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sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz 2017!



O post hoje é para desejar um Feliz 2017 a todos os amigos que ainda acessam o Jogos Perdidos nesses áridos tempos. O visitante mais atento que nos visitou em 2016 percebeu que hoje chamar o JP de "Blog do Fernando" não é nenhum absurdo, já que pela primeira vez na nossa história só tivemos posts meus publicados. Sei que não é o ideal, mas é a realidade.

Pensei seriamente em largar o JP durante os últimos meses e começar o ano novo em novo endereço, num novo astral e sem ninguém para atrapalhar. Pensei, mas não realizei (pelo menos por enquanto) pois acho que tenho lenha para queimar por aqui e também porquê seria uma judiação ver uma marca tão importante morrer de uma forma tão melancólica.

No final das contas entrarei em 2017 finalmente convencido que aquele "grupo de amigos que se reúne para ver jogos no final de semana" existe apenas na memória e que definitivamente nunca mais irá voltar. Todos os nove "originais" tiveram uma importância enorme em consolidar o Jogos Perdidos no contexto do futebol paulista. Só que isso hoje faz parte do passado, e cabe a mim aceitar que a realidade é segurar a bronca sozinho, sabendo e, principalmente, aceitando que todos ficaram para trás. A partir de agora é bola pra frente, seguindo firme e forte para o 13º aniversário!

Dito tudo isso, quero aproveitar esse momento e agradecer cada alma que acessa o blog, cada um que me manda mensagem no Facebook, cada pessoa que vem me contar que está matando tal time só porquê viu eu falar disso por aqui e que começou a encarar os estádios mais alternativos só por nossa causa. Agradeço também todos os dirigentes, os árbitros, o pessoal da FPF, cada torcedor de arquibancada e cada atleta que encontro nos estádios da vida. A presença de todos no dia-a-dia contou muito para eu não deixar essa ideia morrer de vez. A vocês, muito obrigado.

Grande ano para nós, amigos!

Fernando

domingo, 25 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 16): Alemães na inédita final do futebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


No dia 17 de agosto, uma quarta-feira, o torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos chegou à sua fase semi-final. No primeiro jogo do dia o Brasil aniquilou Honduras com sua maior vitória na história dos Jogos e se garantiu na grande decisão. O segundo foi realizado pertinho de casa, na Arena Corinthians, e reuniu duas verdadeiras asas-negras do time verde e amarelo: Nigéria e Alemanha.

As duas seleções já haviam aparecido por aqui em jogos da primeira fase: os nigerianos quando foram derrotados pela Colômbia também em solo paulistano e os alemães no ótimo empate contra o México na estreia de ambos em Salvador. Aliás vale lembrar que o encontro contra os norte-americanos foi o primeiro compromisso dos atuais campeões do mundo numa Olimpíada desde os Jogos de Seul.


Bandeiras dos participantes do torneio de futebol, masculino e feminino, do Rio-2016


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians antes dos respectivos hinos nacionais

Essa foi a nona partida realizada na casa corintiana durante a Rio-2016 e a nona em que estive presente. Mantive os 100% de aproveitamento, mas já sabendo que essa era minha despedida por ali, já que estaria no Rio na final feminina e perderia a decisão do bronze. Como ainda não inventaram algo para estarmos em dois lugares ao mesmo tempo, decidi pela grande decisão no Maracanã.

Pela primeira vez acompanhei uma peleja no setor sem cadeiras da Arena e posso falar com propriedade que ver jogo ali é um horror, a visão é péssima e a muvuca é um porre. Resumindo: não indico o setor a ninguém que queira um pouquinho de conforto. Junto comigo, vários amigos e um público total de 35.562 pagantes.

Esperava ver um jogo disputado, afinal de contas, era uma semi-final olimpíca, né? Ledo engano... as duas seleções foram a campo sem inspiração e mostrando um futebol super burocrático de dar sono. Como a Nigéria foi uma decepção completa por todos os 90 minutos, não foi dificil para a Alemanha, que fez um jogo abaixo da crítica, chegar à vitória.

