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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Triunfo verde em cima do Atletico Tucumán na Libertadores

Texto e fotos: Fernando Martinez


Por volta das três da tarde da última quarta-feira estava de boa em casa, dedicado às pesquisas sobre as divisões de acesso do estado. Naqueles lances de sorte que acontecem de vez em quando, de última hora pintou uma reviravolta na agenda e então consegui um ingresso pro encontro entre Palmeiras e Atletico Tucumán pela última rodada do Grupo 5 da Taça Libertadores da América.

Devo a inclusão do time número 656 na minha Lista ao amigo Renato Rocha (que infelizmente não pôde estar presente na minha companhia), já que foi ele o responsável direto pela minha ida ao Allianz Parque pela terceira vez na história. Diferente do que aconteceu na peleja contra o Jorge Wilstermann, dessa vez não passei nenhum perrengue na entrada. Pela primeira vez fiquei no setor Superior Sul, do lado da torcida argentina.


Palmeiras, Atletico Tucumán e o Allianz Parque com um grande público

Aliás, os "hinchas" do "El Gigante del Norte" deram um show, assim como acontece praticamente com todos os times da terra de Diego Armando Maradona (e ainda tem gente que bate na tecla que somos o país do futebol). Mesmo precisando de uma vitória por dois gols para se garantirem na segunda fase da competição, eles não desanimaram em nenhum momento.

Motivos pra comemorar eles tem de sobra. Essa foi a primeira participação do Club Atlético Tucumán na principal competição do continente. A equipe fundada em 1902 vem vivendo o seu melhor momento desde que passou a fazer parte da principal divisão do campeonato argentino após o título da Primera B Nacional de 2008/2009.

A primeira temporada na elite se deu em 2009/2010 e terminou com o rebaixamento. Até 2015 eles permaneceram na Primera B e então foram campeões novamente. No certame de transição de 2016 os Decanos ficaram na quinta posição na classificação geral e se garantiram na Libertadores pela primeira vez na história. Para chegar à fase de grupos, eles eliminaram o El Nacional do Equador (num dos momentos mais surreais da história da Taça) e o Junior de Barranquilla da Colômbia.

Voltando às emoções do último duelo alviverde na fase de grupos, dessa vez o público presente passou pouco sufoco, porém viu um jogo legal e repleto de chances desperdiçadas dos dois lados. Os locais fizeram 1x0 aos 14 minutos com o colombiano Mina e poderiam ter feito ainda mais. O Tucumán quase marcou num chute na trave aos 23 e num inacreditável momento de Rodriguez aos 32. O avante argentino teve o gol aberto à sua disposição depois de rebote de Fernando Prass, porém miseravelmente mandou pra fora.


Um dos bons ataques palmeirenses no primeiro tempo


A primeira grande chance de gol do Tucumán foi nesse lance aonde a bola bateu na trave aos 23 minutos


Outra investida local pelo alto durante o tempo inicial

No tempo final os palmeirenses voltaram ao gramado na base do sono e durante vinte minutos sofreram com as investidas visitantes. Aos nove Rodriguez marcou, só que ele estava impedido e o tento foi anulado. Dois minutos depois, ele mesmo completou cruzamento da esquerda e finalmente deixou tudo igual. Foram (poucos) minutos de tensão pro torcedor paulistano.

O clima mais nervoso do ar se dissipou aos 23 com o gol de William contando com a preciosa e bizarra ajuda da zaga do Tucumán. Aos 33 e 34 minutos por muito pouco o CAT não deixou novamente tudo igual. Quem salvou a pátria palestrina foi a trave e Fernando Prass. E quando a partida parecia definida, Zé Roberto fechou a fatura nos acréscimos.


Lance perigoso dentro da área argentina no segundo tempo


O Tucumán foi derrotado, mas teve seus momentos de perigo durante os últimos 45 minutos

O resultado final de Palmeiras 3-1 Atletico Tucumán classificou o onze tupiniquim na primeira colocação da chave e levou com ele o Jorge Wilstermann para as oitavas. Os argentinos se contentaram com o terceiro posto e com a vaga na segunda fase da Copa Sul-Americana. Sem sombra de dúvida um enorme resultado.

