Procure no JP

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

No jogo 3000, goleada magistral do Bernô contra o Linense

Texto e fotos: Fernando Martinez


Chegou o jogo 3000!

Não foi fácil a caminhada e nem achava que alcançaria a histórica marca ainda em 2019, mas ela finalmente veio. Após semanas de incerteza, no meio da semana acabei decidindo que o minha terceira milésima partida seria o duelo entre São Bernardo e Linense, minha volta ao Estádio Primeiro de Maio com o Bernô, pela terceira fase da Copa Paulista.

O primeiro jogo que vi foi em julho de 1983 (Corinthians 3x0 América na campanha alvinegra do bi estadual) e demorou para que eu começasse a me fazer presente nas canchas de forma assídua. Foi a partir de 1999, há exatos 20 anos, que isso aconteceu. O negócio foi ficando cada vez mais sério e em 2004, quando o Jogos Perdidos nasceu, se intensificou.. O #1000 chegou em abril de 2006 - CATS 1x1 Osasco FC pela Segundona - e o #2000 em junho de 2012 - Guarulhos 0x1 Nacional, também pela última divisão do estado -.

Depois dos 2000 cotejos rolou um leve desvio de percurso por causa da Copa do Mundo em 2014, a Copa do Mundo sub-17 em 2015 no Chile e a Olimpíada em 2016. A cabeça foi mudando e a mente se abriu de uma forma que ficou difícil voltar ao normal. Voltei... diferente, mas voltei. Em 2017 enfrentei o maior perrengue da vida e o pior momento só começou a passar de verdade no meio de 2018. O ritmo diminuiu, quase parou, porém segui na luta. As coisas deram uma leve arejada, o cenário pessoal melhorou em junho deste ano e o #3000, algo que parecia tão distante, chegou antes do que eu previa.


6 de outubro de 2019 e 3000 jogos vistos. Não é uma marca qualquer. Definitivamente

Não é fácil ver tanto jogo assim, tanto que apenas duas pessoas que conheço, a dupla Jurandyr e Milton, viu mais. Já entrei em muita roubada, fui ameaçado de agressão por uma massa em Campinas, jurado de morte em Mogi das Cruzes, vi abertura de Copa, final de torneio olímpico masculino e feminino, tomei chuvas absurdas, derreti debaixo de sol escaldante dezenas e dezenas de vezes, vi muitos jogos ruins, vários bons, alguns antológicos. Me fiz presente em 199 estádios de várias cidades espalhadas por nove estados do país além de Chile e Argentina e vi um total de 685 times diferentes. Daria fácil para lançar uns dois ou três livros bem interessantes a respeito.

O mais legal foi ter chegado nesse número com uma apresentação do Bernô no Primeiro de Maio. Minha última vez ali com o Vovô do ABC tinha sido em outubro de 2001, justamente a derradeira apresentação pela falecida Série B2 no revés contra o Monte Azul por 1x0. O JP acompanhou de perto as terríveis campanhas no sub-20 entre 2004 e 2009, a volta ao profissionalismo em 2010, o histórico título do sub-20 em 2011, anos complicados na última divisão entre 2012 e 2016 e o aguardado acesso em 2017.

Também acompanhamos de camarote toda a situação envolvendo o maior palco futebolístico da cidade, os inúmeros problemas com a prefeitura e por consequência com o São Bernardo FC. Desde a fundação do Tigre, em dezembro de 2004, o alvinegro só teve autorização para atuar no Baetão (e olhe lá). Na base do "nada como um dia após o outro" no começo dessa temporada o Cachorrão voltou a mandar seus compromissos na Vila Euclides. No primeiro semestre foram eliminados na primeira fase da Série A3 e acabaram decidindo encher o calendário disputando pela primeira vez a Copa Paulista.


