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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O líder Bernô vacila e apenas empata com o Fernandópolis no Baetão


Teve muito trânsito, muito frio e muita chuva, mas na última sexta-feira superei esses adversários com louvor e mantive de forma hercúlea os 100% de aproveitamento (onze jogos vistos em onze realizados) nos compromissos do São Bernardo no Campeonato Paulista da Segunda Divisão atuando na Boate Baetão. O adversário pela quarta rodada do turno do Grupo 4 foi o Fernandópolis FC, num duelo que não acontecia desde o ano 2000.

Lutando por uma vaguinha na A3 de 2016, o Bernô estava na vice-liderança da chave antes dessa rodada com sete pontos. A líder era a Inter de Bebedouro com a mesma pontuação, mas com um saldo maior, e logo depois o Fefecê era o terceiro colocado com seis pontos. Um triunfo alvinegro jogando contra um adversário direto pela vaga era essencial.

Cheguei no estádio debaixo de um temporal, e como há tinha me molhado o suficiente não teve como ir para o inundado gramado sintético do local para fazer as fotos posadas. Uma pena, ainda mais por ter perdido a imagem oficial do time visitante. Aliás, vale registrar como está horrível a camisa da gloriosa agremiação interiorana. Tudo bem, entendemos que o clube precisa de grana e a iniciativa é válida, mas é inegável que o manto do Fefecê está completamente deformado. Retrato do futebol atual.


Times perfilados para o Hino Nacional Brasileiro. Foto: Fernando Martinez.

O público mais uma vez decepcionou - apenas 91 pagantes - e o primeiro tempo também foi muito abaixo do esperado. Os times não conseguiram driblar o pesado gramado e a peleja praticamente não teve emoção. Difícil relatar algo de positivo a não ser o sempre agradável papo com a rapaziada presente. Obviamente o tempo inicial ficou no 0x0.

No segundo, já sem chuva e com o gramado menos encharcado, o São Bernardo voltou muito melhor do que o Fernandópolis. O setor ofensivo local infernizou a zaga visitante levando muito perigo à meta defendida por Rafinha. Logo no começo o alvinegro quase abriu o placar em chute de longe que tirou tinta da trave.

Aos 11, o meia Chuck sofreu pênalti, mas a arbitragem nada marcou. Aos 17 a maior e mais cristalina chance do Bernô... aliás, não foi uma, e sim três oportunidades seguidas para o time do ABC abrir o marcador. Primeiro Rafinha fez grande defesa em chute cruzado. No rebote, Washington mandou na trave sem marcação. Ele mesmo pegou a sobra na pequena área e chutou por cima. Um lance surreal.

O Fefecê não conseguia passar do meio-campo e então finalmente aos 33 minutos o onze da Grande São Paulo fez o primeiro. Dênis cobrou falta na área e Diego Araújo desviou no meio do caminho para colocar a pelota no canto esquerdo do gol.

Depois de sofrer o gol, não restou alternativa para o Fernandópolis a não ser sair para o ataque. Mesmo assim, a pressão foi meia-bomba e nenhuma oportunidade real foi criada. Aos 44, na primeira chance importante do time durante toda a partida, o empate aconteceu. A bola foi cruzada da direita e Netinho apareceu entre os zagueiros para tocar e deixar novamente tudo igual. Um duro castigo para o Bernô e seu gol de gols perdidos por todo os 45 minutos finais.


Bola zanzando na área do São Bernardo no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.


Ataque do Bernô pela direita, já no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.


Rara chegada do Fefecê no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Cobrança de falta de Dênis que originou o primeiro gol do São Bernardo. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola pelo alto dentro da área visitante. Foto: Fernando Martinez.

O placar final de São Bernardo 1-1 Fernandópolis foi um banho de água fria para a torcida que foi ao Baetão. Pela segunda vez seguida como mandante o Bernô saiu na frente e tomou o empate atuando contra adversários diretos em busca do acesso. A equipe fecha o turno visitando o Manthiqueira no próximo final de semana.