Com essa peleja fechei uma marca importante: consegui ver as quatro equipes inéditas que vieram a São Paulo tanto na Libertadores, quanto na Sul-Americana. A saber: Jorge Wilstermann da Bolívia, Independiente Santa Fe da Colômbia, o Atletico Tucumán e o genial Defensa y Justicia, também da Argentina. 100% de aproveitamento conquistado com louvor (e um pouquinho de sorte)!

Até a próxima!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

XV vence o genial São Paulo/RS e estreia bem na Série D

Texto e fotos: Fernando Martinez


No último final de semana começou a nona edição do genial Campeonato Brasileiro da Série D, de longe a mais legal até hoje. Nada melhor do que fazer a estreia com uma viagem digna do antigo "Especial do Mês". A pedida foi colocar o pé na estrada e seguir até o Estádio Barão de Serra Negra, local do imperdível e esperado encontro entre XV de Piracicaba e o sensacional São Paulo de Rio Grande, o time 655 da Lista.

Na atual temporada o XV disputou a Série A2 e fez uma campanha muito fraca, o que deixou o time perto da zona de rebaixamento durante toda a competição. A salvação veio na rodada derradeira com um triunfo contra a Portuguesa. Já o São Paulo faz parte da primeira divisão do seu estado e nesse ano terminou o certame na nona colocação, apenas um ponto atrás do G8 e das quartas-de-final. Por ser primeira rodada da Série D, não tinha a menor ideia do que esperar desse duelo.

Assim como aconteceu em 2016, 68 equipes fazem parte da quarta divisão nacional, 47 delas que também participaram na temporada passada. As agremiações estão divididas em dezessete chaves com quatro times cada e passam para a segunda fase os primeiros colocados e os quinze melhores segundos, somando 32. XV e São Paulo fazem parte do Grupo A15 junto com Operário de Ponta Grossa e Brusque. Desde que a CBF criou o torneio, esse é o que tem mais times "de perto" da capital, um abençoado presente.

Os dois nunca haviam se enfrentado e apesar disso a tradição de ambos é absurda. Juntos, eles somam 223 anos (o XV foi fundado em 1913 e o São Paulo em 1908) e um vasto cardápio de conquistas somado a uma história riquíssima. O alvinegro já foi campeão da Série C em 1995 e levou cinco vezes o caneco da A2, além de um sem número de participações na elite estadual. O São Paulo tem na sua sala de troféus o título gaúcho de 1933 e está entre os vinte times mais antigos do Brasil.

Depois de vencer a Copa Paulista em 2016, o Nhô Quim assegurou seu retorno a um Brasileiro depois de 14 anos, já que a última participação se deu na Série C de 2003. Ao todo, os piracicabanos somam dezoito temporadas - dezenove com a desse ano - perambulando entre Série A, B e C. O Leão do Parque tem apenas sua sexta participação, isso depois de ficar de fora do nacional por 34 anos (da Taça de Ouro de 1982 até a D de 2016).

Nessas seis disputas, os gaúchos enfrentaram paulistas em treze oportunidades, sete delas na terra dos bandeirantes. O retrospecto mostra apenas uma vitória (2x1 contra a Ferroviária em 1981) e seis derrotas. Aliás, foram seis compromissos entre 1980 e 1982 e o outro somente em 2016, contra o Linense. Como visitar Lins significa gastar uma grana e ter uma logística complicadíssima, não teve como ir pra lá no ano passado. Por sorte a tabela colocou o clube rubro-verde relativamente próximo da capital nesse ano. Sendo assim, não tinha como perder essa oportunidade.

O quórum começou a ser montado duas semanas antes da peleja e passou por um rodízio de integrantes bastante intenso. Por fim, a caravana seguiu até a bela cidade interiorana com o seu Natal tomando conta do volante, comigo e com a dupla Renato e Estevan. A viagem foi tranquila, na boa e chegamos no Barão faltando cerca de uma hora e meia pro apito inicial.

Na história do blog fizemos dez coberturas na Atenas Paulista, a última delas há cinco anos com uma partida do Vera Cruz local pelo Amador do Estado. No Barão da Serra Negra foram oito, a maior parte delas com o Orlando até 2010. Eu nunca tinha visto um jogo profissional ali, e minha solitária visita até então havia sido na Copa São Paulo de 2011, numa rodada dupla que contou com um XV e Sete de Setembro de Dourados e um Inter de Porto Alegre e Primeira Camisa.


