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sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz 2017!



O post hoje é para desejar um Feliz 2017 a todos os amigos que ainda acessam o Jogos Perdidos nesses áridos tempos. O visitante mais atento que nos visitou em 2016 percebeu que hoje chamar o JP de "Blog do Fernando" não é nenhum absurdo, já que pela primeira vez na nossa história só tivemos posts meus publicados. Sei que não é o ideal, mas é a realidade.

Pensei seriamente em largar o JP durante os últimos meses e começar o ano novo em novo endereço, num novo astral e sem ninguém para atrapalhar. Pensei, mas não realizei (pelo menos por enquanto) pois acho que tenho lenha para queimar por aqui e também porquê seria uma judiação ver uma marca tão importante morrer de uma forma tão melancólica.

No final das contas entrarei em 2017 finalmente convencido que aquele "grupo de amigos que se reúne para ver jogos no final de semana" existe apenas na memória e que definitivamente nunca mais irá voltar. Todos os nove "originais" tiveram uma importância enorme em consolidar o Jogos Perdidos no contexto do futebol paulista. Só que isso hoje faz parte do passado, e cabe a mim aceitar que a realidade é segurar a bronca sozinho, sabendo e, principalmente, aceitando que todos ficaram para trás. A partir de agora é bola pra frente, seguindo firme e forte para o 13º aniversário!

Dito tudo isso, quero aproveitar esse momento e agradecer cada alma que acessa o blog, cada um que me manda mensagem no Facebook, cada pessoa que vem me contar que está matando tal time só porquê viu eu falar disso por aqui e que começou a encarar os estádios mais alternativos só por nossa causa. Agradeço também todos os dirigentes, os árbitros, o pessoal da FPF, cada torcedor de arquibancada e cada atleta que encontro nos estádios da vida. A presença de todos no dia-a-dia contou muito para eu não deixar essa ideia morrer de vez. A vocês, muito obrigado.

Grande ano para nós, amigos!

Fernando

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 20): O glorioso encerramento da Rio 2016

Texto e fotos: Fernando Martinez


A alegria estava boa, a festa estava muito legal, mas tudo que é bom tem dia para acabar. Falo do 21 de agosto de 2016, dia do encerramento dos XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna no Rio de Janeiro. Vivi de perto o maior evento multi-esportivo do planeta acompanhando várias modalidades, muitas disputas de medalha e vários momentos históricos, como o tri de Usain Bolt nos 100 metros rasos e a emocionante medalha de ouro do Brasil no futebol dos rapazes.

Não imaginava que seria possível marcar presença em alguma das cerimônias, de abertura ou encerramento, dos Jogos. Só que os deuses do esporte foram muito generosos comigo e na última etapa de vendas, milagrosamente consegui um ingresso para ver a magnífica festa que encerrou o Rio-2016. A abertura foi sensacional e mesmo sabendo que dificilmente a beleza vista em 5 de agosto se repetiria, aguardei com tremenda ansiedade o evento derradeiro.


O Maracanã todo azul antes da cerimônia


O Cristo Redendor em destaque

A primeira lembrança esportiva que possuo é o encerramento dos jogos de 1980, quando o ursinho Misha chorou de tristeza no final da Olimpíada de Moscou. Portanto, estar presente, 36 anos depois, numa festa assim foi muito, muito emblemático. Na parte da manhã acompanhei pela televisão o ouro nos Estados Unidos no basquete masculino e, sem demorar muito, me dirigi ao Maracanã pensando em curtir cada segundo. Vale dizer que foi difícil chegar lá por conta de um vendaval que nunca tinha visto antes. Daqueles que temos que encostar em alguma parede para não levantarmos voo. Surreal.


Agora a bandeira brasileira e as estrelas representadas por crianças



Dois detalhes do sensacional desfile de delegações

Na entrada ganhei um livro especial sobre a cerimônia e também fui correndo garantir um copo especial - saudade, Copa - da cerimônia. Fiquei zanzando por tudo que é canto antes de ir pro meu lugar. Quando cheguei, as primeiras lágrimas da noite surgiram lembrando de todos os encerramentos que acompanhei pela televisão através dos tempos. Mais precisamente nove, sem contar Montreal-1976, já que dificilmente me lembraria de algo com 15 dias de vida.

