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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Pacaembu recebe pela primeira vez duelo da Copa Paulista

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de sexta-feira a programação sempre especial do JP contou com uma partida totalmente especial na pauta. No gramado do Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Corinthians recebeu a Portuguesa pela terceira rodada do returno da fase inicial da Copa Paulista. Foi a primeira vez que o velho campo paulistano recebeu um jogo dessa competição na história mesmo se levarmos em conta os torneios equivalentes das décadas de 60 a 80.

Essa também foi a primeira apresentação lusitana no Pacaembu desde 23 de maio de 2015. Naquela data, o adversário foi o Brasil de Pelotas e a peleja, válida pela Série C, terminou empatada em 1x1. A cancha já foi palco de cerca de 800 duelos da Lusa desde sua inauguração em 1940, sendo o segundo local em que a quase centenária agremiação mais atuou na sua história. Pena que a terrível situação em que o clube se encontra nos deixe sem saber qual será a próxima vez que atuarão na tradicional praça de esportes.


Sport Club Corinthians Paulista - São Paulo/SP


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Capitães dos times, o árbitro Salim Fende Chavez, os assistentes Diogo Correia dos Santos e Rodrigo Meirelles Bernardo e o quarto árbitro Antônio Carlos Santana posando para as lentes do JP


Torcida lusitana marcando presença no Pacaembu. Foi a primeira vez que atuaram ali desde 2015

Aproveitando a oportunidade, vale sempre dizer que apesar de alguns pesquisadores de renome seguirem o conceito que "jogos de Copas estaduais não entram nas estatísticas oficiais", eu incluo normalmente os compromissos corintianos nas minhas pesquisas, já que apesar de atuarem com um elenco sub-23, o que vale é o que está no regulamento: é um campeonato profissional e não restritivo. Rola um asterisco, mas não incluir na listagem a meu ver é um erro histórico.

Falando de Corinthians (sem o "B", claro), a performance até então era bem pífia: lanterna do Grupo 3 com quatro pontos, cinco derrotas, um empate e apenas um triunfo. A Lusa não estava muito melhor e ocupava na vice-lanterna com sete pontos ganhos. Vindo de uma vitória contra o Nacional, a ideia era tentar conquistar a segunda vitória consecutiva em busca, claro, da difícil vaga na próxima fase.

Embalados pelo triunfo da terça-feira, eu cheguei a crer que os comandados de Zé Maria eram levemente favoritos. Ledo engano. A atuação lusitana foi ridícula e bem abaixo da média. Como o escrete mosqueteiro também não foi nada bem, presenciei talvez o pior primeiro tempo da atual temporada. Para não dizer que os rubro-verdes nada fizeram eles até tiveram um momento bom aos nove minutos. Maicom Jesus cruzou e Doda completou no bico da pequena área. A bola passou perto da trave direita... e foi só.

O forte calor não deu trégua e a partida se arrastou. O alvinegro assustou apenas aos 37 minutos em cabeçada de Warian que passou por cima após levantamento da esquerda. A probabilidade de sair um gol era mínima, porém, contrariando a expectativa, ele saiu aos 45. A Portuguesa cobrou um lateral errado e a bola parou com Rodrigo Figueiredo. Ele chapelou com classe um marcador, avançou pela direita e tocou no meio da área para Warian. O camisa 7 só teve o trabalho de tocar na saída de Rafael Pascoal, deixando os alvinegros em vantagem na chegada do intervalo.


Ataque lusitano pela esquerda


Atacante da Portuguesa no chão... mas não foi falta


Boa chegada visitante em bola alçada na área mosqueteira


Renan Brainer (2) subindo sozinho para fazer o corte

Continuei acreditando no impossível e me mantive perto do ataque visitante no tempo final. A atuação não foi tão desastrosa quanto a da primeira etapa, mas a melhora foi pouco significativa. Os dois melhores - e únicos - momentos saíram dos pés de Doda aos 14 e 15 minutos. Em ambos, o camisa 10 finalizou bem e Filipe mostrou serviço evitando o empate certo, principalmente no segundo chute. Tirando isso, um festival de passes errados e finalizações equivocadas. Três momentos decentes em 90 minutos é muito pouco.

A torcida visitante obviamente não aprovou a performance e xingou à exaustão. As homenagens foram intensificadas conforme o limitado time corintiano achava enormes buracos no setor defensivo adversário e neles quase ampliou a vantagem. Só não fez pois os seus atletas também não são nenhuma Brastemp e erraram demais. Quando o árbitro apitou pela última vez, o placar eletrônico mostrava o resultado final de Corinthians 1-0 Portuguesa.