Esporte Clube XV de Novembro - Piracicaba/SP


Sport Club São Paulo - Rio Grande/RS


Trio de arbitragem comandado pelo mineiro Marco Aurélio Ferreira, além dos assistentes e quarto árbitro paulistas Alex Ang Ribeiro, Luiz Alberto Nogueira e José Cláudio Rocha Filho junto com os capitães dos times


A torcida do time gaúcho presente em Piracicaba

Feliz por finalmente ver uma partida da equipe principal do Nhô Quim dentro dos seus domínios, passei pela lojinha do clube que fica no próprio estádio (em tempo, essa era uma iniciativa que todos os times deveriam fazer) antes de seguir ao gramado. A movimentação era tímida e começou a se intensificar faltando cerca de meia hora pro apito inicial.

O tempo estava nublado, mas a chuva tinha dado uma trégua desde que saímos de São Paulo. Foi só passar do portão de entrada que ela voltou e permaneceu até a segunda-feira. No tempo inicial ela ainda teve momentos tranquilos, e esse cenário não atrapalhou os atletas. Durante os primeiros 45 minutos, o XV foi melhor.

A primeira grande oportunidade aconteceu aos nove minutos com Léo Carvalho. Ele deu uma caneta no defensor e chutou forte. A bola bateu na trave e saiu pela linha de fundo. Jogar pela direita era a melhor alternativa, e a maior parte dos ataques quinzistas saía por esse lado do campo. Romarinho teve boa chance aos 17, só que a pelota saiu longe do gol.

Aos 24 minutos o atacante Frontini quase fez o primeiro em cabeçada que tirou tinta do travessão. Conforme o tempo passava a chuva ia apertando. Nos momentos finais o temporal já era uma realidade quando Romarinho abriu o marcador e fez a festa dos 1.862 torcedores presentes. Ele recebeu passe de Gilsinho e chutou de pé direito, colocando a pelota no canto de Deivity.


Primeira grande chance do XV em chute de Léo Carvalho que bateu na trave


Henrique, camisa 6 do São Paulo, tentando o desarme


Ótima chance de Romarinho pela esquerda


Boa jogada do Nhô Quim em lance pela lateral


Frontini tentando o gol do XV de cabeça, sob o olhar de Henrique

O dilúvio estava com tudo e o que me salvou durante o segundo tempo foi a genial cabine de imprensa que fica atrás do gol da esquerda do Barão. Dá pra ter uma ótima visão de todo o gramado, então como o mundo estava caindo, fiquei ali durante a maior parte do tempo. Dali vi Frontini reiniciar os trabalhos colocando outra bola na trave.

Estava difícil jogar bola no encharcado gramado e esse panorama prejudicou demais os últimos 45 minutos. Mesmo assim o São Paulo se mandou ao ataque e levou bastante perigo para a meta defendida por Mateus Pasinato. O arqueiro fez duas grandes intervenções em chutes de Saravai e Flávio, respectivamente aos 21 e aos 25, e evitou o empate.

O maior nome do triunfo piracicabano acabou sendo o de Vinícius Simon, zagueiro paulista. Eram decorridos 36 minutos quando Raphinha finalizou e a bola passou pelo camisa 1, porém não passou pelo ligado defensor, que salvou o gol do São Paulo em cima da linha. Desse momento até o apito final, o onze visitante não conseguiu mais nenhuma chance clara.


Da cabine de imprensa atrás do gol da esquerda, essa é a visão do gramado. O local salvou minha pele durante o tempo final


Zaga gaúcha protegendo a pelota


Deivity observando o início de um ataque do XV


Zaga visitante tirando a bola de dentro da área


Placar final no Barão de Serra Negra e o retorno com o pé direito do XV ao nacional

O placar final de XV de Piracicaba 1-0 São Paulo/RS foi uma grande estreia do Nhô Quim, que agora viaja para enfrentar o Operário longe de casa. Os gaúchos receberão o Brusque no Aldo Dapuzzo. Por ser um campeonato de tiro curto, qualquer ponto conquistado é essencial pensando na classificação.

