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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Botafogo sai na frente no primeiro jogo da decisão da Série D


Cinco meses após o pontapé inicial, o Campeonato Brasileiro da Série D chegou na sua grande final com um confronto em que poucos acreditariam que fosse possível acontecer lá no começo de julho. Não tanto pelo Botafogo de Ribeirão Preto e sim pela presença do genial Ríver Atlético Clube do Piauí. Como não dava pra perder uma decisão dessa em território paulista, armei um bate-volta monstro até o Estádio Santa Cruz para conferir de perto as emoções do jogo de ida.

Independente da conquista ou não do caneco, os dois times já haviam conquistado algo bastante importante na competição: o acesso para a Série C - junto com Remo e Ypiranga de Erechim - e a chance de ter uma temporada um pouquinho mais decente em 2016. O Bota não começou bem o certame e quase foi eliminado pelo Gama na primeira fase. Depois funcionou o esquema de vencer em casa e segurar a vantagem longe dos seus domínios. Dessa forma a Pantera eliminou CRAC, São Caetano (na disputa direta pela vaga na terceirona) e Remo. O time volta para a C depois de treze anos.

Já a promoção do Ríver foi algo bastante emblemático para o futebol piauiense no geral. Essa foi a primeira vez que um time do estado conquistou um acesso num campeonato nacional. Vários já haviam tentado esse feito através dos tempos, mas foi o Tricolor Mafrense, o maior campeão do seu estado com 29 títulos, quem conseguiu. A campanha foi sensacional: o time se manteve invicto na primeira fase e depois eliminou Estanciano, Lajeadense e Ypiranga até chegar na decisão.


Botafogo FC - Ribeirão Preto/SP. Foto: Fernando Martinez.


Ríver AC - Teresina/PI. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times e trio catarinense para a decisão com o árbitro Bráulio da Silva Machado e os assistentes Thiaggo Americano Labes e Helton Nunes. O quarto árbitro foi o paulista Rodrigo Guarizo do Amaral. Foto: Fernando Martinez.

Por ter feito melhor campanha, o Ríver ganhou o direito de mandar a segunda partida, mas se depender de retrospecto, a vantagem é toda paulista. Em 64 jogos disputados entre equipes dos dois estados em campeonatos nacionais (somando Brasileiro de todas as divisões e Copa do Brasil), os nordestinos venceram apenas cinco vezes, a última em 1984. Falando especificamente do Ríver, foram 18 pelejas e apenas uma vitória do Galo Carijó: 3x2 contra o América de São José de Rio Preto no Brasileiro de 1978.

Para colocar o 611º time na minha Lista fui cedo para a Califórnia Brasileira e cheguei na rodoviária da cidade faltando mais de uma hora para o apito inicial. O trajeto dali até a casa tricolor foi tranquilo e não demorou para já estar nos portões principais do Santa Cruz. Antes de ir para o campo de jogo, dei uma passadinha na genial lojinha do Botafogo. Aliás, ainda aguardo o dia em que todos os clubes possam ter uma loja oficial nas suas dependências.

No mesmo momento em que fui para o gramado começou uma agradável chuva que se estendeu por todo o tempo inicial. Aliás, corrigi um erro histórico, já que nunca tinha visto um jogo do tricolor de Ribeirão Preto como mandante na sua casa. A única partida que tinha visto ali tinha sido um Olé Brasil x Jaboticabal na Segundona Paulista de 2009. A dívida foi paga com juros e correção.

Depois de todo o cerimonial antes do apito inicial, o jogo começou. A torcida fez bem o seu papel e empurrou a Pantera durante todo o tempo. Aos cinco minutos aconteceu a primeira grande emoção no Santa Cruz quando Helton Luiz avançou pela direita e cruzou. Francis, já mostrando que estava inspiradíssimo, emendou um toque genial de letra e a bola tocou na trave visitante.

Depois disso a chuva apertou e o equilíbrio foi a marca da peleja. As duas equipes concentraram as ações no meio-campo e chegaram pouco dentro da área adversária. Só perto do fim da primeira etapa que Canela, outro destaque da noite, emendou dois bons ataques, mas nenhum deles resultou em gol. No intervalo o marcador ainda estava em branco.