Bola lançada em profundidade no ataque rubro-verde no começo do tempo final


Corintiano e lusitano apostando corrida no histórico gramado do Pacaembu


Pelo alto a Lusa tentou o empate e não teve nenhum sucesso


Defensor alvinegro tomando a bola de atleta da Portuguesa


Placar final do primeiro jogo de Copa Paulista no Pacaembu. Agora resta saber quando veremos novamente a Portuguesa atuando na velha cancha

Essa foi a quinta derrota da Lusa em oito jogos disputados na Copa Paulista. Agora os alvinegros possuem os mesmos sete pontos e ambos estão dois atrás do Nacional, que fez o favor e também perdeu na rodada. Faltando duas rodadas, já está claro que Juventus, Taubaté e Desportivo Brasil se classificarão. A vaga restante será disputada pelo trio paulistano e o menos pior irá se garantir entre os 16. Vai ser difícil definir, já que todos estão fazendo um enorme esforço para ficarem de fora.

Falando em Nacional, no sábado a pauta livre do JP reservou outra apresentação do onze ferroviário dentro de casa e, como não poderia deixar de ser, fui conferir de perto tudo o que o time (não) fez contra o Desportivo Brasil.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 1-0 Portuguesa

Competição: Copa Paulista; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitro: Salim Fende Chavez; Público: 402 pagantes; Renda: R$ 3.600,00; Cartões amarelos: Marcio Ferrari, Warian, Jordan Souza, Igor Morais, Jorge Colman, Rodrigo (Cor), Gustavo Eugênio (Por); Gol: Warian 45 do 1º.
Corinthians: Filipe; Renan Brainer, João Victor, Igor Morais e Lucas; Jordan Souza, Warian, Marcio Ferrari (Rodrigo) e Rodrigo Figueiredo (Jordan); Jorge Colman (Hugo Borges) e Gabriel Silva. Técnico: Édson Leivinha.
Portuguesa: Rafael Pascoal; Hudson, Henrique Motta (Gustavo Eugênio), Garutti e Igor (Vilares); Jonatas Paulista, Clebinho, Gerley e Doda; Naná (Luiz Thiago) e Maicom Jesus. Técnico: Zé Maria.
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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Grande atuação corintiana e triunfo contra o Vasco no sub-20

Texto e fotos: Fernando Martinez


O Campeonato Brasileiro sub-20 pediu passagem na tarde da última quarta-feira aqui no JP com um clássico do futebol brasileiro. Diferente do que tinha feito até então, dessa vez o Corinthians não atuou na Fazendinha. Pela nona rodada da fase inicial, os paulistas receberam o Vasco da Gama no bom e velho Estádio Paulo Machado de Carvalho. Vinte anos depois da grande final da Copa São Paulo de 1999, os clubes voltaram a se enfrentar na tradicional praça de esportes paulistana.

O jogo prometia bastante e reunia o quarto contra o terceiro colocado, respectivamente os paulistas com 16 e os cariocas com 17 pontos. O Timão vinha de três compromissos invictos, enquanto o Vasco perdeu a invencibilidade no penúltimo confronto (1x2 contra o Flamengo), mas venceu o último por goleada. Levando em conta que os dois fizeram uma das semi-finais da última Copinha - 2x2 e vitória carioca dos penais - tinha quase certeza que a partida seria de alto nível.


Sport Club Corinthians Paulista (sub-20) - São Paulo/SP


Clube de Regatas Vasco da Gama (sub-20) - Rio de Janeiro/RJ


Trio de arbitragem e capitães dos times

Cheguei cedo e sem muita demora já me encontrava no histórico gramado. Independente de quantas vezes eu visite o local, sempre é muito legal estar ali, ainda mais pensando que a cancha como conhecemos está com os dias contados. Não resta outra opção a não ser aproveitar cada momento enquanto eles ainda existem. Um bom público compareceu e os presentes puderam se deliciar com uma peleja de bom nível e equilibrada no tempo inicial.

O primeiro bom momento foi do Vasco logo aos três minutos. A bola foi recuada para Diego, goleiro corintiano, e ele vacilou. Figueiredo quase consegue tocar se aproveitando do vacilo monstro do camisa 1. Os visitantes permaneceram com maior posse de bola e chegando bem perto da área local. O Corinthians tinha certa dificuldade com o último toque e as investidas eram neutralizadas pelos bem postados zagueiros visitantes.

