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sexta-feira, 22 de março de 2019

Nacional volta a vencer e chega perto do G8 da Série A2

Texto e fotos: Fernando Martinez


Faltando três rodadas para o final da primeira fase do Campeonato Paulista da Série A2, a disputa pelas últimas vagas nas quartas está sensacional. Apenas seis pontos separavam o sétimo do lanterna antes da rodada de quarta-feira, e todos ainda tinham chances de estarem entre os oito classificados. Vindo de duas derrotas e ocupando a preocupante 14ª posição, o Nacional recebeu a Inter de Limeira no Estádio Nicolau Alayon precisando vencer ou vencer pensando em se afastar da zona de rebaixamento. Essa foi minha 43ª cobertura consecutiva na Comendador Souza em duelos do escrete ferroviário.

Você viu aqui no JP a derrota nacionalista no Canindé e, no domingo passado, eles perderam de novo, dessa vez pro Taubaté. Um novo revés deixaria a situação pelos lados da Água Branca muito complicada. Um triunfo contra o Leão da Paulista era absolutamente necessário. Além da dificuldade natural, o time limeirense fez 13 dos 17 pontos atuando longe de casa. Em sete jogos, foram quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota, contra o líder Água Santa. No Major José Levi Sobrinho, nenhum triunfo, quatro empates e duas derrotas. Uma campanha bastante bizarra, sem sombra de dúvida.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Associação Atlética Internacional - Limeira/SP


Os capitães dos times com o árbitro José Cláudio Rocha Filho, os assistentes Leandro Matos Feitosa e Leandro Alves de Souza e o quarto árbitro Paulo Santiago de Medeiros

Nessa jornada contei com a companhia da dupla alvinegra Milton e Ricardo Espina, além de Matheus Trunk, recém-chegado de sua turnê pelo Nordeste e grande rei das igrejas do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Fazia mais de um ano que não encontrava ele que é um dos maiores experts em Boca do Lixo. Sempre é surreal escutar as histórias do amigo. Junto com essa rapaziada esperta, vi o Nacional iniciar os trabalhos jogando bem e criando duas belas oportunidades de abrir o placar. A primeira em lance de Emerson Mi sozinho na entrada da área, mas com finalização em cima do goleiro Rafael Pin. Aos 32 foi Thiago Elias que teve oportunidade na frente do arqueiro, porém novamente o camisa 1 defendeu.

Nos minutos finais a Inter melhorou e criou três ótimos momentos para abrir o marcador. Um num chute de longe e dois em cabeçadas na pequena área que obrigaram o goleiro Maurício a aparecer bem, impedindo o tento visitante. Sem um futebol de encher os olhos, novamente o primeiro tempo terminou sem que o Naça quebrasse a marca de não fazer nenhum gol atuando em casa na primeira metade dos seus compromissos. E assim como nos outros seis compromissos na capital, nos 45 minutos finais a atuação mudou da água pro vinho.


O goleiro Rafael Pin se esticando e mandando a bola longe da área


Lance de ataque nacionalista pela esquerda


Bola levantada na área limeirense em lance do final do primeiro tempo

Logo aos três minutos Matheus Lu recebeu um bom passe pela direita, avançou pelo campo de defesa da Inter e tocou no canto esquerdo de Rafael Pin, deixando o Nacional em vantagem. A equipe alvinegra sentiu o golpe e não conseguiu jogar a partir disso. Os locais estavam na boa e aos 20 ampliaram a vantagem. Após boa jogada pela esquerda, a zaga tirou e a pelota sobrou para Ortigoza no bico na grande área. Ele acertou um chutaço no ângulo esquerdo, fazendo um belíssimo gol. Quatro minutos depois Jean Pablo fez falta dura pela direita e foi expulso, complicando de vez a situação limeirense.