O Estádio Santa Cruz recebeu quase dez mil pessoas para na ida da grande final da Série D 2015. Foto: Fernando Martinez.


Marcador piauiense desarmando atacante local. Foto: Fernando Martinez.


Jogador do Ríver mandando um toque cheio de estilo. Foto: Fernando Martinez.


Boa saída do goleiro Naylson na cabeça do camisa 3 Caio. Foto: Fernando Martinez.


Mais um ataque botafoguense pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Lance dentro da área do time visitante. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo o jogo foi simplesmente eletrizante, digno de uma grande decisão. O Botafogo voltou mais inspirado e o Ríver, tentando segurar o empate de qualquer jeito, se manteve todo no campo de defesa. A única chance dos piauienses estava nos contra-ataques, como no que terminou em boa cobrança de falta de Júnior Xuxa e boa defesa de Neneca.

Na sequência o Botafogo abriu o marcador se aproveitando de uma jogada brilhante de Canela. Ele fez grande jogada pela esquerda, deu um drible antológico num dos zagueiros e avançou até dentro da área. O camisa 11 cruzou e Francis completou para o fundo do gol.

Aos 22 o Ríver criou boa chance, mais uma vez neutralizada pelo arqueiro botafoguense. Aos 25, Francis fez o segundo num sem-pulo depois de bola escorada por Nunes. Mesmo com 2x0 o Bota continuou bem e teve chances para praticamente definir a decisão, mas acabou sofrendo o primeiro aos 36 minutos, através de Célio Codó.

Seis minutos depois a torcida voltou a fazer a festa quando Francis completou seu "hat trick" numa cabeçada de puro oportunismo. A partir daí parte do Santa Cruz começou a gritar "é campeão", algo sempre temerário antes de qualquer apito final. Os gritos duraram exatamente 120 segundos, pois aos 44 o Ríver marcou novamente, agora com Amorim.


O genial drible de Canela no início da jogada do primeiro gol do Botafogo. Foto: Fernando Martinez.


Alex (15) marcando Canela (11). Foto: Fernando Martinez.



Francis subindo mais do que o zagueiro para fazer seu terceiro gol da noite e a bola no fundo das redes, para a tristeza de Naylson. Fotos: Fernando Martinez.


Naylson fazendo sua prece depois de Bota 3-2 Ríver. Foto: Fernando Martinez.

No fim, o placar de Botafogo 3-2 Ríver deixou a decisão totalmente em aberto. Com certeza a torcida do Tricolor Mafrense vai lotar o Albertão para tentar viver a primeira conquista nacional do estado. A Pantera joga pelo empate, enquando o onze nordestino precisa vencer. A sorte está lançada.


Placar final da primeira decisão da quarta divisão nacional em 2015. Foto: Fernando Martinez.

Como armei um esquema-ninja com um taxista local, consegui chegar na rodoviária da cidade a tempo de ainda fazer uma boquinha numa lanchonete dali dois minutos antes dela fechar as portas. Com a barriga cheia foi só esperar dar o horário da partida do ônibus que me trouxe novamente para a capital paulista. Um bate-volta que durou quase 14 horas, mas que valeu demais a pena.

Até a próxima!

Fernando

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 2 de 13): Mais uma abertura de Copa do Mundo, agora sub-17, na Lista


Os amigos que visitam o JP sabem que fizemos uma cobertura bem peculiar da Copa do Mundo (caso não saibam, basta clicar aqui e conferir tudo que fizemos em junho e julho de 2014). Da minha parte, visitei seis sedes e pirei de verdade graças a tudo que vivi. Foi fácil decidir que marcarei presença em outro mundial, mas como 2022 ainda está um pouco longe, resolvi me virar com outra Copa, dessa vez na categoria sub-17.

Os torneios de base da FIFA quase sempre são realizados em países do "submundo" futebolístico, como Finlândia, Trinidad & Tobago, Nova Zelândia e Emirados Árabes Unidos. Para a minha alegria, o Chile venceu a disputa para sediar a Copa do Mundo sub-17 desse ano (derrotando País de Gales, Rússia e Tunísia). Juntei então a fome com a vontade de comer e me preparei por muito tempo para me aventurar pelo país sul-americano durante a primeira fase do certame.

