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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Em jogo fraco, Lusa é menos pior e derrota o Nacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de terça-feira, horário super incomum, retornei ao Estádio Oswaldo Teixeira Duarte com direito a apresentação da Portuguesa na sua casa depois de quase cinco meses de ausência. O adversário da estreia lusitana dentro seus domínios na atual edição da Copa Paulista foi o combalido Nacional. Essa foi a oitava cobertura do JP em oito jogos disputados entre os dois desde que voltaram a se enfrentar regularmente em 2015.

Após atuarem três vezes na cidade de Osasco com o mando de campo, o rubro-verde retornou à sua cancha mesmo longe das condições ideais. A peleja foi marcada para a terça-feira pois a Polícia Militar informou que não teria como comparecer no domingo em virtude da presença maciça da corporação no Corinthians x Palmeiras. Apesar de muita reclamação contra a diretoria lusitana, eles não tiveram o que fazer. Tudo bem que poderiam ter posto no sábado, porém pedir discernimento aos que tomam conta da quase centenária agremiação é demais.


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Leandro Bizzio Marinho, os assistentes Osvaldo Apipe Filho e Luis Felipe Silva e o quarto árbitro Tarciano Jose de Lima

O duelo reuniu dois times em momentos parecidos no torneio. A Lusa vinha de uma série de três compromissos sem vitórias e apenas quatro pontos conquistados. Os comandados de Zé Maria estavam na quinta posição da chave e caso não vencessem, a chance de vaga ficaria ainda mais distante. O Naça até que começou bem com duas vitórias seguidas e só. Desde então, quatro pelejas sem nenhum triunfo e o técnico Ricardo Silva ameaçado.

Não esperava muito do cotejo em si e os jogadores confirmaram a tímida expectativa. Foi uma partida terrivelmente fraca e com raros momentos de perigo a favor de ambos. Os 90 minutos se transformaram em 270 tamanha foi a morosidade vista no relvado. Se alguém tinha alguma dúvida, ficou claro que nem Portuguesa, nem Nacional tem a menor condição de saírem com o título dessa competição.

Nesse cenário árido de emoções, a primeira etapa foi menos pior. O clube visitante foi levemente melhor durante os dez primeiros minutos e aos poucos a Lusa conseguiu equilibrar, tanto que na primeira boa oportunidade local o gol saiu. O Nacional teve escanteio a seu favor aos 24 minutos e rapidamente perdeu a bola. Maicon Jesus armou um belo contra-ataque, invadiu o campo de defesa adversário, tabelou com Doda, recebeu de volta e chutou firme. O lance ainda contou com falha do arqueiro Felipe Lacerda.

O Naça se mandou ao campo de ataque e a melhor oportunidade que teve foi uma cortesia da zaga lusitana. Num levantamento da esquerda Henrique Motta, camisa 3 rubro-verde, tentou cortar. A pelota foi em direção à meta e Rafael Pascoal fez ótima defesa, evitando que o zagueiro marcasse contra. Aos 36, Gerley recebeu na esquerda e finalizou na diagonal, obrigando Felipe Lacerda a fazer boa intervenção. Aos 46, o escrete ferroviário teve a chance de ouro nos pés de Matheus Lu, porém o camisa 7 chutou na arquibancada.


Bola levantada na área nacionalista


Lucas de Paula, camisa 10 do Nacional, em lance no meio-campo


O zagueiro Luiz Felipe, camisa 3, em chegada visitante



A zaga lusitana afastando o perigo em dois cruzamentos do onze ferroviário

Eu pretendia ficar nas cabines no segundo tempo, só que fui impedido de ficar lá pois tinha na mochila uma pequena garrafa d'água (!). Pela primeira vez a PM revistou os profissionais de imprensa que se dirigiam à tribuna de forma arbitrária, já que eles não podem fazer isso. Não adiantou argumentar com o responsável pois ele agiu com aquela falta de bom senso que já estamos acostumados a ver em estádios. Resultado: não fui autorizado a subir. Retrato da época sombria que estamos vivendo? Fica a pergunta.

De novo no gramado, voltei a acompanhar o ataque nacionalista pensando que os visitantes talvez voltassem mais animados em busca do empate. Achei errado, já que poderiam estar jogando até agora que dificilmente a igualdade teria saído. A Lusa também não estava muito inspirada e criou poucos momentos interessantes. Resultado: o sono chegou forte e o que me salvou foi uma ótima playlist só de rock brasileiro dos anos 80 que montei no Spotify. Não fosse a companhia de RPM, Camisa de Vênus, Kid Abelha e afins, eu certamente teria dormido na linha de fundo.

Como quem não quer nada, os locais tiveram um bom momento aos onze minutos quando a bola foi cruzada da direita e, apesar de Felipe deixar passar, ninguém apareceu para completar. Aos 33, tive a impressão que o árbitro deixou de marcar um pênalti a favor do Nacional quando Rafael Pascoal saiu igual vaca brava em bola enfiada e derrubou um dos atacantes visitantes dentro da área. Ninguém reclamou e ficou por isso mesmo.

Quando parecia que nada mais aconteceria, a Portuguesa fez o segundo e selou seu triunfo após uma saída de bola bisonha e falha de todo o setor defensivo do Nacional. Doda recebeu um belo presente e tocou para Clebinho entre os zagueiros. Ele invadiu a área sozinho, driblou o arqueiro e tocou cruzado. O tento demorou alguns minutos para ser validado pois a zaga pediu impedimento. Sem choro nem vela, o gol foi confirmado.


Michael Tuique (9) cabeceando sob o atento olhar de Garutti (4)


Rogério Maranhão em boa chegada nacionalista pelo alto


Nova disputa pelo alto com Michael Tuíque e Garutti


Disputa de bola dentro da área rubro-verde para saber quem pulava mais alto

O placar de Portuguesa 2-0 Nacional ainda mantém os ferroviários na quarta posição do Grupo 3 com nove pontos, dois à frente da Lusa, que agora tem sete. Levando em conta que agora são cinco jogos sem vitória, a situação do clube da Zona Oeste é crítica. O revés custou o emprego de Ricardo Silva. Pelos lados do Canindé, fica a esperança que o genial duelo contra o Corinthians no Pacaembu sexta-feira seja a porta de entrada para o G4.

Na quarta-feira emplaquei outra cobertura no bom e velho Pacaembu pelo Brasileiro sub-20. Independente do que a gente faça, é sempre bem legal visitar o Paulo Machado de Carvalho.

Até lá!

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Ficha Técnica: Portuguesa 2-0 Nacional

Competição: Copa Paulista; Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Leandro Bizzio Marinho; Público: 659 pagantes; Renda: R$ 8.900,00; Cartões amarelos: Garutti, Gerley (Por), Leandro Caju, Rodrigo Sam, Caio Mendes, Allan Cristian (Nac); Cartão vermelho: Luiz Felipe 43 do 2º; Gols: Maicom Jesus 24 do 1º, Clebinho 38 do 2º.
Portuguesa: Rafael Pascoal; Hudson, Henrique Motta, Garutti e Igor (Luiz Thiago); Jonatas Paulista, Clebinho, Gerley e Doda; Naná (Graxa) e Maicom Jesus (Gustavo Eugênio). Técnico: Zé Maria.
Nacional: Felipe Lacerda; Veloso, Luiz Felipe, Rodrigo Sam e Caio Mendes; Rogério Maranhão, Matheus Lu (Vinícius Faria), Allan Cristian e Lucas de Paula (Gabriel Mendes); Michael Tuíque (Laécio) e Leandro Caju. Técnico: Ricardo Silva.
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