Procure no nosso arquivo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 13): Em jogo tenso, Brasil derrota os violentos colombianos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Os Jogos Olímpicos chegaram à segunda semana no dia 13 de agosto, um sábado. E foi nessa data que eu alcancei uma marca não tão simples assim de se conquistar. Depois de ter visto o Brasil duas vezes durante a Copa do Mundo (os 3x1 na estreia contra a Croácia e a desastrosa disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda), chegou a hora de ver de ver a seleção canarinho disputando uma partida de Olimpíada.

No gramado da Arena Corinthians, o onze tupiniquim enfrentou a perigosa seleção da Colômbia em busca de uma vaga na semi-final do torneio de futebol masculino. Depois de vacilar na fase inicial e empatar sem gols contra África do Sul e Iraque, o Brasil goleou a Dinamarca e deu mostras que poderia ir mais longe no certame. Apesar de tudo, tinha quase certeza que a torcida iria apoiar a seleção durante todo o jogo.


Brasil e Colômbia pouco antes do apito inicial na Arena Corinthians

Já falei aqui uma vez sobre a dificuldade que é assistir uma peleja do Brasil no estádio - em 2013, quando fui no amistoso contra a África do Sul no Morumbi - e reitero tudo que disse na época. O público pagante desse duelo foi de 41.560 almas, mas aposto que nem 10% dos presentes sabia discorrer sobre algum tópico relacionado ao esporte mais popular do mundo que não passe na TV aberta. Não foi fácil, e junto com os amigos Luiz Fôlego e Ricardo Pucci, passei alguns apuros com a rapaziada que estava lá como turista.

Enquanto sofríamos nas arquibancadas, dentro de campo teve muita tensão e muita pancadaria. Os colombianos foram ao gramado tendo como prioridade bater nos jogadores brasileiros. Mesmo assim, o fraco árbitro turco Çuneyt Çakir não teve coragem para expulsar ninguém, e por causa disso o pau cantou durante todo o tempo inicial.

Numa partida aonde uma das equipes só quer bater, nada melhor do que uma bola parada. Aos doze minutos o camisa 10 Neymar marcou seu primeiro gol no torneio olímpico numa brilhante cobrança de falta da intermediária. Estava atrás do gol e consegui captar o exato momento em que a bola ultrapassou a linha.

No restante do tempo inicial o Brasil teve a bola mais tempo no pé e a Colômbia continuou com a caixa de ferramentas aberta, distribuindo chutes e coices. Sem muito espaço para o futebol, o jogou chegou ao intervalo com a vantagem mínima a favor do time verde e amarelo.


Palacios subindo no segundo andar para neutralizar ataque local



Bola estufando as redes do arqueiro colombiano no gol de Neymar e a comemoração do camisa 10


Boa jogada da seleção verde e amarelo pela esquerda


Confusão entre atletas e comissão técnica das duas seleções no final do primeiro tempo

A Colômbia deixou a violência nos vestiários e voltou preocupada apenas em jogar bola no tempo final. Quem acabou brilhando foi a zaga brasileira com Marquinhos e Rodrigo Caio e também o jogo coletivo. Depois de sofrer nos dois primeiros compromissos e de mostrar evolução contra a Dinamarca, finalmente o elenco do Brasil tinha entendido como jogar um torneio difícil como a Olimpíada.

Foram vários minutos tensos até Luan acertar um chutaço de fora da área aos 38 minutos e fechar o marcador. O placar final de Brasil 2-0 Colômbia colocou o time da casa na semi-final e também transformou os penta-campeões mundiais na seleção mais vencedora na história olímpica, ostentando agora 33 vitórias contra 32 da Itália.


Visão geral de uma Arena Corinthians lotada para o jogo do Brasil nas quartas-de-final da Olimpíada


Boa troca de passes no ataque da Colômbia


Disputa de bola pela lateral


Placar final da peleja que transformou o Brasil no país com mais vitórias na história dos Jogos Olímpicos

Na semi, o Brasil venceu Honduras aplicando a sua maior goleada na história dos Jogos. Três dias depois o time comandado por Neymar foi à decisão contra a Alemanha no Maracanã. Eu estive presente naquela histórica final e logo, logo a história será contada por aqui.

