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terça-feira, 21 de junho de 2016

Jogo fraco e placar em branco para Audax e Espírito Santo

Texto e fotos: Fernando Martinez


O último final de semana foi bastante complicado e para variar um pouco, o futebol ajudou a segurar a onda com uma sessão vespertina no domingo com direito a time novo na Lista. Pelo Campeonato Brasileiro da Série D, um duelo de vice-campeões estaduais em Osasco: Audax e Espírito Santo FC, esse o 634º time que vi em todos os tempos.

A CBF teve um acerto e um erro absurdo na hora de organizar a última divisão do nacional nesse ano. Acertou em aumentar o número de participantes - 40 para 68 - mas errou em alterar a fórmula. De longe esse é o pior formato para um campeonato, afinal, os times estão divididos em 17 chaves com quatro clubes cada aonde apenas dois se classificam. Ou seja, vários deles disputarão apenas seis jogos (!) em 45 dias, algo estúpido demais numa época em que todos clamam por um calendário mais decente.


Grêmio Osasco Audax Esporte Clube - Osasco/SP


Espírito Santo Futebol Clube - Vitória/ES


O árbitro catarinense Eduardo Cordeiro Guimarães, os assistentes paulistas Ricardo Pavanelli Lanutto e Luiz Alberto Nogueira e o quarto árbitro também paulista Rodrigo Gomes Domingues posam junto aos capitães dos times

O grupo A13 também conta com Caldense e Boavista e na rodada inicial o onze paulista empatou fora de casa contra o Verdão de Saquarema e o Santão perdeu para a Veterana. Não esperava muito para a peleja, ainda mais sabendo que aquele Audax vice-campeão paulista não existe mais. As expectativas se confirmaram e a partida foi bastante abaixo da média.

O time osasquense teve a rigor duas boas oportunidades de gol no tempo inicial. A primeira com Léo Bahia em belíssima cobrança de falta que teve defesa difícil de Alan Faria e a segunda em bola que tirou tinta da trave esquerda. Após esses lances, o jogo ficou embolado no meio de campo e sem nenhuma emoção.


Bola que tirou tinta da trave de Alan Faria


Agora o arqueiro capixaba fazendo bela defesa e impedindo o primeiro gol do Audax no certame


Ataque osasquense pela direita

No tempo final o Espírito Santo melhorou e chegou perto da vitória com Joabe acertando a trave em cobrança de falta. O Audax nada fez, só que no último lance da tarde/noite teve a chance de ouro de conquistar sua primeira vitória com um lance pela direita, que terminou com uma péssima finalização mesmo com o goleiro capixaba batido.


Momento para ginástica dentro da área do Espírito Santo


Ataque aéreo a favor dos locais


O melhor lance do tempo final foi a aparição da lua... sem dúvida nenhuma

No fim, o marcador ficou em Audax 0-0 Espírito Santo, um resultado ruim para os paulistas, que permanecem sem vencer na competição e sem marcarem nenhum gol. O próximo compromisso da equipe será no próximo final de semana contra a Caldense fora de casa. Além disso, foi minha nona partida com placar em branco até aqui em 2016, um recorde negativo.

Como a vida tem sido complicada por essas bandas, nada melhor do que esfriar a mufla com aquele sempre bem vindo Dia do Gordo com a rapaziada que foi ao Liberatti depois do futebol. Ficamos um bom tempo num shopping da região com aquela confraternização marota de sempre. Faz um bem imensurável.

Até a próxima!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Jogo épico na Javari e mais uma vitória do Barcelona na Segundona

Texto e fotos: Fernando Martinez


A atual temporada do futebol brasileiro está pífia. Fato. Vi uma série de jogos ruins e minha média de gols é a pior desse século. Com tanta ruindade rolando por aí, foi um presente divino ter tido o privilégio de assistir o confronto entre Barcelona e CA Lemense, válido pela 8ª rodada do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, no Estádio Conde Rodolfo Crespi, no último domingo.

