o direito de mandar a segunda partida, mas se depender de retrospecto, a vantagem é toda paulista. Em 64 jogos disputados entre equipes dos dois estados em campeonatos nacionais (somando Brasileiro de todas as divisões e Copa do Brasil), os nordestinos venceram apenas cinco vezes, a última em 1984. Falando especificamente do Ríver, foram 18 pelejas e apenas uma vitória do Galo Carijó: 3x2 contra o América de São José de Rio Preto no Brasileiro de 1978.

Para colocar o 611º time na minha Lista fui cedo para a Califórnia Brasileira e cheguei na rodoviária da cidade faltando mais de uma hora para o apito inicial. O trajeto dali até a casa tricolor foi tranquilo e não demorou para já estar nos portões principais do Santa Cruz. Antes de ir para o campo de jogo, dei uma passadinha na genial lojinha do Botafogo. Aliás, ainda aguardo o dia em que todos os clubes possam ter uma loja oficial nas suas dependências.

No mesmo momento em que fui para o gramado começou uma agradável chuva que se estendeu por todo o tempo inicial. Aliás, corrigi um erro histórico, já que nunca tinha visto um jogo do tricolor de Ribeirão Preto como mandante na sua casa. A única partida que tinha visto ali tinha sido um Olé Brasil x Jaboticabal na Segundona Paulista de 2009. A dívida foi paga com juros e correção.

Depois de todo o cerimonial antes do apito inicial, o jogo começou. A torcida fez bem o seu papel e empurrou a Pantera durante todo o tempo. Aos cinco minutos aconteceu a primeira grande emoção no Santa Cruz quando Helton Luiz avançou pela direita e cruzou. Francis, já mostrando que estava inspiradíssimo, emendou um toque genial de letra e a bola tocou na trave visitante.

Depois disso a chuva apertou e o equilíbrio foi a marca da peleja. As duas equipes concentraram as ações no meio-campo e chegaram pouco dentro da área adversária. Só perto do fim da primeira etapa que Canela, outro destaque da noite, emendou dois bons ataques, mas nenhum deles resultou em gol. No intervalo o marcador ainda estava em branco.


O Estádio Santa Cruz recebeu quase dez mil pessoas para na ida da grande final da Série D 2015. Foto: Fernando Martinez.


Marcador piauiense desarmando atacante local. Foto: Fernando Martinez.


Jogador do Ríver mandando um toque cheio de estilo. Foto: Fernando Martinez.


Boa saída do goleiro Naylson na cabeça do camisa 3 Caio. Foto: Fernando Martinez.


Mais um ataque botafoguense pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Lance dentro da área do time visitante. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo o jogo foi simplesmente eletrizante, digno de uma grande decisão. O Botafogo voltou mais inspirado e o Ríver, tentando segurar o empate de qualquer jeito, se manteve todo no campo de defesa. A única chance dos piauienses estava nos contra-ataques, como no que terminou em boa cobrança de falta de Júnior Xuxa e boa defesa de Neneca.

Na sequência o Botafogo abriu o marcador se aproveitando de uma jogada brilhante de Canela. Ele fez grande jogada pela esquerda, deu um drible antológico num dos zagueiros e avançou até dentro da área. O camisa 11 cruzou e Francis completou para o fundo do gol.

Aos 22 o Ríver criou boa chance, mais uma vez neutralizada pelo arqueiro botafoguense. Aos 25, Francis fez o segundo num sem-pulo depois de bola escorada por Nunes. Mesmo com 2x0 o Bota continuou bem e teve chances para praticamente definir a decisão, mas acabou sofrendo o primeiro aos 36 minutos, através de Célio Codó.

Seis minutos depois a torcida voltou a fazer a festa quando Francis completou seu "hat trick" numa cabeçada de puro oportunismo. A partir daí parte do Santa Cruz começou a gritar "é campeão", algo sempre temerário antes de qualquer apito final. Os gritos duraram exatamente 120 segundos, pois aos 44 o Ríver marcou novamente, agora com Amorim.


O genial drible de Canela no início da jogada do primeiro gol do Botafogo. Foto: Fernando Martinez.


Alex (15) marcando Canela (11). Foto: Fernando Martinez.



Francis subindo mais do que o zagueiro para fazer seu terceiro gol da noite e a bola no fundo das redes, para a tristeza de Naylson. Fotos: Fernando Martinez.


Naylson fazendo sua prece depois de Bota 3-2 Ríver. Foto: Fernando Martinez.

No fim, o placar de Botafogo 3-2 Ríver deixou a decisão totalmente em aberto. Com certeza a torcida do Tricolor Mafrense vai lotar o Albertão para tentar viver a primeira conquista nacional do estado. A Pantera joga pelo empate, enquando o onze nordestino precisa vencer. A sorte está lançada.


