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sábado, 12 de dezembro de 2015

JP no Chile (Parte 6 de 13): Na bela Concepción, Ticos derrotam os Bafana Bafana


Minha estadia na República do Chile foi dividida em três partes. Após três dias e cinco jogos em Santiago, na chuvosa manhã da segunda-feira, 19 de outubro, peguei minhas malas e me mandei para o sul do belíssimo país, encerrando a Parte 1 da turnê. Meu destino era a cidade de Concepción, a segunda região metropolitana mais populosa e o maior centro industrial da terra presidida por Michelle Bachelet.

Acordei bem cedo e após um ótimo café da manhã, apreciei a linda vista dos Andes pela última vez, deixei o hotel - uma agradabilíssima surpresa no coração da capital - e fui rapidinho de metrô até a rodoviária. Como meu ônibus sairia às oito horas, me programei para chegar ali faltando vinte minutos para o horário marcado. Na teoria, tudo certo. Na prática...

Quem já pegou ônibus em alguma rodoviária da capital paulista sabe que não temos como comprar uma passagem do Tietê no Jabaquara, ou comprar um bilhete da Barra Funda e embarcar no Tietê, certo? Certo, só que na capital chilena não é bem assim. Comprei a passagem para Concepción num terminal enquanto o busão saía de outro, localizado a três (grandes) quarteirões de distância. Infelizmente confiei na informação incorreta passada pela moça do guichê e não me atentei aos detalhes.

O resultado desse vacilo foi que, faltando cerca de dez minutos para as oito horas, fui obrigado a percorrer - com ênfase no "correr" - quase um quilômetro debaixo de chuva carregando minha mala e uma pesadíssima mochila. Contrariando as expectativas, tive uma grande performance e, honrando as grandes apresentações de Jesse Owens e Carl Lewis, exatamente às 7:59 estava postado na frente do coletivo.

Sem conseguir falar direito e com o fôlego em falta fui buscar meu lugar e somente depois de um bom tempo a respiração voltou ao normal. Somente aí pude me aconchegar com propriedade para passar as próximas seis horas e meia seguintes ali dentro. Dentro MESMO, pois durante toda a viagem não houve nenhuma parada. Isso mesmo, o ônibus seguiu sem escalas, algo que eu nunca vi por essas bandas. Após dormir, ouvir música, mudar de poltrona umas três vezes, comer muita bobagem e apreciar as belas paisagens da primavera do Chile, cheguei na comuna fundada por Pedro de Valdivia.


Durante seis horas e meia, essa foi minha visão do ônibus que me levou até o sul do Chile. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do Terminal Rodoviario Callao, em Concepción. Foto: Fernando Martinez.


Dizer que o estádio fica em frente à rodoviária pode ser um exagero em muitos casos, não nesse aqui. Dez metros separam as duas construções. Foto: Fernando Martinez.


Fachada do belo Estadio Municipal de Collao. Foto: Fernando Martinez.

A rodoviária Penquista fica afastada do centro da cidade, mas é absurdamente perto do Estadio Municipal de Concepción Alcaldesa Ester Roa Rebolledo, também conhecido como Estadio Municipal de Collao, pois apenas uma rua separa os dois locais (para quem conhece, é mais perto do que a distância entre a rodoviária de Poços de Caldas e o Ronaldo Junqueira, por exemplo). Como estava de mala e cuia, não tive como ficar ali direto, então fui obrigado a fazer um bate-volta até o hotel para deixar meus pertences, só depois disso retornando em definitivo ao ponto de partida.

A correria foi plenamente justificada, já que estava lá para ver a rodada inicial do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Abrindo os trabalhos da chave, duas seleções que já faziam parte da minha Lista há algum tempo: África do Sul x Costa Rica. Vi o onze africano em 2012 num amistoso contra o Brasil no Morumbi e os Ticos duas vezes, uma no Pan de 2007 jogando contra Honduras e outra no 0x0 contra a Inglaterra pela Copa do Mundo do ano passado. Ou seja, nada de novo no front.

O ruim foi pensar que eu poderia ter visto um Costa do Marfim x Canadá no lugar desse jogo, mas infelizmente essas duas seleções foram eliminadas do Mundial pelos dois adversários da partida inaugural. Aliás, vale dizer que a presença sul-africana na competição é histórica, pois é a primeira vez que a equipe se classificou para a Copa do Mundo sub-17, enquanto os costarriquenhos chegaram à sua nona participação em todos os tempos.