Zaga visitante afastando o perigo


Bola na rede da Internacional... era o terceiro gol do Nacional, marcado por Everton Tchê


Ortigoza, autor do belo segundo gol, em ataque paulistano


Placar final da importantíssima vitória do Nacional na reta final da Série A2

Sem sofrerem sustos, o Naça fechou o importante triunfo aos 38 minutos. Numa falta pela direita, a pelota foi alçada no segundo pau e Everton Tchê surgiu quase sem ãngulo, cabeceando firme e marcando o terceiro. Nos minutos restantes pintou chance de zerar o saldo de gols (que estava em -1), só que o placar não foi mais alterado... e nem precisava. O Nacional 3-0 Inter de Limeira foi a maior vitória do clube paulistano desde março do ano passado, colocou os comandados de Jorginho na nona posição com 15 pontos ganhos e dependendo apenas de si para conseguiram a classificação. Da Votuporanguense, sétima com 16 pontos, até o São Bernardo FC, 15º com 12, todos tem chance de vaga.

A bizarra performance dentro/fora de casa da Inter já foi citada, e como falei aqui na matéria de Nacional 2-1 Santo André, vale ressaltar novamente a diferença entre os primeiros e segundos tempos da agremiação da Zona Oeste no Alayon. Contando os primeiros 45 minutos apenas a campanha é de três empates, quatro derrotas, nenhum gol marcado e sete sofridos. Contando apenas a segunda etapa, cinco triunfos, dois empates, onze gols feitos e apenas um sofrido.

Na primeira fase só teremos mais um jogo lá, contra o Juventus, dia 30, e que contará com transmissão pelo SporTV. No mais, apesar de estarmos com poucas coberturas, estamos de olho no andamento da A2 e da A3. Ah, a A1? Só de longe, pois o apelo é praticamente zero.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 3-0 Inter de Limeira

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: José Cláudio Rocha Filho; Público: 258 pagantes; Renda: R$ 3.190,00; Cartões amarelos: Éverton Tchê (Nac), PC e Jean Pablo (Int); Gols: Matheus Lu 3, Ortigoza 20 e Everton Tchê 38 do 2º.
Nacional: Maurício; Léo Cunha, Gabriel, Everton Dias e Caio; Everton Tchê, Thiago Elias (Josué), Negueba e Emerson Mi (Patrick) (Felipe Pernambucano); Ortigoza e Matheus Lu. Técnico: Jorginho.
Inter de Limeira: Rafael Pin; Luís Roberto (Alison), Gean, Jean Pablo e PC; França e Marquinhos; Tcharlles, Chumbinho (Nata) e Clebinho; Rodrigo Paraná (Mael). Técnico: João Vallim.
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sexta-feira, 15 de março de 2019

Goleada corintiana contra o Ríver/PI na Fazendinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


Começou a renovada Copa do Brasil sub-20 e na tarde da última quarta-feira voltei a acompanhar o certame in loco após cinco anos. Nada melhor do que quebrar a marca com um joguinho num dos locais mais emblemáticos do futebol paulista, o Estádio Alfredo Schurig. Na minha 50ª partida na Fazendinha em todos os tempos, a molecada do Corinthians recebeu o genial Ríver do Piauí em sessão única definindo o classificado para as oitavas-de-final.

A Copa do Brasil sub-20 foi criada em 2012 e sempre teve a presença de 32 agremiações. Até o ano passado, basicamente os participantes eram todos os clubes da Série A do Brasileiro além dos doze melhores da Série B do ano anterior. Nessa temporada a CBF resolveu dar uma nova cara à competição. A partir de agora, farão parte os 27 campeões estaduais da categoria e também os cinco vices dos cinco estados melhores colocados no ranking da entidade.

Gostei bastante dessa alteração, pois transforma o certame num torneio mais democrático. O problema é que adotaram - copiada da Copa do Brasil adulta - a bizarria de jogo único na primeira fase. Como o mando é definido por sorteio, calhou do duelo entre corintianos e riverinos ser na capital bandeirante. Falando em mudanças, se eu fosse o responsável pelo departamento técnico da CBF, ampliaria o número para 64 equipes. Acho que daria liga, mas por enquanto vamos com essas alterações e tudo bem. Mostra pelo menos que eles são mais abertos à mudanças do que a FPF.