Placar final da primeira decisão da quarta divisão nacional em 2015. Foto: Fernando Martinez.

Como armei um esquema-ninja com um taxista local, consegui chegar na rodoviária da cidade a tempo de ainda fazer uma boquinha numa lanchonete dali dois minutos antes dela fechar as portas. Com a barriga cheia foi só esperar dar o horário da partida do ônibus que me trouxe novamente para a capital paulista. Um bate-volta que durou quase 14 horas, mas que valeu demais a pena.

Até a próxima!

Fernando

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 2 de 13): Mais uma abertura de Copa do Mundo, agora sub-17, na Lista


Os amigos que visitam o JP sabem que fizemos uma cobertura bem peculiar da Copa do Mundo (caso não saibam, basta clicar aqui e conferir tudo que fizemos em junho e julho de 2014). Da minha parte, visitei seis sedes e pirei de verdade graças a tudo que vivi. Foi fácil decidir que marcarei presença em outro mundial, mas como 2022 ainda está um pouco longe, resolvi me virar com outra Copa, dessa vez na categoria sub-17.

Os torneios de base da FIFA quase sempre são realizados em países do "submundo" futebolístico, como Finlândia, Trinidad & Tobago, Nova Zelândia e Emirados Árabes Unidos. Para a minha alegria, o Chile venceu a disputa para sediar a Copa do Mundo sub-17 desse ano (derrotando País de Gales, Rússia e Tunísia). Juntei então a fome com a vontade de comer e me preparei por muito tempo para me aventurar pelo país sul-americano durante a primeira fase do certame.

Comprei os ingressos de forma bem tranquila pela internet mesmo ainda sem a lista dos participantes estar completamente definida. Montei um esquema ninja para assistir dez partidas válidas por cinco das seis chaves da competição. Não dei muita sorte no sorteio, pois quatro das nove seleções inéditas da minha Lista acabaram caindo no grupo mais distante de Santiago - Puerto Montt, a mais de 900 quilômetros da capital. As outras cinco estavam devidamente "cobertas" pelo meu cronograma (a programação depois foi alterada e uma rodada foi cortada. Essa história será contada nos próximos posts).

Planejei iniciar as coberturas logo na abertura oficial da competição, marcada para a tarde/noite do sábado, dia 17 de outubro. O legal é que a primeira rodada dupla foi a única marcada para o Estadio Nacional Julio Martínez Prádanos, o histórico Estadio Nacional de Chile, localizado no bairro de Ñuñoa.

Inaugurado em 1938 (com um genial Colo-Colo 6-3 São Cristóvão, duelo digno dos nossos pensamentos non-sense), o estádio sediou alguns jogos da Copa de 1962, 74 jogos da Copa América, onze finais de Libertadores, duas de Copa Sul-Americana e partidas do Mundial sub-20 de 1987. Isso sem contar inúmeros confrontos antológicos da seleção brasileira e dos clubes tupiniquins.

Apesar de ter sido construído com fins unicamente esportivos, não há como não ligar o local com o regime miltar iniciado em 11 de setembro de 1973. Nos dois primeiros meses após o golpe, o estádio foi transformado num campo de concentração e mais de 40 mil pessoas passaram por ali. Várias delas, cerca de 3 mil, não saíram vivas.

Na grande reforma de 2008, o Estadio Nacional foi todo remodelado, mas o portão 8, a única ligação daqueles prisioneiros de 1973 com o mundo exterior, foi mantido intacto e a frase "Un pueblo sin memoria es un pueblo sin futuro” foi pintada para que ninguém esqueça aqueles tenebrosos dias. Um exemplo para outros países que ainda insistem em não contar sua história como ela realmente aconteceu.

Com tanta memória envolvida, eu precisava ir lá de qualquer jeito. O bom é que o acesso ao principal palco do futebol chileno é super fácil. Peguei o metrô na Estação La Moneda (da Linha 1), fiz baldeação na Estação Baquedano (da Linha 5) e então segui até a Estação Ñuble. Um percurso que levou cerca de vinte minutos. Dali andei mais quinze pela Rua Carlos Dittborn até conseguir visualizar o majestoso estádio com a Cordilheira dos Andes ao fundo.


Outdoor nos arredores do Estadio Nacional. Foto: Fernando Martinez.


Os Andes fazem parte do cenário de quase toda cidade de Santiago. Aqui, numa das laterais de todo o complexo que abriga o estádio. Foto: Fernando Martinez.


O Portão 8 preservado como em 1973. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto dava a volta no complexo pelas Avenidas Grecia e Pedro de Valdivia até a entrada principal, foi caindo a ficha que estava prestes a assistir outra cerimônia de abertura de um torneio organizado pela FIFA. Obviamente que o clima era muito diferente que vivi no Brasil x Croácia de 2014, mas mesmo assim consegui, guardadas as devidas proporções, matar um pouquinho da saudade.

