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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Nacional espanta a zica e volta a vencer após 11 jogos

Texto e fotos: Fernando Martinez


No final de semana o Campeonato Paulista da Série A2 chegou à sua sexta rodada e outra vez teve cobertura do JP no Estádio Nicolau Alayon. O quase-centenário Nacional recebeu o São Bernardo FC num jogo de duas equipes que ainda não tinham vencido na competição. Os ferroviários estavam com três pontos ocupando a 14ª posição enquanto o Tigre do ABC era o 10º com quatro. Essa é a 39º minha cobertura consecutiva do antigo SPR na sua casa. Dois anos, cinco meses e contando...

O duelo foi o nono entre os dois na história. Nos oito anteriores, o Naça tinha vencido duas vezes, o onze do ABC três e também foram registrados três empates. Detalhe: os paulistanos foram derrotados nos três primeiros encontros e desde então não perderam mais. Aqui no Jogos Perdidos foram duas coberturas: um 1x1 heroico pela Copa Paulista em 2015 e outro 1x1, este na abertura da A2 do ano passado, ambos realizados na capital.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


São Bernardo Futebol Clube Ltda. - São Bernardo do Campo/SP


Capitães dos clubes junto com o árbitro Rodrigo Gomes Domingues e os assistentes Luis Alexandre Nilsen e Leonardo Tadeu Pedro

Como curiosidade, finalmente o técnico Wilson Júnior se apresentou na cancha paulistana nessa A2. Ele esteve no Nacional por dois meses entre novembro e dezembro e saiu do clube, junto com doze atletas, quando a parceria pegou todo mundo e se mandou em direção ao São Bernardo FC. Até aqui, eles ainda não fizeram diferença nenhuma e estão deixando a torcida preta e amarela preocupada com a campanha fraca. Pelos lados do Naça, tivemos a estreia do técnico Jorginho "Cantinflas", aquele mesmo ex-Palmeiras e ex-Goiás e figurinha carimbada nas arquibancadas da Comendador Souza. Esperamos que ele tenha sucesso nessa nova empreitada.

Após alguns dias de trégua o calor voltou com tudo e a peleja foi disputada debaixo de um sol insuportável. No céu o panorama não era bom e dentro das quatro linhas o cenário também não foi nada animador. As duas agremiações fizeram uma partida fraca, modorrenta e arrastada. Pouco se viu digno de registro e os 90 minutos triplicaram, tamanha foi a falta de ousadia e criatividade vista no relvado. Para piorar, aguentei apenas poucos minutos acompanhando o ataque nacionalista por que a linha de fundo estava infestada de mosquitos, e eles acharam boa ideia ficarem próximos dos fotógrafos, eu incluído, ali presentes.


Ataque nacionalista pela esquerda


Fernando, camisa 8 do Tigre, afastando a pelota da área


Troca de passes no lado esquerdo do ataque local

Na parte coberta se encontravam os amigos Mílton, Bruno e o sumido Rodrigo Leite, recém-chegado do Rio de Janeiro. Resolvi ficar por ali até o apito final. Mais uma vez o que valeu a pena foi o papo com a rapaziada, já que o futebol estava em falta. Na etapa final o São Bernardo FC retornou menos pior e ficou bastante tempo dentro do campo de defesa adversário. Não que isso tenha significado a criação de boas oportunidades, longe disso. A rigor, os visitantes tiveram apenas uma grande chance... e que chance. Por volta dos 30 minutos, Léo Cereja, ex-Nacional e também conhecido como "Leo Cherry", pintou cara-a-cara na frente do goleiro Maurício e o veterano atleta fez brilhante defesa.

O cotejo estava com aquele cheirinho desagradável de 0x0 até os 39 minutos. Num ataque meio sem querer, Matheus Lu ganhou dividida de Nando Carandina e avançou pela direita. A bola foi cruzada e chegou em Michael Thuique. Ele venceu a marcação do zagueiro Dogão e tocou firme. O goleiro André Dias ainda conseguiu relar na pelota, mas não foi capaz de impedir que ela entrasse em seu gol. Foi o primeiro tento do Nacional em casa em 2019. Nos minutos restantes o São Bernardo FC tentou fazer uma pressão, sem sucesso.


Bola disputada no alto no meio-campo


Matheus Lú e uma boa chegada do Nacional no segundo tempo


O camisa 1 Maurício fazendo defesa em cobrança de falta


A comemoração aliviada de Michael Thuíque no gol ferroviário, o primeiro em casa no ano do centenário

No fim, o placar de Nacional 1-0 São Bernardo FC registrou a primeira vitória nacionalista depois de um jejum de onze confrontos. O triunfo também colocou o clube da Zona Oeste na décima colocação da primeira fase da A2, agora com seis pontos. O Tigre é o 11º, ainda sem vencer. Vamos ver se o Naça consegue se encontrar na competição a partir de agora. Na próxima rodada os dois atuam em casa. Os azuis e vermelhos recebem o Sertãozinho enquanto o SBFC enfrenta o Juventus. 

