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segunda-feira, 11 de março de 2019

Lusa vence a segunda e segue sem perder do Nacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Desde 24 de março do ano passado não assistia um jogo noturno profissional. Um absurdo. Quebrei a incômoda marca no domingo com o duelo paulistano entre Portuguesa e Nacional no molhado Estádio Oswaldo Teixeira Duarte pelo Campeonato Paulista da Série A2 na sua 11ª jornada. A peleja seria disputada às 16 horas e mudou de horário pois foi transmitida ao vivo pela televisão. Não foi fácil vencer a preguiça na bem-vinda folga e ir até o Canindé.

Chegar na casa rubro-verde não foi moleza por conta do crepúsculo do Carnaval paulistano e também por ter feito uma escolha errada de caminho. Achei que sair do metrô Armênia e seguir por dentro (não pela Marginal Tietê) seria sossegado. Ledo engano. A feira boliviana na região estava no auge de público e 95% dos presentes portavam aqueles malditos sprays de espuma artificial. Sem nenhum critério, todos eram alvo dos jatos, incluída a minha pessoa. Tinha gente pintada de branco da cabeça aos pés e quase arranjei briga tamanha a falta de noção da rapaziada. Se meu trajeto teve um acréscimo inesperado de 20 minutos graças à muvuca, pelo menos a minha fisionomia nada feliz não me deixou muito sujo.

Fui ao gramado da praça de esportes e poucos ocupavam as arquibancadas. Aos poucos ela foi recebendo um público maior e o público pagante foi maior do que o compromisso anterior (derrota de 3x2 contra o Penapolense). O triunfo em cima do Taubaté, o primeiro no certame, animou a torcida e todos esperavam a confirmação da boa fase na segunda apresentação com Vica no comando técnico. Do outro lado, o onze nacionalista ostentava uma sequência de oito compromissos sem perder e um empate não era nada ruim. Mas se possível, iriam tentar quebrar vários tabus: a última vitória dos tricolores foi em 1977, a última num jogo oficial em 1958 e a última num confronto oficial com mando rubro-verde foi em 1939 (!).


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Márcio Roberto Soares, os assistentes Alex Alexandrino e Orlando Coelho Junior e o quarto árbitro Eleandro Pedro da Silva

Postado acompanhando o ataque visitante, tomei bastante chuva no tempo inicial. A Portuguesa começou melhor porém por volta dos 15 minutos o Nacional passou a atuar de forma mais convincente. Aos 20, aconteceu o primeiro grande momento numa cabeçada à queima-roupa de Gabriel Santos que Dida mandou pela linha de fundo brilhantemente. Minutos depois, Negueba chutou de longe e a pelota tirou tinta da trave, Apesar do melhor momento ferroviário, no intervalo o placar eletrônico mostrava o placar em branco.

Eu desisti de ficar tomando chuva e subi até as cabines de imprensa para acompanhar a segunda etapa. Fazia muito tempo que não subia lá e a situação não parece ter mudado tanto, já que chovia no corredor normalmente e boa parte do local estava sem luz. O que mudou foi o futebol da Portuguesa quando a partida recomeçou. Os comandados de Vica encurralaram o recuado Nacional e ocuparam o campo defensivo do escrete visitante. O time da Barra Funda teve apenas um bom momento.

Henrique Motta teve boa oportunidade aos sete minutos quando a finalização passou perto do travessão. Aos 28, Paulinho Santos avançou pela direita e chutou firme. A bola desviou de leve na zaga e quase encobriu Maurício. O tento acabou saindo num enorme azar da zaga do Nacional aos 36 minutos. O mesmo Paulinho Santos chutou, a bola foi rebatida e, com o arqueiro batido, Anderson Cavalo só teve o trabalho de finalizar no fundo da meta.


Detalhe da cabeçada de Gabriel Santos que obrigou Dida a fazer milagre


Zaga lusitana cortando cruzamento na área


A firma marcação em cima do atacante nacionalista


Forte no jogo aéreo, o Nacional não deu sorte nessa jogada contra a Lusa


Ataque local pela direita do setor ofensivo


Dida se esticando todo em cruzamento do Nacional pela esquerda

O Naça buscou o empate nos minutos restantes mas não teve nenhum sucesso. Ao término dos 90 minutos, registrou a primeira derrota depois de ter completado 100 anos de vida. O placar final de Portuguesa 1-0 Nacional afastou o rubro-verde da zona de rebaixamento. Agora com 11 pontos, ocupam a 13ª posição, dois pontos atrás do oitavo colocado, o Linense, que tem 13. Os ferroviários permanecem com 12 no décimo lugar. Até o Sertãozinho (14º com 10 pontos) todos tem chance de classificação. Ainda faltam quatro rodadas.

A chuva, que já não era pouca, piorou após o apito final e foi complicado sair do Canindé. Por uma sorte do tamanho do mundo peguei o único ônibus que passa ali do lado e que leva ao metrô. Não fosse ele, e eu teria me molhado bem mais. Voltei ao QG e acompanhei o dilúvio que seguiu pela madrugada e que causou vários estragos na capital e no ABC. Não adianta, entra e sai ano e nada muda... coisas do Brasil.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Portuguesa 1-0 Nacional

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Márcio Roberto Soares; Público: 726 pagantes; Renda: R$ 20.700,00; Cartões amarelos: Cesinha, Luizinho (Por), Caio Mendes, Gabriel Santos (Nac); Gol: Anderson Cavalo 36 do 2º.
Portuguesa: Dida; Gustavo Eugênio (Lucas Bahia), Henrique Motta, Guilherme Garutti e Cesinha (João Gurgel); Jonatas Paulista, Paulinho, Luizinho (Thiago) e Gerley; Anderson Cavalo e Fernandinho. Técnico: Vica.
Nacional: Maurício Telles; Danilo Negueba, Gabriel Santos (Jeferson), Everton Dias e Caio Mendes; Bruno Sabino, Josué (Matheus Humberto), Everton Tchê e Emerson Mi (Hebert); Michael Thuíque (Thiago Elias) e Matheus Lú. Técnico: Jorginho.
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