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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Nacional espanta a zica e volta a vencer após 11 jogos

Texto e fotos: Fernando Martinez


No final de semana o Campeonato Paulista da Série A2 chegou à sua sexta rodada e outra vez teve cobertura do JP no Estádio Nicolau Alayon. O quase-centenário Nacional recebeu o São Bernardo FC num jogo de duas equipes que ainda não tinham vencido na competição. Os ferroviários estavam com três pontos ocupando a 14ª posição enquanto o Tigre do ABC era o 10º com quatro. Essa é a 39º minha cobertura consecutiva do antigo SPR na sua casa. Dois anos, cinco meses e contando...

O duelo foi o nono entre os dois na história. Nos oito anteriores, o Naça tinha vencido duas vezes, o onze do ABC três e também foram registrados três empates. Detalhe: os paulistanos foram derrotados nos três primeiros encontros e desde então não perderam mais. Aqui no Jogos Perdidos foram duas coberturas: um 1x1 heroico pela Copa Paulista em 2015 e outro 1x1, este na abertura da A2 do ano passado, ambos realizados na capital.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


São Bernardo Futebol Clube Ltda. - São Bernardo do Campo/SP


Capitães dos clubes junto com o árbitro Rodrigo Gomes Domingues e os assistentes Luis Alexandre Nilsen e Leonardo Tadeu Pedro

Como curiosidade, finalmente o técnico Wilson Júnior se apresentou na cancha paulistana nessa A2. Ele esteve no Nacional por dois meses entre novembro e dezembro e saiu do clube, junto com doze atletas, quando a parceria pegou todo mundo e se mandou em direção ao São Bernardo FC. Até aqui, eles ainda não fizeram diferença nenhuma e estão deixando a torcida preta e amarela preocupada com a campanha fraca. Pelos lados do Naça, tivemos a estreia do técnico Jorginho "Cantinflas", aquele mesmo ex-Palmeiras e ex-Goiás e figurinha carimbada nas arquibancadas da Comendador Souza. Esperamos que ele tenha sucesso nessa nova empreitada.

Após alguns dias de trégua o calor voltou com tudo e a peleja foi disputada debaixo de um sol insuportável. No céu o panorama não era bom e dentro das quatro linhas o cenário também não foi nada animador. As duas agremiações fizeram uma partida fraca, modorrenta e arrastada. Pouco se viu digno de registro e os 90 minutos triplicaram, tamanha foi a falta de ousadia e criatividade vista no relvado. Para piorar, aguentei apenas poucos minutos acompanhando o ataque nacionalista por que a linha de fundo estava infestada de mosquitos, e eles acharam boa ideia ficarem próximos dos fotógrafos, eu incluído, ali presentes.


Ataque nacionalista pela esquerda


Fernando, camisa 8 do Tigre, afastando a pelota da área


Troca de passes no lado esquerdo do ataque local

Na parte coberta se encontravam os amigos Mílton, Bruno e o sumido Rodrigo Leite, recém-chegado do Rio de Janeiro. Resolvi ficar por ali até o apito final. Mais uma vez o que valeu a pena foi o papo com a rapaziada, já que o futebol estava em falta. Na etapa final o São Bernardo FC retornou menos pior e ficou bastante tempo dentro do campo de defesa adversário. Não que isso tenha significado a criação de boas oportunidades, longe disso. A rigor, os visitantes tiveram apenas uma grande chance... e que chance. Por volta dos 30 minutos, Léo Cereja, ex-Nacional e também conhecido como "Leo Cherry", pintou cara-a-cara na frente do goleiro Maurício e o veterano atleta fez brilhante defesa.

O cotejo estava com aquele cheirinho desagradável de 0x0 até os 39 minutos. Num ataque meio sem querer, Matheus Lu ganhou dividida de Nando Carandina e avançou pela direita. A bola foi cruzada e chegou em Michael Thuique. Ele venceu a marcação do zagueiro Dogão e tocou firme. O goleiro André Dias ainda conseguiu relar na pelota, mas não foi capaz de impedir que ela entrasse em seu gol. Foi o primeiro tento do Nacional em casa em 2019. Nos minutos restantes o São Bernardo FC tentou fazer uma pressão, sem sucesso.


Bola disputada no alto no meio-campo


Matheus Lú e uma boa chegada do Nacional no segundo tempo


O camisa 1 Maurício fazendo defesa em cobrança de falta


A comemoração aliviada de Michael Thuíque no gol ferroviário, o primeiro em casa no ano do centenário

No fim, o placar de Nacional 1-0 São Bernardo FC registrou a primeira vitória nacionalista depois de um jejum de onze confrontos. O triunfo também colocou o clube da Zona Oeste na décima colocação da primeira fase da A2, agora com seis pontos. O Tigre é o 11º, ainda sem vencer. Vamos ver se o Naça consegue se encontrar na competição a partir de agora. Na próxima rodada os dois atuam em casa. Os azuis e vermelhos recebem o Sertãozinho enquanto o SBFC enfrenta o Juventus. 

