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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Portuguesa perde outra e está na lanterna da Série A2

Texto e fotos: Fernando Martinez


Fechei a rodada dupla do domingo num daqueles confrontos geniais que tanto gostamos: duelo do último contra o penúltimo do Campeonato Paulista da Série A2. O problema foi que, seguindo no processo "como acabar com um clube", um dos envolvidos era a Portuguesa, o outro o Penapolense. Foi mais um capítulo da sofrida via crucis lusitana na competição. O palco foi o abandonado Estádio Oswaldo Teixeira Duarte.

A Lusa vem fazendo uma campanha horrorosa e nas oito primeiras rodadas empatou cinco vezes e perdeu três. Com os resultados da rodada do sábado, ela entrou na zona de rebaixamento e precisava derrotar o lanterna Penapolense, também sem nenhuma vitória, se quisesse sair da incômoda posição. Nenhuma novidade sabendo do cenário de terra arrasada que temos pelos lados do Canindé. A cada rodada que passa, tenho mais certeza que os tempos de glória e jogos grandes vai demorar para voltar.

Detalhe: a diretoria lusitana teve a brilhante ideia de estipular o valor do ingresso em R$ 100 na atual temporada tentando forçar os torcedores a comprarem o carnê que que dá direito a ver todos os jogos por R$ 140. O lance do carnê em si é ótimo, o que não pode é definir um valor abusivo desses no ingresso cheio. Essa ideia estúpida só nos faz crer que o trabalho está sendo feito com o claro intuito de acabar com a quase centenária agremiação paulistana. Se não for isso, não faz sentido nenhum.


Associação Portuguesa de Desportos - São Paulo/SP


Clube Atlético Penapolense - Penápolis/SP


O simpático quarteto de arbitragem composto pelo árbitro Leandro Carvalho da Silva, os assistentes Alex Alexandrino e Fernando Afonso de Melo e o quarto árbitro Thiago Lourenço de Mattos. Na imagem, também os capitães das duas equipes


O delegado da FPF na partida foi José de Assis Aragão, figura histórica do futebol brasileiro. Antes do jogo lembramos dos seus tempos de técnico e suas duas passagens pelo Nacional nos anos 90

O clima nas arquibancadas, claro, não era nada tranquilo. Nem bem a bola tinha rolado e a rapaziada já estava xingando Deus e o Mundo. Nenhum atleta foi poupado dos apupos e vaias e cada toque errado, a cada finalização desperdiçada e a cada bola perdida. O Penapolense não tem um time bom, só que conseguiram se aproveitar do nervosismo local e construíram uma senhora vantagem já na etapa inicial.

O primeiro gol visitante foi marcado aos 32 minutos. Douglas cruzou da direita e o zagueiro Lucas Bahia deu uma furada antológica quando mergulhou tentando o corte. A pelota então sobrou para Ricardinho. Ele matou e chutou de primeira, colocando no canto esquerdo de Rafael Pascoal. Nos acréscimos, a zaga rubro-verde assistiu Rafael Sayão avançar e tocar na esquerda para Franklin. O camisa 6 entrou na área e chutou no contra-pé do arqueiro, ampliando a vantagem visitante.

Se o ambiente já não estava legal, esse 0x2 deixou a coisa numa vibe terrível. Só um milagre no tempo final faria a galera sair do estádio um pouco menos revoltada. Milagre, pois quando a peleja recomeçou, nada mudou. O novo comandante, o técnico Paulo Roberto, provavelmente arrancava os cabelos na cabine. Vale registrar que os jogadores da Portuguesa pelo menos tentavam. O problema é que a capacidade técnica deles não é muito grande.


Início de ataque lusitano no começo do duelo contra o Penapolense


Boa saída do gol de Rafael Pascoal em ataque aéreo visitante



Duas investidas rubro-verdes pelo setor direito

O escrete paulistano chegou dentro da área do CAP algumas vezes e em nenhuma delas criou uma oportunidade digna de registro. Como desgraça pouca é bobagem, o Penapolense chegou aos 3x0 aos 25 minutos num ataque bem despretensioso. João Lucas aproveitou bola espirrada na intermediária e acertou um chutaço no canto esquerdo. Tudo bem que a situação é péssima, porém nem o torcedor mais pessimista imaginava que sofreriam uma goleada do lanterna em casa.

Na saída de bola a Lusa diminuiu com Fernandinho aproveitando rebote da zaga e com a bola desviando na zaga. Aos 38, o mesmo Fernandinho fez o segundo em cobrança de pênalti que bateu na trave antes de entrar. Com cerca de 10 minutos faltando, rolou uma pressão em busca do empate. Foi uma blitz um tanto quanto desorganizada em que o goleiro da Pantera da Noroeste pouco trabalhou. Logo, o marcador não sofreu alteração.


Uma tímida ofensiva da Portuguesa no tempo final


Escanteio pela direita e boa saída do goleiro Samuel Pires


O primeiro gol paulistano foi marcado por Fernandinho em cobrança de pênalti aos 33 do segundo tempo


Já que a situação lusitana não está fácil, pelo menos dá pra descansar um pouco na arquibancada do Canindé

O placar final de Portuguesa 2-3 Penapolense colocou os paulistanos na lanterna da Série A2 após nove rodadas realizadas. Inacreditável como o fundo do poço no Canindé parece não ter fim. Há seis anos, era um clube que jogava A1, Série A do nacional e Copa Sul-Americana. Hoje está perto de disputar a Série A3 no seu centenário. Triste ver a Lusa cada vez pior e sem nenhuma expectativa de mudança.

A sorte foi que no exato momento do apito final um dilúvio imenso deu as caras na Zona Norte e espantou a torcida. O protesto feito antes da partida não se repetiu depois dela. Foi o que salvou diretoria e atletas. Na semana que vem os rubro-verdes visitarão o Taubaté em busca da primeira vitória. Daqui a duas semanas, receberão o Nacional na sua casa.

Foi isso. Fui até o metrô e ainda tive que dar uma passeada no ar condicionado antes de retornar à Pinheiros. Apesar da noite ter chegado, os blocos ainda estavam bombando e o mundo estaria na redondeza. Desci uma estação antes e fui a pé em meio aos foliões, passando menos perrengue do que imaginava. Ufa.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Portuguesa 2-3 Penapolense

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (São Paulo); Árbitro: Leandro Carvalho da Silva; Público: 587 pagantes; Renda: R$ 11.570,00; Cartões amarelos: Lucas Bahia (Por), Osmar, Guilherme e Rafael Sayão (Pen); Gols: Ricardinho 32 e Franklin 47 do 1º, João Lucas 25, Fernandinho 33 e 38 (pênalti) do 2º.
Portuguesa: Rafael Pascoal; Hudson, Lucas Bahia, Polidoro e Bruno Costa (Cesinha); Jonatas Paulista, Paulinho (João Gurgel), André Rocha (Luizinho) e Bruno Ribeiro; Matheus Rodrigues e Fernandinho. Técnico: Paulo Roberto Santos.
Penapolense:  Samuel; Douglas, Guilherme, Alex Flávio e Franklin; Raniele, Jácio (Willian), Carlos Henrique (João Lucas) e Rafael Sayão; Ricardinho e Osmar (Jefferson). Técnico: Edson Só.
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