Comprei os ingressos de forma bem tranquila pela internet mesmo ainda sem a lista dos participantes estar completamente definida. Montei um esquema ninja para assistir dez partidas válidas por cinco das seis chaves da competição. Não dei muita sorte no sorteio, pois quatro das nove seleções inéditas da minha Lista acabaram caindo no grupo mais distante de Santiago - Puerto Montt, a mais de 900 quilômetros da capital. As outras cinco estavam devidamente "cobertas" pelo meu cronograma (a programação depois foi alterada e uma rodada foi cortada. Essa história será contada nos próximos posts).

Planejei iniciar as coberturas logo na abertura oficial da competição, marcada para a tarde/noite do sábado, dia 17 de outubro. O legal é que a primeira rodada dupla foi a única marcada para o Estadio Nacional Julio Martínez Prádanos, o histórico Estadio Nacional de Chile, localizado no bairro de Ñuñoa.

Inaugurado em 1938 (com um genial Colo-Colo 6-3 São Cristóvão, duelo digno dos nossos pensamentos non-sense), o estádio sediou alguns jogos da Copa de 1962, 74 jogos da Copa América, onze finais de Libertadores, duas de Copa Sul-Americana e partidas do Mundial sub-20 de 1987. Isso sem contar inúmeros confrontos antológicos da seleção brasileira e dos clubes tupiniquins.

Apesar de ter sido construído com fins unicamente esportivos, não há como não ligar o local com o regime miltar iniciado em 11 de setembro de 1973. Nos dois primeiros meses após o golpe, o estádio foi transformado num campo de concentração e mais de 40 mil pessoas passaram por ali. Várias delas, cerca de 3 mil, não saíram vivas.

Na grande reforma de 2008, o Estadio Nacional foi todo remodelado, mas o portão 8, a única ligação daqueles prisioneiros de 1973 com o mundo exterior, foi mantido intacto e a frase "Un pueblo sin memoria es un pueblo sin futuro” foi pintada para que ninguém esqueça aqueles tenebrosos dias. Um exemplo para outros países que ainda insistem em não contar sua história como ela realmente aconteceu.

Com tanta memória envolvida, eu precisava ir lá de qualquer jeito. O bom é que o acesso ao principal palco do futebol chileno é super fácil. Peguei o metrô na Estação La Moneda (da Linha 1), fiz baldeação na Estação Baquedano (da Linha 5) e então segui até a Estação Ñuble. Um percurso que levou cerca de vinte minutos. Dali andei mais quinze pela Rua Carlos Dittborn até conseguir visualizar o majestoso estádio com a Cordilheira dos Andes ao fundo.


Outdoor nos arredores do Estadio Nacional. Foto: Fernando Martinez.


Os Andes fazem parte do cenário de quase toda cidade de Santiago. Aqui, numa das laterais de todo o complexo que abriga o estádio. Foto: Fernando Martinez.


O Portão 8 preservado como em 1973. Foto: Fernando Martinez.

Enquanto dava a volta no complexo pelas Avenidas Grecia e Pedro de Valdivia até a entrada principal, foi caindo a ficha que estava prestes a assistir outra cerimônia de abertura de um torneio organizado pela FIFA. Obviamente que o clima era muito diferente que vivi no Brasil x Croácia de 2014, mas mesmo assim consegui, guardadas as devidas proporções, matar um pouquinho da saudade.

O público ainda era pequeno quando finalmente passei pelos portões. Algo natural, já que a seleção da casa só entraria em campo no jogo de fundo. Com isso, não foram muitos os que acompanharam desde o início a abertura oficial da Copa do Mundo sub-17 2015 com o confronto da Nigéria, a atual campeã, contra os Estados Unidos pelo Grupo A.

Por conta de tudo que descrevi lá no alto, me emocionei demais ao subir para as arquibancadas e fiquei uns dez minutos simplesmente parado no portão para assimilar de forma completa que realmente todo esforço que fiz por meses e meses havia dado resultado. Com capacidade para 48.665 pessoas, o local parece maior pela televisão. Independente disso ainda é um estádio absolutamente sensacional.

