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terça-feira, 13 de maio de 2008

Jogo antológico na volta da Portuguesa ao Brasileirão

Opa,

Finalmente fechando o final de semana dos jogos com cobertura do JOGOS PERDIDOS, vamos agora com a rodada noturna do domingo. O campeonato em questão não é nem um pouco perdido, pois temos coberturas de 512 canais de TV, 747 jornais, sites em profusão e tudo mais, mas perder a volta da querida Portuguesa ao Campeonato Brasileiro, jogando contra o Figueirense no genial Canindé era simplesmente imperdível!

Eu e o David então seguimos para o estádio, que não via um jogo da Lusa pela principal competição nacional desde o longínquo dia 10 de novembro de 2002, quando o time rubro-verde perdeu do Flamengo. Grande parte do JP esteve lá nesse dia e viu praticamente a equipe ser rebaixada naquela ocasião. Desde então, acompanhamos cinco longos anos da Lusa na Série B penando muito para voltar à elite. E agora finalmente ela voltou para o lugar que merece.


Visão geral do jogo entre Portuguesa e Figueirense, estreando no Brasileiro 2008. Foto: Fernando Martinez.

Chegamos então em cima da pinta para a partida, não sem antes vermos os tradicionais cambistas desfilarem com seus inúmeros ingressos nas mãos, e com os torcedores sofrendo para garantir seu lugar na festa. Festa que seria coroada com uma grande vitória do time, buscando um lugar ao sol. E a festa começou cedo, logo aos 4 minutos, com o primeiro gol dos donos da casa. O jogador Marco Aurélio escorou cruzamento e deixou a Lusa na frente.


Falta perigosa para o Figueira no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

Depois desse gol, a partida ficou bastante equilibrada, com a Portuguesa tentando chegar e o Figueirense procurando antes de defender para depois tentar alguma coisa no ataque. E a partida seguiu assim até os 36 minutos, quando o Figueira empatou. O ex-jogador da Portuguesa Rodrigo Fabri estava sozinho no meio da área e só completou toque da esquerda. Com o gol, ele foi bastante homenageado pela torcida rubro-verde, que lembrou inclusive de parentes perdidos da quinta geração do jogador.

E quando o jogo parecia que seguiria empatado para seu descanso, a Portuguesa passou novamente à frente do placar. O lateral Patrício recebeu toque preciso, e com estilo driblou o goleiro antes de só empurrar a bola para as redes. Lusa 2 a 1 e agora intervalo de jogo. No intervalo vimos muitas caras conhecidas dos jogos da Lusa no Canindé, e só não vimos por ali o grande fantasma Sardinha, xingando alguém em êxtase.

Bom, e não imaginávamos que veríamos um segundo tempo simplesmente fenomenal e histórico. Com 1 minuto, o jogador Marco Aurélio acertou uma poderosa cabeçada na trave e fez o 'uuuhhhhh' na torcida. Mas no contra-ataque o Figueirense empatou em perfeita cobrança de falta de César Prates. Será que a Portuguesa sentiria esse gol?


Cabeçada que bateu na trave no começo do segundo tempo para a Lusa. Foto: Fernando Martinez.

A resposta veio em forma de avalanche e em quatro minutos a Portuguesa fez três gols. Aos 11, o jogador Bruno Rodrigo subiu mais alto em cobrança de escanteio e marcou o terceiro. Aos 13, Diogo ampliou de pênalti e aos 14 Christian fez um golaço quase sem ângulo de pé esquerdo. Portuguesa 5 a 2 e festa absoluta da torcida! E mesmo com o 5 a 2 a Portuguesa teve mais chances de ampliar. Talvez o sexto e o sétimo gols não fossem nenhum absurdo. Mesmo o terceiro gol do Figueirense aos 24 minutos, através de Felipe Santana, não assustou a torcida, que ainda fazia a festa nas arquibancadas.


Quarto gol da Portuguesa, o primeiro de Diogo no ano. Foto: Fernando Martinez.


Festa no quinto gol da Portuguesa dentro e fora de campo: conexão total jogadores-torcida. Foto: Fernando Martinez.

Mas conforme o tempo ia passando o técnico Benazzi resolveu "garantir" o resultado e abdicou totalmente do ataque, tirando os atacantes para fortalecer lá atrás. Isso já deixou parte da torcida preocupada, já que com isso a equipe ficaria completamente na defesa, atraindo o Figueira para seu campo de jogo. E as mudanças realmente refletiram o medo dessa parte da torcida.

O Figueirense se encheu de atacantes e passou a dominar o jogo, mas sem ter chances tão claras de gol. Mas de forma insólita, o time chegou ao quarto gol aos 43 minutos, numa jogada que contou com bobeada total da zaga portuguesa e que terminou com o chute de Bruno Santos. O impossível parecia algo muito palpável, e os minutos finais seriam de desespero.


Zaga do Figueira tira o perigo que rondava a área do time. Foto: Fernando Martinez.

A Portuguesa acabou tomando o castigo decisivo aos 47 minutos, em mais um eclipse mental da sua zaga. Depois de erros cruciais, a bola foi cruzada para a área no meio de dois zagueiros e o goleiro da Lusa. Mas Felipe Santana foi mais rápido e empatou o jogo de forma heróica e milagrosa para o time catarinense.

Uma festa que parecia a conquista de um título mundial por parte da torcida, comissão técnica e jogadores do Figueira e a raiva e decepção por parte do pessoal do rubro-verde. Final de jogo: Portuguesa 5-5 Figueirense. Um resultado incrível e que deixa os dois times com um ponto na tabela de classificação, inclusive com a Lusa sendo o único paulista que pontuou nessa primeira rodada do Brasileirão 2008.


Destaque do placar antológico que acompanhamos no Canindé domingo. Não é fácil ver um 5x5. Foto: Fernando Martinez.

Mas vale ressaltar novamente o placar do jogo. Foi apenas o segundo 5x5 da história do Brasileiro, igualando um jogo entre Atlético/MG e Botafogo/RJ em 1998. E somente dois jogos tiveram mais do que os dez gols desse jogo (em tempo, os jogos foram Corinthians 10x1 Tiradentes em 1983 e Bahia 4x7 Santos em 2003). Com dez gols, além desse jogo do domingo, mais oito partidas na história tiveram o mesmo número de tentos.

Além de termos tido o prazer de ver a re-estréia da Lusa no Canindé, vimos um placar raríssimo em 38 anos de Brasileirão. Com certeza será um jogo relembrado por muitos anos não só por nós do JP e sim por muita gente e em vários livros de estatísticas por aí. Bom, e depois do jogo então, mesmo cabreiros com a não-vitória da Lusa, voltamos para nossos lares com a sensação de dever cumprido. E semana que vem tem mais!

Até lá

Fernando

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