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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Nacional rebaixado para a Série A3 de 2020

Texto e fotos: Fernando Martinez


Decepção. Esse adjetivo consegue traduzir perfeitamente o que foi a campanha do Nacional Atlético Clube no Campeonato Paulista da Série A2 de 2019. A fraca performance culminou no trágico rebaixamento depois da derrota contra o time reserva (!) do Juventus sábado passado. Em nenhum momento a centenária agremiação mostrou um futebol empolgante e, apesar de ficar fora da zona de rebaixamento nas catorze primeiras rodadas, a equipe voltará a disputar a A3 em 2020, campeonato em que saiu como campeão em 2017.

O confronto contra o escrete grená foi o oitavo no Estádio Nicolau Alayon no torneio e nele alcancei a marca de 44 coberturas consecutivas, chegando a dois anos e meio sem faltar em nenhum compromisso ferroviário na Zona Oeste paulistana. De toda a sequência, a partida contra o antigo adversário da Mooca entra como a mais triste, empatada com o revés versus o Água Santa na penúltima rodada de 2018, que custou a classificação entre os quatro melhores. Sabendo as histórias de bastidores sobre o que rolou de verdade naquela tarde de quarta-feira, a queda fica ainda mais amarga, pois a chance de acesso na última temporada não era nenhum absurdo.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Clube Atlético Juventus - São Paulo/SP


O árbitro Daniel Bernardes Serrano, os assistentes Luis Alexandre Nilsen e Ricardo Luis Buzzi, o quarto árbitro Ricardo Bittencourt e os capitães dos times

A casa nacionalista recebeu o melhor público do ano: 924 pagantes. A maior parte de torcedores juventinos felizes com a bela campanha e a classificação antecipada às quartas de final. O Nacional vinha de três derrotas nos últimos quatro compromissos, mas um empate praticamente garantiria a permanência na A2. Aliás, vale um registro: no mínimo metade dos participantes do certame teve uma performance muito abaixo da média. Reflexo da bisonha realidade do futebol tupiniquim. Torcedores antenados já se ligaram disso, porém dirigentes de clubes e federações ainda enxergam um mundo cor de rosa que existe apenas na mente deles.

Pela primeira vez no certame, o Nacional iniciou os trabalhos emplacando uma blitz em cima da zaga adversária. Os avantes foram bem e a melhor oportunidade saiu dos pés de Ortigoza aos quatro minutos, quando ele recebeu livre dentro da área e a zaga salvou. O Naça atacava primordialmente pela direita e os defensores visitantes tiveram bastante trabalho para neutralizar as ofensivas. O Juventus pouco passava do meio-campo, e quando o fez, abriu o placar. Fabinho recebeu passe na intermediária e acertou um chute lindo no ângulo esquerdo de Maurício. Outra vez os locais teriam que jogar sob pressão. 

A desvantagem não desanimou os locais e os homens de frente, principalmente o camisa 9 Ortigoza, mostraram serviço principalmente em ataques pelo alto. Por duas vezes a pelota passou perto da meta defendida por Rafael em toques de cabeça. Os grenás apostavam nos contra-ataques, e num deles Medina chutou de longe, obrigando Maurício a fazer bela defesa e mandar pela linha de fundo. Só que na cobrança de escanteio, já nos acréscimos, Lucas Rocha ampliou a vantagem juventina em jogada aérea. No intervalo, o Nacional perdia por 2x0, assim como aconteceu contra Atibaia e Sertãozinho. A esperança era que, da mesma forma que aconteceu naqueles compromissos, o empate chegasse no tempo final.


Um dos bons ataques nacionalistas no início da peleja


Emerson Mi, um dos que salvaram na barca do Nacional, atacando pela direita


O setor direito foi o mais acionado durante todo o jogo


Marcação firme do camisa 5 Rocha

Quando a peleja recomeçou, Emerson Mi, um dos únicos que se salvam do desastre, completou um cruzamento da direita e colocou a pelota no canto esquerdo. O Nacional naquele momento precisava de apenas um outro gol para se salvar. Pena que o tento do Sertãozinho em cima do Rio Claro instantes depois tenha deixado claro que a luta contra a queda seria travada exclusivamente contra o São Bernardo FC, que até então estava sendo derrotado pela fênix Penapolense em duelo com 40 minutos de atraso. Já estávamos sentindo que se os nacionalistas fossem depender do Primeiro de Maio, eles ficariam na mão.

A coisa já não estava boa, e aos 11 o drama voltou com tudo com o terceiro gol do Moleque Travesso. Num escanteio pela esquerda, Lucão, camisa 3, subiu entre quatro atletas locais e cabeceou, A bola subiu e acabou encobrindo Maurício, que nada pôde fazer. Na base do "perdido por um, perdido por mil", agora a tática era o famoso bumba-meu-boi, sem muita organização e com chutões buscando os avantes dentro da área grená. Numa jogada por baixo aos 29, a arbitragem marcou pênalti. De Paula bateu bem e renovou a esperança.

