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sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz 2017!



O post hoje é para desejar um Feliz 2017 a todos os amigos que ainda acessam o Jogos Perdidos nesses áridos tempos. O visitante mais atento que nos visitou em 2016 percebeu que hoje chamar o JP de "Blog do Fernando" não é nenhum absurdo, já que pela primeira vez na nossa história só tivemos posts meus publicados. Sei que não é o ideal, mas é a realidade.

Pensei seriamente em largar o JP durante os últimos meses e começar o ano novo em novo endereço, num novo astral e sem ninguém para atrapalhar. Pensei, mas não realizei (pelo menos por enquanto) pois acho que tenho lenha para queimar por aqui e também porquê seria uma judiação ver uma marca tão importante morrer de uma forma tão melancólica.

No final das contas entrarei em 2017 finalmente convencido que aquele "grupo de amigos que se reúne para ver jogos no final de semana" existe apenas na memória e que definitivamente nunca mais irá voltar. Todos os nove "originais" tiveram uma importância enorme em consolidar o Jogos Perdidos no contexto do futebol paulista. Só que isso hoje faz parte do passado, e cabe a mim aceitar que a realidade é segurar a bronca sozinho, sabendo e, principalmente, aceitando que todos ficaram para trás. A partir de agora é bola pra frente, seguindo firme e forte para o 13º aniversário!

Dito tudo isso, quero aproveitar esse momento e agradecer cada alma que acessa o blog, cada um que me manda mensagem no Facebook, cada pessoa que vem me contar que está matando tal time só porquê viu eu falar disso por aqui e que começou a encarar os estádios mais alternativos só por nossa causa. Agradeço também todos os dirigentes, os árbitros, o pessoal da FPF, cada torcedor de arquibancada e cada atleta que encontro nos estádios da vida. A presença de todos no dia-a-dia contou muito para eu não deixar essa ideia morrer de vez. A vocês, muito obrigado.

Grande ano para nós, amigos!

Fernando

sábado, 24 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 17): Alemanha ouro no futebol feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede da Olimpíada-2016 eu tinha a ideia de ver bastante coisa, mas nenhuma esperança em assistir provas ou decisões importantes. Por conta e uma sorte imensa e também do auxílio de amigos próximos consegui ver a terceira medalha de ouro de Usain Bolt nos 100 metros rasos por exemplo. Além disso, minha última parada na sede dos Jogos foi muito especial com três eventos geniais nos três últimos dias da festa.

Fui pro Rio pela ponte aérea na manhã de sexta, fechando a trilogia ônibus (no primeiro final de semana), carro (no segundo) e aeroplano. Num calor dos infernos desci no aeroporto Santos Dumont e dali segui até a região do Maracanã sem poder perder tempo, já que o cronograma estava bastante apertado. Tudo para não perder a grande decisão da medalha de ouro do futebol feminino entre Suécia e Alemanha.

Você viu aqui no JP a goleada alemã na estreia contra a genial seleção do Zimbabwe e depois o empate por 2x2 contra a Austrália, ambas as pelejas realizadas na Arena Corinthians. A equipe fez parte do Grupo F e se garantiu nas quartas na segunda colocação da chave. Depois, eliminaram China e Canadá, chegando à decisão inédita. Já as suecas estavam no Grupo E na fase inicial. Mesmo com uma derrota por 5x1 sofrida contra o Brasil, elas se garantiram como uma das melhores terceiras colocadas. Depois eliminaram nada menos do que os Estados Unidos - a primeira vez em que as norte-americanas não chegam na final - e depois, lamentavelmente, o escrete canarinho.

Por conta da inesperada e triste eliminação do onze verde e amarelo, muita gente que tinha comprado ingresso resolveu não aparecer no Maracanã. Apesar disso, o público foi de 52.432 pagantes, um número pra lá de respeitável. Grande parte dos presentes estava torcendo para as carrascas suecas, certamente reflexo dos 7x1 de dois anos antes e da tensão já vivida no ar antecipando a final masculina do domingo. Acessei o ex-maior do mundo de boa, sem crise e antes de ir pro meu lugar dei a famosa passeada pelas dependências do velho novo estádio. Confesso que bateu forte a emoção quando vi a Pira Olímpica pela primeira vez.