O cronograma inicial de partidas não reservava nada para o sábado, mas no meio da semana pintou uma peleja muito perdida no Canindé válida pela Copa Paulista. Nada melhor do que curtir uma tarde de muito frio com jogo quase vazio.

Até lá!

Fernando

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Portuguesa joga bem e goleia o Juventude em busca da classificação


Decisão. Essa foi a palavra que melhor definiu o confronto entre Portuguesa e Juventude na noite de segunda-feira, válido pela 15ª rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro da Série C. Mesmo debaixo de uma chuva que durou todo o feriado de 7 de setembro, enfrentei a fria noite para acompanhar de perto a penúltima peleja - pelo menos nessa fase - do onze rubro-verde no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte.

Atualizando a situação dos dois no certame, na rodada anterior a Lusa foi imensamente prejudicada jogando contra o Tupi em Juiz de Fora e saiu de campo derrotada pela contagem mínima. O Juventude goleou o Madureira e pulou para a quarta posição. O time gaúcho somava então 22 pontos conta 21 do time paulista antes desse confronto. Uma vitória lusitana colocaria a equipe novamente no G4 do Grupo B.


A Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


Pela primeira vez, o Esporte Clube Juventude de Caxias do Sul aparece posado no JP. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times junto com o árbitro Johnn Herbert Bispo e o assistentes Elicarlos Franco de Oliveira, ambos baianos, e os paulistas Leandro Matos Feitosa e Leandro Bizzio Marinho. Foto: Fernando Martinez.

Essa foi a quinta partida que vi da Portuguesa nessa Série C e posso dizer seguramente que foi a melhor de todas elas. Foi a noite perfeita para devolver os 3x2 no jogo do turno e também para chegar mais perto no número de vitórias da história do confronto: antes desse duelo, o Juventude "vencia" a disputa por sete a cinco.

Sem deixar o escrete gaúcho respirar, a Portuguesa abriu o marcador logo aos cinco minutos com o maior nome do elenco nesse campeonato. A zaga visitante deu um vacilo monstro e a pelota sobrou para Guilherme Queiroz. O camisa 7 não desperdiçou e chutou para fazer seu 11º gol na competição, gol que o deixou na liderança da tábua de artilheiros junto com Leandrão, ex-Brasil e hoje no Vasco da Gama.

Nos minutos seguintes a Lusa continuou jogando bem, sem dar chances para o Juventude. Aos 27, por muito pouco a equipe não ampliou em lance aonde o goleiro visitante Elias teve ótima participação. Pena para a torcida local que aos 32 o time gaúcho deixou tudo igual na sua primeira chegada real de perigo. Hélder cruzou da direita e Zulu cabeceou firme no canto. O primeiro tempo acabou com o empate por um gol.


Zaga da Portuguesa protegendo a pelota. Foto: Fernando Martinez.


Jogadores aguardando cobrança de escanteio dentro da área local. Foto: Fernando Martinez.


Lance no campo defensivo lusitano. Foto: Fernando Martinez.


Saída para o ataque da Portuguesa. Foto: Fernando Martinez.

No segundo, a partida voltou mais equilibrada por poucos minutos, mas não demorou para a Lusa passar de novo à frente. Renan aproveitou buraco na defesa e chutou firme para marcar o segundo aos sete. Vendo que a peleja estava ficando complicada, o técnico Antônio Carlos Zago fez várias alterações na equipe do Sul em busca de melhor sorte.

Mesmo não jogando bem, aos 29 minutos nova igualdade aconteceu. O camisa 11 Kelvy recebeu passe na entrada da área, e marcado por três defensores paulistas, ele conseguiu chutar no canto direito de Anderson. Um vacilo que por pouco não custa caro para a Portuguesa. Na tribuna de imprensa a certeza era uma só: que jogaço!