O Elefante tem um time muito superior ao de 2015 e apostava na fase invicta para tentar emplacar novo triunfo, agora contra o vice-líder do Grupo 3 antes da rodada. O CAL teve um início avassalador com três vitórias consecutivas - a primeira delas num 5x0 contra o próprio Barcelona - mas nos últimos quatro confrontos venceu apenas um deles. Uma derrota embolaria demais a luta pelas vagas da chave na próxima fase.


Barcelona Esportivo Capela Ltda - São Paulo/SP


Clube Atlético Lemense - Leme/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Thiago Luis Scarascati e os assistentes Mauro André de Freitas e Marcela de Almeida Silva

Mesmo com uma chuva que não parou de cair desde a sexta-feira, não tive problemas para ir até a Rua Javari. São Pedro deu uma trégua no caminho de casa até o estádio, porém bastou eu entrar no gramado e o dilúvio voltou com tudo, deixando eu e meu guarda-chuva furado em apuros para captar as fotos oficiais.

O gramado claramente estava bem prejudicado, só que isso não atrapalhou o jogo em si. A peleja foi simplesmente sensacional, cheia de alternativas e emoção para todos os gostos. Os 151 torcedores que pagaram ingresso viram uma grande exibição do onze local, certamente a melhor desde que o time voltou ao profissionalismo na temporada passada.

A melhor campanha do Lemense - atuando com uma bela camisa laranja - não entrou em campo, pois o Barcelona iniciou os trabalhos bastante empolgado, tendo mais posse de bola e chegando mais vezes perto da área. Infelizmente para a animada torcida local o último toque era falho. O CAL não conseguiu mostrar um futebol de encher os olhos, mas mesmo assim inaugurou o placar no primeiro ataque perigoso realizado aos 29 minutos. James fez o gol em chute de longe que entrou no canto.

O Elefante continuou um pouco melhor e chegou ao esperado empate aos 37. Numa falta na intermediária, a bola foi alçada na área pelo camisa 8 Diego. A zaga deixou para o arqueiro e o arqueiro deixou para a zaga. Resultado: a pelota entrou direto no gol. Debaixo da insistente chuva o primeiro tempo terminou com o 1x1 estampado no placar não-eletrônico na Javari.


Jefferson cortando cruzamento dentro da área do Lemense


De longe, detalhe do gol de empate do Barcelona, marcado por Diego


Zaga do time visitante se livrando da pelota sob forte marcação

No tempo final o dilúvio deu uma parada e o jogo ficou ainda melhor. O Barcelona criou boas chances e continuava tentando acertar o último toque quando o Lemense fez o segundo. Numa bola levantada na área pela direita, um atleta do CAL resvalou na pelota e um dos zagueiros acabou tocando de leve na sequência, atrapalhando o arqueiro Alisson.

O gol foi injusto com o que acontecia em campo, porém o escrete paulistano precisava ajeitar as finalizações caso quisesse melhor sorte. Além disso, o Lemense teve a oportunidade de fechar a fatura num lance aonde o imenso lamaçal de dentro da área serviu como zagueiro. Se tivesse tempo seco, fatalmente o terceiro teria saído.

E se não teve como acertar os chutes, a questão para o escrete local foi resolvida com a cabeça. Eram decorridos 27 minutos quando o Barcelona armou um ataque pela esquerda. A bola foi levantada na pequena área e Thiago apareceu livre entre os zagueiros para colocar no canto direito de Jefferson.

O novo empate deixou a partida mais dramática. Sentindo o bom momento, os locais encurralaram os atletas da Lemense para o campo de defesa e o que se viu foi uma série de investidas perigosas a favor do clube da Zona Sul. Teve gol perdido na frente da meta e também defesa difícil de Jefferson até que uma falta na entrada foi marcada quase em cima da linha da grande área.

Dois atletas do Barcelona se posicionaram para a cobrança, que por fim ficou a cargo de Gabriel Alves. Ele bateu de forma primorosa, colocando a pelota no ângulo esquerdo de Jefferson. O arqueiro ainda tocou na bola só que não teve como impedir a espetacular virada. A comemoração foi alucinante, e infelizmente o artilheiro foi expulso por ter ido comemorar no alambrado e tomado o segundo cartão amarelo. É regra, eu sei, mas não existe nada mais cretino no futebol atual do que isso.