O público ainda era pequeno quando finalmente passei pelos portões. Algo natural, já que a seleção da casa só entraria em campo no jogo de fundo. Com isso, não foram muitos os que acompanharam desde o início a abertura oficial da Copa do Mundo sub-17 2015 com o confronto da Nigéria, a atual campeã, contra os Estados Unidos pelo Grupo A.

Por conta de tudo que descrevi lá no alto, me emocionei demais ao subir para as arquibancadas e fiquei uns dez minutos simplesmente parado no portão para assimilar de forma completa que realmente todo esforço que fiz por meses e meses havia dado resultado. Com capacidade para 48.665 pessoas, o local parece maior pela televisão. Independente disso ainda é um estádio absolutamente sensacional.

Logo fui para o meu lugar marcado, perto do gramado e também muito perto das numeradas cobertas. A visão dali é única, pois os Andes completam o cenário de forma brilhante. Meio fora do ar, permaneci estático observando cada detalhe possível até africanos e norte-americanos entrarem em campo.


Numerada coberta do Estadio Nacional. Foto: Fernando Martinez.



Tudo bem, não é a foto oficial com a qualidade tradicional do JP, mas impossível deixar de registrar as duas seleções posando para as fotos antes da partida. Fotos: Fernando Martinez.

Falando um pouco da histórias das duas seleções, vale lembnar que a seleção nigeriana nada mais é do que o time que mais chegou em finais do mundial da categoria (sete) e também o maior campeão com quatro títulos (1985, 1993, 2007 e 2013). Os "Super Eagles" se classificaram para seu 11º mundial depois de ficarem em quarto lugar no campeonato sub-17 da CAF. Já a classificação norte-americana foi muito mais complicada e aconteceu somente depois da vitória contra a Jamaica nos pênaltis no torneio da CONCACAF. Essa é a 15ª vez que os EUA jogam a competição. Junto com o Brasil, é a seleção com mais participações na história.

Depois de todo o protocolo da FIFA ser seguido - com direito, claro, a rolar a clássica Thunderstruck do AC/DC no sistema de som - o árbitro alemão Deniz Aytekin iniciou oficialmente a Copa do Mundo sub-17 de 2015. Os torcedores que já estavam no estádio não torceram para ninguém em especial, e assim como eu queriam apenas ver um bom jogo. A atual campeã teve dificuldades durante o tempo inicial, e os Estados Unidos surpreenderam indo bem na defesa e também no ataque.


Lance pelo alto no começo do confronto entre Nigéria e Estados Unidos. Foto: Fernando Martinez.


Campo defensivo da Nigéria densamente povoado em ataque dos Estados Unidos pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Atacante Josh Perez tentando se livrar da marcação da zaga africana. Foto: Fernando Martinez.

A partida foi muito equilibrada, e a seleção americana foi quem criou a melhor oportunidade para abrir o marcador no primeiro tempo. Eram decorridos 13 minutos quando Pulisic avançou pela esquerda e mandou a bola para o meio da área. O camisa 7 Haji Wright, mesmo com o goleiro fora do lance, chutou pra fora.

O tempo inicial ficou em branco, e no segundo a Nigéria voltou disposta a não dar sopa pro azar. Aos cinco minutos o zagueiro Trusty não foi fiel aos seus princípios defensivos e afastou muito mal uma bola cruzada da direita. A pelota acabou sobrando limpa para o camisa 12 Chukwudi Agor, que chutou forte no canto para fazer o primeiro.

Aos 16 foi a vez do goleiro norte-americano cobrar um tiro de meta bem sem vergonha. O sistema defensivo do time do Tio Sam dormiu no ponto e Victor Osimhen, ligadaço em tudo que acontecia ao seu redor, recebeu, driblou a zaga e chutou forte para ampliar. A seleção norte-americana até que não se abateu, só que não teve tranquilidade suficiente para incomodar a zaga africana durante o resto da peleja.


A Nigéria foi muito melhor no tempo final e conseguiu fazer valer seu favoritismo. Foto: Fernando Martinez.


Bola no fundo das redes norte-americanas no gol de Agor. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Os Estados Unidos tentaram fazer o gol de honra, mas não tiveram sucesso. Foto: Fernando Martinez.


Placar final do jogo de estreia da maior campeã da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.

No fim, a maior campeã da Copa do Mundo sub-17 estreou com o pé direito no Chile: Nigéria 2-0 Estados Unidos. Logo depois do apito final, começou a tímida cerimônia de abertura, e a torcida já ocupava boa parte das arquibancadas do Estadio Nacional para a estreia da seleção da casa no Mundial.

Até lá!

Fernando