Não acontece sempre, mas de vez em quando a sorte está do lado da Associação Portuguesa de Desportos. Ainda atuando de forma mais centrada e com mais objetividade, o time voltou a ter vantagem no placar quando Hugo fez o terceiro aos 38 minutos. Na desesperada busca pela nova igualdade, o Juventude se abriu todo e num contra-ataque ligeiro aos 45, Willen completou a grande vitória lusitana numa partida simplesmente eletrizante.


Lance no meio de campo já no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Zaga paulistana cortando cruzamento. Foto: Fernando Martinez.


Bola levantada na área do Juventude. Foto: Fernando Martinez.


Boa saída de Anderson. Foto: Fernando Martinez.

O Portuguesa 4-2 Juventude recolocou o onze paulista no G4 da sua chave, agora com 24 pontos ganhos e faltando três partidas para o final da primeira fase. O time visita Guarani e Caxias e recebe o Tombense na última rodada. Sete pontos classificaram a equipe sem depender dos resultados do Periquito. Os gaúchos recebem Tupi e Guará, visitam o Tombense e torcem contra a Lusa. É, amigos... com certeza virão dias mais emocionantes por aí.

Até a próxima!

Fernando

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Feriado de Independência com Série D do nacional em Poços de Caldas


A cidade de Poços de Caldas é destino certo de turistas de todos os lados, ainda mais num feriado prolongado como foi o de 7 de setembro. Mas enquanto 99 % das pessoas que visitam a Cidade das Flores vão até lá em busca de descanso, eu fui fazer aquele famoso "turismo futebolístico" hoje em dia tão ausente aqui nas nossas páginas. Na pauta, um jogo sensacional com cheirinho do saudoso "Especial do Mês" válido pelo Campeonato Brasileiro da Série D: Caldense x Aparecidense/GO.

Não visitava o belo Estádio Municipal Dr. Ronaldo Junqueira desde 2008, quando vi o falecido Poços de Caldas vencer o Itaúna pela contagem mínima. Já a Veterana eu não via atuando ali desde o comecinho de 2007, num jogo do campeonato mineiro com derrota por 1x0 para o Guarani de Divinópolis. Desde então planejei muitas viagens até lá que (obviamente) não deram certo, mas essa precisava rolar de qualquer jeito, afinal, foi a primeira chance razoável para colocar o time goiano na Lista, que agora conta com 598 equipes.

Fundada em 1985 e no futebol profissional desde 1992, a Aparecidense disputou apenas estaduais até 2011. Em 2012 o time estreou em nacionais jogando a última divisão. O time ficou conhecido em todo país na Série D de 2013, quando o massagista Esquerdinha impediu um gol do Tupi nas oitavas. A equipe acabou sendo eliminada no STJD e voltou ao nacional apenas nessa temporada, depois de ter conquistado o vice-campeonato no goiano.

Diferente do Camaleão, a Caldense tem mais tradição dentro do seu estado. Campeã mineira em 2002 e vice estadual nessa temporada, a Veterana atuou na véspera do seu aniversário de 90 anos, uma marca invejável. Apesar de tamanha história dentro das Minas Gerais, o alviverde participa do Brasileiro apenas pela quarta vez. Dá para citar todas as participações aqui sem gastar muitas linhas: Série A em 1979, Taça de Prata em 1980 e Série C em 1995.

O curioso é que em todas essas participações o time mineiro nunca tinha sido derrotado com o mando de campo... até 2015. O tabu de catorze partidas foi quebrado no revés para o Comercial de Campo Grande no dia 16 de agosto. Buscando a vaga antecipada para a segunda fase, bastava não ser derrotada novamente que a vaga entre os dezesseis melhores estaria garantida.


AA Caldense - Poços de Caldas/SP. Foto: Fernando Martinez.


AA Aparecidense - Aparecida de Goiânia/GO. Foto: Fernando Martinez.


Quarteto de arbitragem com o árbitro paulista Marcelo Prieto Alfieri e os mineiros Frederico Soares Vilarinho, Wesley Moreira de Carvalho e Renato Cardoso da Conceição junto com os capitães dos times. Foto: Fernando Martinez.