O dia 14 de agosto começou comigo correndo para pegar o trem na Estação Corinthians-Itaquera antes do final do expediente. E ele terminou de uma forma sensacional, com a minha presença na grande final dos 100 metros rasos, um momento que não imaginava assistir in loco um dia.

Até lá!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 12): Canadenses se garantem na semi do futebol feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


O dia 11 de agosto, uma quinta-feira, foi o primeiro com a Olimpíada do Rio de Janeiro já rolando em que parei para descansar. Descanso merecidíssimo, pois foram sete dias de competições e sete dias em que fiquei na ativa. Voltei à ativa na sexta-feira, com mais uma rodada de futebol na Arena Corinthians, agora com as quartas-de-final do torneio feminino.

O terceiro jogo da segunda fase colocou frente a frente a França, segunda colocada do Grupo G e o Canadá, grande surpresa e país com melhor campanha na fase inicial da competição com três vitórias em três pelejas (dois deles mostrados aqui no JP, o 2x0 contra a Austrália e o 3x1 contra o Zimbabwe).


Times perfilados para os Hinos Nacionais. Sou obrigado a confessar que ouvir a Marselhesa ao vivo num evento esportivo foi algo de arrepiar a alma. Sensacional!

Como de praxe, um ótimo público marcou presença na casa alvinegra: 38.688 pagantes. Pena que apesar de ser um duelo decisivo, ele tenha sido tão truncado e com poucas emoções. As duas seleções concentraram as ações no meio-campo, e mesmo com uma boa movimentação confesso que fiquei com sono a maior parte do tempo.

No tempo inicial a França foi melhor e o Canadá se preocupou mais em se defender, só que chance de gol que é bom, só uma, já nos acréscimos numa cabeçada da capitã do selecionado europeu Wendie Renard. Tirando isso, sono, muito sono. Fica difícil até falar algo sobre uma partida tão modorrenta assim.


Kadeisha Buchanan (3) e Amel Majri (7) em lance de ataque francês no começo da partida


A atacante Eugenie le Sommer no meio de duas defensoras canadenses


Bom ataque europeu pela esquerda no final do primeiro tempo

A esperança era que os times descolassem inspiração nos vestiários. Bom, melhorou um pouquinho, mas nada que entusiasmou por completo a torcida presente. O maior lance da noite aconteceu aos dez minutos em jogada magistral da canadense Janine Beckie. Ela recebeu passe na direita, chapelou uma defensora e cruzou na área. Sophie Schmidt apareceu no segundo pau para encher o pé e abrir o marcador.

Três minutos depois aconteceu a melhor chance a favor a França deixar tudo igual. Em bola alçada na área, a mesma Beckie que fez a brilhante assistência no gol canadense jogou contra o patrimônio e quase fez gol contra, acertando a bola na trave em toque de cabeça. Na meia hora final muita pressão francesa, porém nenhuma oportunidade realmente perigosa contra o gol defendido pela goleira Stephanie Labbe.


Comemoração do Canadá depois do gol de Schimdt


A França teve a bola no pé durante a maior parte do tempo, mas não traduziu o domínio em gols


Disputa de bola pelo alto no meio-campo


Placar final da partida na Arena Corinthians com a classificação canadense

E assim como aconteceu na decisão da medalha de bronze de Londres-2012, o placar final ficou em Canadá 1-0 França. Com o triunfo, o onze norte-americano se garantiu entre as quatro melhores seleções do torneio feminino de futebol dos Jogos Olímpicos. A seleção perdeu a semi-final contra a Alemanha e na disputa do bronze venceu o Brasil e conquistou a segunda medalha na sua história. Além disso, levou para casa a simpatia da torcida tupiniquim.


As simpáticas canadenses agradecendo o público pela fiel torcida durante todo o jogo

No dia seguinte voltei à Arena Corinthians para curtir os embalos de sábado a noite com outra partida das quartas-de-final, agora do torneio masculino. Teve clássico sul-americano na parada e presença brasileira no meu genial cronograma na Olimpíada 2016.

Até lá!

domingo, 4 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 11): Iraque e África do Sul morrem abraçados na Arena Corinthians

Texto e fotos: Fernando Martinez


O jogo de fundo da terceira rodada da primeira fase do futebol olímpico na Arena Corinthians, o sexto realizado na casa alvinegra na Rio-2016, acabou sendo de longe o mais legal e mais emocionante de todos realizados ali, com certeza uma dos cinco melhores partidas que eu vi in loco nesse árido ano de 2016.