Todo mundo que está lendo esse post provavelmente viu a cerimônia, assim como centenas de milhões de pessoas pelo planeta. A celebração da cultura popular brasileira com o samba, forró e frevo. O show de espalhadas pelo Lenine. O coro de 27 crianças cantando o Hino Nacional Brasileiro. O genial vídeo promocional de Tóquio-2020 levando o Super Mário ao estádio fluminense com a presença do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe saindo de um cano.


A última entrega de medalhas. Como sempre, da maratona


O genial jogo de sombras da retirada da bandeira olímpica


O primeiro-ministro japonês surgindo no meio do palco num dos momentos mais geniais da cerimônia de encerramento


Mais um genial momento que falou sobre Tóquio-2020

Também teve o genial desfile de todas as delegações, algo que sonhava ver desde pequeno. A presença de vários atletas históricos. A última entrega de medalha para o queniano Eliud Kipchoge, primeiro colocado na maratona. Os discursos do presidente do COI, do prefeito Eduardo Paes e de Carlos Arthur Nuzman, os dois últimos vaiados a plenos pulmões pelo que vos escreve e por quase todos no Maracanã. E fechando, o maravilhoso desfile de marchinhas com escolas de samba e um clima de festa simplesmente sensacional e empolgante. Chorei em vários e vários desses momentos.


A pira olímpica logo depois de ter sido apagada


O imenso carnaval que encerrou a Olimpíada do Rio de Janeiro

Foi emocionante e triste ao mesmo tempo estar no velho novo estádio na noite de 21 de agosto de 2016. A noite em que vi a Cerimônia de Encerramento da primeira Olimpíada da América Latina in loco. Não tenho a menor ideia se voltarei a assistir um evento desse porte, então tudo foi ainda mais especial. Fui privilegiado por ver os Jogos Panamericanos em 2007, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016. Não me falta mais nada no continente (só a Copa América em 2019, porém esse é outro papo).

Foi isso, pessoal. Espero que tenha conseguido passar nesses xx posts o que foi viver a Rio-2016 de perto. Dias felizes (alguns não tanto, faz parte) que não terão paralelo na minha vida.

Até a próxima!

© 2019

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 19): O inesquecível ouro do futebol masculino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Falar sobre o que vivi no dia 20 de agosto de 2016 não é fácil. Desde o primeiro momento tentei um ingresso para a grande decisão da medalha de ouro do futebol masculino da Olimpíada do Rio de Janeiro pois depois de não ter chance de ver a final da Copa do Mundo, queria muito me fazer presente nesse jogo histórico. Fiquei muito tempo tentando um ingresso e na base da sorte descolei um de última hora. A felicidade foi enorme.

Não tinha a menor ideia de quem estaria na decisão do Maracanã antes do pontapé inicial do torneio. Conforme a competição foi seguindo, já imaginava que o time canarinho tinha plenas e totais condições de estar lá. Restava saber quem seria o adversário. Por ironia do destino, quem se credenciou foi a Alemanha. Um duelo desses, dois anos depois do fatídico 7x1 do Mineirão na final do único torneio que a seleção penta-campeã não havia vencido era muito mais do que eu poderia esperar.

Saí do Parque Olímpico da Barra depois de curtir aquele Taekwondo maroto com destino à Zona Norte da capital fluminense e cheguei na região do Maracanã super de boa, com o sol já escondido entre as nuvens e uma temperatura até certo ponto agradável. Assim como na sexta-feira, entrei nas dependências do velho novo estádio junto a centenas de torcedores bem ansiosos. A tensão no ar era palpável.


