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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

JP na Copa (parte 13): Despedida inglesa contra a sensação do Mundial

Opa,

O décimo terceiro dia da Copa do Mundo do Brasil 2014 marcou também o início da quarta (e última) parte das minhas viagens programadas para a primeira fase do Mundial. Pela terceira vez num período de onze dias fui até Belo Horizonte para um dos jogos que fechou as disputas do Grupo D. O jogo? Inglaterra x Costa Rica.

Antes mesmo dos primeiros raios de sol iluminarem a terça-feira, 24 de junho, já estava seguindo para o aeroporto de Cumbica junto com a Van e o amigo Luiz. Ainda na madrugada, mais precisamente às cinco da matina, decolamos com destino à capital mineira. No avião a escalação da equipe ficou completa com a presença do indefectível seu Natal.

Por volta de seis da manhã pousamos em Confins e ficamos um bom tempo por ali esperando o tempo passar. Entre um café e outro, destaque para a enorme presença de ingleses, a maioria deles devidamente embriagados, chegando de várias partes do país. Em menor número, mas muito felizes com a heroica campanha do país, os sorridentes costarriquenhos também marcavam presença no aeroporto.

Mais uma vez pegamos o busão que fazia o trajeto do aeroporto até o Mineirão e pouco depois das onze horas já estávamos sentindo novamente o fantástico e indescritível clima do Mundial. Sem problemas e com filas pequenas, entramos rapidinho no estádio.


Quarto jogo no Mineirão na primeira fase da Copa e quarta presença do JP, marcando geniais 100% de aproveitamento. Foto: Fernando Martinez.

A alegria inglesa era tão intensa que um torcedor mais desavisado poderia imaginar que o English Team era um dos destaques da Copa mostrando bom futebol e vitórias incontestáveis. Ledo engano, pois o time campeão de 1966 foi bisonhamente eliminado após perder de Itália e Uruguai nas duas primeiras rodadas.

 

Duas das incontáveis bandeiras inglesas presentes no Mineirão. Foto: Fernando Martinez.

Essa foi a primeira eliminação da seleção numa fase inicial desde 1958. Pior: se os ingleses não vencessem o time da América Central, sairiam do Mundial sem nenhum triunfo, outro recorde negativo não alcançado desde a Copa da Suécia. Independente dos números para mim o que valeu mesmo foi finalmente colocar o meu quinto campeão do mundo na Lista (depois de Brasil, Argentina, Itália e Espanha).


A torcida inglesa também estava com suas musas perambulando pelo Mineirão. Foto: Fernando Martinez.


Visão gral do estádio mineiro para a peleja. Nesse dia, o público presente foi de 57.823 pagantes. Foto: Fernando Martinez.

Para essa despedida a situação era complicada, pois a adversária, surpresa absoluta da Copa 2014, queria fechar a primeira fase com 100% de aproveitamento. Nem o mais ferrenho torcedor da Costa Rica imaginava viver na pele um verdadeiro conto de fadas.

A equipe chegou ao Brasil para sua quarta participação em Mundiais ostentando duas eliminações na primeira fase (2002 e 2006) e uma nas oitavas (1990). Por ter caído no "Grupo da Morte", 99% das pessoas imaginavam que os centro-americanos seriam um glorioso saco de pancadas na chave.

Milagrosamente tudo mudou em apenas 180 minutos. A equipe venceu Uruguai e Itália mostrando um futebol vistoso e surpreendente. Contra os ingleses o time estava na boa e um empate confirmaria a primeira colocação do Grupo D para enfrentar o segundo colocado do Grupo C.


Enquanto precisamos ir de calça num Cotia x Água Santa pela terceira divisão paulista, na Copa do Mundo a presença de bermuda é liberada entre os profissionais de imprensa. Está na hora de revermos nossos conceitos, não? Foto: Fernando Martinez.

Do anel superior das arquibancadas do Mineirão (finalmente a FIFA me colocou num lugar legal no belo estádio) vi um jogo razoável, aonde o time da América Central jogou claramente se poupando para as oitavas e a Inglaterra suou a camisa para se despedir dignamente da Copa do Mundo.


Defesa do goleiro da Inglaterra no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.


Zaga da Costa Rica fazendo o desarme. Foto: Fernando Martinez.

O English Team foi bem e chegou várias vezes dentro da área do ótimo goleiro Navas, só que não conseguiu abrir o marcador. Porém a melhor chance do tempo inicial acabou sendo dos Ticos numa bola na trave em chute de Celso Borges.


Grande chance do English Team no tempo inicial. Foto: Fernando Martinez.


Chuveirinho na área costarriquenha. Foto: Fernando Martinez.


Sturridge fazendo cara feia em ataque inglês. Foto: Fernando Martinez.

No segundo tempo os times continuaram mostrando boa vontade. Sem muita inspiração dentro de campo, o maior momento acabou sendo a entrada de Wayne Rooney e Steve Gerrard, respectivamente aos 31 e aos 28 minutos. Essa foi a última partida do meia do Liverpool na sua seleção. O atleta vestiu a camisa da Inglaterra em 114 jogos.

 

Placar do Mineirão anunciando a entrada de Gerrard e Rooney na Inglaterra. Fotos: Fernando Martinez.