Sport Club Corinthians Paulista (sub-20) - São Paulo/SP


Ríver Atlético Clube (sub-20) - Teresina/PI


Capitães dos times e o trio de arbitragem feminino com a árbitra Edina Alves Batista e as assistentes Neuza Ines Back e Tatiane Sacilotti Camargo

O Mosqueteiro participa pela sétima vez do torneio e é o atual vice-campeão. Ano passado perdeu a decisão contra o São Paulo, naquela que foi sua melhor participação. Antes disso, só campanha horrorosa: foram eliminados na primeira fase em 2013, 2014 e 2015 e nas oitavas em 2012, 2016 e 2017. O Ríver, claro, faz sua estreia na competição após ter conquistado o título estadual do ano passado. Na Copinha, o Timão foi semi-finalista e foi eliminado invicto pelo Vasco. Os piauienses foram eliminados na fase inicial com uma vitória em cima do Jaguariúna e duas derrotas, contra Flamengo/RJ e Trindade/GO.

Não pisava no histórico gramado do estádio corintiano desde 2013 e foi demais poder voltar a fazer uma cobertura dali. Me postei junto ao ataque local e, como todos esperavam, o time de Parque São Jorge foi melhor durante quase todo o tempo inicial. Aos sete minutos, Janderson quase abriu o marcador aproveitando falha da zaga visitante e do goleiro Vinicius. Aos 13. Fabricio Oya, destaque alvinegro na Copa São Paulo, mandou bola na trave esquerda. A insistência só se traduziu em gols aos 31 minutos quando a pelota foi lançada de forma primorosa pro camisa 11 Rafael Bilu. Ele surgiu atrás da zaga, matou no peito e chutou no canto direito.

Três minutos depois, Du recebeu passe na intermediária, avançou sozinho e arriscou de longe. O camisa 5 acabou acertando o ângulo direito do arqueiro do Ríver, marcando um golaço. O onze nordestino não tinha atacado com perigo porém, aos 37, diminuiu o placar. A pelota foi alçada na área, a zaga parou, o goleiro Diego saiu todo errado e Sousa, camisa 18, tocou meio sem querer pro fundo da rede. Alguns reclamaram de impedimento e o gol foi validado mesmo assim.


Investida corintiana pela direita no começo da peleja


Bela visão do Parque São Jorge na agradável tarde de quarta-feira


Defesa do goleiro riverino em cobrança de falta local


Lance do gol estranho do Ríver. Todo mundo parou e Sousa diminuiu


Escanteio a favor dos mosqueteiros e a imagem da parte coberta da Fazendinha

Na etapa final fui até a parte coberta e, em meio aos cerca de 500 torcedores presentes, lá estava a dupla Milton Haddad/Ricardo Espina, os dois com uma alegria contagiante por estarem presentes em ambiente tão mágico. Quando a peleja recomeçou, os dois se animaram pois o Ríver estava querendo aprontar em cima dos donos da casa. Os piauienses tiveram dois ótimos momentos, um numa tentativa por cobertura que encontrou Diego ligado e outra num belo ataque pela esquerda que terminou com boa defesa do camisa 1 mosqueteiro.

Jogando na defesa, o Corinthians deu o golpe de misericórdia aos 19 minutos com a dupla de zaga. Num cruzamento pela esquerda, o capitão Ronald escorou para trás e Caetano pegou de primeira e fez o terceiro. O Ríver sentiu o gol e não teve mais forças de atacar. Assim ficou fácil pro escrete local conseguir uma goleada e a classificação. Aos 28, Rafael Bilu cruzou da direita no segundo pau. O goleiro saiu mal e Vitinho, meio sem ângulo, tocou de cabeça e fez o quarto. Fechando a goleada aos 42 o camisa 9 Nathan, também de cabeça, completou novo cruzamento, dessa vez por baixo e deu números finais ao confronto.


Chance de ouro perdida pelo Ríver no tempo final. O goleiro Diego fez boa defesa


Momento do terceiro gol do Corinthians com Ronald escorando a bola pra trás. Fora da foto, Caetano marcou


Fabricio Oya cobrando falta e levando perigo para a meta piauiense


Mesmo de longe, esse foi o quinto gol do Timão, fechando a goleada no Parque

O placar final de Corinthians 5-1 Ríver marcou o maior triunfo alvinegro na história do certame como mandante (a maior vitória geral é o 9x1 em cima do Boa/MG em 2018) e apenas a sétima na história, isso em 27 partidas disputadas. Na segunda fase, os paulistanos enfrentarão a Chapecoense em ida e volta. A Chape eliminou o Timão da Copa do Brasil sub-20 em 2017 e agora eles tem a chance de devolverem o revés de dois anos atrás. A segunda fase será disputada no fim de março e começo de abril.

