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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Timão goleia e elimina a surpresa Visão Celeste da Copinha

Texto e fotos: Fernando Martinez


A Copa São Paulo de Futebol Júnior chegou na sua fase de oitavas-de-final e nela tivemos um encontro absolutamente surreal com cara de primeira fase. O todo-poderoso Corinthians, dez vezes campeão, dezoito vezes finalista e presente em todas as edições, enfrentou o surpreendente Visão Celeste Esporte Clube, onze potiguar da cidade de Parnamirim que faz sua estreia em 2019 e já desbancou times manjados do cenário esportivo nacional. O palco desse duelo foi a Arena Barueri e, apesar do horário ruim, não tinha como ficar de fora.

O Mosqueteiro chegou entre os 16 melhores tendo conquistado três vitórias e dois empates, passando pelo Red Bull no sufoco apenas nos pênaltis. Já o genial Visão Celeste terminou na liderança do Grupo 20 com duas vitórias e uma derrota. Na segunda fase eliminou o Primavera nos penais e depois derrotou o Fortaleza, se transformando no melhor nordestino na edição atual da Copinha e também no melhor potiguar na história. Num estado com ABC e América, isso definitivamente não é pouca coisa.

O escrete parnamirinense se credenciou para a sua primeira Copa São Paulo depois de ser o vice-campeão sub-19 do Rio Grande do Norte no ano passado. As origens do clube vem de 1972, quando foi fundado o São Paulo FC. O tricolor foi vice da segunda divisão estadual em 1998 (o genial Piranhas foi o campeão) e disputou a elite em 1999 e 2000. Nos anos 2000 e afastaram do profissionalismo até que, em março de 2010, um grupo de pastores comprou a equipe e a renomeou. Nunca saíram da segunda divisão estadual, mas já fazem um trabalho relevante na base.


Sport Club Corinthians Paulista (sub-20) - São Paulo/SP


Visão Celeste Esporte Clube (sub-20) - Parnamirim/RN


Capitães dos times e quarteto de arbitragem

Depois de disputarem seus cinco compromissos em Itu, o Ituano quis preservar o seu gramado e então a FPF marcou o cotejo para Barueri. A equação "Ingresso na faixa + Corinthians na Copinha + Grande São Paulo" tem como resultado óbvio a presença de muita torcida. Fui de trem até a Estação Jardim Belval e junto comigo um sem número de torcedores corintianos seguiu pelo caminho de 20 minutos até chegar no bonito estádio barueriense. Enquanto a massa foi pegar uma das várias filas existentes, entrei pelo portão da imprensa e logo depois já me encontrava dentro de campo.

O Visão Celeste já estava satisfeito com sua campanha e, além da grande performance até então, o fato de jogar contra o Corinthians em jogo transmitido ao vivo certamente será motivo de orgulho eterno para atletas, comissão técnica e dirigentes do escrete nordestino. Dito isso, ninguém em sã consciência esperava uma zebra e os paulistas eram amplos favoritos. Quando a bola começou a rolar, um sonoro massacre começou a se desenhar desde os primeiros movimentos.

Logo aos dois minutos o alvinegro teve a primeira chance de gol e o arqueiro visitante defendeu bem. Aos nove Rafael Bilu teve um bom momento e aos onze Fabricio Oya cobrou falta com estilo, abrindo o marcador. O time continuou em cima e fez o segundo aos 24. Janderson cruzou da direita, o zagueiro Caio tentou afastar mas bateu mal na bola. Ela sobrou para Nathan que, de cabeça, encobriu o arqueiro Patrick. Nove minutos depois novo tento, novamente com Nathan. Ele aproveitou rebote do arqueiro em chute de Fabricio Oya e marcou 3x0. O Visão Celeste estava entregue e por sorte não desceu aos vestiários com uma derrota parcial por maior margem de gols.



Fabrício Oya se preparando para bater a falta e a bola estufando as redes do Visão Celeste. Era o primeiro gol corintiano


A zaga do Visão Celeste foi valente, mas não conseguiu parar o poderoso ataque alvinegro


Detalhe do segundo gol mosqueteiro, marcado de cabeça por Nathan


A massa de torcedores ocupando todo o setor das arquibancadas da Arena Barueri

No tempo final os mosqueteiros foram ainda melhores, sob o olhar de êxtase dos 17.885 presentes (em tempo: esse foi o público oficial, porém calculo cerca de sete, no máximo oito mil torcedores ali. Em Barueri sempre rola esse cálculo superestimado). Nem bem o relógio tinha completado a primeira volta do ponteiro e saiu o quarto. Igor avançou pela direita e arriscou de longe. O goleiro Patrick falhou feio e deixou a bola passar. No minuto seguinte quase ele faz besteira de novo. O camisa 1 foi mal e a pelota sobrou para Du. O volante chutou forte, tirando tinta da trave.