Logo aos nove minutos saiu o primeiro gol depois de boa jogada pela direita e conclusão tranquila de Lukas Klostermann dentro da pequena área. Três minutos depois o goleirão Timo Horn quase ganha o prêmio de vacilão da tarde. Ele quis mandar a pelota pra longe da área mas deu uma furada monstra. O camisa 13 Sadiq tentou se aproveitar dessa falha porém por duas vezes errou o chute sem passar para um companheiro melhor colocado.


Gnabry, camisa 17 da Alemanha, se mandando para o ataque


Julian Brandt atacando pela direita com a firme marcação de Sincere


William Ekong afastando o perigo


Troca de passes no setor defensivo africano

O tempo inicial seguiu embolado e com poucas oportunidades de gol, quase todas alvinegras. Ao final dos primeiros 45 minutos, o marcador mostrava o magro 1x0. Na segunda etapa os campeões olímpicos de 1996 conseguiram a proeza de piorar o que já estava ruim graças a inexpressiva atuação do setor ofensivo.

Jogando na boa e sem sofrer pressão, os europeus também não se animaram e a partida praticamente se arrastou. Emoção mesmo rolou somente a dois minutos do fim do tempo regulamentar com uma pequena aula de contra-ataque e um gol irregular alemão. Selke recebeu bom passe pela direita, avançou pelo campo de defesa e cruzou. Nils Petersen, em impedimento, completou no segundo pau e fechou o marcador.


Timo Horn saindo do gol para fazer a defesa


Arena Corinthians com bom público para a semi-final masculina do futebol


O camisa 2 Jeremy Toljan subindo para cortar cruzamento nigeriano


Placar que colocou a Alemanha na decisão do futebol na minha despedida olímpica de São Paulo

O placar de Nigéria 0-2 Alemanha colocou a seleção européia na decisão dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história na sua nona participação. Era a chance que todo o brasileiro queria para devolver cerca de 0,5% da sofrida derrota de 2014. O mais legal? O fato de que eu tinha ingresso garantido para a disputa da medalha de ouro. Perdendo ou ganhando, com certeza seria (como foi) sensacional ver a história ser escrita na minha frente.

Com essa peleja, encerrei os trabalhos na Olimpíada fora do Rio de Janeiro. Na manhã da sexta-feira, dia 18 de agosto, me mandei novamente para a antiga capital federal para uma trinca de eventos de respeito para me despedir com estilo do Rio-2016.

Até lá!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 15): Luta Greco-Romana (!), Basquete e Handebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


Ainda estasiado por ter marcado presença na grande final dos 100 metros rasos, iniciei a segunda e última semana dos Jogos Olímpicos 2016 sediado no Rio de Janeiro e com a programação cheia durante toda a segunda-feira, 15 de agosto. Debaixo de um calor desumano, fiz minha segunda visita ao magnífico Parque Olímpico da Barra.

Junto com dois dos meus três irmãos, fui bem cedo até a Barra para passar o dia na base da diversão. Na Disneylândia dos esportes fiz a minha estreia num dos mais antigos esportes olímpicos no qualifying das categorias 85 e 130 quilos da Luta Greco-Romana dos homens. Apesar do esporte não ser popular por aqui, o público apareceu em peso na Arena Carioca 2.


Instalações do belo Estádio Aquático Olímpico


Vista das instalações para a imprensa estrangeira, Arena do Futuro e Arena Carioca 3 mais ao fundo


Arena Carioca 3, palco do torneio de basquete masculino no Rio 2016



Vista interna da Arena Carioca 2 e a competição masculina da Luta Greco-Romana. Sim, foto de Luta Greco-Romana no Jogos Perdidos... taí algo que não acontece todo dia!