Deixamos a Fazendinha e fomos dar aquela volta marota no clube. É sempre muito legal relembrar caminhos que percorri várias vezes quando era criança, época em que era sócio e frequentava as alamedas arborizadas. Dali subi até o metrô Carrão e peguei o caminho do QG. De noite, a pedida foi fazer algo que não fazia há tempos: ir no cinema. Nada melhor do que esfriar a cabeça numa semana tão pesada.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Corinthians 5-1 Ríver/PI

Competição: Copa do Brasil sub-20; Local: Estádio Alfredo Schurig (São Paulo); Árbitra: Edina Alves Batista; Público e renda: Portões abertos; Cartão amarelo: Ruan (Riv); Gols: Rafael Bilu 31', Du 34' e Sousa 37 do 1º, Caetano 19', Vitinho 28' e Nathan 42'.
Corinthians: Diego; Igor (Daniel Marcos), Ronald (Michel), Caetano e Lucas Piton; Du (Xavier), Janderson (Vitinho), Roni (Rael) e Fabrício Oya; Nathan e Rafael Bilu (Gustavo Mantuan). Técnico: Eduardo Barroca.
River/PI: Vinicius; Miyke, Fábio, Ismael e Pitoco; Ruan, Léo (Eduardo), Denílson (Felipe) e Juninho (Cássio); Hytalo (Giovani) e Sousa (Lucas). Técnico: Ismael Reis.
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segunda-feira, 11 de março de 2019

Lusa vence a segunda e segue sem perder do Nacional

Texto e fotos: Fernando Martinez


Desde 24 de março do ano passado não assistia um jogo noturno profissional. Um absurdo. Quebrei a incômoda marca no domingo com o duelo paulistano entre Portuguesa e Nacional no molhado Estádio Oswaldo Teixeira Duarte pelo Campeonato Paulista da Série A2 na sua 11ª jornada. A peleja seria disputada às 16 horas e mudou de horário pois foi transmitida ao vivo pela televisão. Não foi fácil vencer a preguiça na bem-vinda folga e ir até o Canindé.

Chegar na casa rubro-verde não foi moleza por conta do crepúsculo do Carnaval paulistano e também por ter feito uma escolha errada de caminho. Achei que sair do metrô Armênia e seguir por dentro (não pela Marginal Tietê) seria sossegado. Ledo engano. A feira boliviana na região estava no auge de público e 95% dos presentes portavam aqueles malditos sprays de espuma artificial. Sem nenhum critério, todos eram alvo dos jatos, incluída a minha pessoa. Tinha gente pintada de branco da cabeça aos pés e quase arranjei briga tamanha a falta de noção da rapaziada. Se meu trajeto teve um acréscimo inesperado de 20 minutos graças à muvuca, pelo menos a minha fisionomia nada feliz não me deixou muito sujo.

Fui ao gramado da praça de esportes e poucos ocupavam as arquibancadas. Aos poucos ela foi recebendo um público maior e o público pagante foi maior do que o compromisso anterior (derrota de 3x2 contra o Penapolense). O triunfo em cima do Taubaté, o primeiro no certame, animou a torcida e todos esperavam a confirmação da boa fase na segunda apresentação com Vica no comando técnico. Do outro lado, o onze nacionalista ostentava uma sequência de oito compromissos sem perder e um empate não era nada ruim. Mas se possível, iriam tentar quebrar vários tabus: a última vitória dos tricolores foi em 1977, a última num jogo oficial em 1958 e a última num confronto oficial com mando rubro-verde foi em 1939 (!).


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Capitães dos times junto com o árbitro Márcio Roberto Soares, os assistentes Alex Alexandrino e Orlando Coelho Junior e o quarto árbitro Eleandro Pedro da Silva

Postado acompanhando o ataque visitante, tomei bastante chuva no tempo inicial. A Portuguesa começou melhor porém por volta dos 15 minutos o Nacional passou a atuar de forma mais convincente. Aos 20, aconteceu o primeiro grande momento numa cabeçada à queima-roupa de Gabriel Santos que Dida mandou pela linha de fundo brilhantemente. Minutos depois, Negueba chutou de longe e a pelota tirou tinta da trave, Apesar do melhor momento ferroviário, no intervalo o placar eletrônico mostrava o placar em branco.