Para esse duelo eu tive a companhia do trio Mílton, Luiz e $eu Natal no pinga-pinga que o ônibus da Cometa faz até Poços de Caldas. A viagem que poderia levar cerca de três horas sem paradas dura quase cinco por conta dos vários pit-stops. Como deixamos a capital bandeirante bem cedo, chegamos na rodoviária local meio destruídos mas com tempo suficiente para fazer aquela boquinha esperta.

Com o estômago cheio voltei para o estádio - um caminho muito distante, cerca de 400 metros - e logo fui para o gramado. Tudo bem, demorou um pouco para que conseguisse o credenciamento, mas no fim tudo deu certo.

Vindo de um sonoro 3x0 aplicado contra o Operário de Várzea Grande na semana anterior, a Caldense decepcionou os quase mil pagantes que foram ao Ronaldão. O time não mostrou um futebol vistoso e se apresentou burocraticamente pensando apenas na classificação. A Aparecidense precisava vencer para manter vivo o sonho da vaga, mas também não fez muita coisa.

Os visitantes tiveram duas boas chances na primeira metade do tempo inicial, a melhor delas aos 17 minutos num milagre de Neguett após cabeçada venenosa de Dinei Correa. Jogando sem inspiração, a Veterana só assustou o goleiro Darci aos 41 minutos numa improvável bicicleta de Ewerton Maradona. O arqueiro goiano fez sua primeira boa defesa aos 46 depois de cobrança de falta local.


Estava com saudade dessa vista, uma das mais geniais em estádios que já visitei. Foto: Fernando Martinez.


Ataque da Caldense pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Agora a Veterana atacando pela direita. Foto: Fernando Martinez.


Boa saída de Darci na cabeça de Amoroso. Foto: Fernando Martinez.


Francismar sob marcação da zaga da Aparecidense. Foto: Fernando Martinez.


Darci evita o gol local no último lance no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

No tempo final a equipe mineira melhorou um pouquinho seu futebol e quase abriu o marcador aos sete minutos com o camisa 5 Marzagão. Aos doze aconteceu o lance mais insólito do jogo quando o árbitro paulista Marcelo Alfiéri se lesionou, tendo então que ser substituído pelo quarto árbitro. Em mais de 2.500 jogos vistos in loco, foi a primeira vez que acompanhei isso acontecer.

Daí pra frente a peleja ficou bem morta até os 35 minutos. Depois de um lance aonde o onze visitante reclamou de falta de fair play local, Claytinho deu um pontapé desleal em Luiz Henrique, sendo expulso de forma instantânea. Com um a menos, o time goiano quase tomou o gol minutos depois numa oportunidade em que a zaga salvou em cima da linha.

Sem ânimo e sem ter como se aventurar mais no campo ofensivo, os visitantes apenas esperaram o jogo terminar. A Veterana teve boas chances em alguns contra-ataques, mas eles foram desperdiçados de forma bisonha. No fim, vi meu meu primeiro jogo sem gols em quase cinco meses: Caldense 0-0 Aparecidense.


Zaga goiana subindo para cortar cruzamento mineiro. Foto: Fernando Martinez.


Momento em que o árbitro Marcelo Alfiéri era atendido em campo, mas mesmo assim ele não continuou no jogo e foi substituído. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola na linha de fundo. Foto: Fernando Martinez.


Escanteio para a Veterana interceptado pela zaga visitante. Foto: Fernando Martinez.


Investida pela lateral direita. Foto: Fernando Martinez.


A melhor chance de gol da Caldense aconteceu nesse lance. Após cruzamento de letra na área, a zaga salvou em cima da linha. Foto: Fernando Martinez.


Início de ataque da Aparecidense no fim do jogo. Foto: Fernando Martinez.