Marcação firme do time local no tempo final


Meio desfocado, Thiago deixa tudo igual aos 27 do tempo final. Era o segundo do Barcelona



Gabriel Alves virou o placar para a equipe paulistana em belíssima cobrança de falta. A emocionada comemoração valeu o segundo cartão amarelo para o camisa 18


O Lemense tentou, sem sucesso, o novo empate nos minutos finais

Os minutos restantes foram de blitz do CAL e felizmente para os locais não aconteceu novo empate. O placar final de Barcelona 3-2 CA Lemense foi histórico para o time paulistano em vários sentidos. Esse foi o terceiro triunfo seguido em casa, algo que havia acontecido apenas uma vez na história do time, em 2004. O time não marcava mais de dois gols como mandante desde abril de 2007. Os onze pontos conquistados até aqui superam as campanhas de 2009 e 2015, as duas últimas no profissionalismo. Além de tudo isso, a vitória aproximou o time no G4 e agora o quarto colocado está a dois pontos de distância. Quem sabe o Elefante não belisca um lugarzinho na segunda fase?

O mais importante a respeito da grande sessão de futebol é que mais uma vez aqueles que dizem que só assistimos "jogos ruins" realmente não manjam absolutamente nada do lance. Esses figuras e os que acham que futebol se resume aos doze grandes deveriam ser obrigados a assistirem a peleja na íntegra várias vezes seguidas. Quem sabe assim acabariam com esse preconceito idiota com os times e torneios que não são "de ponta".

Até a próxima!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

JP na Argentina #9 (Parte 1 de 9): El Cartero versus Gallo pela Primera B

Texto e fotos: Fernando Martinez


Todo mundo que acompanha futebol de verdade, aquele longe do foco da "mídia especializada", sabe que o Brasil não é o país do futebol... fato. Difícil saber quem pode ter essa honra, mas entre todos os candidatos a esse troféu com certeza a Argentina é postulante forte ao primeiro posto. No último mês de abril, sete anos após minha primeira visita a Buenos Aires, peguei meu passaporte e armei minha segunda viagem ao nosso vizinho.

Tudo bem, confesso que o motivo principal da minha ida dessa vez nem foi o futebol em si, porém isso não vem ao caso num blog que fala somente sobre futebol. O que importa é que mesmo com a agenda apertada consegui armar um cronograma monstro e bati cartão num total de nove pelejas, além de um em Montevidéu, na primeira incursão do JP em terras uruguaias em todos os tempos. Seriam muito mais partidas, só que um tornado mudou todos os planos (isso será contado em detalhes em breve).

Saí de São Paulo na tarde do dia 8 de abril com 32 graus na moleira e o tempo extremamente seco. Cheguei na capital argentina no meio da noite com uma temperatura de 12 graus e chuva fina, um presente divino. Desembarquei sem problemas e peguei um dos baratos táxis da capital federal. Não demorou para chegar no meu QG, localizado em frente ao Obelisco, coração da cidade.

Mesmo bastante cansado eu resolvi dar uma volta pelo centro para matar minha saudade dali. Olha, o lugar parece estar mais legal hoje do que estava em 2009. Por ser uma sexta-feira, os restaurantes estavam cheios, assim como livrarias, sebos, lojas de discos e os vários teatros que ficam na Avenida Corrientes, mesmo madrugada dentro. Respirei esse ar sensacional por algumas horas e então voltei ao hotel para minha primeira noite fora de casa.


Visão absolutamente sensacional da janela do quarto aonde me hospedei no centro de Buenos Aires. A primeira parte da viagem teve essa vista

A ideia era fazer uma rodada dupla no sábado, mas no fim acabou rolando de assistir "apenas" uma partida só. "Apenas" com as aspas pois é claro que não dá para reclamar de ter feito a reestreia portenha com o confronto entre o sensacional Club Comunicaciones e o genial Club Deportivo Morón na cancha do primeiro, o Estadio Alfredo Ramos. A peleja foi válida pela 10ª rodada do Campeonato de Primera B, a terceira divisão nacional.

