Texto e fotos: Fernando Martinez
No último sábado a minha programação ficou toda bagunçada em virtude do aniversário de um ano do meu sobrinho. Não tinha como não ir e, como a celebração foi na hora do almoço, não tive como ver nada nem de manhã, nem à tarde. Por sorte, teve um jogo perto de onde foi a festa. Só que não foi um jogo qualquer, e sim um duelo entre Brasil e Estados Unidos pelas seleções femininas na Neo Química Arena.
Sempre quis ver a seleção norte-americana em campo, não por afinidade, e sim por ser a maior campeã mundial da categoria. O maior problema seria ir como torcedor, já que não daria para ir como imprensa. Há muito tempo não marcava presença na casa corintiana nas arquibancadas e confesso que estou descostumado com isso. O torcedor não é tratado com respeito e me cansa ver tanta bagunça em situações que não deveriam ser assim.
Tive que dar uma volta imensa até chegar ao meu portão e várias filas enormes eram a realidade antes de passar pela catraca. Tudo era permeado por muita desinformação e pessoas incapazes de responder até mesmo à pergunta mais fácil. Paciência. Foi uma correria, mas cheguei ao meu lugar a tempo de ver as duas seleções entrando em campo.
Esse foi o meu 15º jogo da seleção feminina. Desde o 10 a 0 sobre o Equador no Pan de 2007 até o triunfo por 3 a 1 no amistoso contra o Japão no ano passado, foram 14 apresentações da equipe na minha lista. Os Estados Unidos eu não tinha visto nem nas categorias de base. E poderia ser uma tarde histórica, já que, com um triunfo, seria a primeira vez que as brasileiras venceriam o rival da América do Norte em duas oportunidades consecutivas na história com seus elencos principais.
A torcida entendeu a mensagem e foi em peso a Itaquera. Diferentemente do que os machistinhas de redes sociais acham, muita gente gosta de futebol feminino e mais de 30 mil pessoas foram ao estádio acompanhar o confronto. Antes do apito inicial, muita animação de todos os presentes. Com menos de um minuto, a alegria deu lugar a um pequeno susto quando Sophia Wilson abriu o marcador. Mas o susto se transformou em muita festa pouco mais de dez minutos depois, com os gols da dupla palmeirense Tainá Maranhão e Bia Zaneratto. Era a virada do Brasil.
Na sequência do primeiro tempo houve bastante equilíbrio. Nos minutos finais, Tainá Maranhão quase fez o terceiro e depois Lelê salvou a pátria brasileira com duas defesas sensacionais em finalizações de Sophia Wilson. No intervalo fui dar uma volta nas dependências da Arena e uma coisa precisa ser dita: se a entrada é ruim, muito por conta de quem está lá para auxiliar as pessoas, a infraestrutura é de longe a melhor para quem vai ao estádio. Não tem nem comparação.
Depois de comprar minha pipoquinha retornei ao meu assento e vi uma etapa final muito boa. Chances para as duas seleções, com Bia Zaneratto tendo duas boas oportunidades e Claire Hutton mandando uma na trave. Com o passar do tempo, os Estados Unidos foram chegando com mais perigo, enquanto o Brasil se defendia com maestria. Aos 45 minutos, Gio Garbelini teve a chance mais clara das brasileiras, mas a tentativa de cavadinha deu errado e Mandy McGlynn fez a defesa.
Momentos da grande vitória brasileira contra os Estados Unidos
O 2 a 1 foi a segunda vitória seguida da seleção verde e amarela contra a maior campeã mundial
Apesar do sufoco nos acréscimos, a seleção conseguiu segurar a pressão e conquistou uma baita vitória, apenas a quinta em 36 jogos realizados contra os Estados Unidos. Não acho que o Brasil seja um dos favoritos ao título na Copa do Mundo do ano que vem, mas, por jogar em casa e contar com o bom trabalho de Arthur Elias, acredito que possa ir longe.
Até a próxima!
Ficha Técnica: Brasil 2-1 Estados Unidos
Local: Neo Química Arena (São Paulo); Árbitra: María Eugenia Gilsoriano/ESP; Público: 30.851 pagantes (31.336 presentes); Renda: R$ 1.689.402,50; Cartões Amarelos: Tainá Maranhão, Gio Garbelini, Lorena, Arthur Elias e Trinity Rodman; Gols: Sophia Wilson 1, Tainá Maranhão 10 e Bia Zaneratto 13 do 1º.
Brasil: Letícia (Lorena); Isabela, Isa Haas, Mariza e Thaís Ferreira (Rafaelle); Kerolin (Aline Gomes), Angelina (Yaya) e Duda Sampaio; Tainá Maranhão (Ludmila), Dudinha (Amanda Gutierres) e Bia Zaneratto (Gio Garbelini). Técnico: Arthur Elias.
Estados Unidos: Mandy McGlynn, Emily Fox, Emily Sonnett, Tierna Davidson e Gisele Thompson (Avery Patterson); Claire Hutton (Jaedyn Shaw), Lily Yohannes (Rose Lavelle) e Lindsey Heaps; Trinity Rodman (Emma Sears), Sophia Wilson (Ally Sentnor) e Alyssa Thompson (Michelle Cooper). Técnica: Emma Hayes.






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