Esporte Clube São Bernardo - São Bernardo do Campo/SP


Clube Atlético Linense - Lins/SP


O árbitro Rodrigo Pires de Oliveira, os assistentes Luis Alexandre Nilsen e Thiago Henrique Alborghetti e os capitães dos times


Gigio Sareto, diretor do Bernô, e Felipinho com a camisa comemorativa pelos 50 jogos do atleta no clube do ABC

Eles passaram até certo ponto de forma tranquila pela primeira fase com a terceira colocação no Grupo 4. Na segunda, terminaram na liderança do Grupo 4, à frente de Ferroviária, Atibaia e Taubaté, três equipes de divisões superiores. Nas duas primeiras rodadas da terceira fase, dois 0x0, em casa contra o XV de Piracicaba e fora contra o Comercial. A missão agora era vencer o lanterna Linense e terminar o turno na zona de classificação. Nada mal para um time da terceirona estadual.

Já tinha visto um São Bernardo x Linense em 15 de abril de 2001, o primeiro jogo em casa do alvinegro na fatídica B2. O Elefante fez 3x0 sem nenhuma dificuldade e ao final daquele certame conquistaram o acesso para a Série B1, iniciando as promoções que os levaram à Série A1 em 2011. O clube interiorano chegou no céu e, 18 anos depois, o caminho deles voltou a cruzar com o Bernô.

Na esteira da minha comemoração pessoal, pude assistir uma senhora partida de futebol, contrariando o péssimo nível do futebol brasileiro em todos os seus torneios na atualidade. Foram muitas chances de gol, bastante disposição, entrega total dos atletas, vários gols e luta durante todo o tempo. Não vi nenhum time nessa edição da Copa Paulista criar tantas oportunidades como o São Bernardo criou nos 90 minutos.

Em apenas seis minutos o onze local já vencia por 2x0 e tinha chegado perto do terceiro. O primeiro tento saiu aos três em cabeçada perfeita de Johnny escorando escanteio da direita. Aos quatro, Felipinho avançou pela esquerda e rolou, mas os avantes chegaram milésimos de segundo atrasados. Aos seis, o mesmo Felipinho, que completou 50 apresentações com a camisa do Bernô, resolveu a parada sozinho driblando o zagueiro e finalizando com precisão da entrada da área.

Os locais continuaram em cima dos visitantes e não os deixavam respirar. Mais duas boas chegadas aconteceram, aos 10 e 15 minutos, antes do primeiro ataque do Elefante aos 18. Aos 19, contando com uma falha da zaga alvinegra, o Linense diminuiu com Bruno Moura fazendo de cabeça. Na sequência, Felipinho quase fez o terceiro aos 28 num lance onde o goleiro Reynaldo salvou a pátria. Giovanni Pavani aos 30 e Johnny aos 31 também chegaram perto de ampliar.

Como quem não faz toma, o Linense conseguiu o empate meio sem querer aos 33 com Fabio Junior - não o cantor, claro -. Sem desespero, quase o São Bernardo passa novamente à frente aos 41 porém o chute de Carlinhos, um tirambaço da esquerda, bateu na trave. O eletrizante tempo inicial terminou com a igualdade em 2x2 e o nível alto. Os comandados de Renato Peixe precisavam acertar o pé na segunda etapa caso quisessem vencer a primeira na terceira fase.


Lance do primeiro gol da manhã, marcado de cabeça por Johnny, 9 do Bernô


Felipinho em grande ataque pela esquerda


O mesmo Felipinho momentos antes de ampliar a vantagem do São Bernardo aos seis do primeiro tempo


Bola viajando dentro da área do Linense


Zagueiro do Elefante cortando cruzamento na área

Quando o árbitro recomeçou o jogo, foi o Linense quem criou o primeiro lance de perigo. Léo Torres fez bela tabela com Pedro e a finalização, apesar da meta desguarnecida, saiu pelo alto. Foi quando os visitantes eram melhores que o São Bernardo passou de novo à frente do marcador. Em falta no bico da área, Bruno Cruz acertou um chutaço e a barreira abriu. A bola passou no meio dos atletas e pegou o goleiro Reynaldo desprevenido, entrando no canto direito.