A fachada do Estádio Mário Filho com destaque para os anéis olímpicos


A enorme rampa que dá acesso para a parte mais alta das arquibancadas


Times perfilados antes do apito inicial


O Maracanã muito bonito para uma grande decisão

Não foi a primeira vez que vi as duas seleções in loco no Rio-2016. Nas quartas-de-final acompanhei o triunfo tupiniquim contra a Colômbia na Arena Corinthians. Também tive o prazer de ver duas apresentações da alemãs no certame: o empate contra o México na estreia de ambos em Salvador e a vitória em cima da Nigéria na semi-final de São Paulo. Uma apresentação boa dos donos da casa e duas mais ou menos da atual campeã do mundo.

Essa não foi a primeira vez que as duas se enfrentaram na história das Olimpíadas. Atuando como Alemanha Ocidental, estiveram frente-a-frente em 1952, 1984 e 1988. O duelo em Seul foi bem emblemático, pois foi válido pela semi-final e eu escutei praticamente todo o confronto no fone de ouvido, em plena aula de Desenho Geométrico. Quando a professora descobriu, ao invés dela me expulsar da sala, me "obrigou" a narrar os pênaltis que deram a vaga na final ao time comandado por Carlos Alberto Silva no banco e Romário e Neto no relvado. Essa havia sido a última participação da equipe europeia até então.

Voltando a 2016, O apito inicial foi dado às 17h30, porém bem antes já estava no meu lugar, tenso e com a adrenalina lá no alto. Para deixar o ambiente ainda mais elétrico, a partida foi boa e com muita emoção, todos os ingredientes necessários para tornarem o combate épico. A primeira boa chance foi alemã aos 10 minutos. Brandt avançou pela esquerda e arriscou da entrada da área. A bola passou por Weverton e explodiu no travessão. Foi apenas o primeiro susto sofrido.

O Brasil estava meio perdidão em campo e tentou, sempre comandados por Neymar, emplacar algumas jogadas de efeito, como aos 13 e aos 19 minutos. Na primeira Luan chutou e a zaga cortou, na segunda, o camisa 10 cobrou escanteio perigoso e Horn cortou no susto. Aos 25, Ginter chegou atrasado e fez falta "nele" na entrada da área. A cobrança do jogador do Barcelona foi primorosa. Ele colocou a bola no ângulo direito, batendo de leve na trave antes de morrer nas redes. Um golaço, o segundo dele dessa forma nos jogos e o segundo que vi bem na minha frente.

A Alemanha não sentiu o gol e teve duas boas oportunidades. Aos 31 Meyer aproveitou uma sobra na entrada da área e Weverton defendeu o belo chute. Três minutos depois, o mesmo Meyer levantou na área e Bender tocou de cabeça. A bola bateu na trave, para o desespero da grande massa, eu incluído, nas arquibancadas. Antes do intervalo chegar os visitantes tiveram outra finalização no travessão. Que sufoco, amigo... Menos mal que a zaga canarinho permanecia até então sem sofrer gols no certame.


Ataque brasileiro e Neymar sofrendo mais uma falta


Alemães retomando a posse de bola


Visão geral de um Maracanã cheio na decisão da medalha de ouro do futebol masculino


Detalhe do gol que abriu o marcador. Cobrança de falta perfeita do camisa 10 verde e amarelo

Infelizmente isso não durou muito no segundo tempo. A agremiação germânica voltou melhor e o Brasil não viu a cor da bola nos primeiros 20 minutos. Dominando as ações, os visitantes deixaram tudo igual aos 13 Brandt rolou para Toljan na direita, o lateral cruzou e Meyer, livre no meio da grande área, empatou. Se a ansiedade já estava em níveis elevados, depois do 1x1 a coisa piorou. Sabendo que precisava voltar a jogar bem o quanto antes, o escrete verde e amarelo retomou as rédeas do cotejo e chegou perto de passar novamente à frente do marcador algumas vezes.

Aos 19 Renato Augusto arrancou pela direita e cruzou. Gabriel Jesus surgiu na grande área e finalizou pra fora. Aos 32, Felipe Anderson recebeu ótimo passe de Neymar só que demorou para concluir. Recuada, a Alemanha se segurou bem e ao final do tempo regulamentar, pintou a famosa prorrogação. Desde o Argentina x Suíça na Copa do Mundo eu não presenciava in loco um "overtime". Teríamos pelo menos mais meia hora de sofrimento.