As cinco divisões do Argentino realizadas nesse primeiro semestre são bastante peculiares. Todos estão sendo chamados de "campeonatos de transição", pois terminarão agora em junho. Isso porquê a AFA irá realinhar seu calendário com o calendário europeu a partir de agosto. Os vinte times participantes jogam entre si em turno e o campeão subirá para a Primera B Nacional.


Escudos de Comunicaciones e do Deportivo Morón, adversários na primeira partida na edição 2016 da série "JP na Argentina"

A casa do Comu fica na Zona Norte da cidade, a dez quilômetros de distância do Obelisco. Chegar ali de transporte público é a maior moleza, já que a Estaçao Francisco Beiró, que faz parte da Linha Urquiza dos "Ferrocarriles" locais, fica a menos de mil metros dali. Como eu estava um pouco atrasado, fui de táxi e gastei cerca de 100 pesos, ou 25 reais, para chegar lá.

O time do bairro de Agronomía foi fundado em 1931 por empregados dos correios como Club Atlético Correos y Telégrafos. Em 1953 o nome foi alterado para Club Comunicaciones. No mesmo ano, a agremiação recebeu do presidente Perón um enorme terreno de 16 hectares para a utilização como um clube social.

O número de instalações esportivas ali é enorme. O local tem, além do estádio, vários campos de treino, ginásio, restaurante, quadras de tênis, campo de rugby e até uma faculdade. Juro que não imaginava que a infra-estrutura tão imponente assim. O lugar é tão imenso que demorei alguns minutos para encontrar o portão de entrada. Na acanhada bilheteria comprei meu ingresso para a "platea" no calor de 200 pesos - equivalente a pouco menos de 50 reais, salgado para nossos padrões - e logo fui para o meu lugar.

Na internet há a informação que a capacidade do Alfredo Ramos é de 3.500 pessoas, porém aparentemente não é bem assim. O estádio tem arquibancada apenas em uma das laterais e mesmo que apertassem bem, não caberia esse número de pessoas nem em sonho. Tanto é assim que as dependências estavam cheias de "hinchas" dos dois clubes e o público oficial foi de 300 pagantes. Isso não muda o fato que o local é muito aconchegante e ótimo bom para se ver um jogo de futebol.



Fachada e entrada do Estadio Alfredo Ramos, casa do Club Comunicaciones


Parte central da "platea" da casa dos Carteiros


Cabine principal de imprensa


O escudo do Comunicaciones está representado em vários lugares da praça de esportes, aqui na entrada de um dos banheiros

Falando do encontro futebolístico da tarde em si, esse é um confronto bastante comum nas divisões de acesso do Argentino desde os anos 70. Nessa temporada o Deportivo Morón, equipe fundada em 1947, vinha fazendo uma campanha um pouco melhor do que o Comunicaciones. O Gallo até então era o oitavo colocado enquanto os Carteiros estavam em antepenúltimo, tendo vencido apenas na primeira rodada e amargando em jejum de dois meses sem triunfos.

Para a alegria da animada hinchada do Comu, os donos da casa fizeram uma grande apresentação e não deram muitas chances para o Deportivo. Logo aos 14 minutos, o camisa 9 Nicolás Ibañez se aproveitou de um erro do goleiro Alvarez e abriu o marcador.

O jogo continuou melhor para os locais e muito disputado. Entre um lance e outro parava o olhar e assimilava tudo que acontecia ao meu redor. Apesar de estar em outro país e inserido numa cultura diferente, os mesmos personagens que existem aqui, existem lá. A diferença fica por conta das torcidas. Eles não param um minuto sequer, bem diferente do que acontece aqui no Brasil, aonde salvo raras exceções, a presença de público é diminuta.

