Texto e fotos: Fernando Martinez
Fez muito frio na última segunda-feira, feriado de sete de setembro, na capital paulista. Na raça, enfrentei a baixa temperatura para acompanhar a decisão da última vaga na semi do Campeonato Brasileiro Feminino. Fui até o Estádio Oswaldo Teixeira Duarte acompanhar o confronto entre Corinthians e Cruzeiro, reedição da final do torneio em 2025, na volta das quartas de final.
O final de semana estava com uma programação nota 10... só que São Pedro estragou tudo, mandando muita chuva tanto no sábado quanto no domingo. Como já estou em uma fase light, ficar debaixo d'água não faz minha cabeça como antes. Restou ver o duelo na casa rubro-verde. É, mas não foi fácil sair do QG da Zona Oeste e enfrentar a friaca. Na base do tudo pelo social, não quis deixar o feriado prolongado sem nenhuma cobertura.
A árbitra Rejane Caetano da Silva (CE), as assistentes Maria de Fátima da Trindade (AL) e Patrícia dos Reis do Nascimento (BA), a quarta árbitra Adeli Mara Monteiro (SP) e as capitãs
No duelo de ida, o Corinthians dominou o confronto e venceu pela contagem mínima com um gol no fim. Jogando pelo empate, a vantagem era enorme. Vale registrar a demora na definição do local da peleja. A Neo Química Arena não foi liberada por, na palavra oficial dos dirigentes, ter recebido jogo no dia anterior. Apesar da demora em conseguir tirar laudos que estavam vencidos, o Canindé foi confirmado somente cinco dias antes.
Vale dizer que a CBF obriga os clubes a atuarem em estádios com capacidade mínima para 10 mil pessoas no mata-mata. Isso em um torneio que só tem públicos maiores do que mil almas em fases decisivas, geralmente com o Corinthians sendo mandante. Mais um absurdo entre vários cometidos pela entidade. Não tem o menor cabimento obrigar os times a deixarem as suas casas em uma decisão descolada da realidade. E outro detalhe que vale ser mencionado sempre: a casa das corintianas é a Fazendinha, não Itaquera.
Pouco mais de dois mil torcedores marcaram presença no Canindé e quem foi viu um jogo legal, que começou com um susto para as locais. O Cruzeiro neutralizou a vantagem corintiana com um gol meio esquisito de Marília Furiel logo aos seis minutos. Será que as atletas sentiriam o golpe? Será que a apresentação desastrosa contra o Internacional na última rodada da primeira fase se repetiria? Johnson deu a resposta aos 19 minutos, deixando tudo igual após falha coletiva do sistema defensivo cruzeirense.
O empate foi um golpe decisivo nas intenções do Cruzeiro. O Corinthians passou a dominar a peleja e virou o placar em uma jogada espetacular aos 27. Gabi Zanotti avançou pela direita e cruzou para o meio. Johnson deu um corta-luz incrível e Tamires acertou um chute espetacular, colocando no canto esquerdo e deixando as alvinegras na frente. O 2 a 1 saiu cedo, porém a impressão que tive na beira do gramado era que as mineiras não conseguiriam a classificação.
As alvinegras permaneceram dominando as ações ofensivas na etapa final e Thaís Ferreira ampliou o placar com gol de cabeça aos 15 minutos. Sem mostrar nenhum poder de reação, as cruzeirenses foram pouco ao ataque e não foram derrotadas por uma diferença maior pela falta de pontaria nas finalizações paulistas. No fim, o 3 a 1 colocou o Corinthians na décima semifinal seguida do Brasileirão Feminino. Agora, o adversário em busca de outra decisão será o Bahia. A outra semi terá São Paulo e Flamengo frente a frente.
As jogadoras cruzeirenses comemorando o primeiro gol da tarde/noite
Apesar do 1 a 0 contra, o Corinthians não desanimou e saiu em busca do empate

Johnson deixou tudo igual no Canindé
O início da jogada, a finalização e a comemoração de Tamires no segundo gol alvinegro

Gabi Zanotti, outra vez destaque das paulistas

Na etapa final, o Corinthians seguiu dominando
Detalhe do terceiro gol paulista na fria noite na casa rubro-verde
As mandantes tiveram chances para ampliar a vitória. Na última foto, a goleira do Cruzeiro fazendo falta fora da área
Não sei quais serão as duas equipes que estarão na decisão, mas aposto que a principal emissora que transmite o campeonato vai colocar pelo menos um dos confrontos em dia e horário ruins. Querem apostar?
Até a próxima!
Ficha Técnica: Corinthians 3-1 Cruzeiro
Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitra: Rejane Caetano da Silva/CE; Público: 5.701 pagantes (2.201 presentes); Renda: R$ 80.234,50; Cartões amarelos: Duda Sampaio, Vitória Calhau e Cláudia; Cartão vermelho: Nickolas Ferreira (PF-Cru) 49 do 2º; Gols: Marília Furiel 6, Jhonson 19 e Tamires 27 do 1º, Thaís Ferreira 15 do 2º.
Corinthians: Nicole; Gi Fernandes, Erika, Thaís Ferreira e Thaís Regina; Tamires, Duda Sampaio e Gabi Zanotti (Ariel Godoi); Vic Albuquerque (Andressa Alves), Belén Aquino (Day Rodríguez) e Jhonson (Gisela Robledo). Técnico: Emily Lima.
Cruzeiro: Cláudia; Giménez, Capelinha, Vitória Calhau e Bedoya (Rafa Levis); Pri Back (Mari Andrade), Letícia Alves (Ketlin), Vanessinha e Gisseli (Michelle Romero); Byanca Brasil (Radija) e Marília Furiel (Milena Ferreira). Técnico: Jonas Urias.

















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