Logo fui para o meu lugar marcado, perto do gramado e também muito perto das numeradas cobertas. A visão dali é única, pois os Andes completam o cenário de forma brilhante. Meio fora do ar, permaneci estático observando cada detalhe possível até africanos e norte-americanos entrarem em campo.


Numerada coberta do Estadio Nacional. Foto: Fernando Martinez.



Tudo bem, não é a foto oficial com a qualidade tradicional do JP, mas impossível deixar de registrar as duas seleções posando para as fotos antes da partida. Fotos: Fernando Martinez.

Falando um pouco da histórias das duas seleções, vale lembnar que a seleção nigeriana nada mais é do que o time que mais chegou em finais do mundial da categoria (sete) e também o maior campeão com quatro títulos (1985, 1993, 2007 e 2013). Os "Super Eagles" se classificaram para seu 11º mundial depois de ficarem em quarto lugar no campeonato sub-17 da CAF. Já a classificação norte-americana foi muito mais complicada e aconteceu somente depois da vitória contra a Jamaica nos pênaltis no torneio da CONCACAF. Essa é a 15ª vez que os EUA jogam a competição. Junto com o Brasil, é a seleção com mais participações na história.

Depois de todo o protocolo da FIFA ser seguido - com direito, claro, a rolar a clássica Thunderstruck do AC/DC no sistema de som - o árbitro alemão Deniz Aytekin iniciou oficialmente a Copa do Mundo sub-17 de 2015. Os torcedores que já estavam no estádio não torceram para ninguém em especial, e assim como eu queriam apenas ver um bom jogo. A atual campeã teve dificuldades durante o tempo inicial, e os Estados Unidos surpreenderam indo bem na defesa e também no ataque.


Lance pelo alto no começo do confronto entre Nigéria e Estados Unidos. Foto: Fernando Martinez.


Campo defensivo da Nigéria densamente povoado em ataque dos Estados Unidos pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Atacante Josh Perez tentando se livrar da marcação da zaga africana. Foto: Fernando Martinez.

A partida foi muito equilibrada, e a seleção americana foi quem criou a melhor oportunidade para abrir o marcador no primeiro tempo. Eram decorridos 13 minutos quando Pulisic avançou pela esquerda e mandou a bola para o meio da área. O camisa 7 Haji Wright, mesmo com o goleiro fora do lance, chutou pra fora.

O tempo inicial ficou em branco, e no segundo a Nigéria voltou disposta a não dar sopa pro azar. Aos cinco minutos o zagueiro Trusty não foi fiel aos seus princípios defensivos e afastou muito mal uma bola cruzada da direita. A pelota acabou sobrando limpa para o camisa 12 Chukwudi Agor, que chutou forte no canto para fazer o primeiro.

Aos 16 foi a vez do goleiro norte-americano cobrar um tiro de meta bem sem vergonha. O sistema defensivo do time do Tio Sam dormiu no ponto e Victor Osimhen, ligadaço em tudo que acontecia ao seu redor, recebeu, driblou a zaga e chutou forte para ampliar. A seleção norte-americana até que não se abateu, só que não teve tranquilidade suficiente para incomodar a zaga africana durante o resto da peleja.


A Nigéria foi muito melhor no tempo final e conseguiu fazer valer seu favoritismo. Foto: Fernando Martinez.


Bola no fundo das redes norte-americanas no gol de Agor. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Os Estados Unidos tentaram fazer o gol de honra, mas não tiveram sucesso. Foto: Fernando Martinez.


Placar final do jogo de estreia da maior campeã da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.

No fim, a maior campeã da Copa do Mundo sub-17 estreou com o pé direito no Chile: Nigéria 2-0 Estados Unidos. Logo depois do apito final, começou a tímida cerimônia de abertura, e a torcida já ocupava boa parte das arquibancadas do Estadio Nacional para a estreia da seleção da casa no Mundial.

Até lá!