Assim que o árbitro encerrou o duelo peguei o caminho do Morumbi já que o dever me chamava. Por conta da Operação Tartaruga, sempre operante na CPTM nos finais de semana, levei mais tempo do que esperava. Tudo bem, afinal, aqui é tudo pelo social. Futebol de novo vai pintar no meio da semana com, se tudo der certo, outro compromisso do Nacional.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 1-0 São Bernardo FC

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon; Árbitro: Rodrigo Gomes Domingues; Público: 386 pagantes; Renda: R$ 4.920,00; Cartões amarelos: Gabriel Santos, Caio Mendes e Hebert (Nac), Fernando, Felipe Fumaça e Daniel Vançan (SBFC); Gol: Michael Thuíque 39 do 2º.
Nacional: Maurício Telles; Danilo Negueba, Gabriel Santos (Jeferson), Everton Dias e Caio Mendes; Bruno Sabino, Josué (Matheus Humberto), Everton Tchê e Emerson Mi (Hebert); Michael Thuíque e Matheus Lú. Técnico: Jorginho.
São Bernardo FC: André Dias; Thiago Ennes, Vinícius Leandro, Dogão e Daniel Vançan; Geandro (Felipe Fumaça), Léo Cereja (Leandro Jabá), Fernando (Nando Carandina) e Raphael Luz; Magrão e Ermínio. Técnico: Wilson Júnior.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Nacional 0-0 Rio Claro ou "As 24 Horas do Nicolau Alayon"

Texto e fotos: Fernando Martinez


Com mais de 2.900 jogos vistos in loco já me deparei com um sem número de situações surreais, mas a quarta rodada da fase inicial do Campeonato Paulista da Série A2 me trouxe uma situação inédita nos meus 36 anos em estádios: uma partida que durou praticamente 24 horas. Falo do duelo entre Nacional e Rio Claro realizado no Estádio Nicolau Alayon, a 38ª apresentação consecutiva que acompanhei do onze ferroviário dentro de casa.

A equipe paulistana chegou nesse compromisso com a corda no pescoço. Nas três rodadas iniciais, derrotas contra Briosa e Água Santa (essa com matéria aqui no JP) e um bom empate fora de casa contra o XV de Piracicaba. O técnico Allan Aal estava super ameaçado e caso não vencesse, dificilmente teria forças para continuar no cargo. Só que jogar contra o Rio Claro, terceiro colocado com seis pontos, certamente não seria uma tarefa tranquila.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Rio Claro Futebol Clube - Rio Claro/SP


Os capitães dos times, o árbitro José de Araujo Ribeiro Junior, os assistentes Paulo de Souza Amaral e Leonardo Lourenço Marchiori e a quarta árbitra Edina Alves Batista

Sob um calor fortíssimo na pior semana de um dos piores janeiros da história, a previsão dizia que a chance de chuva era pequena. Sob essa expectativa fui até a Comendador Souza suando em bicas e com um tremendo mal estar debaixo dos quase 39 graus de sensação térmica. Quando cheguei no clube notei que algumas nuvens estavam se formando pelos lados da Zona Leste. Nem liguei e fui me credenciar. Fiz a estreia do meu banquinho, já que agora não podemos ficar de pé (!) atrás dos gols fazendo fotos.

O Nacional iniciou os trabalhos querendo fazer valer o fator campo e teve a primeira boa chance aos dez minutos quando Lucas Lino chutou forte e Murilo fez a defesa. Aos poucos o escrete rio-clarense foi melhorando e o goleiro Maurício se tornou no melhor da tarde. O primeiro bom momento do Azulão foi aos 25 minutos em tiro de Bruno Formigoni e grande intervenção do camisa 1. Logo em seguida, quase Franco fez gol olímpico, porém o goleiro defendeu bem outra vez. Nesse ínterim (sempre quis usar essa palavra) as nuvens negras da ZL estavam chegando depressa e não demorou para as primeiras gotas começarem a cair.

Fui até a parte coberta acompanhar a peleja com o seu Natal, o roqueiro Renato Rocha e o magnânimo The Watcher e dali acompanhei o crescimento contínuo da tempestade. Com a bola ainda rolando, Maurício ainda teve tempo de fazer mais duas belas intervenções antes do intervalo chegar. Quando os times seguiram para os vestiários a situação se complicou de vez. Vimos o dilúvio de Noé chegar com força e com ele muitos raios, trovões e granizo.


