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domingo, 3 de agosto de 2014

JP na Copa (parte 8): Croácia faz chover (gols) na Amazônia

Salve amigos!

Depois de cinco agradáveis dias em Cuiabá, com direito a um bate-e-volta em Brasília, voei para Manaus, no meio da Floresta Amazônica, para acompanhar o duelo entre Camarões e Croácia, dois adversários do time da CBF no Grupo A da primeira fase da Copa do Mundo de 2014.

Com quase dois milhões de habitantes, Manaus é a sétima maior cidade de nosso país e única sede de nossa maior região em extensão, a Norte. Famosa por sua importância em tempos passados, no ciclo da borracha, e em tempos mais recentes por sua decadente zona franca, a cidade cresceu às margens do Rio Negro, que também é sua principal “estrada”: do Porto de Manaus partem embarcações para diversas cidades da região, como Parintins, famosa pelo festival dos Bois.


Visão panorâmica de Manaus, com destaque para o Rio Negro e o porto em primeiro plano, e a ponte que liga a capital a Iranduba (na primeira incursão do JP na cidade, a travessia era feita por balsas). Foto: Estevan Azevedo.

Uma das maiores preocupações que me afligiam antes de chegar era o famoso calor local. Felizmente, depois do surpreendentemente agradável clima de Cuiabá, fui brindado pelo “inverno” amazônico. Desde que eu não ficasse embaixo do sol, a coisa estava bem suportável. Curiosidade local: os horários de visitação dos centros culturais se estendem até às 21 horas. Motivo: ninguém, em sã consciência, sai de casa durante o dia em Manaus, para passear.


Detalhes da belíssima fachada da Arena Amazônia. Foto: Estevan Azevedo.

Meu pré jogo foi o mais tenso dessa Copa. Meu voo saía de Cuiabá, faria uma escala em Porto Velho e chegaria em Manaus às 15h, sendo que o jogo estava marcado para às 18h. Isso sempre nos horários locais. Muitos vôos dessa viagem poderiam atrasar e quase nenhum atrasou. Esse atrasou. Meia hora. O suficiente para o caos se avizinhar em minha mente.

Cheguei em Manaus duas horas e meia antes do jogo. Teria que atravessar a cidade para deixar minhas coisas no hotel e atravessar novamente para voltar ao estádio. Teria sido bem mais tranquilo não fosse a brilhante estratégia da organização local, que fechou duas das três vias de acesso ao centro, razão pela qual cheguei ao hotel somente uma hora e meia antes da partida. Joguei minhas coisas pelo chão do quarto, troquei de roupa rapidamente e corri pra aproveitar um táxi que alguns mexicanos estavam esperando.



Arena Amazônia. Foto: Estevan Azevedo.

Quarenta e cinco minutos depois de um trânsito infernal, finalmente avistamos a imponente e bela Arena Amazônia trinta minutos antes do jogo. Agora, era só torcer pra que não houvesse grandes filas. E elas felizmente não existiram. Consegui entrar no estádio faltando quinze minutos para a peleja, minha primeira válida pela segunda rodada da primeira fase.


Devidamente acomodado e pronto para acompanhar o espetáculo. Foto: Estevan Azevedo.

Os Leões Indomáveis vinham de uma derrota para os mexicanos, pelo placar mínimo, de forma muito controvertida devido à anulação de dois gols dos latinos. Os croatas haviam feito uma excelente partida de estreia contra o time da casa, cujo placar não refletiu o que se viu em campo. Para os croatas, a Copa começava ali. Para os africanos, ali terminaria.


Escanteio para Camarões logo aos 3 minutos e Pranjic salva cabeçada de Aboubakar, mas o árbitro havia marcado falta de ataque. Foto: Estevan Azevedo.

As primeiras subidas ao ataque foram camaronesas, mas foram os croatas que marcaram primeiro. Logo aos 10 minutos, Srna cruzou da direita para Mandzukic, a bola sobrou para Perisic, que viu Olic livre na entrada da pequena área, e os europeus abriram o marcador.


Árbitro Pedro Proença acalmando os ânimos dos camisas 17, Mbia e Mandzukic. Foto: Estevan Azevedo.

O gol foi um banho de água fria para os camaroneses que, até então, estavam bem na partida. Os croatas assumiram as rédeas da partida e cinco minutos depois estiveram bem perto de ampliar: Pranjic cobrou escanteio da esquerda, e Olic finalizou. O goleiro Itandje milagrosamente salvou com os pés, no reflexo.


Croatas retornam a seu campo após o gol de Olic. Foto: Estevan Azevedo.

O jogo seguiu sem grandes chances de gol, mas a desvantagem camaronesa aumentou aos 40 minutos, quando Song deu um soco nas costas de Mandzukic fora da disputa de bola, e recebeu cartão vermelho do árbitro português Pedro Proença.