Fernando

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Bandeirante se garante na semi do Paulista sub-20


Depois da minha viagem ao Chile passei uma semana na base da "desintoxicação" sem fazer absolutamente nada trancado em casa. Voltei aos trabalhos futebolísticos nesse Brasil varonil num joguinho bastante legal válido pelo Campeonato Paulista Sub-20 da Segunda Divisão. Fazendo uma campanha digna depois de muito tempo, o genial Bandeirante de Birigui visitou o ECUS em peleja das quartas do torneio.

Apesar de ter feito uma campanha vexatória no profissional, o time suzanense vinha bem no sub-20. A equipe terminou a primeira fase da liderança do Grupo 4 com mais de 79% de aproveitamento e nas oitavas eliminou o Elosport. Mas no jogo de ida o Leão da Noroeste fez valer o mando de campo e venceu pela contagem mínima. No Francisco Marques Figueira, um triunfo simples colocaria o ECUS na semi.

Um monte de amigos me acompanhou nessa jornada, a maioria deles para colocar o BEC na Lista. Também, ficou difícil ver o time de perto depois do rebaixamento para a Segundona em 2010 (em quatro anos, a única visita à região aconteceu em 2014, em partida contra o CAD em São Bernardo do Campo). No JP, a última aparição da equipe havia sido em agosto de 2011 num confronto contra o Capivariano.


ECUS (Sub-20) - Suzano/SP. Foto: Fernando Martinez.


Bandeirante EC (Sub-20) - Birigui/SP. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times e trio de arbitragem da partida. Foto: Fernando Martinez.

O clima estava ótimo para ver um joguinho de futebol, e o duelo ficou mais legal ainda por conta do colorido dos uniformes. O ECUS usando um tom de azul mais light e o BEC usando sua tradicional (e sensacional) combinação inspirada na seleção paulista. O Hino Nacional Brasileiro rolou e sem demora os atletas já estavam distribuídos em campo para o apito inicial.

Fui acompanhar o ataque local imaginando que ali se concentrariam as melhores chances de ataque. É, acabei me dando mal, pois o setor ofensivo suzanense não estava nos seus melhores dias e pouco criou. Para piorar a situação dos donos da casa, o Bandeirante ampliou sua vantagem no confronto com o gol de Octávio aos nove minutos. Agora o ECUS precisava virar o marcador para se classificar.

O Leão do Colorado se mandou para o ataque, só que as investidas eram feitas de forma desordenada e foram facilmente neutralizadas pela zaga do BEC. Aos 28 minutos, num bom contra-ataque, Matheus Lima foi derrubado na entrada da área. Giba bateu a falta de forma precisa e fez o segundo dos visitantes. A missão do ECUS ficava cada vez mais impossível.


Atleta do ECUS tentando se livrar da marcação. Foto: Fernando Martinez.


Chute de longe no ataque local. Foto: Fernando Martinez.


Ofensiva do ECUS pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração do segundo gol do Bandeirante. Foto: Fernando Martinez.


O ECUS tentou, tentou, tentou, mas não conseguiu criar boas chances de gol. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final o onze da Grande São Paulo tentou fazer aquele famoso abafa, mas podia estar em campo até agora que o gol não teria saído, tamanha a falta de pontaria dos seus jogadores. O Bandeirante, mesmo atuando com um jogador a menos (Gallo foi expulso aos treze minutos), jogou só na boa e conquistou a heroica classificação.

O placar final de ECUS 0-2 Bandeirante colocou o time de Birigui na semi do sub-20 da segunda divisão para enfrentar o Taboão da Serra, enquanto o outro jogo será entre Grêmio Prudente e Tanabi. Para finalizar, é impossível não parabenizar o BEC pela campanha que vem sendo realizada. Tomara que seja o início da ressurreição do time dentro do futebol paulista, pois uma equipe com tamanha tradição não pode ficar na última divisão estadual.




Três momentos do tempo final de ECUS x Bandeirante, que confirmou a ida do Leão da Noroeste para a semi do Sub-20. Foto: Fernando Martinez.

Com a peleja encerrada voltamos a campo para emplacar algumas jogadas de futebol americano, já que o amigo Bruno Lopes tinha comprado uma bola oval no caminho do estádio. Foram vários passes e muitos field goals antes de pegar o caminho de volta para a capital. Não antes, claro, sem parar numa barraquinha de lanches no centro da cidade, um dos locais com melhor custo-benefício para quem gosta de alimentação natural na Grande São Paulo.