Confesso que até entendo grande parte das pessoas que pensavam que um encontro entre as seleções do Iraque e da África do Sul pouco teria de interessante. Esse sentimento aumentou nas duas rodadas iniciais, já que ambas não marcaram nenhum gol e, obviamente, não venceram nenhuma peleja. Felizmente todos se enganaram.

O time do Oriente Médio era um dos que mais esperava colocar na Lista muito por causa da minha memória afetiva da Copa do Mundo de 1986, a única que os conterrâneos de Saddam Hussain disputaram na história. O selecionado foi derrotado por México, Paraguai e Bélgica e terminou na última colocação do Grupo B. Já em Olimpíadas a história é bem diferente, e essa foi a quinta participação até hoje em todos os tempos. A melhor colocação foi um honroso quarto lugar em 2004.


Iraque e África do Sul definindo sua sorte no gramado da Arena Corinthians

Agora, confesso a minha decepção particular por ver mais uma vez a África do Sul com tanto time legal do continente africano que poderia ter vindo pra cá. O pior foi que o onze da terra de Nelson Mandela venceram a disputa direta da vaga vencendo Senegal (!) nos pênaltis. Uma pena... Bom, em tempo, essa foi a terceira vez que vi os sul-africanos in loco.

O público oficial foi de 37.742 pagantes, mas sem sombra de dúvida pelo menos metade do estádio estava vazio. A maior parte dos presentes se mandou para ver o jogo do Brasil contra a Dinamarca pela televisão. Perderam a peleja mais animada do torneio de futebol masculino da Olimpíada 2016.

A partida começou com Iraque e Brasil empatados com dois pontos na segunda colocação da chave. A lanterninha África do Sul surpreendeu a todos e pouco depois dos cinco minutos já abriu o placar com Motupoa aproveitando bola que sobrou dentro da área. O gol classificava momentaneamente os Bafana Bafana.

Os iraquianos não se abateram e deixaram tudo igual aos 14, com um belo gol de cabeça de Luaibi Saad. Esse gol agora colocava a seleção asiática entre as oito melhores da competição, já que em Salvador o duelo entre Brasil e Dinamarca estava empatado.

É, só que a esperança iraquiana durou cerca de dez minutos, pois com o gol de Gabigol, agora era o Brasil que se garantia na segunda fase. As duas seleções que se enfrentavam na casa corintiana precisavam vencer para se garantirem nas quartas eliminando a Dinamarca.

O gol tupiniquim transformou a peleja na Arena em algo dramático, aquele tipo de jogo que gostamos muito de ver, ainda mais quando não torcemos para nenhuma das duas equipes. O panorama ficou bem definido com o Iraque, melhor time, apostando tudo com seu rápido setor ofensivo, e a África do Sul tentando melhor sorte nos contra-ataques.

Claro, o nível técnico das duas seleções não era nenhuma Brastemp, mas que foi genial assistir, ah, isso foi. Os sul-africanos tiveram ótima chance de passarem de novo à frente aos 18 minutos em bola que tirou tinta da trave direita de Mohameed. Depois, só deu Iraque com várias finalizações, duas bolas na trave aos 36 e 39 minutos e um milagre particular de Khune aos 41 que impediu a virada.


Luaibi Saad marcando de cabeça o gol de empate para o Iraque


Tímido ataque da África do Sul pela esquerda


Já no tempo final, mais uma chance iraquiana pelo alto

Com a vitória parcial do Brasil por 2x0 no intervalo, o segundo tempo virou terra de ninguém. O técnico Abdulghani Alghazali colocou o Iraque todo pra frente, sem nenhuma preocupação com a defesa. Vimos quase 50 minutos de um toma lá, dá cá absolutamente eletrizante. Um prêmio para todos que permaneceram na Arena mesmo com menos de dez graus de temperatura.

Aos nove, a terceira bola na trave da África do Sul em cabeçada iraquiana. Aos 13, cabeçada de Abdulraheem que saiu pela esquerda. No minuto seguinte, milagre do goleiro Kuhne em tiro à queima-roupa. Aos 19, contra-ataque da África do Sul que levou muito perigo à meta de Mohammed.

