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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

JP na Copa (parte 21): A melancólica despedida brasileira da sua Copa

Fala, pessoal!

Depois de ver meu 12º jogo na Copa do Mundo finalmente aproveitei o restante das minhas férias para o sentido real delas: descansar. Foram dez dias em casa ainda ligadaço em tudo relacionado ao Mundial. Quando voltei ao batente no dia 10 de julho, nem parecia que faltava ainda minha despedida definitiva do certame.

Sempre gostei de assistir pela televisão a decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo e quando tive a chance de adquirir o ingresso para essa peleja, marcada para o belíssimo Estádio Nacional Mané Garrincha, não pestanejei. O cenário ideal para mim seria ver qualquer duelo envolvendo uma das 31 seleções estrangeiras que vieram ao país.


Fachada do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha no penúltimo jogo da Copa do Mundo 2014. Foto: Fernando Martinez.

Só que o Brasil não quis colaborar comigo e, depois do maior vexame da história do futebol mundial em todos os tempos, os comandados pelo superado Felipão "se classificaram" para definir o bronze da Copa contra a Holanda, seleção que já tinha visto contra a Austrália em Porto Alegre e contra o Chile em São Paulo, e que foi derrotada pela Argentina na outra semi. Graças a essa peleja, o selecionado laranja se tornou o time que mais vi no Mundial.


Faixa de boas-vindas entre as colunas do estádio. Foto: Fernando Martinez.

Para essa minha última escala na maior Copa de todos os tempos vivi 24 horas intensas em três capitais com dois voos com uma escala cada de duas companhias aéreas diferentes. Como a partida foi realizada na capital federal, contei, como sempre, com a prestativa ajuda do amigo Raul, dono do ótimo blog Campo de Terra.

Cheguei em Brasília por volta das onze e meia da matina depois de sair de São Paulo às oito e de passar rapidamente em Belo Horizonte. Passeamos por vários pontos turísticos antes de seguimos para o apartamento da simpaticíssima família Dias. Reencontrei o pessoal gente boa e logo estávamos em trânsito de novo, agora para o palco de mais um jogo entre Brasil e Holanda em Copas do Mundo.


Grande público para a decisão do terceiro lugar da Copa 2014. Foto: Fernando Martinez.

Para minha surpresa a torcida estava até que bastante animada mesmo depois do 7x1. Apostava que o pessoal estaria indignado e que muitos devolveriam o ingresso, mas não foi isso que aconteceu. Mais de 68 mil pagantes marcaram presença na partida. Pra variar um pouquinho, fiquei um tempo perambulando pelos vários stands no famoso pré-jogo curtindo cada segundo.

Faltando cerca de meia hora para o apito inicial fui para o meu lugar reservado junto com a Van, que naquela tarde completou sua nona partida no Mundial. Dessa vez a FIFA armou uma pegadinha e nos colocou no penúltimo (!) lugar atrás de um dos gols, lááááá no alto. O lugar era tão longe, mas tão longe, que ficamos acima da própria cobertura do Estádio Nacional.


Seleções do Brasil e da Holanda entrando em campo. Foto: Fernando Martinez.

Bom, a programação estava seguindo como se fosse um jogo "normal" do Brasil. Pessoal aplaudindo os atletas, hino nacional cantado a plenos pulmões, gritos de incentivo e tudo mais. Mas bastou o jogo começar para tudo ir pro ralo e pra galera lembrar do massacre acontecido dias antes em Minas Gerais.


Van Persie se preparando para bater o pênalti que abriu o placar em Brasília. Foto: Fernando Martinez.


Ataque brasileiro no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

Com pouco mais de um minuto de jogo a Holanda teve penal a seu favor. Van Persie bateu bem e abriu o placar, ampliado aos 17 com o gol de Blind. O clima mudou por completo. As vaias surgiram como que num passe de mágica e chegamos a ver vários figuras indo embora do estádio (amadores que não gostam de futebol, mas mesmo assim vale o registro).


Cobrança de falta para o time da casa. Foto: Fernando Martinez.


Tentativa (frustrada, claro) de ataque brasileiro. Foto: Fernando Martinez.

Mostrando uma completa incapacidade em reagir e com o enganador Jô comandando o ataque (de risos), o Brasil não foi páreo para o ótimo time holandês. A sorte foi que os europeus seguraram a one tiraram o pé do acelerador. Se apertassem, o selecionado da CBF tomaria outra bucha.


David Luiz tentou imitar o que fez contra a Colômbia nesse lance... Mas não deu certo. Foto: Fernando Martinez.


Lance de Brasil x Holanda em Brasília. Foto: Fernando Martinez.

Confesso que eu nem me preocupava direito com o que estava acontecendo dentro das quatro linhas, pois estava triste por fazer minha despedida na Copa. O que passei antes, durante e depois dos jogos foi tão legal, tão incomum e tão eletrizante que eu queria que o Mundial não acabasse mais. A cada minuto que passava ficava mais próxima a hora de dizer adeus para o campeonato mais espetacular de futebol que já tive o prazer de acompanhar em toda minha vida.