Tudo bem que o resultado garantiu a classificação mineira para as oitavas-de-final, mas ninguém nas arquibancadas ficou satisfeito com o fraco futebol apresentado pela equipe da casa. Vaias foram ouvidas e muitos estão apreensivos para saber qual será o adversário da agremiação na próxima fase. Tudo será definido na última rodada que será realizada no próximo domingo.

Após o apito final fui com os amigos para me abastecer com uma série de guloseimas no super-mercado perto da rodoviária antes de pegar o busão para voltar a São Paulo. Só assim e com o sempre agradável papo com a rapaziada para aguentar de forma minimamente decente as quase cinco horas do percurso. Cheguei em casa depois da meia-noite completamente destruído, mas feliz com mais um time novo na Lista.

Mesmo ainda bastante moído, na segunda-feira rolou nova jornada futebolística debaixo de chuva e frio, agora com bela atuação rubro-verde na Série C do nacional.

Até lá!

Fernando

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Calor e muita emoção na primeira partida da final do Paulista Feminino


Com certeza muitos nem sabem, mas no domingo passado foi realizada a primeira decisão do Campeonato Paulista Feminino 2015. São Paulo e São José - que eliminaram respectivamente Santos e Audax na semi - foram a campo para os primeiros 90 minutos da grande final. O palco do confronto na quente tarde de agosto foi o Estádio Nicolau Alayon.

Esse foi um jogo que colocou frente a frente dois times que marcaram/marcam época no futebol do estado. O São Paulo foi campeão paulista em 1997 e 1999, esse com sensacionais 100% de aproveitamento, tendo uma grande equipe que contava com as inesquecíveis Sissi e Kátia Cilene. Nos anos seguintes nada de relevante aconteceu e o clube fez sua última participação no estadual em 2005. Falando nisso, já foi anunciado o "novo fim" do time logo depois da final, independente do resultado, a não ser que consigam patrocinadores. Uma pena.

Já a Águia surgiu nos gramados em 2008 e desde então se tornou numa potência. O clube foi campeão paulista em 2012 e 2014, da Copa do Brasil Feminina em 2012 e 2013, da Libertadores em 2011, 2013 e 2014 e do Mundial também no ano passado. Não há como negar que o São José é talvez o time feminino mais vitorioso do país em todos os tempos.


São Paulo FC (feminino) - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


São José EC (feminino) - São José dos Campos/SP. Foto: Fernando Martinez.


Quarteto de arbitragem para a primeira decisão com Katiucia da Mota Lima, Renata Ruel de Brito, Débora Moraes dos Santos e Adeli Mara Monteiro junto com as capitãs dos times. Foto: Fernando Martinez.

Mesmo com tanto apelo, a cobertura da "mídia especializada" para essa final foi nula. Mais um capítulo do imenso descaso com que o futebol feminino é tratado por essas bandas. Quando a seleção perde em algum campeonato internacional aparecem dezenas e dezenas de experts da categoria rotulando as meninas de forma negativa, mas apoio quando elas precisam não existe. Não deveria, mas esse tipo de coisa ainda me tira do sério.

As meninas paulistanas e joseenses já haviam se enfrentado na primeira fase do Paulista com uma vitória para o tricolor e um empate sem gols. Para essa final, a vantagem de dois empates é do time do Vale do Paraíba. Pena que o jogo tenha sido abaixo do esperado, talvez por conta da alta temperatura que chegou a absurdos 35 graus (!) nos relógios de rua da Barra Funda.

O São Paulo foi perigoso em lances de bola parada e o São José nos contra-ataques, mas chance clara mesmo não aconteceu a favor de nenhuma das duas agremiações. A melhor oportunidade ficou reservada para o último lance do tempo inicial, quando a zagueira são-paulina Nagila tocou na bola com a mão dentro da área. A árbitra não teve dúvidas e marcou pênalti.