Zaga alemã cortando cruzamento


Troca de passes no campo de defesa europeu


Mais uma falta. Mais uma cobrança de Neymar

A prorrogação foi sofrida, embolada no meio de campo e com os dois times preocupados em não perder. O Brasil, tendo a exata noção do que significava a final, tentou um pouco mais do que seu algoz de 2014. No primeiro tempo, Luan recebeu bom lançamento de Douglas Santos e se embananou todo, não conseguindo concluir no gol. No segundo, Horn fez brilhante intervenção em chute de Felipe Anderson. Após 120 minutos de bola rolando, tudo igual. A medalha de ouro seria decidida na cobrança de pênaltis.

Naqueles minutos entre a peleja e a decisão na marca de cal milhares de coisas passaram pela minha mente. As medalhas de prata em 1984 e 1988, a derrota contra a Nigéria em 1996, a bisonha eliminação contra Camarões em 2000, o bronze de 2008 e o triste revés contra o México em 2012. Não sou o maior torcedor da seleção, os que me conhecem sabem disso, mas não seria justo perder mais uma chance do ouro, ainda mais jogando em casa.

De certa forma tenho certeza que os 63.707 pagantes também estavam pensando muita coisa, além dos milhões que acompanhavam a transmissão pelos quatro cantos do país. O Maracanã estava quieto, praticamente em silêncio. Poucas vezes nos meus anos de estrada dentro de um estádio eu senti algo igual. O árbitro iraniano Alireza Faghani fez o toss e ficou decidido que a Alemanha iniciaria a série de cobranças.

Matthias Ginter abriu o placar a favor dos germânicos, Renato Augusto empatou, Serge Gnabry fez 2x1, Marquinhos deixou tudo igual novamente. Julian Brandt marcou a favor dos europeus, Rafinha fez o terceiro local, Niklas Süle deixou em 4x3 e Luan igualou. 100% de aproveitamento. Faltando um pênalti pra cada um, agora tinha chegado a hora da verdade. Foi aí que Weverson colocou seu nome na história defendendo o chute de Nils Petersen. O Brasil precisava converter seu último chute para conquistar o ouro.

E foi dele, Neymar, todo o momento. Não gosto dele e todo mundo sabe disso, mas que foi emblemático foi. Os segundos antes da cobrança demoraram horas e o silêncio era total e absoluto. Não se ouvia nem a respiração entre as milhares de pessoas que tomavam as dependências do velho novo estádio. O jovem atleta chutou firme e no exato segundo em que a bola tocou na rede, a tensão deu lugar a uma comemoração alucinada. Vivi uma emoção extrema, absolutamente difícil de explicar.


Matthias Ginter abrindo a disputa de pênaltis


Renato Augusto foi o primeiro batedor tupiniquim


Nils Petersen chutou e Wéverton fez brilhante defesa

O placar final de Brasil 1 (5) - 1 (4) Alemanha deu a esperada primeira medalha de ouro ao futebol tupiniquim na história das Olimpíadas. Depois de tanto insistir, de tanto lutar e de tanta obstinação, finalmente ela foi conquistada. Já disse aqui que não sou o maior torcedor do escrete verde e amarelo - a última vez que me importei de verdade foi na Copa de 1986 - porém não teve como não vibrar muito com esse título. Mesmo sabendo de todas as falcatruas da CBF, de toda a marra dos jogadores nacionais, de tudo de errado que envolve o esporte. Na hora H, isso ficou temporariamente de lado.



Detalhes da cerimônia de entrega das medalhas


Atletas e comissão técnica do Brasil agradecendo a conquista

Fiquei um bom tempo nas arquibancadas do estádio tentando entender e assimilar o que tinha acabado de ver. A depressão pós-Olimpíada e meu desempenho com poucos jogos no restante de 2016 foi diretamente ligado ao que passei naquele 20 de agosto de 2016. Vai ser muito legal dizer que estava no Maracanã quando o selecionado verde e amarelo conquistou sua primeira medalha de ouro no futebol. Sou feliz por ter visto a história acontecer diante dos meus olhos.