Visão do velho novo estádio antes da decisão da medalha de ouro do futebol feminino


A bela Pira Olímpica brilhando no Maracanã


Seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais

Faltando meia hora pro apito inicial finalmente cheguei ao meu lugar e dali fiquei nas duas horas seguintes. Não esperava muito da Suécia e elas confirmaram a baixa expectativa. Já com a Alemanha foi bem diferente já que as moças de vermelho confirmaram o favoritismo e tiveram uma atuação muito boa. A primeira oportunidade da final foi azul e amarela aos nove minutos. Schogh finalizou pelo alto depois de cruzamento de Schelin.

A partir daí só o selecionado germânico apareceu. Aos onze Leupolz escapou pela direita e cruzou por baixo. A goleira Lindahl quase bateu roupa e se complicou. Nove minutos depois Kemme recebeu passe na esquerda e cruzou na cabeça de Leupolz. A camisa 16 subiu bem, porém mandou por cima do travessão. Aos 24 Maier chutou de longe, Lindahl bateu roupa e o rebote caiu nos pés de Mittag. Só que a camisa 11 conseguiu desperdiçar a oportunidade.

A Suécia só voltou a assustar aos 27, quando Schelin recebeu bola na direita, avançou com liberdade e chutou da entrada da área. A bola passou perto da meta defendida por Schult. Desse lance até o final do tempo inicial a partida ficou concentrada no meio-campo e nada mais aconteceu. Os primeiros 45 minutos da decisão da medalha de ouro ficaram em branco.


Bola voando dentro da área da Alemanha


Agora um ataque alemão, também pelo alto


Investida sueca no primeiro tempo. Notem a bem postada linha defensiva das meninas de vermelho

No tempo final a Alemanha voltou ao gramado não disposta a vacilar mais. Logo aos dois minutos Leupolz atacou pela direita e cruzou rasteiro. A pelota passou por todas as atletas, mas não por Marozsán. A camisa 10 dominou e chutou no alto, sem nenhuma chance para Lindahl. Se ouviram muitas vaias no Maracanã com o tento alemão. A Suécia sentiu o tento e sofreu o segundo aos 15. A artilheira Marozsán cobrou falta na trave e no rebote a zagueira Sembrant, na base do susto, bateu de canela e mandou contra o próprio gol.

Achei que as nórdicas estariam totalmente batidas depois dos 2x0, porém aos 21 elas diminuíram o marcador. Numa jogada pela direita, Schough mandou por baixo e Blackstenius tocou firme, vencendo Schult. Só que esse gol se mostrou apenas um lance isolado e em nenhum momento a vantagem construída foi ameaçada. Aliás, muito pelo contrário. Aos 30 e aos 38 minutos Maier e Marozsán finalizaram bem e Lindahl mostrou serviço. A pressão das meninas do "Konungariket Sverige" foi bem sem graça e conforme o tempo foi passando, a certeza que a medalha de ouro estava definida só aumentava.


Defensora da Suécia tocando na pelota no seu campo defensivo


Cobrança de falta que originou o segundo gol alemão


Zaga vermelha afastando o perigo em tentativa sueca

Quando a canadense Carol Chenard apitou pela última vez, o placar do Maracanã mostrava o placar de Suécia 1-2 Alemanha. Assim como dois anos antes, um selecionado germânico fez a festa na velha nova cancha carioca. A medalha de ouro foi garantida com uma campanha de quatro vitórias, um empate e uma derrota (contra o Canadá na primeira fase). Na sua quinta participação, a quarta medalha. Para as suecas, a prata foi muito bem recebida. O bronze ficou com o Canadá, que derrotou o Brasil em São Paulo.