Eu desisti de ficar tomando chuva e subi até as cabines de imprensa para acompanhar a segunda etapa. Fazia muito tempo que não subia lá e a situação não parece ter mudado tanto, já que chovia no corredor normalmente e boa parte do local estava sem luz. O que mudou foi o futebol da Portuguesa quando a partida recomeçou. Os comandados de Vica encurralaram o recuado Nacional e ocuparam o campo defensivo do escrete visitante. O time da Barra Funda teve apenas um bom momento.

Henrique Motta teve boa oportunidade aos sete minutos quando a finalização passou perto do travessão. Aos 28, Paulinho Santos avançou pela direita e chutou firme. A bola desviou de leve na zaga e quase encobriu Maurício. O tento acabou saindo num enorme azar da zaga do Nacional aos 36 minutos. O mesmo Paulinho Santos chutou, a bola foi rebatida e, com o arqueiro batido, Anderson Cavalo só teve o trabalho de finalizar no fundo da meta.


Detalhe da cabeçada de Gabriel Santos que obrigou Dida a fazer milagre


Zaga lusitana cortando cruzamento na área


A firma marcação em cima do atacante nacionalista


Forte no jogo aéreo, o Nacional não deu sorte nessa jogada contra a Lusa


Ataque local pela direita do setor ofensivo


Dida se esticando todo em cruzamento do Nacional pela esquerda

O Naça buscou o empate nos minutos restantes mas não teve nenhum sucesso. Ao término dos 90 minutos, registrou a primeira derrota depois de ter completado 100 anos de vida. O placar final de Portuguesa 1-0 Nacional afastou o rubro-verde da zona de rebaixamento. Agora com 11 pontos, ocupam a 13ª posição, dois pontos atrás do oitavo colocado, o Linense, que tem 13. Os ferroviários permanecem com 12 no décimo lugar. Até o Sertãozinho (14º com 10 pontos) todos tem chance de classificação. Ainda faltam quatro rodadas.

A chuva, que já não era pouca, piorou após o apito final e foi complicado sair do Canindé. Por uma sorte do tamanho do mundo peguei o único ônibus que passa ali do lado e que leva ao metrô. Não fosse ele, e eu teria me molhado bem mais. Voltei ao QG e acompanhei o dilúvio que seguiu pela madrugada e que causou vários estragos na capital e no ABC. Não adianta, entra e sai ano e nada muda... coisas do Brasil.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Portuguesa 1-0 Nacional

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Márcio Roberto Soares; Público: 726 pagantes; Renda: R$ 20.700,00; Cartões amarelos: Cesinha, Luizinho (Por), Caio Mendes, Gabriel Santos (Nac); Gol: Anderson Cavalo 36 do 2º.
Portuguesa: Dida; Gustavo Eugênio (Lucas Bahia), Henrique Motta, Guilherme Garutti e Cesinha (João Gurgel); Jonatas Paulista, Paulinho, Luizinho (Thiago) e Gerley; Anderson Cavalo e Fernandinho. Técnico: Vica.
Nacional: Maurício Telles; Danilo Negueba, Gabriel Santos (Jeferson), Everton Dias e Caio Mendes; Bruno Sabino, Josué (Matheus Humberto), Everton Tchê e Emerson Mi (Hebert); Michael Thuíque (Thiago Elias) e Matheus Lú. Técnico: Jorginho.
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segunda-feira, 4 de março de 2019

Sábado de Carnaval com virada nacionalista contra o Ramalhão

Texto e fotos: Fernando Martinez


Ah, o Carnaval... em meio a foliões alucinados e muita muvuca no transporte coletivo, na tarde de sábado pintou nova cobertura do JP no Campeonato Paulista da Série A2. A equipe de reportagem do blog seguiu até o Estádio Nicolau Alayon para acompanhar o sexto compromisso do Nacional na sua casa em 2019. O adversário foi o Santo André, agremiação que não se apresentava ali desde há onze anos. Foi minha 42ª partida consecutiva acompanhando os ferroviários na Comendador Souza.