Disputa de bola pelo alto no campo de defesa local


Jogador do Rio Claro fazendo uma pose plástica dentro da sua área


Um dos bons ataques visitantes no final do primeiro tempo


Detalhe do gramado do Nicolau Alayon durante o dilúvio que caiu na Zona Oeste paulistana

Passados os quinze minutos de descanso não teve como atletas e quarteto de arbitragem retornarem ao gramado pois a situação estava feia. Poucas vezes vi uma chuva tão forte estacionada numa mesma região por tanto tempo. Conforme o relógio corria ela foi piorando, piorando, piorando e foi questão de minutos pro relvado ficar num estado lamentável e sem nenhuma condição. A energia elétrica foi pro saco e os presentes se espremiam nos poucos pedaços ainda secos da numerada. Nas tribunas, as emissoras de rádio sofreram com o forte vento e tiveram os equipamentos atingidos impiedosamente pela água.

Estava claro que a peleja seria paralisada e agora a preocupação era como sairíamos dali. Só por volta das seis e meia da tarde São Pedro fechou a torneira e então pegamos o caminho da roça. Primeiro tentei sair dali de ônibus, mas a Marquês de São Vicente, avenida que fica na frente do Nacional, estava alagada. Tive que descer do coletivo e voltar a pé até a Estação Água Branca. Menos mal que os trilhos da CPTM estavam livres e então pude chegar no QG sem muito percalço. As notícias da noite confirmaram que a segunda etapa seria jogada às 15 horas da quinta-feira.

De início não estava animado para encarar uma nova ida ao Nicolau Alayon na quinta-feira, muito por conta do trabalho e também porquê a previsão mostrava que a sensação térmica estaria na casa dos 39 graus (!) na hora da partida. Fiz uma retrospectiva e lembrei que já tinha visto dois cotejos interrompidos pela chuva até então: a primeira um Juventus x Ituano na Javari pelo Paulistão de 2003 e a segunda o hiper-polêmico São Bernardo FC x Penapolense pela Segundona de 2005. Como nos dois casos só vi metade dos duelos, acabei decidindo ir só pelo fato de acompanhar pela primeira vez um cotejo finalizado em dois dias diferentes.

Os meteorologistas acertaram em cheio e o calor que fez na quinta-feira não foi moleza. Cheguei no Nicolau Alayon faltando cerca de vinte minutos para o reinício e a minha camiseta já estava completamente encharcada. Mesmo sem muito pique de ficar debaixo do sol fui acompanhar um pouco do ataque nacionalista. O legal é que as equipes trocaram de uniforme, já que as camisas brancas do Rio Claro estavam sujas e não tiveram como serem lavadas. O Naça então ficou de branco enquanto os visitantes vestiram um modelito todo azul.

Assim como na primeira etapa realizada no dia anterior, os locais tentaram emplacar aquela pressão marota em ataques principalmente pela direita. A pouca assistência que compareceu na cancha se animou, pena que por apenas alguns minutos. O Rio Claro logo voltou a jogar melhor e mais uma vez obrigou o goleiro Maurício a trabalhar bastante. Aos 11, Elton recebeu passe de Nathan e chutou em cima do guarda-metas. Aos 27, foi a vez de Nathan ter seu momento em chute que passou por cima da meta. Cinco minutos depois foi a vez do veterano atleta nacionalista fazer brilhante intervenção em cobrança de falta.


De camisas trocadas, o Nacional tenta atacar pela direita


Falta a favor do onze visitante


Uma das várias defesas importantes do goleiro Maurício, o principal responsável pelo empate na Comendador Souza


O escrete nacionalista saindo pro ataque

Pra não dizer que o Nacional não tentou, ele até que tentou sim. Só que que a qualidade dos passes era terrível e todas as investidas foram infrutíferas. Deu raiva acompanhar a série de passes errados, toques bisonhos e chutes sem direção. Se não fosse a magnífica atuação do seu arqueiro, o escrete ferroviário teria saído de campo com outra derrota. No fim, o Nacional 0-0 Rio Claro foi até que bom pro Azulão e péssimo para os paulistanos. O empate tirou o time do Z2 e agora somam três pontos junto com o Penapolense, este com saldo pior. O Azulão é quarto com sete pontos.