Outro lance genial é que a linha do trem fica logo atrás do gol dos fundos do Alfredo Ramos e por várias vezes o trem passou por lá durante a partida. No último minuto do tempo inicial o Morón teve um atleta expulso e os atletas foram para os vestiários com o marcador indicando a vantagem mínima do time mandante.


Esse foi um dos maiores lances de perigo a favor do onze local no primeiro tempo. A bola foi cruzada na pequena área mas não apareceu ninguém para completar


Atacante local fazendo o corte após escanteio a favor do Morón pela direita


Visão geral do Alfredo Ramos e sua bucólica paisagem

No segundo tempo o futebol melhorou e o Deportivo voltou disposto a deixar tudo igual. Na primeira chance de perigo a favor dos visitantes quase saiu o empate. Rossi perdeu gol feito em forte cabeçada que teve defesa incrível de Giovini. Minutos depois um dos defensores do Comunicaciones salvou uma bola em cima da linha depois de chute pela direita.

Como quem não quer nada, os Carteiros foram se soltando aos poucos e aos 23 minutos conseguiram ampliar a vantagem com um belo gol de Barrionuevo. Apesar de terem tentado pelo menos diminuir o prejuízo, o Morón não foi capaz de anotar o gol de honra. Melhor para os comandados de Jorge Vivaldo, que fazia apenas sua segunda partida no comando do Comu.


Chute de fora da área para o Comunicaciones


O Deportivo tentou pelo menos anotar o gol de honra, aqui em lance pela lateral, mas não teve sucesso


Disputa de bola no meio-campo


Bola levantada na área dos donos da casa no fim do jogo


Outra investida do insistente ataque do Deportivo Morón no tempo final

O placar final de Comunicaciones 2-0 Deportivo Morón quebrou o jejum do onze preto e amarelo e melhorou um pouco a situação do clube na tábua de classificação. Posso dizer que dei sorte para a equipe, pois desde então o time não perdeu mais. Hoje, faltando duas rodadas para o final da Primera B, a equipe ocupa a sexta colocação e mesmo sem chances de acesso, a campanha merece ser louvada. O Morón ainda tem chances, mesmo remotas, de subir para a Primera B Nacional.

Como sempre faço em viagens, permaneci nas dependências do estádio até o último momento possível fazendo fotos e mais fotos para os meus arquivos. De acordo com meu cronograma, o futebol continuaria na pauta com outro jogo logo, agora pela principal divisão do Argentino. Só que não sabia de um pequeno detalhe: não existem ingressos à venda para essa divisão na data da peleja. Ou seja, fui até o Monumental de Nuñez para colocar o Sarmiento na Lista e perdi a viagem. Até tive a oportunidade de comprar um ingresso com um cambista que parecia o Gardelón, pena que pagar 200 reais por isso me pareceu uma alternativa um tanto quanto absurda.

Voltei para o hotel e armei aquele esquema na base dos embalos de sábado à noite com louvor. Muita andança pelo centro, paradas nas livrarias e sebos e fim do passeio numa pizzaria ótima na Corrientes. A viagem estava apenas começando...

Até a próxima!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Barcelona vence a segunda consecutiva em casa pela Segundona

Texto e fotos: Fernando Martinez


Para finalizar as coberturas do final de semana do feriado, nada melhor do que aquela sempre genial sessão de futebol no domingo à tarde com o Barcelona no Estádio Conde Rodolfo Crespi. Fechando o primeiro turno do Grupo 3 do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, o Elefante recebeu o Amparo buscando emplacar a segunda vitória seguida dentro de casa.

Depois do triunfo obtido em cima do Taboão da Serra, o primeiro com o mando de campo em nove anos, os paulistanos visitaram o líder Diadema e conquistaram um precioso ponto com o empate por 0x0. Caso não perdesse para o tradicionalíssimo Leão da Montanha, o Barcelona emplacaria a maior série invicta desde 2007.