Até a próxima!

Fernando

domingo, 1 de novembro de 2015

JP no Chile (Parte 1 de 13): Grande estreia com Incas del Sur x Pudahuel pela quinta divisão


Desde que fui para Buenos Aires em abril de 2009 - minha primeira viagem internacional "de verdade" que trouxe cinco jogos de várias divisões do Campeonato Argentino para as páginas do JP - eu tinha a enorme vontade de emplacar outra jornada pela América do Sul, de preferência em outro país. A ideia era viajar de novo até 2011, porém vários problemas acabaram me fazendo adiar o projeto por período indeterminado.

Desde que a Copa do Mundo terminou coloquei na cabeça que 2015 seria o ano para cumprir essa missão. Sabia que não seria nada fácil, mas topei encarar o desafio de emplacar minha segunda viagem ao exterior, a primeira exclusivamente dedicada ao futebol. O destino? A bela República do Chile.

Não escolhi a terra de Pablo Neruda por acaso. Defini esse como sendo "o" local pois o país venceu a disputa para ser a sede da Copa do Mundo Sub-17. Como passei a vida vendo o certame ser disputado em países periféricos futebolisticamente falando não podia perder a oportunidade de acompanhar a competição "do lado" de casa. Além, claro, de tentar ver algum jogo do certame nacional.

Montei todo o esquema no papel e desde o começo do ano passei a me armar para permanecer alguns dias em Santiago e outros percorrendo algumas sedes do Mundial. Aos poucos as coisas foram se ajeitando e no comecinho de outubro tudo estava definido. Saí de São Paulo na tarde do dia 17 de outubro e por volta das oito da noite desembarquei na capital chilena. Entrei no avião com 36 graus na moleira e saí com 11, uma bênção!

Como minhas primeiras partidas estavam programadas apenas para o final da tarde/noite de sábado tive a sexta-feira livre para bater perna pela cidade. Pude conhecer alguns locais que sempre vi em imagens de televisão e fotos, como o histórico Palácio de La Moneda, sede do governo e famoso por ter sido bombardeado no golpe militar de 11 de setembro de 1973, e o mausoléu de Bernardo O'Higgins, heroi da independência. Detalhe: as ruas são limpas, não há nada pichado e os monumentos estão todos muito bem conservados. Algo que está cada vez mais longe de acontecer aqui em São Paulo.




Em várias partes de Santiago temos essa visão simplesmente sensacional da Cordilheira dos Andes. Essa era a vista da janela do meu quarto. Abaixo, o magnífico Palácio de La Moneda, casa do governo chileno. A última foto mostra algo que já não existe mais em São Paulo: centro da cidade bem cuidado, fonte funcionando e muita limpeza. Fotos: Fernando Martinez.

Fiquei zanzando pela cidade por várias horas até voltar para o meu hotel, uma grata surpresa que encontrei no coração de Santiago e localizado bem em frente da Estação La Moneda do metrô. Enquanto escutava pelo rádio o confronto entre São Caetano e Botafogo pela Série D, passei a analisar a tabela da quinta divisão local, que tem o nome oficial de Campeonato Nacional de Fútbol – Cuarta División Sub-23 ou Tercera División B, para ver se conseguia assistir algo desse campeonato sensacional num horário "livre" da minha agenda. Vale dizer que a competição é amadora e organizada pela Asociación Nacional de Fútbol Amateur do Chile (lá somente as três primeiras divisões são profissionais).

Uma das coisas mais geniais da viagem foi que a Dona Sorte sorriu para mim em vários fatores, um deles a respeito da definição dos horários dos jogos válidos pelos certames nacionais. Acessando o ótimo www.terceradivision.cl, site genial que tem várias informações úteis sobre esse campeonato, descobri que ao meio-dia do sábado um Jogo Perdidaço estava marcado para o Estadio Municipal Las Rejas, situado no bairro Estación Central. A peleja, válida pela 20ª rodada do torneio, era uma daquelas em que nunca cogitei assistir nem nos meus mais profundos delírios: Incas del Sur x Pudahuel Barrancas.