Lance da primeira etapa. Foto: Estevan Azevedo.

A segunda etapa começou com um banho de água fria sobre a seleção africana, logo aos três minutos. O goleiro Itandje fez a reposição de bola nos pés de Perisic, que dominou ainda no meio do campo mas encarou uma avenida livre pelo lado direito da defesa africana e ampliou o marcador, sem chances para o inconsolável arqueiro.


Visão panorâmica da Arena Amazônia, por ocasião da partida. Foto: Estevan Azevedo.

Aos seis minutos, Mandzukic poderia ter feito o terceiro gol do time, ao receber um lançamento que o deixou de frente para o goleiro camaronês, mas acabou tentando colocar a bola à esquerda de Itandje, e ela foi para fora. Camarões respondeu em seguida, com Nonkeou, que entrou na segunda etapa, recebendo um cruzamento da esquerda e batendo de primeira por cima do gol de Pletikosa.


Belo visual da peleja, com uniformes super coloridos. Foto: Estevan Azevedo.


Croatas marcaram presença entre os 39.982 torcedores presentes. Foto: Estevan Azevedo.

Mas a verdade é que, com o segundo gol, Camarões perdeu o rumo em campo. Aos 15 minutos, Ekotto saiu jogando mal e tocou para Rakitic. Na sequência, Modric tabelou com o brasileiro naturalizado, Sammir, e conseguiu um escanteio. No minuto seguinte, o capitão N’Koulou cortou um cruzamento de Pranjic. O próprio Pranjic cobrou e Mandzukic subiu sozinho entre os zagueiros e, de cabeça, fez o terceiro gol croata.


Ataque croata na segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Arena Amazônia praticamente lotada. Foto: Estevan Azevedo.

Aos 25 minutos Mbia arriscou da intermediária, com muito perigo ao gol defendido por Pletikosa, mas a bola passou alguns centímetros acima do travessão. A resposta croata veio em três minutos: no primeiro lance de Kovacic, que substituiu Sammir, um cruzamento para Eduardo, da entrada da área, bater ao gol. Itandje deu rebote nos pés do artilheiro Mandzukic que, sem perdão, balançou as redes. 4 a 0 para a Croácia.


Bola na área croata, mas sem perigo ao gol de Pletikosa. Foto: Estevan Azevedo.

Moukandjo, aos 41, perdeu uma boa chance de fazer o gol de honra, e a Croácia ainda teve duas chances de ampliar, com Rebic e depois com Rakitic, que desperdiçou uma oportunidade inacreditável. Os eletrizantes minutos finais ainda reservaram uma bola na trave na cabeçada de Eyong, que recebeu cruzamento do bom lateral cabeludo, Ekotto.


Falta para Camarões no final da partida. Foto: Estevan Azevedo.

Fim de jogo, Camarões 0x4 Croácia. Com esse resultado, os africanos foram eliminados, e os europeus ganharam bastante moral para enfrentar o México na decisão da vaga. Mesmo apesar do empate contra o time da CBF, me parecia que os mexicanos sucumbiriam ao poder ofensivo croata, o que acabou não acontecendo.


Detalhe da iluminação da Arena. Foto: Estevan Azevedo.

Após o jogo, o retorno para casa foi tranquilo. Aproveitei pra fazer um lanche nas imediações do estádio, e acabei desistindo de me amparar nas desencontradas informações prestadas pelos voluntários, e acabei voltando para o Hotel de moto táxi.

 

Inusitada comemoração croata em um boteco local e a presença de alguns comportados manifestantes na saída do estádio. Fotos: Estevan Azevedo.

Depois de um banho, caminhei até a Praça São Sebastião, onde rolou a confraternização dos locais com os estrangeiros, e muita comemoração croata em frente o tradicional Bar do Armando, tudo bem iluminado pelas luzes do imponente Teatro Amazonas.

Foram três noites na cidade, onde fiz muitos amigos: o chileno Jorge, músico da Orquestra do Teatro Amazonas; o ex-jogador de basquete Ben, camaronês que reside em Bordeaux; e um enorme grupo de Trinidad & Tobago, incluindo Brian London, cantor muito famoso nas ilhas caribenhas, e Richard Parisiene, músico e dançarino de um grupo de calypso, entre tantos outros com quem conversei, americanos, croatas, camaroneses, colombianos, hondurenhos, italianos e, porque não, brasileiros.


Teatro Amazonas, cartão postal da cidade. Foto: Estevan Azevedo.

De Manaus, parti para um fim de semana inesquecível, saindo de Manaus para Porto Alegre, parando em Belo Horizonte para mais uma partida, e terminando o domingo em Fortaleza, depois de cruzar o país de norte a sul por duas vezes em 48 horas. Mas isso é assunto para as próximas matérias.

Até breve!

Estevan Azevedo

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