Só que as emoções olímpicas ainda tinham um espaço na agenda esportiva. No domingo, dia 21, voltei ao ex-maior do mundo para a gloriosa Cerimônia de Encerramento do Rio-2016. Foi uma coisa tão sensacional que valerá um post especial, fechando essa extensa série "JP na Olimpíada".

Até lá!
@ 2019

domingo, 18 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 18): A despedida do Parque Olímpico

Texto e fotos: Fernando Martinez


O último sábado dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começou bem cedo pra mim. Como a grande decisão do torneio de futebol masculino estava marcada apenas pro fim da tarde, tive tempo hábil de fazer a minha terceira e última visita ao Parque Olímpico da Barra, ou como diria o outro, a deliciosa Disneylândia dos Esportes. Entre várias opções, a que se encaixou melhor foi ver pela primeira vez na vida lutas de Taekwondo.

O astral dessa vez foi bem diferente, já que a emoção da primeira visita e a diversão completa da segunda foi trocada por uma certa melancolia, já que era a última vez que colocava meus pés ali. Também por ter a plena noção que o local deixaria de existir com seu intuito original dois dias depois. Tudo bem que todos os parques olímpicos são assim, só que não deixa de ser triste. Como se tudo isso não bastasse, sabe-se lá quando que estarei em outra Olimpíada...


Uma visão geral da Arena Carioca 3 para a disputa de Taekwondo

Fazia bastante calor quando pisei no Parque, pouco depois das nove da matina. Já tinha visitado a Arena Carioca 1 nos duelos dos rapazes do basquete brasileiro contra Espanha e contra a Nigéria (em tempo, fui super pé quente, já que foram as duas únicas vitórias da modalidade levando em conta as duas categorias) e a Arena Carioca 2 com a genial Luta Greco-Romana, e essa foi minha estreia na Arena Carioca 3.

Esse foi o quarto dia de disputas do Taekwondo, reservado para a categoria peso-pesado. Vi um total de 16 lutas intercalando homens e mulheres, todas da fase preliminar, nada mais do que as oitavas-de-final. Não tenho conhecimento algum de técnica, tática ou algo relacionado ao esporte, mas é legal demais ver algo assim numa Olimpíada. O ginásio não estava tão cheio, porém o clima e a animação foram sensacionais.


O legal de ver Taekwondo é que dá pra pegar fotos bem legais, tipo essa

No feminino, com lutadoras acima de 67 quilos, participaram atletas de países que a gente só conhece pelo atlas. Nunca imaginei que pudesse ver de perto alguém nascido no Camboja ou em Papua Nova Guiné. Todos, claro, com suas respectivas torcidas (pena que as atletas foram eliminadas ainda nessa fase). Como não tenho condições de viajar pelo mundo, ver tanta gente junta de tanto lugar longínquo foi um dos pontos altos do Rio 2016. A medalha de ouro dessa categoria foi a chinesa Zheng Shuyin, a prata ficou com María Espinoza do México.


A genial torcida de Tonga! Nunca achei que veria de perto alguém nascido lá

No masculino, para crianças acima dos 80 quilos, a disputa foi bem intensa. Lembrei das minhas aulas de geografia e da coleção de escudinhos vendo atletas do Gabão, Bielorrússia e Casaquistão, além de Pita Taufatofua, de Tonga. Isso mesmo, teve lutador de Tonga no tablado e cerca de 20 pessoas torcendo por ele com bandeira e tudo. Tudo bem que ele sofreu a maior derrota da categoria (1x16 contra o iraniano Sajjad Mardan), mas o que valeu foi o famoso espírito olímpico. Também teve o brasileiro Maicon Siqueira ganhando do americano Stephen Lambdin e, apesar da derrota nas quartas, ele voltou na repescagem e foi bronze. O outro ficou com Radik Isayev, do Azerbaijão, a prata com, Abdoul Razak Issoufou, do Níger.