A peleja terminou mas o temporal não. Voltamos a São Paulo debaixo de muita chuva e com o seu Natal voando a 60 quilômetros por hora, com pouca visibilidade e com um papo genial dentro do Possante 558. Bom matar a saudade dessas jornadas!

Até a próxima!

terça-feira, 23 de maio de 2017

No apagar das luzes, Barcelona empata com o Guarulhos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a rodada dupla de sábado no Estádio Nicolau Alayon, o Campeonato Paulista da Segunda Divisão pediu passagem para mais uma apresentação do Barcelona Capela como mandante. O adversário da vez foi o Guarulhos em encontro válido pelo Grupo 3. Foi o 105º jogo dos paulistanos na história e o 36º em que estive presente.

O time guarulhense é um dos que luta cabeça a cabeça por uma vaga na segunda fase da competição. Antes dessa rodada, a última do turno, a ADG estava na quarta colocação com dez pontos, mesma pontuação de Elosport, Primavera e Itararé. O Barcelona, como todo mundo que acompanha o blog sabe, segura a lanterna da chave, porém é fato que o futebol apresentado pelos seus atletas tem mostrado evolução.


Barcelona Esportivo Capela Ltda. - São Paulo/SP


Associação Desportiva Guarulhos - Guarulhos/SP


Quarteto de arbitragem composto por Daniel Carfora Sottile, Bruno Silva de Jesus, Orlando Coelho Junior e Hércules Ribeiro Paulino junto aos capitães das duas agremiações

Esse foi o quinto encontro entre os dois em todos os tempos e nos quatro anteriores os paulistanos nunca venceram. Em 2004 foram dois empates (um deles com direito a uma surreal agressão do técnico Pachani ao árbitro, ato que valeu um ano de gancho em julgamento do STJD) e duas vitórias guarulhenses em 2009.

A tarde estava super agradável e os 97 torcedores que pagaram ingresso viram uma partida muito boa, bem melhor do que a final da A3 disputada ali na parte da manhã. O Guarulhos foi melhor na etapa inicial, mas isso não quer dizer que o Barcelona tenha jogado mal, pelo contrário.

Os visitantes atacaram bastante pela esquerda, principalmente com o camisa 11 Romarinho, aquele mesmo que atuou nas categorias de base do Palmeiras desde o sub-15 até o sub-20. O setor defensivo local conseguiu segurar bem a onda e o goleiro Alexandre, quando acionado, participou bem.

Já o ataque local levou perigo à meta defendida por Bruno em dois bons lances pelo meio. Apesar do bom nível, o tempo inicial se encerrou com o marcador inalterado. Já no segundo tempo a peleja ficou ainda melhor pois os atacantes voltaram ao gramado nacionalino mais inspirados.


Detalhe surreal do placar do Nicolau Alayon informando a realização do confronto entre Barc e Uarullim. Tudo bem, fecharam a porta e não tinha como mudar os nomes, mas para ficar assim, seria melhor ter deixado Nacional x Inter mesmo


Goleiro guarulhense vendo a bola passar perto da sua meta


Ofensiva visitante pela lateral


Tentativa de bicicleta no ataque do Guarulhos


Disputa de bola na linha lateral

Aos cinco minutos o onze visitante saiu na frente com um belo gol de cabeça do zagueiro Victor. Ele completou um escanteio da esquerda e tirou o primeiro zero do placar. O Barça apostava nos contra-ataques e enquanto isso, o Guarulhos teve boas chances de ampliar, a melhor delas numa cobrança de falta que explodiu na trave.

Só que o Elefante não desanimou em nenhum momento e aos 44 pintou a melhor oportunidade para deixar tudo igual numa falta na entrada da área. O camisa 9 Ícaro bateu com enorme estilo e colocou a pelota no ângulo esquerdo. Se o time sofreu o empate no finalzinho do duelo contra o Osasco FC, a igualdade no sábado veio na mesma moeda.


A firma marcação da zaga do Barcelona


Detalhe do primeiro gol da tarde, marcado por Victor aos cinco do tempo final


Zagueiro paulistano fazendo a carga em cima de atacante adversário



A belíssima cobrança de falta e a comemoração de Ícaro pelo gol de empate aos 44 do segundo tempo

O placar de Barcelona 1-1 Guarulhos manteve o clube da Grande São Paulo na quarta colocação, agora com onze pontos, na virada do turno. Já os paulistanos seguem na lanterna e ainda sem nenhuma vitória (já são treze jogos sem triunfos), porém é fato que a equipe melhorou demais no decorrer da Segundona.