Aos 27, Janderson avançou pela esquerda e tocou pro meio da área. Madson recebeu, tirou do zagueiro e chutou forte. O goleiro Lucão fez grande defesa e impediu o tento corintiano. Só que três minutos após não teve jeito e o escrete mosqueteiro saiu na frente. Madson recebeu na direita e cruzou. Nathan estava pronto para finalizar, porém o zagueiro Ulisses colocou o pé na bola antes do avante paulista e marcou contra.

Não teve nem como comemorar direito, pois aos 33 o Vasco deixou tudo igual. Em cobrança de escanteio, Léo Paraíso subiu meio torto e Caio Lopes, atrás do zagueiro, cabeceou firme no canto direito de Diego. Aos 44 quase acontece a virada em tiro longo de Juninho que desviou na zaga e por pouco não enganou Diego. O arqueiro paulista se esticou todo e mandou pela linha de fundo. A etapa inicial terminou com o 1x1 no marcador.


Finalização de Nathan bloqueada por Caio Lopes (10)


Comemoração corintiana pelo gol contra de Ulisses



Corinthians atacando pela direita em dois momentos do tempo inicial

Já no tempo final a atuação corintiana foi muito superior. Os locais não deram chance ao Vasco e conseguiram animar a torcida presente no Pacaembu. Nos primeiros dez minutos, duas tímidas chances, uma de cada lado. A partir disso, só deu Corinthians durante cerca de meia hora. Aos 14, Ruan Oliveira avançou pela esquerda e cruzou por baixo. Ulisses tirou mal e Rael, que tinha entrado dois minutos antes, acertou um tirambaço e fez o segundo.

Aos 18, Ruan Oliveira finalizou de longe e a bola passou perto. Já aos 24 ele não desperdiçou. Madson fez brilhante jogada individual pela direita e só rolou na entrada da área. O camisa 7 encheu o pé e colocou no canto direito de Lucão, ampliando a vantagem corintiana. O Vasco não conseguia emplacar uma boa jogada sequer e só voltou a ameaçar aos 38 em cabeçada de Linnick. Logo depois Ronald perdeu a bola para Lucas Santos. O 7 vascaíno ficou cara-a-cara com Diego e desperdiçou, chutando em cima do guarda-metas.


Lucão fazendo boa defesa no começo do segundo tempo



No tempo final, o Corinthians dominou as ações, principalmente em jogadas pelas laterais. Nessas imagens, investidas pela esquerda


Visão da parte coberta do Pacaembu no segundo tento paulista


Atleta vascaíno sofrendo pressão na saída de bola

Antes do apito final, o time de Parque São Jorge perdeu a chance de ampliar o triunfo quando Rael perdeu gol feito na pequena área em boa defesa de Lucão. No fim, nem precisou, já que o Corinthians 3-1 Vasco da Gama foi mais do que suficiente para deixar a torcida paulista bem feliz e sorrindo de orelha a orelha. A vitória colocou a equipe comandada pelo ex-atleta Coelho na terceira colocação com 19 pontos, quatro atrás do Flamengo e um do Palmeiras. O Gigante da Colina agora é o quinto colocado. Chegamos na metade da fase inicial e duvido que os dois fiquem de fora das oitavas.

Foi isso. A próxima sessão futebolística no Pacaembu já tem data marcada: sexta-feira. Pela primeira vez o estádio irá receber um jogo da Copa Paulista na sua história e lógico que não vamos ficar de fora.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 3-1 Vasco da Gama

Competição: Campeonato Brasileiro sub-20; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitro: Daniel Bernardes Serrano; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Janderson, Léo Pereira (Cor), Bruno Gomes, Alexandre Melo, Miranda, Lucas Santos (Vas); Gols: Ulisses (contra) 30 e Caio Lopes 33 do 1º, Rael 14 e Ruan Oliveira 24 do 2º.
Corinthians: Diego; Igor (Daniel Marcos), Léo Paraíso, Ronald e Lucas Piton; Du (Rael), Ruan Oliveira, Roni (Xavier) e Janderson (Léo Pereira); Nathan e Madson (Richard). Técnico: Dyego Coelho.
Vasco da Gama: Lucão; Nathan (Tenório), Ulisses, Miranda e Alexandre Melo (Coutinho); Bruno Gomes (Vinícius), Lucas Santos, Juninho e Caio Lopes (Linnick); Figueiredo (Laranjeira) e João Pedro (PEC). Técnico: Marcos Valadares.
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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Em jogo fraco, Lusa é menos pior e derrota o Nacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Na tarde de terça-feira, horário super incomum, retornei ao Estádio Oswaldo Teixeira Duarte com direito a apresentação da Portuguesa na sua casa depois de quase cinco meses de ausência. O adversário da estreia lusitana dentro seus domínios na atual edição da Copa Paulista foi o combalido Nacional. Essa foi a oitava cobertura do JP em oito jogos disputados entre os dois desde que voltaram a se enfrentar regularmente em 2015.