Entre as lutas, rolava uma apresentação performática bastante interessante. Sempre rende fotos bem plásticas

Por volta do meio-dia e meia deixei a Arena Carioca 3 para passar os últimos momentos no Parque Olímpico. Pena que por causa de um imprevisto bem chato, tive que deixar o local antes do planejado. Mesmo assim, foi muito legal passar mais uma vez por locais que ficarão eternamente na minha memória. Deixei o local sem percalços com destino ao Maracanã. É, ali rolou uma das maiores emoções da minha vida esportivamente falando.

Até lá!

© 2019

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 17): Alemanha ouro no futebol feminino

Texto e fotos: Fernando Martinez


Quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede da Olimpíada-2016 eu tinha a ideia de ver bastante coisa, mas nenhuma esperança em assistir provas ou decisões importantes. Por conta e uma sorte imensa e também do auxílio de amigos próximos consegui ver a terceira medalha de ouro de Usain Bolt nos 100 metros rasos por exemplo. Além disso, minha última parada na sede dos Jogos foi muito especial com três eventos geniais nos três últimos dias da festa.

Fui pro Rio pela ponte aérea na manhã de sexta, fechando a trilogia ônibus (no primeiro final de semana), carro (no segundo) e aeroplano. Num calor dos infernos desci no aeroporto Santos Dumont e dali segui até a região do Maracanã sem poder perder tempo, já que o cronograma estava bastante apertado. Tudo para não perder a grande decisão da medalha de ouro do futebol feminino entre Suécia e Alemanha.

Você viu aqui no JP a goleada alemã na estreia contra a genial seleção do Zimbabwe e depois o empate por 2x2 contra a Austrália, ambas as pelejas realizadas na Arena Corinthians. A equipe fez parte do Grupo F e se garantiu nas quartas na segunda colocação da chave. Depois, eliminaram China e Canadá, chegando à decisão inédita. Já as suecas estavam no Grupo E na fase inicial. Mesmo com uma derrota por 5x1 sofrida contra o Brasil, elas se garantiram como uma das melhores terceiras colocadas. Depois eliminaram nada menos do que os Estados Unidos - a primeira vez em que as norte-americanas não chegam na final - e depois, lamentavelmente, o escrete canarinho.

Por conta da inesperada e triste eliminação do onze verde e amarelo, muita gente que tinha comprado ingresso resolveu não aparecer no Maracanã. Apesar disso, o público foi de 52.432 pagantes, um número pra lá de respeitável. Grande parte dos presentes estava torcendo para as carrascas suecas, certamente reflexo dos 7x1 de dois anos antes e da tensão já vivida no ar antecipando a final masculina do domingo. Acessei o ex-maior do mundo de boa, sem crise e antes de ir pro meu lugar dei a famosa passeada pelas dependências do velho novo estádio. Confesso que bateu forte a emoção quando vi a Pira Olímpica pela primeira vez.


Visão do velho novo estádio antes da decisão da medalha de ouro do futebol feminino


A bela Pira Olímpica brilhando no Maracanã


Seleções perfiladas para os respectivos hinos nacionais

Faltando meia hora pro apito inicial finalmente cheguei ao meu lugar e dali fiquei nas duas horas seguintes. Não esperava muito da Suécia e elas confirmaram a baixa expectativa. Já com a Alemanha foi bem diferente já que as moças de vermelho confirmaram o favoritismo e tiveram uma atuação muito boa. A primeira oportunidade da final foi azul e amarela aos nove minutos. Schogh finalizou pelo alto depois de cruzamento de Schelin.

A partir daí só o selecionado germânico apareceu. Aos onze Leupolz escapou pela direita e cruzou por baixo. A goleira Lindahl quase bateu roupa e se complicou. Nove minutos depois Kemme recebeu passe na esquerda e cruzou na cabeça de Leupolz. A camisa 16 subiu bem, porém mandou por cima do travessão. Aos 24 Maier chutou de longe, Lindahl bateu roupa e o rebote caiu nos pés de Mittag. Só que a camisa 11 conseguiu desperdiçar a oportunidade.