Sem tempo a perder saí correndo da Comendador Souza com a meta de chegar no Morumbi em uma hora. Corri muito e cheguei em cima da pinta. Tudo bem que o preço foi alto, já que a pressão desabou por causa do fortíssimo calor e demorei para retornar ao estado normal. Cortesia desse verão tenebroso que estamos vivendo. Como aqui é tudo pelo social, vamos em frente. Futebol de novo? Não tenho nem ideia.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 0-0 Rio Claro

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon; Árbitro: José de Araujo Ribeiro Junior; Público: 221 pagantes; Renda: R$ 2.550,00; Cartões amarelos: Caio Mendes e Gabriel Santos (Nac), Fernando (Rio).
Nacional: Maurício Telles; Fabiano, Gabriel Santos, Everton Dias e Caio Mendes; Bruno Sabino, Everton Tchê e Danilo Negueba; Lucas Lino (Patrik), Matheus Ortigoza (Michael Thuíque) e Matheus Humberto (Emerson Mi). Técnico: Allan Aal.
Rio Claro: Murilo; Toninho, Fernando (Diego), Salustiano e Douglas; Formigoni, Franco, Nathan e Elton (Daniel); Vitor (Denner) e Edson. Técnico: Wagner Salino.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Nacional perde a segunda e continua zerado na Série A2

Texto e fotos: Fernando Martinez


No último final de semana começou uma nova edição do Campeonato Paulista da Série A2, uma competição que acho espetacular mas que poderia ser MUITO melhor. Não estive presente na rodada inicial, porém na quarta-feira fui ao Estádio Nicolau Alayon buscando manter meu dever cívico de acompanhar os jogos do Nacional na sua casa. O adversário dessa estreia na Zona Oeste foi o Água Santa. Depois de ver todos os compromissos do onze ferroviário como mandante em 2017 e 2018, vamos ver se consigo manter a marca em 2019.

A agremiação da capital terminou a Copa Paulista da última temporada de forma melancólica somando um ponto no segundo turno e sendo eliminada ainda na primeira fase. Para tentar o acesso no ano do seu centenário, o técnico Wilson Júnior foi contratado e junto com ele um sem número de atletas, todos de uma parceria. Depois de dois meses treinando, a tal parceria colocou todo mundo na mochila e se mandou pro São Bernardo FC, deixando o Naça na mão. Faltando menos de 20 dias pro início da A2 os dirigentes tiveram que correr para rechear o elenco. Trouxeram o técnico Allan Aal e vários jogadores, tudo em cima da pinta.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Esporte Clube Água Santa - Diadema/SP


Quarteto de arbitragem com o árbitro Rafael Felix da Silva, os assistentes Osvaldo Apipe Filho e Bruno Silva de Jesus e a quarta árbitra Regildênia de Holanda Moura e os capitães dos times

O último duelo contra o Netuno é de péssima lembrança pro escrete paulistano. A equipe precisava de duas vitórias nas duas rodadas finais da A2 de 2018 para estar entre os quatro classificados sem depender de ninguém. Dirigido por Tuca Gumarães, o Naça estava invicto em seu campo até então e, numa apresentação lamentável, acabou perdendo por 2x1. Falei sobre a performance abaixo da média aqui no Jogos Perdidos e no começo desse ano confirmei minhas suspeitas de que tinha caroço naquele angu. Uma pena, pois foi a maior chance de disputarem uma vaga na A1 desde os anos 80.

Falando em A2, mais uma vez clubes e FPF perderam a chance de fazer um campeonato realmente sensacional. É fato que o torneio é um dos melhores do país e tem um nível técnico melhor do que vários estaduais. Sei que o nacional começa em maio, mas seria absolutamente genial ver a A2 em turno e returno sendo disputada de fevereiro a julho, emendando com a Copa Paulista. Do jeito atual, metade dos times deixarão de ter calendário em 30 de março. Mesmo quem resolver disputar a Copa vai ficar sem futebol de abril a julho. Não tem como fazer futebol assim e precisávamos ter uma revolução de verdade nesses certames. Pena que com os nossos dirigentes, principalmente dos clubes, isso só vai acontecer na base do milagre.

A fórmula desse ano é praticamente a mesma de 2018: 16 times se enfrentando em turno único e, a única mudança, se classificam os oito melhores (ano passado eram só quatro) para as quartas-de-final. A partir daí, mata-mata até a decisão para definir os promovidos e o campeão. No ano do seu centenário, e por conta de todo o problema com a antiga parceira, a preocupação da agremiação da Água Branca deve ser não cair para a A3. Junto comigo para essa peleja estavam o sumido The Watcher, o jovem promissor Luigi e a dupla genial David Libeskind, o animadíssimo fã da seleção belga, e o grande Paolo Gregori, agora cidadão recifense.