Vários tablados foram montados no centro da Arena e por conta disso várias lutas aconteceram ao mesmo tempo. Com isso, acabamos prestando atenção apenas no que ficava mais próximo de nós. O ambiente é tão legal que não rola torcer para alguém específico, além disso, genial ver pessoas de países perdidaços como por exemplo Tonga. Nem bem saímos dali e já era hora de emendar o segundo compromisso do dia, o último jogo da seleção de basquete do Brasil comandada pelos astros da NBA.

Até então a seleção tinha perdido três partidas e vencido apenas uma (o sensacional confronto contra a Espanha, que por sinal também contou com minha presença), o que complicou demais o sonho de uma vaga nas quartas-de-final. A equipe precisava vencer a lanterninha Nigéria e torcer por uma vitória da Argentina em cima da Espanha.

O Brasil fez um joguinho burocrático mas venceu até com certa facilidade pelo placar de 86x69. Só que a vaga ficou no "quase", pois na sessão seguinte os hermanos não fizeram nenhum esforço e foram derrotados pelo quinteto ibérico. Resumo da ópera: os bi-campeões do mundo passaram vergonha dentro de casa e foram eliminados ainda na primeira fase. De positivo, pelo menos pra mim, é saber que eu estive em todos os triunfos tupiniquins no basquete nas duas categorias no Rio-2016.



Dois momentos da vitória brasileira em cima da Nigéria, a segunda em cinco jogos disputados na Olimpíada. A fraca campanha deixou o time de fora das quartas-de-final

Do final desse jogo até o começo da rodada dupla de Handebol Masculino deu tempo de fazer uma boquinha e agradecer demais o desaparecimento do sol e a chegada de um verdadeiro vendaval, fator que aliviou bastante o calor. Ficamos um bom tempo zanzando sem direção por todo o Parque até chegar o momento de ir até a Arena do Futuro.

O primeiro jogo reuniu as seleções da Croácia e da Tunísia. Os croatas confirmaram o favoritismo e venceram por 41 a 26. O placar fez os europeus terminarem a primeira fase na liderança da chave. Nas quartas, a seleção foi eliminada pela Polônia. Os tunisianos terminaram a competição com a pior campanha entre as doze participantes.



Dois momentos do jogo entre Croácia e Tunísia pelo handebol masculino da Rio-2016

Já o jogo de fundo foi genial. A legião estrangeira do Qatar duelou contra a Argentina e o vencedor garantiria a última vaga entre os oito da segunda fase. A Arena do Futuro estava apinhada de gente: metade de hermanos torcendo como malucos (pra variar) e a metade restante torcendo a favor o time asiático.

Assistir um jogo de handebol ao vivo é uma das coisas mais sensacionais relacionadas ao esporte, sem sombra de dúvida. O ritmo é intenso e alucinante e não dá tempo de respirarmos. As duas seleções não eram nada disso, tanto que lutavam somente pela quarta vaga da chave. Independente da posição na tabela, a peleja foi emocionante do começo ao fim.

Os hinchas do país vizinho fizeram muito barulho, muito mesmo, só que não foram capazes de inflamar suficientemente o time em busca da classificação. A "seleção mundial" do Qatar jogou pro gasto e manteve uma distância mínima no marcador, segura o suficiente para garantir a vaga. No fim, o jogo ficou 22x18 a favor dos catarianos.



Qatar e Argentina fizeram um jogo emocionante em busca da última vaga na segunda fase do handebol. No fim, o time asiático se deu melhor

O relógio já apontava quase meia-noite quando a overdose esportiva se encerrou. Cansado, mas extasiado com a jornada ainda tive tempo de encontrar o mito Carl Lewis no meio do Parque Olímpico antes de seguir até Copacabana. Ali o lance foi jogar uma água no rosto e pegar a estrada de volta para a capital bandeirante. Foi uma viagem tensa, repleta de sono e com direito a quatro horas parado no meio da Dutra por conta de um acidente. Tudo levado de boa, afinal, aqui é sempre tudo pelo social.

Cheguei em casa na hora do almoço e passei a maior parte da terça-feira dormindo, pois era um dia sem programação olímpica in loco. Voltei à ativa na quarta-feira à tarde com uma das semi-finais do torneio de futebol masculino na minha despedida da Arena Corinthians nos Jogos.