Os visitantes sentiram o golpe e ficaram alguns minutos perdidos. Aos 15, o árbitro marcou pênalti quando um atleta local foi derrubado dentro da área. Johnny bateu bem e ampliou a vantagem para 4x2. Agora não restava outra alternativa ao Linense senão se mandar ao ataque. Aos 24, Fábio Junior chutou de longe e Junior Souza defendeu bem. No rebote, a pelota foi tocada no segundo pau e Dyogenes finalizou na trave. O arqueiro do Cachorrão também foi responsável pelo maior milagre da manhã aos 32 quando defendeu um tiro á queima-roupa de Léo Torres na pequena área.


Bola estufando a rede visitante no terceiro gol do onze do ABC


Felipinho se desvencilhando da marcação dura dos defensores do Linense


Johnny em outra chance perigosa no segundo tempo


Aos 16, o camisa 9 do Bernô fez o quarto tento de pênalti, o segundo dele na partida


O triunfo deixou o Bernô em situação muito boa pensando na vaga na semi-final da Copa Paulista

Conforme o fim da peleja ia se aproximando, o ânimo do Linense ia sumindo. Nessas, dando uma aula de contra-ataque, a equipe do ABC fechou a goleada aos 45 minutos com o terceiro tento do camisa 9 Johnny. Um grande "hat trick" de um dos atletas preferidos (!) da torcida do Bernô. A festa dos presentes foi enorme. Entre os pagantes, Renato Rocha, o amigo-abelha, Ricardo Pucci e a dupla Pedro Faian e Thiago Teixeira, os quatro sem dúvida abrilhantando a minha comemoração pessoal.

O placar final de São Bernardo 5-2 Linense coroou o meu jogo de número 3000 de forma antológica, pois foi o melhor que vi em 2019. O triunfo do alvinegro também foi o primeiro nessa fase e pensar na classificação é algo bastante palpável. Se vencerem o próximo compromisso - contra o mesmo Linense fora de casa - a classificação vai ficar perto. Já disse e repito: é muito bom ver o Bernô em grande forma!

Foi isso. Voltei à capital de boa e sem pressa, feliz por ter chegado numa marca que poucos podem se orgulhar ao redor do mundo. Agora a meta é tentar ver 4000 jogos até o jubileu de ouro em 2026. É uma previsão ousada, mas bem possível de acontecer. Enquanto tiver saúde e ânimo, o show não vai parar.

Até a próxima!

_________________________

Ficha Técnica: São Bernardo 5-2 Linense

Competição: Copa Paulista; Local: Estádio Primeiro de Maio (São Bernardo do Campo); Árbitro: Rodrigo Pires de Oliveira; Público: 139 pagantes; Renda: R$ 795,00; Cartões amarelos: Wesley, Bruno Cruz, Mariano (Sao), Taira, Bruno Moura, Lucas Ybon, Patrick, Dyogenes, Fabio Junior (Lin); Gols: Johnny 3, Felipinho 6, Bruno Moura 18 e Fabio Junior 33 do 1º, Bruno Cruz 6, Johnny (pênalti) 16 e 44 do 2º.
São Bernardo: Junior Souza; Gabriel Souza, Dema, Marcelo e Carlinhos (Messias); Wesley, Bruno Cruz, Vinicius Barba e Giovanni Pavani (Mariano); Johnny e Felipinho (Ruhan). Técnico: Renato Peixe.
Linense: Reynaldo; Bruno Moura (Diego), Patrick, Fabio Junior e Taira; Balestra (Dyogenes), Léo Torres, Pedro e Gustavo (Valdir); Matheus Araújo e Thiago. Técnico: José Donizete.
_____________

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Na Javari, Corinthians vira em cima do Juventus pelo sub-17

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechando a rodada dupla do sábado cedo nos estaduais de base, a segunda peleja no Estádio Conde Rodolfo Crespi foi o tradicionalíssimo encontro entre Juventus e Corinthians, pela penúltima rodada do Grupo 22 do Campeonato Paulista sub-17 na sua terceira fase. Uma tarefa complicadíssima para o onze grená, já que os mosqueteiros são os atuais vice-campeões do Brasileiro da categoria. O confronto paulistano foi o jogo número #2999 da minha lista.