Se o resultado inicial não animou - derrota para a Briosa com um gol nos acréscimos - o fato de atuar na capital buscando uma reabilitação animou os 254 pagantes. Vimos o onze local iniciar os trabalhos melhor do que os visitantes. Melhor, mas nada brilhante. A primeira chance efetiva aconteceu aos oito minutos com uma finalização de Matheus Lu e boa defesa de Paes.

Luan Dias levou perigo ao gol paulistano aos treze e, dois minutos depois, a zaga azul e vermelha cometeu pênalti ao colocar a mão na bola dentro da área. Dadá bateu firme, sem chances para Maurício. Aos 24 o Água ampliou a vantagem quando a bola foi cruzada da esquerda e chegou nos pés de Everton. O atleta acertou um belo chute no canto e fez 2x0.

A vantagem diademense desanimou os atletas nacionalistas. O primeiro tempo seguiu em banho-maria até o intervalo chegar. Subi para a parte coberta fazer aquela social com a rapaziada e dali acompanhei os últimos 45 minutos. Com um calor absurdo, retrato desse pornográfico verão, a partida caiu de produção e pouco se viu. O Água Santa teve a melhor oportunidade aos 24 numa finalização de Alvinho e só. O Naça até foi atrás de uma pressão, porém seus atacantes estavam sem nenhuma inspiração e nada aconteceu.


Início de ofensiva nacionalista pela esquerda


Corte do camisa 10 do Netuno, Luan Dias


O goleiro Maurício se esticou o máximo que pôde, mas o atacante Dada cobrou o pênalti com perfeição. Foi o primeiro gol do clube diademense


Paes saindo da meta para cortar cruzamento



Dois momentos de ataque do Nacional no segundo tempo. O poderio ofensivo do time paulistano foi abaixo da média


A estreia do escrete ferroviário na sua casa no ano do seu centenário não foi nada animadora

O placar final de Nacional 0-2 Água Santa já deixa os paulistanos em situação delicada na competição pois se encontram na zona de rebaixamento. Apesar de apenas duas rodadas terem sido disputadas a luz amarela já está acesa. O Netuno terminou a rodada na segunda posição com 100% de aproveitamento junto com XV Piracicaba, Taubaté e Portuguesa Santista. No meio da semana o Nhô Quim recebe o escrete ferroviário enquanto o Água visita a Lusa no Canindé.

Teria rodada de noite na quarta, só que o calor cretino fez com que o ânimo desaparecesse depois do apito final e então voltei pro QG. Futebol de novo provavelmente só vai rolar na próxima semana, de novo com meu dever cívico em jogos na Comendador Souza.

Até lá!

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Ficha Técnica: Nacional 0-2 Água Santa

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon; Árbitro: Rafael Félix da Silva; Público: 254 pagantes; Renda: R$ 3.010,00; Cartões amarelos: Everton Tchê (Nac), Diogo Marzagão e Jonathan Bocão (Agu); Gols: Dada (pen) 15 e Everton 25 do 1º.
Nacional: Maurício Telles; Léo Cunha, Jeferson, Everton Dias e Caio Mendes; Everton Tchê, Ferdinando (Lucas Lino), Danilo Negueba e Emerson Mi (Patrik); Matheus Lu (Matheus Humberto) e Matheus Ortigoza. Técnico: Allan Aal.
Água Santa: Paes; Jonathan Bocão, Luizão, Lombardi e Bruno Recife; Serginho, Everton, Diogo Marzagão (Celsinho) e Luan Dias (Batista); Dada (Kaique) e Alvinho. Técnico: Márcio Ribeiro.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Timão goleia e elimina a surpresa Visão Celeste da Copinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


A Copa São Paulo de Futebol Júnior chegou na sua fase de oitavas-de-final e nela tivemos um encontro absolutamente surreal com cara de primeira fase. O todo-poderoso Corinthians, dez vezes campeão, dezoito vezes finalista e presente em todas as edições, enfrentou o surpreendente Visão Celeste Esporte Clube, onze potiguar da cidade de Parnamirim que faz sua estreia em 2019 e já desbancou times manjados do cenário esportivo nacional. O palco desse duelo foi a Arena Barueri e, apesar do horário ruim, não tinha como ficar de fora.

O Mosqueteiro chegou entre os 16 melhores tendo conquistado três vitórias e dois empates, passando pelo Red Bull no sufoco apenas nos pênaltis. Já o genial Visão Celeste terminou na liderança do Grupo 20 com duas vitórias e uma derrota. Na segunda fase eliminou o Primavera nos penais e depois derrotou o Fortaleza, se transformando no melhor nordestino na edição atual da Copinha e também no melhor potiguar na história. Num estado com ABC e América, isso definitivamente não é pouca coisa.