Barcelona Esportivo Capela Ltda - São Paulo/SP


Amparo Athletico Club - Amparo/SP

Capitães das equipes junto com o árbitro Carlos Fernando Moreira, os assistentes Vicente Romano Neto e Leandro Fernandes Rodrigues e o quarto árbitro Gabriel Castro Dourado

De novo rolou aquele quórum monstro de amigos para essa jornada e todo mundo teve a chance de ver um verdadeiro jogaço. Se Barcelona e Amparo não possuem uma qualidade técnica invejável, as duas agremiações compensaram isso nos 90 minutos com muita emoção, várias chances de gol e dedicação total em campo.

O Barcelona entrou em campo bastante empolgado e foi melhor do que o Amparo na maior parte do tempo inicial. O domínio não conseguiu ser traduzido em gols e a meta amparense só foi vazada aos 33 minutos. Os locais cobraram escanteio pela direita e Michel, goleiro do Amparo, falhou. A pelota sobrou para Rodrigo, que chutou forte no canto esquerdo e fez o primeiro.

Nos minutos seguintes o alvinegro se lançou ao ataque em busca do empate ainda na etapa inicial. Aos 40, quase saiu o empate em chute de longe. Aos 42 Matheus deixou tudo igual com um golaço de fora da área. O bom goleiro Alisson nada pôde fazer. O intervalo chegou e o placar da Rua Javari mostrava o empate por 1x1.


Bola levantada na área do Amparo


Ataque do Barcelona pela esquerda


Falta a favor do Barcelona no meio de campo

No segundo tempo brilhou a estrela do goleiro do Barcelona. Alisson fez uma partida impecável e evitou que o onze visitante, agora melhor em campo, conquistasse a virada. Antes dos 20 minutos eles fez duas defesas à queima-roupa simplesmente sensacionais.

O Elefante não mostrou o mesmo futebol do tempo inicial, porém levou enorme perigo nos contra-ataques. Num deles, aos 29 minutos, o zagueiro Fernando - destaque para o belo nome - conseguiu colocar o Barcelona de novo à frente do placar. Com o 2x1, os locais recuaram e passaram a sofrer uma pressão absurda do time visitante.

O Amparo teve mais três oportunidades simplesmente absurdas para deixar de novo tudo igual, só que a tarde realmente não estava favorável ao Leão da Montanha. Uma delas num momento em que a bola ficou zanzando dentro da pequena área por cerca de 15 segundos, sem que nenhum atacante conseguisse colocar no fundo das redes.

Aos 37 minutos rolou a maior de todas as chances. Em lance pela direita, Alisson derrubou um dos avantes dentro da área... pênalti. A cobrança de Matheus foi firme, só que o arqueiro pulou direitinho no canto direito e defendeu de forma segura. Após esse lance, não teve como o onze paulistano deixar de conquistar novo triunfo na Segundona.


Grande chance de gol a favor do Leão da Montanha no começo do tempo final


Chute de longe em contra-ataque do Elefante


Marcação firme da zaga paulistana


O lance que definiu a vitória local: Matheus cobrou pênalti e Alisson fez grande defesa

O resultado final de Barcelona 2-1 Amparo marcou o terceiro jogo invicto do Elefante quebrando a já citada marca de nove anos. O triunfo manteve os paulistanos na sexta colocação do Grupo 3, agora com oito pontos ganhos, já igualando a campanha do ano passado. O alvinegro permanece no sétimo lugar com quatro. No próximo final de semana começa o returno da última divisão.

Até a próxima!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

ADECO não faz grande jogo mas goleia o União em Mogi

Texto e fotos: Fernando Martinez


No último domingo armei uma cansativa rodada dupla, começando com a primeira incursão do Blog do Fernando Jogos Perdidos na edição 2016 do Campeonato Paulista Feminino. Fui até o remodelado Estádio Francisco Ribeiro Nogueira em Mogi das Cruzes para o confronto de contrastes entre União e Centro Olímpico.