Após atuarem três vezes na cidade de Osasco com o mando de campo, o rubro-verde retornou à sua cancha mesmo longe das condições ideais. A peleja foi marcada para a terça-feira pois a Polícia Militar informou que não teria como comparecer no domingo em virtude da presença maciça da corporação no Corinthians x Palmeiras. Apesar de muita reclamação contra a diretoria lusitana, eles não tiveram o que fazer. Tudo bem que poderiam ter posto no sábado, porém pedir discernimento aos que tomam conta da quase centenária agremiação é demais.


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Leandro Bizzio Marinho, os assistentes Osvaldo Apipe Filho e Luis Felipe Silva e o quarto árbitro Tarciano Jose de Lima

O duelo reuniu dois times em momentos parecidos no torneio. A Lusa vinha de uma série de três compromissos sem vitórias e apenas quatro pontos conquistados. Os comandados de Zé Maria estavam na quinta posição da chave e caso não vencessem, a chance de vaga ficaria ainda mais distante. O Naça até que começou bem com duas vitórias seguidas e só. Desde então, quatro pelejas sem nenhum triunfo e o técnico Ricardo Silva ameaçado.

Não esperava muito do cotejo em si e os jogadores confirmaram a tímida expectativa. Foi uma partida terrivelmente fraca e com raros momentos de perigo a favor de ambos. Os 90 minutos se transformaram em 270 tamanha foi a morosidade vista no relvado. Se alguém tinha alguma dúvida, ficou claro que nem Portuguesa, nem Nacional tem a menor condição de saírem com o título dessa competição.

Nesse cenário árido de emoções, a primeira etapa foi menos pior. O clube visitante foi levemente melhor durante os dez primeiros minutos e aos poucos a Lusa conseguiu equilibrar, tanto que na primeira boa oportunidade local o gol saiu. O Nacional teve escanteio a seu favor aos 24 minutos e rapidamente perdeu a bola. Maicon Jesus armou um belo contra-ataque, invadiu o campo de defesa adversário, tabelou com Doda, recebeu de volta e chutou firme. O lance ainda contou com falha do arqueiro Felipe Lacerda.

O Naça se mandou ao campo de ataque e a melhor oportunidade que teve foi uma cortesia da zaga lusitana. Num levantamento da esquerda Henrique Motta, camisa 3 rubro-verde, tentou cortar. A pelota foi em direção à meta e Rafael Pascoal fez ótima defesa, evitando que o zagueiro marcasse contra. Aos 36, Gerley recebeu na esquerda e finalizou na diagonal, obrigando Felipe Lacerda a fazer boa intervenção. Aos 46, o escrete ferroviário teve a chance de ouro nos pés de Matheus Lu, porém o camisa 7 chutou na arquibancada.


Bola levantada na área nacionalista


Lucas de Paula, camisa 10 do Nacional, em lance no meio-campo


O zagueiro Luiz Felipe, camisa 3, em chegada visitante



A zaga lusitana afastando o perigo em dois cruzamentos do onze ferroviário

Eu pretendia ficar nas cabines no segundo tempo, só que fui impedido de ficar lá pois tinha na mochila uma pequena garrafa d'água (!). Pela primeira vez a PM revistou os profissionais de imprensa que se dirigiam à tribuna de forma arbitrária, já que eles não podem fazer isso. Não adiantou argumentar com o responsável pois ele agiu com aquela falta de bom senso que já estamos acostumados a ver em estádios. Resultado: não fui autorizado a subir. Retrato da época sombria que estamos vivendo? Fica a pergunta.

De novo no gramado, voltei a acompanhar o ataque nacionalista pensando que os visitantes talvez voltassem mais animados em busca do empate. Achei errado, já que poderiam estar jogando até agora que dificilmente a igualdade teria saído. A Lusa também não estava muito inspirada e criou poucos momentos interessantes. Resultado: o sono chegou forte e o que me salvou foi uma ótima playlist só de rock brasileiro dos anos 80 que montei no Spotify. Não fosse a companhia de RPM, Camisa de Vênus, Kid Abelha e afins, eu certamente teria dormido na linha de fundo.