Assim que o árbitro encerrou o duelo peguei o caminho do Morumbi já que o dever me chamava. Por conta da Operação Tartaruga, sempre operante na CPTM nos finais de semana, levei mais tempo do que esperava. Tudo bem, afinal, aqui é tudo pelo social. Futebol de novo vai pintar no meio da semana com, se tudo der certo, outro compromisso do Nacional.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 1-0 São Bernardo FC

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon; Árbitro: Rodrigo Gomes Domingues; Público: 386 pagantes; Renda: R$ 4.920,00; Cartões amarelos: Gabriel Santos, Caio Mendes e Hebert (Nac), Fernando, Felipe Fumaça e Daniel Vançan (SBFC); Gol: Michael Thuíque 39 do 2º.
Nacional: Maurício Telles; Danilo Negueba, Gabriel Santos (Jeferson), Everton Dias e Caio Mendes; Bruno Sabino, Josué (Matheus Humberto), Everton Tchê e Emerson Mi (Hebert); Michael Thuíque e Matheus Lú. Técnico: Jorginho.
São Bernardo FC: André Dias; Thiago Ennes, Vinícius Leandro, Dogão e Daniel Vançan; Geandro (Felipe Fumaça), Léo Cereja (Leandro Jabá), Fernando (Nando Carandina) e Raphael Luz; Magrão e Ermínio. Técnico: Wilson Júnior.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Nacional 0-0 Rio Claro ou "As 24 Horas do Nicolau Alayon"

Texto e fotos: Fernando Martinez


Com mais de 2.900 jogos vistos in loco já me deparei com um sem número de situações surreais, mas a quarta rodada da fase inicial do Campeonato Paulista da Série A2 me trouxe uma situação inédita nos meus 36 anos em estádios: uma partida que durou praticamente 24 horas. Falo do duelo entre Nacional e Rio Claro realizado no Estádio Nicolau Alayon, a 38ª apresentação consecutiva que acompanhei do onze ferroviário dentro de casa.

A equipe paulistana chegou nesse compromisso com a corda no pescoço. Nas três rodadas iniciais, derrotas contra Briosa e Água Santa (essa com matéria aqui no JP) e um bom empate fora de casa contra o XV de Piracicaba. O técnico Allan Aal estava super ameaçado e caso não vencesse, dificilmente teria forças para continuar no cargo. Só que jogar contra o Rio Claro, terceiro colocado com seis pontos, certamente não seria uma tarefa tranquila.


Nacional Atlético Clube - São Paulo/SP


Rio Claro Futebol Clube - Rio Claro/SP


Os capitães dos times, o árbitro José de Araujo Ribeiro Junior, os assistentes Paulo de Souza Amaral e Leonardo Lourenço Marchiori e a quarta árbitra Edina Alves Batista

Sob um calor fortíssimo na pior semana de um dos piores janeiros da história, a previsão dizia que a chance de chuva era pequena. Sob essa expectativa fui até a Comendador Souza suando em bicas e com um tremendo mal estar debaixo dos quase 39 graus de sensação térmica. Quando cheguei no clube notei que algumas nuvens estavam se formando pelos lados da Zona Leste. Nem liguei e fui me credenciar. Fiz a estreia do meu banquinho, já que agora não podemos ficar de pé (!) atrás dos gols fazendo fotos.

O Nacional iniciou os trabalhos querendo fazer valer o fator campo e teve a primeira boa chance aos dez minutos quando Lucas Lino chutou forte e Murilo fez a defesa. Aos poucos o escrete rio-clarense foi melhorando e o goleiro Maurício se tornou no melhor da tarde. O primeiro bom momento do Azulão foi aos 25 minutos em tiro de Bruno Formigoni e grande intervenção do camisa 1. Logo em seguida, quase Franco fez gol olímpico, porém o goleiro defendeu bem outra vez. Nesse ínterim (sempre quis usar essa palavra) as nuvens negras da ZL estavam chegando depressa e não demorou para as primeiras gotas começarem a cair.

Fui até a parte coberta acompanhar a peleja com o seu Natal, o roqueiro Renato Rocha e o magnânimo The Watcher e dali acompanhei o crescimento contínuo da tempestade. Com a bola ainda rolando, Maurício ainda teve tempo de fazer mais duas belas intervenções antes do intervalo chegar. Quando os times seguiram para os vestiários a situação se complicou de vez. Vimos o dilúvio de Noé chegar com força e com ele muitos raios, trovões e granizo.


Disputa de bola pelo alto no campo de defesa local


Jogador do Rio Claro fazendo uma pose plástica dentro da sua área


Um dos bons ataques visitantes no final do primeiro tempo


Detalhe do gramado do Nicolau Alayon durante o dilúvio que caiu na Zona Oeste paulistana

Passados os quinze minutos de descanso não teve como atletas e quarteto de arbitragem retornarem ao gramado pois a situação estava feia. Poucas vezes vi uma chuva tão forte estacionada numa mesma região por tanto tempo. Conforme o relógio corria ela foi piorando, piorando, piorando e foi questão de minutos pro relvado ficar num estado lamentável e sem nenhuma condição. A energia elétrica foi pro saco e os presentes se espremiam nos poucos pedaços ainda secos da numerada. Nas tribunas, as emissoras de rádio sofreram com o forte vento e tiveram os equipamentos atingidos impiedosamente pela água.