Essa foi a 50ª rodada dupla de sub-15/sub-17 que acompanhei em todos os tempos, a primeira na Rua Javari desde o já longínquo 2012, um absurdo. Como contei no post da preliminar, depois da Copa do Mundo e da Olimpíada a cabeça mudou e as prioridades futebolísticas também, tanto que essa foi apenas a quarta jornada com duas partidas de uma vez desde o mundial. Vamos ver se no ano que vem me animo um pouco mais.


Clube Atlético Juventus (sub-17) - São Paulo/SP


Sport Club Corinthians Paulista (sub-17) - São Paulo/SP


Capitães das duas equipes junto com o quarteto de arbitragem

Após a realização da quarta rodada da terceira fase, a chave tinha Corinthians e Ituano com sete pontos e Red Bull e Juventus com quatro. O time da casa precisava vencer, pois uma eventual derrota poderia significar a eliminação precoce dependendo do resultado do outro duelo da chave. Com seis atletas que estavam na decisão do nacional sub-17 em agosto em campo, o time de Parque São Jorge era o óbvio favorito.

Só que o favoritismo corintiano não se confirmou e a peleja foi mais complicada do que se poderia esperar. Sob um fortíssimo calor, os atletas fizeram um duelo equilibrado durante toda a etapa inicial. O legal é que a parte coberta da Javari estava cheia e o clima era de uma decisão. Entre os presentes, a dupla Bruno e Milton Haddad.

Os primeiros 40 minutos foram embolados e, mesmo sem apresentar um futebol convincente, o Corinthians teve o melhor momento para abrir o placar. Foi quando Rodrigo Varanda recebeu uma bola espirrada da direita e mandou um tiro à queima-roupa da pequena área no último minuto. Matheus Bereta, o camisa 1 local, fez um milagre de grandes proporções e evitou que os visitantes ficassem em vantagem na saída para os vestiários.


Avante corintiano chegando atrasado em bola que passeou sem dono dentro da área grená


Bola alçada dentro da área juventina


Disputa pelo alto no meio-campo

Por conta da alta temperatura achei que as equipes voltariam ao gramado mostrando um cansaço maior e que a etapa final fosse menos animada. O ritmo começou tranquilo e as agremiações aos poucos passaram a ser mais incisivas. O Juventus se mostrava um adversário de respeito quando, aos 21 minutos, abriu o marcador com um tento antológico. Num escanteio curto - milagre - Isaías recebeu e mandou na área. Gabriel Masson tocou e Igor Rafael aproveitou a sobra com uma belíssima bicicleta que encobriu Davi e morreu dentro da rede. Fazia uma eternidade que não via um gol de assim in loco.

O espetacular gol sofrido acordou o escrete mosqueteiro. Aos 25 Riquelme recebeu próximo da pequena área, driblou o zagueiro e chutou pelo alto. Aos 30, a zaga grená vacilou monstro e deu a bola de presente ao ataque adversário. A pelota foi lançada na esquerda e tocada para Caué no meio da área. Ele, com uma sutil finalização, deixou tudo igual. O empate não era ruim para o Juventus, porém o Timão não quis dar sopa pro azar e dançou o vira aos 38 minutos. Em escanteio da esquerda, a cobrança foi até o segundo pau. O camisa 4 Bryan cabeceou no meio da área e Belezi, com um leve desvio, colocou no canto direito. Um duro castigo aos grenás praticamente no último lance. Nos acréscimos, com a zaga desmanchada, por pouco os locais não sofreram o terceiro.


O camisa 4 Bryan escorando a pelota no que seria o segundo gol corintiano na partida


Outra dividida pelo alto perto do círculo central


O Juventus perdeu a chance de ficar mais perto das quartas ao sofrer a virada

O resultado final de Juventus 1-2 Corinthians, somado com o empate entre Red Bull e Ituano, eliminou o clube da Mooca do Paulista sub-17 com uma rodada de antecedência. De qualquer forma temos que aplaudir a campanha juventina, a melhor desde 2009. O Moleque Travesso foi bem no sub-15, no sub-17 e no sub-20, algo que não acontecia desde 2001. Apesar das eliminações e derrotas no sábado, todos os envolvidos merecem os parabéns. O Corinthians se garantiu nas quartas e vai em busca do título que não chega desde 2013.