Como quem não quer nada, os locais tiveram um bom momento aos onze minutos quando a bola foi cruzada da direita e, apesar de Felipe deixar passar, ninguém apareceu para completar. Aos 33, tive a impressão que o árbitro deixou de marcar um pênalti a favor do Nacional quando Rafael Pascoal saiu igual vaca brava em bola enfiada e derrubou um dos atacantes visitantes dentro da área. Ninguém reclamou e ficou por isso mesmo.

Quando parecia que nada mais aconteceria, a Portuguesa fez o segundo e selou seu triunfo após uma saída de bola bisonha e falha de todo o setor defensivo do Nacional. Doda recebeu um belo presente e tocou para Clebinho entre os zagueiros. Ele invadiu a área sozinho, driblou o arqueiro e tocou cruzado. O tento demorou alguns minutos para ser validado pois a zaga pediu impedimento. Sem choro nem vela, o gol foi confirmado.


Michael Tuique (9) cabeceando sob o atento olhar de Garutti (4)


Rogério Maranhão em boa chegada nacionalista pelo alto


Nova disputa pelo alto com Michael Tuíque e Garutti


Disputa de bola dentro da área rubro-verde para saber quem pulava mais alto

O placar de Portuguesa 2-0 Nacional ainda mantém os ferroviários na quarta posição do Grupo 3 com nove pontos, dois à frente da Lusa, que agora tem sete. Levando em conta que agora são cinco jogos sem vitória, a situação do clube da Zona Oeste é crítica. O revés custou o emprego de Ricardo Silva. Pelos lados do Canindé, fica a esperança que o genial duelo contra o Corinthians no Pacaembu sexta-feira seja a porta de entrada para o G4.

Na quarta-feira emplaquei outra cobertura no bom e velho Pacaembu pelo Brasileiro sub-20. Independente do que a gente faça, é sempre bem legal visitar o Paulo Machado de Carvalho.

Até lá!

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Ficha Técnica: Portuguesa 2-0 Nacional

Competição: Copa Paulista; Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Leandro Bizzio Marinho; Público: 659 pagantes; Renda: R$ 8.900,00; Cartões amarelos: Garutti, Gerley (Por), Leandro Caju, Rodrigo Sam, Caio Mendes, Allan Cristian (Nac); Cartão vermelho: Luiz Felipe 43 do 2º; Gols: Maicom Jesus 24 do 1º, Clebinho 38 do 2º.
Portuguesa: Rafael Pascoal; Hudson, Henrique Motta, Garutti e Igor (Luiz Thiago); Jonatas Paulista, Clebinho, Gerley e Doda; Naná (Graxa) e Maicom Jesus (Gustavo Eugênio). Técnico: Zé Maria.
Nacional: Felipe Lacerda; Veloso, Luiz Felipe, Rodrigo Sam e Caio Mendes; Rogério Maranhão, Matheus Lu (Vinícius Faria), Allan Cristian e Lucas de Paula (Gabriel Mendes); Michael Tuíque (Laécio) e Leandro Caju. Técnico: Ricardo Silva.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Início da Segundona do Paulista sub-20 com empate em Guarulhos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Entre 2016 e 2018 vi apenas dois jogos válidos pelo genial Campeonato Paulista sub-20 da Segunda Divisão, uma vergonha. Tentando começar 2019 numa vibe diferente, emplaquei minha estreia no certame na tarde de sexta-feira. No Estádio Antônio Soares de Oliveira, acompanhei de perto o duelo entre Flamengo de Guarulhos e o outrora poderoso Jabaquara AC pela primeira rodada do Grupo 6. 

São 30 os participantes da edição 2019. Eles foram divididos em seis chaves e os dois primeiros de cada uma se garantem nas oitavas junto com os quatro melhores terceiros colocados. Corvo e Leão da Caneleira estão no grupo de Mauaense, Mauá FC e Guarulhos. A Itapirense, atual bi-campeã, faz parte do Grupo 4. Aliás, o que tem de time legal nesse torneio não é brincadeira. A ideia é cobrir o maior número de partidas que conseguir.