A Suécia só voltou a assustar aos 27, quando Schelin recebeu bola na direita, avançou com liberdade e chutou da entrada da área. A bola passou perto da meta defendida por Schult. Desse lance até o final do tempo inicial a partida ficou concentrada no meio-campo e nada mais aconteceu. Os primeiros 45 minutos da decisão da medalha de ouro ficaram em branco.


Bola voando dentro da área da Alemanha


Agora um ataque alemão, também pelo alto


Investida sueca no primeiro tempo. Notem a bem postada linha defensiva das meninas de vermelho

No tempo final a Alemanha voltou ao gramado não disposta a vacilar mais. Logo aos dois minutos Leupolz atacou pela direita e cruzou rasteiro. A pelota passou por todas as atletas, mas não por Marozsán. A camisa 10 dominou e chutou no alto, sem nenhuma chance para Lindahl. Se ouviram muitas vaias no Maracanã com o tento alemão. A Suécia sentiu o tento e sofreu o segundo aos 15. A artilheira Marozsán cobrou falta na trave e no rebote a zagueira Sembrant, na base do susto, bateu de canela e mandou contra o próprio gol.

Achei que as nórdicas estariam totalmente batidas depois dos 2x0, porém aos 21 elas diminuíram o marcador. Numa jogada pela direita, Schough mandou por baixo e Blackstenius tocou firme, vencendo Schult. Só que esse gol se mostrou apenas um lance isolado e em nenhum momento a vantagem construída foi ameaçada. Aliás, muito pelo contrário. Aos 30 e aos 38 minutos Maier e Marozsán finalizaram bem e Lindahl mostrou serviço. A pressão das meninas do "Konungariket Sverige" foi bem sem graça e conforme o tempo foi passando, a certeza que a medalha de ouro estava definida só aumentava.


Defensora da Suécia tocando na pelota no seu campo defensivo


Cobrança de falta que originou o segundo gol alemão


Zaga vermelha afastando o perigo em tentativa sueca

Quando a canadense Carol Chenard apitou pela última vez, o placar do Maracanã mostrava o placar de Suécia 1-2 Alemanha. Assim como dois anos antes, um selecionado germânico fez a festa na velha nova cancha carioca. A medalha de ouro foi garantida com uma campanha de quatro vitórias, um empate e uma derrota (contra o Canadá na primeira fase). Na sua quinta participação, a quarta medalha. Para as suecas, a prata foi muito bem recebida. O bronze ficou com o Canadá, que derrotou o Brasil em São Paulo.



A volta olímpica das medalhistas de ouro e de prata da Rio-2016


A cerimônia de premiação que marcou o fim da disputa do futebol feminino nos Jogos Olímpicos

Saí do estádio lembrando da Copa do Mundo de 2014 e também refletindo sobre o que tinha acabado de ver. A minha esperança era que não houvesse uma terceira festa alemã no dia seguinte. Não seria justo. Estava a menos de 24 horas de acompanhar a grande decisão do futebol masculino e eu tinha a certeza que, pro bem ou pro mal, eu estava prestes a acompanhar algo histórico. Antes do banho de emoção ainda teve tempo para visitar o Parque Olímpico pela última vez.

Até lá!

© 2018

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

JP na Olimpíada (parte 16): Alemães na inédita final do futebol

Texto e fotos: Fernando Martinez


No dia 17 de agosto, uma quarta-feira, o torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos chegou à sua fase semi-final. No primeiro jogo do dia o Brasil aniquilou Honduras com sua maior vitória na história dos Jogos e se garantiu na grande decisão. O segundo foi realizado pertinho de casa, na Arena Corinthians, e reuniu duas verdadeiras asas-negras do time verde e amarelo: Nigéria e Alemanha.