Nos minutos seguintes, vendo a vaga ir pro saco, pintou aquele desespero maroto e o Iraque criou um sem número de oportunidades, uma a uma desperdiçadas pelos atacantes, mostrando que o último toque era o maior problema dos asiáticos. Ao final dos 90 minutos, a seleção chutou 29 vezes ao gol e apenas nove deles tiveram a direção da meta.


Ali Adnan, camisa 6 asiático, se mandando para o ataque


Investida iraquiana e firme marcação de Mvala


Humam Tareq perdendo grande oportunidade pela esquerda. O cabeludo foi responsável por cerca de quatro ou cinco grandes chances jogadas no lixo


No tudo ou nada, quase a África do Sul fez o segundo no final

Antes do apito final por muito pouco os Bafana Bafana não marcaram o segundo com Abbubaker Mobara, gol que valeria a vaga. No fim, o África do Sul 1-1 Iraque fez com que as duas seleções morressem abraçadas e eliminadas do torneio de futebol olímpico ainda na primeira fase. Após o apito final, atletas dos dois times foram ao desespero no gramado corintiano. Nas arquibancadas, palmas para os jogadores por conta da belíssima exibição.



Jogadores das duas seleções lamentando a desclassificação no gramado da casa corintiana


O placar final da belíssima peleja que eliminou sul-africanos e iraquianos do torneio de futebol da Rio-2016

No final das contas a rodada dupla foi bastante proveitosa com quatro gols e o time de número 639 entrando na minha Lista. Voltei ao estádio alvinegro dois dias depois para outra partida, agora do torneio feminino e com direito a repeteco da disputa de bronze de Londres-2012.

Até lá!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 10): Triunfo colombiano em Itaquera

Texto e Fotos: Fernando Martinez


Não deu nem tempo para descansar direito pois depois da minha primeira visita ao Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos, voltei ao bom e velho futebol com uma rodada dupla do torneio masculino na Arena Corinthians. Na pauta, o duelo entre Colômbia e Nigéria, uma das seleções mais sem graça do mundo, valendo pelo Grupo B.

Ainda sem vencer, os colombianos precisavam derrotar a campeã olímpica de 1996 caso quisessem se classificar para as quartas-de-final. Em caso de empate, a seleção seria eliminada e o outro classificado sairia do confronto entre Japão e Suécia. Os africanos estavam na boa, já classificados na primeira colocação da chave.


Colômbia e Nigéria perfiladas para os Hinos Nacionais

O número de amigos entre os 36.702 pagantes foi enorme, mas assisti as duas pelejas na companhia da dupla Mílton e Emerson, esse ressurgido do limbo pela 17ª vez nos últimos anos. Outro destaque da jornada foi a temperatura. Fez frio, muito frio, algo sempre comemorado bastante pelo que vos escreve.

Dentro de campo o destaque ficou por conta da enorme apatia dos atletas nigerianos. Tudo bem, a seleção já estava classificada por antecipação, mas é fato que a rapaziada poderia ter mostrado um pouquinho mais de boa vontade. A Colômbia não teve nenhum trabalho para se garantir entre os oito melhores da competição.

Logo aos quatro minutos Teofilo Gutierrez abriu o marcador depois de receber grande passe em profundidade, invadir a área e chutar na saída do goleiro Akpeyi. A Colômbia era muito melhor e o mesmo Akpeyi fez milagre em cabeçada de Preciado aos 18 minutos. Apesar do enorme número de chances criadas, o primeiro tempo se encerrou com a vantagem mínima para os sul-americanos.


Colombianos em jogada pela lateral


Cobrança de falta para o onze africano


Visão geral da Arena Corinthians no primeiro jogo do torneio de futebol masculino da Rio-2016 na casa alvinegra

No tempo final a Nigéria criou a primeira oportunidade real de gol aos 9 minutos, mas nada aconteceu. A Colômbia continuava melhor, e aos 16 a seleção teve um pênalti marcado a seu favor. A cobrança ficou por conta de Pabón, que bateu firme para ampliar a vantagem.

Os trinta minutos restantes foram disputados com pouca emoção e com as duas equipes já esperando apenas o relógio passar. O placar final de Colômbia 2-0 Nigéria classificou o onze sul-americano para as quartas pela primeira vez em todos os tempos. O sonho acabou nas quartas com a derrota para o Brasil, mas é fato que a campanha foi histórica. Os nigerianos enfrentaram e venceram a Dinamarca.