O escrete parnamirinense se credenciou para a sua primeira Copa São Paulo depois de ser o vice-campeão sub-19 do Rio Grande do Norte no ano passado. As origens do clube vem de 1972, quando foi fundado o São Paulo FC. O tricolor foi vice da segunda divisão estadual em 1998 (o genial Piranhas foi o campeão) e disputou a elite em 1999 e 2000. Nos anos 2000 e afastaram do profissionalismo até que, em março de 2010, um grupo de pastores comprou a equipe e a renomeou. Nunca saíram da segunda divisão estadual, mas já fazem um trabalho relevante na base.


Sport Club Corinthians Paulista (sub-20) - São Paulo/SP


Visão Celeste Esporte Clube (sub-20) - Parnamirim/RN


Capitães dos times e quarteto de arbitragem

Depois de disputarem seus cinco compromissos em Itu, o Ituano quis preservar o seu gramado e então a FPF marcou o cotejo para Barueri. A equação "Ingresso na faixa + Corinthians na Copinha + Grande São Paulo" tem como resultado óbvio a presença de muita torcida. Fui de trem até a Estação Jardim Belval e junto comigo um sem número de torcedores corintianos seguiu pelo caminho de 20 minutos até chegar no bonito estádio barueriense. Enquanto a massa foi pegar uma das várias filas existentes, entrei pelo portão da imprensa e logo depois já me encontrava dentro de campo.

O Visão Celeste já estava satisfeito com sua campanha e, além da grande performance até então, o fato de jogar contra o Corinthians em jogo transmitido ao vivo certamente será motivo de orgulho eterno para atletas, comissão técnica e dirigentes do escrete nordestino. Dito isso, ninguém em sã consciência esperava uma zebra e os paulistas eram amplos favoritos. Quando a bola começou a rolar, um sonoro massacre começou a se desenhar desde os primeiros movimentos.

Logo aos dois minutos o alvinegro teve a primeira chance de gol e o arqueiro visitante defendeu bem. Aos nove Rafael Bilu teve um bom momento e aos onze Fabricio Oya cobrou falta com estilo, abrindo o marcador. O time continuou em cima e fez o segundo aos 24. Janderson cruzou da direita, o zagueiro Caio tentou afastar mas bateu mal na bola. Ela sobrou para Nathan que, de cabeça, encobriu o arqueiro Patrick. Nove minutos depois novo tento, novamente com Nathan. Ele aproveitou rebote do arqueiro em chute de Fabricio Oya e marcou 3x0. O Visão Celeste estava entregue e por sorte não desceu aos vestiários com uma derrota parcial por maior margem de gols.



Fabrício Oya se preparando para bater a falta e a bola estufando as redes do Visão Celeste. Era o primeiro gol corintiano


A zaga do Visão Celeste foi valente, mas não conseguiu parar o poderoso ataque alvinegro


Detalhe do segundo gol mosqueteiro, marcado de cabeça por Nathan


A massa de torcedores ocupando todo o setor das arquibancadas da Arena Barueri

No tempo final os mosqueteiros foram ainda melhores, sob o olhar de êxtase dos 17.885 presentes (em tempo: esse foi o público oficial, porém calculo cerca de sete, no máximo oito mil torcedores ali. Em Barueri sempre rola esse cálculo superestimado). Nem bem o relógio tinha completado a primeira volta do ponteiro e saiu o quarto. Igor avançou pela direita e arriscou de longe. O goleiro Patrick falhou feio e deixou a bola passar. No minuto seguinte quase ele faz besteira de novo. O camisa 1 foi mal e a pelota sobrou para Du. O volante chutou forte, tirando tinta da trave.

Aos cinco Nathan fez mais um, só que o árbitro anulou marcando impedimento. O Visão Celeste estava entregue e quase tomou outro aos oito quando Janderson finalizou desequilibrado e desperdiçou. Três minutos depois a vantagem foi ampliada numa bela cobrança de falta de Rafinha por cima da barreira. Dois gols dessa forma numa mesma partida é algo bem raro nos dias atuais.

Gustavo Mantuan manteve o bom ritmo paulista e fez o sexto aos 19 minutos. Ele avançou pela esquerda e chutou de fora da área, colocando a bola milimetricamente no canto. Nem com os 6x0 na conta o Corinthians parou de atacar, castigando impiedosamente os potiguares. Aos 22, de novo Mantuan quase fez outro gol de falta. Aos 28, João Celeri chutou muito de longe e fez um golaço, o sétimo da noite. Levando em conta que a maior goleada corintiana na história da Copinha é um 9x0 em cima do Santos/PB em 2012, ainda tinha tempo pro recorde ser batido.