Gislaine cobrou bem e abriu o marcador para a Águia. O intervalo chegou com a vantagem para o onze visitante e eu resolvi ver o tempo final nas sociais no estádio. Lá, o presidente do SPFC Carlos Miguel Aidar, amigo pessoal de Mílton Haddad, curtia a peleja tranquilamente. Muitos aproveitaram para pedir de forma carinhosa a ele que não acabe com a equipe.





Lances do primeiro tempo da partida de ida da final do Paulista Feminino. Fotos: Fernando Martinez.


De pênalti Gislaine abriu o marcador a favor da Águia no último lance do tempo inicial. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo o panorama não mudou muito e o jogo continuou devagar, com poucas investidas reais no ataque. O tricolor tentou bastante, mas parecia que não teria sucesso na busca do seu gol. O empate quase saiu de forma bastante improvável, numa bola mal recuada pela zaga joseense e que tirou tinta do travessão.

É, mas para a felicidade da maior parte da torcida presente no Nacional, no último minuto o gol de empate finalmente aconteceu. Depois de uma imenso bate-rebate na entrada da área, a bola sobrou para Bia na esquerda. Ela chutou de primeira e colocou a pelota no canto de Andréa, deixando tudo igual.




Agora do alto, momentos do tempo final da decisão entre paulistanas e joseenses. Fotos: Fernando Martinez.



Lance do gol de empate do tricolor e a emocionada comemoração de Bia, autora do tento que deixou tudo igual na primeira peleja da final. Fotos: Fernando Martinez.

O placar final de São Paulo 1-1 São José deixa o título ainda totalmente em aberto, e a Águia precisa de uma nova igualdade para se tornar campeã paulista pela terceira vez. Pena que não estaremos lá, já que por conta da televisão a partida teve seu horário alterado do sábado para domingo de manhã. Todo mundo reclama da Globo, mas no fim absolutamente TODAS as emissoras só pensam nelas mesmas.

Até a próxima!

Fernando

Tudo igual entre Bernô e Inter de Bebedouro no Baetão


Na noite da última sexta-feira o Blog do Fernando Jogos Perdidos iniciou a cobertura da decisiva fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão em outra jornada noturna no Baetão. Em campo, os dois vencedores da primeira rodada do Grupo 4 buscando a liderança isolada: São Bernardo x Internacional de Bebedouro.

Antes de qualquer coisa vale dizer que essa foi uma partida histórica. Há 22 anos o alvinegro não atuava como mandante numa fase direta de acesso no estadual. A última vez que a equipe participou de uma etapa assim havia sido em 1993 no quadrangular decisivo da terceira divisão daquele ano, junto com o campeão Jabaquara, o falecido Estrela de Porto Feliz, e por coincidência, a gloriosa Internacional alvirrubra.

Voltando a 2015, Bernô e Lobo terminaram a primeira fase com a segunda colocação das suas chaves e venceram na estreia da etapa decisiva da última divisão estadual. O time do ABC foi até Bauru e derrotou o Noroeste pela contagem mínima e o onze alvirrubro - jogando para quase três mil pagantes - fez 3x2 no Fernandópolis.


EC São Bernardo - São Bernardo do Campo/SP. Foto: Fernando Martinez.


AA Internacional - Bebedouro/SP. Foto: Fernando Martinez.


Capitães dos times junto com o quarteto de arbitragem formado por Norberto Luciano da Silveira, Vitor Carmona Metestaine, Patricia Carla de Oliveira e Rodrigo Santos. Foto: Fernando Martinez.

O Data Fernando informa que essa peleja foi a sétima entre bernardenses e bebedourenses em todos os tempos. O retrospecto mostra um completo equilíbrio, com dois triunfos para cada lado e dois empates. Um desses confrontos teve cobertura do JP: 1x1 em 9 de agosto de 2014 também em São Bernardo do Campo.

Falando em Baetão, vale registrar que o estádio está cada vez mais parecido com uma boate por conta da péssima iluminação. Dos 72 refletores presentes nos seis postes, apenas 35 estão funcionando, menos da metade. Tudo bem que a prefeitura local só tem olhos para o Tigre, mas a rapaziada podia fazer valer o gordo salário que recebem para resolverem isso, né? A situação atrapalha atletas, imprensa e torcedores e é fato que demorou demais para ser solucionada.