Já tinha visto fotos do local, porém o Ester Roa ao vivo é muito mais bonito. O estádio foi inaugurado em 1962 e é a casa do Deportes Concepción e do Universidad de Concepción. A cancha passou por reformas visando a disputa da Copa America 2015 e também do Mundial, tendo atualmente a capacidade de 30.448 espectadores. Foi ali que o Brasil foi eliminado pelo Paraguai na competição continental desse ano.

O mais legal de tudo nessa minha estreia na capital do rock chileno foi a sempre agradável presença do senhor frio, na única vez que realmente vi uma peleja com baixa temperatura em toda a turnê. O termômetro marcava 12 graus - com sensação térmica ainda menor por causa do vento - quando encontrei meu lugar na colorida arquibancada. Fiz uma rápida boquinha com guloseimas locais e não demorou para as duas seleções irem no gramado.


Times perfilados para a execução dos hinos nacionais. Foto: Fernando Martinez.


Roberto Cordoba se preparando para cobrar falta a favor da Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.




Três momentos do primeiro tempo de África do Sul x Costa Rica. Foto: Fernando Martinez.

Sem time novo e sem saber nada sobre as seleções, confesso que não sabia o que esperar dessa peleja. Por sorte a partida foi boa e teve a Costa Rica atuando melhor, para a felicidade dos animados torcedores da América Central que estavam reunidos próximos a mim. Os Ticos abriram o placar logo aos sete minutos, quando Kevin Mases completou um preciso passe da direita. A África do Sul tentou embalar para chegar ao empate, só que a afobação dos seus atletas mostrou que essa seria uma tarefa bem complicada.

Jogando na boa, a Costa Rica tomou o primeiro susto apenas no começo do tempo final, em boa cobrança de falta de Dlala que obrigou o goleiro-capitão Alejandro Barrientos a fazer boa defesa. Minutos depois aconteceu a maior chance do empate nos pés do camisa 17 Khanyisa Mayo. Pena que o jogador mandou mal e conseguiu chutar uma bola cruzada da direita quase fora do estádio, mesmo com o arqueiro da Costa Rica batido no lance.


Mbatha, camisa 8 da seleção africana, atacando pela esquerda no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do belo estádio de Concepción, sede do Grupo E da Copa do Mundo sub-17. Foto: Fernando Martinez.


Khanysa Mayo, camisa 17, tentando o gol de cabeça. Foto: Fernando Martinez.

No lance seguinte, o castigo. Em chute do camisa 14 Roberto Córdoba, a bola pegou no ombro do zagueiro Katlego Mohamme, porém o árbitro da Malásia se enganou e acabou marcando penalidade máxima. Andy Reyes foi para a cobrança e aumentou a vantagem dos centro-americanos. No restante do tempo final, os Bafana Bafana fizeram uma pressão meio sem graça em busca do gol de honra. Aos 45, Mayo, aquele mesmo, diminuiu o prejuízo numa cabeçada meio sem querer.

No fim, o placar final ficou em África do Sul 1-2 Costa Rica. Ao final da primeira fase, os sul-africanos foram eliminados com um empate e duas derrotas, enquanto os Ticos terminaram na vice-liderança da chave. Na segunda fase a equipe surpreendeu e eliminou a forte seleção francesa, encerrando a bela campanha apenas nas quartas-de-final, sendo derrotada pela Bélgica pela contagem mínima.


Andy Reyes marcando o segundo gol centro-americano em cobrança de pênalti. Foto: Fernando Martinez.


Visão do ataque da África do Sul no final do jogo. Foto: Fernando Martinez.


De tanto insistir, Mayo conseguiu marcar o gol de honra no último minuto. Meio sem querer, é verdade, mas vale mesmo assim. Foto: Fernando Martinez.


Placar final da partida que abriu os trabalhos do Grupo E do Mundial sub-17. Foto: Fernando Martinez.

Com os primeiros 90 minutos encerrados, as atenções se voltaram para o jogo de fundo. De todos os oito que eu vi durante o Mundial, esse era o mais esperado, primeiro por ter a chance de "matar" dois times e, claro, por serem duas seleções simplesmente sensacionais. Sem dúvida esse foi um dos pontos altos da minha viagem.

Até lá!

Fernando

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