Perdendo por 2x3 e com o Penapolense vencendo o Tigre do ABC por 2x0, era a equipe de São Bernardo do Campo que estava sendo rebaixada. Como o cotejo do Primeiro de Maio ainda ia demorar a chegar ao fim, o ideal era a manutenção da pressão em busca do empate. Para delírio da massa que estava na parte coberta da Comendador Souza, o terceiro gol chegou a acontecer por volta dos 35 minutos após grande bate-rebate na pequena área. Foram 60 segundos de muita comemoração... muita comemoração mesmo. Isso até o assistente número 2 anular o tento alegando que um dos atletas tocou na bola com a mão. O balde de água fria foi um dos maiores que já presenciei nas minhas 2.923 partidas vistas in loco.


Lance do terceiro gol juventino, marcado pelo zagueiro Lucão. Mesmo com três atletas adversários ao redor, ele conseguir cabecear e ampliar a vantagem visitante


Momento em que o Juventus quase faz o quarto no Alayon


De Paula fez o segundo de pênalti e renovou a esperança nacionalista


Placar final da partida que rebaixou o Nacional para a A3 com destaque para Maurício, talvez o maior destaque do time na competição

A luta pelo empate continuou no tempo que restava, só que o árbitro encerrou o jogo com o resultado final de Nacional 2-3 Juventus. Naquele instante os ferroviários estavam se salvando com os 2x0 do Penapolense. Ainda faltava quase meia hora no ABC e se o Tigre fizesse um gol ele se salvaria junto com o CAP. Tinha plena certeza que o tento sairia e, exatos 17 minutos após o último trilar do apito no Alayon, minha expectativa se confirmou com um bizarro gol contra de Wesley Dias que decretou a queda nacionalista. 

O trabalho não foi bem feito. Fato. Vícios antigos fizeram com que a preparação não fosse a ideal. Além disso, foram contratados vários atletas com pouco ou nenhum comprometimento ou que soubessem o que vestir a camisa nacionalista representa. Dentro de campo, somente o segundo tempo contra a Inter de Limeira foi suficientemente bom. Tirando isso, perrengue, sufoco e incompetência de sobra. O clube ficou oito jogos invicto entre a terceira e a décima rodadas, mas o elevado número de empates pesou. Além disso, as quatro derrotas nos últimos cinco compromissos fizeram enorme diferença.

Agora o Nacional volta à Série A3 e não temos a menor ideia do que esperar a partir disso. Mudança de atitude dos responsáveis talvez? Duvido. Não é de hoje que as mesmas figurinhas carimbadas dão as cartas por lá e a queda não deve alterar o cenário. Por não ser um time grande com torcida cobrando resultados, os momentos ruins são sentidos por poucos - porém fiéis abnegados -, e o ambiente fica livre de questionamentos. Da minha parte, espero de verdade que o escrete centenário possa retornar à A2 o quanto antes. Sonhar com o acesso para a A1? Não, não sou tão ousado assim.

Saí do Nicolau Alayon triste e acompanhei pelo celular a definição da queda atualizando as notícias do ABC. Ainda tive que encarar seis horas de trabalho com a cabeça cheia... tudo bem, acontece. Saí depois da meia-noite, e em menos de oito horas já estava de pé para a definição dos últimos classificados na Série A3. Teve jogaço no Rochdale.

Até lá!

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Ficha Técnica: Nacional 2-3 Juventus

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Daniel Bernardes Serrano; Público: 924 pagantes; Renda: R$ 22.400,00; Cartões amarelos: Josué, De Paula e Caio Mendes (Nac), Rocha, Bahia e Medina (Juv); Cartões vermelhos: Felipe Pernambuco, De Paula e Danilo Negueba (Nac); Gols: Fabinho 15 e Lucão 46 do 1º, Emerson Mi 1, Lucão 11 e De Paula (pênalti) 31 do 2º.
Nacional: Maurício; Léo Cunha (Josué), Gabriel Santos, Everton Dias e Caio Mendes; Everton Tchê, Bruno Sabino, Danilo Negueba (De Paula) e Emerson Mí; Ortigoza (Michael Tuique) e Matheus Lú. Técnico: Jorginho.
Juventus: Rafael; Bahia (Teta), Lucão, Gomes e Roger; Thiago Rocha, Medina, Douglas e Fabinho; Ramon (Dener) e Marcelo (Raphael). Técnico: Alex Alves.
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Um comentário:

  1. Triste e lamentavel a queda. Não apenas pelo planejamento horrivel e pessimo futebol, mas também pela entregada do Penapolense la no ABC.

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