Não visitava o Nogueirão há mais de dois anos e foi legal ver que o lugar ficou muito melhor depois da reforma realizada em 2015. Agora o estádio conta com banheiros novos, instalações melhores para a imprensa, vestiários muito bons e arquibancadas, principalmente a parte coberta, mais aconchegantes. O único "senão" é o gramado, bastante judiado pelo alto número de jogos realizados ali.


Fachada do reformado Estádio Francisco Ribeiro Nogueira em Mogi das Cruzes

O jovem time feminino do União foi criado nessa temporada e faz sua estreia na categoria. O clube acabou indo parar no Grupo 2 da competição junto com Santos, São José, Portuguesa, Taubaté, Juventus e o ADECO. E foi o time paulistano o primeiro adversário das alvirrubras na história. O resultado? Incríveis 16x0 a favor das campeãs nacionais de 2013, uma das maiores goleadas do Paulista em todos os tempos.


União Futebol Clube (Feminino) - Mogi das Cruzes/SP


Associação Desportiva Centro Olímpico (Feminino) - São Paulo/SP


Capitãs dos times junto com a árbitra Regildenia de Holanda Moura, as assistentes Márcia Bezerra Caetano e Eduardo de Jesus Conceição e o quarto árbitro Luis Felipe Aguiar

No decorrer do primeiro turno as meninas mogianas foram goleadas em todos os compromissos e também não marcaram nenhum gol, ostentando um saldo negativo de 49 gols. Para o início do returno, atuando contra um dos maiores nomes da categoria, era esperada outro revés por larga margem. Só que no final das contas isso não aconteceu.

O Centro Olímpico hoje tem o elenco composto basicamente por meninas sub-20, porém muitas titulares não entraram em campo, algumas poupadas pela comissão técnica e outras por estarem com a seleção brasileira. Essa situação já quebrou um pouco o conjunto do onze da capital. Como se não bastasse, as atacantes que foram a campo não estavam nada inspiradas.

Como não poderia deixar de ser, o União colocou o time todo na defesa e durante os mais de 90 minutos passou do meio de campo apenas uma vez, (uma chance no tempo final em um bom lance pela direita). Tirando esse momento, só deu ADECO e sem exagero nenhum, a equipe deve ter criado umas 50 ou 60 chances para marcar. Quando os chutes não iam pra fora, a goleira local Ellen Cristina aparecia bem com ótimas intervenções.

As atacantes do Centro Olímpico estavam numa manhã tão ruim que a meta local só foi vazada em lances de bola parada ou pelo alto. O primeiro foi marcado de cabeça com Ottilia aproveitando bola alçada da direita aos 18 minutos do tempo inicial. Se tivesse apostado teria errado feio, já que não acreditava que no intervalo o ADECO estaria vencendo apenas pela contagem mínima.

No tempo final a peleja foi muito fraca até os 30 minutos e parecia que o marcador não seria mais alterado. O segundo só saiu pois Cristiane foi cortar uma bola cruzada da esquerda e marcou contra aos 32. As visitantes acordaram - só um pouco, mas foi melhor do que nada - depois desse lance e e marcaram o terceiro com Ottilia aos 39 e o quarto de pênalti com Juliana aos 43.


Beatriz, camisa do ADECO, dominando a bola no gramado do Nogueirão


Escanteio a favor do time paulistano


Lance do primeiro gol do Centro Olímpico, marcado por Ottilia


Lance dentro da área do União no final do jogo


De pênalti, Juliana fechou a goleada do ADECO

No fim, o placar ficou em União Mogi 0-4 Centro Olímpico. As paulistanas subiram para a segunda colocação do Grupo 2, dois pontos atrás do líder Santos e empatadas com o São José, que tem um jogo a menos. O União continua sua saga pelo menos em busca de um gol. Independente dos resultados, as meninas alvirrubras merecem os parabéns só por estarem em campo mesmo com tantas dificuldades.

Sem tempo de embaçar muito saí correndo do estádio pois tinha sessão de futebol na parte da tarde. Como o sistema da CPTM estava operando na famosa operação tartaruga não dava pra vacilar. Teve Segundona Paulista na parada mais uma vez.

Até lá!