Associação Atlética Flamengo (sub-20) - Guarulhos/SP


Jabaquara Atlético Clube (sub-20) - Santos/SP


Capitães dos times e trio de arbitragem

Fui sozinho até Guarulhos pegando o famoso 578 - Jardim Tranquilidade no Metrô Armênia. Cheguei na cancha a 25 minutos do apito inicial e ainda assim devo ter sido o segundo ou terceiro a entrar no local, pois as arquibancadas ainda estavam repletas de lugares vazios. Peguei as escalações e fiz as fotos oficiais das equipes antes de buscar uma sombra para curtir a etapa inicial. Como não há fiscalização em pelejas do sub-20, consigo ficar de boa em qualquer parte. Sempre com bom senso, claro.

Por tudo que o Fla vem fazendo no profissional junto com tudo que o Jabuca não fez na Segundona, de maneira lógica esperava um domínio rubro-negro. Na hora da bola rolar, os donos da casa tiveram a bola durante a maior parte do tempo e foram mais incisivos, só que chance de gol de verdade foram poucas. Como quem não quer nada, o onze santista surpreendeu, envolveu a zaga local e levou relativo perigo nos contra-ataques.

Aos oito minutos quase o clube rubro-amarelo abre o marcador numa lambança monstro do goleiro Diogo. Num recuo da intermediária, o camisa 1 deixou a pelota passar e na base do desespero teve que sair correndo para evitar o gol contra, salvando em cima da linha. Aos 17, nova falha do goleiro em falta cobrada da direita. Ele pulou, não encontrou nada e na sobra o Jabuca abriu a contagem. Por sorte, o avante jabaquarense estava impedido e o tento foi anulado.

O primeiro ataque do Flamengo com real perigo aconteceu aos 22 minutos. Em ataque pela esquerda, a bola foi cruzada na área. Um dos avantes finalizou bem e como no caminho ela bateu em um companheiro que estava impedido, o gol foi anulado. Aos 30, boa jogada de Luquinhas pela esquerda quando ele mandou na área e Vitinho, camisa 28, mesmo bem colocado no segundo pau e com a meta livre, mandou pela linha de fundo.

Já aos 37 minutos... o grande momento da tarde. Ouço desde cedo a famosa expressão "o gol que Pelé não fez" quando alguém faz um golaço do meio de campo, mas nunca tinha visto um in loco. Esse tabu acabou graças ao jabaquarense Diego. O escrete visitante teve uma falta marcada no círculo central, pouco antes da linha que divide a cancha. David colocou a bola no chão e o camisa 5, ao ver o goleiro adiantado, mandou direto. A pelota fez uma curva sensacional e bateu na trave esquerda antes de morrer no fundo da rede. Uma pintura de gol que colocou o Jabuca em vantagem.

Logo depois do gol a frente fria que estava programada para pintar no meio da tarde chegou com tudo em Guarulhos. O forte calor deu lugar a uma ventania gelada com direito a tempo fechado e bem carrancudo. Foi nesse cenário que a peleja chegou no seu intervalo. Como ia passar frio de qualquer jeito, fui acompanhar o ataque local na etapa final na linha de fundo pois acreditava que o Flamengo se lançaria em busca do empate. Bingo.


Klinsmann, o 9 rubro-negro, subindo entre a zaga jabaquarense


Dividida dentro da área visitante


Goleiro do Corvo batendo roupa no gol do Jabaquara que foi anulado pela arbitragem


Willian, camisa 2 do Flamengo, encarando a marcação


Diego, camisa 5, comemorando o "gol que Pelé não fez" em Guarulhos

Desde os primeiros movimentos ficou claro que o Jabaquara iria se defender e o Fla atacar. Aos sete, no primeiro escanteio que não foi batido curto (aliás, o dia em que for presidente do mundo eu vou proibir o escanteio curto em todo o globo) pelos locais o camisa 5 Marcão quase marca de calcanhar. Três minutos após, Allan bateu falta da esquerda, alçou dentro da área e, no segundo pau, Rafael Góes surgiu por trás da zaga e deixou tudo igual.

O Jabaquara jogava por um contra-ataque, porém não conseguiu ter calma suficiente para armar um com sucesso. O Fla ia na boa e encurralou o seu adversário, obrigando o bom goleiro Gustavo a se tornar no principal nome da etapa final. Foram vários os momentos em que o guarda-metas mostrou serviço com competência. Aos 22 Allan arriscou de longe e a pelota tirou tinta da trave. As outras finalizações - e não foram poucas - ou passaram longe do gol ou tiveram como destino as mãos seguras do camisa 1.