Cobrança de falta de Lampard no tempo final. Foto: Fernando Martinez.

A torcida não deixou de empurrar as duas seleções, mas a peleja terminou em Costa Rica 0-0 Inglaterra, meu primeiro e único jogo sem gols que acompanhei no Mundial. A Costa Rica passou como primeiro da chave e após vencer a Grécia nas oitavas, caiu nas quartas, também nos pênaltis, contra a forte Holanda. O oitavo lugar marcou a melhor campanha do país em Mundiais.


Ataque da Costa Rica com Bolaños e marcação de Sterling. Foto: Fernando Martinez.


Torcida da Inglaterra saudando Gerrard em cobrança de escanteio. Foto: Fernando Martinez.

Já a Inglaterra terminou a Copa num decepcionante 26º lugar, a pior campanha em todos os tempos. Mesmo assim o que a torcida inglesa fez depois do jogo foi de arrepiar. O pessoal aplaudiu os atletas por cerca de cinco minutos, mostrando um exemplo de como torcer. E pensar que ainda tem gente que acha o Brasil o "país do futebol"...

Bom, jogo terminado, time novo na Lista, até aí tudo bem. O "problema" agora seria encontrar algo para fazer nas próximas 15 horas, pois o meu voo para a próxima escala estava previsto para decolar de BH somente às seis da manhã do dia seguinte. O que se viu foi um dia de turista salpicado com momentos de extrema surrealidade.

Primeiro fomos perambular pelo bairro e passamos um bom tempo na região da Lagoa da Pampulha. Foi bom demais ficar de papo pro ar na agradável tarde sem hora para ir embora. Duas horas depois resolvemos ir para o centro da cidade. Alguns ônibus especiais para ainda estavam estacionados aguardando as últimas viagens do dia.


Belíssima visão do Mineirão refletindo na Lagoa da Pampulha. Foto: Fernando Martinez.

Pegamos o primeiro busão disponível e logo encontramos três costarriquenhos extremamente simpáticos. Começamos a conversar com o pessoal e a partir de então eles nos fizeram companhia até a noite. Fomos jantar num shopping na região central e ficamos um bom tempo conhecendo muitas coisas sobre a Costa Rica.


Nós com o simpaticíssimo trio de costarriquenhos Rodolfo, Marcelo e Alejandra no pós-jogo de Costa Rica x Inglaterra. Sensacional! Foto: Garçom.

Do shopping fomos até a rodoviária. O grupo então se dividiu: os amigos da América Central foram para Vespasiano e o Luiz voltou para São Paulo pois no dia seguinte iria para Brasília. Já era dez da noite e agora o lance era descolar algum lugar para dormir. Os dois hotéis mais razoáveis que conhecia estavam lotados, e, sem um Plano B, fui procurar na hora algum lugar minimamente decente para bater uma soneca.

Eis que no meio da rua surgiu do nada um senhor clone do personagem de Dustin Hoffman no clássico filme Perdidos da Noite. O tiozinho - registre-se: com cabelos oleosos, roupa encardida, bafo de cana e um vocabulário impecável - nos abordou no meio da rua informando que "conhecia um hotel para pessoas distintas bem próximo dali".

Com o "modo alerta" ligado resolvi dar uma chance para a (até então) simpática criatura da noite. O hotel ficava a duas quadras de distância e depois de subir cerca de 120 degraus visualizei a recepção do local. Me senti como Marty McFly se sentiu ao acordar em 1955, pois o lugar era um exemplo vivo que os filmes da Boca do Lixo ainda existem em algum universo paralelo. Em 1974 tudo estava lá do mesmo jeito que hoje, com certeza.

No fim o quarto não era tão ruim assim e decidimos ficar por lá mesmo. O destaque negativo ficou por conta do banheiro com água fria e com uma janela do teto ao chão que não se fechava completamente. Confesso que não me espantarei se assistir meu banho daquela noite disponibilizado na internet.

Cansado ao extremo dormi com um olho fechado e o outro aberto cerca de cinco horas e às quatro da matina já estava de pé novamente. Em meio aos crackeiros da madrugada voltei para a rodoviária para mais uma viagem de coletivo para Confins. Enquanto a Van voltou para a capital paulista eu segui sozinho para a cidade de Salvador, palco de um dos jogos mais legais da Copa do Mundo 2014.

Até lá!

Fernando

Um comentário:

  1. SR. FERNANDO PARABE NS PELOS JOGOS DO MUNDIA 2014. VOLTANDO AO FUTEBOL DA 2 DIVISAO VOCES PARARAM DE MOSTRAR JOGOS DA 3 FASE. GOSTARIA QUE VOCES FIZESSEM DOIS JOGOS DA PORTUGUESA SANTISTA E M ULRICO MURSA SANTOS CONTRA O GUARIBA E CONTRA O PAULINIA. FIZESSEM UM JOGO DO MANTIQUEIRA DE GUARATINGUETA E UM JOGO DO ATIBAIA E DO MAUAENSE. ANTES DE TERMINAR A 3 FASE. AGRADEÇO DE CORAÇAO ME RESPONDA. FICO NO AGUARDO . VOCES NAO FIZERAM O JOGO DA PORTUGUESA SANTISTA E GREMIO PRUDENTE NO ULRICO MURSA DOMINGO.

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