A volta olímpica das medalhistas de ouro e de prata da Rio-2016


A cerimônia de premiação que marcou o fim da disputa do futebol feminino nos Jogos Olímpicos

Saí do estádio lembrando da Copa do Mundo de 2014 e também refletindo sobre o que tinha acabado de ver. A minha esperança era que não houvesse uma terceira festa alemã no dia seguinte. Não seria justo. Estava a menos de 24 horas de acompanhar a grande decisão do futebol masculino e eu tinha a certeza que, pro bem ou pro mal, eu estava prestes a acompanhar algo histórico. Antes do banho de emoção ainda teve tempo para visitar o Parque Olímpico pela última vez.

Até lá!

© 2018

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 16): Alemães na inédita final do futebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


No dia 17 de agosto, uma quarta-feira, o torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos chegou à sua fase semi-final. No primeiro jogo do dia o Brasil aniquilou Honduras com sua maior vitória na história dos Jogos e se garantiu na grande decisão. O segundo foi realizado pertinho de casa, na Arena Corinthians, e reuniu duas verdadeiras asas-negras do time verde e amarelo: Nigéria e Alemanha.

As duas seleções já haviam aparecido por aqui em jogos da primeira fase: os nigerianos quando foram derrotados pela Colômbia também em solo paulistano e os alemães no ótimo empate contra o México na estreia de ambos em Salvador. Aliás vale lembrar que o encontro contra os norte-americanos foi o primeiro compromisso dos atuais campeões do mundo numa Olimpíada desde os Jogos de Seul.


Bandeiras dos participantes do torneio de futebol, masculino e feminino, do Rio-2016


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians antes dos respectivos hinos nacionais

Essa foi a nona partida realizada na casa corintiana durante a Rio-2016 e a nona em que estive presente. Mantive os 100% de aproveitamento, mas já sabendo que essa era minha despedida por ali, já que estaria no Rio na final feminina e perderia a decisão do bronze. Como ainda não inventaram algo para estarmos em dois lugares ao mesmo tempo, decidi pela grande decisão no Maracanã.

Pela primeira vez acompanhei uma peleja no setor sem cadeiras da Arena e posso falar com propriedade que ver jogo ali é um horror, a visão é péssima e a muvuca é um porre. Resumindo: não indico o setor a ninguém que queira um pouquinho de conforto. Junto comigo, vários amigos e um público total de 35.562 pagantes.

Esperava ver um jogo disputado, afinal de contas, era uma semi-final olimpíca, né? Ledo engano... as duas seleções foram a campo sem inspiração e mostrando um futebol super burocrático de dar sono. Como a Nigéria foi uma decepção completa por todos os 90 minutos, não foi dificil para a Alemanha, que fez um jogo abaixo da crítica, chegar à vitória.

Logo aos nove minutos saiu o primeiro gol depois de boa jogada pela direita e conclusão tranquila de Lukas Klostermann dentro da pequena área. Três minutos depois o goleirão Timo Horn quase ganha o prêmio de vacilão da tarde. Ele quis mandar a pelota pra longe da área mas deu uma furada monstra. O camisa 13 Sadiq tentou se aproveitar dessa falha porém por duas vezes errou o chute sem passar para um companheiro melhor colocado.


Gnabry, camisa 17 da Alemanha, se mandando para o ataque


Julian Brandt atacando pela direita com a firme marcação de Sincere


William Ekong afastando o perigo


Troca de passes no setor defensivo africano

O tempo inicial seguiu embolado e com poucas oportunidades de gol, quase todas alvinegras. Ao final dos primeiros 45 minutos, o marcador mostrava o magro 1x0. Na segunda etapa os campeões olímpicos de 1996 conseguiram a proeza de piorar o que já estava ruim graças a inexpressiva atuação do setor ofensivo.

Jogando na boa e sem sofrer pressão, os europeus também não se animaram e a partida praticamente se arrastou. Emoção mesmo rolou somente a dois minutos do fim do tempo regulamentar com uma pequena aula de contra-ataque e um gol irregular alemão. Selke recebeu bom passe pela direita, avançou pelo campo de defesa e cruzou. Nils Petersen, em impedimento, completou no segundo pau e fechou o marcador.