O pôr-do-sol de 12 de julho entre as colunas monumentais do estádio. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do Estádio Nacional na capital federal. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração holandesa com o terceiro gol. Foto: Fernando Martinez.

O jogo foi seguindo de forma melancólica para muitos, e o gol de Wijnaldum aos 46 do tempo final, fechando a grande vitória holandesa, foi o último prego no caixão da seleção nacional. O placar final de Brasil 0-3 Holanda deixou a Laranja Mecânica como terceira colocada invicta, numa grande Copa de Robben, Van Persie e companhia.


Placar final da despedida ridícula do Brasil no Mundial. Foto: Fernando Martinez.


Pódio montado para a entrega das medalhas ao selecionado holandês, terceiro colocado da Copa 2014. de forma vergonhosa, o Brasil saiu de campo e foi um péssimo anfitrião durante a cerimônia. Foto: Fernando Martinez.


A genial volta olímpica holandesa após a premiação. Foto: Fernando Martinez.

Já o time canarinho terminou a competição de forma vergonhosa, vexatória, ridícula, péssima, etc, etc, etc. O time venceu apenas três dos sete jogos e enumerou uma série bizarra de recordes negativos que serão difíceis de serem batidos. O quarto lugar serviu ao menos para limpar a história dos grandes vice-campeões de 1950, injustamente rotulados de "perdedores" por 64 anos.

Quatro meses depois do fim da Copa a seleção tem novo (velho) técnico e já venceu os quatro amistosos que disputou. Muitos acham que a mancha da derrota nem foi tão grande assim, enquanto a maioria (eu incluído) acham que isso nunca será apagado, a não ser que o time vença uma eventual terceira Copa realizada aqui, isso daqui a uns 80 anos, se acontecer.

Voltando ao 12 de julho de 2014, não queria de jeito nenhum sair do colossal estádio para poder curtir o clima da Copa até o último momento possível. Fiquei com a Van ali mais de uma hora, até um simpático steward pedir minha saída, isso quando o Mané Garrincha já estava completamente vazio. Triste, mas realizado, fui literalmente o último torcedor a sair do estádio.

Para celebrar tudo que fizemos no Mundial saímos dali e fomos até uma sensacional pizzaria próxima ao Plano Piloto. A turma toda ficou por aqui por muito tempo degustando a deliciosa iguaria num bate -papo simplesmente incrível antes de seguirmos até o aeroporto da capital federal.


Noite de despedida da Copa do Mundo com a presença do amigo Raul Dias e sua família sensacional na capital federal. Ô pessoal gente boa! Foto: carro parado no estacionamento.

O voo atrasou um pouco e antes de pousarmos em São Paulo fiz uma genial escala em Cuiabá, com direito a ver do alto a Arena Pantanal, uma das sedes da Copa. Cheguei em casa por volta das nove da matina e dormi bastante antes de acompanhar pela televisão os últimos 120 minutos de futebol da vigésima edição da competição que teve a Alemanha como merecida campeã.

Vivi momentos inesquecíveis na presença de tantos amigos, conhecidos e afins que não tenho como citar todos por aqui. Cada um deles teve participação na minha história pessoal na Copa do Mundo, construída em meio a treze jogos vistos ao vivo, mais de vinte trechos percorridos de avião, alguns trechos de ônibus, visitas a seis estádios - com direito e onze times novos na Lista num total de 18 seleções vistas entre as 32 participantes - e um número de histórias tão genial que caberiam somente num livro.

Falando em legado, não o do país (que não existiu) e sim do meu pessoal a respeito do Mundial, fica a certeza que mudou algo na minha percepção do futebol. Alguns velhos conceitos não existem mais, e o olhar clínico adquirido em anos de "jogos perdidos" foi modificado. Nem melhor, nem pior, mas bastante diferente. Quem viu pelo menos um joguinho da Copa sabe bem do que estou falando.


Minha última imagem na Copa do Mundo no estádio vazio após curtir 1.200 minutos de futebol ao vivo. Se pudesse, teria feito ainda mais. Foto: Van.

E com esse 21º capítulo, tenho o prazer de encerrar a série "JP na Copa" trazida basicamente por mim e pelo Estevan. Esperamos que todos tenham curtido essa sequência histórica de posts de jogos nada perdidos, mas que mostraram uma visão de quem assistiu o Mundial das arquibancadas e sentiu o clima único da competição. A certeza que fica é que não foi a última Copa do Mundo que vimos de perto... Ah, não foi mesmo.

Até 2018!

Fernando

Um comentário:

  1. Eu também estava lá! http://anotacoestricolores.tumblr.com/post/91782223665/a-copa-do-mundo-in-loco

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