As duas seleções já haviam aparecido por aqui em jogos da primeira fase: os nigerianos quando foram derrotados pela Colômbia também em solo paulistano e os alemães no ótimo empate contra o México na estreia de ambos em Salvador. Aliás vale lembrar que o encontro contra os norte-americanos foi o primeiro compromisso dos atuais campeões do mundo numa Olimpíada desde os Jogos de Seul.


Bandeiras dos participantes do torneio de futebol, masculino e feminino, do Rio-2016


Seleções perfiladas no gramado da Arena Corinthians antes dos respectivos hinos nacionais

Essa foi a nona partida realizada na casa corintiana durante a Rio-2016 e a nona em que estive presente. Mantive os 100% de aproveitamento, mas já sabendo que essa era minha despedida por ali, já que estaria no Rio na final feminina e perderia a decisão do bronze. Como ainda não inventaram algo para estarmos em dois lugares ao mesmo tempo, decidi pela grande decisão no Maracanã.

Pela primeira vez acompanhei uma peleja no setor sem cadeiras da Arena e posso falar com propriedade que ver jogo ali é um horror, a visão é péssima e a muvuca é um porre. Resumindo: não indico o setor a ninguém que queira um pouquinho de conforto. Junto comigo, vários amigos e um público total de 35.562 pagantes.

Esperava ver um jogo disputado, afinal de contas, era uma semi-final olimpíca, né? Ledo engano... as duas seleções foram a campo sem inspiração e mostrando um futebol super burocrático de dar sono. Como a Nigéria foi uma decepção completa por todos os 90 minutos, não foi dificil para a Alemanha, que fez um jogo abaixo da crítica, chegar à vitória.

Logo aos nove minutos saiu o primeiro gol depois de boa jogada pela direita e conclusão tranquila de Lukas Klostermann dentro da pequena área. Três minutos depois o goleirão Timo Horn quase ganha o prêmio de vacilão da tarde. Ele quis mandar a pelota pra longe da área mas deu uma furada monstra. O camisa 13 Sadiq tentou se aproveitar dessa falha porém por duas vezes errou o chute sem passar para um companheiro melhor colocado.


Gnabry, camisa 17 da Alemanha, se mandando para o ataque


Julian Brandt atacando pela direita com a firme marcação de Sincere


William Ekong afastando o perigo


Troca de passes no setor defensivo africano

O tempo inicial seguiu embolado e com poucas oportunidades de gol, quase todas alvinegras. Ao final dos primeiros 45 minutos, o marcador mostrava o magro 1x0. Na segunda etapa os campeões olímpicos de 1996 conseguiram a proeza de piorar o que já estava ruim graças a inexpressiva atuação do setor ofensivo.

Jogando na boa e sem sofrer pressão, os europeus também não se animaram e a partida praticamente se arrastou. Emoção mesmo rolou somente a dois minutos do fim do tempo regulamentar com uma pequena aula de contra-ataque e um gol irregular alemão. Selke recebeu bom passe pela direita, avançou pelo campo de defesa e cruzou. Nils Petersen, em impedimento, completou no segundo pau e fechou o marcador.


Timo Horn saindo do gol para fazer a defesa


Arena Corinthians com bom público para a semi-final masculina do futebol


O camisa 2 Jeremy Toljan subindo para cortar cruzamento nigeriano


Placar que colocou a Alemanha na decisão do futebol na minha despedida olímpica de São Paulo

O placar de Nigéria 0-2 Alemanha colocou a seleção européia na decisão dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história na sua nona participação. Era a chance que todo o brasileiro queria para devolver cerca de 0,5% da sofrida derrota de 2014. O mais legal? O fato de que eu tinha ingresso garantido para a disputa da medalha de ouro. Perdendo ou ganhando, com certeza seria (como foi) sensacional ver a história ser escrita na minha frente.

Com essa peleja, encerrei os trabalhos na Olimpíada fora do Rio de Janeiro. Na manhã da sexta-feira, dia 18 de agosto, me mandei novamente para a antiga capital federal para uma trinca de eventos de respeito para me despedir com estilo do Rio-2016.

Até lá!