Ataque aéreo a favor da Nigéria


Marcação sul-americana mostrando serviço no tempo final


Umar Sadiq, camisa 13, encarando dupla marcação


Troca de passes no setor ofensivo da campeã olímpica de 1996

Esse jogo acabou sendo um tanto quanto decepcionante, e o que não decepcionou foi a partida de fundo, uma das mais sensacionais vistas em 2016 e com direito a time novo na Lista. Um combo genial que não vemos a todo momento.

Até lá!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

São Caetano domina, perde gols e fica no zero com a Ferroviária

Texto e fotos: Fernando Martinez


A Copa Paulista chegou à sua fase semi-final com quatro times de respeito. De um lado, XV de Piracicaba e Rio Claro, do outro, São Caetano e Ferroviária, esse o duelo que acompanhei tarde/noite do sábado passado. O palco, como não poderia deixar de ser, foi o gelado (sim, gelado) Estádio Anacleto Campanella.

Esse encontro ganhou ares de "final antecipada" muito pois hoje os dois possuem as duas melhores campanhas da competição, cortesia dos dois triunfos do Azulão, ex-dono da terceira melhor campanha, contra o Bragantino nas quartas. Resta saber se o Nhô Quim ou o Galo Azul concordarão com essa afirmação na grande decisão.


Associação Desportiva São Caetano - São Caetano do Sul/SP


Ferroviária Futebol S/A - Araraquara/SP


O amigo árbitro Thiago Duarte Peixoto junto com os assistentes Danilo Ricardo Manis e Risser Jarussi Corrêa e os capitães dos times

Falando de história, esse foi o sétimo confronto entre os dois em todos os tempos e nunca o Azulão venceu o onze araraquarense. A história mostra uma vitória grená - 2x0 pela Série A2 do ano passado em jogo que teve cobertura do JP - e cinco empates. Há também um triunfo da Ferroviária pela Copa Estado de São Paulo de 2003, mas naquela oportunidade quem atuou oficialmente foi o "São Caetano B", logo, não entra na estatística.

O São Caetano apostava no fator casa e na sua ótima campanha ali - oito vitórias e um empate - para levar alguma vantagem para a Arena da Fonte. No primeiro tempo, um leve equilíbrio com as melhores chances a favor dos locais. A Ferroviária chegou poucas vezes dentro da área do Azulão.

O time do ABC criou três ou quatro boas oportunidades para abrir o marcador ainda no tempo inicial. A melhor delas numa cabeçada sensacional de Sandoval que tirou tinta da trave superior. O goleiro Matheus se esticou todo, sem conseguir porém encostar na pelota.


Ataque do São Caetano pela direita no comecinho do jogo contra a Ferroviária


Uma das poucas ofensivas araraquarenses em toda a partida


Grande cabeçada de Sandoval em bola que tirou tinta da trave


Outra chegada do Azulão pela lateral

E foi no tempo final que o Azulão foi mais perigoso e encurralou o time visitante. Assim como aconteceu no duelo de ida contra o Nacional, a Ferroviária não passou do meio de campo e viu o adversário abusar do direito de perder gols. Sério, deu raiva de ver.

Sem nenhum exagero, dava pro São Caetano ter chegado pelo menos aos 3x0 tamanha foi a pressão exercida pelo vice-campeão da Libertadores de 2002. Os grenás não viram a cor da bola e tomaram sufoco durante quase 50 minutos. Teve chance perdida em chute de longe, de perto, em cabeçada, em cobrança de falta e em escanteio... Um rol de gols jogados fora.

A maior delas saiu dos pés do jogador Ferreira. Eram decorridos 24 minutos quando ele, depois de um bate-rebate na área, teve o gol aberto à sua frente. Só que o chute encontrou um zagueiro da AFE no meio do caminho e a pelota saiu pela linha de fundo. E quando os locais não desperdiçavam, o goleiro Matheus mostrava serviço. Vimos pelo menos três grandes defesas do arqueiro.


