Texto e fotos: Fernando Martinez
Foram quase dois anos sem pisar em um aeroporto e, pior, sem nem ter ideia de quando isso aconteceria. Se dependesse de mim, esse período teria sido ainda maior, mas, do nada, surgiu a chance de cruzar os céus do país e visitar um lugar que nunca imaginei: Rio Branco, capital do Acre. Sim, o Acre!
Em janeiro, durante a cobertura monstro da Copa São Paulo, a produção da Globo entrou em contato comigo para uma matéria sobre o meu trabalho. Não deu certo. Mas, no começo de fevereiro, o repórter Alex Sabino fez uma grande reportagem comigo na Folha de São Paulo. Foi minha segunda vez no jornal, a primeira sozinho.
Quando a matéria saiu, o feedback foi super positivo e, de novo, o pessoal da Globo me procurou. Só que, dessa vez, a proposta era ainda mais ousada: eu poderia escolher qualquer jogo da primeira fase da Copa do Brasil e viajaria com tudo pago junto com a equipe de reportagem para cobrir a partida. Daquele tipo de proposta que a gente até desconfia de tão genial.
Analisei a tabela e fiquei entre duas opções: Tuntum x Cruzeiro, no interior do Maranhão, ou Humaitá x Brasiliense, na capital do Acre. Já de cara queria a segunda opção e, felizmente, foi a escolhida pela produção. Ir até Tuntum exigiria uma logística complicada, incluindo um trajeto de mais de 300 km de carro. Muito mais fácil pegar um voo direto e ir até o Acre.
Aos poucos, os detalhes foram acertados e, no domingo, durante Juventus 2x3 Audax, começamos as gravações. Como o jogo era na quarta, viajei com o produtor Felipe Ruiz, o repórter Luiz Teixeira e o cinegrafista Thiago para a capital acreana. Foi a viagem de avião mais longa da minha vida. Nem bem tinha chegado no tímido Aeroporto Internacional de Rio Branco – Plácido de Castro e já senti na pele o opressor calor amazônico.
Juro que nunca tinha imaginado que um dia estaria no Acre. Não é algo que acontece todo dia
Detalhe do Rio Acre e a visão da janela do hotel em que me hospedei
Fomos para o hotel, próximo ao centro, e, antes de seguir para a segunda parte da matéria, paramos no Mercado Velho para almoçar à beira do Rio Acre. Uma visão que, sinceramente, nunca imaginei ter. Eu nem sei como consegui comer com tanto calor, de verdade. Suava de forma inacreditável, mas, mesmo assim, fiz algumas fotos da região, pois não faço ideia se um dia voltarei lá.
De barriga cheia, seguimos para a gloriosa Vila do Incra, em Porto Acre, onde fica o “centro de treinamento” (com muitas aspas) do SC Humaitá. No caminho, cruzamos alguns trechos esburacados da AC-010 e, uma hora depois, chegamos ao destino. Porto Acre virou cidade em 1993, quando se desmembrou de Rio Branco. Antes disso, era Puerto Alonso, território boliviano até o fim do século XIX.
No “CT”, acompanhamos a preparação da equipe para sua estreia histórica na Copa do Brasil. Fomos super bem recebidos pelo pessoal do Humaitá, em especial pelo fundador e primeiro presidente do clube, o glorioso José Lima de Oliveira, o Zezinho. Hoje, ele é uma espécie de “faz-tudo” e também o guardião da memória do clube. Em uma humilde casa atrás do campo de treino, ele guarda os troféus conquistados pelo Tourão em seus quase 19 anos de história. Nada chique, nada cheio de pompa, mas preservado com muito carinho.
Detalhe da simpática arquibancada de madeira da Vila do Incra e o Humaitá treinando antes do grande jogo
A humilde casa que serve de base para o Humaitá. Na segunda foto, José Lima de Oliveira segura o principal troféu da história do clube acreano

Quem vê a foto não tem ideia do calor que estava fazendo. É, o clima amazônico não é nada fácil
Passamos um bom tempo ali captando imagens e entrevistando várias pessoas, eu incluído. Quando a tarde chegou ao fim, pegamos o caminho de volta e, sob o céu da Amazônia, retornamos à capital. Já era noite quando chegamos ao hotel e, pacificamente, resolvi descansar. O dia seguinte seria cheio, e eu precisava estar com a bateria carregada.
No próximo post, conto como foi o grande dia.
Até lá!
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