Rafinha teve a chance do oitavo aos 29, mas o arqueiro visitante apareceu bem. Depois desse lance, o mosqueteiro sossegou e ficou apenas administrando a vantagem. Aos 43, João Celeri fez seu segundo e o oitavo do Timão numa boa cabeçada. Ele mesmo teve a oportunidade de igualar a maior goleada do escrete preto e branco no minuto seguinte. A defesa do Visão Celeste vacilou e perdeu a bola pro atleta corintiano. O camisa 9 ficou cara-a-cara com o arqueiro mas mandou pela linha de fundo. Posso falar sem medo que esse até eu faria.


Quinto gol corintiano marcado em outra cobrança de falta, agora com Rafinha


Uma das poucas vezes em que o onze potiguar passou do meio-campo no segundo tempo


Aos 43, João Celeri fechou a goleada do Corinthians, a segunda maior da equipe na história da Copinha


O Corinthians 8-0 Visão Celeste só ficou atrás do triunfo por 9-0 em cima do Santos da Paraíba na edição 2012 do certame


Mesmo com a goleada sofrida, o Visão Celeste merece todos os aplausos. Não foi pouco terem chegado nas oitavas-de-final, a melhor participação de um nordestino em 2019 e a melhor de uma equipe do Rio Grande do Norte em todos os tempos

Se o recorde não foi batido, o Corinthians 8-0 Visão Celeste/RN foi a maior goleada da edição 50 da Copa São Paulo até aqui e essa marca dificilmente será batida pensando no equilíbrio dos confrontos a partir das quartas. O alvinegro, que agora tem o melhor ataque do certame, vai pegar o Grêmio pensando numa vaga na semi-final. Do lado nordestino, fica a certeza que apesar da goleada o trabalho foi espetacular. Estar entre os 16 melhores da principal competição de base do país não é para qualquer um.

Eu iria sair mais cedo da peleja por conta do horário, caso contrário não pegaria o último trem passando pelo Jardim Belval. Por sorte consegui uma abençoada carona com um amigo fotógrafo e ele me deixou bem perto do meu QG na capital. Provavelmente por conta do trabalho essa foi minha última cobertura na Copinha 2019. Tudo bem, já me acostumei com o fato e vamos assim sempre com um sorriso no rosto. Voltaremos na outra semana com a Série A2 do estado.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 8-0 Visão Celeste/RN

Competição: Copa São Paulo de Futebol Júnior; Local: Arena Barueri; Árbitro: Rodrigo Pires de Oliveira; Público: 17.885 presentes; Renda: Portões abertos; Cartão amarelo: Luan (Vis); Gols: Fabrício Oya 11, Nathan 25 e 33 do 1º, Igor 1, Rafinha 11, Gustavo Mantuan 19, João Celeri 29 e 43 do 2º.
Corinthians: Diego; Igor, Jordan (Franklin), Ronald e Caetano; Du, Roni (Adson) e Fabricio Oya (Rafinha); Janderson (Gustavo Mantuan), Rafael Bilu (Daniel Marcos) e Nathan Palafoz (João Celeri). Técnico: Eduardo Barroca.
Visão Celeste: Patrick; Rodrigo (Thiago Lucas), Caio (Paulo), Ellington e João Victor (Gouveia); Luan, Rian e Juninho (Victor); Pedro Hugo (Sergipe), Thyago Pires (Eduardo) e Zé Eduardo. Técnico: Mirabor Rocha.
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Voltaço derrota o Galo e continua fazendo história na Copinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


A vida profissional e, principalmente, o calor me deixaram de fora de várias jornadas da 50ª Copa São Paulo de Futebol Júnior. Felizmente na quarta-feira pintou uma bem-vinda folga e o astro-rei deu uma trégua nesse absurdo verão de 2019. Por isso me armei direitinho e emplaquei uma rodada com direito a time novo, algo raro na fase de oitavas-de-final. A jornada começou cedo com o genial encontro entre Atlético Mineiro e Volta Redonda no Estádio Conde Rodolfo Crespi.

Apesar de não ser o Juventus, bastante gente foi até a Rua Javari para ver o duelo de uma equipe buscando sua quarta taça no torneio (algo que acontece desde 1983, ano do terceiro e último título) contra uma que vem surpreendendo. O Voltaço tinha jogado a Copinha apenas três vezes e essa performance já é, de longe, a melhor da história da agremiação fundada em 1976. Para terem uma ideia, o clube tinha vencido apenas uma partida em dez disputadas até então. Só nessa campanha, já foram quatro triunfos.