Voltei pra casa após essa rodadinha dupla genial já armando um esquema ninja pro domingo. Teve viagem, Série D do Brasileiro e time novo, um dos mais antigos do país, na Lista.

Até lá!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Inter de Limeira sai na frente na decisão da Série A3

Texto e fotos: Fernando Martinez


Dois anos e meio depois de conferir o Nacional numa decisão de campeonato (os dois confrontos decisivos da Segundona de 2014 contra o Atibaia), no sábado de manhã vi novamente a equipe da Água Branca numa final, agora do Campeonato Paulista da Série A3. O adversário dos paulistanos foi a Internacional de Limeira, os dois recém-promovidos para a A2 do ano que vem.

Nos quase treze anos de vida do JP essa é nada menos do que a 82ª cobertura de alguma partida válida pela final de uma competição, a oitava na Série A3 (estivemos presentes nas decisões de 2005, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012). Da minha parte é o meu retorno após doze anos, já que vi apenas o título do Grêmio Barueri em 2005.

Na história das divisões de acesso essas duas agremiações ostentam um currículo com conquistas importantes: a Inter foi campeã da segunda divisão em 1996 e 2004, da terceira em 1966 e, claro, teve seu maior momento com o título paulista de 1986. Já o Nacional ganhou a A3 em 1994 e 2000 e a última divisão em 2014. Não à toa, os dois juntos somam "apenas" 202 anos de tradição.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Associação Atlética Internacional - Limeira/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Rodrigo Gomes Domingues, os assistentes Vitor Carmona Metestaine e Fausto Augusto Moretti e o quarto árbitro Márcio Roberto Soares

Falando no retrospecto histórico, o primeiro duelo entre os dois pelas divisões de acesso do estado data de junho de 1967. Desde então foram 22 encontros com ampla vantagem para a agremiação limeirense: doze vitórias contra cinco do Nacional além de cinco empates. A maior vitória da Inter foram dois 3x0 em 1978 e 2010 e o maior triunfo nacionalino foi também um 3x0 em 2004, jogo que contou com a minha presença num tempo que o blog ainda nem existia.

Voltando ao presente, em 2017 os paulistanos eliminaram Rio Branco e Olímpia no mata-mata fazendo os resultados sempre fora de casa. Nas 23 partidas disputadas até a semi foram onze vitórias, cinco empates e sete derrotas. O Leão despachou Desportivo Brasil e Monte Azul, somando treze triunfos, seis empates e apenas quatro derrotas. No fim das contas, e apesar do pessoal de Olímpia não concordar, os acessos foram merecidos.

Achei que o Estádio Nicolau Alayon iria receber um público muito bom, mas apenas 1.228 pessoas pagaram ingresso e acompanharam a 12ª apresentação do Nacional na Comendador Souza na temporada (todas com a devida cobertura do blog, vale o registro). Um jogo como esse merecia pelo menos o triplo.

Com a bola rolando, os visitantes não se fizeram de rogados e parecia que estavam atuando dentro do Limeirão. Aos doze minutos, num rápido ataque pela direita, a bola foi cruzada na área e Éder Paulista apareceu no meio dos zagueiros pra tocar de cabeça e abrir o marcador. O setor defensivo do Naça reclamou bastante desse lance alegando que o camisa 9 estava em posição de impedimento. Vendo com calma depois, tive praticamente a certeza que o atleta realmente estava adiantado na hora em que a pelota foi alçada.

O tempo inicial seguiu com o Leão melhor e o time paulistano com enorme dificuldade no último toque. Aos 43 minutos, como se não bastasse a polêmica validação do gol visitante, o árbitro Rodrigo Gomes Domingues deixou de marcar um pênalti claríssimo pros donos da casa. Negueba recebeu bola lançada na direita e tentou passar por um dos zagueiros, só que o defensor cortou com a mão dentro da área. Penalidade máxima! Mesmo de frente pro lance, o árbitro nada marcou e deixou a peleja seguir. Fica difícil jogar sofrendo um gol irregular e não tendo um penal marcado a seu favor.