Já estava no esquema zumbi e nem sabia direito meu nome quando a rodada dupla acabou. Pensei em emplacar o jogo #3000 também na Rua Javari na parte da tarde, mas não deu. Ele acabou ficando para o domingo de manhã. Quebrei um tabu de 18 anos com dois preferidos da casa naquela que foi a melhor partida que acompanhei em 2019 até aqui.

Até lá!

_________________________

Ficha Técnica: Juventus 1-2 Corinthians

Competição: Campeonato Paulista sub-17; Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi (São Paulo); Árbitro: Gustavo Holanda Souza; Público e renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Athyrson, Igor Ryan, Cadu (Juv), Belezi, Thalisson (Cor); Gols: Igor Rafael 21, Cauê 30 e Belezi 38 do 2º.
Juventus: Matheus Bereta; Lucas Daniel, Igor Ryan, Marcos Vinicius e Isaías; Gabriel Oliveira, Dudu, Gabriel Masson e Athyrson (João Victor); Cadu e Igor Rafael (Guilherme Magalhães). Técnico: Luiz Antônio.
Corinthians: Davi; Julio, João Pedro (Danilo), Bryan e Arthur Neves; Belezi, Wendell, Riquelme e Rodrigo Varanda; Cauê (Thalisson) e David (Keven). Técnico: Gustavo Almeida.
_____________

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Juventus perde da Ponte e agora depende de milagre no sub-15

Texto e fotos: Fernando Martinez


No último final de semana chegou a hora de dar aquele sprint final em busca do jogo #3000. Como não fui na rodada do sub-20 de sexta-feira, fui obrigado a alterar os planos do sábado e emendar uma rodada dupla bem cedo no Estádio Conde Rodolfo Crespi. A peleja que abriu a jornada foi o encontro entre Juventus e Ponte Preta. O duelo foi válido pela penúltima rodada do Grupo 22 da terceira fase do Campeonato Paulista sub-15. Esse foi o jogo #2998 da minha lista.

O antigo certame infantil foi figurinha carimbada no JP nos nossos primeiros anos mas praticamente desapareceu nas últimas temporadas. Cortesia da saudosa Copa do Mundo e das prioridades que mudaram depois que vi a maior competição do planeta in loco. Acordar cedíssimo na manhã dos sábados passou a ser uma tarefa quase impossível de realizar. Desde que a final do Mundial, esse Juventus x Ponte foi apenas o quarto cotejo válido pelo sub-15 que contou com a minha presença. Para efeito de comparação, de 2004 a 2011 foram quarenta coberturas do sub-15 nas nossas páginas, de 2012 a 2019, apenas doze.

Saí do trabalho no começo da manhã e nem descansei direito. Não podia vacilar, caso contrário, a programação da partida #3000 estaria comprometida. Cheguei cedo na Rua Javari e logo vi que a dupla Bruno e Milton, o grande comunista da Aclimação, estaria presente. Uma boa notícia, pois se estivesse sozinho a chance de dormir seria bem maior. Fiz as fotos oficiais na boa e, graças ao insuportável calor que já incomodava bastante, não fiquei um minuto sequer no gramado. Me postei, claro, debaixo da sombra das sociais.


Clube Atlético Juventus (sub-15) - São Paulo/SP


Associação Atlética Ponte Preta (sub-15) - Campinas/SP


Capitães de Juventus e Ponte junto com o quarteto de arbitragem

A peleja era crucial para as pretensões grenás. Um triunfo garantiria a equipe entre os oito melhores do campeonato, algo que não acontecia desde 2001. Aliás, foi justamente em 2001 a última vez que o sub-15 e o sub-17 (e também o sub-20) foram simultaneamente tão bem nos estaduais de base. Apesar de todas as dificuldades, o trabalho na Mooca foi muito bem feito em 2019. Como a Macaca era a lanterna da chave e ainda não tinha vencido nas quatro primeiras rodadas, a missão paulistana parecia não ser das mais difíceis.