Clube Atlético Mineiro (sub-20) - Belo Horizonte/MG


Volta Redonda Futebol Clube (sub-20) - Volta Redonda/RJ


Quarteto de arbitragem e capitães dos times

Cheguei cedo na casa grená e logo fui ao gramado me credenciar. Em meio a várias câmeras das transmissões ao vivo, fios, repórteres, fotógrafos e integrantes das duas equipes consegui fazer aquela social com os amigos presentes, todos que eu não via desde o ano passado. Papinho vai e papinho vem, logo chegou a hora da ação começar. Fui acompanhar o ataque do Galo aproveitando de forma óbvia a sombra no gol da creche. Lá se encontravam o Mílton, o atibaiense Mário e os sumidaços seu Natal e o Nílton, o maior alvinegro do Rio Grande do Norte.

Desfalcado de três jogadores que subiram pro profissional, o Atlético não conseguiu impor a sua maior tradição durante boa parte da peleja. O Volta Redonda, sempre comendo pelas beiradas, não fez um tempo inicial primoroso, mas mesmo assim foi mais perigoso do que seu adversário. A primeira e melhor oportunidade foi do tricolor aos 22 minutos. Caio recebeu na direita e chutou cruzado, pelo alto e a bola bateu na trave direita de Matheus Mendes. Seria um golaço.


Volta Redonda ainda no campo de defesa na tentativa de mais um ataque


Zaga do Voltaço cortando cruzamento da área


Disputa de bola na lateral esquerda do ataque do Galo


Boa chegada mineira pela esquerda. O defensor fluminense se esticou todo na tentativa do corte

No tempo final desisti de ficar espremido no relvado entre os vários fotógrafos presentes e fui até a arquibancada junto com a rapaziada. O ataque do Tricolor de Aço acabou sendo o melhor lugar para ficar nos últimos 45 minutos. O Galo chegou mais vezes dentro da área dos visitantes, só que as finalizações... que horror. Nessas, o time do Rio de Janeiro foi cozinhando pelas beiradas até chegar a um feito histórico. Aos 19, Romário cabeceou com perigo e a bola saiu pela direita. Dois minutos depois, não teve erro. A pelota foi cruzada na área, o mesmo Romário tocou de cabeça pro alto e, se aproveitando de uma fatal demora do arqueiro mineiro, Caio se antecipou e, também de cachola, abriu o marcador.

O Galo sentiu o tento sofrido e se mandou pra cima da defesa do Voltaço sem muita organização. Os meninos comandados por Rodrigo Santana, ex-Juventus, criaram três momentos porém quando a zaga não travava, a pelota ia por cima. O tricolor soube se segurar bem e esperou pacientemente "aquele" contra-ataque. Ele saiu aos 47 minutos, quando MT avançou e tocou para Markinhos. O camisa 10 passou por trás da zaga e tirou do arqueiro, definindo com estilo a histórica vitória.


Vítor Mendes, camisa 4 atleticano, subindo para tirar a pelota do seu campo


Uma das boas chegadas do Volta Redonda no segundo tempo


Da arquibancada, a visão de mais uma investida do Tricolor de Aço


Não foi dessa vez que o Galo conquistou seu quarto caneco na Copinha

O placar final de Atlético/MG 0-2 Volta Redonda colocou a agremiação do sul fluminense nas quartas-de-final da Copa São Paulo pela primeira vez em todos os tempos. Na próxima fase vai rolar um confronto regional contra o Vasco da Gama. Já o Galo deixa para 2020 a tentativa de conquistar o seu quarto título na história do torneio.

Tinha duas opções de jogos na sessão noturna, uma delas com time novo, mas bem tarde, e a outra com uma peleja legal, dois clubes nada inéditos e mais cedo. Não tive dúvidas: encarei o péssimo horário das 21h45 e fui até Barueri para ver um insólito e absolutamente genial duelo também pelas oitavas da Copinha.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Atlético/MG 0-2 Volta Redonda

Competição: Copa São Paulo de Futebol Júnior; Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi; Árbitro: José Guilherme Almeida e Souza; Público e renda: Portões abertos; Cartão amarelo: Jô (VR); Gols: Caio 21 e Markinhos 48 do 2º.
Atlético/MG: Matheus Mendes; Pedro (Taílson), Eric, Vitor Mendes e Hulk; Adriano (Carlos Manuel), Gabriel e Bruninho (Neto); Igor Reis (Guilherme), Pedro Luca (Kevin) e Alerrandro. Técnico: Rodrigo Santana.
Volta Redonda: Adne; Júlio Amorim (Marcos Vinícius), Igor Gomes, Gabriel Pereira e Leandro (Márcio); Bodão, Pedro Thomaz e Bambam (João Lino); Caio (Davison), Jô (Markinhos) e Romário (MT). Técnico: Neto Colucci.

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