No tempo final, só deu São Caetano


Grande chute e grande oportunidade desperdiçada pelos locais


Atacante tentando se desvencilhar da marcação grená

No final o jogo terminou como começou: São Caetano 0-0 Ferroviária. No confronto de volta do próximo sábado os times jogam por vitórias simples e caso a peleja termine novamente empatada, a decisão da vaga na final será decidida nos pênaltis. Caso o Azulão seja eliminado, os gols perdidos no ABC terão feito muita falta.

A partida foi boa, mas o que salvou de verdade a jornada foi o pós-jogo, com mais uma edição do clássico Dia do Gordo, esse voltando às origens. Poucas coisas na vida são melhores do que um balde de 12 tirinhas de frango no KFC. Como homenagem, para cada gol perdido pelo Azulão, uma tirinha consumida. Uma troca justa.

Até a próxima!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 9): O primeiro post "esportivo" do Jogos Perdidos na história

Texto e fotos: Fernando Martinez

** Alerta de post fora da linha editorial **


Com ricos doze anos de história, o Jogos Perdidos agora orgulhosamente apresenta ao vivo a cores para todo o Brasil o primeiro post que não fala de futebol! Sim, você leu certo. Acredito que todos entenderão, já que é por uma causa muito nobre, os Jogos Olímpicos Rio-2016. Após acompanhar oito pelejas de futebol dos torneios masculino e feminino, fiz a minha estreia olímpica "de verdade" na belíssima Arena de Vôlei de Praia montada em Copacabana no domingo, dia 7 de agosto. Na pauta, quatro jogos e uma sessão esportiva que duraria até a madrugada.

Saí do Engenhão e não foi difícil ir até o famoso bairro da Zona Sul com o sistema de transporte (ainda bem) funcionando sem problemas. O único senão da ida foi que os quatro jogos viraram três. Como estava com o estômago nas costas por não ter comido nada durante todo o dia, não teve como ser diferente.

Como tem um Bob's a cada 100 metros no Rio de Janeiro, não sobrou outra opção a não ser bater aquela xepa marota ali mesmo. Não peguei filas, comi rapidinho e logo já estava na rua novamente. A magistral Arena foi chegando cada vez mais perto e como os jogos já haviam começado, foi moleza para entrar com a massa toda do lado de dentro, tirando o fato de até hoje ter areia no meu tênis, cortesia dos 700 metros andados nesse terreno até a entrada principal.

Bom, foi ali que entrei em definitivo no clima dos Jogos da XXXI Olimpíada da era moderna. Tudo estava sensacional, o astral, os jogos, o público, um clima incrível poucas vezes sentido nos meus bem vividos (!) 40 anos. Não foi igual à emoção da Copa do Mundo de 2014, mas chegou perto.


Visão geral da belíssima Arena de Vôlei de Praia em Copacabana


Nunca achei que publicaria uma foto de vôlei de praia no Jogos Perdidos. Então aí está, detalhe do confronto da dupla italiana Menegatti – Giombini contra as canadenses Broder – Valjas

Dentro da quadra assisti vitória canadense de Broder/Valjas no feminino e dois jogos do masculino: massacre russo de Krasilnikov/Semenov e uma sensacional vitória da dupla da Letônia Samoilovs/Smedins em cima dos canadenses Saxton/Schalk. Nesse jogo, grande parte da torcida já tinha ido embora pois o apito inicial rolou depois de uma da manhã. Quem ficou foi premiado e teve diversão a rodo, já que um dos jogadores era a cara do gênio Biro-Biro. Ele foi ovacionado e homenageado pelos presentes a cada batida na bola.

A noite terminou na base do cansaço completo e na segunda, 8 de agosto, a programação foi bem mais tranquila. Não fiz nada na parte da manhã e tarde a coisa ficou definitivamente séria quando entrei pela primeira vez no Parque Olímpico da Barra. Não tenho como descrever em palavras o que senti ao entrar naquele lugar.

Fiquei paralisado após passar a catraca e certamente demorei uns quinze minutos até dar os primeiros passos naquela mini-cidade. Após andar pra cima e pra baixo ali, fui, ainda sem palavras, até a Arena Carioca 1 para meu début na "Disneylândia dos Esportes", a melhor definição sobre o espaço aonde ficava o saudoso autódromo de Jacarepaguá.

O duelo entre as seleções masculinas de basquete de Sérvia e Austrália foi ótimo e contou com a presença de várias estrelas da NBA. O jogo foi de alto nível e muito acima da média, terminando com vitória australiana por 95 a 80. Detalhe: as duas repetiram o duelo na semi da competição e os sérvios deram o troco, se classificando para a decisão.