Até lá!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 14): Bolt e o tri olímpico nos 100 metros

Texto e fotos: Fernando Martinez


Assim como fiz no primeiro post não-futebolístico da história do Jogos Perdidos, peço licença aos amigos que estão lendo o blog nesse exato momento pois preciso falar agora sobre um momento histórico e que nada tem a ver com a nossa linha editorial. Certeza que ao final do post todos me perdoarão.

No dia 14 de agosto fiz minha segunda viagem ao Rio de Janeiro para mais dois dias de insanidade na Olimpíada, agora com a participação de dois dos meus três irmãos. Inicialmente só tinha ingressos de eventos na segunda-feira, mas de última hora pintou a chance de ouro de preencher a agenda com uma sessão noturna no Estádio Olímpico.

Graças ao amigo Ruben Corrêa Neto - o agradecerei eternamente por isso - consegui um disputado ingresso para a prova mais nobre do atletismo, os 100 metros rasos. Desde Los Angeles-1984 eu sempre assisti a prova com as conquistas de Carl Lewis, Linford Christie, Donovan Bailey, Maurice Greene, Justin Gatlin e ele, Usain Bolt. E foi justamente o jamaicano que teria a chance de colocar de uma vez por todas o nome na história.

Nunca em trinta olimpíadas disputadas um atleta havia conquistado o tri-campeonato nessa prova e em apenas duas oportunidades, Carl Lewis em 1984-1988 e o próprio Bolt em 2008-2012, rolou um bi-campeonato. Sem exagero nenhum, o mundo esperava ver o inédito tri do Relâmpago jamaicano.

A viagem até o Rio foi tranquila, e diferente do que tinha acontecido na minha primeira visita, dessa vez fez muito calor e a temperatura na noite do domingo era alta. Menos mal que o trajeto até o Engenhão foi percorrido sem percalços. Milagrosamente também não encontrei nenhuma dificuldade para entrar no estádio ou encontrar meu lugar.

A sessão completa do atletismo contou com as semi-finais dos 400 e 1500 metros feminino, final do salto triplo feminino, as preliminares do salto em distância masculino e a final dos 400 metros, além, claro, das semi-finais e da grande final dos 100 metros rasos dos homens. Um cardápio de primeiríssima linha.

Antes de ver o Raio em ação, vale destacar o histórico triunfo do sul-africano Wayde van Niekerk nos 400 metros rasos, com direito a quebra de recorde olímpico e mundial que durava desde agosto de 1999. Outro momento importante foi a disputa do salto triplo das mulheres e o ouro de Caterine Ibargüen, o segundo da Colômbia nos Jogos. Como curiosidade vale lembrar que vi o primeiro, de Óscar Figueroa, cinco dias antes no levantamento de peso.


Wayde van Niekerk cruzando a linha de chegada em primeiro na final dos 400 metros rasos


Além de conquistar o ouro, o sul-africano quebrou o recorde mundial da prova que durava 17 anos


Classificação final da decisão do salto triplo feminino com a segunda medalha dourada para a Colômbia no Rio-2016

Mesmo com tudo isso, o ponto alto obviamente seria acompanhar a busca de Bolt pelo terceiro ouro olímpico na prova mais nobre do atletismo. Nas semi-finais ele, mesmo se poupando, marcou o melhor tempo. Quando chegou a hora da decisão, o Engenhão foi à loucura quando ele foi anunciado no sistema de som. Toda a gritaria deu lugar a um completo e absoluto silêncio quando os oito atletas se posicionaram nos lugares marcados.

Não se ouvia nada no Estádio Olímpico, absolutamente nada. O clima era de tensão absoluta, e todos que estavam ali dentro, e claro, todos os espectadores ao redor do planeta, sabiam que estavam prestes a ver a história sendo escrita, afinal, ou rolaria um inédito tri ou o maior de todos seria finalmente vencido.

