Texto e fotos: Fernando Martinez
Última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista da Série A4, e o JP não poderia deixar de acompanhar de perto. Fomos até o Estádio Anacleto Campanella ver o raro duelo entre São Caetano e Inter de Bebedouro: um classificado e outro buscando uma improvável vaga nas quartas de final da competição.
Não lembrava de um confronto recente entre os dois, então recorri aos meus alfarrábios. O histórico registrava apenas quatro encontros entre 1996 e 1998, com três vitórias do clube do ABC e uma do alvirrubro. No Anacleto, o último embate tinha sido em 23 de março de 1997, quase 28 anos atrás. Desde que o Azulão chegou aos principais certames do país e da América do Sul, nunca mais tinham ficado frente a frente.
Diferente do quórum altíssimo do sábado anterior no Nacional 0-3 VOCEM, fui só com o Milton nesta jornada. Antes de entrar no estádio, passei na padaria em frente ao portão principal para comprar algo para comer e, para minha total surpresa, achei um refrigerante GINI. Produto consumido em profusão dos anos 60 aos 80, ele depois sumiu das prateleiras. Para quem estudou em uma escola que só vendia Gini, Crush e Grapette na cantina, encontrar essa raridade foi sensacional. Vale registrar que o gosto continua o mesmo. Ganhou fácil o Selo JP de Qualidade.
Já nas dependências do Anacleto, vi que a peleja teria um bom público. Longe do padrão dos tempos de glória, mas um número interessante. Apesar de já classificado, o vice-campeão da Libertadores de 2002 vinha de três jogos sem vencer. Já a Inter precisava de um resultado melhor do que o Colorado, seu concorrente direto pela última vaga no mata-mata. Se vencesse, o time de Caieiras teria que empatar. Se empatasse, o Audax precisaria vencer o Colorado. Missão difícil.
São Caetano Futebol Ltda. - São Caetano do Sul/SP
Associação Atlética Internacional - Bebedouro/SP
O árbitro Clayton de Oliveira Dutra, os assistentes Douglas Marcel Borges e Elias Cedraz Carneiro, o quarto árbitro Alceu Lopes Junior e os capitães dos times
Aos três minutos, a Inter mostrou seu cartão de visitas e mandou uma na trave em chute de Portuga. Mas foi só. O São Caetano assumiu o controle da partida, e Fábio Azevedo, sempre ele, abriu o marcador aos 14, de cabeça, após cobrança de falta da direita. Gabriel Oliveira quase ampliou, também pelo alto, aos 22. A partir de então, nada aconteceu, e eu quase dormi acompanhando o ataque local.
No segundo tempo, ao invés de permanecer no campo, fui para a arquibancada. Foi um erro. Não pelo fato de ter encontrado a dupla Victor e Eduardo com suas respectivas caras-metades, mas porque estava um inferno. Tinha um pessoal tão sem noção ao nosso redor que fomos obrigados a ir para o canto, perto da torcida visitante.
Dali vimos um segundo tempo simplesmente espetacular. Já vi alguns períodos específicos muito bons neste ano, mas esse talvez tenha sido o melhor. São Caetano e Inter de Bebedouro jogaram como se fosse uma final, enfileirando chances de gol, ótimos lances e tentos belíssimos.
O glorioso Gênesis – resta saber se ele prefere a formação da banda inglesa com Peter Gabriel ou a fase com Phil Collins nos vocais – deixou tudo igual com uma conclusão da pequena área. Aos 15, grande defesa de Bruno em chute de Nicão. Aos 23, a virada da Inter, em um belo gol olímpico de Mateus Goiano. Passei muitos anos sem ver gols assim na lista. De 2023 para cá, já foram quatro ou cinco in loco. Tipo de lance que sempre é legal presenciar de perto.
O São Caetano foi atrás do empate e conseguiu em finalização de Vinícius Spaniol, que acertou o canto direito do arqueiro visitante. Na sequência, uma série de boas chances, grandes defesas dos dois goleiros e uma bola na trave do Azulão. O 2 a 2 foi pouco pelo número de oportunidades criadas. Um 4 a 4 teria sido mais justo.
Lances do começo de jogo no Anacleto Campanella
Fábio Azevedo, de cabeça, fez seu 12º gol na Série A4 e ainda jogou uma camisa para a torcida
Mais lances da etapa inicial no ABC
O segundo tempo foi simplesmente sensacional, talvez os melhores 45 minutos que vi em 2025 até agora. O 2 a 2 foi pouco levando em conta o tanto de oportunidades criadas
O empate eliminou o alvirrubro e colocou o Azulão em terceiro lugar. Agora, enfrentarão o Nacional nas quartas. De todos os possíveis confrontos do time da Barra Funda, esse era o que eu menos queria. Os outros duelos serão União Barbarense x Colorado, Taquaritinga x Araçatuba e Joseense x Paulista. A sorte do mata-mata está lançada.
Depois da partida, ainda fiz uma boquinha com o Milton na mesma padaria. Ficamos ali um bom tempo antes de pegarmos o caminho de volta. Em um março super mega devagar, ainda não sei quando será a próxima cobertura. Quarta? Quinta? Fim de semana que vem? Não faço ideia.
Até a próxima!
Ficha Técnica: São Caetano 2-2 Inter de Bebedouro
Local: Estádio Anacleto Campanella (São Caetano do Sul); Árbitro: Clayton de Oliveira Dutra; Público: 668 pagantes; Renda: R$ 3.025,00; Cartões amarelos: Fábio Azevedo, Nicão, Portuga, Fernando e Robert; Gols: Fábio Azevedo 15 do 1º, Genesis 7, Vinícius Pequeno 24 e Vinícius Spaniol 32 do 2º.
São Caetano: Vinícius Ferrari; Kauan Sales, Rafael Lendeker, Amaral e Leandro Gonçalves; Gabriel Oliveira (Caio Felipe), Fábio Azevedo, Luiz Henrique e Walber Corrêa (Robert Taylor); Vinícius Spaniol e Phelipe Salioni (Nicão). Técnico: Carlinhos Alves.
Inter de Bebedouro: Bruno; Vini Sousa (Ramos), Fernando, Lucas Kevin e Anthony (Portela); Roger, Kiko, Portuga (Marcinho) e Mateus Goiano (Vinícius Pequeno); Genesis (Maçola) e Robert. Técnico: Édson Vieira.