Esse não é um confronto comum na história. Apenas onze vezes os dois times se enfrentaram de 1995 a 2008. Foram apenas dois triunfos nacionalistas (2x1 pela Copa FPF de 2004 e um 2x0 na A2 de 2001 que contou com a minha presença quando o JP não existia nem em sonho), dois empates e sete triunfos do Ramalhão. Os dois não duelavam desde 2008. Um ano depois, os paulistanos iniciaram seu pior período nos 100 anos de vida.

(Detalhe: o Nacional também enfrentou o "pai" do Ramalhão, o Santo André FC em dez jogos entre 1968 e 1974. O histórico é bem mais equilibrado e mostra quatro vitórias de cada lado e dois empates. Os últimos confrontos foram no quadrangular final da Segundona de 1974. O Naça foi vice-campeão e o clube do ABC terceiro lugar. O título ficou com o Catanduvense)

O Santo André vem fazendo uma campanha que ainda não empolgou. Antes da rodada ocupavam o oitavo lugar com 12 pontos. O Nacional também não vem fazendo nada brilhante, mas ostenta uma série de sete confrontos sem derrota e estava na 11ª posição. O problema é que empatou seis vezes e venceu apenas uma (1x0 contra o São Bernardo FC); Ficar ganhando um ponto por vez não faz mudar muito a posição na tábua de classificação.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Esporte Clube Santo André - Santo André/SP


Os capitães dos times junto ao árbitro Daniel Bernardes Serrano, os assistentes Ricardo Luis Buzzi e Thiago Henrique Alborghetti e o quarto árbitro Danilo da Silva

Já tinha ido na Comendador Souza no começo da semana, mais precisamente na segunda-feira, dia 25, acompanhar a cerimônia da Câmara Municipal a respeito do centenário. Na esteira da comemoração, a diretoria criou uma camisa dourada (!) para celebrar a data. Nada contra, só que é fato que o ideal era terem feito uma réplica lembrando a época como São Paulo Railway. Seria antológico ver o glorioso escudo do SPR de novo em atividade. Méritos por não deixarem a marca passar em branco, porém poderiam ter aproveitado melhor a oportunidade.

As duas equipes foram a campo pouco antes das 15 horas e quando a ação começou o Nacional tentou fazer uma pressão, chegando a mostrar melhor futebol durante cerca de dez minutos. Aos poucos o Santo André foi envolvendo a defesa local e aos 24 teve um pênalti marcado a seu favor. Numa bola vinda da esquerda, Maikinho surgiu na área e Léo Cunha, afobado demais, o atropelou por trás. Ícaro bateu no canto esquerdo, vencendo o goleiro Maurício e abrindo o marcador.

O Ramalhão permaneceu melhor e os ferroviários não foram capazes de assustar. Outra vez vimos vários erros de passe, algumas finalizações ruins e uma certa apatia dos atletas. Foi a cara de todos os primeiros tempos disputados pelo clube na Comendador Souza na atual temporada. Contando apenas os 45 minutos iniciais de cada cotejo, foram dois empates, quatro derrotas, nenhum gol marcado e sete sofridos. A esperança era que o técnico Jorginho pudesse mudar o espírito da rapaziada na segunda etapa.


Ataque nacionalista pela direita num dos primeiros lances da etapa inicial


Ficou estranho ver o Nacional atuando de dourado. Pelo que ficamos sabendo, foi a primeira e última vez que usaram esse uniforme


Thomazella se esticando todo para cortar cruzamento dentro da área do Ramalhão


Outra chegada local pela direita do ataque. Esse foi o setor mais acionado no primeiro tempo


Detalhe da cobrança de pênalti que abriu o marcador no Nicolau Alayon. Ìcaro foi o autor do tento

Enquanto os jogadores deixavam o relvado, ouvi meu nome ser chamado no alambrado. Quando olhei, lá estava, para a minha surpresa absoluta, o grande Jurandyr Junior, também conhecido como JR (ex-Jandir). Desde outubro de 2012 não encontrava o amigo e foi um grande prazer vê-lo por lá. Resolvi subir até a parte coberta e fiquei ali na companhia de um dos maiores comunistas vivos relembrando as clássicas 40 histórias dele.