Timo Horn saindo do gol para fazer a defesa


Arena Corinthians com bom público para a semi-final masculina do futebol


O camisa 2 Jeremy Toljan subindo para cortar cruzamento nigeriano


Placar que colocou a Alemanha na decisão do futebol na minha despedida olímpica de São Paulo

O placar de Nigéria 0-2 Alemanha colocou a seleção européia na decisão dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história na sua nona participação. Era a chance que todo o brasileiro queria para devolver cerca de 0,5% da sofrida derrota de 2014. O mais legal? O fato de que eu tinha ingresso garantido para a disputa da medalha de ouro. Perdendo ou ganhando, com certeza seria (como foi) sensacional ver a história ser escrita na minha frente.

Com essa peleja, encerrei os trabalhos na Olimpíada fora do Rio de Janeiro. Na manhã da sexta-feira, dia 18 de agosto, me mandei novamente para a antiga capital federal para uma trinca de eventos de respeito para me despedir com estilo do Rio-2016.

Até lá!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 15): Luta Greco-Romana (!), Basquete e Handebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


Ainda estasiado por ter marcado presença na grande final dos 100 metros rasos, iniciei a segunda e última semana dos Jogos Olímpicos 2016 sediado no Rio de Janeiro e com a programação cheia durante toda a segunda-feira, 15 de agosto. Debaixo de um calor desumano, fiz minha segunda visita ao magnífico Parque Olímpico da Barra.

Junto com dois dos meus três irmãos, fui bem cedo até a Barra para passar o dia na base da diversão. Na Disneylândia dos esportes fiz a minha estreia num dos mais antigos esportes olímpicos no qualifying das categorias 85 e 130 quilos da Luta Greco-Romana dos homens. Apesar do esporte não ser popular por aqui, o público apareceu em peso na Arena Carioca 2.


Instalações do belo Estádio Aquático Olímpico


Vista das instalações para a imprensa estrangeira, Arena do Futuro e Arena Carioca 3 mais ao fundo


Arena Carioca 3, palco do torneio de basquete masculino no Rio 2016



Vista interna da Arena Carioca 2 e a competição masculina da Luta Greco-Romana. Sim, foto de Luta Greco-Romana no Jogos Perdidos... taí algo que não acontece todo dia!

Vários tablados foram montados no centro da Arena e por conta disso várias lutas aconteceram ao mesmo tempo. Com isso, acabamos prestando atenção apenas no que ficava mais próximo de nós. O ambiente é tão legal que não rola torcer para alguém específico, além disso, genial ver pessoas de países perdidaços como por exemplo Tonga. Nem bem saímos dali e já era hora de emendar o segundo compromisso do dia, o último jogo da seleção de basquete do Brasil comandada pelos astros da NBA.

Até então a seleção tinha perdido três partidas e vencido apenas uma (o sensacional confronto contra a Espanha, que por sinal também contou com minha presença), o que complicou demais o sonho de uma vaga nas quartas-de-final. A equipe precisava vencer a lanterninha Nigéria e torcer por uma vitória da Argentina em cima da Espanha.

O Brasil fez um joguinho burocrático mas venceu até com certa facilidade pelo placar de 86x69. Só que a vaga ficou no "quase", pois na sessão seguinte os hermanos não fizeram nenhum esforço e foram derrotados pelo quinteto ibérico. Resumo da ópera: os bi-campeões do mundo passaram vergonha dentro de casa e foram eliminados ainda na primeira fase. De positivo, pelo menos pra mim, é saber que eu estive em todos os triunfos tupiniquins no basquete nas duas categorias no Rio-2016.



Dois momentos da vitória brasileira em cima da Nigéria, a segunda em cinco jogos disputados na Olimpíada. A fraca campanha deixou o time de fora das quartas-de-final

Do final desse jogo até o começo da rodada dupla de Handebol Masculino deu tempo de fazer uma boquinha e agradecer demais o desaparecimento do sol e a chegada de um verdadeiro vendaval, fator que aliviou bastante o calor. Ficamos um bom tempo zanzando sem direção por todo o Parque até chegar o momento de ir até a Arena do Futuro.