Quando o árbitro deu início ao confronto, o clube da casa foi com tudo para cima da equipe visitante e criou três ótimos momentos antes dos dez primeiros minutos. Primeiro foi Lucas Nascimento que chutou de longe com poucos segundos e Lucas fez boa defesa. Aos três, Gabriel Santos finalizou da direita com perigo. Aos dez, em cobrança de falta ensaiada, o mesmo Gabriel mandou de longe e quase fez. Só dava Juventus.

A Ponte não conseguia sair do campo de defesa e só se aventurou no setor ofensivo aos 17 minutos. O grande problema foi que o goleiro grená Jonathan vacilou e os campineiros abriram a contagem. Em investida pelo meio, Willian recebeu e chutou fraco. O camisa 1 local tentou fazer a defesa e a pelota passou entre seus braços. Na saída de bola Gabriel Santos viu o goleiro ponte pretano adiantado e tentou do meio-campo. Ela passou perto da meta.


O Juventus entrou em campo precisando de uma vitória simples para conquistar a vaga nas quartas de final


Um dos vários momentos bons a favor do onze local no começo da peleja


Lucas fazendo a defesa em bola alçada na área da Ponte

O Moleque Travesso continuou melhor sem se importar com o gol sofrido. É, só que aos 26, no segundo lance perigoso da Ponte, o placar foi ampliado. Num escanteio da esquerda cobrado por baixo, a bola foi tocada no primeiro pau e Moreira, entre os zagueiros paulistanos, completou. A situação juventina se complicou bem e aos 32 minutos Lucas fez milagre em chute cruzado do atacante Lucas Nascimento. Se sai o tento grená nesse chute a história do tempo final seria diferente.

Com 2x0 contra, o Juventus se afobou durante a segunda etapa e mesmo tendo maior posse, se enervou. A Macaca ficou de boa, se segurando bem e deixando o relógio correr. Aos 32 Gabriel Santos quase marca quando completou cruzamento da esquerda e a zaga salvou em cima da linha. Somente aos 36 os grenás diminuíram com uma cabeçada precisa de Paulo Guilherme. Faltando cerca de três minutos, a ideia era rolar aquela pressão derradeira. É, porém no afã de buscar o empate, os locais deixaram um buraco monstro na zaga. Aos 37 Vítor Hugo armou um belo contra-ataque e tocou na esquerda. Moreira recebeu, invadiu a área e mandou no canto esquerdo de Jonathan, fechando o marcador.


Nos acréscimos do tempo final, o Juventus diminuiu. Por alguns segundos, voltou a esperança



Na saída de bola, Miranda fez o terceiro da Ponte e enterrou as esperanças grenás. Na segunda imagem, a comemoração dos atletas campineiros

O resultado final de Juventus 1-3 Ponte Preta foi um balde de água fria nas pretensões do Moleque Travesso no torneio. Agora o escrete grená precisa vencer o São Paulo e seus 100% de aproveitamento em Cotia e torcer para a Macaca não derrotar o Comercial como mandante. Se o Comercial ganhar, um empate garante o time paulistano. Certamente é uma missão bastante complicada, praticamente impossível de acontecer. Não é exagero afirmar que a vaga virou pó com uma rodada de antecedência.

Saiu de campo um alvinegro e entrou outro no duelo de fundo. Se a situação do sub-15 era confortável antes da jornada, a do sub-17 era barra pesada.

Até lá!

_________________________

Ficha Técnica: Juventus 1-3 Ponte Preta

Competição: Campeonato Paulista sub-15; Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi (São Paulo); Árbitro: Michel de Camargo; Público e renda: Portões abertos; Gols: Willian (pênalti) 17 e Moreira 26 do 1º, Paulo Guilherme 36 e Moreira 37 do 2º.
Juventus: Jonathan; Cauan, Victor Kauan, Victor Habermann e Luiz Eduardo; Guilherme Dobarro, Lucas Nascimento (Gabriel Braga), Victor Coelho (Paulo Guilherme) e Gabriel Santos (Diego Sano); Matheus Gil e William (Kauã). Técnico: Wellington Miranda.
Ponte Preta: Lucas; João Victor, Jefferson, Moreira e Gabriel (Kayke); Lukinha, Matheus (Huadson), Caetano (Lucas Santos) e Vitor Hugo (Ênio); Willian (Pedro Henrique) e Marcelo Braz (Pedro Santos). Técnico: Jean Carlo Leite.
_____________