Estava claro que a peleja seria paralisada e agora a preocupação era como sairíamos dali. Só por volta das seis e meia da tarde São Pedro fechou a torneira e então pegamos o caminho da roça. Primeiro tentei sair dali de ônibus, mas a Marquês de São Vicente, avenida que fica na frente do Nacional, estava alagada. Tive que descer do coletivo e voltar a pé até a Estação Água Branca. Menos mal que os trilhos da CPTM estavam livres e então pude chegar no QG sem muito percalço. As notícias da noite confirmaram que a segunda etapa seria jogada às 15 horas da quinta-feira.

De início não estava animado para encarar uma nova ida ao Nicolau Alayon na quinta-feira, muito por conta do trabalho e também porquê a previsão mostrava que a sensação térmica estaria na casa dos 39 graus (!) na hora da partida. Fiz uma retrospectiva e lembrei que já tinha visto dois cotejos interrompidos pela chuva até então: a primeira um Juventus x Ituano na Javari pelo Paulistão de 2003 e a segunda o hiper-polêmico São Bernardo FC x Penapolense pela Segundona de 2005. Como nos dois casos só vi metade dos duelos, acabei decidindo ir só pelo fato de acompanhar pela primeira vez um cotejo finalizado em dois dias diferentes.

Os meteorologistas acertaram em cheio e o calor que fez na quinta-feira não foi moleza. Cheguei no Nicolau Alayon faltando cerca de vinte minutos para o reinício e a minha camiseta já estava completamente encharcada. Mesmo sem muito pique de ficar debaixo do sol fui acompanhar um pouco do ataque nacionalista. O legal é que as equipes trocaram de uniforme, já que as camisas brancas do Rio Claro estavam sujas e não tiveram como serem lavadas. O Naça então ficou de branco enquanto os visitantes vestiram um modelito todo azul.

Assim como na primeira etapa realizada no dia anterior, os locais tentaram emplacar aquela pressão marota em ataques principalmente pela direita. A pouca assistência que compareceu na cancha se animou, pena que por apenas alguns minutos. O Rio Claro logo voltou a jogar melhor e mais uma vez obrigou o goleiro Maurício a trabalhar bastante. Aos 11, Elton recebeu passe de Nathan e chutou em cima do guarda-metas. Aos 27, foi a vez de Nathan ter seu momento em chute que passou por cima da meta. Cinco minutos depois foi a vez do veterano atleta nacionalista fazer brilhante intervenção em cobrança de falta.


De camisas trocadas, o Nacional tenta atacar pela direita


Falta a favor do onze visitante


Uma das várias defesas importantes do goleiro Maurício, o principal responsável pelo empate na Comendador Souza


O escrete nacionalista saindo pro ataque

Pra não dizer que o Nacional não tentou, ele até que tentou sim. Só que que a qualidade dos passes era terrível e todas as investidas foram infrutíferas. Deu raiva acompanhar a série de passes errados, toques bisonhos e chutes sem direção. Se não fosse a magnífica atuação do seu arqueiro, o escrete ferroviário teria saído de campo com outra derrota. No fim, o Nacional 0-0 Rio Claro foi até que bom pro Azulão e péssimo para os paulistanos. O empate tirou o time do Z2 e agora somam três pontos junto com o Penapolense, este com saldo pior. O Azulão é quarto com sete pontos.

Sem tempo a perder saí correndo da Comendador Souza com a meta de chegar no Morumbi em uma hora. Corri muito e cheguei em cima da pinta. Tudo bem que o preço foi alto, já que a pressão desabou por causa do fortíssimo calor e demorei para retornar ao estado normal. Cortesia desse verão tenebroso que estamos vivendo. Como aqui é tudo pelo social, vamos em frente. Futebol de novo? Não tenho nem ideia.

Até a próxima!

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Ficha Técnica: Nacional 0-0 Rio Claro

Competição: Campeonato Paulista Série A2; Local: Estádio Nicolau Alayon; Árbitro: José de Araujo Ribeiro Junior; Público: 221 pagantes; Renda: R$ 2.550,00; Cartões amarelos: Caio Mendes e Gabriel Santos (Nac), Fernando (Rio).
Nacional: Maurício Telles; Fabiano, Gabriel Santos, Everton Dias e Caio Mendes; Bruno Sabino, Everton Tchê e Danilo Negueba; Lucas Lino (Patrik), Matheus Ortigoza (Michael Thuíque) e Matheus Humberto (Emerson Mi). Técnico: Allan Aal.
Rio Claro: Murilo; Toninho, Fernando (Diego), Salustiano e Douglas; Formigoni, Franco, Nathan e Elton (Daniel); Vitor (Denner) e Edson. Técnico: Wagner Salino.
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