O primeiro jogo reuniu as seleções da Croácia e da Tunísia. Os croatas confirmaram o favoritismo e venceram por 41 a 26. O placar fez os europeus terminarem a primeira fase na liderança da chave. Nas quartas, a seleção foi eliminada pela Polônia. Os tunisianos terminaram a competição com a pior campanha entre as doze participantes.



Dois momentos do jogo entre Croácia e Tunísia pelo handebol masculino da Rio-2016

Já o jogo de fundo foi genial. A legião estrangeira do Qatar duelou contra a Argentina e o vencedor garantiria a última vaga entre os oito da segunda fase. A Arena do Futuro estava apinhada de gente: metade de hermanos torcendo como malucos (pra variar) e a metade restante torcendo a favor o time asiático.

Assistir um jogo de handebol ao vivo é uma das coisas mais sensacionais relacionadas ao esporte, sem sombra de dúvida. O ritmo é intenso e alucinante e não dá tempo de respirarmos. As duas seleções não eram nada disso, tanto que lutavam somente pela quarta vaga da chave. Independente da posição na tabela, a peleja foi emocionante do começo ao fim.

Os hinchas do país vizinho fizeram muito barulho, muito mesmo, só que não foram capazes de inflamar suficientemente o time em busca da classificação. A "seleção mundial" do Qatar jogou pro gasto e manteve uma distância mínima no marcador, segura o suficiente para garantir a vaga. No fim, o jogo ficou 22x18 a favor dos catarianos.



Qatar e Argentina fizeram um jogo emocionante em busca da última vaga na segunda fase do handebol. No fim, o time asiático se deu melhor

O relógio já apontava quase meia-noite quando a overdose esportiva se encerrou. Cansado, mas extasiado com a jornada ainda tive tempo de encontrar o mito Carl Lewis no meio do Parque Olímpico antes de seguir até Copacabana. Ali o lance foi jogar uma água no rosto e pegar a estrada de volta para a capital bandeirante. Foi uma viagem tensa, repleta de sono e com direito a quatro horas parado no meio da Dutra por conta de um acidente. Tudo levado de boa, afinal, aqui é sempre tudo pelo social.

Cheguei em casa na hora do almoço e passei a maior parte da terça-feira dormindo, pois era um dia sem programação olímpica in loco. Voltei à ativa na quarta-feira à tarde com uma das semi-finais do torneio de futebol masculino na minha despedida da Arena Corinthians nos Jogos.

Até lá!

domingo, 18 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 14): Bolt e o tri olímpico nos 100 metros

Texto e fotos: Fernando Martinez


Assim como fiz no primeiro post não-futebolístico da história do Jogos Perdidos, peço licença aos amigos que estão lendo o blog nesse exato momento pois preciso falar agora sobre um momento histórico e que nada tem a ver com a nossa linha editorial. Certeza que ao final do post todos me perdoarão.

No dia 14 de agosto fiz minha segunda viagem ao Rio de Janeiro para mais dois dias de insanidade na Olimpíada, agora com a participação de dois dos meus três irmãos. Inicialmente só tinha ingressos de eventos na segunda-feira, mas de última hora pintou a chance de ouro de preencher a agenda com uma sessão noturna no Estádio Olímpico.

Graças ao amigo Ruben Corrêa Neto - o agradecerei eternamente por isso - consegui um disputado ingresso para a prova mais nobre do atletismo, os 100 metros rasos. Desde Los Angeles-1984 eu sempre assisti a prova com as conquistas de Carl Lewis, Linford Christie, Donovan Bailey, Maurice Greene, Justin Gatlin e ele, Usain Bolt. E foi justamente o jamaicano que teria a chance de colocar de uma vez por todas o nome na história.

Nunca em trinta olimpíadas disputadas um atleta havia conquistado o tri-campeonato nessa prova e em apenas duas oportunidades, Carl Lewis em 1984-1988 e o próprio Bolt em 2008-2012, rolou um bi-campeonato. Sem exagero nenhum, o mundo esperava ver o inédito tri do Relâmpago jamaicano.