Em meio ao breu o jogo começou recheado de expectativa. E foi o São Bernardo quem correspondeu jogando o fino a bola durante todo o primeiro tempo. O time não deu espaços ao onze visitante e foi bastante superior ao seu adversário. Reestreando no Bernô depois de três anos, o camisa 10 Chuck foi bem e armou a maior parte das jogadas de ataque.

Assim como aconteceu em Bauru, foi o atacante Washington quem abriu o marcador para o São Bernardo. Depois de bate-rebate na área visitante, a pelota sobrou para o camisa 9 na esquerda. Ele acertou um tirambaço de primeira, não dando a menor chance para o goleiro Vinícius. Eram decorridos 23 minutos de peleja.

No restante da etapa inicial o time da casa continuou ocupando o campo defensivo alvirrubro e perdeu boas chances para ampliar a vantagem. Por sorte, a Internacional conseguiu ir para os vestiários perdendo apenas pela contagem mínima.


Chute de longe a favor do Bernô. Foto: Fernando Martinez.


Jogada no meio-campo. Foto: Fernando Martinez.


Vinícius sai do gol para cortar cruzamento. Foto: Fernando Martinez.


Ataque do Bernô pela esquerda. Foto: Fernando Martinez.


Boa trama do ataque local no fim do primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

Pinho, o vitorioso técnico do time visitante, arrepiou seus jogadores no intervalo e a Inter voltou outra para o tempo final. Tudo bem, o time quase sofreu o segundo nos primeiros minutos depois de um vacilo incrível de Vinícius, mas essa foi a única chance local durante um bom tempo.

Aos nove minutos, na primeira real oportunidade do Lobo no jogo, Róbson recebeu ótimo lançamento e surgiu livre na entrada da área. Brenno defendeu o primeiro chute, mas o rebote caiu novamente nos pés do camisa 11, que tocou tranquilamente para dentro do gol vazio.

O Bernô sentiu demais o golpe e então foi a vez da Internacional tomar conta do jogo, criando um sem número de boas oportunidades. A equipe atacou em peso e obrigou Brenno a trabalhar incansavelmente. O time do ABC não tinha mais forças para chegar ao ataque e viu o time visitante chegar muito perto da virada.

Somente nos últimos minutos da peleja o onze local voltou a se aventurar no campo de ataque, muito por conta do natural recuo alvirrubro pensando em segurar a igualdade. Aos 45 minutos o árbitro não marcou um pênalti a favor do Bernô e no último lance Washington teve nós pés a maior chance de vitória para os donos da casa, mas o camisa 9 não conseguiu concluir.


Zaga do time do ABC roubando a bola do ataque do Lobo. Foto: Fernando Martinez.


Bola alçada na área visitante. Foto: Fernando Martinez.


Brenno mostrando serviço em investida da Inter. Foto: Fernando Martinez.


São Bernardo se mandando para o ataque no fim do jogo. Foto: Fernando Martinez.


Lance do pênalti não marcado a favor do time da casa. Foto: Fernando Martinez.

No final, ninguém foi dono de ninguém e o São Bernardo 1-1 Inter de Bebedouro deixou as duas equipes ainda ocupando o G2 do Grupo 4 da Segundona Paulista com quatro pontos cada. O Fernandópolis tem três, o Manthiqueira dois e Noroeste e Lemense apenas um. Na próxima rodada o alvinegro visita o time de Leme e o Lobo recebe o Norusca, lembrando que ainda faltam oito partidas para a definição de quem serão os promovidos para a A3 em 2016.

Tirei o sábado para uma sessão preguiça bastante importante, e o futebol voltou na escaldante tarde de domingo com a primeira decisão do Paulista Feminino.

Até lá!

Fernando