Impossível descrever a sensação de estar dentro do Engenhão naquele momento. Lembrei de todas as vezes que estava em casa acompanhando essa prova, pensando em todos os herois olímpicos que gravaram o nome na história justamente vencendo ou perdendo. Não foi nada fácil segurar a emoção.

Sob um silêncio ensurdecedor os atletas largaram... dez segundos depois, mesmo depois de uma saída não tão boa (algo normal na carreira do atleta), Usain Bolt se tornou o primeiro tri-campeão olímpico dos 100 metros rasos com o tempo de 9.81 segundos. O jamaicano já sabia que havia vencido antes mesmo de cruzar a linha de chegada e a fez sorrindo. Não restou outra coisa a todos os presentes a não ser ovacionar o "Lightning Bolt".


Atletas classificados para a grande final dos 100 metros rasos da Olimpíada 2016


Os oito finalistas momentos antes da largada


Usain Bolt, o único tri-campeão olímpico dos 100 metros desfilando pela pista de atletismo do Engenhão


Não teve recorde quebrado, mas o jamaicano fez história no Rio de Janeiro

Entre lágrimas e uma profunda felicidade por estar ali cheguei ao final da sessão agradecendo a possibilidade de ter presenciado um momento tão grande como esse. Poder falar que estive presente na noite em que saiu o primeiro tri olímpico no momento mais nobre do atletismo vai ser algo legal demais de se fazer.

Até a próxima!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 13): Em jogo tenso, Brasil derrota os violentos colombianos

Texto e fotos: Fernando Martinez


Os Jogos Olímpicos chegaram à segunda semana no dia 13 de agosto, um sábado. E foi nessa data que eu alcancei uma marca não tão simples assim de se conquistar. Depois de ter visto o Brasil duas vezes durante a Copa do Mundo (os 3x1 na estreia contra a Croácia e a desastrosa disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda), chegou a hora de ver de ver a seleção canarinho disputando uma partida de Olimpíada.

No gramado da Arena Corinthians, o onze tupiniquim enfrentou a perigosa seleção da Colômbia em busca de uma vaga na semi-final do torneio de futebol masculino. Depois de vacilar na fase inicial e empatar sem gols contra África do Sul e Iraque, o Brasil goleou a Dinamarca e deu mostras que poderia ir mais longe no certame. Apesar de tudo, tinha quase certeza que a torcida iria apoiar a seleção durante todo o jogo.


Brasil e Colômbia pouco antes do apito inicial na Arena Corinthians

Já falei aqui uma vez sobre a dificuldade que é assistir uma peleja do Brasil no estádio - em 2013, quando fui no amistoso contra a África do Sul no Morumbi - e reitero tudo que disse na época. O público pagante desse duelo foi de 41.560 almas, mas aposto que nem 10% dos presentes sabia discorrer sobre algum tópico relacionado ao esporte mais popular do mundo que não passe na TV aberta. Não foi fácil, e junto com os amigos Luiz Fôlego e Ricardo Pucci, passei alguns apuros com a rapaziada que estava lá como turista.

Enquanto sofríamos nas arquibancadas, dentro de campo teve muita tensão e muita pancadaria. Os colombianos foram ao gramado tendo como prioridade bater nos jogadores brasileiros. Mesmo assim, o fraco árbitro turco Çuneyt Çakir não teve coragem para expulsar ninguém, e por causa disso o pau cantou durante todo o tempo inicial.

Numa partida aonde uma das equipes só quer bater, nada melhor do que uma bola parada. Aos doze minutos o camisa 10 Neymar marcou seu primeiro gol no torneio olímpico numa brilhante cobrança de falta da intermediária. Estava atrás do gol e consegui captar o exato momento em que a bola ultrapassou a linha.

No restante do tempo inicial o Brasil teve a bola mais tempo no pé e a Colômbia continuou com a caixa de ferramentas aberta, distribuindo chutes e coices. Sem muito espaço para o futebol, o jogou chegou ao intervalo com a vantagem mínima a favor do time verde e amarelo.