Visão geral da parte coberta do Nicolau Alayon


Nikão, camisa 4, se preparando para mandar a bola longe sob a marcação de Laécio


Torcida da Inter comemorando o gol de Éder Paulista e os atletas do Nacional reclamando (com razão) com o assistente


Início de ataque a favor dos locais

Na saída pro intervalo, o locutor do estádio pediu para a torcida vaiar a saída do quarteto de arbitragem. Enquanto rolam sorteios, brincadeiras e afins tudo bem, o que não pode é alguém com um microfone na mão fazer isso. O árbitro relatou isso na súmula e se bobear o Nacional ainda pode sofrer alguma punição pelo fato.

No segundo tempo o onze ferroviário voltou mais ligado e encurralou a Internacional no seu campo de defesa. O grande problema foram, novamente, as falhas de finalização. Vimos várias oportunidades serem criadas, porém nenhuma concluída com sucesso. A melhor chance de gol dos últimos 45 minutos saiu dos pés de Éverton, camisa 5 local. Ele saiu do campo de defesa, driblou três defensores e chutou de longe. A bola tirou tinta da trave e assustou o goleiro Rafael Magrão. Pouco para quem buscava pelo menos a igualdade.


Lucas Douglas subindo pata fazer o corte


Outra bola levantada na área do Leão durante o segundo tempo


Ataque do time ferroviário pela esquerda


Placar final do jogo de ida da grande decisão da Série A3 de 2017

O resultado de Nacional 0-1 Inter de Limeira é um grande passo pro alvinegro conquistar seu segundo título da terceira divisão em todos os tempos, já que atuará dentro dos seus domínios precisando de um empate para levar o caneco. É, mas pra quem fez o que fez longe da capital, não é nenhum absurdo dizer que o Naça tem plenas condições de ser campeão. O ponto é: tudo está em aberto.

A rodada no Nicolau Alayon não terminou depois desse confronto. Na parte da tarde aconteceu mais uma apresentação do querido Barcelona Capela com o mando de campo e, claro, não tinha como ficar de fora.

Até lá!

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Grande jogo e triunfo lusitano pelo Brasileiro Feminino A2

Texto e fotos: Fernando Martinez


Pensem num certame genial e muito, mas muito perdido. Na tarde da quarta-feira fiz a minha estreia num deles, o Campeonato Brasileiro Feminino A2, a segunda divisão do futebol das meninas no país. A primeira cobertura foi no genial encontro entre Portuguesa e Caucaia do Ceará no Estádio Nicolau Alayon valendo pela segunda rodada.

Antes de falar do jogo em si, vale mencionar que a CBF reorganizou os certames da categoria em 2017. A entidade ampliou o nacional e criou mais uma divisão, além de extinguir a Copa do Brasil feminina. De 2013 a 2016, vinte times participaram do Brasileiro e agora em 2017 são 16 equipes em cada uma das duas divisões. Doze clubes a mais no total.

A entidade separou as agremiações da seguinte forma: Na primeira divisão ficaram o último campeão da Copa do Brasil e o campeão brasileiro de 2016, os oito melhores colocados no ranking nacional de clubes e os seis melhores ranqueados que participam da Série A masculina. Na novíssima A2, os dezesseis primeiros do RNC a partir do nono colocado, excluindo obviamente os que ficaram na A1.

Isso fez com que o Centro Olímpico, campeão do primeiro brasileiro em 2013 fosse parar na segundona, assim como figurinhas carimbadas que estiveram em todas as edições até então, como o Viana do Maranhão, Pinheirense, Duque de Caxias e o Caucaia, time que atuou pela primeira vez na capital paulista na sua história.


Associação Portuguesa de Desportos (feminino) - São Paulo/SP


Caucaia Esporte Clube (feminino) - Caucaia/CE


O trio formado pela árbitra Adeli Mara Monteiro e as assistentes Fabrini Bevilaqua Costa e Leandra Aires Cossette junto com as capitãs dos times

O Grupo 2 do torneio é formado, além da Lusa e da Raposa Metropolitana, por CRESSPOM/DF, Aliança de Goiás, ADECO, América Mineiro, UDA/AL e Botafogo da Paraíba. A primeira fase é jogada em turno único e as duas melhores colocadas se classificaram para a semi. Na rodada de estreia as rubro-verdes empataram com o Centro Olímpico longe de casa e as cearenses derrotaram o Coelho.