A viagem até o Rio foi tranquila, e diferente do que tinha acontecido na minha primeira visita, dessa vez fez muito calor e a temperatura na noite do domingo era alta. Menos mal que o trajeto até o Engenhão foi percorrido sem percalços. Milagrosamente também não encontrei nenhuma dificuldade para entrar no estádio ou encontrar meu lugar.

A sessão completa do atletismo contou com as semi-finais dos 400 e 1500 metros feminino, final do salto triplo feminino, as preliminares do salto em distância masculino e a final dos 400 metros, além, claro, das semi-finais e da grande final dos 100 metros rasos dos homens. Um cardápio de primeiríssima linha.

Antes de ver o Raio em ação, vale destacar o histórico triunfo do sul-africano Wayde van Niekerk nos 400 metros rasos, com direito a quebra de recorde olímpico e mundial que durava desde agosto de 1999. Outro momento importante foi a disputa do salto triplo das mulheres e o ouro de Caterine Ibargüen, o segundo da Colômbia nos Jogos. Como curiosidade vale lembrar que vi o primeiro, de Óscar Figueroa, cinco dias antes no levantamento de peso.


Wayde van Niekerk cruzando a linha de chegada em primeiro na final dos 400 metros rasos


Além de conquistar o ouro, o sul-africano quebrou o recorde mundial da prova que durava 17 anos


Classificação final da decisão do salto triplo feminino com a segunda medalha dourada para a Colômbia no Rio-2016

Mesmo com tudo isso, o ponto alto obviamente seria acompanhar a busca de Bolt pelo terceiro ouro olímpico na prova mais nobre do atletismo. Nas semi-finais ele, mesmo se poupando, marcou o melhor tempo. Quando chegou a hora da decisão, o Engenhão foi à loucura quando ele foi anunciado no sistema de som. Toda a gritaria deu lugar a um completo e absoluto silêncio quando os oito atletas se posicionaram nos lugares marcados.

Não se ouvia nada no Estádio Olímpico, absolutamente nada. O clima era de tensão absoluta, e todos que estavam ali dentro, e claro, todos os espectadores ao redor do planeta, sabiam que estavam prestes a ver a história sendo escrita, afinal, ou rolaria um inédito tri ou o maior de todos seria finalmente vencido.

Impossível descrever a sensação de estar dentro do Engenhão naquele momento. Lembrei de todas as vezes que estava em casa acompanhando essa prova, pensando em todos os herois olímpicos que gravaram o nome na história justamente vencendo ou perdendo. Não foi nada fácil segurar a emoção.

Sob um silêncio ensurdecedor os atletas largaram... dez segundos depois, mesmo depois de uma saída não tão boa (algo normal na carreira do atleta), Usain Bolt se tornou o primeiro tri-campeão olímpico dos 100 metros rasos com o tempo de 9.81 segundos. O jamaicano já sabia que havia vencido antes mesmo de cruzar a linha de chegada e a fez sorrindo. Não restou outra coisa a todos os presentes a não ser ovacionar o "Lightning Bolt".


Atletas classificados para a grande final dos 100 metros rasos da Olimpíada 2016


Os oito finalistas momentos antes da largada


Usain Bolt, o único tri-campeão olímpico dos 100 metros desfilando pela pista de atletismo do Engenhão


Não teve recorde quebrado, mas o jamaicano fez história no Rio de Janeiro

Entre lágrimas e uma profunda felicidade por estar ali cheguei ao final da sessão agradecendo a possibilidade de ter presenciado um momento tão grande como esse. Poder falar que estive presente na noite em que saiu o primeiro tri olímpico no momento mais nobre do atletismo vai ser algo legal demais de se fazer.

Até a próxima!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 13): Em jogo tenso, Brasil derrota os violentos colombianos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Os Jogos Olímpicos chegaram à segunda semana no dia 13 de agosto, um sábado. E foi nessa data que eu alcancei uma marca não tão simples assim de se conquistar. Depois de ter visto o Brasil duas vezes durante a Copa do Mundo (os 3x1 na estreia contra a Croácia e a desastrosa disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda), chegou a hora de ver de ver a seleção canarinho disputando uma partida de Olimpíada.