Enquanto o papo rolava solto, o Nacional retornou ao relvado ainda sem inspiração. O Santo André também não voltou bem e a peleja caiu bastante de produção. Quem acabou se tornando um dos destaques da tarde foi o camisa 17 Léo Rocha. O jogador já atuou no Azerbaijão, na Venezuela e no Japão, além, claro, do futebol tupiniquim. Foi no Treze/PB que ele ficou conhecido ao bater um pênalti com cavadinha contra o Botafogo/RJ que custou a eliminação do Galo da Borborema da Copa do Brasil de 2012. O veterano atleta fez uma estreia boa com a camisa nacionalista.

A partida seguia em banho-maria até os 30 minutos, quando o escrete da capital teve falta pela lateral esquerda. Léo Rocha bateu direto e a pelota fez uma curva monstra. O atacante Ortigoza se antecipou ao goleiro e meteu a cabeça na bola. Ela subiu bem alto e caiu dentro do gol. Um tento bem estranho que deu o empate ao onze mandante. Estranho ou não, vale igual.

O 1x1 animou o Nacional e a partir daí, empurrado pela torcida, os locais foram pra cima do Ramalhão. Decorridos 38 minutos tiveram um escanteio pela direita. A bola foi alçada e Michael Tuíque cabeceou firme, obrigando Thomazella a fazer grande defesa. O camisa 1 deu rebote e Everton Dias, mesmo sem ângulo, chutou firme e virou o placar de forma heroica. A performance confirmou o fato de que eles conseguem jogar bem em casa apenas na segunda etapa. Contando apenas os 45 minutos finais, foram quatro vitórias, dois empates, nenhuma derrota, oito gols marcados e apenas um sofrido. Tá na hora de estender isso pro primeiro tempo.


A zaga paulistana não foi muito acionada no segundo tempo. Quando o Ramalhão chegava, não ameaçava


Detalhe de ataque pela direita. Na imagem, o camisa 17 Léo Rocha, veterano atleta que deu outra cara ao Nacional no segundo tempo


Momento em que Michael Tuíque cabeceava firme para boa defesa do goleiro do Santo André. Na sequência o Nacional virou o placar

No fim, o resultado foi de Nacional 2-1 Santo André, a primeira vitória ferroviária depois de três empates e que ampliou a série invicta para oito compromissos. Agora o Naça tem 12 pontos, assim como o Ramalhão, que é 8º, mas em 10º lugar por causa dos critérios de desempate. Como classificaram os oito primeiros, eles tem chances de conquistarem uma vaga nas quartas-de-final, basta não vacilarem tanto.

Saí do Nicolau Alayon na base da carona com o Jurandyr. O que complicou bastante foi a presença de um monte de blocos carnavalescos na região da Barra Funda. Ficamos cerca de 45 minutos travados no trânsito e a saída foi seguir até o metrô Vila Madalena. Só dessa forma consegui pegar o caminho do trabalho. Foi um Carnaval com muito trabalho e nenhuma folga. Ossos do ofício!

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 2-1 Santo André

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon (São Paulo); Árbitro: Daniel Bernardes Serrano; Público: 370 pagantes; Renda: R$ 4.600,00; Cartões amarelos: Léo Cunha, Josué, Gabriel e Éverton Tchê (Nac); Gols: Ícaro (pênalti) 23 do 1º, Ortigoza 30 e Éverton Dias 38 do 2º.
Nacional: Maurício; Léo Cunha (Léo Rocha), Gabriel Santos, Éverton Dias e Caio Mendes (Felipe Pernambuco); Éverton Tchê, Matheus Lu, Danilo Negueba e Emerson Mi; Michael Tuíque e Josué (Ortigoza). Técnico: Jorginho.
Santo André: Thomazella; Vinícius, Ícaro, Leonardo e Denis Neves; Pedro Vítor, Roberto, Fabrício (Raphael) e Gui (Matheus Santiago); Anselmo e Maicon (Carlos Alberto). Técnico: Fernando Marchiori.
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