O estádio nacionalino estava praticamente vazio, porém todos os presentes, incluindo o amigo Ricardo Espina, viram 90 minutos muito bons, com várias chances de gol e com muita disposição das atletas das duas agremiações. Em tempos de jogos bem mais ou menos, esse valeu demais a pena. Dá até gosto falar sobre um jogo assim.

O Caucaia começou os trabalhos jogando melhor e dominou as ações durante os dez minutos iniciais. A Portuguesa se defendeu bem e no primeiro ataque que conseguiu armar saiu na frente. O relógio marcava onze minutos quando Juliana aproveitou escanteio pela esquerda e inaugurou o marcador.

As cearenses não se importaram com o tento sofrido e no lance seguinte Damiana perdeu um gol feito. Aos 14, Vanusa fez justiça e deixou tudo igual. A bola foi levantada da direita, a camisa 9 tocou meio sem querer e a pelota encobriu a goleira Bruna. Três minutos depois quase saiu a virada num chutaço de longe que bateu na trave.

O ritmo era eletrizante e a zaga lusitana não conseguia parar as rápidas investidas adversárias. Depois de suportar a pressão, foi a vez da goleira Edleia fazer milagre e impedir o segundo gol local aos 33 minutos. Apesar de mais bons momentos pros dois lados, o tempo inicial terminou com o 1x1 estampado no placar.


Jogadora da Portuguesa protegendo a pelota



Lance do gol que abriu o placar no Nicolau Alayon e a comemoração das atletas locais


A zaga lusitana afastando o perigo


Valeska, camisa 6 do Caucaia, atacando pela esquerda

No tempo final a partida continuou muito boa e Fernanda recolocou o clube do Canindé em vantagem aos oito minutos. Lucélia recebeu bom passe pela esquerda, foi para dentro da área e só rolou para a camisa 11 tocar pro fundo das redes, livre de marcação. Na saída de bola a mesma Lucélia foi expulsa e deixou a Portuguesa com dez em campo.

Só que aos 16 o Caucaia sofreu novo castigo e tomou o terceiro. Numa falta pela esquerda, Dani escorou no primeiro pau e colocou a bola no canto de Edleia. Não restava outra opção pras visitantes a não ser montar um esquema priorizando somente o ataque.

O que se viu a partir daí foram várias oportunidades a esmo e uma segura atuação da goleira Bruna. A atuação defensiva da Portuguesa, somada a uma pitadinha de sorte, impediu que o Caucaia diminuísse. Aos 40 minutos Fernanda Marques foi expulsa e as rubro-verdes ficaram com nove em campo.

Foi assim que as nordestinas chegaram ao segundo gol através de Fafá aos 42. O que se viu nos sete minutos restantes foi uma pressão absurda na luta pelo empate. O momento mais inacreditável da tarde aconteceu aos 46, quando a bola bateu duas vezes na trave de Bruna em dois chutes seguidos. Realmente não era dia das meninas do Ceará.


Num dos primeiros ataques do tempo final, a camisa 9 Vanusa se aproxima da área


Lucélia entrando na área pela esquerda e tocando para Fernanda fazer o segundo gol da Lusa




Três boas chances de gol do time cearense durante o segundo tempo

No fim, o Portuguesa 3-2 Caucaia marcou a primeira vitória paulistana no Brasileiro Feminino A2, colocando a equipe na vice-liderança provisória do Grupo 2 com quatro pontos, atrás apenas do CRESSPOM com seis. Na próxima rodada a Lusa visita o América Mineiro e as nordestinas enfrentam o Centro Olímpico em São Bernardo do Campo.

Pra fechar, deixo um abraço pro Edson de Lima, dono da página A Vitrine Do Futebol Feminino do Facebook e grande divulgador da categoria e também pro Borracha, preparador de goleiros e goleiras que está trabalhando na Portuguesa que conheço desde os tempos de Grêmio Mauaense. Sempre faz bem rever os amigos pelos gramados da vida.

Até a próxima!