Aposto um sorvete de casquinha que 99% dos amigos do JP nunca ouviram falar dessas gloriosas agremiações, então vale a pena situá-los por aqui. O Club Social Y Deportivo Incas del Sur foi fundado em 2013 para representar o grande número de peruanos que vivem por ali, seguindo o exemplo de times como Audax Italiano, Unión Española e Palestino. A equipe tem sede na comuna (bairro) de Independencia. Só pelo nome já vemos que o time é sensacional.

Do outro lado, o Club Deportivo Pudahuel Barrancas é um pouco mais antigo e foi fundado em 2007. O time começou sua trajetória nessa divisão, foi promovido logo da temporada de estreia e participou da quarta divisão em 2013 e 2014, ano em que foi rebaixado sem vencer nenhum compromisso. A equipe, também de Santiago, atua como mandante no Estadio Modelo de Pudahuel, local visitado pelo desaparecido Victor Minhoto em 2006, na primeira incursão do JP na terra de Ivan Zamorano.




Os geniais Incas del Sur e Pudahuel Barrancas devidamente posados provavelmente pela primeira vez numa publicação brasileira. Não é sempre que temos que times desse naipe por aqui. E claro, não podia faltar a foto dos capitães com o trio de arbitragem. Fotos: Fernando Martinez.

Falando um pouquinho do campeonato em si, a Tercera División B é dividida nas zonas Norte e Sul, a primeira com 12 times e a segunda com 11. Todos jogam em turno e returno dentro dos grupos e ao final da primeira fase os dois melhores de cada zona se classificam para o quadrangular final. Novamente jogando em turno e returno, o campeão e o vice sobem para a Tercera División A. O último colocado de cada chave é rebaixado para sua respectiva Asociación de Origen, uma espécie de "sexta divisão" e disputado por equipes de todas as regiões do país.

Tanto os Incas quanto o Pudahuel estavam apenas cumprindo tabela, já que Deportes Recoleta e AC Colina se garantiram no quadrangular com algumas rodadas de antecedência. Chegar ali foi super fácil. Peguei a Linha 1 do metrô de Santiago com destino a Estação San Pablo e desci na Estação Las Rejas. Segui via Avenida Las Rejas Sur e virei à direita na Calle (Rua) Los Maitenes. Cerca de 400 metros depois já conseguia ver a acanhada cancha.

O estádio em si é sensacional. Ali existem somente dois lances de arquibancadas, ambos de madeira, que devem ter a capacidade para uns 200 torcedores no total. Há uma grade por toda a extensão da linha de fundo no gol da entrada, grade que deixa todos que estão passando na rua com visão completa do local. Isso mesmo, para ver a partida você não precisa pagar o ingresso de 1000 pesos chilenos (cerca de seis reais)... basta ficar na rua.


O genial ingresso para a peleja da Tercera División B do Chile, uma peça rara para a coleção. Foto: Fernando Martinez.


A grade atrás do gol "da entrada" e que tem vista para a rua, ou vice-versa. Foto: Fernando Martinez.


Uma das arquibancadas do local, toda de madeira. Não seria liberado nem para Sub-11 aqui em São Paulo. Foto: Fernando Martinez.


Ricardo Berríos Leiva, um aficcionado pelo futebol "perdido" do Chile. Foto: Fernando Martinez.

Ainda meio fora do ar por estar num lugar tão magnífico fui para o campo ver como iria fazer para conseguir as fotos oficiais. Acabei conhecendo o Ricardo Berríos Leiva, um aficcionado pelas divisões menores e que faz um trabalho relativamente parecido com o que faço aqui no JP. Ele é criador da "Tercera Divisón Chile Recuerdos", página no Facebook que fala exclusivamente do futebol "perdido" de lá. Vale demais a visita.

Com a ajuda do novo amigo, captei os instantâneos raríssimos do Incas del Sur e do Pudahuel Barrancas, oficialmente os times 599 e 600 da minha Lista e que tenho quase certeza que aparecem numa publicação brasileira pela primeira vez em todos os tempos. O sol estava forte e então fui me abrigar numa das únicas sombras presentes no Las Rejas. Acompanhando o ataque alvirrubro na primeira etapa vi uma peleja bastante movimentada. Me surpreendi positivamente com a qualidade do futebol mostrado.