Palacios subindo no segundo andar para neutralizar ataque local



Bola estufando as redes do arqueiro colombiano no gol de Neymar e a comemoração do camisa 10


Boa jogada da seleção verde e amarelo pela esquerda


Confusão entre atletas e comissão técnica das duas seleções no final do primeiro tempo

A Colômbia deixou a violência nos vestiários e voltou preocupada apenas em jogar bola no tempo final. Quem acabou brilhando foi a zaga brasileira com Marquinhos e Rodrigo Caio e também o jogo coletivo. Depois de sofrer nos dois primeiros compromissos e de mostrar evolução contra a Dinamarca, finalmente o elenco do Brasil tinha entendido como jogar um torneio difícil como a Olimpíada.

Foram vários minutos tensos até Luan acertar um chutaço de fora da área aos 38 minutos e fechar o marcador. O placar final de Brasil 2-0 Colômbia colocou o time da casa na semi-final e também transformou os penta-campeões mundiais na seleção mais vencedora na história olímpica, ostentando agora 33 vitórias contra 32 da Itália.


Visão geral de uma Arena Corinthians lotada para o jogo do Brasil nas quartas-de-final da Olimpíada


Boa troca de passes no ataque da Colômbia


Disputa de bola pela lateral


Placar final da peleja que transformou o Brasil no país com mais vitórias na história dos Jogos Olímpicos

Na semi, o Brasil venceu Honduras aplicando a sua maior goleada na história dos Jogos. Três dias depois o time comandado por Neymar foi à decisão contra a Alemanha no Maracanã. Eu estive presente naquela histórica final e logo, logo a história será contada por aqui.

O dia 14 de agosto começou comigo correndo para pegar o trem na Estação Corinthians-Itaquera antes do final do expediente. E ele terminou de uma forma sensacional, com a minha presença na grande final dos 100 metros rasos, um momento que não imaginava assistir in loco um dia.

Até lá!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 12): Canadenses se garantem na semi do futebol feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


O dia 11 de agosto, uma quinta-feira, foi o primeiro com a Olimpíada do Rio de Janeiro já rolando em que parei para descansar. Descanso merecidíssimo, pois foram sete dias de competições e sete dias em que fiquei na ativa. Voltei à ativa na sexta-feira, com mais uma rodada de futebol na Arena Corinthians, agora com as quartas-de-final do torneio feminino.

O terceiro jogo da segunda fase colocou frente a frente a França, segunda colocada do Grupo G e o Canadá, grande surpresa e país com melhor campanha na fase inicial da competição com três vitórias em três pelejas (dois deles mostrados aqui no JP, o 2x0 contra a Austrália e o 3x1 contra o Zimbabwe).


Times perfilados para os Hinos Nacionais. Sou obrigado a confessar que ouvir a Marselhesa ao vivo num evento esportivo foi algo de arrepiar a alma. Sensacional!

Como de praxe, um ótimo público marcou presença na casa alvinegra: 38.688 pagantes. Pena que apesar de ser um duelo decisivo, ele tenha sido tão truncado e com poucas emoções. As duas seleções concentraram as ações no meio-campo, e mesmo com uma boa movimentação confesso que fiquei com sono a maior parte do tempo.

No tempo inicial a França foi melhor e o Canadá se preocupou mais em se defender, só que chance de gol que é bom, só uma, já nos acréscimos numa cabeçada da capitã do selecionado europeu Wendie Renard. Tirando isso, sono, muito sono. Fica difícil até falar algo sobre uma partida tão modorrenta assim.


Kadeisha Buchanan (3) e Amel Majri (7) em lance de ataque francês no começo da partida


A atacante Eugenie le Sommer no meio de duas defensoras canadenses


Bom ataque europeu pela esquerda no final do primeiro tempo

A esperança era que os times descolassem inspiração nos vestiários. Bom, melhorou um pouquinho, mas nada que entusiasmou por completo a torcida presente. O maior lance da noite aconteceu aos dez minutos em jogada magistral da canadense Janine Beckie. Ela recebeu passe na direita, chapelou uma defensora e cruzou na área. Sophie Schmidt apareceu no segundo pau para encher o pé e abrir o marcador.