Aos cinco Nathan fez mais um, só que o árbitro anulou marcando impedimento. O Visão Celeste estava entregue e quase tomou outro aos oito quando Janderson finalizou desequilibrado e desperdiçou. Três minutos depois a vantagem foi ampliada numa bela cobrança de falta de Rafinha por cima da barreira. Dois gols dessa forma numa mesma partida é algo bem raro nos dias atuais.

Gustavo Mantuan manteve o bom ritmo paulista e fez o sexto aos 19 minutos. Ele avançou pela esquerda e chutou de fora da área, colocando a bola milimetricamente no canto. Nem com os 6x0 na conta o Corinthians parou de atacar, castigando impiedosamente os potiguares. Aos 22, de novo Mantuan quase fez outro gol de falta. Aos 28, João Celeri chutou muito de longe e fez um golaço, o sétimo da noite. Levando em conta que a maior goleada corintiana na história da Copinha é um 9x0 em cima do Santos/PB em 2012, ainda tinha tempo pro recorde ser batido.

Rafinha teve a chance do oitavo aos 29, mas o arqueiro visitante apareceu bem. Depois desse lance, o mosqueteiro sossegou e ficou apenas administrando a vantagem. Aos 43, João Celeri fez seu segundo e o oitavo do Timão numa boa cabeçada. Ele mesmo teve a oportunidade de igualar a maior goleada do escrete preto e branco no minuto seguinte. A defesa do Visão Celeste vacilou e perdeu a bola pro atleta corintiano. O camisa 9 ficou cara-a-cara com o arqueiro mas mandou pela linha de fundo. Posso falar sem medo que esse até eu faria.


Quinto gol corintiano marcado em outra cobrança de falta, agora com Rafinha


Uma das poucas vezes em que o onze potiguar passou do meio-campo no segundo tempo


Aos 43, João Celeri fechou a goleada do Corinthians, a segunda maior da equipe na história da Copinha


O Corinthians 8-0 Visão Celeste só ficou atrás do triunfo por 9-0 em cima do Santos da Paraíba na edição 2012 do certame


Mesmo com a goleada sofrida, o Visão Celeste merece todos os aplausos. Não foi pouco terem chegado nas oitavas-de-final, a melhor participação de um nordestino em 2019 e a melhor de uma equipe do Rio Grande do Norte em todos os tempos

Se o recorde não foi batido, o Corinthians 8-0 Visão Celeste/RN foi a maior goleada da edição 50 da Copa São Paulo até aqui e essa marca dificilmente será batida pensando no equilíbrio dos confrontos a partir das quartas. O alvinegro, que agora tem o melhor ataque do certame, vai pegar o Grêmio pensando numa vaga na semi-final. Do lado nordestino, fica a certeza que apesar da goleada o trabalho foi espetacular. Estar entre os 16 melhores da principal competição de base do país não é para qualquer um.

Eu iria sair mais cedo da peleja por conta do horário, caso contrário não pegaria o último trem passando pelo Jardim Belval. Por sorte consegui uma abençoada carona com um amigo fotógrafo e ele me deixou bem perto do meu QG na capital. Provavelmente por conta do trabalho essa foi minha última cobertura na Copinha 2019. Tudo bem, já me acostumei com o fato e vamos assim sempre com um sorriso no rosto. Voltaremos na outra semana com a Série A2 do estado.

Até lá!

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Ficha Técnica: Corinthians 8-0 Visão Celeste/RN

Competição: Copa São Paulo de Futebol Júnior; Local: Arena Barueri; Árbitro: Rodrigo Pires de Oliveira; Público: 17.885 presentes; Renda: Portões abertos; Cartão amarelo: Luan (Vis); Gols: Fabrício Oya 11, Nathan 25 e 33 do 1º, Igor 1, Rafinha 11, Gustavo Mantuan 19, João Celeri 29 e 43 do 2º.
Corinthians: Diego; Igor, Jordan (Franklin), Ronald e Caetano; Du, Roni (Adson) e Fabricio Oya (Rafinha); Janderson (Gustavo Mantuan), Rafael Bilu (Daniel Marcos) e Nathan Palafoz (João Celeri). Técnico: Eduardo Barroca.
Visão Celeste: Patrick; Rodrigo (Thiago Lucas), Caio (Paulo), Ellington e João Victor (Gouveia); Luan, Rian e Juninho (Victor); Pedro Hugo (Sergipe), Thyago Pires (Eduardo) e Zé Eduardo. Técnico: Mirabor Rocha.
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