O Corvo chegou muito perto da virada aos 35 e ela não aconteceu pois Gustavo fez uma das defesas mais brilhantes que vi nos últimos meses. Depois de cruzamento da direita, a zaga afastou mal e a pelota sobrou nos pés de Héctor. O camisa 8 emendou de primeira um chutaço à queima-roupa quase na linha da pequena área e o goleiro, não sei como, defendeu. Ficou claro que ninguém conquistaria os três pontos. Apesar de termos uns Klinsmann no Flamengo e um Van-Baster no Jabuca, eles não foram capazes de conduzirem seus times ao triunfo.


Boa chegada guarulhense pela direita no início do tempo final


Ataque local pela esquerda do setor ofensivo


Lance do gol de empate do Flamengo, marcado por Rafael Góes (à esquerda na foto, atrás do jogador do Jabuca)


O Fla se lançou ao ataque em busca da virada, mas ela não aconteceu

O placar de Flamengo 1-1 Jabaquara marcou uma estreia até certo ponto frustrante do Corvo e foi um ótimo resultado para o Leão da Caneleira. Completando a rodada inicial da chave, o Mauaense derrotou o Guarulhos por 3x0 e terminou na liderança após a jornada de estreia. O líder vai até Santos no próximo sábado enquanto o rubro-negro visitará o Mauá FC. A primeira fase irá se encerrar no dia 21 de setembro.

Voltei à capital congelando e por conta do frio absurdo que fez no sábado e domingo acabei abandonando o cronograma original e fiquei de boa. O futebol vai voltar na semana com uma sessão genial da Copa Paulista na terça-feira à tarde, horário perfeito pensando na presença de um grande público... #sqn.

Até lá!

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Ficha Técnica: Flamengo 1-1 Jabaquara

Competição: Campeonato Paulista sub-20 da Segunda Divisão; Local: Estádio Antônio Soares de Oliveira (Guarulhos); Árbitro: Camilo Morais Zarpelão; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Van-Baster, Ytalo (Jab); Gols: Diego 37 do 1º, Rafael Góes 9 do 2º.
Flamengo: Diogo; William (Christian), Rafael Góes, Renzo e Mikael (Pizon); Marcão, Luquinhas, Héctor e Allan; Klinsmann (Bruno Vilela) e Vitinho. Técnico: Raphael Laruccia.
Jabaquara: Gustavo; Joãozinho, Leonardo Trindade, Matheus Aragão e Matheus Barreto (Paulo Beroli); Diego, Andrey (Raudney), Rafael Benigno (Kaique) e David (Arthur); Gabriel (Van-Baster) e Daniel (Ytalo). Técnico: Fred Topp.
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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Nova goleada do ainda invicto Paulista na Segundona

Texto e fotos: Fernando Martinez


Desde que o Paulista de Jundiaí foi parar no Campeonato Paulista da Segunda Divisão eu queria ver uma apresentação do time no Estádio Doutor Jaime Cintra. No ano passado não deu certo, porém no sábado tive a chance de matar a vontade. O glorioso campeão da Copa do Brasil de 2005 enfrentou o Atlético Mogi pela quarta rodada do returno. Um daqueles confrontos que eram absolutamente impensáveis há dez anos atrás mas que, por conta do declínio jundiaiense, passou a ser uma incômoda realidade.

Saímos de Barueri rapidinho depois do horroroso Oeste x Figueirense e emplacarmos aquela boquinha marota já em terras jundiaienses. Completamente satisfeitos com aquela sempre bem-vinda refeição não-natural, chegamos na casa do Galo cedo e deu tempo suficiente de fazer todos os trâmites antes do apito inicial. O ainda invicto Paulista era absurdamente favorito para conquistar os três pontos. Muito pelo que ele está fazendo no certame e mais ainda pelo que não está fazendo o Atlético. Aliás, o onze da Grande São Paulo não vem fazendo muita coisa há algumas temporadas, enumerando recordes negativos na disputa da última divisão.

A última vitória do alviazul aconteceu em 17 de junho de 2017, há quase dois anos, um 1x0 em cima do afastado Real Cubatense. Desde então, disputou 26 partidas somando dois empates e inacreditáveis 24 derrotas. Se falarmos de jogos fora o negócio complica de vez. Levando em conta pelejas longe de Mogi das Cruzes, o último triunfo foi em 8 de julho de 2012, um 2x1 em cima do Jacareí. Quase SETE ANOS sem uma vitória sequer longe da sua cidade. Poucas equipes no país podem ostentar uma marca desse naipe.