No gramado da Arena Corinthians, o onze tupiniquim enfrentou a perigosa seleção da Colômbia em busca de uma vaga na semi-final do torneio de futebol masculino. Depois de vacilar na fase inicial e empatar sem gols contra África do Sul e Iraque, o Brasil goleou a Dinamarca e deu mostras que poderia ir mais longe no certame. Apesar de tudo, tinha quase certeza que a torcida iria apoiar a seleção durante todo o jogo.


Brasil e Colômbia pouco antes do apito inicial na Arena Corinthians

Já falei aqui uma vez sobre a dificuldade que é assistir uma peleja do Brasil no estádio - em 2013, quando fui no amistoso contra a África do Sul no Morumbi - e reitero tudo que disse na época. O público pagante desse duelo foi de 41.560 almas, mas aposto que nem 10% dos presentes sabia discorrer sobre algum tópico relacionado ao esporte mais popular do mundo que não passe na TV aberta. Não foi fácil, e junto com os amigos Luiz Fôlego e Ricardo Pucci, passei alguns apuros com a rapaziada que estava lá como turista.

Enquanto sofríamos nas arquibancadas, dentro de campo teve muita tensão e muita pancadaria. Os colombianos foram ao gramado tendo como prioridade bater nos jogadores brasileiros. Mesmo assim, o fraco árbitro turco Çuneyt Çakir não teve coragem para expulsar ninguém, e por causa disso o pau cantou durante todo o tempo inicial.

Numa partida aonde uma das equipes só quer bater, nada melhor do que uma bola parada. Aos doze minutos o camisa 10 Neymar marcou seu primeiro gol no torneio olímpico numa brilhante cobrança de falta da intermediária. Estava atrás do gol e consegui captar o exato momento em que a bola ultrapassou a linha.

No restante do tempo inicial o Brasil teve a bola mais tempo no pé e a Colômbia continuou com a caixa de ferramentas aberta, distribuindo chutes e coices. Sem muito espaço para o futebol, o jogou chegou ao intervalo com a vantagem mínima a favor do time verde e amarelo.


Palacios subindo no segundo andar para neutralizar ataque local



Bola estufando as redes do arqueiro colombiano no gol de Neymar e a comemoração do camisa 10


Boa jogada da seleção verde e amarelo pela esquerda


Confusão entre atletas e comissão técnica das duas seleções no final do primeiro tempo

A Colômbia deixou a violência nos vestiários e voltou preocupada apenas em jogar bola no tempo final. Quem acabou brilhando foi a zaga brasileira com Marquinhos e Rodrigo Caio e também o jogo coletivo. Depois de sofrer nos dois primeiros compromissos e de mostrar evolução contra a Dinamarca, finalmente o elenco do Brasil tinha entendido como jogar um torneio difícil como a Olimpíada.

Foram vários minutos tensos até Luan acertar um chutaço de fora da área aos 38 minutos e fechar o marcador. O placar final de Brasil 2-0 Colômbia colocou o time da casa na semi-final e também transformou os penta-campeões mundiais na seleção mais vencedora na história olímpica, ostentando agora 33 vitórias contra 32 da Itália.


Visão geral de uma Arena Corinthians lotada para o jogo do Brasil nas quartas-de-final da Olimpíada


Boa troca de passes no ataque da Colômbia


Disputa de bola pela lateral


Placar final da peleja que transformou o Brasil no país com mais vitórias na história dos Jogos Olímpicos

Na semi, o Brasil venceu Honduras aplicando a sua maior goleada na história dos Jogos. Três dias depois o time comandado por Neymar foi à decisão contra a Alemanha no Maracanã. Eu estive presente naquela histórica final e logo, logo a história será contada por aqui.

O dia 14 de agosto começou comigo correndo para pegar o trem na Estação Corinthians-Itaquera antes do final do expediente. E ele terminou de uma forma sensacional, com a minha presença na grande final dos 100 metros rasos, um momento que não imaginava assistir in loco um dia.

Até lá!