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Palmeiras campeão da Copa do Brasil sub-17 2019

Texto e fotos: Fernando Martinez


Seguindo na rota do jogo #3000 na tarde de quarta-feira coloquei uma nova final no currículo. Fui ao quase destruído Estádio Paulo Machado de Carvalho ver de perto a grande decisão da Copa do Brasil sub-17 com direito ao clássico paulista entre Palmeiras e São Paulo. Foi a primeira vez que vi um choque-rei, independente da categoria, in loco.

Essa foi a sétima edição da competição, criada em 2012 pela CBF e reorganizada em 2019. Até a temporada passada disputavam os 20 clubes da Série A e mais doze da B. Neste ano o torneio passou a ser disputado por todos os campeões estaduais da categoria e os cinco vice-campeões das federações melhores ranqueadas. Os finalistas também decidiram o Paulista sub-17 em 2018 e o Palmeiras foi campeão com duas vitórias.

Se o verde é o atual detentor do título do estado, o São Paulo chegou à decisão tendo uma incrível campanha com 100% de aproveitamento. Foram oito partidas, oito vitórias e 22 gols marcados. O Palmeiras não estava invicto, mas foi responsável pela maior goleada do certame, um absurdo 11x2 em cima do Náutico na segunda fase. O antigo Palestra somou seis triunfos e duas derrotas. No duelo de ida, o tricolor chegou a abrir 3x1 e sofreu o segundo no finalzinho. Mesmo assim, o 3x2 o credenciou a jogar precisando apenas de um empate. Vitória palmeirense por um gol levaria a decisão aos pênaltis, por dois, os fariam campeões.

O calor que fez na quarta-feira foi absurdo. Por muito pouco não desisti da jornada pensando em ficar de boa - naquelas - até a hora de seguir ao trabalho. De última hora resolvi encarar o bafo e a força do astro-rei e me mandei até o Pacaembu, aproveitando o fato de que esse pode ter sido um dos últimos jogos ali antes da reforma que vai mudar a cara da tradicional cancha. Desci na Estação Paulista do metrô e em cerca de quinze minutos, completamente derretido, já estava no gramado para captar os instantâneos oficiais.


Sociedade Esportiva Palmeiras (sub-17) - São Paulo/SP


São Paulo Futebol Clube (sub-17) - São Paulo/SP


Capitães dos times junto com o quarteto de arbitragem paulista formado pelo árbitro Douglas Marques das Flores, os assistentes Evandro de Melo Lima e Luiz Alberto Andrini Nogueira e o quarto árbitro Thiago Lourenço de Mattos

Por precisar do resultado, imaginei que o Palmeiras iria atacar desde o começo, logo, fiquei acompanhando o ataque verde no tempo inicial. Não me arrependi, pois o onze "local" foi senhor absoluto da partida. O São Paulo simplesmente não entrou em campo e tomou um verdadeiro vareio. Já no terceiro minuto pintou o primeiro grande momento quando Ruan Ribeiro acertou a trave de Young.

Aos oito o marcador foi aberto. Gabriel Veron aproveitou um presentaço do escrete são-paulino, avançou, deu um drible maravilhoso em Guilherme e chutou forte no canto direito. Um golaço que deixou tudo igual no "jogo de 180 minutos". Só que o Palmeiras não estava satisfeito e continuou atacando sem piedade. Aos 15, quase Ruan Ribeiro faz o segundo de cabeça.

O tricolor tentou atacar, porém seus atacantes estavam travados além da conta e erraram muitos passes. Na boa e bem mais inspirados, os avantes da casa deram um enorme trabalho à zaga visitante. A peleja foi seguindo nesse panorama e a única oportunidade real a favor dos são-paulinos aconteceu aos 40 em chute de longe de Léo que passou próximo da trave direita.