Paulista Futebol Clube - Jundiaí/SP


Clube Atlético Mogi das Cruzes de Futebol Ltda. - Mogi das Cruzes/SP


O quarteto de arbitragem composto pelo árbitro Diego Augusto Fagundes, os assistentes Luis Alexandre Nilsen e Ítalo Magno Andrade e o quarto árbitro José Donizete da Silva posam para a foto junto com os capitães

Dito tudo isso, era claro que o Paulista só não derrotaria seu adversário se acontecesse uma catástrofe. Quando a bola começou a rolar, vimos que a chance dessa catástrofe rolar era nula. Logo com cinco minutos os donos da casa abriram o marcador com o camisa 11 Jeferson. Parecia que a porteira estava aberta... parecia. Os atletas locais não estavam concentrados e tiveram uma atuação abaixo da crítica. Os ataques foram dispersos e os momentos agudos de perigo foram raros. Pelo lado do Atlético, nada de novo. Foram apenas duas chegadas, uma delas em cobrança de falta. No intervalo, a vantagem mínima estava a favor do tricolor.



Detalhe do lance do gol que abriu a vitória do Paulista e a comemoração dos atletas


Mesmo com pouca inspiração, o Paulista atacou bastante no primeiro tempo


Chance do segundo gol jundiaiense pelo alto

Acompanhei a etapa inicial meio zoado já pressentindo que ia rolar uma recaída na minha gripe que peguei no começo da semana e decidi que precisava ficar num lugar tranquilo. Fui até as cabines de imprensa e dali vi as emoções do tempo final. Os garotos do Paulista devem ter tomado uma chamada nos vestiários pois retornaram ao gramado mais ligados e rapidamente marcaram duas vezes com Matheus Favali no primeiro lance e Yan aos seis.

A peleja melhorou muito e o Paulista passou a animar a sua torcida como não tinha feito no primeiro tempo. O panorama dentro de campo foi seguindo dessa forma, já fora, uma dor de cabeça cada vez pior e aquele sempre incômodo mal estar de volta ao cenário. O vento frio misturado com o sol foi determinante para que a febre voltasse forte. Eu queria mesmo que tudo acabasse logo.


Bola viajando dentro da área do Atlético Mogi no começo do segundo tempo


Visão geral do Jaime Cintra com público apenas razoável para outra apresentação na Segundona


Ataque do Galo pela direita no fim da peleja

Perto do crepúsculo do cotejo, o Galo ampliou a vantagem com Jeferson aos 41 minutos. O placar final ficou em Paulista 4-0 Atlético Mogi, outro compromisso invicto do classificado tricolor, que agora soma 23 pontos conquistados em sete vitórias e dois empates. O onze mogiano tem a segunda pior performance da Segundona com apenas um ponto em dez rodadas disputadas (o Elosport conseguiu a proeza de perder todas as suas partidas até aqui).

Saí rapidinho do estádio na companhia do metaleiro Bruno e dali seguimos até a rodoviária da cidade. No ônibus que nos trouxe de volta, aquele papo sempre legal e cheio de informações pertinentes para o dia a dia. De ruim, só que a saúde sumiu de novo e a recaída gripe me derrubou por toda a semana. Por pouco a minha programação para o restante de junho não foi por água abaixo.

Aliás, que programação...

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Paulista 4-0 Atlético Mogi

Competição: Campeonato Paulista da Segunda Divisão; Local: Estádio Doutor Jaime Cintra (Jundiaí); Árbitro: Diego Augusto Fagundes; Público: 695 pagantes; Renda: R$ 9.300,00; Cartões amarelos: Higor (Pau), Vinícius, Mazinho, Egino (Atl); Gols: Jeferson 6 do 1º, Matheus Favali 1, Yan 6 e Jeferson aos 41 do 2º.
Paulista: Matheus Lopes; Victor Emerson, Joaquim, Evandro e Yan (Daniel); Higor, Nenê, Pedro Demarchi (Paulo) e Matheus Favali; Edinan (Carlinhos) e Jeferson. Técnico: Edson Ferreira da Silva.
Atlético Mogi: Luís Felipe; Luciano, Egino, Guilherme (Tiago) e Carlinhos; Mazinho, Stanley (Éverton), Fiori e Natanael; Alleson (Thiaguinho) e Vinícius. Técnico: Walker de Souza.
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