Três minutos depois aconteceu a melhor chance a favor a França deixar tudo igual. Em bola alçada na área, a mesma Beckie que fez a brilhante assistência no gol canadense jogou contra o patrimônio e quase fez gol contra, acertando a bola na trave em toque de cabeça. Na meia hora final muita pressão francesa, porém nenhuma oportunidade realmente perigosa contra o gol defendido pela goleira Stephanie Labbe.


Comemoração do Canadá depois do gol de Schimdt


A França teve a bola no pé durante a maior parte do tempo, mas não traduziu o domínio em gols


Disputa de bola pelo alto no meio-campo


Placar final da partida na Arena Corinthians com a classificação canadense

E assim como aconteceu na decisão da medalha de bronze de Londres-2012, o placar final ficou em Canadá 1-0 França. Com o triunfo, o onze norte-americano se garantiu entre as quatro melhores seleções do torneio feminino de futebol dos Jogos Olímpicos. A seleção perdeu a semi-final contra a Alemanha e na disputa do bronze venceu o Brasil e conquistou a segunda medalha na sua história. Além disso, levou para casa a simpatia da torcida tupiniquim.


As simpáticas canadenses agradecendo o público pela fiel torcida durante todo o jogo

No dia seguinte voltei à Arena Corinthians para curtir os embalos de sábado a noite com outra partida das quartas-de-final, agora do torneio masculino. Teve clássico sul-americano na parada e presença brasileira no meu genial cronograma na Olimpíada 2016.

Até lá!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 11): Iraque e África do Sul morrem abraçados na Arena Corinthians

Texto e fotos: Fernando Martinez


O jogo de fundo da terceira rodada da primeira fase do futebol olímpico na Arena Corinthians, o sexto realizado na casa alvinegra na Rio-2016, acabou sendo de longe o mais legal e mais emocionante de todos realizados ali, com certeza uma dos cinco melhores partidas que eu vi in loco nesse árido ano de 2016.

Confesso que até entendo grande parte das pessoas que pensavam que um encontro entre as seleções do Iraque e da África do Sul pouco teria de interessante. Esse sentimento aumentou nas duas rodadas iniciais, já que ambas não marcaram nenhum gol e, obviamente, não venceram nenhuma peleja. Felizmente todos se enganaram.

O time do Oriente Médio era um dos que mais esperava colocar na Lista muito por causa da minha memória afetiva da Copa do Mundo de 1986, a única que os conterrâneos de Saddam Hussain disputaram na história. O selecionado foi derrotado por México, Paraguai e Bélgica e terminou na última colocação do Grupo B. Já em Olimpíadas a história é bem diferente, e essa foi a quinta participação até hoje em todos os tempos. A melhor colocação foi um honroso quarto lugar em 2004.


Iraque e África do Sul definindo sua sorte no gramado da Arena Corinthians

Agora, confesso a minha decepção particular por ver mais uma vez a África do Sul com tanto time legal do continente africano que poderia ter vindo pra cá. O pior foi que o onze da terra de Nelson Mandela venceram a disputa direta da vaga vencendo Senegal (!) nos pênaltis. Uma pena... Bom, em tempo, essa foi a terceira vez que vi os sul-africanos in loco.

O público oficial foi de 37.742 pagantes, mas sem sombra de dúvida pelo menos metade do estádio estava vazio. A maior parte dos presentes se mandou para ver o jogo do Brasil contra a Dinamarca pela televisão. Perderam a peleja mais animada do torneio de futebol masculino da Olimpíada 2016.

A partida começou com Iraque e Brasil empatados com dois pontos na segunda colocação da chave. A lanterninha África do Sul surpreendeu a todos e pouco depois dos cinco minutos já abriu o placar com Motupoa aproveitando bola que sobrou dentro da área. O gol classificava momentaneamente os Bafana Bafana.