Não querendo se complicar, três minutos depois Gabriel Silva recebeu na intermediária e arriscou. Young até tentou, mas não teve como fazer a defesa. Antes do intervalo chegar o Palmeiras já fazia o resultado que lhe dava o título. Por motivos óbvios pensei que o São Paulo iria atacar o tempo todo na etapa final tentando pelo menos levar a decisão aos pênaltis.


Vanderlan (11) cabeceando em direção ao gol do São Paulo


Bom ataque palmeirense pela direita


Disputa de bola pelo alto no meio de campo


Visão geral de uma quente tarde na capital com detalhe especial para o tobogã, provavelmente vivendo seus últimos dias



Gabriel Silva comemorando seu gol, o segundo do verde, com a torcida presente no Pacaembu

Fiquei do mesmo lado do campo pensando em ver boas chegadas do time que tinha vencido todos os seus compromissos no torneio até então. Bom, eles até chegaram, mas praticamente com nenhum perigo efetivo. Foi aquele chove-não-molha clássico, com todo mundo ciscando e não fazendo nada de objetivo. Para piorar, o Palmeiras assustava bem nos contra-ataques.

A única chance realmente importante saiu aos 42 minutos. Em falta na direita, a bola foi levantada na área e Pablo, sozinho, tocou de cabeça. A pelota passou perto da trave esquerda. Era o gol que colocaria a final na marca de cal. Se não entrou nesse lance, todos tiveram a certeza que não entraria mais. O resultado de Palmeiras 2-0 São Paulo deu o segundo título da Copa do Brasil sub-17 ao alviverde (o primeiro foi em 2017, também no Pacaembu, contra o Corinthians e com direito a cobertura do JP). Conquista que merece todos os méritos. Ao tricolor, o amargo gosto do vice, outra vez contra o grande rival.


No tempo final o São Paulo não conseguiu fazer a pressão necessária para pelo menos levar a decisão aos pênaltis


Escanteio a favor do time do Morumbi na direita do ataque



Duas investidas aéreas a favor do escrete tricolor

Após a comemoração foi a hora da entrega das medalhas e do troféu. O destaque ficou por conta do desânimo completo dos aspones da CBF que estavam cumprimentando os atletas. Pareciam que eles estavam quebrando pedras debaixo do sol do meio-dia, tamanha a má vontade que tiveram no palco. Se me pagarem metade do salário deles, prometo que faço com muito mais animação e alegria. Também vale registrar o número de lives nas redes sociais feitos pelos jogadores verdes. Haja 3G para o enorme número de postagens por minuto.


A comemoração palmeirense pela conquista do bi da Copa do Brasil sub-17


O óbvio abatimento são-paulino no pódio contagiou a rapaziada da CBF no palco. Ô povo desanimado



A festa pela conquista alviverde no gramado do Pacaembu

Fiquei um bom tempo ali captando a alegria imensa do clube paulistano e depois de bons minutos conversando com os amigos presentes peguei o caminho da roça. Esse foi o jogo #2997 da minha lista e com certeza o #3000 vai sair no próximo final de semana. Resta saber qual será, já que ainda não tenho a menor ideia de qual peleja terá essa honra.

Até a próxima!

_________________________

Ficha Técnica: Palmeiras 2-0 São Paulo

Competição: Copa do Brasil sub-17; Local: Estádio Paulo Machado de Carvalho (São Paulo); Árbitro: Douglas Marques das Flores (SP); Público: 1.559 presentes; Renda: Portões abertos; Cartões amarelos: Henri (Pal), Theo, Pablo (Sao); Gols: Veron 8 e Gabriel Silva 44 do 1º.
Palmeiras: Bruno Carcaioli; Garcia, Henri, Jonathan e Renan; Naves (Daniel Alves), Vitinho, Ruan Ribeiro (Marcelinho), Vanderlan (Bruno Menezes) e Veron (Miticov); Gabriel Silva (Daniel Melo). Técnico: Artur Itiro.
São Paulo: Young; Flávio (Nathan), Guilherme (Cachoeira), Luizão e Gabriel (Patrick); Pablo, Léo (Theo) e Pedrinho; Pagé (João Adriano), Marquinhos e Talles Wander (Cauê). Técnico: Rafael Paiva.
_____________