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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O futebol volta às páginas do Jogos Perdidos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Pandemia!

Essa palavra relativamente desconhecida pela grande massa passou a fazer parte do dia a dia da maior parte dos habitantes do planeta em 2020. A chegada da covid-19 transformou a realidade e nos levou à maior crise do século e também ao pior momento do mundo moderno. Milhares morreram, milhões foram infectados, muitos perderam o emprego (eu incluído) e não sabemos quando poderemos voltar minimamente à realidade que tínhamos até o começo do ano.

Tudo parou. Tudo. Trazendo isso ao assunto principal do Jogos Perdidos, com o futebol não foi diferente. Desde que estive presente no Capivariano 2x0 Nacional em 14 de março, foram 189 dias sem pisar num estádio, meu maior período sem jogos desde 1995 e o sétimo na história. Todos os campeonatos no país ou foram interrompidos ou nem começaram. Nunca tivemos algo parecido na história do profissionalismo e mesmo quando a Gripe Espanhola parou os certames em 1919 não foi por tanto tempo.

No dia seguinte da minha última peleja iniciei uma quarentena forçada. Não comecei bem e surtei em abril por uma série de fatores, culminando com minha internação em maio com uma pedra no rim e suspeita de ter covid-19. Foi barra pesada, porém a ficha caiu e resolvi aproveitar o tempo livre a partir da minha alta. Assisti muitas séries inteiras, ouvi muita música, mexi nas pesquisas ferozmente e retomei a leitura num ritmo industrial. 27 semanas depois, eu resolvi encarar o mundo real e decidi que era hora de voltar à velha forma no retorno do Campeonato Paulista da Série A3.

Não me senti à vontade para retornar aos campos em julho quando os estaduais foram retomados. Além disso, achei a volta precipitada. Por isso não sei se teria voltado se não com o Nacional atuando no Estádio Nicolau Alayon recebendo o Batatais. Eu quebrei a série de três anos e meio vendo todos os jogos ali justamente na última apresentação, contra o Marília dia 7 de março. Estava em Anápolis na mesma tarde numa viagem que parece ter sido feito há oito anos. O adversário do onze nacionalista no retorno do torneio foi o Batatais.

Estava curioso para ver como estava o protocolo de segurança na A3 já que acompanhei de longe a volta dos certames maiores. Bom, além de farta quantidade de álcool em gel e necessidade de usar a máscara o tempo todo, agora não tenho mais acesso ao gramado. Após muitos anos, os próximos posts do JP não terão os times posados, nossa marca registrada. Confesso que dá uma certa tristeza, mas tudo pelo social.

Outra coisa que não vai rolar até segunda ordem será a companhia das dezenas de amigos e conhecidos que frequentam os campos da vida. Somente pessoal com carteirinha da Acessp e Arfoc terão acesso às canchas. Não ter a companhia da rapaziada vai também ser bastante esquisito. As minhas trilhas sonoras pessoais do Spotify certamente serão acionadas com enorme regularidade (e o que tem de coisa boa não é brincadeira).

Como também não podemos ficar zanzando pelo estádio buscando ângulos diferentes, fui obrigado a permanecer no lado direito da parte coberta da Comendador Souza. Foto, só dali. Agora, o pior de tudo na minha humilde opinião é a falta de torcida. Tudo bem que a assistência na casa nacionalista historicamente não é das maiores, mas mesmo assim futebol sem público muda a essência do esporte. Certeza que não me acostumarei com isso nunca.



Times perfilados para o Hino Nacional na volta do JP aos gramados. Depois o minuto de silêncio para as vítimas da covid-19 no país

Quando a A3 parou o Nacional não estava nada bem. Os paulistanos ocupavam a 13ª posição mostrando um futebol fraco, principalmente fora de casa. A pontuação embolada deixava o clube tanto perto da classificação quanto do rebaixamento e minha análise na época era que precisavam se preocupar mais com a parte de baixo na tabela. Seis meses depois, não tinha a menor ideia do que esperar atuando contra o sexto colocado, o glorioso Batatais.

Logo no primeiro minuto o alvirrubro assustou a zaga mandante com um bom ataque pela esquerda e bola na trave direita do camisa 1 paulistano. Na sequência o Nacional abriu o marcador em chegada pela direita que terminou com a cabeçada de Tavares. Gol nacionalista logo no começo? Taí algo que não vemos sempre.

Aos nove, Vitor Hugo perdeu um daqueles gols que se bobear até eu faria quando ficou cara-a-cara com o goleiro Douglas Lima e se atrapalhou todo, chutando pela linha de fundo e desperdiçando a oportunidade do empate. Aos 20, quase o segundo paulistano em dois momentos seguidos. A partir daí a zaga visitante passou a errar muito e o Nacional não soube aproveitar a vantagem. Quando o intervalo chegou, o placar poderia estar tranquilamente em 2x0.




Três momentos do primeiro tempo de Nacional x Batatais. Na terceira foto, uma boa chegada visitante de cabeça

Quando veio a etapa final foi aquela coisa. Quem acompanha os jogos do antigo SPR sabe que o "quem não faz, toma" funciona como lei. Vinícius criou a melhor chance da peleja quando avançou sozinho por todo o campo de defesa do Batatais, entrou na área e chutou no canto. Caprichosamente a pelota tirou tinta da trave esquerda e saiu.

Nesse lance tive a certeza que o Fantasma chegaria ao empate... e claro que ele chegou. Paulo César recebeu um lançamento maravilhoso de Nicolas e tocou na saída do arqueiro local aos 25 minutos, deixando tudo igual. O Naça tentou emplacar um ânimo extra em busca dos três pontos, só que foi o alvirrubro quem chegou perto do segundo tento.


Dividida no meio de campo já no segundo tempo


Vinícius perdendo a melhor chance de gol nos 90 minutos. Pouco tempo depois, o escrete nacionalista sofreu o empate


Após sofrer o gol, o Nacional se mostrou tímido na busca de nova vantagem no placar

O Nacional 1-1 Batatais foi o resultado justo para a partida em Comendador Souza. O Naça ganhou um ponto porém conseguiu perder duas posições na tábua de classificação: agora é o 13º colocado postado perigosamente perto da zona de rebaixamento. Já o Fantasma agora está na quinta posição. Os paulistanos precisam MUITO vencer o próximo compromisso contra a pedreira chamada São Bernardo, caso contrário a situação vai se tornar mais dramática.

Essa foi a minha volta aos gramados depois de 189 dias. Não significa que voltarei à ativa naquele ritmo frenético de sempre, pois a pandemia continua sendo uma realidade nefasta e não podemos brincar, mas quando estiver animado e disposto voltarei. Serve pelo menos para deixar o JP em atividade.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 1-1 Batatais

Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Jefferson Dutra Giroto; Público e renda: Portões fechados; Cartões amarelos: Tavares, Gabriel Vieira, Matheus Costa, Maicon, Paulo César; Gols: Tavares 2 do 1º e Paulo César 24 do 2º.
Nacional: Douglas Lima; Alanderson, Gabriel (Júlio), Diego Chiclete e Ricardinho; André Rocha, Juan (Guilherme Dias), Gabriel Vieira (Dieguinho) e Tavares (Matheus Costa); Vinicius e Luquinha (Matheus Teta). Técnico: Tuca Guimarães.
Batatais: Adalberto; Danilo Guimarães (Guilherme), Manuel (Felipe), Gustavo e Maicon (Paulo César); Ian, Nicolas, Kawan e Vitinho (Pimpolho); Caíque Gomes (Adyson) e Caíque Santos. Técnico: Nívio Caetano. 
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