Os iraquianos não se abateram e deixaram tudo igual aos 14, com um belo gol de cabeça de Luaibi Saad. Esse gol agora colocava a seleção asiática entre as oito melhores da competição, já que em Salvador o duelo entre Brasil e Dinamarca estava empatado.

É, só que a esperança iraquiana durou cerca de dez minutos, pois com o gol de Gabigol, agora era o Brasil que se garantia na segunda fase. As duas seleções que se enfrentavam na casa corintiana precisavam vencer para se garantirem nas quartas eliminando a Dinamarca.

O gol tupiniquim transformou a peleja na Arena em algo dramático, aquele tipo de jogo que gostamos muito de ver, ainda mais quando não torcemos para nenhuma das duas equipes. O panorama ficou bem definido com o Iraque, melhor time, apostando tudo com seu rápido setor ofensivo, e a África do Sul tentando melhor sorte nos contra-ataques.

Claro, o nível técnico das duas seleções não era nenhuma Brastemp, mas que foi genial assistir, ah, isso foi. Os sul-africanos tiveram ótima chance de passarem de novo à frente aos 18 minutos em bola que tirou tinta da trave direita de Mohameed. Depois, só deu Iraque com várias finalizações, duas bolas na trave aos 36 e 39 minutos e um milagre particular de Khune aos 41 que impediu a virada.


Luaibi Saad marcando de cabeça o gol de empate para o Iraque


Tímido ataque da África do Sul pela esquerda


Já no tempo final, mais uma chance iraquiana pelo alto

Com a vitória parcial do Brasil por 2x0 no intervalo, o segundo tempo virou terra de ninguém. O técnico Abdulghani Alghazali colocou o Iraque todo pra frente, sem nenhuma preocupação com a defesa. Vimos quase 50 minutos de um toma lá, dá cá absolutamente eletrizante. Um prêmio para todos que permaneceram na Arena mesmo com menos de dez graus de temperatura.

Aos nove, a terceira bola na trave da África do Sul em cabeçada iraquiana. Aos 13, cabeçada de Abdulraheem que saiu pela esquerda. No minuto seguinte, milagre do goleiro Kuhne em tiro à queima-roupa. Aos 19, contra-ataque da África do Sul que levou muito perigo à meta de Mohammed.

Nos minutos seguintes, vendo a vaga ir pro saco, pintou aquele desespero maroto e o Iraque criou um sem número de oportunidades, uma a uma desperdiçadas pelos atacantes, mostrando que o último toque era o maior problema dos asiáticos. Ao final dos 90 minutos, a seleção chutou 29 vezes ao gol e apenas nove deles tiveram a direção da meta.


Ali Adnan, camisa 6 asiático, se mandando para o ataque


Investida iraquiana e firme marcação de Mvala


Humam Tareq perdendo grande oportunidade pela esquerda. O cabeludo foi responsável por cerca de quatro ou cinco grandes chances jogadas no lixo


No tudo ou nada, quase a África do Sul fez o segundo no final

Antes do apito final por muito pouco os Bafana Bafana não marcaram o segundo com Abbubaker Mobara, gol que valeria a vaga. No fim, o África do Sul 1-1 Iraque fez com que as duas seleções morressem abraçadas e eliminadas do torneio de futebol olímpico ainda na primeira fase. Após o apito final, atletas dos dois times foram ao desespero no gramado corintiano. Nas arquibancadas, palmas para os jogadores por conta da belíssima exibição.



Jogadores das duas seleções lamentando a desclassificação no gramado da casa corintiana


O placar final da belíssima peleja que eliminou sul-africanos e iraquianos do torneio de futebol da Rio-2016

No final das contas a rodada dupla foi bastante proveitosa com quatro gols e o time de número 639 entrando na minha Lista. Voltei ao estádio alvinegro dois dias depois para outra partida, agora do torneio feminino e com direito a repeteco da disputa de bronze de Londres-2012.

Até lá!