Minha primeira visão do Parque Olímpico da Barra, a "Disneylândia dos Esportes"


Entrada da Arena Carioca 1, palco do torneio de Basquete Masculino


Detalhe do confronto entre Sérvia e Austrália que teve vitória dos rapazes da terra dos cangurus

Saí da Arena e ainda fiquei um tempo zanzando pelo Parque até chegar a hora de bater perna novamente, dessa vez até o Riocentro. Já tinha ao local no Pan de 2007 e pouca coisa mudou. Na agenda, era a hora de ver de perto a final da categoria 62kg de levantamento de peso masculino, a minha primeira cerimônia de medalha nos Jogos.

Uma das coisas mais espetaculares desses grandes eventos é a mistura dos povos. Foi genial ver gente de país que só conhecemos pelo Mapa Mundi como Indonésia, Cazaquistão, Filipinas e Papua Nova Guiné (!). Nunca havia visto ninguém desses países e aposto que vou demorar para voltar a ver (isso se acontecer). 

Dá pra o pessoal deduzir de forma até que fácil que eu nunca havia assistido um evento de levantamento de peso na vida. Dito isso, minha primeira impressão foi a melhor possível. Não tem como você torcer contra nenhum dos atletas, tamanho o esforço que eles fazem e a enorme dedicação que demonstram no tablado. A tensão era enorme e no fim quem conquistou a medalha de ouro foi o colombiano Óscar Figueroa, a primeira do país sul-americano no Rio-2016. O atleta se despediu do esporte nessa noite, transformando sua comemoração num momento de arrepiar.



O colombiano Óscar Figueroa em ação e sua emocionada comemoração pela conquista do outro olímpico, emocionando a todos os presentes no Riocentro

A emoção de ver a primeira entrega de medalhas olímpicas foi incrível (dá pra perceber que numa Olimpíada quase tudo deixa a gente emocionado). Fechando o pódio, a prata foi para Eko Yuli da Indonésia e o bronze para Farkhad Kharki, vindo da terra do mito Borat Sagdiyev. Com esse momento maravilhoso, fechei meu dia olímpico com louvor. Tudo recomeçou na terça, dia 9 de agosto, logo na parte da manhã.

Retornei ao Parque da Barra muito cedo para uma rodada dupla no handebol masculino na belíssima Arena do Futuro (handebol aliás que foi a única coisa em que tive relativo sucesso esportivo em toda a minha vida, vale ressaltar). Iniciei os trabalhos com o duelo entre França e Catar, vencido pelos primeiros por 35 a 20. No jogo de fundo, confronto entre Alemanha e Polônia, duas das melhores seleções do planeta. O jogo foi espetacular e terminou com triunfo germânico por 32 a 29.

Nem bem saí dali e já era hora de retornar à Arena Carioca 1 para o segundo jogo do Brasil no basquete masculino. Depois de perder na estreia, o adversário seria a grande seleção da Espanha. Se algum amigo lembra o que aconteceu nessa partida deve se lembrar que foi nada mais que um dos momentos mais incríveis da categoria na Rio-2016.


Quem é do metiê sabe como é genial ver um joguinho de handebol. Aqui, Alemanha e Polônia em ação na Arena do Futuro


Arena Carioca 1 com um ótimo público para Brasil x Espanha no basquete masculino


Nenê com a bola naquela que foi a maior e mais emocionante vitória brasileira na competição (tudo bem, foram só duas, mas dá pra falar mesmo assim)

O jogo foi sofrido durante todos os 40 minutos e teve várias trocas de liderança. O Brasil sofreu, lutou e suou sangue para derrotar a forte seleção ibérica com uma cesta a poucos segundos do fim. Poucas vezes passei um nervoso tão grande in loco numa instalação esportiva. Pena que no fim nada adiantou, já que a campanha tupiniquim foi muito abaixo da média e culminou com a eliminação na fase de grupos.

Esse foi o último evento da minha primeira viagem ao Rio de Janeiro durante a Olimpíada (foram três no total). Na quarta-feira o futebol já voltou à pauta com mais uma rodada dupla na Arena Corinthians, agora pelo torneio de futebol masculino.

Até lá!