Três momentos do primeiro tempo de Incas del Sur x Pudahuel Barrancas. Fotos: Fernando Martinez.


Torcida peruana marcando presença no estádio. Foto: Fernando Martinez.

Os primeiros 45 minutos tiveram amplo domínio do time local. Os Incas del Sur ocuparam o campo defensivo do onze visitante, só que apesar das várias oportunidades criadas marcaram apenas uma vez num chute na pequena área à queima-roupa em que o arqueiro "Chino" nada pôde fazer. Foi com o 1x0 que o tempo inicial chegou ao seu final.

No intervalo fui para uma das geniais arquibancadas de madeira e lá conversei bastante com o Ricardo. Pude entender um pouquinho mais o trabalho que ele faz e vi que ele é realmente nossa versão por lá, já que como eu, ele faz esse tipo de divulgação na base da paixão, sem nenhum reconhecimento comercial. Como já dizia o desaparecido e "ex-amigo" Jurandyr, o futebol tem linguagem universal.


Zaga do Pudahuel protegendo a pelota. O genial é que dá pra ver o uniforme completo do time na imagem. Foto: Fernando Martinez.


Goleiro "Chino" saindo do gol e subindo no segundo andar para fazer a defesa. Foto: Fernando Martinez.


Raro ataque do Incas no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do Estadio Municipal Las Rejas, acanhado mas muito simpático. Foto: Fernando Martinez.

O papo ainda estava rolando quando o segundo tempo começou, e logo nos primeiros movimentos ficou claro que o panorama seria outro. O Pudahuel Barrancas voltou muito melhor e não deu o menor espaço para o time alvirrubro. Não demorou muito para o jogador Nelson Hermosilla deixar tudo igual completando na pequena área um cruzamento da esquerda.

Os Incas até tentaram relembrar o bom futebol do tempo inicial, porém não tiveram sucesso. O "Puda" se mostrava tranquilo na defesa e objetivo no ataque. Numa ofensiva fulminante por volta dos trinta minutos Nelson Hermosilla, o artilheiro da tarde, recebeu pela esquerda e chutou forte para virar o placar. A meia dúzia de torcedores do time comemorou bastante.

No fim, o placar ficou em Incas del Sur 1-2 Pudahuel Barrancas. Jogo bom, os dois times marcaram, muitas chances de gol... não poderia ser melhor minha estreia em terras chilenas. Posso dizer que o nível técnico foi similar a muitas partidas que assisti na Segundona nessa temporada. A diferença técnica é inegável, mas dentro de campo tudo é muito parecido.


Nelson Hermosilla comemorando o gol de empate do Puda. Foto: Fernando Martinez.



Mais dois lances nos minutos finais da partida. Foto: Fernando Martinez.

Não demorei muito para sair do estádio e pegar o caminho de volta até a Estação Las Rejas e depois para meu hotel. Afinal de contas, não queria perder nenhum segundo da rodada inaugural da Copa do Mundo Sub-17. Teve palco histórico do futebol mundial aparecendo pela primeira vez nas nossas páginas.

Até lá!

Fernando

Jogos Perdidos, 11 anos!


Nesse domingo o JP completa nada mais, nada menos do que 11 anos de vida. Algo impensável em 2004, ainda em tempos de um enorme deserto de informações sobre jogos perdidos na grande rede.

Todo mundo que acompanha nossa página - de 2005 a 2011 no UOL e desde então no endereço próprio - sabe que a forma com que o blog foi sendo conduzido mudou demais através dos tempos, e que aquele "grupo de malucos que se reunia para ver partidas alternativas" infelizmente não existe mais há alguns anos.

Independente disso a essência do Jogos Perdidos permanece exatamente a mesma comigo segurando a bronca, mas sempre lembrando com carinho de todos os integrantes ou ex-integrantes que consolidaram nosso nome desde os primeiros momentos.

E nada melhor do que comemorar mais um aniversário iniciando uma série especial de posts com todos os treze jogos que assisti no Chile no mês de outubro. Séries assim são raras atualmente, então apreciem sem moderação.

Fernando